Será que Carlos Lacerda apoiaria Dilma Rousseff, senadora Kátia Abreu?

Publicado em 24/08/2014 20:44 e atualizado em 26/08/2014 22:21 1508 exibições
por Rodrigo Constantino, de veja.com.br (+ Geraldo Samor, blog de Mercado)

Blog de Rodrigo Constantino, de veja.com.br // Democracia, História, Política

Será que Carlos Lacerda apoiaria Dilma Rousseff, senadora Kátia Abreu?

Carlos Lacerda: gente assim faz muita falta na política

Já questionei aqui quantas Kátias Abreu existem. A dúvida retorna a cada sábado, quando leio sua coluna na Folha. A de hoje é um elogio ao legado de Carlos Lacerda. Louvável. Mas não combina com aquela que vem pedindo votos para o PT por aí. Diz a senadora:

A verdade é que as grandes lideranças políticas nacionais, recentes e remotas, nem sempre desfrutaram em vida do prestígio “post mortem”. E isso porque a política, entre nós, foi sempre, com maior ou menor intensidade, uma atividade malvista e difamada.

Em boa parte, a política é malvista e difamada justamente por atitudes como as da senhora, senadora. Muitos a tinham como uma representante da direita liberal e conservadora, uma firme oposição ao projeto bolivariano do PT. O que pensam quando a veem abraçada com Dilma e elogiando seu (des)governo? Como aplaudir a política assim?

É claro que tal ambiente, que só se agravou, não encoraja o surgimento de novos talentos. As pessoas de bem não querem ser difamadas; as sem escrúpulos não se importam, desde que se mantenham longe dos tribunais –e próximas do poder.

Concordo! Só quem tem caráter não gosta de ser acusado de canalha, pois os canalhas não ligam. E aqueles que não têm escrúpulos querem apenas se manter em torno do poder, nada mais. Não dão a mínima para difamações. Agora explica por que a senhora está dando tanta margem a acusações de falta de escrúpulos e coerência justamente ao se aproximar tanto assim do poder, mesmo estando nele um partido com viés esquerdista e golpista!

Em abril deste ano, registrou-se o centenário de nascimento de uma das maiores lideranças republicanas –Carlos Lacerda. Sua presença, goste-se ou não, marcou quatro décadas de nossa política, sendo que pelo menos em duas como protagonista. Tinha ideias e não receava defendê-las, quer na imprensa, como um dos maiores jornalistas que o país já teve, quer no Parlamento, como um dos maiores tribunos que já o integraram.

Tinha talento, coragem e vocação –e pagou caro por isso. Entre seus pecados, não estava o de esconder o jogo. Iniciou-se na vida pública como esquerdista, seguindo a tradição do pai, Maurício de Lacerda, de quem herdou a vocação e a natureza arrojada. Fez parte do PCB, do qual acabou saindo, em meio a acusações recíprocas. Tornou-se, na sequência, um liberal católico, termo em desuso, já que os católicos que hoje entram na política o fazem pela porta esquerda da Teologia da Libertação.

Kátia Abreu e Dilma: a política NÃO precisa de gente assim.

Sim, Carlos Lacerda não escondia o jogo. Cabe perguntar: qual o seu jogo, senadora? O que lhe fez aproximar-se tanto de Dilma, sabendo que seu governo é péssimo e que seu PT representa, hoje, a maior ameaça à nossa democracia republicana? Se a senhora elogia tanto Carlos Lacerda, com sua típica metralhadora giratória, tenho certeza de que entenderá meus questionamentos em público. Também não sou de esconder o “jogo”.

Por falar em Teologia da Libertação, esse casamento promíscuo entre Cristo e Marx, sendo bem predominante a influência do último, pergunto: essa turma vermelha não é aliada tradicional do PT? E não é o PT o partido da presidente Dilma? E não é para ela que a senhora tem pedido votos? Poderia explicar sua lógica?

Abominava o rótulo “país do futuro”; queria cumpri-lo no presente, e a política era –e é– a única via. Fica de sua memória esta lição: o Brasil precisa romper o falso paradigma de que política é sinônimo de podridão, o que só favorece os maus políticos –e impede que vocações legítimas como a de Lacerda voltem a habitar a vida pública.

Sim, o paradigma de que política é sinônimo de podridão favorece os maus políticos – aqueles ligados ao PT, por exemplo. Precisamos de vocações legítimas – como a de Lacerda – para resgatar a política dessa gente. Caberia perguntar: por acaso Carlos Lacerda apoiaria Dilma Rousseff, senadora Kátia Abreu?

Rodrigo Constantino

Agronegócio

O rali do etanol

Depois do rali da Petrobras, que já subiu 70% desde meados de maio, alguns gestores acham que o etanol é o próximo setor da Bolsa que poderá se beneficiar de uma vitória eleitoral da oposição.

As duas principais empresas do setor — Cosan e São Martinho — têm muito a ganhar quando o preço da gasolina for reajustado e se o próximo governo praticar o que os economistas chamam de “realismo tarifário”.

No caso da eleição de Marina Silva, o potencial de alta poderia ser ainda maior, tendo em vista o histórico da candidata na agenda de sustentabilidade e a importância que ela atribui a combustíveis alternativos.

Mas, mesmo na hipótese de reeleição da Presidente Dilma Rousseff (cada vez mais improvável a se julgar pelas pesquisas que circulavam ontem entre os bancos), ainda assim o represamento de preços parece ter seus dias contados, por ser insustentável para o balanço da Petrobras.

Isso reforça entre alguns gestores a percepção de que há mais a ganhar do que perder com as ações do setor.

Dados do Itaú BBA mostram que, de 64 grupos analisados no fim de 2013, 39 operam com déficit e outros 22 precisam de uma venda ou fusão para continuar operando.

O assessor econômico de Aécio Neves, Mansueto de Almeida, tem dito em suas palestras: ”Em 2008, o Lula usou o etanol como exemplo de campeão nacional — e depois congelou o preço da gasolina, sufocando o setor sucroalcooleiro. Se o Rubens Ometto da Cosan tivesse acreditado no Lula, ele estaria quebrado. Mas ele não acreditou e diversificou a Cosan, e hoje está aí.”

Por Geraldo Samor

Economia, Mercado de ideias

Oposição tem dois candidatos, e um diagnóstico

Dois dos principais assessores econômicos dos candidatos da oposição, Mansueto de Almeida e Eduardo Giannetti da Fonseca, são economistas com biografias e estilos diferentes, e densidade própria.

Mansueto, como é mais conhecido o conselheiro de Aécio Neves, faz seu doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT), tem uma carreira como funcionário público federal (no IPEA, de onde está licenciado) e, nos últimos anos, erigiu para si um púlpito no debate econômico nacional ao dissecar as manobras fiscais do governo Dilma em seu ‘Blog do Mansueto‘, que rapidamente se tornou leitura obrigatória para o mercado financeiro em geral e economistas em particular.

Eduardo Giannetti da FonsecaCearense, Mansueto mudou-se para São Paulo nos anos 90 para fazer mestrado em economia na USP. Nos últimos anos, sua expertise em contas públicas e os efeitos negativos da política industrial fizeram dele uma voz requisitada junto a empresários e investidores preocupados com o rumo macroeconômico do País.

Giannetti, mineiro de nascimento, é prata da casa entre os empresários da FIESP e um intelectual (comb)ativo no debate de ideias. Frequentemente reconhecido como filósofo, é autor de livros como “Auto-engano”, “O Valor do Amanhã” e “A Ilusão da Alma”. Desde a campanha de 2010, o economista pela USP e doutor por Cambridge se tornou o principal assessor econômico de Marina Silva.

Homens com trajetórias diferentes, representando candidatos de partidos não exatamente parecidos, poderiam divergir até fazer pulsar a veia do pescoço.

Mas em seus debates nesta campanha, em vez de muito dissenso, data venia e ‘pera lá’, o que se vê é o oposto: Mansueto e Giannetti essencialmente falam a mesma coisa, divergem apenas na margem, e quase completam as frases um do outro.

Anos de contabilidade criativa, hipertrofia do gasto público e uso temerário do balanço do BNDES produziram, para o Governo Dilma, a união inequívoca da oposição, se não nas candidaturas, na crítica à chamada ‘Nova Matriz Econômica’, que tem gerado inflação alta e crescimento baixo.

Giannetti acha o que o Governo faz coisas tão enlouquecidas que só lhe resta tratar o assunto com uma dose de humor.

Falando das várias tentativas do Governo de gerar crescimento com crédito subsidiado, o que deve parir um PIBinho de 0,5% este ano, Giannetti gosta de lembrar um termo sarcástico criado pelo economista Mario Henrique Simonsen — o ‘Princípio de Contraindução’ — que propõe: “Uma experiência que dá errado várias vezes deve ser repetida até que dê certo”.Mansueto Almeida Jr

Ao lembrar que os gastos com seguro-desemprego, pensão por morte e auxílio-doença saltaram 18 bilhões de reais de um ano para o outro, Giannetti ironiza: “Quem olha esses números acharia que o Brasil está com alto desemprego, no meio de uma guerra, e sofrendo uma epidemia!”

Ele também denuncia alguns empresários para quem “é mais importante ter boas relações com Brasilia do que conseguir melhorar aquilo que fazem, através de investimentos em pesquisa e inovação. Isso é mercantilismo. Voltamos ao mercantilismo!”

Giannetti luta há anos contra os rótulos, incluindo o de ‘neoliberal’. Numa entrevista à Folha na campanha passada, detonou: “Uma idéia tão cara ao PT quanto a renda cidadã é uma idéia de um economista tachado de liberal, Milton Friedman. Outro economista tachado de neoliberal, como Hayek, tem uma idéia ainda mais avançada, que é uma renda mínima para cada cidadão, independentemente de ele trabalhar ou não. As pessoas usam esses rótulos achando que estão dizendo alguma coisa, quando nem sabem o que estão dizendo.”

Já Mansueto se dedica a desconstruir — como quem descasca uma fruta, meticulosamente, com faca japonesa — as chicanas que o Governo criou para esconder da sociedade a explosão de seus gastos.

Seu maior talento é explicar como todos nós pagamos pelos estímulos que o Governo tenta fazer parecer serem “de graça.” O caso clássico: a fábrica de ‘almoços grátis’ chamada BNDES.

Para permitir que o BNDES emprestasse mais, o Tesouro Nacional teve que injetar dinheiro no banco repetidas vezes nos últimos anos. Não tendo dinheiro vivo, o Tesouro emitiu títulos, que o banco então pôde usar como capital.

O custo dessa dívida, parte do que a oposição chama de ‘Bolsa-Empresário’, faz com que o custo da dívida líquida do setor público hoje seja o mesmo de 2002 — um ano em que a dívida do governo era quase o dobro do que é hoje.

“Ou seja, apesar da dívida ser quase a metade do que era, o custo continua alto, 17% ao ano, porque o subsídio dos sucessivos aportes de recursos do Tesouro nos bancos públicos e o custo de acumulação de reservas aparecem no custo,” diz Mansueto.

Em matéria fiscal, o Governo Dilma lutou para elevar a expressão “empurrar para debaixo do tapete” a um nível nunca antes visto na história deste País.

Com uma singela portaria ministerial em 2012, o Governo criou uma regra que qualquer cliente do Magazine Luiza ou das Lojas Renner adoraria usar. A portaria estabelece que os subsídios de juros concedidos pelo BNDES só passam a ser devidos depois de 24 meses. Ou seja — melhor explicar isso em itálico — todo o subsídio dado pelo Governo no final de 2012, 2013 e 2014 passou a ser devido pelo próximo governo, e não pelo atual. Não será surpresa se os candidatos de oposição logo falem de uma “herança maldita” do PT.

Pelas contas de Mansueto, de acordo com o balanço do BNDES divulgado semana passada, só essa conta já está em 21,5 bilhões de reais, comparado a 13,8 bilhões no ano anterior.

Nos últimos dias, Mansueto descobriu a última malandragem do Tesouro, envolvendo o Bolsa Familia, que é pago pela Caixa com recursos repassados pelo Tesouro.

Quando o Tesouro atrasa os repasses, seu saldo no final do mês fica negativo na Caixa. (Quem nunca?) Mas, na contabilidade pública, isso faz parecer que existe mais dinheiro no caixa do Tesouro do que de fato há, inflando artificialmente o tamanho da economia que o Governo fez no mês, o chamado superávit primário, e iludindo a sociedade.

De 2007 a 2011, o governo atrasou repasses para a Caixa uma única vez. Em 2012 e 2013, atrasou quatro vezes por ano. E neste ano, quatro vezes em cinco meses.

Numa crítica à ‘base acadêmica’ dos condutores da política econômica atual, Giannetti recentemente contou uma história sobre a Faculdade de Economia da Unicamp para ilustrar a incapacidade dos economistas heterodoxos — que hoje mandam em Brasilia — de entender (ou aceitar) a realidade.

Em 1978, a Unicamp organizou um seminário sobre macroeconomia e convidou Celso Furtado, já àquela altura uma instituição do pensamento econômico de esquerda no País. Furtado, que vivia em Paris, veio ao Brasil fazer a palestra, e Giannetti, na época estudante da USP, foi até Campinas ver o homem.

No final, segundo Giannetti, o organizador do evento agradeceu a fala de Furtado, mas disse a ele: “Professor, todos esses temas que o senhor tratou aqui — inflação, balança de pagamentos, taxa de câmbio — são problemas da burguesia… Nós aqui queremos discutir a luta de classes, o imperialismo…” Em artigo publicado semana passada, próceres da Unicamp se irritaram com o relato, que consideram uma caricatura grosseira.

Por Geraldo Samor

Sem categoria

Falta de “espírito animal” segura crescimento, diz diretor do BC. Não! É excesso de “raciocínio animal” o culpado!

Governo Dilma reclamando da falta de

Governo Dilma reclamando da falta de “espírito animal”

Deu na Folha: Para o diretor de Assuntos Internacionais, Riscos e Regulação do Banco Central, Luiz Awazu Pereira da Silva, o mundo não entrou em rota acelerada de crescimento apesar dos estímulos dos bancos centrais porque os empresários não recuperaram o “espírito animal”.

A afirmação, que faz referência ao termo popularizado pelo economista britânico John Maynard Keynes (1883-1946) para descrever o impulso que leva o homem de negócios a empreender, foi feita em evento de associação de empresas transnacionais, nesta sexta-feira (22), em São Paulo.

Segundo Awazu -um dos nomes mais cotados para substituir Alexandre Tombini em um eventual segundo mandato da presidente Dilma-, os BCs foram eficientes ao evitar uma depressão maior da economia usando métodos não convencionais em vez da redução dos juros.

Por métodos não convencionais, o diretor do BC se referia às sucessivas injeções maciças de recursos nos EUA, Europa e Japão. Isso, no entanto, não foi suficiente para o crescimento, porque os empresários não reagiram com investimentos.

Para empresários presentes ao evento, a falta de “espírito animal” no Brasil se deve principalmente a medidas do governo que aumentam a insegurança.

O que me preocupa não é a ausência do “espírito animal”, uma expressão vaga que serve para colocar a responsabilidade pelo fracasso de medidas econômicas adotadas pelo governo nos ombros dos empresários, como se crescimento dependesse apenas de sentimentos subjetivos. O que me tira o sono mesmo é o excesso de “raciocínio animal” neste governo!

Convenhamos: o governo Dilma é pródigo em colocar no time asininos. A começar pela própria presidente, que jamais demonstrou capacidade de gestão em momento algum de sua vida, privada ou pública. O resultado era previsível: uma trapalhada atrás de outra, gerando esse caos atual, essa estagflação preocupante.

É fácil culpar o vago “espírito animal” dos empresários, que estaria em falta; mais doloroso é reconhecer que tal pessimismo é resultado, não causa dos problemas. Ou seja, o governo travou a economia toda, fez o dragão inflacionário despertar novamente, e depois reclama da falta de disposição dos empresários para investir?

Isso é análogo ao marido “valentão” que espanca a mulher dia sim, dia não, e quando finalmente leva um pé na bunda, reclama da falta de amor e compreensão dela. O mercado tem sido tripudiado pelo governo Dilma, que agora quer seu carinho em troca? É muita cara de pau mesmo!

O Brasil não precisa de mais “espírito animal” para crescer; precisa, isso sim, de menos “inteligência animal” controlando a economia de cima para baixo. É só colocar gente mais inteligente e capaz lá que tudo irá melhorar, e o tal “espírito animal” dos empresários rapidamente voltará.

Rodrigo Constantino

Corrupção

Corrupção não é de esquerda nem direita, mas…

Para o PT, seus corruptos são

Para o PT, seus corruptos são “heróis injustiçados”

Um artigo de Sergio Fernando Moro publicado hoje na Folha traz uma reflexão interessante. Ele compara o caso brasileiro com o italiano na década de 1990, que deu origem à “Operação Mãos Limpas”. Na Itália, havia uma crença generalizada de que “todos roubavam”, ou seja, nada podia ser feito de concreto para combater a farra.

Pouco tempo depois, mais de 6 mil pessoas estavam sendo investigadas e quase 3 mil mandados de prisão tinham sido expedidos. Claro que a corrupção não foi eliminada da política italiana, nem de perto. Mas foi inegável o avanço frente ao caos que reinava antes. Voltando ao Brasil atual, o autor escreve:

A corrupção não tem cores partidárias. Não é monopólio de agremiações políticas ou de governos específicos. Combatê-la deve ser bandeira da esquerda e da direita. Embora existam políticos corruptos em qualquer agremiação, não há partido que defenda a corrupção.

Isso é parcialmente verdade. Em primeiro lugar, claro que a corrupção em si não tem cor partidária, e pode vir tanto da esquerda como da direita. Mas há duas distinções ao menos: 1) a direita, ao propor menos estado, compreende que o poder corrompe, e que somente a redução do escopo do estado, do prêmio para o corrupto, pode aliviar a situação; 2) ao erguer a bandeira da impunidade como uma das mais importantes, a direita quer atacar o mal da corrupção em sua raiz, reduzindo os incentivos para tanto.

Combater a corrupção, portanto, pode ser uma bandeira da esquerda e da direita, mas acredito que quem apresenta os melhores remédios é, sem dúvida, a direita, por compreender suas verdadeiras causas. Ao demandar mais estado e concentração de poder, a esquerda acaba fomentando a corrupção. Ao tratar criminosos muitas vezes como “vítimas da sociedade”, a esquerda também acaba estimulando a corrupção, pois o clima de impunidade é geral.

Além disso, discordo do autor quando diz que nenhum partido defende a corrupção. É verdade que nenhum o faz abertamente, de forma escancarada. Mas alguns chegam bem perto disso. É o caso do PT, que mesmo após condenação em última instância de membros da alta cúpula do partido, prefere tratá-los como “heróis injustiçados”, em vez de expulsá-los. Isso é, sim, defender a corrupção como método aceitável.

José Dirceu, José Genoino e Delúbio Soares não são execrados pelo PT, vistos como traidores da bandeira ética que o partido dizia defender. Ao contrário: são protegidos, elogiados, defendidos. O que o partido está dizendo é que tolera a corrupção, que endossa o desvio de recursos públicos se for pela “causa”, para beneficiar o próprio partido.

O que sempre foi parte da mentalidade revolucionária da esquerda. Os fins “nobres” justificam quaisquer meios, por mais torpes que sejam. Logo, há uma ala da esquerda que claramente compactua com a corrupção como método aceitável para seu projeto de poder. São coniventes com os desvios, enaltecem seus corruptos e preferem criticar a Justiça que os julgou e condenou. O autor conclui:

Defendo, em concreto, que o rigor se imponha em casos de crimes graves de corrupção. Especificamente, presentes evidências claras de crimes de corrupção, não se deve permitir o apelo em liberdade do condenado, salvo se o produto do crime tiver sido integralmente recuperado. Não é antecipação da pena, mas reflexão razoável de que, se o condenado mantém escondida fortuna amealhada com o malfeito, o risco de fuga ou de nova ocultação do produto do crime é claro e atual.

É fácil apresentar projeto de lei a respeito e igualmente viável defender, mesmo sem lei, posição jurisprudencial nesse sentido. Gostaria de ver isso defendido pelos candidatos à Presidência da República ou, mesmo antes, no Congresso Nacional e nos tribunais.

Enfim, a corrupção não é um dado da natureza ou consequência dos trópicos, mas um produto de fraqueza institucional e cultural. Como Brutus bem sabe, não é dos astros a culpa.

Eis o ponto: tanto a esquerda como a direita pode – e deve – abraçar tais propostas, que intensificam o rigor contra a corrupção e combatem a impunidade. Mas é inegável que uma ala da esquerda, representada pelo PT, não aplaude tais medidas, não deseja mais rigor, não condena a corrupção de verdade. Ao contrário: quer aliviar as penas dos corruptos, pois são os “seus” corruptos!

PS: O ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, parece ter aceitado a delação premiada e deve colocar a boca no trombone. Dizem que tem relação com mais de cem deputados, e que atingiria gente bem próxima da presidente. Ele mesmo teria dito antes que, se abrisse a boca, não haveria eleição. Que fale! Que entregue todos! Mesmo que centenas de políticos tenham de ser investigados. O Brasil precisa, urgentemente, de uma limpeza geral.

Rodrigo Constantino

Democracia, Economia, Política

Armínio Fraga fala a TVeja: modelo atual é equivocado e já vimos isso no passado

Boa entrevista de apenas 20 minutos com Armínio Fraga na TVeja, por Joice Hasselmann:

 

O Brasil tem diante de si uma decisão importantíssima a tomar. Estamos em uma encruzilhada. O modelo atual vai afundar o país, e os sintomas já começaram a aparecer. Há uma alternativa viável, com quadro técnico claramente capaz de reverter a situação. Resta saber se os eleitores vão optar pelo populismo desastroso em vez de abraçar as “medidas impopulares” que poderiam salvar nossa economia do naufrágio.

Rodrigo Constantino

Tags:
Fonte:
blogs de veja.com

RECEBA NOSSAS NOTÍCIAS DE DESTAQUE NO SEU E-MAIL CADASTRE-SE NA NOSSA NEWSLETTER

2 comentários

  • Adoniran Antunes de Oliveira Campo Mourão - PR

    A politica mais execrável,mais sórdida,traidora e que tem que necessariamente ser expulsa da CNA, é Katia Abreu.Nao é senao mais uma que procura o poder a qualquer custo.Deixar uma bancada como o DEM que a elegeu,para saltitar entre partidos, e finalmente pousar no PMDB de sarneys,jucás e cia.tem que ser alguém que nao tem caráter,nao tem vergonha.E pior,agora apoiando dilma,porque lhe prometeu o ministerio da agricultura.Ora bolas,vá pra ponte que a partiu Katia abreu.

    0
  • Rodrigo Polo Pires Balneário Camboriú - SC

    Katia Abreu è mesmo de lascar o cano da espingarda. Ela afirma que os políticos não prestam devido aos Brasileiros pensarem que política è sinônimo de podridão e não que pensam ser podridão por que os políticos não prestam. Crie vergonha nessa sua cara senadora, ou você è tão ignorante que ainda não percebeu que não pode continuar com o mesmo discurso que tinha anos atrás ao mesmo tempo em que apóia um governo claramente nocivo e contràrio à classe produtora. Outra coisa senadora, a teologia da libertação não serviu como porta para os católicos entrarem na política e sim para que esquerdistas entrassem na religião Catòlica para fazer política socialista e anti-cristã. Aqui um texto de um irmão querido, cristão evangélico, sobre teologia da missão integral que è a variante protestante da teologia da libertação Catòlica. Leiam quando tiverem tempo, com paciência, pois vale a pena, alèm de, a mensagem ser muito bonita. http://juliosevero.blogspot.com.br/2011/10/teologia-da-missao-integral.html

    0