Família de Toninho do PT (ex-prefeito de Campinas, assassinado) pede federalização do crime

Publicado em 11/08/2011 06:38 747 exibições

Família de Toninho do PT pede federalização do crime

Vamos lá, tratar de uma tema delicado. Peço que leiam com atenção. Nos comentários, não ousem além dos fatos, com acusações, suposições etc. Vocês saberão como fazer. Leiam o que informa Marília Rocha, na Folha Online. Volto em seguida.

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Familiares do prefeito de Campinas (93 km de São Paulo) Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, assassinado no dia 10 de setembro de 2001, pediram que a investigação do crime, ainda não esclarecido, passe para a Polícia Federal. Eles protocolaram ontem (9) um pedido para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, se manifeste sobre a federalização do crime e a conseqüente investigação pela PF.

De acordo com o advogado da família, William Ceschi Filho, já há, desde 2007, um procedimento com esse pedido, mas é a primeira vez que o procurador-geral da República é questionado a respeito do chamado incidente de deslocamento de competência, argumento que pode ser utilizado apenas por ele em casos de violação de direitos humanos, em qualquer fase de um inquérito ou processo. Caso seja favorável aos argumentos da família, o procurador-geral poderá solicitar ao Superior Tribunal de Justiça que o caso seja deslocado para a Justiça Federal e Polícia Federal. Atualmente, está com a Polícia Civil.

“Esse argumento já foi utilizado outras vezes, quando houve grave desrespeito aos direitos humanos e tratados internacionais”, afirmou Ceschi Filho. “Dez anos se passaram da morte do prefeito sem que linhas importantes fossem seriamente investigadas. É preciso que o caso mude de mãos”, disse. O prefeito foi assassinado após permanecer oito meses no governo. Quando saía de um shopping da cidade, dirigindo seu carro, foram disparados três tiros contra ele.

Em setembro de 2007, o juiz José Henrique Torres, de Campinas, decidiu –alegando falta de indícios - não aceitar a denúncia contra o seqüestrador Wanderson de Paula Lima, o Andinho, acusado pelo Ministério Público e Polícia Civil de ser um dos autores do crime. Para a família, a motivação foi política e há outras suspeitas de autorias em áreas cujos interesses o então prefeito confrontou.

O Ministério Público recorreu, mas o Tribunal de Justiça decidiu, em janeiro de 2009, reabrir as investigações. Um novo inquérito foi aberto na Delegacia Seccional de Campinas e, no início deste ano, mudou de mãos, passando para o delegado do setor de homicídios, Ruy Pegolo.

Voltei
Toninho foi assassinado quatro meses antes de Celso Daniel, o também prefeito e também petista — no caso, de Santo André — , morto no dia 18 de janeiro de 2002. Há dois aspectos  em comum entre os dois casos:
a - as respectivas famílias não aceitam a tese de crime comum;
b - as duas famílias acabaram rompidas com o PT, sugerindo que o partido manifestou pouco interesse em investigar a morte até o fim.

Roseana Garcia, a viúva de Toninho, nunca se conformou com a hipótese de crime comum e sempre pediu para que a Polícia Federal entrasse no caso. Na campanha de 2002, Lula prometeu que faria isso se fosse eleito presidente. Nunca mais tocou no assunto. Roseana não conseguiu nem sequer se encontrar com ele depois.

No depoimento da CPI dos Bingos, em 2005, Roseana afirmou ter a convicção de que seu marido morrera em razão de uma tramóia política. Ela se disse, então, estarrecida com a morte de Carlos Delmonte Printes, legista que fez a autópsia no corpo de Celso Daniel e que apontou que o prefeito tinha sido vítima de tortura, o que enfraquecia a tese do crime comum. Para ela, os dois assassinatos estão relacionados, tese que o PT nunca abraçou. Num programa Roda Viva, o já presidente Lula — aquele que prometia pôr a Polícia Federal no caso — afirmou que se tratava mesmo de crime comum.

Roseana continua no Brasil, lutando para saber quem matou o marido. Um dos irmãos de Celso, Bruno Daniel, sua mulher, Marilena Nakano (ex-quadro do PT), e filhos vivem hoje como exilados na França. Ameaçados de morte, tiveram de deixar o país. Outro irmão do prefeito, João Francisco Daniel, também ameaçado, não revela onde mora. Eles sustentam que Celso havia criado um esquema de desvio de recursos da cidade para o PT e que foi assassinado quando descobriu, digamos, um desvio do desvio.

Petistas de Santo André prosperaram no governo federal. Dois secretários de Celso pertencem hoje ao primeiro escalão: Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, e Miriam Belchior, ministra do Planejamento, que já era ex-mulher de Celso quando ele foi assassinado. João Francisco Daniel diz que Carvalho lhe confessaram que levava malas de dinheiro de Santo André para o PT, entregando-as a José Dirceu. Os dois negam.

Por Reinaldo Azevedo

Marta diz que prisão de aliado pode prejudicar sua candidatura

Por Catia Seabra e Natuza Nery, na Folha:
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) reconheceu ontem a aliados que a prisão de um ex-assessor durante a Operação Voucher da Polícia Federal provoca desgaste na sua candidatura à Prefeitura de São Paulo. Para Marta, a detenção de Mário Moysés, que foi seu assessor na Prefeitura de São Paulo e chefe de gabinete quando ela era ministra do Turismo, entre 2007 e 2008, poderá ser explorada eleitoralmente. “Vamos esperar baixar a poeira. Se já estava difícil antes, imagine agora. Vão explorar à vontade”, afirmou a senadora. A avaliação de Marta sobre os efeitos que a operação da Polícia Federal poderá ter sobre sua candidatura combina com a análise de petistas.

Eles consideram que a senadora está fragilizada no momento em que precisa reunir forças para enfrentar a preferência declarada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela candidatura do ministro da Educação, Fernando Haddad.Abalada, Marta Suplicy chegou a chorar ontem, no café do Senado. Ela reclamou da divulgação da informação de que teria se escondido no banheiro para evitar falar com jornalistas sobre a prisão de Moysés, na terça-feira.

“INACEITÁVEL”
Marta -que anteontem fez declarações à Folha em defesa do ex-assessor- disse que o relato de que ela havia tentado fugir da imprensa é “inaceitável”, arranha sua imagem e não condiz com seu estilo “aguerrido”. A ex-ministra do Turismo protestou na Tribuna da Senado, dizendo-se indignada com a “forma desrespeitosa” com que foi tratada. Em discurso, a senadora disse que foi ao banheiro “após horas presidindo a sessão do Senado”.
“Não fui me esconder no banheiro; fui porque havia uma necessidade de ir ao banheiro. Então, dizer que fui me esconder é inaceitável”, queixou-se ela. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Auxiliar de ministro ensinou a montar empresa de fachada, revela investigação

Por Leandro Colon, no Estadão:
Uma gravação telefônica da Operação Voucher, da Polícia Federal, feita com autorização judicial e obtida ontem pelo Estado, mostra o secretário executivo do Ministério do Turismo, Frederico Silva Costa, orientando um empresário a montar uma entidade de fachada para conseguir assinar um convênio com o governo federal e liberar dinheiro.

Frederico foi um dos presos pela polícia na terça-feira sob a acusação de envolvimento num esquema fraudulento no ministério. O relatório do Ministério Público, que atuou em conjunto com a PF na operação, mostra que a cúpula do Turismo avalizava as prestações de contas fraudadas entregues pelas entidades de fachada que faziam convênios como governo federal.

De acordo com o relatório da PF, Frederico ensina o empresário Fábio de Mello a montar um instituto. A conversa, de acordo com os documentos, ocorreu no dia 20 de julho deste ano (leia a íntegra do diálogo nesta página). “O importante é a fachada e tem que ser uma coisa moderna que inspira confiança em relação ao tamanho das coisas que vocês estão fazendo”, orienta o secretário executivo. “Pega um negócio aí pra chamar a atenção, assim, de porte, por três meses (…). Mas é pra ontem! Que se alguém aparecer para tirar uma foto lá nos próximos dois dias, as chances são altas”, afirmou Frederico, segundo gravação contida na investigação.

Frederico e Fábio de Mello foram presos anteontem pela Operação Voucher. Mello aparece na investigação como dono da Sinc Recursos Humanos, uma das empresas de fachada que, segundo os autos, recebeu dinheiro do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), ONG fantasma contratada pelo Turismo que foi o principal alvo da investigação da Polícia Federal.

O advogado Antonio Carlos de Almeida Castro, que representa Frederico Costa, criticou ontem a prisão. “A prisão é das mais estranhas que já vi. O decreto de prisão é bizarro e teratológico. A gravação apresentada pela PF está descontextualizada. Tenho sérias dúvidas que ela não esteja relacionada com o inquérito e tenha sido usada apenas para embasar o pedido de prisão.”

Contas fraudadas. Em relatório obtido pela reportagem, o Ministério Público Federal acusa a cúpula do Ministério do Turismo de atestar prestações de contas falsas e agir com dolo para favorecer a liberação de dinheiro público para o Ibrasi, que recebeu R$ 14 milhões nos dois últimos anos do governo federal. O Estado teve acesso a documentos da investigação que levou à prisão de 35 pessoas - 17 permanecem detidas em Macapá. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

PF diz que grupo teve acesso privilegiado a dados do TCU

Por Daniela Lima, Silvio Navarro e Flávio Ferreira, na Folha:
A Polícia Federal afirmou que o grupo acusado de desviar R$ 3 milhões de um convênio com o Ministério do Turismo teve acesso privilegiado às investigações do TCU (Tribunal de Contas da União) -origem da Operação Voucher, que levou à prisão de 36 pessoas. Segundo o relatório da PF, os dirigentes da ONG Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável) teriam contratado o advogado Tiago Cedraz, filho do ministro Aroldo Cedraz, “para resguardar-se de uma possível decisão prejudicial” do tribunal. Parecer dos técnicos do TCU apontou elementos de fraude na execução de um convênio destinado à capacitação de 1900 profissionais de turismo no Amapá.

Entre os presos pela PF estão integrantes da cúpula do Ministério do Turismo, incluindo Frederico Silva da Costa, número dois da pasta. A PF afirma que os advogados que defenderam a ONG no TCU teriam conseguido acesso ao relatório do tribunal “muito antes de serem citados para apresentarem suas defesas”. Segundo relatório da PF, em conversa gravada com autorização judicial o sócio de Tiago Cedraz, identificado como Romildo, diz ao diretor-executivo da ONG, Luiz Gustavo Machado, já ter obtido “a proposta dos analistas do tribunal”. A conversa ocorreu quatro dias antes da data que autorizava à ONG obter cópia da auditoria do TCU. “Bom, quanto ao tribunal nós sabemos tudo o que está se passando”, diz o advogado na conversa, segundo trecho transcrito pela PF. Na decisão que atendeu pedido do Ministério Público e autorizou as prisões, o juiz Anselmo Gonçalves da Silva afirma que o “grupo investigado chega a cogitar de potencial influência até no TCU, sob a perspectiva de utilização dos serviços advocatícios de Tiago Cedraz, cujo pai é ministro naquela Casa”.

O “grupo”, segundo o Ministério Público, contaria também com um servidor dentro do Ministério do Turismo. A técnica Kérima Silva Carvalho “coordenou” a elaboração da defesa do Ibrasi junto ao TCU. Descrita no relatório como “funcionária do Ibrasi dentro do ministério”, ela teria adulterado documentos para beneficiar a ONG em contratos com o Turismo. A investigação policial foi subsidiada com informações da área técnica do TCU. O tribunal informou que as supostas irregularidades estão sendo tratadas em três processos, sob relatoria do ministro Augusto Nardes. Aqui

Por Reinaldo Azevedo

Sempre o Nosferatu - Cúpula da Turismo zelou por “interesse de Sarney”

Por Leandro Colon, no Estadão:
O esquema fraudulento que regia a assinatura de convênios e liberação de dinheiro no Ministério do Turismo preservou interesses do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), padrinho da indicação de Pedro Novais para o comando da pasta. Em uma gravação da PF, feita com autorização judicial, o secretário Nacional de Programas de Desenvolvimento do Turismo, Colbert Martins, manda a assessora prestar atenção para não cancelar uma emenda da deputada Fátima Pelaes (PMDB-AP)a obras de interesses do senador José Sarney, para não dar “mais confusão”.

Colbert foi preso anteontem. Na conversa, na tarde do último dia 28 de julho, ele disse à secretária: “E tem que ver aquela obra lá do Amapá, aquela lá da Fátima Pelaes, daquela confusão do mundo todo que é interesse do Sarney. Tá certo? Se cancelar aquilo, aquilo tá na bica de cancelamento, enfim, algumas que eu sei de cabeça (…) Cancela aquela, pega Sarney pela proa, já vai ser mais confusão ainda, ok?”. O telefonema entre Colbert e a assessora começou às 16h57 e durou 5 minutos e 13 segundos.

A deputada Fátima Pelaes é autora de duas emendas, uma de R$ 4 milhões e outra de R$ 5 milhões, para o Ibrasi, entidade fantasma alvo da operação policial que prendeu 35 pessoas anteontem. Segundo a investigação, a entidade desviou recursos e não executou projetos. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Sempre o ogro - Lula pede à presidente que não irrite PMDB

Por Vera Rosa, no Estadão:
A presidente Dilma Rousseff teve ontem uma longa conversa com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em São Paulo. Dilma está preocupada com a crise de relacionamento entre o PT e o PMDB e com a instabilidade na base de sustentação do governo no Congresso. Foi por isso que bateu à porta de Lula.

Segundo apurou o Estado, o ex-presidente aconselhou a sucessora a não esticar mais a corda, para não atiçar o PMDB, o mais importante aliado do Planalto depois do PT. Lula avalia que Dilma precisa promover mais encontros com deputados e senadores, fazer afagos nos parlamentares e “repactuar” a coalizão. Ele também está apreensivo com a “guerra de dossiês”, com infindáveis denúncias de corrupção. Trata-se de uma base aliada em pé de guerra.

Na terça-feira, o PMDB chegou a ameaçar romper com o governo depois de saber que o Ministério do Turismo, dirigido pelo partido, havia sofrido uma devassa, no rastro da Operação Voucher, da Polícia Federal. Dilma ficou furiosa por não ter sido avisada antes da operação e enquadrou o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.

Pressionado, Cardozo cobrou explicações da Polícia Federal, “em caráter de urgência”, sobre o uso de algemas para alguns dos detidos, nas ordens de prisão. O vice-presidente Michel Temer, que comandou o PMDB, agiu nas últimas 48 horas para conter o princípio de rebelião.

Apoio. Em reunião com o Conselho Político, ontem, Dilma pediu apoio da base aliada para votações importantes no Congresso, como a que prorroga, por mais quatro anos, o mecanismo que permite ao governo manejar livremente 20% do dinheiro do Orçamento, a chamada Desvinculação das Receitas da União (DRU).Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Programa anticrack é ameaçado com cortes

Por Lígia Formenti, no Estadão:
Um corte pela metade das verbas previstas para a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) ameaça o programa de combate ao crack do governo federal, uma das prioridades do governo Dilma Rousseff e tema da campanha eleitoral. O alerta foi dado pela própria titular da pasta, Paulina Duarte, durante audiência pública no Congresso. Ela alertou que a diminuição da verba coloca em risco os programas de prevenção e tratamento.

A previsão era de que a secretaria deveria receber, até 2015, R$ 100 milhões por ano para alcançar as metas, ou R$ 400 milhões no total. A tendência, no entanto, é que a fatia prevista no Plano Plurianual para a Senad seja de R$ 200 milhões no período, segundo o deputado federal Reginaldo Lopes (PT-MG), da Comissão Especial de Políticas Públicas de Combate às Drogas, presente na audiência. O Plano Plurianual será apresentado no Congresso pelo governo até fim de agosto.

No encontro no Congresso, Paulina avisou: sem recursos, a secretaria não terá como cumprir compromissos apresentados ano passado, durante a gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Reação
A notícia de ameaça aos R$ 400 milhões para a área provocou uma rápida resposta entre integrantes do Conselho Federal de Medicina (CFM). “Isso demonstra uma incoerência com compromissos assumidos durante a campanha. Como justificar um corte tão significativo para uma área dita prioritária?”, questionou o vice-presidente do CFM, Carlos Vital Lima.

Lima lembrou que o tratamento dos dependentes tem de ser feito de forma sistematizada, por uma rede integrada de assistência. “Pacientes não podem esperar”, ressaltou.

O deputado Reginaldo Lopes ouviu de Paulina que a redução colocaria em risco a instalação de parte dos 65 centros regionais sob a coordenação de instituição de ensino superior para capacitação de profissionais de saúde e para realização de pesquisas. “É uma espécie de centro de inteligência, onde vários estudos sobre o assunto seriam realizados”, explicou.

No entanto, Lopes disse acreditar que cortes para ações contra crack não serão generalizados. “Atualmente, verbas para medidas de combate e prevenção da droga estão pulverizadas em várias áreas do governo. Temos recursos no Ministério da Saúde, no MEC (Ministério da Educação). Não significa que toda a verba do crack será reduzida pela metade”, ponderou.

Demanda
Integrante da Comissão de Assuntos Sociais do CFM, o médico Ricardo Paiva diz que hoje há um déficit de 7,5 mil leitos para atendimento de pacientes dependentes do crack que estão em fase de desintoxicação. “Existem atualmente 2,5 mil. E o próprio Ministério da Saúde afirma ser necessário 10 mil”, contou Paiva. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Síria exalta saldo de reunião com Brasil; Itamaraty reitera na ONU fé em ditador

Por Gustavo Chacra, no Estadão:
Apesar da repressão do regime sírio contra os opositores, o Brasil vê com seriedade “os esforços do presidente Bashar Assad para implementar reformas políticas”. A afirmação foi feita, segundo o “Estado” apurou, por representantes brasileiros no Conselho de Segurança da ONU na tarde de ontem em debate sobre a crise na Síria. Em Damasco, o regime exaltou o resultado do encontro com enviados de Brasil, Índia e África do Sul.

O governo sírio transformou o encontro com representantes do Ibas (grupo formado por Índia, Brasil e África do Sul) com Assad em um instrumento de propaganda em sua agência estatal de notícias. A reunião foi usada pela Síria para mostrar internamente que o regime não está isolado e enfatizar que os emergentes apostam nas propostas de abertura de Assad. Uma manobra semelhante ocorreu depois da discussão sobre a crise na Síria na sede da ONU, em Nova York. O embaixador sírio fez questão de exibir aos repórteres o comunicado conjunto de brasileiros, indianos e sul-africanos para dizer que os países estão ao lado de Assad.

De acordo com o ministro das Relações Exteriores sírio, Walid al-Moallem, citado pela agência de notícias estatal Sana, “os membros da delegação do Ibas expressaram solidariedade à Síria e a seus líderes, dizendo que seus países apoiam a restauração da segurança e da estabilidade”. Os enviados também teriam defendido uma “instância firme contra qualquer interferência nos assuntos internos sírios”.

O órgão de informação sírio disse ainda que “Moallem demonstrou satisfação com as posições da Índia, Brasil, África do Sul, Líbano, Rússia e China diante da campanha (dos EUA e de seus aliados europeus) no Conselho de Segurança contra a Síria”. Os países emergentes citados pelo chanceler sírio posicionaram-se contra uma resolução condenando Damasco.

Há algumas semanas, a Sana também usou o Brasil para fazer propaganda do regime. A agência disse que o chanceler Antonio Patriota teria elogiado as reformas prometidas por Assad. No entanto, ela ignorou a parte em que Patriota condenava a violência. Ontem não foi diferente.

No comunicado oficial do encontro, o Ibas deu uma versão um pouco diferente da apresentada pelo governo sírio. Os três países “reafirmaram o compromisso de Índia, Brasil e África do Sul com a soberania, a independência e a integridade territorial da Síria”. Os emergentes, novamente, lamentaram o derramamento de sangue, mas sem diferenciar as ações do governo das da oposição, condenando “a violência dos dois lados”.

Organizações de direitos humanos afirmam que o regime sírio é responsável pela morte de mais de 2 mil pessoas. A oposição, apesar de majoritariamente pacífica, teria alguns grupos armados envolvidos na morte de membros das forças de segurança e civis. O número de vítimas, porém, seria bem menor do que as provocadas pela oposiçãoAqui

Por Reinaldo Azevedo

Os bananas da imprensa e os bananas do governo acordam para a realidade na Inglaterra

moradora-pula-de-predio-em-chamasA imprensa britânica acordou para o que está em curso em Londres e outras cidades. Acordei primeiro. Escrevi ontem a respeito. Dei o meu remédio sociologicamente fundamentado: democracia de uniforme — ou seja: polícia. Se preciso, Forças Armadas. Os ratos têm de voltar para a toca. Os vagabundos não são mais chamados de “manifestantes”, na linguagem politicamente correta da esquerdista BBC; agora são “vândalos” mesmo. Ah, bom!

David Cameron, o primeiro-ministro, integra a safra dos bananas europeus. Mostrou-se mais rápido para bombardear a Líbia do que para conter os arruaceiros. O garotão estava de férias. Achou que poderia continuar. Deu ordens à Scotland Yard para que não usasse a força bruta. Quer ser um conseervador com coração, quando a melhor virtude do conservadorismo sempre foi o cérebro.

A imprensa britânica resolveu fazer sociologice cretina: desemprego alto entre os jovens, falta de perspectiva, crise européia… Esqueciam-se do óbvio: não há uma escala de dificuldades no país que justifique os atos de extrema violência. Em Birmingham, três paquistaneses que tentavam proteger seu comércio da ação de vândalos morreram atropelados. Um sujeito jogou o carro contra o grupo. Os vândalos querimaram  Londres, e Cameron queimou o filme: uma pesquisa indica que 57% acreditam que ele lidou mal com a crise; nada menos de 77% pedem o Exército nas ruas. As pessoas decentes estão certas, é claro!

Foi preciso que uma foto dramática chamasse à razão a imprensa inglesa — esta que vocês vêem no alto. A fotógrafa Amy Weston, da Agência Wenn, fotografou a polonesa Monica Konczyck, de  32 anos, pulando de um prédio em chamas. Sim, senhores, os bandidos não estão apenas saqueando lojas. Também incendeiam prédios residenciais. A foto virou um emblema dos distúrbios. Era impossível chamar aquela gente de “manifestantes” — mais ou menos como a imprensa brasileira chama terrorista de “ativista”.

No post acima, digo que a democracia vive um crescente desprestígio. O fato de esquerdistas de vários matizes ocuparem os órgãos formadores de opinião pública, com as suas bobagens sobre democracia direta, faz com que vândalos sejam tomados como agentes da transformação social. Bandidos disfarçados de estudantes — estariam lutando contra os herdeiros políticos de Pinochet… — fazem, em essência, o mesmo no Chile. Disfarçam seu vandalismo com uma pauta que sabem que não pode ser cumprida. Na imprensa brasileira, já foram associados até aos egípcios que ocuparam a Praça Tahir, como se o Chile fosse uma ditadura…

Manifestações que evoluem para a violência têm um único remédio nas democracias: o cassetete democrático. O resto é esquerdopatia. Foi preciso que uma mulher pulasse de um prédio em chamas para que se revelasse a real natureza dos protestos de Londres. E para que se revelasse a real natureza de boa parte da imprensa considerada séria. E para que se revelasse David Cameron é… um banana com coração.

Por Reinaldo Azevedo

Eles querem que a imprensa mude para que o Brasil, sob o seu comando, fique como está. Ou: Vaccarezza, Alves e Maluf unidos num só propósito

O ministro de Cidades, Mário Negromonte, que é do PP, participou de uma audiência pública na Câmara dos Deputados. Também naquela pasta acontecem coisas um tanto estranhas. Obras eivadas de irregularidades, segundo o TCU, continuam a receber recursos. Empresas que trabalham para o ministério parecem ter especial apreço pelo partido na hora de fazer doações para campanhas eleitorais, essas coisas… Tudo, pensará o leitor, conforme os costumes consagrados na República. Pois bem.

Deputados do PT, PMDB e, obviamente, do PP cantaram as glórias do ministro, sua competência, sua honradez. Ele foi ovacionado pelo menos três vezes. Sabem quem apanhou? Sim, ela!, a tal “mídia”.

“O Ministério é exemplar do primeiro ao último passo. Quero aqui ser testemunha que o seu partido pode se orgulhar do ministro que tem. Acusações fazem parte do jogo. Não são ideais, o trato da imprensa deveria ser exemplar, mas, quando não é, nós devemos ser exemplares na hora de tirar a dúvida. Eu gostaria de autorizar a colocar, no final da sua fala, a assinatura do líder do PMDB, porque concordamos em gênero, número e grau”.

Esse é Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara. Pertence ao partido que tem nas mãos, entre outros ministérios, o do Turismo e o da Agricultura — que competem, em decência, com um convento das carmelitas descalças.

Cândido Vaccarezza, líder do governo na Câmara, esteve, nesta quarta, mais hiperbólico do que gordo:
“Venho aqui manifestar a confiança absoluta que o governo de Dilma tem no nosso companheiro. [As acusações] não têm nenhuma procedência. Nenhuma insinuação, dúvida ou questionamento pesa contra Vossa Excelência. As explicações, pelo visto, são desnecessárias. Não estamos vendo nenhum questionamento. Espero que a imprensa registre isso. Esse é um momento histórico”.

Viram? Nem mesmo a explicação é necessária. Depois de Henrique Eduardo Alves e Cândido Vaccarezza, faltava um pronunciamento forte do deputado Paulo Maluf (PP-SP), que não faltou. Segundo ele, alguns repórteres, “de maneira maldosa” acham “que têm audiência atacando os políticos”. E disse o que pensa: “Acho que isso é um desserviço à democracia”.

Então vamos salvar a democracia e dar um jeito nesses repórteres, certo? O lobista Júlio Fróes, o espancador de jornalista, deu dimensão prática àquilo que Maluf expressa conceitualmente.

Essa gente toda foi precedida na satanização da imprensa por Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência. Na palestra que ele concedeu na segunda no Instituto Ethos — uma ONG ou algo assim que é capacho intelectual do PT —, afirmou que a imprensa brasileira não contribui com “uma formação mais cidadã”. Numa votação eletrônica, metade da platéia, composta de umas 200 pessoas, concordou com ele… Escrevi  aqui a respeito. Afirmei que ele estava lançando uma espécie de grito de guerra, o mesmo que fora dado no governo Lula, sob a batuta de Franklin Martins, a quem  defendeu em seu discurso. Em nome da ética!

É mesmo! A imprensa precisa se repensar e mudar.

Quem tem de continuar como está é Henrique Eduardo Alves.
Quem tem de continuar como está é Cândido Vaccarezza.
Quem tem de continuar como está é Paulo Maluf.
Quem tem de continuar como está é Wagner Rossi.

Entendi. Se a imprensa mudar e se essa gente continuar como é e onde está, então o Brasil também não muda. E eles estão lutando por isso.

Por Reinaldo Azevedo

Mais uma vez, o fim do capitalismo está próximo!

Ah, a esperança das esquerdas é a última que morre — e, naturalmente, muita gente, muitos milhões, morre primeiro, é claro! Elas nunca mediram nem esforços nem vidas para fundar o “novo homem”. Desta vez,  o capitalismo estaria mesmo caminhando para seu epílogo. Se não isso, ao menos o sistema estaria frente a frente com a sua miséria moral.

Na Folha de hoje, por exemplo, embora não revele a origem, o colunista Ricardo Mello citou um trecho do “Programa de Transição”, do socialista russo Leon Trostky, publicado em 1938, para retratar o drama a que o mundo estaria assistindo. Calma, Ricardo! Menos! Ele achou que este trecho sintetiza bem a realidade que vivemos:
“As crises conjunturais, nas condições da crise social de todo o sistema capitalista, sobrecarregam as massas de privações e sofrimentos cada vez maiores. O crescimento do desemprego aprofunda, por sua vez, a crise financeira do Estado e mina os sistemas monetários estremecidos. Os governos, tanto democráticos quanto fascistas, vão de uma bancarrota a outra.”

Não que eu não tenha certa nostalgia do tempo em que os jornalistas citavam Trotsky em vez de Luiz Inácio Apedeuta da Silva… Até tenho. Mas não cabe. Ainda que Trotsky realmente tivesse tido um delírio antecipatório, teria sido, assim, uma coincidência. Recomendo que Ricardo releia a Quarta Bucólica, do poeta latino Virgílio. Não foram poucos os que asseveraram, ao longo dos séculos, que Virgílio anteviu a vinda do Messias. Pois é. Em vez de poeta, seria um profeta! Virgílio morreu no ano 19… ANTES de Cristo. Ao ler um trecho do seu poema, tenho certeza de que Ricardo vai considerar que ele era um adivinho mais agudo do que Trotsky. Querem ver (na tradução de Pércles Eugênio da Silva Ramos)?

Também já volta a Virgem, volta o reino de Saturno;
já uma nova progênie desce dos mais altos céus.
Casta Lucina, ampara, que já reina o teu Apoio,
o menino que está nascendo: a geração de ferro
com ele findará, ao mundo vindo a raça de ouro
.
Sendo tu cônsul surgirá a glória dessa idade,
Pólio; sob teu poder começarão os grandes meses.
Se o nosso crime deixou traços, nada valem eles,
que de um terror perpétuo livrar-se-ão todas as terras.

Terá a vida dos deuses o menino, que os verá
no meio dos heróis, e será visto em meio a eles,
regendo com as virtudes de seu pai um mundo em paz.
Sem trato algum, menino, a terra te oferecerá
como primícia as heras que se alastram, mais o bácar,
e as colocásias misturadas ao ridente acanto.
Por si, cheias de leite, as cabras voltarão ao aprisco,
e os rebanhos não mais terão pavor dos grandes leões.
Teu próprio leito cobrir-te-á de cariciosas flores;
morrerá a serpente, e a planta de falaz veneno
morrerá; 
e aqui e ali há de crescer o amorno assírio.
Assim que as proezas dos heróis e os feitos de teu pai
puderes ler, e discernir o que a virtude seja,
o campo dourar-se-á, aos poucos, com a tenra espiga,
dos incultos silvados penderá, vermelha, a uva,
e os duros robles suarão um orvalhado mel.
Mas do delito antigo restarão poucos vestígios (…)

Se isso não era o anúncio da vinda do Messias,  o que poderia ser? E, no entanto, não era!!! O monumental poeta só estava puxando o saco de Marco Antônio e Otávio, os litigantes do Segundo Triunvirato. Otávio levou a melhor no fim da história.

Apesar de tanto sofrimento no mundo, que levou o colunista a associar o mundo de 2011 àquele de 1938, às vésperas da Segunda Guerra, é preciso dizer: os homens nunca viveram tanto e tão bem, e as conquistas tecnológicas jamais chegaram às massas com tanta rapidez. “Mas como pode haver ainda tanta iniqüidade?” Essa é a pergunta que nos fazemos desde que o mundo é mundo, e isso não quer dizer que tenhamos, como espécie, ficado na pura perplexidade. Ao contrário: a democracia (não o socialismo) e a luta por liberdade (não por igualdade) têm criado, a cada dia, um mundo… melhor! A liberdade induz o homem à justiça.

O “modelo” que aí está — que agora parece tão perverso — financiou um formidável avanço técnico; nunca se caminhou tanto em tão pouco tempo. Estamos, de fato, assistindo a uma revolução. Milhões de pessoas foram retiradas da miséria na Ásia, na América Latina e até na África. Nos países em que não se pôde avançar mais, o freio veio do déficit de liberdade, não da pouca vontade de implementar a “igualdade”. Quando, em nome desta, tolhe-se aquela, produzem-se ditadura e miséria.

A “crise” do sistema capitalista é só uma crise de liderança. Indivíduos fazem a diferença na história. A safra de líderes dos EUA e da Europa é a pior em muitas décadas. O capitalismo sobreviverá e continuará a tirar milhões da miséria. Precisamos é tomar cuidado com a democracia. Esta, sim, vive dias de crescente desprestígio.

Por Reinaldo Azevedo.
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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo

2 comentários

  • Paulo Roberto Rensi Bandeirantes - PR

    Sr. João Olivi, hoje , num sonho , vi propagandas como as das CASAS BAHIA – de enxurrada- com os dizeres : “ VENDE-SE ALGEMAS COM 80 % DE DESCONTO “ ! ! . É possível que se torne realidade ??. É um instrumento que está fadado ao desuso ?? Porque esses “senhores” que ficam atacando a maneira do comportamento da PF , não usam da sua “máxima” inteligência para entender o porquê, que senhores de altos gabaritos tenham praticado delitos tão graves à sociedade, se as algemas é considerado um desrespeito aos senhores que estavam sendo “conduzidos”, no meu entender eles estavam “PRESOS” e por serem de alta periculosidade pois, “desviaram” (roubaram) altas quantias de dinheiro, devem sim ser tratados de acordo com o delito praticado. ....” E VAMOS EM FRENTE ! ! ! “ ....

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  • JUSTINO CORREIA FILHO Bela Vista do Paraíso - PR

    O tráfico de influência precisa ser punido de forma exemplar, assim como a fonte facilitadora da ação. Informações privilegiadas, têm feito muitos consultores e lobistas escondidos atrás de ONG fantasma, assaltarem os cofres públicos em beneficio de grupos politicos, causando enorme prejuízo a sociedade.

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