Ibope: Aécio cresce e Dilma cai no primeiro turno; viés volta a ser de baixa para a candidata do PT; pânico volta às hostes pet

Publicado em 16/09/2014 21:37 e atualizado em 17/09/2014 19:35 3139 exibições
E mais: "PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista", por Reinaldo Azevedo (+ Augusto Nunes, Ricardo Setti, Geraldo Samor e Rodrigo Constantino), de veja.com

Ibope: Aécio cresce, e Dilma cai no primeiro turno; viés volta a ser de baixa para a candidata do PT; pânico volta às hostes petistas

Agora ficou clara a euforia do mercado nesta terça-feira. Os números do Ibope indicam que o cenário eleitoral tem um viés de baixa para a petista Dilma Rousseff. No primeiro turno, quem cresceu foi o tucano Aécio Neves. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos para mais ou para menos. O instituto ouviu 3.010 eleitores em 204 municípios, entre os dias 13 e 15, e a pesquisa está registrada no TSE sob o número BR 657/2014. Todos os gráficos deste post foram feitos pela TV Globo.

Ibope 16.09 1º TV Globo

Em uma semana, Dilma caiu três pontos no primeiro turno e aparece, agora, com 36% das intenções de voto. A peessebista Marina Silva oscilou um para baixo e tem 30%. O tucano Aécio Neves cresceu quatro e aparece com 19%. Entre os demais candidatos, só Pastor Everaldo, do PSC, pontuou: 1%.

A petista segue na liderança folgada da rejeição: dizem que não votariam nela de jeito nenhum 32% dos eleitores, contra apenas 19% em Aécio e 14% em Marina.

Segundo turno
No segundo turno, o cenário também piorou para Dilma Rousseff. Vejam.

Ibope 16.09 2º marina dilma

Ibope 16.09 dilma Aécio

Em uma semana, Marina manteve os 43%, e Dilma oscilou de 42% para 40%. Contra Aécio, a diferença em favor da petista caiu sensivelmente: era de 15 pontos — 48% a 33% — e é de apenas 7 agora: 44% a 37%. O tucano cresceu 3 pontos, e a petista caiu 4.

Estando certos os números de antes e os de agora, o que aconteceu em sete dias? O escândalo da Petrobras veio à tona para valer. Observem que, no primeiro turno, Aécio foi o único que cresceu: de 15% para 19%. Dilma caiu de 39% para 36%, e Marina oscilou um ponto para baixo: de 30% para 31%.

Há também a se destacar a truculência da campanha petista, que avança contra Marina com uma impressionante violência. O tiro, como aqui já se advertiu, pode sair pela culatra. Voltarei ao assunto nesta madrugada. No confronto com Dilma, Marina se manteve estável: 43%. A presidente-candidata, no entanto, oscilou dois para baixo. Está com 40%.

Mas os números do confronto com Aécio é que devem mais preocupar os petistas, nem tanto pela distância, mas por aquilo que pode ser uma tendência. Ela caiu de 48% para 44%, e ele subiu de 33% para 37%. A síntese é a seguinte: na semana em que Aécio procurou se distinguir de Dilma e Marina, mas sem partir para a baixaria, o tucano cresceu. Neste mesma semana, em que o PT optou pela truculência, há sinais de que a candidata do partido pode derrapar.

Os petistas voltam a flertar com o fantasma da derrota. A partir desta quarta, restará a dúvida: avançar sobre Marina com ainda mais violência ou diminuir a fúria dos ataques?

Por Reinaldo Azevedo

Presidente-candidata está mexendo com forças que só conhece de ouvir falar. Marina sabe, se preciso, ser Lula. Mas Dilma só sabe ser Dilma. E isso pode ser muito aborrecido

Davi com a cabeça de Golias, Caravaggio

A presidente-candidata Dilma Rousseff e, em larga medida, o PT e seu marqueteiro estão mexendo com forças que não conhecem e podem, do seu ponto de vista, fazer uma grande bobagem. O partido decidiu esmagar Marina Silva. A candidata do PSB à Presidência reclamou da truculência e das mentiras levadas ao horário eleitoral — até Rodrigo Janot considerou que elas passam da conta e pediu que o TSE retire uma peça de propaganda do ar. Em resposta à adversária, Dilma sustentou que a Presidência não é para os fracos. Uma fala burra nos dias que correm. Lula deu de ombros e ainda esnobou, truculento: Marina não precisa chorar por ele. Manifestações arrogantes como essas podem ser fatais numa eleição.

Ontem, o PSB levou ao ar um trecho muito contundente de um discurso de Marina. Ao comentar que o PT espalhava por aí que, se eleita, ela vai acabar com o Bolsa Família, a candidata do PSB mandou um recado direto a Dilma, chamando-a pelo nome. Falou fino, porque é de sua natureza, mas falou grosso, com voz embargada e pausa dramática, tudo muito bem encaixado:

“Dilma, você fique ciente. Não vou lhe combater com suas armas; vou lhe combater com a nossa verdade. Tudo o que minha mãe tinha para oito filhos era um ovo e um pouco de farinha e sal com umas palhinhas de cebola picadas. Eu me lembro de ter olhado para o meu pai e minha mãe e perguntado: ‘Vocês não vão comer?’ E minha mãe respondeu: ‘Nós não estamos com fome’. Uma criança acreditou naquilo. Mas depois entendi que eles há mais de um dia não comiam”.

A candidata indagou, em seguida, como é que ela poderia, com aquela história, acabar com o Bolsa Família.

Pois é… Lula inventou uma categoria que vai ficar na política brasileira por muito tempo: os “Silvas”. É aquela gente que teve uma infância difícil, que lutou contra as vicissitudes da sorte e que venceu, sem esquecer suas origens. Verdade ou mentira, a construção é politicamente poderosa. Acontece que Marina pertence a essa família Silva. Em certa medida, sua história pode ser mais meritória — e meritocrática — do que a do próprio Lula. Afinal, adicionalmente, além de pobre, foi analfabeta por mais tempo do que o chefão petista, é mulher e negra.

Já adverti aqui e volto a fazê-lo: não tentem despertar o poder das vítimas. Os fortes e os brutos não entendem o seu potencial. Talvez Dilma devesse dar um pulinho correndo na Galleria Borghese, em Roma, e olhar aquela que é, para mim, a obra mais impressionante de Caravaggio: Davi segurando a cabeça de Golias (foto no alto). Tudo ali é demasiadamente humano: o ar plácido do mais fraco, que se sagrou vencedor, e a incompreensão que restou no rosto de Golias, o morto. Não há ódio nem sangue. Só um fato. A reprodução não dá conta. Quem puder tem de ver de perto. Mas retomo o fio.

Como construção de personagem e como narrativa a incendiar o imaginário, Marina sabe ser Lula, mas Dilma só sabe ser Dilma, e a personagem, convenham, não desperta grande interesse. Mesmo o aspecto que vendem como heroico de sua trajetória está muito longe da vida do brasileiro comum. É evidente que o PT, na política e, entendo, na lei foi muito além dos limites aceitáveis. Marina está a um passo de se tornar o Davi que ainda vai segurar, com ar piedoso, mas firme, a cabeça de Golias.

O desespero chegou com tal violência nas hostes companheiras que a artilharia pode ter sido usada precocemente. O que mais pretendem usar contra Marina, que seja compreensível para as massas? No segundo turno, caso as duas mulheres realmente cheguem lá, o tempo na TV será o mesmo, e Dilma já terá perdido há muito o troféu fair-play.

Dilma é uma esquerdista que veio das camadas superiores. Como diria Monteiro Lobato, da casa de pobre, ela não conhece nem o trinco — ou a falta de trinco. Lula conserva aquele charme popular, mas ele foi talhado, na medida, ao longo de vinte anos, para atacar tucanos. Assisti ontem ao programa do PT no horário eleitoral: está chato, repetitivo, tentando convencer os brasileiros de que o paraíso é aqui. Tenho certeza de que João Santana se pergunta que diabos ele tem a fazer com todo aquele tempo.

Vamos ver o que vai dizer a pesquisa Datafolha. Considerando só a pesquisa Ibope, a única com motivos para se preocupar é mesmo Dilma, que caiu três pontos em uma semana: de 39% para 36%. Sim, é verdade, estando certos os números, Aécio Neves, do PSDB, ainda está distante de um segundo turno, mas subiu quatro pontos, passando de 15% para 19%. Marina oscilou um para baixo e aparece com 30%. No segundo turno, a petista ameaçou tomar a liderança numérica na semana passada, ficando apenas um ponto atrás da rival (43% a 42%), mas a distância pode ter-se alargado: 43% a 40%. Como já vimos, Aécio melhorou, Marina resistiu e pode ter ascendido no segundo turno, e Dilma murchou nas duas etapas.

As barbaridades cada vez mais cabeludas da Petrobras certamente interferem nas escolhas dos eleitores. Mas creio que há mais: é crescente o repúdio à truculência do PT no trato com os adversários. Já houve um tempo em que Lula sabia ter o fabuloso poder da vítima. Hoje, ele só consegue entender a truculência dos algozes. Pode ser vítima, sim, mas da própria soberba.

Por Reinaldo Azevedo

Operação Lava Jato:

PF já tem a identidade do petista que entregou dólares a chantagista

Enivaldo Quadrado recebia dinheiro do PT para manter silêncio sobre contrato envolvendo desvios na Petrobras. Polícia investiga o caso em sigilo

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula

O PODER E O CRIME - Enivaldo Quadrado (à direita), o chantagista, é pago pelo PT para manter em segredo o golpe que resultou no desvio de 6 milhões de reais da Petrobras, em outro caso de chantagem que envolve o ministro Gilberto Carvalho, o mensaleiro José Dirceu e o ex-presidente Lula (Montagem com fotos de Ailton de Freitas-Ag. O Globo/Joel Rodrigues-Folhapress/Rodolfo Buhrer-Estadão Conteúdo/Jeferson Coppola/VEJA)

A Polícia Federal já sabe quem é o homem que, em nome do PT, fazia as entregas de dinheiro a um grupo de chantagistas que ameaçava envolver o partido no escândalo de corrupção da Petrobras. Em sua última edição, VEJA mostrou que Enivaldo Quadrado, condenado no processo do mensalão, prometeu revelar detalhes sobre o envolvimento de petistas com o desvio de 6 milhões de reais do cofre da estatal. Para comprar seu silêncio, o partido cedeu à chantagem.

Cumprindo pena alternativa, Enivaldo Quadrado, o chantagista, recebe pagamentos regulares em dólares americanos. O dinheiro é entregue por um homem identificado apenas como sendo um conhecido militante do PT, influente, com estreitas  ligações com os chefes mensaleiros – e que faz o serviço  cumprindo ordens do tesoureiro do partido, João Vaccari Neto.

O valioso trunfo de Enivaldo Quadrado são as informações que ele possui sobre a triangulação de uma outra chantagem. Em 2012, o publicitário Marcos Valério, outro condenado no mensalão, revelou ao Ministério Público que o empresário Ronan Maria Pinto estava ameaçando envolver o então presidente Lula e seus auxiliares, o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, e o chefe de gabinete da Presidência, Gilberto Carvalho, no assassinato do prefeito de Santo André Celso Daniel. Para evitar que isso acontecesse, o PT deu a ele 6 milhões de reais, dinheiro que saiu dos cofres da Petrobras, segundo Marcos Valério.

Enivaldo Quadrado conhece todos os detalhes da operação e guardou consigo a cópia de um contrato que formalizou o repasse milionário a Ronan Maria Pinto, o primeiro chantagista. Por isso, seu silêncio agora vale tanto.

Leia também: PPS cobra convocação de Quadrado na CPI da Petrobras

 

Dilma diz não temer depoimento de Paulo Roberto Costa

Em entrevista, presidente-candidata afirmou que a ida do ex-diretor da Petrobras ao Congresso, nesta quarta-feira, não preocupa o governo

Gabriel Castro, de Brasília
A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, concede entrevista no Palácio da Alvorada, em Brasília (

A presidente Dilma Rousseff, candidata do PT à reeleição, concede entrevista no Palácio da Alvorada, em Brasília ((Pedro Ladeira/Folhapress)

A presidente Dilma Rousseff disse nesta terça-feira que o governo não está preocupado com odepoimento de Paulo Roberto Costa, delator do petrolão, à CPI mista da Petrobras. Costa, que foi diretor de Abastecimento da companhia entre 2004 e 2012, entregou à Polícia Federal nomes de políticos que se beneficiaram de desvios na Petrobras, conforme revelou VEJA.

"Não temos a menor preocupação", disse a presidente em uma rápida entrevista no Palácio da Alvorada, antes de embarcar rumo ao debate entre os presidenciáveis organizado pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), na cidade de Aparecida (SP).

A afirmação de Dilma, entretanto, contrasta com toda a operação armada pelo governo e pelo PT para transformar a CPI do Senado num teatro e blindar a estatal e seus diretores, como VEJA revelou.

Relembre a farsa na CPI, quadro a quadro

A presidente também demonstrou descontentamento com o pedido, feito pelo Ministério Público Eleitoral, de suspensão da propaganda em que a campanha petista ataca Marina Silva (PSB) pela defesa da autonomia do Banco Central. "Crime de opinião no Brasil é algo ultrapassado. Eu fui da cadeia por crime de opinião. E sei perfeitamente que a democracia é algo que deve ser acolhido", disse a petista.

Dilma também comemorou o relatório da Fundação das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), que apontou uma redução de 75% dos miseráveis no Brasil entre 2001 e 2013. No ano passado, o número de pessoas abaixo da linha da miséria era de 3,4 milhões de pessoas.

A promessa do governo Dilma, entretanto, era erradicar a fome. A presidente diz que o número de miseráveis atual se deve às famílias que não procuraram os programas do governo e que, dessa forma, precisam ser procuradas por meio de "busca ativa". "O que nós achamos é que tem gente tão pobre que não sabe que tem direito a certos programas sociais. Então nós criamos aquilo que se chamou de busca ativa."

Dilma também adotou uma postura cautelosa a respeito do casamento entre pessoas do mesmo sexo. Ela afirmou que a união estável já foi assegurada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), e que ela tem efeito de casamento civil. Ao mesmo tempo, afirmou que respeita a autonomia de cada religião celebrar o casamento que considera adequado. "O meu governo tem a concepção de família que existe na realidade. Nós não definimos nenhuma forma de família nem temos a pretensão governamental de interferir em algo que é sociedade", disse ela.

Caos na cidade de São Paulo foi produzido por entidades ligadas ao PT e com cargo na Prefeitura, comandada por Fernando Haddad

Escrevi ontem aqui que a pancadaria promovida por supostos sem-teto numa reintegração de posse no Centro da cidade de São Paulo não passava de ação partidária. Uma franja ligada ao PT resolveu promover o quebra-quebra na esperança, sei lá, de criar um fato eleitoral. Essa gente ainda não se deu conta de que a baderna tira, não dá, votos. O confronto com a Polícia Militar foi promovido pela Frente de Luta por Moradia (FLM), um movimento ligado ao partido, que pertence a um “coletivo”, como eles dizem, intitulado “Central de Movimentos Populares” (CMP), que é também mero esbirro do petismo. Gosto de demonstrar o que afirmo.

Na reportagem do Jornal Nacional, por exemplo, eis que dou de cara com o senhor Raimundo Bonfim, apresentando como coordenador da CMP. 

Raimundo Bonfim - JN

Sim, eu me lembrava dele. Escrevi sobre este bravo no dia 14 de agosto de 2013. Ele pretendia liderar, então, um protesto contra o governo Geraldo Alckmin, que estava sendo convocado pela página do PT na Assembleia Legislativa. Só isso? Não!

Além de coordenador da tal central, o homem é advogado e, atenção!, funcionário da Liderança do PT na Assembleia, com salário, no ano passado, de R$ 11.380. É isso mesmo o que você entendeu, leitor amigo: é você quem paga a boa vida do sr. Bonfim para que ele ajude a promover o caos.

Na campanha eleitoral de 2012, ele fez caminhada ao lado do então candidato Fernando Haddad, conforme se pode ver abaixo, e posou para fotos com a bandeira do PT. Não é e nunca foi um sem-teto. Trata-se apenas de um militante profissional.

bonfim com haddad

Bonfim PT

Haddad é grato a toda essa gente, que detém cotas na distribuição de moradas populares na cidade. Um dos coordenadores da FLM, que promoveu a bagunça nesta terça, Osmar Silva Borges, ganhou cargo na Prefeitura: virou assessor da Companhia Metropolitana de Habitação (Cohab), com salário mensal de R$ 5.538,55. Não foi o único. Também Vera Eunice, coordenadora da Associação dos Trabalhadores Sem-Teto da Zona Noroeste, recebeu uma boquinha na empresa, com salário de R$ 5.516,55. Ou por outra: o grupo que protagonizou as cenas lamentáveis de violência e vandalismo é poder na cidade administrada por Haddad.

Fiquei ainda bastante encantado ou ler e ouvir o depoimento de Juliana Avanci, advogada dos invasores. Contra todas as evidências, contra tudo o que mostravam as TVs, ao vivo; contra todos os fatos, ela afirmou que a Polícia é que deu início ao confronto. A doutora seria apenas membro de uma ONG, o Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos. Apresenta-se simplesmente como uma defensora da causa, sem vínculos com os companheiros.

Pois é… O nome dela está num manifesto de “juristas e advogados” em apoio, então, à candidatura de Haddad à Prefeitura. Ela certamente sabia que o petista, se eleito, faria uma gestão simpática à companheirada e à causa, não é mesmo? E que se note: no hotel invadido e depois desocupado, a polícia encontrou 12 coquetéis molotov.

O que me incomoda nessa gente toda é menos o conteúdo do pensamento, por mais que eu considere lamentável, do que a hipocrisia. Admitam, então, que se trata de uma ação de caráter partidário e que eles avaliam que o caos lhes interessa. Ontem, sustentei aqui que os baderneiros de São Paulo eram apenas os braços operacionais de uma forma de entender o poder, aquela mesma que Lula havia expressado no dia anterior naquela pantomima autoritária e ridícula em frente à sede da Petrobras.

As evidências estão aí.

Por Reinaldo Azevedo

Stedile, o maior pelego do Brasil, e Lula, o Mussolini de São Bernardo, querem golpear a democracia

Mussolini (centro) na

Mussolini (centro) na “Marcha Sobre Roma”, em 1922, que marca o golpe fascista

João Pedro Stedile, o dono do MST, esteve naquela patuscada promovida por Lula em frente à sede da Petrobras no Rio. E demonstrou que é mesmo o que sempre afirmei: mero esbirro do PT. No seu discurso, ameaçou: “Vamos estar todos os dias aqui em protesto [se Marina ganhar]”.

Cabe a pergunta: por quê? Por razões óbvias, ele não conhece as medidas de Marina na área do pré-sal pela simples razão de que ela ainda não venceu a eleição, ora essa. Não tendo vencido, não tomou posse. Não tendo tomado posse, ainda não governou.

Stedile, em companhia de Lula, deixa claro, assim, que não reconhece as instituições do regime democrático, coisa que, diga-se, eu também sempre soube. Gente como ele — a exemplo de Guilherme Boulos, o líder do MTST — só existe porque a democracia costuma ser tolerante com elementos que buscam solapar seus fundamentos.

O dito líder do MST é o maior pelego do Brasil. Dilma, na comparação com Lula e FHC, é a presidente que menos assentamentos fez. E nem acho que isso seja um problema em si, já que os sem-terra, de fato, não existem. O que existe é o MST, um aparelho que vive do dinheiro público. A grana que financia o movimento, na prática, tem origem nos recursos destinados à agricultura familiar.

A declaração de Stedile, para a surpresa de ninguém, tangencia o terrorismo político. Observem que ele nem mesmo diz que promoverá protestos ligados à sua área de atuação. Nada disso! Agora, o capa-preta do MST pretende também dar ultimatos no setor energético.

O que Lula e este senhor fizeram, nesta segunda, foi ameaçar o país. O Poderoso Chefão do PT está tentando alimentar temores que muita gente já expressou aqui e ali: se os petistas forem derrotados, o país se tornará ingovernável porque eles botarão a tropa na rua. Se, agora, diante do nada, brandindo um fantasma, uma invenção, uma fantasia, fazem esse escarcéu, imagine-se o que não fariam se, num eventual novo governo, tivessem seus interesses contrariados.

Lula está ameaçando o Brasil com uma “Marcha Sobre Roma” se o seu partido for apeado do poder, se o eleitor insistir em fazer o que ele não quer. O ato desta segunda foi a manifestação explícita e arreganhada de quem não tem a democracia como um valor universal. Para os petistas, uma eleição presidencial é aquele processo que só admite um resultado: a vitória.

É coisa de fascistas. Lula está pensando que o Brasil de 2014 é a Itália de 1922 e que ele é Mussolini.

Texto publicado originalmente às 19h41 desta segunda

Por Reinaldo Azevedo

Campanha de Dilma imita peças das ditaduras militar e do Estado Novo e cria o “Pessimildo”

O PT, para não variar, morre de inveja das duas ditaduras havidas no período republicano: a do Estado Novo getulista e a militar. Explico.

Os que já andam aí pelos 50 e poucos — 53, no meu caso — se lembram de um dos lemas infames da ditadura militar: “Brasil: ame-o ou deixe-o”. Amar, estava claro, implicava concordar com as decisões oficiais e aderir ao clima de entusiasmo alimentado pela máquina publicitária — que era pinto, diga-se, perto do que faz o petismo. Os incomodados, então, que se mudassem. Considerando que, no período, muitos brasileiros estavam no exílio, não se tratava apenas de ufanismo burro; ele era também truculento.

ame-o ou deixe-o

Mas a ditadura militar, na violência ou na máquina de propaganda, ainda perdia para o Estado Novo, que vigorou no país entre 1937 e 1945 e que foi liderado por Getúlio Vargas, o ditador mais violento que o Brasil já teve. Governou como um autocrata a partir de 1930 e como um tirano a partir de 1935. Terminou seus dias como herói. Fazer o quê? Sigamos.

Getúlio chegou a criar uma cartilha que foi enviada às escolas. Na capa, ele aparece abraçando criancinhas, uma imagem que mimetizava a peça de propaganda de Hitler— como esquecer a simpatia de Getúlio pela Itália fascista e pela Alemanha nazista? No livrinho, aparecia a mensagem do ditador aos infantes. Leiam:

“Crianças!
Aprendendo, no lar e nas escolas o culto da Pátria, trareis para a vida prática todas as possibilidades de êxito. Só o amor constrói e, amando o Brasil, forçosamente o conduzireis aos mais altos destinos entre as nações, realizando os desejos de engrandecimento aninhado em cada coração brasileiro.
Getúlio Vargas”

Getúlio e Hitler

Por que, leitores, estou a lembrar essas coisas? João Santana, o marqueteiro de Dilma Rousseff, criou uma personagem que vai ser usada na campanha eleitoral: é o Pessimildo. A ideia é ridicularizar as pessoas que criticam o governo, transformando-as numa caricatura. Pode não parecer à primeira vista, mas se trata de um óbvio incentivo à intolerância.

O pessimista — ou Pessimildo — é, assim, um sujeito de maus bofes, que padece de algum desvio ou patologia. Não é que existam problemas no país! Claro que não! A exemplo do que ocorria nos Brasis da ditadura militar ou da ditadura getulista, o erro está em quem aponta o malfeito, está nos inconformados. Eles é que precisam de conserto e de reparos.

Durante a ditadura militar, a esquerda ironizava a pregação oficial, a exemplo do que se vê nessa tirinha do cartunista Ziraldo. Hoje em dia, a “companheirada” aderiu ao ufanismo truculento do lulo-petismo.

ame-o ou deixe-o Ziraldo

Não tardará, e os petistas ainda acabarão propondo que os críticos do seu modelo sejam mandados para o hospício. Afinal, como sabemos, é preciso estar louco para considerar ruim um governo que produz um crescimento inferior a 0,5%, uma inflação de 6,5% com juros de 11%. Só mesmo um Pessimildo para não reconhecer a grandeza de tal obra.

No fundo do poço da vergonha que o PT não sente, ainda existe um alçapão.

Por Reinaldo Azevedo

‘PT constrange empresários’, editorial do Estadão

Publicado no Estadão desta terça-feira

A destruição dos fundamentos da economia e a consequente perda de confiança dos setores produtivos são obras que têm a indelével assinatura do PT. Além de terem de encarar uma crise causada em grande medida pela imperícia das autoridades econômicas e da própria presidente Dilma Rousseff, os empresários do País ainda estão sendo sistematicamente demonizados na campanha da presidente à reeleição – no horário eleitoral gratuito, eles são apresentados como vilões que aniquilam o bem-estar dos pobres em nome do lucro. Mesmo assim, com o caradurismo habitual, os petistas enviaram a esses mesmos empresários uma carta em que pedem dinheiro para financiar a campanha de Dilma.

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CHAMEM O LADRÃO! A Polícia Federal adverte Marina para não ir a evento por causa de baderneiros — em vez de GARANTIR sua integridade no ato

Marina e seu vice, Beto Albuquerque, em recente comício em Campina Grande (PB): se a Polícia não garante a segurança de um candidato, quem vai garantir? Os bandidos? (Foto: Campanha Marina Silva)

Marina e seu vice, Beto Albuquerque, em recente comício em Campina Grande (PB): se a Polícia não garante a segurança de um candidato, quem vai garantir? Os bandidos? (Foto: Campanha Marina Silva)

O excelente jornalista e querido amigo Lauro Jardim contou, lá em seu imperdível Radar on-line:

“A guerra começou a ganhar ares perigosos na disputa ao Palácio do Planalto. Marina Silva estava em Brasília, no domingo, indo de carro a um evento de campanha em Ceilândia, cidade-satélite do Distrito Federal.

No meio do caminho, Marina recebeu um telefonema: os agentes da Polícia Federal responsáveis pela sua segurança orientaram que ela cancelasse a agenda. Segundo os policiais, vários militantes do PT a aguardavam, indóceis.(…)”

Lauro relata em seguida que Marina foi em frente, e felizmente não aconteceu nada.

Agora, vamos e venhamos: à Polícia Federal, que cabe POR LEI garantir a vida e a integridade física dos candidatos à Presidência — magnífica providência republicana adotada já nas eleições de 1989 –, não tem que alertar candidato a NÃO IR a determinado lugar por causa de baderneiros!!!

Tem que GARANTIR a presença do candidato e REPRIMIR os baderneiros!!!

Que lógica espantosa é essa? Se a polícia não mantém a ordem, a quem um candidato — e qualquer cidadão — vai recorrer?

Ou deve-se recorrer à lógica do Rio de Janeiro, em que candidatos desejosos de realizar atos nas “comunidades” negociam previamente com os chefes do narcotráfico, marcam a hora — e tudo ocorre às mil maravilhas.

(por Ricardo Setti)

Marina reage à ‘campanha do medo’ e diz que passou fome

Num vídeo que está sendo comemorado no mercado financeiro como uma reação de Marina Silva ao terrorismo da campanha do PT em relação ao Bolsa Família e outros temas, a candidata do PSB narra uma cena em que sua família passou fome e diz que uma pessoa que esteve nesta situação nunca acabará com o Bolsa Família.

O vídeo, carregado de emoção, vai ao ar na noite desta terça no horário eleitoral. A campanha do PT tem apostado forte na emoção e “questionado” se Marina acabaria com o Bolsa Família. Ao criticar a proposta da candidata do PSB de autonomia do Banco Central, o PT mostrou uma cena em que banqueiros fazem sumir a comida da mesa de uma família trabalhadora.

“Até agora, só o PT estava usado a propaganda de uma forma profissional e levando a coisa toda pro lado da emoção, que é o que vence eleição,” diz um gestor de investimentos. “Agora parece que o pessoal da Marina acordou.”

“Se o PT queria jogar pobre contra rico, e tentou colar a Marina no Itaú, agora a Marina mostrou que é pobre também,” disse outro. “Vamos ver quem tem a história de vida mais bonita: ela ou o Lula..”

As imagens de Marina são de um comício em Fortaleza no fim da semana passada.

 

Por Geraldo Samor

A Casa Grande da Mãe Dilma: petróleo para a “cultura” é compra de apoio

Pinta de máfia: quem vai entrar na casa?

A compra de votos não pode parar! Afinal, Marina Silva continua lá, colada no cangote de Dilma, resistindo aos ataques pérfidos proferidos pelos militantes petistas e pela própria campanha oficial da presidente, em um espetáculo de baixo nível e desespero. À venda, dessa vez, estavam os “artistas” engajados, com o pires na mão aguardando o tilintar de mais moedas de ouro. O que oferecem em troca? Militância “artística”, ora.

Dilma fechou o acordo com sua promessa: dinheiro do pré-sal para a cultura! Não só educação e saúde, mas cultura também. E cultura, aqui, significa proselitismo ideológico, filmes terríveis como aquele que enaltece a vida do ex-operário, tudo pago com dinheiro público. A presidente solta a verba, promete mundos e fundos, chama para o jogo mais alguns cineastas, mais alguns atores e atrizes. Venham, diz com seus atos, que aqui tem para todos aqueles que elogiarem meu governo!

O local da prostituição cultural, do comércio indecente, não poderia ser mais adequado: Teatro Oi Casa Grande. A Casa da Mãe Dilma tem de ser muito grande mesmo, para caber todas as boquinhas sedentas por mais tetas estatais. Fizeram falta, nessa grande casa, figurinhas carimbadas, petistas tradicionais como Chico Buarque e Paulo Betti. Talvez Chico esteja elogiando o socialismo cubano lá de Paris, seu local preferido.

Mas tivemos “intelectuais” de peso como Marilena Chaui, aquela que odeia a classe média “fascista”, mas que acha que o mundo se ilumina quando o “sábio” Lula abre a boca. Tivemos, ainda, Leonardo Boff, o que fez um casamento forçado entre Cristo e Marx, e que até ontem elogiava muito Marina Silva, mas hoje a vê com enorme desconfiança. Claro, ele tomou partido, e seu partido é governo.

O PT está em pânico. Lula participou no mesmo dia de evento dos sindicatos sobre o pré-sal, fazendo campanha escancarada bem na Petrobras, para mostrar de vez que a estatal tem dono sim, que o petróleo é dele! Aproveitou para disparar novas flechas na direção de Marina. O pré-sal é a arma que o PT encontrou para tentar ferir Marina: vejam, mais de um trilhão de reais que deixarão de ir para a educação, a saúde e a cultura se Marina vencer!

A mentira é o modo de vida petista. Eles acordam mentindo para si mesmos, já mentem diante do espelho ao escovar os dentes, mentem para todos. Não sabem mais falar a verdade. Arnaldo Jabor, em sua coluna de hoje, desce a lenha nos mentirosos profissionais e compulsivos:

“Nunca antes”, nunca antes um partido tomou o poder no Brasil e montou um esquema secreto de “desapropriação” do Estado, para fundar um “outro Estado”. Nunca antes se roubou em nome de um projeto político alastrante em todos os escaninhos do Estado, aparelhado por mais de 30 mil militantes.

O ladrão tradicional sabia-se ladrão. O ladrão tradicional roubou sempre em causa própria e se escondia pelos cantos para não ser flagrado. Os ladrões desse governo roubam de testa erguida, como se estivessem fazendo uma “ação revolucionária”, se orgulham de fingir de democratas para apodrecer a democracia por dentro.

A verdade está sempre no avesso do que dizem. São hábeis em criar um labirinto de “falsas verdades”, formando uma rede de desmentidos, protelações e enigmas que vão desqualificando as investigações de coisas como a CPI da Petrobras e todos os crimes de seus aliados. Regozijam-se porque seus eleitores são ignorantes e pobres e não sabem nem o que é “dossiê” — pensam que é um tipo de doce. A verdade do Brasil é coloquial, feita de pequenos ladrões, sujos arreglos políticos, emperramentos técnicos. Hoje, sabemos que somos parte da estupidez secular do país. Assumir nossa doença talvez seja o início da sabedoria.

A verdade é que os petistas nunca acreditaram na “democracia burguesa”; como disse um intelectual emérito da USP — “democracia é papo para enrolar o povo”. O PT que se agarra ao poder degrada a linguagem. Falam de um lugar que é o auge de um baixo voluntarismo aventureiro, de uma ideia de socialismo decaída em populismo. A esquerda petista não tem memória. Dá frio na espinha vê-la tender para os mesmos erros de 64 e 68.

Na cabeça dessa gente ignorante e dogmática nada é real; só a ideologia existe. Todos os erros eram previsíveis por comentaristas e foram cumpridos à risca pelos governos petistas. Milhares de petistas ocupam o Estado aparelhado e querem que a Dilma ganhe para permanecerem nas “boquinhas”.

A isso se resumiu o PT hoje: um instrumento para preservar o butim, para pilhar os demais. O partido não tem mais adeptos sinceros, gente que acredite em algum projeto para efetivamente melhorar o Brasil. Piada! Hoje, só permanece no PT aquele que deseja ser sócio da pilhagem. A casa é grande. Afinal, o governo arrecada quase 40% do PIB. É teta até dizer chega.

Mas para essa máfia nunca é suficiente. Nunca é hora de dizer chega. Querem mais, muito mais. E estão dispostos a fazer o “diabo” para ficar com o osso. Que a classe média fascista fique quietinha na sua, não tenha a pretensão de colocar a corja para correr. O estado brasileiro tem dono. E na Casa da Mãe Dilma sempre cabe mais um, desde que deixe a dignidade do lado de fora…

Rodrigo Constantino

 

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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