“Enquanto Marina Silva se reunia com Clinton em hotel caro, eu descia o rio Purus, no Acre", diz Aldo Rebelo

Publicado em 15/08/2011 16:56 e atualizado em 15/08/2011 22:30 953 exibições
blogs Reinaldo Azevedo e Augusto Nunes, em veja.com.br

“Enquanto Marina Silva se reunia com Clinton em hotel caro, eu descia o rio Purus, no Acre”

É, queridos, os dias não são nada simples. Abaixo, há uma notícia do jornal “Valor Econômico”. Leiam o que segue. Volto em seguida.

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O deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) criticou nesta segunda-feira (15) as ONGs (organizações não governamentais) internacionais. O parlamentar acusou o Greenpeace de ser uma organização aventureira e arrogante. A ex-senadora Marina Silva (AC) também foi alvo de acusações do deputado, relator do projeto de reforma do Código Florestal.

“No alto de sua arrogância, eles [Greenpeace] quiseram intimidar publicamente o Congresso Nacional quando votamos o Código Florestal”, disse Aldo Rebelo em palestra na Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Sobre Marina, o deputado afirmou: “Enquanto Bill Clinton [ex-presidente dos Estados Unidos], o diretor do filme Avatar [James Cameron] e a dona Marina Silva se reuniam em hotéis caros, eu descia o Rio Purus (AC) para conversar com a população local”, afirmou.

O projeto de reforma do Código Florestal, cujo substitutivo foi aprovado na Câmara em maio, contou com o apoio de 410 deputados. Outros 63 foram contra. O texto aprovado prevê a anistia para desmatamentos ilegais feitos até julho de 2008 e permite o plantio em encostas e a criação de gado em topos de morro.

Além disso, permite a redução de 80% para 50% da área de Reserva Legal na Amazônia em casos de regularização. Na hipótese de ser aprovado dessa forma pelo Senado, o código representará uma elevação de vegetação nativa não protegida, apenas em Mato Grosso, de sete milhões para 11 milhões de hectares.

Comento
Pois é… Aldo Rebelo está certo, e ele é que é do PC do B. Já demonstrei aqui umas 300 vezes: é mentira! O código proposto por Aldo não “anistia” ninguém, ao contrário do que informa o texto do Valor. É um absurdo que essas porcarias continuem a ser escritas impunemente, como se verdades fossem. Os proprietários têm de aderir a um conjunto de medidas para que deixem de pagar a multa — ou ela será aplicada. Anistia, na prática, é aquela que está hoje em vigência.

Quanto à ocupação de encostas e topos de morros, o código não “permitirá” ocupação nenhuma; reconhece ocupações que já existem há décadas, algumas há uns dois séculos pelos menos. Essas mentiras, organizadas pelo onguismo com interesses muito bem-definidos, vão sendo repetidas por aí. Eu duvido que o redator tenha lido o código. Se leu, ou não entendeu ou decidiu agredir a verdade de modo militante e deliberado.

Por Reinaldo Azevedo
Os “inteliquituais” já se juntaram a Haddad, o homem do dedaço de Lula

Vocês sabem como é… No Brasil — há nisso certa herança francesa, dos anos 50 e 60 — , professor universitário de esquerda, não importa a qualidade do que produza, é considerado “intelectual”, e “intelectual” (desse tipo) é tomado como voz da sociedade civil. A decana da turma é Marilena Chaui. Ela já fez duas intervenções notáveis no campo do pensamento: estudou a obra de Spinoza (”Espinosa” para ela…) e de Delúbio Soares — um grande intérprete de seu Schopenhauer predileto: Luiz Inácio Apedeuta da Silva.

Marilena foi uma das que acusaram “golpe da mídia” quando surgiram as notícias sobre o mensalão. Estava fornecendo os fundamentos teóricos do modelo que se erigiu então, que é este que aí está, em que brilham patriotas como Alfredo Nascimento, Wagner Rossi e outros tantos de seu próprio partido, já que, na base aliada, ninguém faz inveja a ninguém.

Informa Vera Magalhães, na Folha de hoje, que Fernando Haddad — que Lula decidiu, no dedaço, que tem de ser o candidato do PT à Prefeitura de são Paulo — reuniu em sua casa alguns “intelectuais”.  Marilena estava lá. Eugenio Bucci também. De hábito, ele é uma espécie de petista Poliana (ao menos para o consumo público). A síntese do seu pensamento poderia ser esta: tirando todos os defeitos, o PT é uma partido cheio de qualidades — que é o mesmo que se pode dizer de Stálin, Hitler, Mussolini e Gengis Khan.

Outro presente era Vladimir Safatle. É aquele rapaz que considera os terroristas “sujeitos não-substanciais que tendem a se manifestar como pura potência disruptiva e negativa” e que, segundo ele, devem ser, de algum modo, abrigados no sistema político. Que estes sujeitos “não substanciais” matem crianças substanciais em ônibus ou acampamentos, por exemplo, é um detalhe. Eu adoraria ler os eventos protagonizados por aquele vagabundo na Noruega segundo o “olhar” de Safatle. Tenho certa curiosidade de saber se também o terrorismo de extrema-direita lhe parece aceitável… Tenham paciência!

Todos esses “intelectuais”, independentes que são, resolveram aderir à candidatura de Haddad porque Lula mandou, dando, mais uma vez, a prova de sua independência. Faz sentido. São todos de esquerda; todos, a exemplo do próprio Haddad, filhos do leninismo tardio que toma conta da universidade brasileira, uma das últimas do mundo em que o marxismo ainda é levado a sério como promessa de futuro.

Ninguém quer revolução, claro… Se tudo der certo, o partido vence a eleição e faz o de sempre: divide o butim entre os saqueadores.

Por Reinaldo Azevedo

Senadores se manifestam em favor de ações de Dilma contra corrupção

Por Iara Lemos, no Portal G1. Comento no próximo post.
Senadores de vários partidos revezaram-se nesta segunda (15) na tribuna do Senado para discursar em favor de medidas da presidente Dilma Rousseff de combate à corrupção no governo. O senador Pedro Simon (PMDB-RS) disse que o objetivo das manifestações é criar um “movimento” de apoio à presidente, que tem sofrido com pressões da própria base aliada.” Segundo Simon, a sociedade brasileira “quer justiça e ética” no combate às irregularidades.

“Quando começamos o movimento Diretas Já, não éramos mais que meia dúzia [de parlamentares] na Câmara dos Deputados, e conseguimos. Hoje, a sociedade toda quer justiça, ética e dignidade”", afirmou o senador. Só no Ministério dos Transportes, 24 servidores foram demitidos ou afastados desde que denúncias de irregularidades tiveram início, no início do mês de julho. Entre os que deixaram o cargo está o ex-ministro e senador Alfredo Nascimento. O PR, partido do senador, já deixou o bloco do governo no Senado e ameaça a deixar o bloco também na Câmara.

Na semana passada, a Operação Voucher, da Polícia Federal, prendeu por suspeitas de irregularidade integrantes da cúpula da pasta, como o secretário-executivo, Frederico da Silva Costa, e um secretário do ministério, o ex-deputado federal Colbert Martins (PMDB-BA). “É hora de nós empoderarmos a presidente da República para que ela tenha a autonomia política necessária para que implemente essas mudanças e acabe com o fisiologismo político que existe no Congresso Nacional. A presidente tem o poder de interferir nos ministérios quando e sempre que necessário para livrar o país da corrupção”", disse a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS).

O líder do PT no Senado, Humberto Costa (PT-PE), ocupou a tribuna para pedir apoio aos senadores para as ações de ajuste fiscal defendidas pelo governo. “O que se espera é um apoio às medidas de austeridade do governo”, disse.

Pedro Simon, criticou o discurso de Costa e disse que esperava que o senador falasse sobre as medidas de combate à corrupção. O senador pernambucano respondeu que as medidas da presidente não são novidade. “Para mim, não são novidade as ações da presidente Dilma de combate à corrupção. Ela sempre teve essa postura, desde quando era ministra”, disse.

O senador Jorge Viana (PT-AC) defendeu as medidas de combate à corrupção, mas destacou que as ações não podem ser cometidas com abuso. “”Que ninguém cometa, se é que foi cometido, abuso. É preferível sofrer injustiça do que cometer uma injustiça. Essa mistura é muito perigosa”", disse.

O senador Mozarildo Cavalcante (PTB-RR) também subiu à tribuna para manifestar apoio à presidente, e disse que as ações de combate à corrupção devem ser tomadas, independentemente de quem está envolvido. O senador pediu apoio para que o movimento em favor das ações da presidente cresça no Senado.

” A corrupção em qualquer área significa tirar a vida das pessoas [...] Portanto, nós temos sim de ter uma postura clara de quem está a favor da decência e de ter um governo como este que não tem medo de demitir A, B ou C. Temos de fazer este movimento crescer. Aqui no Senado, temos a maioria para dar à presidente Dilma esta tranqüilidade”, declarou Cavalcante.

Para o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), “é preciso que neste momento a gente apóie a verdadeira faxina que a presidente Dilma está fazendo na política brasileira”. Em manifestação durante o discurso de Ferraço, Pedro Simon pediu apoio de outras entidades como a Confederação Nacional dos Bispos (CNBB) e a União Nacional dos Estudantes (UNE) para que o movimento de apoio às medidas da presidente tenha mais força.

O senador Pedro Taques (PDT-MT) pediu a criação de uma frente de combate à corrupção. “Quem rouba o dinheiro público é lixo. É nojento. A corrupção mata. Ela rouba o futuro das crianças. O que queremos é buscar os princípios da República”, disse o senador. “Siga em frente, presidente Dilma. Faxina se faz limpando o que há debaixo do tapete”, afirmou Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).

O oposicionista Álvaro Dias (PR), líder do PSDB no Senado, ocupou a tribuna para dizer que não iria aplaudir a presidente Dilma, mas os órgãos responsáveis pelas denúncias de irregularidades. “Só o discurso não resolve. Me refiro à própria presidente da República, que se refere a uma limpeza no governo. É retórica, e só retórica não resolve. Hoje eu gostaria de aplaudir, não a presidente Dilma, mas a imprensa do Brasil, a Polícia Federal e a Controladoria da União”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma tem duas alternativas, não três: ou se livra dos bandidos ou os mantém sócios do poder; a sociedade apóia a decência

No post anterior, alguns senadores se manifestam em defesa disso que se tem chamado “faxina” no governo: a demissão de pessoas envolvidas em operações nebulosas, quando não flagrantemente criminosas. VEJA teve, como sabem os leitores, papel central em boa parte dessa limpeza. Sua tarefa é revelar o que sabe e cobrar que o poder público se comporte de acordo com os fundamentos da Constituição e as regras estabelecidas em lei.

Aqui e ali, intelectuais de esquerda — os de sempre! — alertam a presidente para os riscos que ela correria. Notáveis estes ditos “pensadores”, não é mesmo? Descobriram as virtudes redentoras da safadeza. Sob o pretexto de fazer análise objetiva da realidade, pretendem advertir a presidente de que a governabilidade é mais importante do que a moralidade, como se essas coisas fossem antitéticas. Não são! Não em países decentes, ao menos. Ao contrário: a governabilidade é uma derivação da moralidade. Esses juízos tortos só vêm a público — e escreverei a respeito na madrugada — porque há um só temor no horizonte: o de que a ação moralizadora chegue ao PT. Vamos ver se, lembrando um livro de Italo Calvino, Dilma Rousseff é, assim, uma espécie de “presidente partida ao meio”.

Estará a presidente sozinha se decidir limpar, de fato, o governo? A mesma VEJA que iluminou os porões dos ministérios dos Transportes e da Agricultura publicou, nesta semana, esta carta ao leitor. Peço que vocês a leiam com atenção.
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Desde junho, a presidente Dilma Rousseff vem enfrentando com determinação a série de denúncias sobre esquemas de corrupção no ministério que se viu obrigada a montar sob os auspícios de seu antecessor e aliados políticos. O primeiro a cair foi o então ministro-chefe da Casa Civil Antônio Palocci, que não soube explicar a origem da dinheirama que lhe permitiu comprar apartamentos de luxo em São Paulo — um deles revelado por esta revista. Em seguida, foi a vez do ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento. Ele e outros 26 funcionários que comandava foram exonerados, depois que VEJA mostrou o superfaturamento em obras inacabadas e cobranças de propina na pasta.

Na semana passada, também por meio de uma reportagem desta revista, o país foi informado de lambanças promovidas no Ministério da Agricultura, atualmente sob a batuta de Wagner Rossi. No curso da apuração, o editor Rodrigo Rangel foi covardemente agredido por um meliante que se movimentava com liberdade dentro do ministério, para subornar servidores e manipular licitações. O meliante está foragido, e o número 2 na hierarquia da repartição foi demitido. Na mesma semana, a Polícia Federal estourou uma quadrilha que agia dentro do Ministério do Turismo desde a gestão anterior. Trinta e seis pessoas foram presas.

Nesta edição, VEJA traz outra reportagem envolvendo o ministro Wagner Rossi. Quando comandava a Companhia Nacional de Abastecimento, ligada à Agricultura, ele ajudou a jogar no lixo 8 toneladas de feijão, para encobrir uma fraude eleitoral. Na condição de presidente da Companhia Docas do Estado de São Paulo, quitou à sorrelfa dívidas previdenciárias de noventa empresas fornecedoras do Porto de Santos. Com Rossi à frente da Agricultura, de acordo com um funcionário da pasta que falou à revista, empresas conseguiram obter facilidades em licitações mediante pagamento. Evidentemente, acusações não são provas, mas, como o ministro é do PMDB, a presidente Dilma sofre chantagem explícita da chamada base aliada, para que evite tomar providências compatíveis com as graves denúncias contra Rossi. Ameaçam retirar-lhe o apoio no Congresso, entre outras demonstrações de espírito cívico.

Assim como todos os brasileiros honestos, pagadores de impostos, VEJA está ao lado da presidente. Sua popularidade subiu graças à faxina que ela vem conduzindo, a despeito dos obstáculos. Cansamos todos de ver o dinheiro público escoar para as contas bancárias dos beneficiados pelo loteamento político na Esplanada dos Ministérios, praga da qual decorrem todos os malfeitos verificados até o momento na esfera federal. Esses milhões de cidadãos têm na presidente uma referência de força e coragem. Que Duma Rousseff continue a fazer sua faxina e que seu exemplo se espalhe por todos os níveis da administração pública.

Voltei
Sim, está nas mãos de Dilma enfrentar os chantagistas ou se submeter a eles, sempre sabendo que eles têm poder de retaliação. Nota-se, infelizmente, que diante do que se poderia chamar “núcleo duro do PMDB” — e não apenas os peixes menos graúdos do Ministério do Turismo —, o Planalto parece mais do que hesitante. Governos que se livram de malfeitores tendem a receber o apoio da população, não o contrário. Ninguém pede que a presidente se deixe levar por arroubos cesaristas, atropelando leis. Ao contrário: o que se espera dela é que as cumpra.

O que se tem no Ministério da Agricultura é algo mais do que o desvio ético desse ou daquele. Há lá implantado um método. Quanto mais se procura, mais se acha; “a cada enxadada, uma minhoca”, como no velho adágio que não deve ter sido parido em Dois Córregos, mas que era muito empregado pelo meu avô para designar aquelas situações em que basta procurar, e sem muito esforço, para achar. Meta a enxada no chão, e os vermes vêm a luz, mal acostumados com a claridade. Se expostos ao sol, secam.

Trata-se, em suma, de decidir se o PMDB merece o mesmo e justo tratamento que foi dispensado ao PR no caso do Ministério dos Transportes. Na “Carta ao Leitor”, VEJA escreve, e é necessário fazê-lo, uma obviedade moral: Dilma se livre das pessoas que infelicitam o governo e o utilizam em benefício pessoal ou de seu grupo e terá o apoio da sociedade. A alternativa é optar pela acomodação, hipótese em que a bandidagem a tornará refém de seus métodos para que possa continuar a assaltar os cofres públicos.

Sim, Dilma se elegeu nesse ambiente e com essas mesmas pessoas. Não ignoro tal fato, e isso torna a tarefa moralizadora complicada, arriscada mesmo. Tratarei desse assunto de madrugada. De todo modo, esse risco não oferece a Dilma uma terceira alternativa. Ela continua com duas apenas: ou afasta do governo os que infelicitam o Brasil e os brasileiros ou continua atrelada a eles, sendo sua cúmplice, escolhendo o seu lugar na história.

Por Reinaldo Azevedo

Enquanto senadores dão apoio a Dilma para combater a corrupção, nota do PT pede, na prática, a impunidade. Ou: Não existe pecado ao sul da moral — ou seja, no PT!

Enquanto um grupo de senadores lança uma espécie de movimento em apoio à presidente Dilma Rousseff para que ela promova uma efetiva limpa no governo, seu próprio partido, o PT, faz a aposta na impunidade. Querem ver por quê? Leiam o que segue. Volto em seguida.

Em nota, PT diz que prisão de ex-presidente da Embratur foi indevida

Por Portal G1, em Brasília

O PT divulgou uma nota nesta segunda-feira(15) manifestando solidariedade ao ex-presidente da Embratur Mario Moyses, preso na Operação Voucher, da Polícia Federal, na semana passada. Segundo o texto, Moyses foi “preso indevidamente” e “sem qualquer prova ou indício de que tenha cometido irregularidades”. O partido afirma que sempre apoiou investigações que tenham por objetivo combater a corrupcao, mas criticou a ação da PF que prendeu 36 pessoas envolvidas em supostas irregularidades no Ministério do Turismo.

“Mas não se pode aceitar operações como a que levou à prisão de Mário Moysés e outras pessoas. Se há suspeitas e denúncias, estas tem de ser rigorosamente apuradas em obediência às normas do estado democrático de direito”, diz a nota. A Operação Voucher investiga desvio de verbas com o suposto envolvimento de servidores e integrantes da cúpula do Ministério do Turismo, além de entidades privadas que firmaram convênios com o ministério. Ele foi preso em São Paulo e transferido para superintendência da PF em Macapá (AP), onde a investigação é sediada. Na sexta-feira, o juiz federal Guilherme Mendonça do Tribunal Regional Federal da 1ª Região concedeu habeas corpus ao ex-presidente da Embratur.

Veja a íntegra da nota do PT:

“NOTA DE SOLIDARIEDADE
O Partido dos Trabalhadores manifesta sua solidariedade ao companheiro Mário Moysés, que, sem qualquer prova ou indício de que tenha cometido, corroborado ou participado de irregularidades, ficou preso indevidamente, tendo sua honra e dignidade atingidas, inclusive com a exposição pública e ilegal de fotos relativas ao dia da prisão.
O PT sempre apoiou, apóia e continuará apoiando todo tipo de investigação que tenha por objetivo coibir a corrupção, preservar o interesse público e punir aqueles que, comprovadamente, cometeram ilegalidades.
Mas não se pode aceitar operações como a que levou à prisão de Mário Moysés e outras pessoas. Se há suspeitas e denúncias, estas tem de ser rigorosamente apuradas em obediência às normas do estado democrático de direito.
Rui Falcão
Presidente Nacional do PT”

Voltei
Reitero que estes dias andam um tanto complicados, não? Vamos botar a bola no chão. O PT poderia ter redigido uma nota dando apoio à apuração de irregularidades, pedindo que esta se conduzisse nos limites da lei, sem abusos etc e tal. E estaríamos todos de acordo. Mas não! Preferiu sair em defesa do petista preso — que não é um petista qualquer; trato do assunto no próximo post.

Muito bem!

O PT que diz que Moysés é inocente — e não estou aqui me comportando como juiz, condenando-o; os indícios contra eles são robustos, convenham! — é o mesmo que assegurava a inocência de todos os membros do partido envolvidos no mensalão. Na verdade, os petistas dizem que aquilo nem mesmo existiu!

O PT que diz que Moysés é inocente é o mesmo que abrigou todos — TODOS, SEM EXCEÇÃO! — os aloprados da campanha de 2006, envolvidos na compra de um falso dossiê contra o então candidato ao governo de São Paulo, José Serra.

O PT que diz que Moysés é inocente é o mesmo que reagiu com indignação quando VEJA noticiou as lambanças de Erenice Guerra na Casa Civil. Ela tinha sido braço-direito, diga-se, de Dilma Rousseff.

O que esses três exemplos nos dizem — e muitos outros poderiam ser evocados? Que, para o PT, para ser inocente, basta pertencer ao partido. Ora, José Dirceu continua a ser um quadro poderoso do partido. O nome escolhido pela legenda para presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara é ninguém menos do que João Paulo, um dos 36 processados por causa do mensalão. Delúbio Soares está de volta ao partido; Hamilton Lacerda, o homem que carregava a mala preta que pagaria o falso dossiê de 2006, também foi readmitido.

Não existe pecado ao Sul da moral — ou seja, no PT; se o sujeito é petista, então tudo lhe é permitido.

Sim, um grupo de senadores e muita gente na sociedade estariam dispostos a apoiar medidas moralizadoras de Dilma Rousseff. Se ela decidir levar adiante esse bom propósito, o primeiro a sabotá-la será, então, seu próprio partido.

Esse é o significado da nota do PT.

Por Reinaldo Azevedo

Entenda por que o PT divulgou uma nota em defesa do petista que foi preso pela Polícia Federal

No post abaixo, vocês leram que o PT divulgou uma nota em defesa de Mauro Moysés, o petista preso pela Polícia Federal. Isso não é para qualquer um. Para merecer esse tratamento privilegiado, é preciso ser uma peça importante no partido. Ao comentar a nota, lembrei algumas situações em que o PT saiu em defesa dos seus. E houve até mesmo um episódio em que facções do partido ameaçaram trocar tiros em praça pública.

Na campanha de 2010, vocês se lembram, os petistas voltaram a montar um bunker para fazer dossiês contra dirigentes do PSDB e contra o candidato José Serra — aquelas invasões de sigilo fiscal. Pois bem. VEJA desta semana, para não variar, traz algumas informações relevantes pra entender o que está em curso. Também explica por que, até agora, Dilma pegou leve com Wagner Rossi. Leiam trecho da reportagem de Fernando Mello:

(…)
Peça estratégica de uma parte do PT paulista. Mário Moysés pode ter sua importância medida por dois episódios. O primeiro deu-se em junho de 2010, às vésperas da eleição presidencial vencida por Dilma Rousseff. Na ocasião, revelou-se que um grupo de aloprados ligado ao PT mineiro espionava adversários do partido dentro do comitê central de campanha. Descoberto e exposto à execração pública, o bando contra-atacou, ameaçando denunciar os detalhes de um certo esquema de caixa dois que o PT paulista operaria no Ministério do Turismo sob o comando de Mário Moysés, então lugar-tenente de Marta. Encurraladas e na iminência de um duelo mortal, as duas facções petistas acertaram uma trégua. O armistício protegeu Mário Moysés e sua turma até a semana passada.

O segundo episódio ocorreu durante a transição entre os governos de Lula e Dilma. O Ministério do Turismo foi reservado ao PMDB, mas o PT paulista bateu o pé para que Mário Moysés seguisse na pasta. Antônio Paloccí, chefe da equipe de transição, chegou a marcar uma reunião com o vice-presidente Michel Temer para pedir formalmente que o ex-assessor de Marta fosse deslocado para a presidência da Embratur, o que acabou ocorrendo. Ele saiu de lá para dar lugar a um integrante do PCdoB (loteamento. loteamento, loteamento…). Não há dúvida de que a prisão de Mário Moysés foi um tremendo choque para uma parte do PT paulista. As lágrimas vertidas em plenário pela ex-prefeita Marta Suplicy são prova disso - assim como sua estratégia de esconder-se em um banheiro do Congresso para evitar ter de falar aos jornalistas sobre a prisão de seu ex-subordinado.

Em um ambiente já inflamado por escândalos em série e demissões em baciadas de funcionários corruptos, a Operação Voucher foi mais um fator de desestabilização política. O PMDB, conhecendo o esquema e seus personagens em detalhes, pôs o PT na parede para proteger os próprios suspeitos. Em ameaças veladas, os líderes peemedebistas avisaram que jogariam Mário Moysés. Marta e os demais envolvidos no fogo, caso o PT e o governo não defendessem os ministros do PMDB acusados de corrupção: Pedro Movais, do Turismo, e Wagner Rossi, da Agricultura. A tática deu certo até o fim da semana, mas novas denúncias contra o segundo devem inviabilizar sua permanência no cargo. No Congresso, os partidos aliados impediram qualquer votação em protesto às justas demissões promovidas pela presidente Dilma Rousseff. No PT, partido marcado por guerrilhas internas e teorias conspiratórias, o grupo de Marta Suplicy se voltou contra o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, adversário histórico da senadora. O ministro afirma que soube da Operação Voucher apenas quando ela já estava nas ruas. Mas Marta Suplicy tem convicção de que ele sabia de tudo e não avisou ninguém apenas para prejudicá-la. Não se faz isso com gente tão fina.

Por Reinaldo Azevedo

Os dias andam um tanto hostis a pessoas que têm princípios. O ministro Gilmar Mendes, do STF, foi, durante muito tempo, um duro crítico dos abusos cometidos por setores da Polícia Federal, do Ministério Público e do próprio Judiciário. Apanhou muito por censurar algumas operações mais pautadas pelo espetáculo do que pelo rigor técnico. Aliás, apanhei também. Não só isso. Acabei processado por criticar falas de autoridades que me pareciam atentatórias ao estado de direito. Felizmente, a Justiça reconheceu o meu direito à crítica. Não vou entrar em detalhes porque acho que esses embates não devem servir ao proselitismo. Eu não quero ganhar nem perder nada. Quero que a Constituição e os códigos que nos regulam sejam respeitados. Só isso.

Vivemos um tempo confuso. O poder, como reiteradas reportagens e demissões têm deixado claro, está sendo assediado por verdadeiros assaltantes do dinheiro público. Sim, nós temos as leis para coibir e punir a bandidagem. Não é preciso desrespeitar o que está escrito para pegar os larápios. Ao contrário: É PRECISO RESPEITAR! Leiam o que informa a Folha Online. Volto em seguida.

Por Daniel Roncaglia:
O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Gilmar Mendes considerou lamentável a divulgação de fotos dos presos na Operação Voucher, da Polícia Federal. “Na presidência do STF, chamei a atenção para os abusos que estavam sendo cometidos nessas várias operações”, afirmou o ministro. Segundo Mendes, o Ministério da Justiça deve reagir ao que chamou de “abuso” da PF. “Abuso que se comente com presos conhecidos e presos anônimos. É preciso realmente encerrar essa quadra no Brasil”, disse o ministro, em evento na sede da Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo).

Na sexta-feira, foram publicadas em um jornal do Amapá fotos de alguns dos detidos sem camisa, segurando placas com seus nomes. Entre os presos que aparecem nas fotos estava o ex-secretário-executivo do ministério do Turismo Frederico Silva da Costa e o ex-presidente da Embratur Mário Moysés. As fotos foram feitas no Instituto de Administração Penitenciária, que é administrado pelo governo estadual. O governo do Amapá afirmou que vai abrir uma sindicância para apurar o vazamento. No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff considerou inaceitável o vazamento de fotos. Segundo a assessoria o Planalto, o ministro José Eduardo Cardozo (Justiça) pediu ao STF que o CNJ (Conselho Nacional de Justiça) tome providências em relação à divulgação das fotos.

Algemas
Gilmar Mendes ainda criticou nesta segunda-feira o uso de algemas durante as prisões da PF. “O STF deu a resposta com aquela súmula 11 das algemas”, disse o ministro. De acordo com a súmula vinculante 11, publicada em 2008, o uso de algemas só é permitido quando os presos oferecem resistência ou existe a possibilidade de fuga, além de risco aos policiais. Em resposta ao Ministério da Justiça, a PF afirmou semana passada que não cometeu excessos no uso de algemas, porque cumpria uma regra internacional segundo a qual presos devem ter as mãos imobilizadas durante deslocamento aéreo. Quando presidiu o STF de 2008 a 2010, Mendes fez uma série de críticas públicas a “espetacularização” das operações da PF, em especial a Operação Satiagraha.

Operação
Deflagrada na terça-feira (8), a Operação Voucher prendeu um total de 36 pessoas, em São Paulo, Brasília, Curitiba e Macapá. Eles já foram soltos. Ao todo 38 mandados de prisão foram expedidos na ação que envolveu 200 policiais. Duas pessoas seguem foragidas. As investigações começaram em abril e apontaram possíveis irregularidades em um convênio de R$ 4,45 milhões firmado entre o Ministério do Turismo e o Ibrasi (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável).

Voltei
Abro este texto falando sobre pessoas que têm princípios. Gilmar Mendes e eu próprio apanhamos muito por afirmar agora o que afirmávamos então. Segundo a canalha a soldo, tratava-se apenas de nosso suposto alinhamento com este ou com aquele, adversário do governo. Ocorre que, em 2011, estamos falando o mesmo que falávamos em 2010, em 2009, em 2008… Não mudamos de ponto de vista porque os alcançados pela Polícia Federal, agora, são outros. Hipócritas são os que silenciavam então sobre alguns abusos. Eles, sim, acham que a PF é justa quando humilha seus adversários e injusta quando faz o mesmo com seus aliados.

E que se note ainda: nem antes nem agora, considerei que eventuais abusos devam servir de pretexto para não se investigar e punir a safadeza. Eu combati as ilegalidades da Operação Satiagraha, por exemplo, por dois motivos: em primeiro lugar, porque acho que leis devem ser cumpridas; em segundo, mas não menos importante, porque, afirmava então, tais ilegalidades seriam usadas pelos bandidos em sua defesa. Dito e feito! Acertei nisso também: ficarão todos impunes.

Os governistas, em suma, não estão fazendo agora este escarcéu porque cobram, como cobrei sempre, o cumprimento da lei. Ao contrário: eles só estão reagindo porque consideram legítimo que a lei seja desrespeitada contra seus adversários, mas acham uma violência quando isso é feito contra os aliados. Esses caras encarnam o triunfo do paradoxo: quando pedem o cumprimento da lei, estão apostando na ilegalidade!

Gilmar Mendes e Reinaldo Azevedo afirmam agora o que afirmavam em 2010, 2009, 2008… Questão de princípio!

Por Reinaldo Azevedo
Voto distrital - Ou se aprimora a democracia, ou o país vai à breca!

Inexiste no mundo um modelo político que seja absolutamente imune à ação dos corruptos. Ao contrário do que pode supor o senso comum, o melhor remédio contra a corrupção ainda é a democracia. As ditaduras não só se caracterizam por ser notavelmente corruptas como transformam seus vícios em virtudes. Os leitores certamente andam um tanto enfarados com a política no Brasil. Não sem razão. De fato, nunca se assistiu a tal estado de coisas. Se é assim, a nossa democracia é, então, mais corrupta do que foi a ditadura militar, por exemplo? Certamente! Estaria eu me contradizendo. Só aparentemente.

Se quisermos romper o ciclo infernal em que se meteu a política brasileira, será preciso radicalizar a democracia — no caso, a democracia representativa. O Brasil está se transformando na República dos ladrões em razão do nosso déficit democrático. Por isso mesmo, é preciso que nos mobilizemos — sim, leitor, eu, você, todos aqueles com quem falarmos e que estejam em nosso radar — para ir à raiz da questão. O Brasil precisa fazer uma reforma política — e sei que não é fácil — para instituir no país o voto distrital. A corrupção só existe, é claro, porque existem os corruptos. Eles estão em todo canto. Mas há modelos que são mais e há modelos que são menos amigáveis com os  canalhas. Esse que está em vigência no Brasil é a verdadeira Disneylândia dos safados, dos aproveitadores, dos batedores de carteira, dos assaltantes do dinheiro público. E a ascensão do PT ao poder só extremou o que já havia de pior no Brasil. Explico.

O presidencialismo brasileiro depende em larga medida do Congresso. Um presidente da República, ainda que tenha um poder enorme, certamente fará um governo pífio se tiver uma maioria congressual que lhe faça oposição. Por isso se formam as coligações antes das eleições e os acordos depois. A farra partidária brasileira sempre leva o eleito de turno às compras. Como o estado brasileiro detém uma máquina gigantesca, faz-se a já conhecida distribuição indecorosa de cargos, e a gestão da coisa pública acaba se confundindo com a mera ocupação de espaços no aparelho estatal. Já não é um espetáculo bonito de se ver, mas isso ainda não caracteriza o lupanar em que se transformou a vida pública brasileira. Afinal, governar com aliados é mesmo do jogo.  Noto à margem que, se o estado brasileiro fosse menor, diminuiria o número de canalhas. Este é diretamente proporcional ao tamanho daquele. Mas mesmo esse presidencialismo que se convencionou chamar de coalizão pode ser exercido com padrões morais mais elevados do que isso que temos visto. É preciso mudar — e temos de nos mobilizar para isso, ainda que a luta seja longa — o sistema de representação.

Pensemos um pouco. Boa parte dos males da política brasileira deriva do fato de que os cidadãos não têm o menor controle do Congresso, das Assembléias Legislativas e das Câmaras de Vereadores. Conte até cinco e diga em quem você votou nas eleições passadas para esses cargos. Quase ninguém lembra. O sistema proporcional, atualmente em vigor — que manda para as casas legislativas os candidatos mais votados depois de definido o quociente eleitoral dos partidos —, é um modelo parido pelo capeta. Parece especialmente pensado para alijar a população da política.

Seu pior e mais escandaloso defeito é transformar a Câmara Federal, as Assembléias e as Câmaras dos Vereadores num circo que reúne, com as exceções de sempre, lobistas dos mais variados tipos: de empresas, de sindicatos, de categorias profissionais, de igrejas e, nos últimos tempos, das ditas “minorias”. Esses parlamentares deixam de representar a população — a quem não precisam prestar contas — e passam a atuar como representantes do lobby que os elegeu. É o sistema perfeito para criar os candidatos das máquinas milionárias — especialmente as de caráter sindical (do trabalho ou do capital, pouco importa) — e as celebridades da hora (Tiriricas, Romários e Popós…).

Num modelo em que os partidos tivessem de indicar nomes para disputar o voto em distritos, os candidatos teriam de falar com o conjunto da população de uma área limitada — que será, necessariamente, mais plural do que o público de um sindicato, de uma categoria profissional ou de uma “minoria”. Os candidatos a deputado federal, a deputado estadual e a vereador seriam obrigados, no modelo distrital, a prestar contas à comunidade na qual têm sua base eleitoral: é lá que disputam uma espécie de eleição majoritária com nomes indicados por outros partidos. O eleito do “Distrito X” vai representar o conjunto das pessoas do seu distrito — homens, mulheres,  trabalhadores, empresários, estudantes, héteros, gays, católicos, evangélicos… As casas legislativas deixariam de ser esse triste amontoado de corporações de ofício que vemos hoje.

A batalha pelo voto distrital é difícil, sei disso. Afinal, ele teria de ser instituído, num ambiente de reforma política, com os votos daqueles que  são beneficiários do modelo em vigor. A dificuldade é grande! Mas temos de insistir nessa idéia para 2012,  2014, 2018, quando der. Uma coisa é certa: sem a pressão da sociedade, isso não vai acontecer. O PT, por exemplo, não só rejeita o voto distrital como defende o voto em lista fechada. Eleitores votariam no partido. Definido o número de cadeiras, assumem as vagas os definidos previamente. Vale dizer: o PT quer aumentar o nosso déficit democrático.

Não sou ingênuo — não muito ao menos. Um peemedebista da turma de Sarney ou Temer será sempre o que é, pouco importa se eleito pelo sistema proporcional ou distrital.  A questão é outra: em que modelo o seu trabalho pode ser acompanhado mais de perto?; em que modelo ele pode ser mais cobrado?; em que modelo a sua má conduta tem mais chances de ser punida? Larápios que representam corporações e lobbies tendem a ser eleitos pelos seus pares, ainda que, com freqüência, atentem contra os interesses do conjunto da população. Precisamos de deputados que não sejam “do setor de ensino”, “do sistema financeiro”, “dos metalúrgicos”, “dos bancários”, “dos sem-isso-e-sem-aquilo”; precisamos, em suma, de representantes do povo que representem o povo, não uma corporação de ofício. O custo de campanha, como efeito colateral, cairia enormemente. Afinal, o candidato não teria de ficar amealhando votos numa área territorial imensa.

Há um grupo de pessoas empenhadas em levar adiante essa batalha. Visite o sitewww.euvotodistrital.org.br. Reitero: não se trata de uma tese salvacionista; não estamos diante “da” resposta para todos os males. Trata-se apenas de uma mudança saudável, que ampliaria a democracia. O movimento quer colher um milhão de assinaturas para que se tenha tempo de votar uma emenda que institua o voto distrital já nas eleições municipais de 2012. Falta muita coisa. Até agora, há 22 mil assinaturas. Vai dar? Não sei. Qualquer mudança tem de ser votada até outubro. Se não for possível para 2012, que se tente para 2014 ou para depois.

Pudéssemos mudar a consciência de todos os homens e direcioná-los sempre para o bem, não precisaríamos de voto distrital ou proporcional. Nem mesmo precisaríamos de votos ou eleições. Estivessem todos imbuídos do bem comum, pronto! Seria a paz perpétua. Infelizmente, as coisas não se dão assim em sociedade. É preciso criar mecanismos e instituições que dificultem o trabalho dos maus e dêem relevo à obra dos bons.

Eu os convido a entrar na campanha em favor do voto distrital. Não vamos melhorar a democracia brasileira se não melhorarmos a qualidade da representação. Essa é uma boa luta!

Por Reinaldo Azevedo
Máfia do Turismo planejava fraudes em outros setores

Por Fábio Fabrini, no Globo:
A organização acusada de desviar verbas de convênios do Ministério do Turismo no Amapá, alvo da Operação Voucher, estendia seus tentáculos para outros órgãos públicos, espalhados pelo país. Escutas feitas pela Polícia Federal com autorização da Justiça, às quais o GLOBO teve acesso, revelam a intenção dos envolvidos de fraudar licitações e superfaturar obras de prefeituras e até da construção de um porto, fora da abrangência do Turismo.

Num dos grampos, de 6 de julho, o diretor-executivo do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), Luiz Gustavo Machado, conversa com um empresário, identificado como João Carlos, sobre a possibilidade de ajudá-lo com uma licitação:

“Tinha uma concorrência pra pôr na sua mão, faz vinte dias que eu tô atrás de você. (…) Era pra construir um porto”, afirma Machado, acrescentando que, diante da demora de João Carlos para responder às suas ligações, repassou o serviço para outra empreiteira: “Você não me atendeu, eu dei pro Andrade Gutierre (sic)”.

A assessoria de imprensa da Andrade Gutierrez não se pronunciou até o fechamento desta edição. Para a Polícia Federal, o diálogo mostra como Machado atua em todos os contratos que firmou com o poder público “de forma temerária” e “fraudando concorrências”.

Em outra conversa, de 28 de julho, o sócio do Ibrasi fala sobre superfaturamento em licitação com seu amigo Roberto Rufica. “Você sabe quanto é o preço ganho na licitação? Mas isso entre nós aqui, você sabe quanto é o preço ganho?”, pergunta Rufica, respondendo em seguida: “R$ 165 o metro cúbico, ganhou a licitação com esse preço”. Entre risos, Machado retruca: “Podia pagar 50, né?”

Envolvidos ensinam a superfaturar obra
Uma das funcionárias do Ibrasi no Amapá, Karla Karoline Almeida, diz em 1 de junho que a Sinc Recursos Humanos e Automação, empresa envolvida com as fraudes no ministério, iria pegar mais um projeto de turismo em João Pessoa, com “um município”. Outra agente do Ibrasi, Uyara Schmittd, já teria se mudado para a capital paraibana para cuidar do assunto: “A Fabiana (sócia da Sinc) vai ter uma reunião com a secretária de Turismo desse município dia 6 de junho (de 2011), e nessa reunião as coisas serão definidas”, comenta, sem dar detalhes do negócio.

Nos relatórios da Polícia Federal, o dono do Ibrasi é citado como um lobista com contatos com diversos empresários e funcionários públicos. Os grampos também flagraram Sandro Saad, diretor financeiro da entidade, conversando em 26 de maio com um empresário sobre um edital de R$ 31 milhões da Prefeitura de São Vicente (SP) para obras em vias públicas. Segundo a PF, embora o edital não tivesse sido publicado, Saad já tinha a planilha e o memorial descritivo do empreendimento. Dando a entender que houve conluio com funcionários públicos, ele diz que deseja que o interlocutor pegue a obra. O GLOBO não conseguiu contatar os citados nas escutas e seus advogados, assim como a Prefeitura de São Vicente. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Grupo acusado de desviar verbas do Turismo comprava ONGs

Por Fábio Fabrini e Chico Gois, o Globo:
Para receber recursos públicos, o grupo acusado de desviar verbas do Ministério do Turismo comprava organizações não governamentais (ONGs) e aproveitava no esquema empresas já existentes, moldando os estatutos sociais conforme sua conveniência. As investigações da Polícia Federal revelaram que Dalmo Antônio Tavares Queiroz, sócio da Barbalho Reis e diretor de licitações da Universa, entidade que tem vínculo com a Universidade Católica de Brasília, negociou um CNPJ com o empresário Hugo Leonardo da Silva Gomes, da Sinc Recursos Humanos.

As apurações da PF mostram que, nos convênios com o governo federal, a organização fraudou de comprovantes de pagamento por serviços a listas de presença em cursos de capacitação que não ocorreram.

“Vamos tocar o instituto, a gente tem que negociar com o cara… você lembra que você ficou de negociar aquele preço? (…) a gente vai lá e compra o CNPJ, segura e trava um pouquinho, até o Humberto (Silva Gomes, dono da Barbalho Reis) se liberar, todo mundo se liberar, e a gente pegar e tocar pra frente”, diz Dalmo para Hugo em ligação interceptada em 24 de junho.

No relatório da Operação Voucher, a PF conclui que a quadrilha participa do “condenável comércio de entidades sem fins lucrativos, que gozam de benefícios para contratar junto ao poder público”, e usa empresas já constituídas no esquema. A estratégia é usada porque, para receber dinheiro público, entidades sem fins lucrativos têm de comprovar ao menos três anos de experiência na área relativa ao convênio.

Nos cursos inexistentes, folgas durante Copa do Mundo
Sócio do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento de Infraestrutura Sustentável (Ibrasi), Luiz Gustavo Machado pergunta a um homem, em 16 de junho, se a TSM, empresa que pertencia a seu pai, está em condições de ser aproveitada numa contratação: “Ela tá toda em ordem, não tá? (…) Tá zerada, né?”

Alertado de que o estatuto social da TSM previa somente serviços de representação, ele propõe alterá-lo, a exemplo do que fez com o próprio Ibrasi, cujas funções foram alteradas meses antes de iniciado o convênio com o Turismo: “Posso mudar o estatuto dela. (…) De todo o jeito eu preciso da cópia para estudar a possibilidade de usar no que eu tô pretendendo, certo?”

As investigações demonstram que os acusados atuaram para forjar planilhas de cursos que deveriam ter ministrado. A PF flagrou Maria Helena Necchi, diretora técnica da Ibrasi, e sua filha, Adriana Necchi Ribeiro Carretti, em 9 de maio, combinando a preparação de uma lista de presença de 2010. Elas têm a preocupação de não incluir aulas nos dias de jogos na Copa.

Maria Helena demonstra preocupação com cursos de oito horas. Ela pede para a filha usar um modelo de planilha que já estava à disposição. A diretora do Ibrasi explica para a filha algumas abreviaturas que aparecem no rascunho e depois diz que é preciso encaixar na carga horária um número suficiente de instrutores.

“O que eu pensei em fazer com essa lista é primeiro ver se nessas datas que têm aí não coincidiu de semana de Copa do Mundo (junho 2010), que eu acho que não. A gente fez primeiro Mazagão e Oiapoque (duas cidades do Amapá), depois a gente pulou e começou Macapá, então não deve ter nada em julho, junho, né? Junho que é Copa. (…) Depois eu vou ter que apropriar a carga horária pra poder dimensionar instrutor, tá?”, orienta.

Maria Helena observa que não é necessário especificar os turnos em que as supostas turmas ocorriam: “Não precisa dizer se é manhã, de tarde e de noite, pressupõe que seriam doze, oito horas. Quantos monitores dão e quanto eles podem se repetir, né?”.

Direção do Ibrasi frauda vavalores em comprovantes
Em conversa com uma de suas funcionárias sobre a necessidade de apresentar como instrutores pessoas de confiança, a diretora do Ibrasi dá mais detalhes de como o grupo procedia. Citando o empresário Humberto Gomes, da Barbalho Reis, afirma, em 15 de julho: “Ele me entregou o currículo e não sei se ele também falsificou os recibos”.
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Por Reinaldo Azevedo
PR agora ameaça deixar base governista

Por Vera Rosa, no Estadão:
Alvo da faxina promovida pela presidente Dilma Rousseff no Ministério dos Transportes, o PR ameaça agora sair da conflagrada base de apoio do governo no Congresso. A decisão será anunciada amanhã, em discurso do senador Alfredo Nascimento (AM), que foi defenestrado dos Transportes na esteira das denúncias de corrupção e atualmente comanda o partido.

“O PR saiu do céu, mas não vai para o inferno. Pagará os seus pecados no purgatório”, afirmou o senador Blairo Maggi (MT). Padrinho político de Luiz Antonio Pagot, ex-diretor-geral do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Maggi quer agora que todos os integrantes do PR entreguem seus cargos no governo.

Embora Dilma tenha feito uma devassa nos Transportes, que derrubou 27 servidores, os superintendentes estaduais do Dnit não mudaram. Apenas o de Mato Grosso, escolhido por Pagot, abandonou o posto em solidariedade a ele. Além de assento nessas repartições, o PR ocupa uma diretoria de Furnas.

“Não tem sentido adotarmos uma posição de independência em relação ao Palácio do Planalto, sair da base aliada e continuar com os cargos”, insistiu Maggi. “É possível fazer política sem ter vaga no governo.” O senador propôs que o PR desfiliasse o ministro dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, sucessor de Nascimento, para quem o partido “não é lixo” nem pode ser “varrido” da administração. “Passos não representa o PR”, insistiu. A proposta de expurgo, porém, ainda não tem apoio da maioria.

Rédeas
Na última quarta-feira, Dilma assumiu as rédeas da coordenação política do governo para contornar as insatisfações no PR. Chamou ao Palácio do Planalto o deputado Anthony Garotinho (RJ), que tem feito ácidas críticas a ela na tribuna da Câmara. “Por que você está falando tão mal de mim?”, perguntou Dilma, que, a exemplo de Garotinho, já foi do PDT. Ela pediu ao deputado “compreensão” com o cenário econômico e disse não ser possível aprovar mais despesas, como a proposta de emenda constitucional que estabelece um piso nacional de salários para policiais e bombeiros, conhecida como PEC 300.

Naquele mesmo dia, a ministra das Relações Institucionais, Ideli Salvatti, reuniu-se com Nascimento, Maggi e com o senador Antonio Russo (PR-MS). Nem ela nem o chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, acreditaram que o PR abandonará a coalizão, embora o partido não frequente mais as reuniões do Conselho Político.

Peso
Com 41 deputados e 7 senadores (João Ribeiro está de licença médica), o PR pode fazer diferença e ser o fiel da balança em votações no Congresso. Na prática, o Planalto teme o “efeito cascata” das reclamações, já que o PMDB também não esconde mais o desconforto e está em queda de braço com o PT.Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Comércio entre Brasil e China deve se manter imune à crise, avalia consultoria

Por Fabiano Mainonnave, na Folha:
A perspectiva de crise mundial não deve afetar a enorme demanda chinesa por minério de ferro, o principal produto de exportação brasileiro ao gigante asiático. A avaliação é da influente consultoria Dragonomics, baseada no ambicioso plano de Pequim para construir 36 milhões de moradias ao longo de cinco anos. “A demanda chinesa por commodities não é impulsionada pelo crescimento do PIB, e sim pelo crescimento do investimento”, diz Arhur Kroeber, diretor da Dragonomics, com sede em Pequim. “E a China está bastante comprometida nesse Plano Quinquenal em fazer muitos investimentos em áreas diversas, mas o mais importante do ponto de vista do aço e do minério de ferro é o programa de moradia social.”

Aprovado no início do ano pelo Partido Comunista, o 12º Plano Quinquenal (2011-2015) prevê construir 36 milhões de casas de baixo custo para absorver o processo de urbanização do país. O governo chinês prevê gastar cerca de US$ 700 bilhões no projeto, considerado prioritário devido ao alto custo de moradia na China. Mais construção significa mais demanda por minério de ferro, o principal responsável pelo crescimento do superavit brasileiro com a China, que apenas nos primeiros seis meses deste ano já superou o superavit de 2010.

Dados do Ministério do Desenvolvimento mostram que a participação no comércio com a China saltou de 27,57% do total, no primeiro semestre de 2010, para 38,02%, nos primeiros seis meses de 2011. O preço médio da tonelada de ferro exportada para a China saltou de US$ 58,7 para US$ 114 entre os dois períodos –um aumento de 94%. Já o volume de exportação em tonelada cresceu apenas 5%, segundos números da pasta. A principal beneficiada é a mineradora brasileira Vale, que tem a China como principal cliente –foi responsável por 32% das vendas da empresa no segundo trimestre deste ano.
Kroeber afirma que, por causa do setor imobiliário em expansão, a China dificilmente fará um novo pacote de estímulo como o de novembro de 2008, pouco depois da crise financeira mundial. “O setor de construção chinesa vai bem, em grande medida, por causa do programa social de moradia. Eles não precisam estimular o mercado interno de habitação. E esse setor não será muito afetado pela recessão global”.
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Por Reinaldo Azevedo
Governo espera IPCA para definir juro

Por Iuri Dantas, no Estadão:
O governo prefere esperar os dados de inflação do mês de agosto, que serão divulgados mês que vem, antes de decidir sobre cortes nos juros. Se ficar comprovado o recuo dos preços, como apostam Banco Central e Ministério da Fazenda, haverá espaço para redução da taxa Selic. Analistas acreditam que uma desaceleração da economia no segundo trimestre, cujo resultado sai no início de setembro, também pode levar o BC a cortar juros na reunião seguinte.

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, deu um alívio no mês passado e pode permitir cortes nos juros ainda neste ano, avaliou o deputado Claudio Puty (PT-PA), presidente da Comissão de Finanças, Tributação e Controle da Câmara.

“O resultado da inflação foi bem razoável, com deflação em algumas cidades. Pode se preparar para uma queda de juros, até como tentativa de reduzir a diferença da taxa em relação à média mundial”, disse Puty.

Outro interlocutor da equipe econômica, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), que preside a Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, não descarta a possibilidade de o governo retirar travas ao consumo adotadas no início do ano, as chamadas medidas macroprudenciais.

A cobrança de Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) em empréstimos e a exigência de maior valor de entrada no financiamento de automóveis são exemplos de medidas desse tipo. “O governo não vai ficar procrastinando, vai agir pontualmente, em casos localizados. Não vai ficar parado”, diz o senador.

Crescimento. Serve de conforto ao Comitê de Política Monetária (Copom) a decisão do governo de seguir à risca o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano, confirmado na semana passada pela ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Síria ignora pressão internacional e envia Marinha para conter levante

Por Gustavo Chacra, no Estadão:

O regime de Bashar Assad ignorou os apelos internacionais para conter a violência e pela primeira vez usou navios da Marinha contra a oposição. Ao menos 26 pessoas morreram pelos disparos feitos por navios na cidade de Latakia e centenas teriam sido presas pelas forças de segurança, segundo relatos de grupos opositores e de direitos humanos.

A agência de notícias estatal Sana divulgou uma versão distinta, indicando que 41 membros das forças sírias foram feridos e outros 2 mortos ao serem alvejados por milícias na cidade. Segundo a Sana, quatro integrantes do que o governo classifica como “gangues terroristas” morreram na troca de tiros.

Não há confirmação independente das informações, apesar de estarem disponíveis na internet imagens dos disparos feitos pelas embarcações e de tanques entrando na cidade no sábado. Jornalistas estrangeiros sofrem restrições para entrar na Síria. O regime de Assad também impede o acesso de entidades humanitárias às cidades onde suas forças têm usado a violência para reprimir protestos. Segundo estimativas, mais de 2 mil pessoas já foram mortas na repressão. Ontem, a Organização para Cooperação Islâmica - que reúne 57 países - também condenou as ações das tropas de Assad.

Nos EUA, a Casa Branca divulgou um comunicado sobre a conversa que o presidente Barack Obama teve com premiê britânico, David Cameron, pedindo mais uma vez “a contenção da violência cometida pelas forças de Assad”. Os dois líderes acrescentaram que realizarão “consultas nos próximos dias para determinar os próximos passos”. A pressão deve ser para os países europeus e até mesmo a China adotarem sanções contra a indústria petrolífera da Síria. Apesar de não serem grandes produtores, os sírios são dependentes da exportação do produto. Aqui

Por Reinaldo Azevedo
Da coluna direto ao Ponto, de Augusto Nunes
Os indignados com o uso de algemas e fotos de gente sem camisa não têm nada a dizer sobre a execução da juíza sem medo


Acusada por dezenas de bandidos de cumprir o que a lei determina e aplicar-lhes sem medo as penas previstas no Código Penal, Patrícia Acioli, 47 anos, juíza da 4ª Vara Criminal de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, foi condenada há muito tempo à morte por fuzilamento. No fim da noite desta quinta-feira, quando estacionava seu carro no condomínio onde morava em Niterói, a sentença enfim se materializou. Empunhando armas de calibres 40 e 45 ─ de uso estrito à polícia e às Forças Armadas ─, os carrascos dispararam 22 tiros. Só um errou o alvo.

Ninguém tem o direito de surpreender-se. Em janeiro, ao ser capturado no Espírito Santo por ordem da juíza, Wanderson Silva Tavares, vulgo “Gordinho”, chefe de um grupo de extermínio que age em São Gonçalo, levava no bolso uma lista com os nomes de 12 pessoas marcadas para morrer. A presença de Patrícia Acioli na relação renovou a ameaça reiterada incontáveis vezes: se continuasse a julgar com rigor casos envolvendo policiais fora-da-lei, não teria vida longa.

Patrícia morreu indefesa e só, como morreram tantos magistrados que tentaram fazer justiça amparados exclusivamente no caráter e na coragem pessoal. Muitos mais morrerão, previne um recente levantamento do Conselho Nacional de Justiça. Espalhados pelo país, sobrevivem 69 juízes alvejados pela mesma ameaça que acompanhou a passagem pelos tribunais da colega abatida em Niterói. Dos integrantes desse grupo de altíssimo risco, só 42 têm proteção policial permanente.

Em vez de concentrar-se na caçada aos matadores, os sherloques de Niterói invocaram a hipótese de crime passional para abastecer jornalistas com informações sobre a vida íntima da vítima. Descobriu-se, por exemplo, que Patrícia manteve uma tumultuada relação amorosa com o PM Marcelo Soubel. Descobriu-se que o casal protagonizou pelo menos duas brigas de acordar vizinho. Falta agora descobrir a identidade dos assassinos. Evidências e indícios veementes conduzem a policiais que escondem sob a farda vínculos com milícias, grupos de extermínio e máfias que controlam frotas de vans.

Na sexta-feira e no sábado, em textos publicados nas primeiras páginas dos jornais que traziam a foto do carro esburacado por balas, inúmeros pais-da-pátria manifestaram-se sobre um caso de polícia. A presidente Dilma Rousseff qualificou-o de “acintoso”. Para o ex-presidente Lula, é “inaceitável”. O vice-presidente Michel Temer declarou-se “chocado”. O ex-ministro Márcio Thomaz Bastos indignou-se com o “abuso”. E todos enxergaram no episódio “uma grave ameaça ao Estado de Direito”.

Não, nenhum deles se referia ao caso da juíza assassinada. Dilma, Lula, Temer e Márcio não encontraram tempo para dedicar ao fuzilamento em Niterói uma mísera interjeição de espanto. Eles estão à beira de um ataque de nervos por causa de outra história. Não conseguem parar de pensar no tratamento dispensado pela Polícia Federal aos bandidos de estimação que caíram na malha da Operação Voucher. Já injuriados com as algemas nos pulsos dos larápios federais, os padrinhos se transformaram num copo até aqui de cólera depois das fotos que mostram parte da quadrilha sem camisa e com uma plaqueta de identificação.

A julgar pela discurseira, endossada por dezenas de figurões governistas, o Estado de Direito não é ameaçado por policiais que matam juízes, nem pela cleptocracia que Lula pariu e Dilma amamenta. O perigo mora em policiais que ousam prender e algemar assaltantes de cofres públicos sem pedir licença ao Planalto. Pior ainda, também se atrevem a fotografá-los sem antes cobrir-lhes o peito com terno e gravata.

Conversa fiada, rebate a nota de esclarecimento divulgada pela Associação Nacional de Delegados de Polícia Federal. O que os indignados de araque pretendem é destacar o acessório para ocultar o essencial. Querem concentrar os holofotes em argolas metálicas para obstruir a visão dos prontuários do bando. Os padrinhos acham intolerável o que a polícia fez para mostrar os afilhados. O país decente acha intolerável o que eles andaram fazendo. E quer saber o que ainda escondem.

“A Polícia Federal é republicana e não pertence ao governo nem a partidos políticos”, ensina no fecho do documento dos delegados a frase de Márcio Thomaz Bastos que o autor tenta agora revogar. Ao executar mandados de prisão sem verificar a carteira de identidade, o CPF e a filiação partidária do capturado, como exige Lula, a Polícia Federal apenas reafirmou que a lei vale para todos. Os agentes fizeram o que sempre fez a juíza Patrícia Acioli.

No faroeste brasileiro, fazer a coisa certa ficou perigoso.

Para facilitar a vida do PT, nosso Nando Esposito montou com rigor e critério uma lista de professores e disciplinas que não podem ficar fora do Curso de Formação do Perfeito Companheiro (Cufopeco), uma realização do Programa de Adestramento de Companheiros/Palestras, Cursos e Conferências, o PAC-PCC. A próxima relação vai reunir dezenas de brilhantes sugestões enviadas pelo timaço de comentaristas. Divirta-se com a primeira lista na seção Feira Livre.

Em 1984, ao vencer a corrida dos 800 metros nos Jogos de Los Angeles, Joaquim Cruz tornou-se o primeiro brasileiro a conquistar a medalha de ouro olímpica numa prova de pista. Nascido em 1963 na cidade-satélite de Taguatinga, o caçula dos seis filhos de um carpinteiro chegou ao topo do pódio apesar do Brasil. No País do Futebol, praticantes de modalidades olímpicas costumam ser derrotados já na largada pela inexistência de qualquer coisa parecida com política esportiva. Joaquim Cruz conseguiu muito mais que isso. Transformou-se num colecionador de medalhas na prova que exige, em doses exatas, a rapidez do velocista e a resistência do fundista. Não deve nada ao Brasil. É credor.

O débito acaba de ser ampliado pelo sistema de saúde que Lula considera “próximo da perfeição” e Dilma Rousseff vive festejando em inaugurações de pedras fundamentais. Por viver nos Estados Unidos, Joaquim Cruz agiu como um homem civilizado: não reivindicou tratamento especial, não sacou do coldre o “sabe com quem está falando?, apenas invocou seus direitos. Descobriu como é tratada a gente comum. E descobriu por que os pais-da-pátria, quando adoecem, nunca se dirigem a um hospital público. Dirigem-se ao aeroporto.

Travado diariamente por milhões de brasileiros, o duelo entre o sistema de saúde e Joaquim Cruz, descrito na carta que ele enviou à coluna, prova que hospitais públicos desafiam até heróis olímpicos. O povo será sempre derrotado, até compreender que a vida é mais que evitar a morte. Então talvez aprenda a indignar-se.

“Meu nome é Joaquim Cruz. Sou ex-atleta olímpico e hoje atuo como treinador de atletismo. Apesar de viver nos Estados Unidos há 30 anos, jamais deixei de ter orgulho e amor pelo Brasil, sentimentos que procuro exercitar por meio do instituto que leva meu nome e trabalha para oferecer oportunidades de cidadania a crianças carentes por meio de esporte e educação.

Infelizmente, no dia 1° de agosto, passei por uma experiência que me fez reviver situações tristes de minha infância e adolescência em Taguatinga e no Plano Piloto. Deixei minha mãe, Dona Lídia, no Hospital de Base de Brasília para uma consulta médica com uma especialista em glaucoma, mal que põe em risco o restante da visão da mulher que me deu a vida, hoje com 77 anos. Por volta das 9h15, teve início o processo de administração de colírio para dilatar as pupilas antes do exame. Porém, 15 minutos depois, às 9h30, a médica disse para um paciente que esperava no corredor que se ausentaria por uma hora, pois precisava participar de uma reunião. Eu não estava no hospital nesse momento, mas minha irmã Glória acompanhava minha mãe. Qual não foi minha surpresa quando ao retornar, às 11h15, ela ainda esperava. Aguardamos por mais uma hora quando notei a formação de uma nova fila, a qual, me informaram, era formada pelos pacientes agendados para o turno da tarde, sendo que os pacientes da manhã ainda estavam lá. Às 13h, minha irmã se dirigiu ao balcão de informações uma vez mais a fim da saber da médica. Lá informaram que ela não mais retornaria e que era possível reagendar a consulta.

Devo confessar que o descaso com os pacientes, a falta de respeito do profissional da saúde para com a população me entristeceu e revoltou. Se a médica tivesse informado que não atenderia antes de iniciar o procedimento com o colírio, eu até poderia entender, afinal, apesar de morar fora, não esqueci os problemas estruturais de nosso sistema de saúde pública. Na minha infância via os irmãos irem dormir na fila na porta do hospital público para marcar um consulta dois a três meses depois. Mas não posso aceitar um profissional que inicia o trabalho e o deixa pela metade, especialmente porque estamos falando no atendimento a pessoas, e pessoas sofrendo com doenças. Isso é mau exercício da profissão, passível de severa punição (aqui faço uma pausa para explicar que não citarei o nome da respectiva médica atendendo a um pedido de minha mãe que, apesar de ter sido abandonada, teme que a mulher que deixou a ela e outras pessoas no corredor por horas, perca o emprego. E, com isso, só posso admirá-la ainda mais).

Felizmente, podemos pagar atendimento particular e minha mãe passará por cirurgia emergencial nos próximos dias, em excelentes condições profissionais. Mas e os outros brasileiros que não podem pagar por um atendimento diferenciado? A Constituição reza que todos somos iguais e temos os mesmos direitos. Na prática, sabemos que isso não acontece. E é só por isso que compartilho esse pequeno drama pessoal. Porque se nos calarmos sempre, nada nunca vai mudar. E o Brasil e os brasileiros merecem que o país mude para melhor”.

O noticiário político-policial informa que os assaltantes de cofres públicos não se constrangem com nada. Espalhada por todas as ramificações da máquina administrativa, a bandidagem apadrinhada pela aliança governista transforma o clã em quadrilha, ensina o filho a roubar desde criancinha, reduz a mulher a comparsa, carrega pilhas de cédulas em malas, meias ou cuecas, desvia a verba dos flagelados ou o carregamento de remédios, tunga o dinheiro da merenda escolar, pendura o neto em cargos de confiança, passeia de jatinho com a mãe ou a sogra, inventa consultorias, estupra sigilo bancário, curra sigilo fiscal, cria empresas de fachada, usa o jardineiro como laranja, vende gado inexistente, mente compulsivamente e, se o perigo é muito, queima o arquivo.  Para viver como o diabo gosta, faz coisas de que até Deus duvida.

A turma que tudo se permite só não admite ser algemada. Com os braços provisoriamente imobilizados, punguistas patológicos incorporam a figura do chefe de família respeitável: o que é que vou dizer lá em casa?, parece perguntar a expressão envergonhada. Não é possível tratar como criminoso comum um delinquente da classe executiva, berram advogados e padrinhos. Não há limites para a roubalheira, mas é preciso impor limites às ações da Polícia Federal.

O berreiro dos culpados revela que eles só têm medo de algemas. Bom saber. Já que argolas de metal são a única coisa capaz de reavivar o sentimento da vergonha, já se sabe o que fazer para produzir os mesmos efeitos causados pelo velho e infalível “Olha o rapa!”. Basta que os brasileiros honestos, sempre que toparem com qualquer integrante da multidão de assaltantes, gritem a palavra-de-ordem medonha:

ALGEMAS PARA TODOS!

A resposta é dada pelo jornalista Celso Arnaldo Araújo na seção O País quer Saber.

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Blog Reinaldo Azevedo

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