BLOG FORA DO AR: A EXPLICAÇÃO, A SOLUÇÃO TEMPORÁRIA E O MEU AGRADECIMENTO AO PT...

Publicado em 18/06/2014 03:20 e atualizado em 14/07/2014 16:20 2153 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

BLOG FORA DO AR: A EXPLICAÇÃO, A SOLUÇÃO TEMPORÁRIA E O MEU AGRADECIMENTO AO PT POR SEU ESPÍRITO NAZIFASCISTA E SUA CAMPANHA EM FAVOR DO ÓDIO. O SR. CANTALICE NOMEOU OS ALVOS PARA AS SUA TROPA DE ASSALTO

Ernst Röhm, o chefe da SA nazista: antes de Cantalice, ele já fazia listas para espancamentos

Ernst Röhm, o chefe da SA nazista: antes de Cantalice, ele já fazia listas para espancamentos

Caros,

como vocês devem ter percebido que, no começo da tarde, o blog saiu do ar. Voltou agora há pouco. São as dores do sucesso, hehe. O que aconteceu? Um conjunto de coisas. Em primeiro lugar, muita gente tentando acessar a página ao mesmo tempo. Embora a Abril dedique um servidor só à minha página, deu pau mesmo assim.

A demanda por aquele post em que denuncio a campanha de cunho nazifascista do PT contra nove jornalistas também contribuiu para tirar o blog do ar. Mais: nesse post, há, publicados, 3.231 comentários, que estavam carregando ao mesmo tempo. POR ENQUANTO, ELES FORAM DESABILITADOS, E NÃO SE ACEITAM INTERVENÇÕES NOVAS. MAS ELES NÃO SE PERDERAM, NÃO, E VOLTARÃO AO AR EM BREVE.

Estamos tomando as providências técnicas para que isso não se repita. Quando o blog saiu do ar, já havíamos recebido mais de 300 mil visitas. Segundo as projeções, teríamos chegado a 1,3 milhão de visitas só hoje!

Os petralhas têm certa razão. Sou grato ao PT, especialmente ao sr. Alberto Cantalice, o vice-presidente do partido, que deu o nome dos nove jornalistas que devem ser alvos da SA, a Tropa de Assalto do partido, à moda daquela que era chefiada por um certo Ernst Röhm (foto)…

Foi tal a onda de indignação dos leitores que as consequências chegaram também ao site do PT. Trato disso no próximo post, que é de humor.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em entrevista a blogueiros puxa-sacos, Gilberto Carvalho nega que só leitores do Reinaldo Azevedo e de mais oito “Homens Maus” tenham vaiado e xingado Dilma. Huuummm… Mas ele nos acusa, sim, de corromper o povo. Ah, se pudesse nos obrigar a tomar cicuta…

Carvalho: é petista, mas está longe de ser burro. Tiro no pé, ele percebeu, é culpas os... brancos!

Carvalho: é petista, mas está longe de ser burro. Tiro no pé, ele percebeu, é culpar os… brancos!

Ah, então Gilberto Carvalho, Secretário-Geral da Presidência, não concorda com Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, e com os blogueiros “progressistas” como um táxi? Também não concorda com o próprio Luiz Inácio Lula da Silva? Segundo todos esses luminares do pensamento, quem vaiou e xingou Dilma no Itaquerão foi a “elite branca de São Paulo”, que “não tem calos nas mãos”. Como se Lula os tivesse. No máximo, tem a mão peluda. Com calo, não!

Carvalho se encontrou com os chamados “blogueiros de esquerda” e com ativistas — vocês sabem, aquele pessoal que pensa com a independência que lhes conferem os anúncios das estatais, do governo federal e das gestões petistas — no Palácio do Planalto. Muito mais esperto do que Cantalice — afinal, o vice-presidente do PT é um amador nas artes em que Carvalho é profissional — e capaz de refletir (ainda que reflexões, a meu ver, malignas), coisa estranha a seus entrevistadores, o ministro os deixou um tantinho perplexos:

“Me permitam, pessoal, no Itaquerão não tinha só elite branca, não. Não fui pro jogo, mas estive ao lado [do Itaquerão], numa escola (…), fui e voltei de metrô. Não tinha só elite no metrô. Tinha muito moleque gritando palavrão dentro do metrô que não tinha nada a ver com elite branca”

Vai ter jornalista praticando suicídio! E mais:
“A coisa desceu. Isso foi gotejando, de água mole em pedra dura, esse cacete diário de que inventamos a corrupção, de que nós aparelhamos o Estado brasileiro, de que somos um bando de aventureiros que veio aqui para se locupletar, essa história pegou. Na elite, na classe média, e vai gotejando, vai descendo. Porque não demos o combate, não conseguimos fazer o contraponto.”

Mas calma! Carvalho continua Carvalho:
“Nós não fizemos o debate na mídia pra valer; nós passamos esse tempo todo com uma pancadaria diária que deu resultado. E que resulta no palavrão para a Dilma”.

Retomo
Vejam bem: assim como Cantalice e Lula, Carvalho também acredita que é tudo culpa da mídia. O vice-presidente do PT já escolheu os nove primeiros que devem tomar cicuta: Reinaldo Azevedo, Augusto Nunes, Diogo Mainardi (será executado por Carta Rogatória), Demetrio Magnoli, Lobão, Guilherme Fiuza, Arnaldo Jabor, Marcelo Madureira e Danilo Gentili. A lista do ministro, suponho, deve ser um pouco maior.

A diferença entre eles, ligeira, é que Cantalice acha que os que vaiaram e xingaram são os leitores, ouvintes e telespectadores dessa “Gangue dos Nove”. Carvalho já acredita que a “elite reacionária” para a qual falamos começou a contaminar o povo — começou a “descer”, no seu linguajar. É isto: a exemplo de Sócrates, fazemos mal à comunidade.

Em qualquer caso, a mídia, obviamente, é culpada, e nisto, certamente, todos estão de acordo: é preciso fazer alguma coisa com essa gente asquerosa. O ministro acha que eles (o “nós” dele) não fizeram “o debate na mídia”. Sei lá o que é fazer o debate. Entendo que, ao falar “nós”, ele englobava os interlocutores, aquela gente chapa-branca que estava lá para receber as palavras de ordem.

É verdade! Os áulicos não fizeram o debate porque estavam ocupados demais ofendendo pessoas. Vejam o escarcéu que fizeram com o texto sujo de Cantalice. Acharam que estavam marcando um “golaço” ao lançar o nome de nove jornalistas no esgoto bem remunerado em que circulam. Resultado?

Foi contraproducente. Não tivesse dado pau por excesso de acessos, meu blog teria atingido ontem 1,3 milhão de visitas NUM ÚNICO DIA. Mesmo ficando quase todo o dia foram do ar, foram 411.088; no dia anterior, 417.433. A resposta que dei ao sr. Cantalice mobilizou muita gente. Isso, sim, é tiro no pé.

A coisa toda chegou a ser engraçada: derrubamos o site do PT e sem cometer crime nenhum! Publiquei aqui o link para a íntegra do vomitório de Cantalice. Foi tal o número de acessos por lá que caiu a página dos companheiros.

Os nove que o PT decidiu entregar à malta pensam a mesma coisa? Quem os lê e os ouve sabe que não. Não formam um grupo. O que têm em comum? Só o ódio que o PT nutre por eles os une. Porque todos têm um defeito insuportável para essas almas totalitárias: falam o que pensam. E o terror dos totalitários não e haver uma grande massa que os conteste. Com isso, eles sabem lidar: passam fogo e pronto! Assim fizeram seus congêneres no passado. Eles temem mais é a resistência individual. Veem em cada pessoa que contesta, em cada pessoa que diz “não”, o sinal de sua falência. Porque precisam da unanimidade. E isso não terão.

Não gosto de quase nada do que Carvalho pensa, mas lhe faço um elogio: ele… pensa! Não está entre os cabeças de bagre do PT. eU O conheço bem de Santo André. Ele também me conhece. Está é com receio do estádio Mané Garrincha, na segunda, no jogo da Seleção Brasileira contra a de Camarões. Essa história de “elite branca” deixou muita gente irritada. À diferença do que diz o PT e repetem seus áulicos, o efeito da campanha de hostilização dos torcedores foi contraproducente. Não custa lembrar que Dilma foi impedida de discursar nesse mesmo estádio na Copa das Confederações.

Em suma, todos eles querem acabar com esse negócio de imprensa livre. A diferença é que o inteligente Gilberto Carvalho pretende nos acusar de corromper o povo com o nosso elitismo e reacionarismo — se puder, obriga a gente a tomar cicuta. Já os estúpidos acreditam que, se partirem para um confronto de classes, o PT sairá ganhando. As cavalgaduras, inclusive as que conversavam com Carvalho, ainda não perceberam que o segredo do poder petista reside na conciliação de classes. A CAMPANHA DO ÓDIO É DO TEMPO EM QUE O PT NÃO ELEGIA NINGUÉM.

Ou Dilma não decidiu ontem comprar o apoio de parte do empresariado com migalhas? Como não tem política eficiente a oferecer, resta-lhe abrir o cofre.

Por Reinaldo Azevedo

 

Coleguinhas não precisam se esconder debaixo da cama; o PT sabe reconhecer um crítico útil

O PT elabora uma lista negra de jornalistas, publica em seu site, dando uma espécie de sinal verde para seus militantes partirem para a ação direta, e é claro que não haverá nenhuma entidade da “catchiguria” que vai reclamar. Ao contrário: se for o caso, elas vão lá e se oferecem para executar a pena. Vejam a armação de que foi vítima a jornalista Rachel Sheherazade, do SBT. Até gente que considero amiga, que não está conscientemente (ao menos) rendida à “nova ordem”, tentou ponderar comigo: “Ah, também ela exagerou…” E poucos se deram conta de que sua fala foi escandalosamente distorcida. 

O post em que trato da lista negra do PT já abriga quase 2.300 comentários — sem contar outro tanto que não foi publicado, ou porque há exageros que só ajudam a má causa dos fascistas, ou porque, claro!, a malta resolveu entrar no blog para aplaudir a decisão. Mas estes, os petralhas, apenas fazem o seu trabalho.

Muito mais asquerosas são aquelas pessoas que resolveram vir me dar “conselhos”: “Pô, Reinaldo, se você pegasse um pouco mais leve…” É mesmo? Será que é disso que se trata? Vocês viram a lista do sr. Cantalice? Posso entender por que o fascismo petista quer a minha cabeça e a de Augusto Nunes, ainda que não pensemos as mesmas coisas. Mas Demetrio Magnoli, por exemplo, opera em outro registro, bem distinto do meu — mais acadêmico, sem ser chato, já que escreve muito bem. Danilo Gentili comanda um talk show na TV — o programa tem sotaque jornalístico também, mas é evidente que o acento está no entretenimento — e atua como ator e humorista.

Arnaldo Jabor, que não deve concordar comigo em quase nada, dispõe, sei lá, de um ou dois minutos no “Jornal da Globo” umas duas ou três vezes por semana, não sei ao certo. É um crítico, sim, da extrema-esquerda, mas já deve ter batido mais na “direita”. Guilherme Fiuza, um articulista de primeira, não reza segundo a cartilha petista, é claro!, mas busca menos as asperezas do PT do que eu, por exemplo — e considero isso uma virtude, não um defeito. O cantor e compositor Lobão os irrita muito especialmente porque pertence a um mundo em que assumir posições de esquerda parece tão natural como dizer que hoje é terça-feira. Diogo Mainardi, por ora ao menos, está um tanto afastado das questões, vamos dizer, mundanas — e suas intervenções sobre assuntos mais urgentes estão restritas, por absoluta escolha sua, ao programa Manhattan Connection. Marcelo Madureira discorre com muita propriedade, sim, sobre política, mas também a sua pegada principal é o humor.

E por que, tão distintos entre si, entraram no radar do petismo? Em primeiro lugar, é evidente, porque a crítica que fazem incomoda. E olhem que somos todos umas normalistas se tomarmos como padrão, por exemplo, a acidez da imprensa americana, tenha lá o analista o viés que for. Em segundo lugar, porque, é fato, o petismo vem domesticando e colonizando o jornalismo brasileiro. E não é de hoje. O partido percebeu que os coleguinhas podem aceitar qualquer desaforo, qualquer mesmo — inclusive tabefes de manifestantes; só não aceitam ser chamados de “direitistas”, de “conservadores”. Ah, isso não! Aí eles piram! Assim, o partido ameaça permanentemente os profissionais com um carimbo: “Se você não se comportar, ficará marcado”.

Ora, vejo a lista negra do sr. Cantalice e fico cá a imaginar o suspiro de alívio de muita gente: “Ainda bem que não estou nela!” E, é óbvio, o passo seguinte será modular a ação para nunca entrar. E assim se vai formando uma geração e uma casta de covardes. Daí que eu não estranhe que muita gente — também na “catchiguria” — ache que, de algum modo, só estou no paredão petista porque mereci. E devem pensar o mesmo sobre os outros, ainda que façam trabalhos tão distintos entre si.

Para mim, é uma honra estar na lista negra do PT. É possível que, inconscientemente, desde que os rejeitei, ainda na juventude, eu ambicionasse essa condição. Há suas vantagens:
- não tenho de defender hóspedes da Papuda;
- não tenho de defender o desvio virtuoso de dinheiro público;
- não tenho de defender aliança com José Sarney;
- não tenho de chamar Maluf de “Doutor Paulo”;
- não tenho de dar dinheiro para o comitê do Luiz Moura.

Não tenho, em suma, de ser um militante da união da escória do passado com a do presente.

Quanto aos “coleguinhas” que já se esconderam debaixo da cama, com medo de entrar na lista dos malditos, uma palavra de ânimo: fiquem tranquilos! Como se diz por aí, “boi preto conhece boi preto”. Os petistas sabem reconhecer quem fala mal deles tentando lhes puxar o saco e exaltando suas qualidades morais. Dou a dica aos leitores.

Quantas vezes, meus caros, vocês já ouviram alguns e algumas valentes a dizer que o erro do PT foi, no poder, ter se comportado como os demais partidos? Infinitas vezes! Os petistas adoram ouvir esse tipo de crítica porque isso lhes dá a desculpa moral de que precisam para o mensalão, o dossiê dos aloprados, as relações especiais com Alberto Youssef, entre outras lambanças. Na sequência, eles explicam que só são obrigados a aderir a certos métodos por uma questão de realismo. E o tal crítico, claro!, concorda e escreve em seguida que, em política, ninguém presta mesmo! O PT respeita esse tipo de gente.

A cada vez que vejo a reação escandalizada de um analista político com o casamento entre Maluf e o PT, eu fico a me perguntar a razão do espanto. Afinal, acho que os petistas não têm nada a aprender com Maluf. Mas eles podem, sim, nunca é tarde, ajudar Maluf, que está na lista da Interpol, a ser um verdadeiro profissional.

Por Reinaldo Azevedo

 

Direto ao Ponto

Uma besta quadrada assume o comando da tropa que só consegue matar de rir

Indigente na forma e imprestável no conteúdo, o artigo assinado pelo deputado Alberto Cantalice e publicado no site de PT só serve para informar que uma  besta quadrada é vice-presidente nacional do PT e coordena as redes sociais do partido. Entre um pontapé na gramática e um soco no queixo da ortografia, o coroinha de missa negra culpa “setores elitistas albergados na grande mídia” pelo fiasco do governo lulopetista, pelas manifestações de protesto contra Dilma Rousseff e por mais, muito mais.

Confira o trecho que vai custar ao torturador do idioma e da verdade um processo por calúnia e difamação:

“Personificados em Reinaldo Azevedo, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiúza, Augusto Nunes, Diogo Mainardi, Lobão, Gentili, Marcelo Madureira entre outros menos votados, suas pregações nas páginas dos veículos conservadores estimulam setores  reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes. Seus paroxismos odientos revelaram-se com maior clarividência na Copa do Mundo”.

réplica corajosa e contundente de Reinaldo Azevedo, que subscrevo, nocauteou mais um farsante. Mas não custa acrescentar que, para mim, é uma honra aparecer em companhia de jornalistas independentes no retrato  desenhado pelo vigarista cujos amigos posam de frente e de perfil para o fotógrafo da  Papuda. A exemplo do que fazia José Dirceu fora da cadeia, Cantalice anda ameaçando mobilizar contra a imprensa inimiga “movimentos sociais e forças progressistas”. Com a transferência do guerrilheiro de festim para uma gaiola em Brasília, um sargentão de chanchada assumiu o comando da tropa que só consegue matar de rir.

(por Augusto Nunes)

 

Humorista que imita Dilma é agredido em Búzios por assessor de prefeito, que se mostra condescendente com a violência! É uma vergonha!

Não tinha lido a reportagem do G1 sobre a agressão física de que foi vítima o ator e humorista Gustavo Mendes na cidade de Búzios, no Rio. É claro que se trata de um despropósito. Qualquer que seja o pretexto — político, moral ou religioso —, ações dessa natureza são condenáveis, criminosas. Leiam o texto. Volto em seguida.

Gustavo Mendes no papel de Dilma: ator foi agredido em Búzios

Gustavo Mendes no papel de Dilma: ator foi agredido em Búzios

O ator e humorista Gustavo Mendes, conhecido principalmente por imitar a presidente Dilma Rousseff em programas como Domingão do Faustão, interrompeu um show em Búzios, na noite de domingo (15), após ter sido agredido no palco. Ele acusa um homem chamado Robinho, secretário-adjunto de Governo da Prefeitura. Na segunda-feira (16), o ator preferiu não conceder entrevistas, mas divulgou uma nota oficial sobre o incidente, ressaltando que nunca havia enfrentado situação parecida. Ele também afirma que recebeu diversas manifestações de apoio e que as agressões, verbais e físicas, podem ser comprovadas por vídeos gravados por outros espectadores do espetáculo. Em nota divulgada também nesta segunda, a Prefeitura de Búzios lamenta o ocorrido na noite de domingo e disse que pediu, previamente, o cuidado especial com o texto teatral para que fosse apresentado em praça pública.

O humorista disse em nota que “O show ‘Mais que Dilmais’ foi contratado pela Prefeitura de Búzios para apresentação durante o evento ‘Búzios Love’, em homenagem ao Dia dos Namorados. Em nenhum momento o contratante informou que o show seria inserido em um evento de uma comunidade religiosa ou solicitou qualquer tipo alteração no texto teatral, o que caracterizaria uma censura prévia e isso não é aceito pelo ator. O espetáculo apresentado e contratado é o mesmo que recebeu aplausos em mais de 200 apresentações realizadas em dezenas de cidades de todo o Brasil, com trechos disponíveis em vários vídeos na internet.

O ator Gustavo Mendes afirma que em 16 anos de carreira nunca foi submetido a tamanha violência e falta de respeito com seu trabalho e reforça que em nenhum momento da apresentação ofendeu qualquer pessoa da plateia, de qualquer idade ou crença, e todas as piadas que faz são sobre uma situação e não uma pessoa específica. No caso específico sobre a apresentação em Búzios, Gustavo brincou com o fato de uma antiga proibição de venda de bebidas alcoólicas em festas religiosas dizendo que foi Jesus quem transformou água em vinho”, diz a nota.

De acordo com a Prefeitura de Búzios, “por se tratar de um show inserido em um evento de uma comunidade religiosa, foi solicitado, previamente, o cuidado especial com o texto teatral para que fosse apresentado em praça pública, evitando ofensas e agressões verbais aos presentes. Porém, no decorrer do evento, em diversos momentos, ocorreram episódios deselegantes e desrespeitosos ao público, incluindo idosos e religiosos”.

Antes de divulgar o comunicado, o próprio Gustavo havia explicado a situação em seu perfil no Facebook. Segundo o comediante, ele brincou ao saber que um padre chamado Ricardo, a quem garante não conhecer, havia proibido o consumo de bebidas alcoólicas em festas religiosas na cidade. Gustavo diz que lembrou então que Jesus havia transformado água em vinho e, em tom de brincadeira, exclamou: “Proibir bebida, ah, vá tomar no … !”.

O tom da piada teria irritado algumas poucas pessoas presentes, inclusive Robinho, secretário-adjunto de Governo da Prefeitura. Ele e mais dois homens passaram então a agredir Gustavo. O ator diz que foi chutado e precisou sair do palco escoltado por policiais. A maior parte do público, no entanto, condenou a agressão e pediu que o show continuasse.

Segundo a prefeitura, “no intuito de preservar o respeito à família buziana e aos praticantes de diferentes denominações religiosas que têm o direito de serem tratados com dignidade, foi solicitada a retratação, negada pelo artista. Desta forma, devido ao não cumprimento da solicitação, fez-se necessário interromper a apresentação do show”.

“Fui chutado ao sair do palco por um “discípulo” de Padre Ricardo, Robinho, chefe de gabinete. Tenho certeza de que se o padre estivesse no show teria rido junto com a multidão, que logo após o ocorrido bradou em uníssimo ‘Ei, Robinho, vai tomar no c…!’, por livre e espontânea vontade, e como bem disse Padre Ricardo em um de seus sermões ‘A voz do povo é a voz de Deus’, que seja feita a vontade do povo”, escreveu o ator na rede social.

A Prefeitura de Búzios ressaltou em nota que reconhece e respeita os talentos culturais do país e, “buscando a alegria e proporcionar eventos que levem momentos de lazer para a população buziana, procura contratar e valorizar todos os artistas que demonstram interesse em compactuar com este objetivo. Contudo, a proposta do Governo Municipal ao contratar um espetáculo é de entreter todas as famílias moradoras de Búzios, com alegria, mas, acima de tudo, com educação e respeito ao cidadão”.

Gustavo Mendes fez sua primeira aparição na TV Globo como integrante do elenco do programa “Casseta & Planeta”, em 2012. Além de participações no Programa do Jô e no Altas Horas, ele já se apresentou no quadro “Tem Gente Atrás”, no Domingão do Faustão, imitando também as cantoras Maria Bethânia, Alcione e Ana Carolina.

Voltei
É inegável que a Prefeitura de Búzios, sob o pretexto de “respeitar as famílias”, está compactuando com a violência. Eu, por exemplo, sou católico. Tenho todo o direito de não gostar da piada. E tenho, também, todo o direito de ir embora do espetáculo, ora essa!!! Não gostou? Caia fora! Partir para a porrada? É crime!

Se o prefeito concordou com a contratação de Gustavo Mendes, deve conhecer seu trabalho. Não tem o direito de alegar surpresa. Pedir a um artista que mude o seu show para “respeitar as famílias” é pretexto de censor, senhor prefeito André Granado (PSC).

O clima de intolerância alimentado por grupos extremistas e pelo PT — leiam post sobre a lista negra elaborada pelo comando da legenda — está estimulando o pega pra capar. Reitero: todo mundo tem o direito de detestar o que quer que seja. E tem como se manifestar. Porrada não é argumento. Espero que Gustavo processe seus agressores e que evoque a responsabilidade legal também da Prefeitura, com a sua conversinha mole, condescendente com a censura e com a violência.

Por Reinaldo Azevedo

 

AJUDEM A ESPALHAR: CHEFÃO DO PT PEDE ABERTAMENTE A CABEÇA DE JORNALISTAS NA PÁGINA DO PARTIDO. ESTOU NA LISTA. NÃO SEI O QUE FARÃO OS OUTROS. ESTOU ANUNCIANDO AQUI QUE VOU PROCESSAR O SR. ALBERTO CANTALICE POR CALÚNIA E DIFAMAÇÃO. CABE INDAGAR SE CHEFÃO PETISTA NÃO ESTÁ DANDO UMA ORDEM PARA QUE ESSAS PESSOAS SEJAM AGREDIDAS NAS RUAS. É PRECISO CUIDADO! ELE É DO PARTIDO A QUE PERTENCIA CELSO DANIEL!

DECIDI MANTER ESTE POST ANO ALTO DA PÁGINA. COMENTEM COM MODERAÇÃO E SERENIDADE, TUDO AQUILO QUE ESTE SENHOR QUE APARECE AÍ ABAIXO NÃO TEM. SOMOS DE OUTRA NATUREZA.
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Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, divulga no site do partido lista negra de jornalistas. Um assunto para a Justiça e para a Polícia Federal

Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, divulga no site do partido lista negra de jornalistas. Um assunto para a Justiça e para a Polícia Federal

Os petistas, saibam os senhores, pedem a cabeça de jornalistas para seus respectivos patrões. O partido tem nas mãos instrumentos para fazê-lo: anúncios da administração direta e propaganda de estatais. Alguns cedem, outros não! Denunciei aqui a fala de um certo José Trajano na ESPN e AFIRMEI QUE ELE NÃO ESTAVA PENSANDO APENAS POR SUA CABEÇA. DEIXEI CLARO QUE ELE VOCALIZAVA PALAVRAS DE ORDEM DO PT. Muitos não acreditaram. Pois é…

A opinião do sr. Trajano sobre mim e sobre os demais que ele atacou (Augusto Nunes, Diogo Mainardi e Demétrio Magnoli) pode ser moralmente criminosa, mas não vai além disto: dolo moral. Ele tem o direito de achar a respeito dos meus textos o que bem entender. E eu tenho o direito de responder. Se ele se sente bem com o seu oficialismo de contestação, aí é problema dele.

É diferente, no entanto, quando um político acusa jornalistas de cometer um crime. Aí a coisa pega. O sr. Alberto Cantalice, vice-presidente do PT e “coordenador das Redes Sociais do partido” escreveu um artigo no site do PT em que se pode ler esta pérola.

 Cantalice acusação

Observem que os quatro da lista de Trajano estão também na de Cantalice, que vem ampliada. Não sei o que farão os outros. Sei o que eu farei. Estou anunciando aqui que vou processá-lo. E a razão é claríssima. Ele está me acusando se estimular a que outros “maldigam os pobres” e os discriminem em ambientes públicos. Se eu faço isso, então eu sou um criminoso. Violo um artigo da Constituição e da Lei 7.716, alterada pela Lei 9.459. Vale dizer: transgrido a Carta Magna do meu país e cometo um crime previsto em lei. ENTÃO O SR. CANTALICE VAI TER DE PROVAR O QUE DIZ. ELE VAI TER DE DIZER EM QUE ARTIGO E EM QUE MOMENTO EU PREGUEI A DISCRIMINAÇÃO CONTRA OS POBRES.

Para esclarecer a questão constitucional e legal. Estabelece o Inciso XLI da Constituição:
“XLI – a lei punirá qualquer discriminação atentatória dos direitos e liberdades fundamentais”.

Define a Lei 7.716, depois de alterada pela 9.459:
“Art. 20. Praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. (Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)
Pena: reclusão de um a três anos e multa.(Redação dada pela Lei nº 9.459, de 15/05/97)

Como sabem os advogados, a discriminação por condição econômica tem sido considerada pelos juízes da mesma natureza das categorias acima previstas. Assim, o sr. Cantalice acusa esse grupo de jornalistas de cometer crimes que rendem até três anos de prisão. Vai ter de provar. Se não provar, incorre no crime de calúnia e difamação.

Atenção! Este senhor é o  “coordenador da redes sociais DO partido”, entenderam? Não é que ele seja o coordenador do partido para as redes sociais. Não!!! Levadas as palavras ao pé da letra, os petistas julgam já ter privatizado as redes sociais. Não deixa de ser verdade.

O sr. Cantalice vai mais longe, Ele descobriu que esse grupo de jornalistas — e vejam quanto poder ele nos confere — é responsável pela vaia que Dilma levou nos estádios. Também ele recorre à metáfora canina para nos designar. Leiam:

Cantalice acusação 2

Muito bem! Vocês sabem o que isso significa: quando o maior partido político do país, que tem, de fato, milhares de seguidores — alguns deles podem estar dispostos ao tudo ou nada — nomeia um grupo restrito de jornalistas como propagador do ódio, acusando-o, adicionalmente, de responsável por vaiais e xingamentos de que foi alvo a presidente Dilma, isso corresponde, me parece, a um convite a uma ação direta.

Não é segredo para ninguém que certo tipo de militância não precisa de palavras explícitas para agir. O sr. Cantalice está pondo em risco a segurança de profissionais da imprensa. Talvez queira isto mesmo: calar a divergência por intermédio da intimidação e do terror. Que este post sirva de alerta à Polícia Federal e ao Ministério Público. Evidentemente, nenhum de nós deve esperar a solidariedade e o protesto de entidades de defesa da categoria. Sabem por quê? Porque os respectivos comandos da maioria delas pensam a mesma coisa. Também elas acham que deveríamos ser proibidos de escrever o que escrevemos, de falar o que falamos, de pensar o que pensamos. IMAGINEM O QUE ACONTECERIA SE UM GRUPO OU UMA ENTIDADE CONSIDERADOS DE DIREITA TORNASSE PÚBLICA UMA LISTA DE DESAFETOS. O MUNDO VIRIA ABAIXO. O PT repete a tática da ditadura militar e resolveu espalhar no mural da rede os nomes e as fotografias dos “Procurados”. 

Bando de fascistas!
O petismo é a mais perfeita definição do que muitos chamam nos EUA de “fascismo de esquerda”. Qualquer pessoa que tenha lido o que escrevemos ou ouvido o que falamos sabe que pensamos coisas distintas sobre um monte de assuntos. Nunca nem mesmo conversei com Guilherme Fiúza, por exemplo. Duvido que Arnaldo Jabor queira papo comigo.

Com isso, estou deixando claro que não formamos um grupo. Pode ser que os petistas estejam acostumados a conversar com quadrilheiros disfarçados de jornalistas. Não é o caso.

Eu, sim, acuso o governo do seu partido, sr. Cantalice, de financiar com dinheiro público páginas na Internet e blogs cujo propósito é difamar a imprensa independente, as lideranças da oposição e membros do Poder Judiciário que não fazem as vontades do PT. E o senhor certamente não vai contestar porque é autodemonstrável.

O PT começou a sua trajetória no poder hostilizando a imprensa que não se limitava a prestar assessoria ao partido. Depois, passou a financiar o subjornalismo “livre como um táxi”. Aí tentou (e tenta ainda) criar mecanismos de censura. Agora, já chega ao ponto de estimular, ainda que de modo oblíquo, a agressão aos profissionais que não rezam segundo a sua cartilha. A esmagadora maioria da categoria vai silenciar — até porque alguns fazem esse mesmo trabalho em suas respectivas colunas, não é mesmo? Ok. Hoje, somos nós. Amanhã, chegará a vez de vocês. É simples assim. E é sempre assim.

Vaias
Eu sou responsável pelas vaias? Eu não! Quem estimulou as manifestações de rua em junho foi o PT. Eu sempre as critiquei. Ademais, sabem o que motiva vaia em estádio, meu senhor? Eu conto: roubalheira, safadeza, associação com o PCC.

Sem contar que quero encontrar cara a cara com esse sujeito num tribunal. Quero perguntar quais são as suas credenciais e sua origem para falar em nome do povo. Quero opor as minhas às suas. Quero lhe dizer que o governo que ele representa financiou, por exemplo, a ação de sem-terra e índios que resultou em policiais feridos em Brasília. Quero lhe dizer que seus aliados deram suporte a coisas como a “Mídia Ninja” na esperança de que os alvos seriam os adversários. O tiro saiu pela culatra, a despeito das intenções da turma.

O sr. Cantalice quer saber onde estão os responsáveis pela hostilidade a Dilma nos estádios? Comece por se olhar no espelho. O PT estimula a desordem. O PT estimula o desrespeito às leis. O PT estimula o desrespeito a qualquer hierarquia. O PT estimula o desrespeito até mesmo à organização familiar. O partido esperava escapar do clima que ele próprio criou?

De resto, se as hostilidades a Dilma foram um “gol contra” dos que não gostam dela e se a maioria “abominam” (sic) aquele comportamento, o sr. Cantalice deveria estar contente, não é mesmo? O PT está empenhado em fazer do limão uma limonada. Ao isolar o grupo dos “jornalistas do mal”, ameaça, na prática, todos os outros. É como se dissesse: “Comportem-se, ou vocês vão entrar na lista negra”. E, claro!, muita gente vai se comportar e ainda achar pouco!

É claro que fico preocupado quando lembro que o sr. Cantalice pertence ao partido de Celso Daniel. Terei, é certo, de tomar as devidas providências para a minha segurança. E acho que os outros devem fazer a mesma coisa.

Texto publicado originalmente às 22h09 desta segunda

Por Reinaldo Azevedo

 

“Desespero, ódio e baixaria” – Um editorial do Estadão

Leiam o editorial desta terça do Estadão. Exemplar!
*
No desespero diante da sólida evidência de que a incompetência de Dilma Rousseff está colocando seriamente em risco o projeto de poder do PT, Luiz Inácio Lula da Silva apela para seu recurso retórico predileto: fazer-se de vítima, acusar “eles” – seus adversários políticos – daquilo que o PT pratica, transformando-os em inimigos do povo e sobre eles jogando a responsabilidade por tudo de ruim e de errado que acontece no País. Lula decidiu de vez “partir para cima” e deixou claro que até outubro estará se atolando no ambiente em que se sente mais confortável: a baixaria.

Uma das mais admiráveis figuras do século 20, Nelson Mandela, reconciliou a África do Sul – que saía do abominável regime do apartheid – consigo mesma promovendo pacificamente o entendimento entre a minoria branca opressora e a ampla maioria negra oprimida. Lula continua fazendo exatamente o contrário: dividiu os brasileiros entre “nós” e “eles”, arrogando-se a tutela sobre os desvalidos, que tem procurado seduzir, transformando-os não em cidadãos, mas em consumidores. Um truque que, como se vê hoje nas ruas, está saindo pela culatra.

Pois é exatamente o homem que subiu na vida com um punhal entre os dentes, disseminando a divisão em vez da consciência da cidadania como arma de luta contra as injustiças sociais, que agora, acuado pelo desmascaramento da enorme farsa que tem protagonizado, tem a desfaçatez de prognosticar que “a esperança vai vencer o ódio”.

Apesar de alegadamente motivada pela declaração de Aécio Neves, na convenção do PSDB que lançou oficialmente sua candidatura à Presidência da República, de que “um tsunami” vai varrer o PT do poder, foram dois os sinais de alerta que levaram Lula a abrir a caixa de ferramentas: nova queda de sua pupila Dilma nas pesquisas e as vaias e agressões verbais em coro de que ela foi vítima na quinta-feira durante o jogo de estreia do Brasil na Copa do Mundo.

Quanto às pesquisas, não há muito mais a dizer do que aquilo que elas revelam: uma tendência constante de queda do prestígio e das intenções de voto na candidata do lulopetismo à reeleição. A debandada dos membros mais “pragmáticos” da “base aliada” reforça essa evidência.

As vaias e xingamentos no Itaquerão, por sua vez, refletem o que têm afirmado, abertamente, muitos líderes oposicionistas e, intramuros, lideranças do próprio PT: Dilma e, mais do que ela, o lulopetismo estão colhendo o que semearam. Nem por isso manifestações como aquelas podem ser endossadas. A grosseria não é coisa de gente civilizada. Um chefe de Estado merece respeito, no mínimo, pelo que representa.

Mas não há de ser quem sempre, deliberada e calculadamente, se esmerou em atacar e ofender adversários que agora vai assumir posição de superioridade moral para condenar quem manifesta, no calor da multidão, um sentimento espontaneamente compartilhado.

 E também não vale o argumento com que Lula procurou desqualificar os manifestantes do Itaquerão, a eles se referindo como “gente bonita”, ou seja, a famigerada elite. Afinal, a Copa do Mundo no Brasil, essa vitrine que está expondo o País aos olhos do mundo com efeitos duvidosos, foi apresentada à Nação sete anos atrás como uma fantástica conquista pessoal de Lula, uma dádiva generosa ao povo brasileiro. Foi para a “gente bonita” que Lula trouxe esse espetáculo – do qual agora mantém a boa distância e não porque não possa pagar os caríssimos ingressos que, como ele sempre soube, são cobrados pela Fifa.

 A candidata Dilma, por sua vez, recolheu-se. Alegou uma gripe para não comparecer, ao lado do chefe, à convenção do PT que lançou, no domingo, a candidatura petista ao governo de São Paulo. Mas o recato acabou aí. Gravou um vídeo em que se refere indiretamente ao episódio do Itaquerão e dá uma magnífico exemplo do tom mistificador que passará a imprimir à campanha eleitoral: “(O Brasil) é um país em que mulheres, negros, jovens e crianças, a maioria mais pobre, passaram a ter direitos que sempre foram negados. É isso que vaiam e xingam. É isso que não suportam”.

Os líderes do lulopetismo só estarão a salvo de vaias e constrangimentos se escolherem as multidões que estão sob seu próprio controle.

Post publicado originalmente às 5h36

Por Reinaldo Azevedo

 

Brasil foi mais perigoso, mas México jogou melhor. Isso só é possível no futebol. Ou: Cartesiano até certo ponto

Guillermo Ochoa: ele foi o nome do jogo: impediu três gols do Brasil que pareciam certos

Guillermo Ochoa: ele foi o nome do jogo: impediu três gols do Brasil que pareciam certos

Todos, ou quase, acabamos de ver o jogo entre as seleções do Brasil e do México. O futebol é apaixonante, entre outras razões, porque não é justo. Não é que a injustiça seja apreciável. É que, a começar da etimologia, ela remete à ideia de equilíbrio e, por associação, de razão. Um bom técnico cerca todas as margens de erro, que podem ser atravessadas, no entanto, pelo talento individual, por uma sutileza qualquer que desarranja a equação. Assim, juízos sobre partidas de futebol são quase sempre inaplicáveis a outros campos do saber — e isso vale até para outros esportes. Na maioria deles, com efeito, o melhor vence.

Então vamos a uma particularidade do jogo de hoje. Júlio César fez uma única defesa de média dificuldade. Guillermo Ochoa, o goleiro mexicano, defendeu três bolas que pareciam impossíveis: cabeçadas de Thiago Silva e Neymar e um chute do atacante brasileiro. Nesse quesito, portanto, 3 a 1 para o Brasil num jogo que terminou zero a zero. Logo, logo… nada! O México jogou melhor — muito melhor! — do que o Brasil. É que não conta com jogadores com o mesmo talento e, só por isso, ameaçou menos Júlio César. Nota: muito se falou do “reflexo” de Ochoa no jogo. Pode ser. Esse tem mesmo de ser um atributo de um grande goleiro. Mas que se registre: ele estava em todas as bolas, sempre. Não o vi vendido num único lance. Adiante.

Era possível perceber que o México tinha um jogo, tinha uma tática, estava pensando a disputa. Fiz esta mesma pergunta na partida contra a Croácia: o que tem planejado a nossa Seleção para surpreender ou encurralar adversários? A resposta tem seis letras: Neymar. E só! Ocorre que, como escreveu o poeta João Cabral de Melo Neto, que adorava futebol, “um galo sozinho não tece uma manhã”. Cristiano Ronaldo, por exemplo, sabe disso. É fato que o Brasil não tomou uma sacola do adversário, mas o México não é a Alemanha, embora seja verdade que o nosso time é muito melhor do que o de Portugal.

Está dito lá no primeiro parágrafo: tudo pode acontecer, inclusive o Brasil ser campeão. Mas já vimos Alemanha, Itália, Inglaterra (que perdeu) e Holanda com um volume de jogo escandalosamente maior do que o da Seleção de Felipão — que também se perdeu nesta terça-feira. Não tendo mais o que fazer, esgotados as substituições e seu repertório de correções de rumo, resolveu pôr o agasalho no calor forte de Fortaleza. Confessou à reportagem da Globo que era o seu “amuleto”. Um amuleto que garantiu o empate com o México!!! Sem ele e com mais técnica, talvez o Brasil vencesse, sei lá…

Não estivesse Ochoa numa tarde inspiradíssima, teríamos um três a zero e não perceberíamos com tanta clareza como a Seleção jogou mal. No esporte em que tudo pode acontecer, é possível vencer os times que listei acima. Mas terá de ser na base do lance individual, do brilho fortuito, do inesperado.

A Seleção que enfrentou a Croácia e o México não tem condições de ser campeã do mundo. “Ah, mas pode ser…” Claro que sim! O futebol é cartesiano até a hora em que deixa de ser.

Por Reinaldo Azevedo

 

Cristiano Ronaldo e o ressentimento burro

Cristiano Ronaldo nesta segunda, no jogo contra a Alemanha: onda de ressentimento

Cristiano Ronaldo nesta segunda, no jogo contra a Alemanha: onda de ressentimento

Sei que vou escrever algo um tantinho polêmico, mas sabem como é… Não vim a este mundo para concordar, hehe. Acho um tantinho asqueroso, com raras exceções, o tom de quase tudo o que se escreveu sobre o craque Cristiano Ronaldo depois da derrota por quatro a zero de Portugal para a Alemanha. Nem o chocolate que a Espanha, a primeira seleção do ranking da Fifa, levou da Holanda rendeu tanto ressentimento.

Eu não vejo graça nenhuma na queda, ainda que temporária, de um grande. Sempre que isso acontece, o mundo, de algum modo, fica pior e milita em favor da mediocridade. Não que a Alemanha jogue mal, é evidente. Ao contrário: é uma das favoritas ao título, o que Portugal nunca foi — e a derrota era mais do que esperada, convenham.

Mas aí houve um concurso impressionante de erros individuais, e Cristiano, sozinho, não poderia mesmo ter feito grande coisa. Mas foi o que bastou para que começasse a gritaria ressentida, recalcada, invejosa mesmo: “E aí? Viu só? Ele não é de nada! É um individualista mesmo…”. Bem, se fosse, poderia ter resolvido tudo sozinho. Mas não! Ele precisa do coletivo, é evidente.

Sou fã de Cristiano Ronaldo, e pouco me interesse se ele passa gel no cabelo, tira a sobrancelha, depila a perna, pega a mulherada, é metrossexual… Não me ocupo dessa bobajada. Não o quero para genro. Gosto de seu futebol, que tem um quê, assim, de épico, diferente daquela prosa curta de Messi — brilhante, sim, no gênero, especialmente quando a câmera foca a coisa bem de pertinho. Cristiano Ronaldo está para Camões como Messi para Cortázar, entendem?

“Ah, mas Cristiano não sabe ser humilde…” E daí? Por que deveria sê-lo? O que incomoda no rapaz? O fato de se saber talentoso, de viver como quem sabe disso e de ter se transformado numa celebridade? O Real Madrid tem demonstrado que ele é bastante bom no seu ofício, não é mesmo?

Eu não sou cronista esportivo. Na Jovem Pan, acabei conhecendo pessoas excelentes dedicadas à área. Assim como na cobertura política, no entanto, nem sempre é esse um setor exatamente iluminado do jornalismo brasileiro. “Ah, mas se esperava mais dele…” O que exatamente? O rapaz é jogador, não milagreiro.

Meu ponto é o seguinte: como quem gosta de futebol, eu fiquei chateado com o desempenho bisonho e atrapalhado da Seleção Portuguesa, que não permitiu a Cristiano Ronaldo exercitar o melhor do seu talento — ou alguém vai negar que ele é brilhante no que faz?

“Ah, mas deveria ser menos amostrado…” Ah, bom! Isso não tem nada a ver com futebol. Isso só é rancor, ressentimento e preconceito. E que fique claro: não estou aqui a criticar os que não gostam de seu estilo. Isso é do jogo. Estou é repudiando essa conversa mole de que, se mais humilde fosse, teria colhido melhor resultado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Pronto! Agora Barroso pode se entregar com mais desassombro ao exercício do direito criativo

O ministro Joaquim Barbosa está de saída do Supremo Tribunal Federal. Poderia ter esperado mais alguns dias para renunciar à relatoria do mensalão. Decidiu fazê-lo agora. Deixou claro que está sendo alvo de pressões. E está mesmo. “A Máquina de Difamação” em que se transformou o PT não poupa ninguém: partidos de oposição, a imprensa como um todo, jornalistas tomados individualmente, personalidades da TV, juízes… E, percebe-se, as coisa pioram muito quando os companheiros se veem ameaçados.

Ao deixar o caso, Barbosa afirmou que vários advogados que atuam nas execuções penais do mensalão deixaram de se valer de argumentos jurídicos e partiram para a ação política, “através de manifestos e até mesmo partindo para insultos pessoais, via imprensa, contra este relator”. Ele está, obviamente, falando a verdade. Todos assistimos ao espetáculo deprimente protagonizado por Luiz Fernando Pacheco, advogado de José Genoino — contra quem Barbosa recorreu à Justiça, diga-se, no que fez muito bem.

Pacheco tem o direito de se dirigir à Corte? Claro que sim! E nunca se disse o contrário. Pode fazê-lo do modo como o fez? É evidente que não! Ouvido pela Folha nesta terça, afirmou: “Por enquanto, permaneço com a tranquilidade de quem sabe que cumpriu seu dever ao não se acovardar perante grandes tiranias”. Muita gente relevou o seu chilique porque considerou que ele não estava no seu juízo normal. Pelo visto, não se arrepende e ainda aproveita para se dizer um oponente da tirania, atacando o chefe do Poder Judiciário, a serviço do PT. É um modo de ver o mundo.

Cumprindo as regras, Barbosa enviou processo ao vice-presidente do STF, Ricardo Lewandowski, que o transferiu para a Luiz Roberto Barroso, depois de sorteio. Dadas as intervenções do mais recente ministro do Supremo no processo do mensalão, os mensaleiros têm motivos para estar em festa. Afinal, fica para a história a intervenção que resume a atuação de Barroso na Ação Penal 470: “Considero que houve uma exacerbação inconsistente das penas aplicadas no crime de quadrilha, com a adoção de critério inteiramente discrepante do princípio da razoabilidade e proporcionalidade. A causa da discrepância foi o impulso de superar a prescrição do crime de quadrilha”.

Com essa fala, o senhor Barroso transformou os condenados do mensalão em vítimas, e os ministros do Supremo que os condenaram em réus. Agora poderá se entregar ao exercício do direito criativo com ainda mais desassombro.

Por Reinaldo Azevedo

 

A carta de “intelectuais” e “artistas” ao STF

Ai, ai, que gente pitoresca! Alardeia-se por aí que uma carta “assinada por intelectuais e artistas” foi entregue ao Supremo em defesa do direito que José Dirceu teria de trabalhar fora da cadeia. Já conversamos a respeito aqui. Segundo a Lei de Execução Penal, condenados a regime semiaberto, uma vez cumprido um sexto da pena, podem — e depende da decisão do juiz — trabalhar fora da prisão durante o dia.

Mas, ora veja, os autointitulados “intelectuais e artistas” discordam e enviam uma carta ao STF em que a ignorância do redator só não é maior do que a arrogância. Leiam o texto. Volto em seguida.

APELO PÚBLICO AO STF, EM DEFESA DA JUSTIÇA E DO ESTADO DE DIREITO
Senhores ministros,
O Brasil assiste perplexo à escalada de arbitrariedades cometidas pelo Presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Joaquim Barbosa.
Já não se trata de contestar o resultado do julgamento da chamada AP 470 – embora muitos de nossos pátrios juristas ainda discutam inovações polêmicas daquele julgamento, como a chamada “teoria do domínio do fato”, por substituir a presunção de inocência pela presunção de culpabilidade.
O Presidente do Supremo Tribunal Federal, ao invés de cumprir as decisões dessa Suprema Corte, nega direitos a alguns sentenciados, desrespeitando a decisão do próprio pleno do STF e a jurisprudência do STJ quanto ao cumprimento do regime semiaberto. Com isso ameaça levar ao caos o sistema prisional brasileiro, pois, aceito o precedente, cria-se jurisprudência não somente em desfavor dos presos e sentenciados, mas contrária ao espírito democrático que rege as leis de execução penal, inclusive.
É o caso de sua exigência de cumprimento em regime fechado de um sexto da pena de réus condenados a uma sanção a ser iniciada no regime semiaberto. Adotada, à revelia de entendimento do pleno desse Supremo Tribunal Federal, tendo como alvo os sentenciados, todos ao regime semiaberto, inclusive Delúbio Soares, João Paulo Cunha, José Dirceu de Oliveira e Silva e José Genoíno, levará angustia e desespero não somente a eles e seus familiares, mas a dezenas de milhares de famílias de sentenciados que cumprem penas em regime semiaberto, trabalhando para sustentar suas mães, esposas e filhos.
É preciso que o plenário do Supremo Tribunal Federal impeça a continuidade dessa agressão ao Estado de Direito Democrático.
Concitamos, portanto, os Senhores Ministros integrantes dessa Corte Constitucional de Justiça a que revejam e corrijam tal violação de direitos praticada pelo Exmo. Sr. Presidente do STF, acatando o agravo impetrado pelos advogados dos réus.
O desrespeito aos direitos de um único cidadão coloca em risco o direito de todos, e o Brasil já sofreu demais nas mãos de quem ditava leis e atos institucionais, atacando os mais elementares direitos democráticos.

Comento
Ó, meu Deus! E eu que achava que o Decreto 8.243, de Dilma, é que ameaçasse o Estado de Direito. É nada! O perigo, como a gente vê, é Joaquim Barbosa, que está de saída do Supremo!!!

Vamos ver. Afirmar que a “teoria do domínio do fato” — que não chegou a ser empregada no Brasil; é mentira! — substitui a presunção de inocência pela presunção de culpa é burrice se não for malandragem. A aludida decisão do pleno do Supremo sobre o direito de o preso trabalhar fora não existe. Há, sim, decisões do STJ que não levam em consideração a exigência do Artigo 37 da Lei de Execução Penal.

No mais, nunca ninguém ouviu falar da maioria dos ditos “intelectuais” que assinam a carta. Os nomes que mais se aproximam dessa categoria são Fernando Morais e Eric Nepomuceno. Além, claro, de Marilena Chaui, mas essa é arroz de festa de manifestos ruins sobre causas infelizes. “Artistas”? Encontrei lá Chico César (cantor), Chico Diaz (ator), Clarisse Abujamra (atriz) e Zé de Abreu, que vocês sabem quem é. Avaliem aí.

Por Reinaldo Azevedo

 

Alô, oposicionistas brasileiros! Jornal do Partido Comunista de Cuba confirma que Dilma quer forçar empresas farmacêuticas brasileiras a produzir em Cuba. PT quer cortar empregos aqui e gerar empregos lá; trata-se de mais uma ameaça aos genéricos

Vocês se lembram que denunciei aqui, no dia 4 de junho, que o governo Dilma está pressionando a indústria farmacêutica brasileira a abrir fábricas em Cuba para a produção de biossimilares, que seriam exportados para a América Latina e Caribe, inclusive o Brasil? Sim, brasileiras e brasileiros, a petezada que comanda o país quer gerar empregos em Cuba, o que certamente desempregará brasileiros; quer gerar divisas para Cuba, o que certamente será ruim para a balança comercial brasileira; quer dar velocidade, em suma, ao PAC, o Programa de Aceleração de… Cuba!

A repórter Talita Fernandes, da VEJA.com, foi atrás da história. O Planalto, claro!, nega que esteja fazendo essa ursada com os brasileiros, mas, oh surpresa!, o Granma, o jornal do Partido Comunista — é aquele cujo endereço na Internet é “Granma.cu” (sem querer ofender petistas, é claro!) — confirma. Vejam trecho do artigo. A íntegra está aqui.

 Granma remédios

Retomo
Em “comunistês”, tudo é uma maravilha, e os dois países sairão ganhando. Em “verdadês”, o governo petista pressiona a indústria farmacêutica brasileira a transferir parte de suas plantas industriais para Cuba. Chegou a hora de a oposição convocar o sr. Arthur Chioro, ministro da Saúde, e os representantes da indústria farmacêutica para falar no Congresso. Segue a reportagem da VEJA.com. Volto para encerrar.
*
O governo brasileiro mostra-se incansável quando o assunto é colocar-se em maus lençóis em nome de sua simpatia pelo regime dos irmãos Castro, em Cuba. Não bastasse a utilização de quase 700 milhões de dólares em recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para financiar a construção do Porto de Mariel, a 45 quilômetros de Havana, a nova empreitada que vem sendo orquestrada pela alta cúpula prevê, conforme revelou o colunista do site de VEJA Reinaldo Azevedo, a ida de empresas farmacêuticas brasileiras para produzir medicamentos em solo cubano. A estratégia é tentar rentabilizar a zona portuária por meio da exportação de remédios produzidos em parceria entre estatais cubanas e empresas brasileiras — em especial fabricantes de genéricos e biossimilares. Desde a inauguração da primeira fase do terminal de contêineres do porto, em janeiro, o governo vem travando uma ofensiva velada para levar executivos a Cuba para participar de grupos de trabalho. O alto escalão da República tem atuado, por assim dizer, como lobista de primeira linha dos irmãos Castro, sem que qualquer contrapartida benéfica para o Brasil seja posta na mesa. Mas a estratégia tem encontrado resistência: o alto custo de instalação de indústrias na ilha e as dificuldades de exportação de produtos, devido ao embargo econômico, tornam a empreitada economicamente inviável. Além disso, a razão de o governo demandar investimentos em Cuba, e não no Brasil, está cercada de pontos nebulosos. Afinal, costurar acordos com outros países com o objetivo de estimular a indústria nacional é agenda mais que bem-vinda para o país. Contudo, não há lógica que justifique lançar mão do mesmo expediente para criar (mais um) pacote de bondades para Cuba.

Em janeiro, a presidente Dilma Rousseff, o então ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e seu sucessor, Arthur Chioro — que está à frente da pasta desde que Padilha saiu para candidatar-se ao governo paulista pelo PT — convidaram empresários do setor farmacêutico, que ouviram da própria presidente a intenção do governo de levar empresas brasileiras para se instalar na Zona Especial do Porto de Mariel e desenvolver a economia local. A estratégia é construída com base no argumento das vantagens tributárias e alfandegárias da Zona Especial. Contudo, mesmo com todos os incentivos, empresários ouvidos pelo site de VEJA se mostraram céticos.

Inviabilidade econômica
Os convites vêm confundindo o empresariado porque contrariam o próprio plano que o governo brasileiro tem para o setor farmacêutico. “Não faz o menor sentido, pois o Brasil já tem uma estratégia bem desenhada para o setor, que é de estimular a indústria nacional por meio das próprias compras governamentais. O plano para Cuba vai contra a própria política industrial”, diz Dante Alário Junior, sócio e responsável pela área de pesquisa e desenvolvimento e inovação da Biolab. Sua empresa já recebeu vários convites para participar de eventos promovidos pelo governo brasileiro em Cuba e investir na ilha — o último deles ocorreu no início de junho — mas não tem interesse na empreitada porque já investe num projeto de internacionalização nos Estados Unidos. “Cuba foi descartada porque não temos condições de investir também lá. Não faz sentido para a empresa”, afirma.

Outro executivo do setor ouvido pelo site de VEJA, que prefere não ter seu nome revelado, afirmou que os empresários se mantêm descrentes em relação à viabilidade dos investimentos. “O setor farmacêutico sempre foi cético com a possibilidade de Cuba suprir um negócio que exige alta tecnologia”, disse. Parte do pessimismo deve-se também ao fato de as empresas brasileiras já estarem firmando acordo com multinacionais de outros países para produzir medicamentos (em especial os biossimilares), sobretudo americanas e europeias. O embargo econômico a Cuba anula a viabilidade, diz o executivo, porque impede que tais empresas consigam exportar os medicamentos produzidos na ilha para mercados consumidores importantes, como Estados Unidos e México, que têm proximidade geográfica.

As farmacêuticas vêm sendo procuradas há mais de um ano para realizar investimentos em Cuba. Num primeiro momento, o contato foi estabelecido por intermédio da Odebrecht, responsável pela construção do porto cubano. Em 2014, o governo passou a fazer os convites, excluindo da lista as empresas associadas à Interfarma, que são essencialmente estrangeiras. Procurada pela reportagem, a Odebrecht disse que “apoia o acordo bilateral entre Brasil e Cuba no desenvolvimento de medicamentos”. A companhia, inclusive, assinou um Memorando de Entendimentos com a farmacêutica cubana Cimab para a criação de uma joint-venture na ilha. Contudo, o acordo nunca saiu do papel.

Mesmo sem um interesse claro em investir na ilha, as empresas são alvo de tamanha insistência do governo — em especial do Ministério da Saúde e do Desenvolvimento — que não ousam declinar totalmente as ofertas de negócios. “As que foram a Cuba quiseram atender a um pedido da Presidência. É muito difícil não ir”, disse o médico e deputado federal Eleuses Paiva (PSD-SP), que está ciente das conversas no Ministério da Saúde. “Agora, se as indústrias forem se instalar, é porque o governo está montando situações econômicas fantásticas”, disse o deputado. “A indústria de genéricos acabou de construir um parque nacional. É tudo recente demais para ir a Cuba”, disse.

De Brasília a Havana
A última reunião realizada em Cuba ocorreu nos dias 5 e 6 de junho, liderada pelo Secretário de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos do Ministério da Saúde, Carlos Gadelha. O encontro contou também com a participação de executivos da Eurofarma, da PróGenéricos (Associação dos produtores de medicamentos genéricos) e de representantes da Fiocruz e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Procuradas, as empresas participantes negaram que o encontro tenha sido realizado com o objetivo de levar as farmacêuticas a se instalarem em Cuba. Contudo, a pauta do encontro, à qual o site de VEJA teve acesso, mencionava a discussão de “investimentos no Porto de Mariel”.

Comandante da missão, Carlos Gadelha é um dos nomes do Ministério da Saúde citados nos escândalos da Operação Lava-Jato. Conduzida pela Polícia Federal, a Operação desmontou um esquema bilionário de lavagem de dinheiro orquestrado pelo doleiro Alberto Youssef, preso desde março e pivô dos escândalos. O laboratório comandado pelo doleiro, o Labogen, é apontado pela Polícia Federal como o carro-chefe do esquema de lavagem de dinheiro. Durante as investigações, a PF interceptou conversa telefônica entre o empresário Pedro Argese e Youssef, relacionadas à assinatura de parcerias entre o Ministério da Saúde e empresas privadas. Em um dos trechos, Argese comenta ter conversado com Gadelha. De acordo com a transcrição, divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo, o secretário teria prometido dar todo o apoio possível para a retomada do Labogen.

O Ministério da Saúde nega que o governo brasileiro queira incentivar a instalação de empresas farmacêuticas em Cuba. Afirmou que o encontro de junho teve “por objetivo o monitoramento e avaliação das prioridades científicas, tecnológicas e de saúde pública para os respectivos países em áreas como terapia e controle de câncer, terapia celular e neurociências”. Em nota, afirmou ainda que o país tem cerca de vinte projetos em andamento entre laboratórios públicos e privados brasileiros com instituições cubanas. “Em nenhum dos projetos aprovados pelo Comitê, cabe ressaltar, está prevista a instalação de fábricas brasileiras em Cuba.”

A pasta, contudo, não combinou a resposta com os cubanos. Artigo extenso do jornal castrista Granma aponta o Brasil como principal parceiro de Cuba no setor farmacêutico. Diz o texto que uma nova etapa na cooperação entre os dois países iniciou-se após a visita a Havana da presidente Dilma, em janeiro deste ano. E que a criação de empresas mistas (brasileiras e cubanas) colocadas na Zona Especial do Porto de Mariel, “utilizando tecnologia cubana e capital brasileiro”, servirá para incentivar a produção de biossimilares para “satisfazer as necessidades dos sistemas de saúde de ambos os países e permitir a exportação conjunta a outros mercados”. O que ainda não está claro — e o governo se negou a explicar — é a razão de se investir capital dos contribuintes brasileiros para desenvolver a indústria de outro país. Trata-se, mais uma vez, de um presente generosíssimo do Brasil ao regime cubano.
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Encerro
Na sexta, José Serra, criador do programa de genéricos no Brasil, escreveu um artigo na Folha demonstrando como o atual governo ameaça o programa. O que vai acima é outro atentado.

Talvez um dia saibamos direito a natureza das relações dos petistas com Cuba, além das afinidades ideológicas. A ilha da tirania virou uma espécie de caixa preta do governo brasileiro. Como não existe transparência mínima, as informações, o trânsito de dinheiro brasileiro para Cuba — haverá também o contrário? — se dá sem nenhum controle. Já houve o financiamento do Porto de Mariel; há a bolada mensal derivada do “Mais Médicos” e, agora, a pressão do governo para fazer um setor da indústria brasileira migrar para a ilha. A troco de quê?

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

4 comentários

  • jandir fausto bombardelli toledo - PR

    Ainda bem que o blog está fora, assim não preciso ver tanta asneira deste Reinaldo Azevedo, o cara acusa os outros de nazifascista, se ele prestar atenção vai perceber que ele sim é um verdadeiro Nazifascista, tomara que este blog nunca mais volte.

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, algumas agencias de noticias veicularam o efeito benéfico da mutação genética na redução das doenças do coração. A ciência está sempre à procura de meios para diminuir os efeitos deletérios à população. Diante de tal situação, fico a matutar, porque a ciência não pesquisa as causas que tanto prejudica a população, na área política.

    O nível tecnológico alcançado poderia através de testes genéticos, reprovar aqueles que apresentam em seu DNA genes que os levariam a atitudes de mentir, soberba, populismo, corrupção e outros vícios que “atacam” muitos políticos, provocando muito mal à população.

    Engraçado, os rituais na área política são burlescos, cito um exemplo:

    O individuo eleito recebe o diploma do cargo ao qual foi eleito antes de exercer a função, ou seja, recebe um titulo do qual não foi posto à prova, suas habilidades não foram testadas.

    CIENTISTAS DO BRASIL, DESENVOLVAM UM “KIT TESTE DE DNA” PARA POLÍTICO !!

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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  • Marcelo Marcos Cambrussi Bom Jesus - SC

    Esta historia já começou a muito tempo atras, para não ser taxativo, quem estava no descobrimento do brasil,vieram par tirar oque tinha de bom, oque mudou ate hoje, me responda?

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  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, fatos são fatos e, diante de tantos despropósitos desta saparia, penso, aquela máxima que tanto foi vocalizada, quase se transformando em um sílabo: “IMAGINE NA COPA!”

    A “COPA” chegou e a saparia continua agindo sob seus preceitos, mas a “COPA” vai passar e, eis que surge esta máxima petista: A esperança vai vencer o ódio.

    Sim, ela vai vencer este ódio que vocês têm, e agora tentam transferir à massa; a esperança vai vencer, pois “o povo” cansou de tantas “benesses populistas”, ele quer a mudança e não têm o ódio no coração, têm a esperança que melhores dias virão e, para isto precisa-se mudar os governantes...SÓ ISSO!!

    Ainda sobre o medo; com a saída do MINISTRO JOAQUIM BARBOSA DO STF...

    ....”E VAMOS EM FRENTE” ! ! !....

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