O câncer de Dilma ajudou a elegê-la; o de Lula o fez tomar de volta o mandato. Voltou a ser o presidente de fato do Brasil

Publicado em 03/11/2011 18:33 e atualizado em 10/03/2020 01:24 1086 exibições
por Reinaldo Azevedo, em veja.com.br

O câncer de Dilma ajudou a elegê-la; o de Lula o fez tomar de volta o mandato. Voltou a ser o presidente de fato do Brasil

Eu tenho, vocês já repararam, uma enorme preguiça dessa história de ranking de IDH etc e tal. Por motivos certamente diferentes dos de Lula. Vejo uma enorme salada de conceitos. Um caso ilustra bem o imbróglio. Há uma leitura demonstrando que países que produziram mais gases do efeito estufa acabaram tendo uma elevação no IDH, mas, adverte o estudo, isso vai até o ponto em que começa a acontecer o contrário, e a vida passa a piorar. Qual é o ponto ótimo? Vai saber. Trata-se de uma cascata incompreensível. O que sei, isso me parece pacífico, é que, sem desenvolvimento, tende-se a morrer de fome. Adiante.

Agora prestem atenção ao que segue. Volto em seguida.

Lula ficou “iradíssimo” com posição do Brasil no ranking do IDH, diz ministro

Por Tânia Monteiro, no Estadão Online:
O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou “iradíssimo” e classificou como “injusta” a avaliação do estudo realizado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) que pôs o País em 84º lugar entre 167 países, com avanço do Brasil em apenas uma posição na classificação no Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), do ano passado para cá. Lula e o governo criticam o método usado desde o ano passado pelo PNUD para o estudo, que mostra que o Brasil subiu apenas quatro posições no ranking e questionou o órgão em relação à metodologia.

A queixa e o desabafo do ex-presidente e do governo foram transmitidos pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, durante um seminário de cooperação entre Brasil e Itália, no anexo do Palácio do Planalto. Para Carvalho, a reclamação contundente do ex-presidente Lula é sinal de que ele continua acompanhando atentamente tudo que está acontecendo no País e “é uma prova de que ele está muito bem de saúde”.

Depois de comentar que Lula falou que o governo “precisa reagir” aos números apresentados pelo PNUD, Gilberto Carvalho esclareceu que já havia uma reclamação da metodologia adotada desde os dados apresentados no ano passado. Carvalho queixou-se que “os números das instituições brasileiras (do governo brasileiro) não foram utilizados” para se chegar ao IDH apresentado no estudo. Ele ressalvou que entende que é preciso ter respeito e cautela nesta questão e que “tem uma questão de metodologia do PNUD”, e defendeu que “vale a pena uma discussão em torno da metodologia que é usada”.

“Nós temos consciência de que nossos indicadores sociais cresceram e seguem crescendo. Mas nós não queremos entrar em uma polêmica sobre isso”, disse Carvalho, explicando que o ex-presidente ficou preocupado com a primeira visão que houve. “Estamos colocando ele a par de tudo que houve, de todo o processo. Para nós o importante é que o Brasil continua, em um ritmo mais lento, ou mais rápido, em uma linha de diminuir as suas diferenças sociais”.

Questionado se a maior queixa de Lula em relação ao PNUD era o fato de o Brasil ter subido apenas um ponto no ranking de IDH, Carvalho respondeu: “É por todo o esforço que temos feito, e então ele questionou a metodologia”. Gilberto Carvalho lembrou que “no ano passado já tinha havido uma contradição grande porque o PNUD havia mudado a metodologia sem nos avisar e aí houve uma queda em não sei quantos pontos”. O ministro Carvalho se referia ao estudo de 2010 que dizia que, com desigualdade, o IDH do Brasil caiu 19%, de acordo com a nova metodologia do PNUD.

Para a apresentação deste novo estudo, reconheceu, “houve um comportamento diferenciado” e houve diálogo com o PNUD anteriormente e o governo não quer criar “nenhuma confusão ou briga” com o órgão. Mas ressalvou: “Só temos ainda divergências quanto ao método, mas aí é uma questão técnica e que os nossos técnicos se sentarão com o PNUD para fazer a discussão adequada. Para nós, o importante é que nós continuaremos investindo para que a diminuição das desigualdades prossigam e que sejamos cada vez mais um país menos desigual”.

Voltei
Se faltava alguma coisa para Lula voltar a ser tratado como presidente, não falta mais: a doença. Em muitos aspectos, o câncer de Dilma ajudou a elegê-la. Foi um fator importante, como sabe qualquer especialista em eleições. E, agora, o câncer de Lula arranca da mão dela o galardão. Em vez de a presidente reclamar, quem se manifesta é o ex, que se torna mais atual do que nunca.

A reclamação, em que pese eu não dar muita bola pra esse troço, é absurda. Rankings são dados comparativos. O Brasil pode ter melhorado segundo os critérios dados, mas outros podem ter avançado ainda mais.

Mas eis aí: voltamos a ter o homem que fala aos brasileiros e ao mundo em nome do Brasil. Lula reassumiu a Presidência da República.

Por Reinaldo Azevedo

Meu pai se tratou de câncer no SUS. Parem de atacar o povo brasileiro, senhores colunistas e políticos da situação e da oposição!

É asquerosa a campanha que setores da imprensa, correntes na Internet e políticos da oposição e da situação começaram a fazer contra o povo brasileiro. Considerar uma ofensa a Lula a sugestão de que recorra ao SUS, ainda que não tenha obrigação nenhuma de fazê-lo, é admitir que o serviço é, então, ruim e que, por isso, está muito abaixo daquilo que o ex-presidente merece. Definitivamente, incorpora-se à mentalidade brasileira a idéia de que o país tem uma aristocracia que não pode estar submetida às mesmas regras e condições do homem comum. Pela enésima vez: o petista tem o direito de se tratar onde quiser e de comprar o serviço que seu dinheiro puder pagar. Não está obrigado a recorrer ao serviço público. Mas considerar a sugestão um “ataque”? Não dá! Ou é vigarice ou é covardia.

Como diria o Apedeuta, falo isso “de cátedra”. Meu pai se tratou de câncer no SUS. Peço vênia aos petistas, ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e agora ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) — solidários com Lula contra “o ataque” que não houve —, mas eu, de fato, não considero que o ex-presidente ou os senhores políticos sejam moralmente superiores ao meu pai e estejam imunes à simples sugestão de que recorram ao serviço público de saúde.

Tenham mais respeito com o povo! Meu pai era um homem digno, ora essa! ESSA REAÇÃO OBSCURANTISTA E DISCRIMINATÓRIA SÓ NÓS DIZ QUE VAI DEMORAR MUITO, TALVEZ A ETERNIDADE, PARA QUE O PAÍS SE TORNE REALMENTE UMA REPÚBLICA. Pior: no que diz respeito ao tratamento de câncer e ao SUS, as coisas se embaralham. Por quê?

Conversei com médicos da área, alguns ligados à saúde pública. Eles me dizem que, uma vez diagnosticada a doença e depois que o paciente consegue chegar a um centro de referência de combate ao câncer — seja público, seja uma fundação, seja um ente privado conveniado —, o tratamento costuma ser digno. O do meu pai foi. Não parece ter-lhe faltado nada do que era tecnicamente desejável, já lá se vão 15 anos desde o diagnóstico — infelizmente, ele morreu em 2000.

A maior dificuldade não está no tratamento, mas no fechamento do diagnóstico. Aí, sim, o calvário é grande. Marcar a primeira consulta demora uma eternidade, outra até que se consigam fazer os exames de imagem, depois há a necessidade da biópsia, e lá se vai mais um tempão… Quando o paciente finalmente chega à fase dos procedimentos, já pode ser tarde. Com o resultado da biópsia na mão — e falo daquele que foi, para todos os efeitos, o chefe do SUS por oito anos —, Lula poderia ser tratado com dignidade no sistema. Entenderam onde está o busílis? É na capilaridade do sistema.

Política
Mas eu não vim aqui para falar sobre saúde, não! O meu principal interesse continua a ser a política. Nesse particular, vivemos realmente dias excepcionais, no sentido mesmo da palavra: de exceção! Até agora, não vi ninguém com coragem de chamar as coisas por seu nome: “Olhem aqui, Lula não vai para o SUS porque aquilo não é pra ele”. Em vez disso, políticos e jornalistas preferem fantasiar.

Na Folha de ontem, o colunista Ricardo Melo fez um raciocínio realmente fabuloso. Escreve:
“Entre os que acusam Lula de falar uma coisa e de fazer outra ao tratar o câncer no hospital Sírio-Libanês, existe uma parcela imensa que simplesmente destila ódios partidários, preconceitos ideológicos e ressentimentos pessoais. Não houve pesquisa a respeito, até porque essa turma adora a sombra do anonimato. Caso tivesse acontecido, provavelmente veríamos que a grande maioria está bem de vida. No íntimo, protestam por considerar Lula representante daquela gente diferenciada destinada a definhar em macas ao relento, longe do conforto de quartos individuais.”

Ricardo Melo não só “intui” qual é o perfil das pessoas como ainda conhece o seu íntimo. É o colunista onisciente. E, nota-se, é um profundo conhecedor da alma daqueles de quem discorda. É o tipo de debate que ele, Melo, vai ganhar sempre porque, na sua imaginação, seu adversário dirá sempre uma boçalidade facilmente contestável. Quem, em sã consciência, consideraria o hoje milionário Lula um representante da “gente diferenciada destinada a definhar nas macas”? Notem: essas pessoas, que ele caracteriza como adversárias do PT, são más, são perversas, são insinceras, querem que Lula morra. Mas ele admite haver um outro grupo. Leiam.

“Mas há também quem, de forma sincera, embora confusa, externe uma frustração legítima. Muitos são eleitores que, ao votar no PT e conduzir um metalúrgico à Presidência, esperavam mudanças radicais após anos de descaso de gestões tucanas e assemelhadas diante da tragédia da saúde pública. Como qualquer cidadão civilizado, torcem pela recuperação de Lula, adoram que o ex-presidente seja bem tratado, mas se incomodam quando outros tantos são privados das mesmas atenções.”
Ah, agora entendi, Ricardo Melo. Se é um eleitor de Lula a achar que ele deve se tratar no SUS, então aí é coisa de gente sincera, bem-intencionada, embora “confusa”. Perceberam? Para Melo, não é a opinião em si que conta, mas quem a emite. Um petista que reclame de Lula no hospital de rico quer é Sírio-Libanês para todo mundo; já um antilulista quer o hospital só para si. Petistas, ou esquerdistas, têm, como a gente vê, o monopólio da bondade, da virtude e da caridade. Foi assim que a esquerda matou milhões de pessoas e ainda reivindica para si a herança do humanismo. Suas intenções sempre foram boas… Para não deixar passar: o autor fica desafiado a provar que a saúde pública, sob a gestão tucana, foi marcada por “anos de descaso”. É simplesmente mentira! Nota à margem: em seu texto, ele prefere não confrontar Lula com suas próprias palavras quando o assunto é saúde pública.

Foi ao ponto
Talvez Ricardo Melo não tenha clareza de quão esclarecedor foi seu texto. Desde o começo, eu andava desconfiado de que setores da imprensa e da vida pública estavam empenhados em deslegitimar e invalidar a opinião de amplas camadas da sociedade, como se fossem seres destituídos do direito de se expressar porque essencialmente egoístas, maus, preconceituosos. A mensagem do texto é uma só: os que estão com Lula têm o direito de criticá-lo, ainda que isso possa ser um erro. Os que não estão são apenas portadores da má fé.

São dias bicudos. A torcida pelo insucesso de qualquer doente amesquinha a alma do torcedor — e eu sei do que são capazes os feios, sujos e malvados. Fujam disso! Mas não abram mão, em razão de constrangimento de qualquer natureza, de dar uma resposta à manipulação.  Já sabemos que “eles” têm o monopólio da virtude, do bem e da caridade. No ritmo em que vão alguns oposicionistas oficialistas, logo os petistas terão também o monopólio da política. Deixemos claro a uns e a outros como pensam os homens livres. A agenda vencida dos dois grupos não interessa.

Lula pode pagar um hospital que meu pai não podia. Que colha os melhores frutos e se cure! Mas, caso viesse a se deitar na mesma cama em que meu pai deitou um dia, estaria no leito antes ocupado por um homem decente. Não lhe seria uma ofensa, mas uma honra — para quem se deixa honrar pelos honrados.

Parem de atacar o povo brasileiro, senhores colunistas e políticos da situação e da oposição! O SUS não foi feito para humilhar ninguém, especialmente o povo, que sustenta o circo.

Por Reinaldo Azevedo

O futuro de Lula e Dilma

Embora ainda seja muito cedo para avaliar o futuro de Lula após a descoberta do câncer de laringe, no Congresso as especulações já começaram. Um deputado governista avalia que Dilma Rousseff viverá fortes emoções até 2014, caso Lula permaneça fora da política. Diz o deputado:

– Sem Lula, ou Dilma vai ficar tão forte que será imbatível ou nem vai participar da eleição.

Por Lauro Jardim


Sarkozy: “Nós amamos o Lula”

Sarkozy: apoio a Lula

Ao final do seu discurso hoje no G20 e antes de passar a palavra a Dilma Rousseff, Nicolas Sarkozy mandou essa:

- Nós amamos o Lula.

Por Lauro Jardim


Homenagem a Lula na Câmara

PT vai lembrar Lula no plenário

Paulo Teixeira está mobilizando a bancada petista para realizar uma grande homenagem a Lulano plenário da Câmara na próxima semana. Dilma Rousseff, claro, também será lembrada pela bancada. Diz Teixeira:

– Estamos preparados e vamos votar fechados a favor da DRU.

Por Lauro Jardim


03/11/2011

 às 18:50

DOIS FLAGRANTES DE COMO AGEM BANDIDOS ENCAPUZADOS! LEI NELES!

A USP divulgou dois vídeos em que os violentos Remelentos & Malfadinhas, os leninistas do sucrilho com toddynho, invadem a reitoria. Vejam vocês mesmos e pensem se essas são ações compatíveis com a democracia e com o estado de direito. Muitos deles levam na mão um porrete. As gravações cessam quando quebram as câmeras. Assistam. Volto em seguida.

Ou bem apostamos na democracia e no estado de direito ou bem apostamos na ditadura. Essas pessoas têm de ser retiradas da reitoria com o auxilia da Justiça e da Polícia, mas as coisas não podem parar por aí.

É preciso estabelecer desde já uma força-tarefa, composta de autoridades da universidade, da Segurança Pública, do Ministério Público e da OAB para que se faça a devida identificação dos invasores, que têm de responder civil e criminalmente por seus atos. Tudo dentro da mais legítima legalidade, sem violência — embora eles queiram, como a gente nota, o confronto. Há no comando dessses infelizes gente doida o bastante para tentar produzir um cadáver na USP. Ou melhor: OUTRO CADÁVER. Os outros bandidos, aliados dos encapuzados, já mataram um aluno. Mas aquele era só um rapaz que estudava de fato. Jamais viraria herói de vagabundo.

Se esses caras e essas caras sem cara não arcarem com o peso legal de suas ações, voltarão a depredar o patrimônio público em breve. Mais: a USP tem um estatuto, que não abriga esse tipo de comportamento.

Isso nada tem a ver com democracia. Eles odeiam o regime democrático. Só por isso escondem o rosto e não o expõem ao estado de direito.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 17:09

“NÃO ENTENDI NADA, MAS ADOREI”, COMO DIRIA GABRIEL, O DESPENSADOR

A professora Ana Fani Alessandri Carlos, da geografia da USP, é aquela senhora que costuma apoiar tudo quanto é invasão, protesto, greve etc. Em suma: se é para parar a universidade, podem contar com ela. Já lhe dediquei dois posts:este, publicado anteontem, e um outro, no dia 24 de junho de 2007.

Ela costuma cometer textos expondo o seu, digamos assim, pensamento. Expressa-se numa língua muito parecida com o português. A gente tem a ilusão de que vai entender alguma coisa, mais ou menos como quando ouvimos russo… No primeiro link, há a íntegra de sua mais recente obra. Leiam este trecho:

“A cada passo as sucessivas gestões parecem perder pouco a pouco sua legitimidade para levar a universidade para o futuro, prolongando uma história de conquistas tanto no plano do conhecimento da realidade brasileira - agora comprometido pelo tempo veloz com que precisamos produzir textos,artigos, orientações, patentes, etc- quanto no cenário político brasileiro em sua luta contra a ditadura.”

Como diria Gabriel Chalita, “não entendi nada, mas adorei”. Ou melhor: entendi alguma coisa. Fani parece estar reclamando de sobrecarga. Segundo ela, os professores da USP estão obrigados a produzir demais, coitados, numa velocidade excessiva. É… A presença esmagadora dos intelectuais brasileiros nas revistas e fóruns internacionais de ciência demonstra isso.

Ela reclama até do “tempo veloz com que precisamos produzir textos”. Deus me guarde! “Tempo com que precisamos…”? Que língua será essa?  Nesse caso, suponho, ela não estava com pressa. Dada a importância de sua causa, produziu o seu melhor.

Fani está, atenção!, formando professores de geografia, que, depois, darão aulas para nossos filhos e netos.

Ousada, ela encerra assim o seu artigo:
“Que projeto vislumbrar? Que futuro podemos construir? Sem dúvida o coletivo desta grande universidade precisa apontar novas possibilidades e caminhos mirando o futuro, mas aprendendo com nossa  história…..”

Não sei o que significa esse monte de pontinhos antes das aspas. Reticências não são… “Que futuro podemos construir?” Com Fani, o futuro é só uma história do passado.

PS - E não venham alguns bobinhos me dizer que estou demonizando a mulher. Quem vem a público expressar um “pensamento” que diz respeito a uma questão também pública se expõe a críticas, não?

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 16:40

Posso defender só um pouquinho de “tortura” para os invasores da USP?

Eu ando perverso esses dias. Ainda acabo denunciado pela Anistia Internacional e pela Human Rights Watch… Já sugeri que os fascistas encapuzados da USP sejam obrigados a ler um texto inteiro da tal professora Fani, encontrando a idéia principal. Mais: teriam de ser obrigados a vertê-lo para o português. É uma maldade, eu sei. Talvez esteja além do sofrimento a que um ser humano possa ser exposto. Mas eu tenho esse lado mau, por mais que tente me livrar dele.

Agora me ocorre uma outra coisa violentíssima, que deixaria aquela gente traumatizada pra sempre. Tão logo saiam da reitoria, deveriam ser obrigados a se vestir, um único dia ao menos, com roupas do povo, de uma dessas grifes populares, freqüentes nos trens, ônibus e metrô. Nada de GAP e Ray-Ban.

Isto mesmo: teriam de se vestir como “trabaliadores” (como estava naquela faixa) e desfilar entre os seus colegas.  Desculpem ser tão malvado! No auge da minha perversidade, penso que esses vagabundos deveriam ganhar a vida trabalhando, como fazem as pessoas honestas que sustentam a USP, que eles depredam.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 16:22

Marta esmagada: a metódica e disciplinada amoralidade

Essa história de a namorada de José Dirceu “contar para amigos” que ele chorou ao saber da doença de Lula — a primeira vez em dez anos… — é mais uma evidência de que o PT é uma máquina fantasmagórica, que não poupa nada nem ninguém. Querem outro exemplo?

A pré-candidatura de Marta Suplicy à Prefeitura de São Paulo já andava pelas tabelas. Ela vinha sendo impiedosamente massacrada por Lula, que lhe ia surrupiando os apoios, submetendo-a ao ridículo e ao isolamento. Lula já havia decidido que o candidato seria Fernando Haddad. E ponto final. Os vogais do PT na grande imprensa chamam isso de “modernização” do partido. Vale dizer: um homem impor um candidato na base do dedaço virou coisa “moderna”.

Haddad surrupiou de Marta até a criação dos CEUs. Disse que teve papel fundamental na criação das escolas quando na Secretaria de Finanças da gestão Marta. É um espanto!

Pois bem: na voragem do anúncio da doença de Lula — tratado como chefe de estado e líder das Esferas —, Dilma deu o golpe final: “Desista, minha filha!” Se as chances da senadora eram próximas a zero numa eventual prévia contra o indicado de um Lula saudável, imaginem contra um Lula doente.

Goste-se ou não do modo eles operam — eu detesto, como todos sabem —, o fato é que são metódicos e disciplinados em sua absoluta amoralidade.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 15:48

Quando Zé Dirceu chorou. Ou: TENHAM COMPOSTURA E VERGONHA NA CARA, POR FAVOR!

Daqui a pouco será preciso editar um “Manual do Decoro para Quando Autoridades Declararem que Estão com Câncer”. Agora é José Dirceu quem decidiu demonstrar que pode ser um homem terno

Eva, a “companheira” que é companheira de Dirceu, informa a coluna de Mônica Bergamo, “disse a amigos” que “viu o namorado chorar”, pela primeira vez em quase uma década, ao saber da doença de Lula. A fórmula “disse a amigos” foi consagrada pelo colunismo de notas como sinônimo de “disse a mim, mas vou fazer de conta que não foi”.

Informa ainda a coluna:
“José Dirceu e sua namorada, Eva, passaram o dia das bruxas na pousada Triboju, em Fernando de Noronha, fechada para eles e outros 25 amigos. O grupo, na verdade, comemorou o aniversário dela, que pesquisa a mudança do ciclo lunar para escolher o local da celebração. Os donos da pousada, Ricardo e Durval Lelys, do Asa de Águia, deram as diárias de presente aos convidados de Eva. Foi lá que souberam do câncer de Lula.”

Entendo
Pensem um pouquinho: qual é o objetivo de “vazar” uma informação como essa? Demonstrar que Dirceu é um amigão do peito de Lula, seu amigo de fé, irmão, camarada, quem sabe o… Bem, paro por aqui nas especulações.

A falta de decoro envolvendo a doença de Lula não me espanta. Essa gente não é mais decorosa na saúde e na alegria; não teria razões para sê-lo na tristeza e na doença.

Homens públicos que realmente choram uma dor privada mantêm privada a sua dor. Ponto! O resto é exploração política asquerosa. Dirceu está pegando carona na doença do “companheiro”. Para uma comemoração do Dia das Bruxas, vá lá, faz sentido.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 15:11

USP entra com pedido de reintegração de posse. Autoridades, façam o que tem de ser feito: uspianos e paulistas estão com a lei democrática, contra os fascistas encapuzados!

A CBN informa que a Universidade de São Paulo (USP) já entrou na Justiça com o pedido de reintegração de posse do prédio da reitoria, que foi invadido por um grupelho de supostos estudantes, com o apoio da direção do Sintusp, o sindicado dos funcionários da USP. Em outra entrevista, à Rádio Estadão, o competente reitor da universidade, João Grandino Rodas, disse o correto, a saber:
“O convênio com a PM foi aprovado pelo Conselho [da USP] não só em tese como nos seus próprios termos. Esse convênio pode ser aperfeiçoado e deve ser aperfeiçoado. (…) É importante lembrar o seguinte: a Constituição Federal é que dá à Polícia Militar o poder de polícia em todo o território nacional. Portanto, vamos imaginar que, mesmo em tese, [o convênio] fosse revogado. (…) Seria preciso haver uma mudança constitucional, que, em tese, é possível, embora muito improvável, para que se retirasse da Polícia Militar o poder que ela tem de controlar todo o estado de São Paulo. E, obviamente, a Cidade Universitária, feliz ou infelizmente, não se sabe, é um território autônomo, mas não é um território soberano, que possa ditar as suas próprias regras.”

É isso aí. Corresponde, no que concerne ao aspecto legal, ao que tenho dito permanentemente aqui. A PM não atua ou deixa de atuar dentro do campus por vontade desse ou daquele. Por mais que os revolucionários do sucrilho e do toddynho — não quer dizer que não sejam violentos — queiram, não podem revogar a Constituição.

O reitor diz que, “feliz ou infelizmente”, a USP não é um “território soberano”. Usa só um artifício retórico. FELIZMENTE ela não é!!! Depois que a polícia passou a atuar dentro do campus, os números são estes:
- furtos a veículos - queda de 90%;
- roubos em geral - queda de 66,7%;
- roubos de veículos - queda de 92,3%;
- lesão corporal - queda de 77,8%;
- seqüestro-relâmpago - queda de 87,5%.

Acho que dá para saber quem, além dos extremistas de esquerda que usam GAP, não quer a PM no campus: os bandidos.

Façam o que tem se ser feito reitor, governador, Justiça e Polícia! Os uspianos e os paulistas estão com a lei.

Os veículos de imprensa que eventualmente apoiarem invasores podem oferecer suas próprias sedes para a “Primavera do Narcotráfico”. AFINAL, SE  O QUE É DE TODOS PODE SER PRIVATIZADO POR ALGUNS, COMO FAZEM HOJE OS FASCISTAS, O QUE É APENAS DE ALGUNS PODE FICAR SOB O CONTROLE DAQUELES QUE SÃO ESTUPIDAMENTE RECONHECIDOS COMO REPRESENTANTES DE TODOS, NÃO?


Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 6:57

LEIAM ABAIXO

Por Reinaldo Azevedo
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03/11/2011

 às 6:47

Quando a democracia começa a incomodar o colunismo político, a democracia pode estar precisando do Sírio-Libanês ou do Einstein… O SUS não resolve!

Sempre que alguém decide agredir a democracia ou submetê-la à canga de um líder ou de um partido, eu sou tomado por uma obsessão, para usar uma palavra que é do gosto de Lula: reafirmar os valores democráticos. Assim, eu lhes trago outro vídeo em que o então presidente da República fala sobre saúde. Trata-se do discurso que ele fez há exatos dois anos, no dia 3 de novembro de 2009, no 9º Congresso Brasileiro de Saúde Coletiva, em Olinda. É aquele em que diz que vai tentar convencer Barack Obama a criar o SUS. Vejam. Volto depois.

Voltei
Mais uma vez, antes de comentar o vídeo, algumas considerações importantes.O Brasil vive já há alguns anos sob o signo de um misto de censura e mistificação. E esse monstrengo antidemocrático é encarnado pela figura de Lula. Só por isso algumas pardalocas desarvoradas chegaram a pedir censura na Internet para que as pessoas parassem de dizer aquela “coisa horrível”, “aquela baixeza”, “aquela canalhice”. E o que era essa coisa tão terrível? “Vai se tratar no SUS, Lula!” Acho que o texto que escrevi ontem diz boa parte do que tem de ser dito a respeito.

“Fascistas” são aqueles que consideram “ofensivo” que se possa oferecer a alguém como Lula o que é oferecido ao povo. Não! Eu não acho que ele esteja moralmente obrigado a se tratar no SUS, reitero! Afirmar, no entanto, que tal sugestão é uma “ofensa grave” — a maioria dos portais da Internet cortou comentários com esse teor!  corresponde a ignorar as palavras do próprio petista.

A estupidez foi longe! Leio aqui e ali que Lula colaborou com a “transparência do poder” ao admitir a sua doença e permitir que os médicos concedessem uma entrevista coletiva. Uau! Definitivamente, o homem foi alçado à condição de condestável da República. Eu nem sabia que ele estava no poder! Considerava, na minha santa inocência, que a presidente era Dilma Rousseff. Para mim, o Apedeuta era só o seu antecessor. Notaram o que está em curso? Todo o tratamento dispensado à questão e a mise-en-scène preparada por sua assessoria simulam, com efeito, as agruras de um chefe de estado, de um líder mundial, que ombreia com o próprio papa. Não por acaso, a turma que cuida de seu marketing pessoal se encarregou de tornar pública uma falsa nota de apoiode Bento 16. Isso não quer dizer que o chefe da Igreja Católica não o apóie ou não ore por ele, é evidente.

Há muito tempo setores da imprensa procuram proteger Lula de si mesmo, de sua história, de suas próprias palavras, o que ajudou a criar o mito e a espalhar mistificações. A figura do notável comunicador “que veio de baixo” — e isso parece suspender o juízo de muitos, o que é uma forma de preconceito às avessas  faz com que muitos ignorem suas bobagens, parolagem e incongruências. E ai daquele que decidir apontá-las! Só pode ser por preconceito! Se Lula já era um super-homem quando saudável, tende a se tornar, doente, um guia espiritual. Caso se cure, o que é o mais provável (continuo a rezar por ele, enquanto petralhas pedem ao capeta que me leve), vira herói; caso se dê o pior, mártir. Bom católico, neste nosso mundo aqui, só sei lidar com pessoas. Deus pertence a outro domínio. DOENÇA NÃO É CATEGORIA DE PENSAMENTO. TAMBÉM NÃO FAZ DE NINGUÉM UM FILÓSOFO. TAMPOUCO MELHORA BIOGRAFIAS.

E por que tantos se ajoelham no milho para demonstrar que sempre reconheceram os méritos sobre-humanos do petista? Porque são reféns morais e ideológicos do PT e temem as hordas da Internet. Não sou nem temo. Rezo, sim, por ele. Não acho que “mereça” ficar doente. Isso é uma ignomínia  essas palavras corrompem a alma de quem as pronuncia. MAS CONTINUAREI A TRATAR LULA COMO UM ACONTECIMENTO DESTE MUNDO! Não é o ungido, não é o Filho de Deus. Ainda que ele próprio possa ficar chocado com a revelação, não é… Deus!

Agora o vídeo
Eu continuo tentando entender por que tantos ficaram tão “chocados” com o “Vai se tratar no SUS, Lula”. Por que insistem, afinal, em ignorar a pregação do próprio mestre? Segue a transcrição da fala em vermelho no vídeo que está lá no alto , com comentários meus em azul.

(…) na questão da saúde, muitas vezes, nós fazemos uma discussão, eu diria, equivocada ou menor do que o tema da saúde precisa que seja feita. Muitas vezes nós discutimos problemas menores, nós não damos importância necessária a um direito elementar que é o de todos os brasileiros terem direito a uma saúde de qualidade.
É uma tática antiga de Lula, desde os tempos de sindicalista: anunciar que vai dizer algo inédito, um aspecto no qual ninguém pensou. E qual é? “A saúde é um direito elementar!” Uau!!!

Eu, vira e mexe, participo de debate em que as pessoas falam: “O Estado não serve para nada. Eu, para ter saúde, pago o meu plano médico”. Só que essa pessoa que paga o plano médico, quando declara o Imposto de Renda, restitui uma grande parte do que pagou. Portanto, é o Estado que garante para ela a assistência médica. E assim vale para outras coisas.
É um argumento fraudulento, estupidamente fraudulento. A verdade é o exato oposto. Começa que não existe “restituição” porcaria nenhuma, mas dedução. E ela se deve ao fato justamente de todo brasileiro pagar impostos para ter a saúde que não tem. Mais: à medida que milhões recorrem ao setor privado de saúde, isso desonera o setor público. Ou não? É que Lula só conhece uma linguagem: a do confronto. Sempre opera na lógica do “nós” contra “eles”. Nesse caso, quer jogar quem não tem plano privado de saúde contra quem tem. Reparem na mudança de voz quando imita os supostos reclamantes. Ele faz uma caricatura. Atenção para o que vem agora.

Eu, por exemplo, minha querida Josefa, quando vou fazer um checkup… Porque só rico tem checkup. Rico, autoridade e gente…
Bem, sua assessoria divulgou que seu plano de saúde vai pagar os serviços do Sírio-Libanês, onde ele fez checkup. Não sendo mais autoridade, então é rico, certo?

Porque quando eu vou fazer um checkup, nenhum médico pergunta para mim: “Ô, Lula, você está sentindo isso? Você sente isso. O que você passou ontem?”. É uma máquina, uma fileira de máquina. Máquina um, deita; máquina dois, levanta; máquina três, faz; e máquina quatro, vai. É como… Não, obviamente que tudo chique, tudo necessário. Mas eu me sinto o próprio Charlie Chaplin, naquele filme “Tempos Modernos”. Entra… Você não tem contato, não tem mais a figura daquele companheiro que pergunta: “Escute aqui, você tem dor de barriga? A sua barriga incha, seu pé dói, sua cabeça dói?”. Não tem. Hã, Humberto?
Vejam que, a um só tempo, elogia as máquinas “chiques”, a que a esmagadora maioria dos brasileiros não tem acesso, mas o faz sugerindo que o tratamento está desumanizado, sem aquele “companheiro” médico para dar assistência ao doente. Por alguma razão que não entendi, a platéia urra de felicidade.

Eu falo isso porque eu vivi os dois lados. Eu sei o que é esperar sentado, com a bunda em um banco de um balcão de hospital, três ou quatro horas ou cinco horas, e, às vezes, depois que a gente está lá, dizem: “O médico não está”. Eu sei o que é isso e sei o lado do atendimento vip que tem um Presidente da República, eu sei os dois lados.
Lula também tem atendimento vip, como sabemos, mesmo sendo ex-presidente — e, por isso, não foi para o SUS. Um dos truques prediletos do petista é o tal “argumento de autoridade”. Ele sempre sabe tudo. Tem autoridade para falar como pobre — e, portanto, ninguém pode ocupar esse nicho. E agora sabe como vive um rico. Na verdade, ele é um homem rico.

Então, neste assunto eu falo de cátedra que ainda falta muito para que a gente possa dar às pessoas mais humildes o tratamento respeitoso que todo ser humano precisa ter no mundo. E aí, obviamente que precisa de dinheiro. Ninguém faz saúde sem dinheiro; ninguém faz saúde. De vez em quando se fala muita bobagem de dizer: “Olha…” Tem gente que fala: “Eu vou dar…”, candidato a prefeito fala: “Eu vou dar transporte de qualidade, gratuito”. E depois percebe que não é possível. A qualidade impõe determinados custos que alguém tem que pagar. A saúde de qualidade necessita de dinheiro.
Ah, não me diga! Lula prometeu criar 500 UPAs, as Unidades de Pronto Atendimento. Entregou 91. Sua candidata prometeu entregar mais 500 — mil até 2014. Até setembro, tinha feito UMA! Só neste ano, garantiu contruir 2.175 UBSs (Unidades Básicas de Saúde). Não se tem notícia até agora. Alguém dirá. “Mas e o dinheiro?” O GOVERNO LULA, COMO ADMITE DILMA, USOU OS RECURSOS DA CPMF PARA OUTRAS FINALIDADE, QUE NÃO A SAÚDE. Não faltava dinheiro, mas competência.

E aí a sociedade como um todo tem que se autofinanciar. Veja o que o Obama está passando nos Estados Unidos com a questão da saúde. E lá tem 50 milhões de pobres que não têm direito a nada. Ah, se tivesse um SUS nos Estados Unidos, como seria bom para os pobres. Eu, na próxima conversa que eu tiver com o Obama, eu falo: “Obama, faça o SUS. Custa mais barato, é de qualidade e é universal”, porque… e veja o que ele está apanhando, porque os conservadores não querem mudar nada. Ou seja, as pessoas não querem abrir um milímetro para atender a uma parte da população que não teve direito a nada. Como eu acho que o mundo vai ter que ser cada mais solidário para que a gente possa sobreviver neste planeta, porque está cada vez mais apertado, cada vez tem mais gente e cada vez tem mais problemas, eu acho que nós vamos caminhar para uma sociedade em que a gente, de vez em quando, vai abrir mão de algumas coisas nossas para que outros possam ter acesso àquilo que a gente já tem.
Eis o Lula no seu melhor estilo. Depois de ter lembrado que, afinal, era um dos que ficavam horas com “bunda” na cadeira esperando atendimento, mostra a intimidade com Obama, mas não uma intimidade qualquer. Ele é superior. Está na condição de quem pode dar conselhos àquele, sugerindo que copie o nosso modelo, “de qualidade e universal”. Na seqüência, mais uma vez, “nós” (os progressistas) contra “eles” (os conservadores). Em seguida, fala o profeta planetário, que está pensando coisas cujo alcance é a humanidade.

(…)

Esses dias, eu fiquei indignado, porque nós fizemos uma revista bonita, do Ministério do Desenvolvimento Agrário para levar para a Europa, traduzida. E tem um casal bonito trabalhando na roça, e aparece um companheiro, uma figura humana belíssima, sorrindo, sem um dente na boca. Eu falei: “Companheiro, não é possível que a gente não… antes de tirar a foto, não mandou consertar, arrumar”. Porque tem gente que acha que pobre gosta de ser banguela. Então, essa é uma coisa que nós ainda temos que avançar. E, muitas vezes, não basta ter dinheiro, esse é o problema, é que não basta ter dinheiro. É preciso ter um conjunto de cabeças pensantes e uma palavra nova que eu vou criar: um conjunto de pessoas executantes para que as pessoas possam dar certo. Porque, também, no País, entre você pensar e fazer fica mais fácil atravessar o Oceano Atlântico a nado e ir para a África. Não é uma coisa fácil.
A palavra “executante” pertence ao léxico; não é uma invenção. Numa coisa ele tem razão: não basta ter dinheiro; é preciso também ter competência, o que seu governo não demonstrou na saúde. Ao contrário: essa é uma área que sofreu um notável retrocesso, embora, segundo ele, o Brasil deva ser um exemplo para Obama…

Eu não discuto pessoas, mas políticas públicas. Os primeiros a prometer coisas para pensar no dinheiro depois, fazendo justamente o que Lula condena, foram os petistas. Mais: ficaram durante longos cinco anos com a arrecadação da CPMF, e, como admitiu Dilma, o dinheiro foi desvirtuado. Longe da perfeição, a saúde brasileira certamente não serve de modelo para ninguém. Ainda é preciso ficar horas, meses, com, como é mesmo?, “a bunda” sentada na cadeira…

Reacionários, senhores colunistas patrulheiros e patrulhados, é usar a saúde do povo para construir uma mitologia pessoal e depois recorrer aos serviços do Sírio-Libanês. Eu, a propósito, recorro ao Einstein, mas não dou conselhos a Obama nem digo que o SUS está bem perto da perfeição. Como sintetizou Augusto Nunes, “Lula pode internar-se onde quiser, desde que pare de mentir sobre o sistema de saúde”.

Quanto ao colunismo inconformado com a democracia, resta a saída Coréia do Norte. A alternativa seria a leitura de alguns livros. Mas eu jamais cobro das pessoas o que sei que está além do seu alcance.

Por Reinaldo Azevedo

03/11/2011

 às 6:43

Para bandido, polícia! É uma regra da democracia! Ou: Revelo o meu delírio autoritário…

Estas duas fotos de Werther Santana, da Agência Estado, deram o que falar ontem no blog.

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usp-mais-invasores1Na primeira, vê-se um pobre oprimido socialista, da turma que quer entregar o poder aos “trabaliadores”, como escreveram numa faixa, com o seu blusão da GAP e os óculos Ray-Ban. Na outra, os encapuzados, à moda das Farc — faz todo sentido… — se reúnem em frente ao portão depredado da Reitoria invadida. São os revolucionários do sucrilho e do toddynho usando o dinheiros dos pápis para comprar roupas, mochilas e tênis de grife e depredando bens da universidade, sustentada com os impostos pagos pelas empregadas domésticas de suas respectivas casas, cujos filhos jamais pisarão na USP. Eis, aí, a verdadeira luta de classes brasileira hoje em dia: OS VAGABUNDOS DE ESQUERDA ESPOLIAM A DIREITA QUE TRABALHA. “Direita”? É, como eles gostam de dizer, o “povo” é mesmo reacionário…

Um analfabeto de sobrenome “Bonatelli” — se encher meu saco, publico o nome inteiro, o que certamente deixará seu pai envergonhado — me envia um comentário perguntando, na sua linguagem, “qual a porra do problema” das roupas do rapaz. Para ele, trata-se de um argumento típico “de uma adolescente que começou a estudar geopolitca” (com “t” mudo!!!). E avança: “Quem foi que disse, que sendo um jovem de família rica ele não posse (!!!) se revoltar contra o sistema capitalista ao invez de ficar cego a suas mazelas?” Quando ele escreve “invez”, ou está querendo escrever “ao invés” ou “em vez de”. Deve ser aluno da professora Fani, aquela que, segundo o excelente comentário do leitor Guilherme, se expressa em “dilmês castiço”.

Um uspiano que escreve “invez”“posse” (em vez de “possa”) e “geopolitca”nos condena à ditadura dos australopitecos — aqueles, sabem?, que se aquecerão com as páginas de Marx (ver posts abaixo). O Zé Banana, que certamente ignora o sentido da palavra “geopolítica”,  quer saber qual é o problema. Eu explico.

Um dia, “o revolucionário GAP” se cansa dessa brincadeira — porque tudo tem limite — e vai cuidar do patrimônio da família, procurando, se possível, aumentá-lo. É o que aconteceu com dezenas de “revolucionários” que conheci na USP. Já o povo, que sustenta essa farra, seu bobalhão, não terá compensação nenhuma. Ao contrário: continuará a pagar por um serviço que não utiliza. Pior: recursos que poderiam ser investidos em pesquisas — no limite, elas são um bem para todos os brasileiros — têm de ser redirecionados para consertar os estragos feitos por vagabundos, que não respeitam nem mesmo as assembléias já tão pouco representativas do DCE,  órgão de representação dos estudantes.

Entendeu o problema ou você precisa que eu desenhe? Se essa gente quer fazer revolução, que tenha a coragem de correr riscos, ora! Revolução no campus? Não querem nem mesmo enfrentar “a repressão”. Eles querem que o governador Alckmin mantenha o campus como território livre do socialismo da maconha… E tudo financiado, reitero, por suas empregadas domésticas.

Há saída?
Há! Pedido de reintegração de posse e polícia. A coisa é simples. Com autorização judicial, cerca-se o prédio, jogam-se umas bombinhas de gás lacrimogêneo (caso eles não queiram sair numa boa, claro!), os subcomandantes Marcos do Rio Pinheiros se escafedem com o rabo entre as pernas, a PM retira o pano que lhes cobre o rosto, mete todo mundo num camburão e manda pra delegacia. Deve haver alguma maneira de verificar o Número USP de cada um para que possam ser responsabilizados civil e criminalmente pelos danos causados ao patrimônio e à vida universitária.

Em seguida, é preciso entrar nos prédios invadidos, filmar tudo, cada detalhe, e expor à opinião pública, informando o custo dos reparos. A esmagadora maioria dos estudantes da USP é contra a bandidagem. As únicas forças reacionárias que a direção da universidade  e o governo têm de enfrentar são os simpatizantes da violência que estão nas redações. Aí é guerra de opinião pública mesmo! A população de São Paulo nunca viu em detalhes o que essa gente é capaz de fazer com o patrimônio de todos os paulistas.

Meu método, nessas coisas, é bem simples: bandido precisa de polícia. Chamo de bandido todo aquele que, deliberadamente, subtrai de terceiros um direito, recorrendo à força. Se a polícia fizer como estou sugerindo, estará garantindo o direito de 79.800 estudantes, contra a violência de 200 baderneiros. Ou seja: é a democracia de farda.

FASCISTA É QUEM NÃO TEM CORAGEM DE MOSTRAR A CARA PARA A DEMOCRACIA.

Tribunal de exceção
Não que eu não sonhe, cá com os meus botões, com uma coisinha, assim, mais violenta, mais arbitrária. Eu conto o meu delírio: cada invasor seria obrigado a ler aquele texto da professora Fani e escrever uma redação dizendo que diabos, afinal de contas, a mulher quis dizer. Alternativa: verter aquele troço para o português!

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 20:35

USP - A VERDADEIRA LUTA DE CLASSES BRASILEIRA É AQUELA DOS VAGABUNDOS DE ESQUERDA CONTRA OS TRABALHADORES QUE PAGAM IMPOSTOS

usp-mais-invasores

No post anterior, vocês viram o “revolucionário GAP”. Aqui, de costas, ele se reúne com seus amigos encapuzados, em outra excelente foto de Werther Santana (AE). O que vocês vêem ali é a porta da garagem da reitoria estourada. Um dia terá de ser consertada. E será com dinheiro público. Dinheiro saído dos impostos de trabalhadores cujos filhos jamais usarão GAP ou porão os pés na USP.

Esta é a verdadeira luta de classes brasileira: a dos vagabundos de esquerda contra o povo.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 20:19

A IMAGEM-SÍMBOLO DA INVASÃO DA REITORIA DA USP. OU: O REVOLUCIONÁRIO DE GAP E RAY-BAN

Uma das coisas que deixam os meus críticos da extrema-esquerda subuniveristária mais irritados é o fato de eu acusá-los de ser ideólogos formados à base de sucrilho e toddynho. Ainda hoje, afirmei que só são “revolucionários socialistas” porque os pais são burgueses por eles. Vejam esta foto de Werther Santana, da Agência Estado. Para mim, virou um símbolo da invasão. Volto em seguida.

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E aí? Viram só? O garotão é antiimperialista, certamente, mas não em matéria de “GAP”. Também não vê mal nenhum em esconder a sua face revolucionária com óculos Ray-Ban. Logo farão um competição interna: “O socialista mais gato da invasão”. Cadê a Folha que não manda a minha musa, vocês sabem quem, investigar in loco o índice de leninismo dos valentes?

Entenderam? Com o dinheiro do pápi, eles compram GAP e Ray-Ban; com o dinheiro dos desdentados, eles depredam patrimônio público. São os libertários da professora Fani, aquela que espanca a língua portuguesa sem piedade.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 19:55

UNE recebe R$ 30 milhões, mas nova sede no Rio não sai do papel

Que graça! Vejam como uma entidade estudantil, de caráter sindical, pode ser estatizada e como o dinheiro público, que a sustenta, pode ser privatizado.
Por Luciana Nunes Leal e Bruno Boghossian, no Estadão Online:

Comandada por dirigentes ligados ao PC do B desde que voltou à atividade formal, em 1979, a União Nacional dos Estudantes (UNE) ainda não tirou do papel o prédio de 12 andares que promete construir em um dos melhores pontos da Praia do Flamengo (zona sul) com os R$ 44,6 milhões a que tem direito como indenização pelos danos sofridos durante o regime militar. Embora a União tenha pago R$ 30 milhões aos estudantes em dezembro passado, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do lançamento da pedra fundamental da obra, o terreno continua intacto. Os outros R$ 14,6 milhões estão prometidos pela presidente Dilma Rousseff desde o início do ano, mas ainda não foram liberados.

Além dos R$ 30 milhões da indenização, a UNE recebeu, durante os dois mandatos de Lula, R$ 12,8 milhões da União, graças a convênios com instituições federais, inclusive o Ministério do Esporte, entregue ao PC do B desde o início do governo petista. O valor é 11,6 vezes maior que o R$ 1,1 milhão liberado nos dois governos do tucano Fernando Henrique Cardoso. Houve repasses apenas em 1995, de R$ 100 mil, e em 2002, de R$ 1 milhão.

Levantamento do site Contas Abertas, com base no Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafi), mostra que os convênios da UNE com o Ministério do Esporte renderam repasses de quase R$ 450 mil, em 2004 e em 2009. O convênio de 2009, no valor de R$ 250 mil, prevê “capacitação de gestores de esporte e de lazer”. O de 2004 somou R$ 199,6 mil, para “promoções de eventos de esporte educacional”.

O Ministério que fez os maiores repasses à UNE foi o da Cultura, somando R$ 8,5 milhões. Um dos maiores convênios, de 2009, no valor de R$ 1,459 milhão, concedeu “apoio financeiro ao projeto ‘atividades culturais e artísticas da UNE’”. No mesmo ano, foram repassados R$ 786,5 mil para “realização de shows de música popular brasileira e debates nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro”. O Ministério da Saúde, somente em 2008, repassou R$ 2,8 milhões para programa de “apoio à educação de trabalhadores do Sistema Único de Saúde (SUS)”, segundo o Contas Abertas.

Por causa dos altos valores repassados à UNE nos últimos anos, o procurador Marinus Marsico, representante do Ministério Público no Tribunal de Contas da União (TCU), pediu aos ministérios informações e cópias das prestações de contas dos universitários. Segundo a assessoria de imprensa do TCU, os esclarecimentos das instituições federais serão analisados quando o procurador voltar de férias, na próxima semana. Marinus Marsico poderá pedir mais informações, apresentar um pedido de investigação ao TCU ou encerrar o procedimento, se entender que as prestações de contas foram satisfatórias.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 19:29

Ah, não! É muito ruim!!!

Sugerem-me aí contestar certo blogueiro oficialista de pouco brilho. Até me vi tentado. Eu adoro uma briga. Por curiosidade, botei o nome do bicho no Google para saber quais são as primeiras referências que aparecem sobre seu “trabalho”. E descobri o quê? Uma das principais é justamente um pau que dei nele. Entenderam? Há uns coitados que contam comigo para aparecer. Não vale a pena.

Fosse ainda um pensamento algo requintado, que eu repudiasse, mas que trouxesse alguma inteligência, alguma referência interessante, uma análise aguda… Mas aquilo??? De vez em quando, até faço os tais vermelhos-e-azuis. Não deixam de ser uma forma de reconhecimento ao vivente.

Modéstia às favas, o meu texto de hoje sobre “Lula e o SUS” permanece “irrespondido” e, não sei, não, acho que é irrespondível. Não porque eu seja o máximo (em truco, eu sou!!!), mas porque a lógica é o mínimo com que um bípede sem bicos e sem pêlos deve operar. Se alguém ainda tem algo a dizer nessa área, tem de contestá-lo.

Assim, queridos, vou poupar os leitores daquela bobajada. Não merece contestação porque está abaixo do que pode produzir qualquer petista pé-de-chinelo. Petralhas já enviaram para cá argumentação melhor. A tese, quando fraca demais, desqualifica até o oponente.

Mereço adversários melhores.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 18:42

USP - Petistas se fingem adversários dos encapuzados, mas pretendem lucrar com a sua porra-louquice. Ou: Por um australopiteco que se aquece com folhas de Marx

Vamos falar mais um pouquinho dos primitivos da USP? Pois é… Apelando ao humor — lá vamos nós —, eu já escrevi há alguns anos o que, por meu gosto, faria com os valentes. Cercar! Ninguém entra, ninguém sai. Eles iriam lá se reproduzindo entre si… Ao cabo de cinco gerações mais ou menos, conheceríamos os nossos ancestrais… Australopitecos usando páginas de Marx pra se aquecer seriam um verdadeiro poema! Pronto! Lá vem a turma tentar me provar que esse hominídeo não é um dos nossos ancestrais nem fazia fogueira… Amigo, amigo, deita… Tio Rei está fazendo uma piada evolutivamente incorreta.

A menos que eu tenha perdido alguma coisa, os fascistas encapuzados que invadiram a Reitoria desprezaram uma instância institucional de representação dos alunos: o DCE. Mesmo uma daquelas assembléias de mil alunos (para mais de 80 mil estudantes) foi ignorada. Agora se decide invasão é com um grupelho de 100 deles mesmo… Vamos ver.

Esses ultra-radicais vivem às turras com o PT na USP, partido que já consideram “burguês” — sempre observando à margem que os extremistas costumam ter pais que são burgueses por eles, entenderam? Quase sempre, na retaguarda de um radical, há um “porco capitalista” ou um “reacionário pequeno-burguês” que trabalha… Adiante.

Eles vivem às turras, mas não pensem que o PT é inocente nessa história. Não é mesmo! Os ultra-esquerdistas lhe são úteis. Esses idiotas não têm nada a perder a não ser a idiotia, mas isso leva tempo — alguns pretendem envelhecer na USP, no movimento estudantil ou no sindicato de funcionários, comendo de graça e pregando a revolução socialista… Australopitecos de Marx na mão! Para os petistas, uma retirada à força dos meliantes mascarados caracterizaria a tal “intervenção militar” na USP, “coisa de tucanos” etc. Vocês conhecem essa cascata.

Por que digo isso? Nós fóruns ligados à universidade, nos quais a petezada está muito presente, vocês sabem qual é a pauta? Vou lhes contar. Eles reivindicam três coisas, atenção!
a) Democracia interna
É a senha para pedir eleições diretas para reitor, quase uma jabuticaba brasileira. Em todo o mundo academicamente respeitável, a reitoria é uma conquista que se deve ao mérito.
 
b) Descriminação da maconha
 
É isso mesmo que vocês leram. Junto com a “democracia interna”, fala-se em descriminar a maconha. Como sabem que essa é a) uma questão constitucional eb) uma questão legal (há códigos a respeito), fica evidente a sugestão de que a droga deveria ser permitida nos domínios da universidade. Seria um dos apanágios da “autonomia”, que eles pensam ser “soberania”.
c) Segurança própria
Sim, eles querem porque querem a PM fora da USP. Os que se pretendem mais sofisticados alegam que, se o Congresso Nacional tem segurança própria, por que a USP não pode? Quanta mentira! Quanta vigarice! Vocês sabem que eu gosto de matar a cobra e mostrar a cobra. Esse negócio de mostrar o pau é metaforicamente incorreto, embora a cobra também dê pano pra manga…

Contra o que dizem os mentirosos, nada como os fatos. Leiam esta notícia.
“A Câmara dos Deputados convocou ontem o Batalhão de Choque da Polícia Militar para reforçar a segurança, e os policiais entraram em confronto com servidores públicos que protestavam contra a reforma da Previdência, ameaçando interromper sessão da comissão que analisa o tema. Autorizados pela presidência da Casa a entrar nas dependências da Câmara, os policiais arrastaram um servidor, que acabou detido e algemado”.

O petralha já ficou assanhado: “Foi durante esse papo de reforma? Só podia ser coisa de tucano!” Epa! O episódio se deu no dia 26 de julho de… 2003!!! Dois mil e três? É… O presidente da Casa era o petista João Paulo Cunha (SP), que explicou: “Eu, como presidente da Câmara, autorizei a entrada dos policiais para garantir a segurança e a continuidade dos trabalhos.” São trechos de uma reportagem da Folha.

Quem disse que o Congresso é uma área interditada à Polícia Militar? Não é, não! Se preciso, os soldados vão à luta. Mais: como é área sob a responsabilidade da República Federativa do Brasil, a Polícia Federal também está presente, nenéns! Querem que seja como no Congresso? É mesmo? Então seria preciso armar a Guarda Universitária e lhe dar poder efetivo de polícia. Chato, né? Por enquanto, há duas coisas no Tio Rei que melhoram com o tempo. Uma é a memória. A outra não digo para não despertar inveja ou, como diria FHC, “recalque…”

Estão criando o climão
Os imbecis de extrema esquerda, com sua agenda associada ao narcotráfico, criam o ambiente de falsa conflagração — já que os mais de 80 mil continuam a levar a sua vida normalmente. Os petistas aproveitam a bagunça para se apresentar como os representantes do bom senso, o meio-termo entre dois supostos extremos: a reitoria e os invasores. Ocorre que isso é falso como qualquer discurso do PT. A reitoria não é um dos extremos. A REITORIA, NESSE CASO, É SÓ A LEI!!!

Os adversários institucionais dessa bagunça têm só uma coisa a fazer: deixar claro de que lado estão.
- Da segurança democrática ou do narcotráfico?
- Dos estudantes que estudam ou dos feios, sujos e malvados?

- Das pessoas de cara limpa ou dos encapuzados?
- Dos defensores da ordem democrática ou dos filoterroristas?

Dentro de uns dez anos, os tucanos acordarão para fazer um desagravo à USP de hoje…

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 16:54

Gravações mostram Agnelo Queiroz prometendo ajuda a PM que acusou Orlando Silva

Vocês já devem ter lido, mas fica o registro. Por Jailton de Carvalho, no Globo:
Gravações da Polícia Civil mostram que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), prometeu ajudar o policial militar João Dias Ferreira, pivô da queda do ex-ministro Orlando Silva (PCdoB), a preparar a defesa no processo em que é acusado de desviar dinheiro do Ministério do Esporte. Os diálogos, divulgados nesta terça-feira pelo “DF TV”, da TV Globo, mostram intimidade entre o governador e João Dias. Numa das conversas, gravadas com autorização judicial, Agnelo chama o policial de “meu mestre!”.

Em outro trecho, Ana Paula, mulher de João Dias, pede a Agnelo que contrate advogados para defender o policial, que acabara de ser preso por conta das acusações de desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Os diálogos foram gravados entre fevereiro e março de 2010. Ex-ministro do Esporte, Agnelo era na época diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Acossado pelas investigações, o policial recorreu a Agnelo, que, meses depois, seria eleito governador do Distrito Federal.

Numa das conversas, João Dias pede a Agnelo que oriente o professor Roldão Lima a ajudá-lo. Professor de uma escola em Sobradinho, Roldão poderia fornecer fichas de alunos para João Dias preencher o cadastro de crianças matriculadas no Segundo Tempo.

— Vou estar encontrando agora, daqui a uns cinco minutos, o professor Roldão, e aquele assunto que a gente tratou, não sei se o senhor se lembra, ano passado… - diz João Dias.
— Lembro - responde Agnelo.
O policial vai direto ao assunto:
— Eu queria o seguinte: colocar o senhor na linha com ele. Falar só um “bom dia” mesmo.
O governador aceita a sugestão:
— Vou dar um toque nele só para reforçar ele (sic) - diz.
Em outra conversa, já na companhia de Roldão, João Dias liga novamente para Agnelo.
— Meu mestre! - responde Agnelo, referindo-se a João Dias.

Para Agnelo, fita não é prova suficiente
Na investigação, a Polícia Civil documentou um encontro em que Roldão entrega uma pasta a João Dias. Semanas depois, João Dias e mais quatro pessoas, todas acusadas de desviar dinheiro do Segundo Tempo, foram presas na Operação Shaolin, da Polícia Civil. Após a prisão, Ana Paula pediu ajuda a Agnelo: “A Polícia Civil está fazendo mandado de busca e apreensão aqui em casa e tá levando o João Dias preso. Então ele pediu que eu fizesse um contato com o senhor para que o senhor, se possível, já viabilizasse os advogados para poder ajudar”, diz Ana Paula, em mensagem deixada no telefone do governador.

Em outra gravação, após uma troca informal de cumprimentos, João Dias passa o telefone para que Agnelo fale com o professor: “Tô almoçando com um grande amigo aqui. Deixa eu passar pra ele aqui”, diz o policial.

Agnelo fala então com Roldão:
- Vou combinar, falar com o João, para ir tomar um café contigo. Viu?
- Será uma satisfação. E vamos conversar, porque tem muita coisa aí que a gente precisa conversar - responde Roldão.
Agnelo disse nesta terça-feira que a fita não é suficiente para incriminá-lo:
- Mostre alguma coisa de eu pedindo alguma ilegalidade!

A deputada distrital Celina Leão (PSD) disse que o teor dos diálogos reforçará o movimento pela criação da CPI do Segundo Tempo, na Câmara Legislativa. Ela informou que já tem cinco das oito assinaturas necessárias para pedir a CPI. Ao longo da tarde, porém, 19 dos 25 deputados distritais assinaram nota de apoio a Agnelo.

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 16:31

A internação é livre, a mentira é tributada pela verdade

“Integrante da reduzidíssima elite de brasileiros providos de muito dinheiro e plano de saúde cinco estrelas, Lula tem o direito de recorrer aos serviços dos melhores hospitais da rede privada. Ao consumar tal opção, contudo, confere a todos os pagadores de impostos o direito de exigir que pare de tentar enganá-los com bravatas, lorotas ou mentiras deslavadas sobre o sistema de saúde. Há bons hospitais e profissionais admiráveis, mas até as golas dos jalecos sabem que os deslumbramentos celebrados por Lula só existem no Brasil Maravilha registrado em cartório. No país real, a busca de socorro na rede pública acaba, com desoladora frequência, na morte sem atendimento.”

É o que escreve Augusto Nunes no post “Lula pode internar-se onde quiser desde que pare de mentir sobre o sistema de saúde”.

Nas moscas!

Por Reinaldo Azevedo

02/11/2011

 às 16:05

Vão patrulhar a Coréia do Norte que os pariu!

No sábado, como vocês sabem, morreu um amigão meu, o Cotó, um cachorro.Escrevi a respeito. Fiquei realmente muito triste. Volta e meia, pego o celular para ver algumas fotos. Fico ainda emocionado, com um nó na garganta. Eu sou assim, ué. Esta é uma página que trata principalmente de política, mas é, como todo blog, uma página pessoal. Às vezes, divido com os meus parceiros, vocês!, algumas aflições. O número de comentários e a acolhida do post  Internet afora demonstram que falei a muita gente.

Pois acreditem: recebi e recebo ainda dezenas de ofensas, vindas de uma gente estúpida, obscurantista, burra, asquerosa, afirmando que eu estava dando “uma indireta” no Lula. Como e por quê, confesso, não entendi até agora. Outros ainda sustentam que eu estava sugerindo que preferia sofrer por causa de um cachorro a me condoer com a doença do ex-presidente. Um imbecil, escrevendo com certo sotaque acadêmico (ou pseudo-acadêmico), resolveu caçar no meu texto supostas alusões ao chefão do PT. Uma coisa verdadeiramente assustadora! Deve ser daquela laia que acredita que super-heróis americanos são racistas “estadunidenses”…

“Isso está realmente acontecendo?”, perguntei a Dona Reinalda, não menos triste do que eu com a morte de Cotó. Sim, chegamos, finalmente, à Coréia do Norte! Lula, definitivamente, é o nosso Kim Jong-Il. Se ele sofre, a nação sofre. E todas as dores privadas são menores, mesquinhas, indecorosas. Ou, então, Lula é o nosso Alá. Teremos sempre de evocá-lo.

Nem nas minhas piores antevisões sobre o triunfo do petismo achei que se poderia chegar tão longe. A corrente que tentaram fazer contra o meu texto sobre o… Cotó (Santo Deus!), associando-o a uma suposta crítica velada a Lula, é coisa não de sociedades abertas, onde tudo pode ser dito, mas de sociedades totalitárias. Os sentimentos particulares, as intimidades, as dores de todos nós, tudo isso perde sentido diante de uma causa. Pior: na prática, alguns ditos “colunistas” de jornais — a safra nunca foi tão miserável (essa gente não lê nem bula de remédio!), com as exceções de sempre — engrossam esse caldo de cultura ao chamarem de “ataque” toda e qualquer crítica a Lula. Que dias estes! Fazer o quê? O ódio que esses vagabundos têm ao pensamento só pode ser combatido com mais pensamento. Então vamos lá.

O PT tem vocação para partido único. Está na sua origem e na sua história. Denuncio isso há muito tempo. Não, os petistas não pretendem dar um golpe ou coisa assim. Não há mais lugar no mundo para essas viradas de mesa ou para a luta armada. A tática hoje em dia, e já é assim há bastante tempo, é outra. Os grupos que querem romper “com a velha ordem” aprenderam a usar os instrumentos da democracia contra ela própria. Há sólida teoria a respeito. O que os petistas querem? Socialismo? Não! Pretendem um país que esteja sob o seu comando. E sem oposição. Quando e se lograrem o seu intento, já avançaram bastante, a primeira vítima será a liberdade.

Os mais jovens não sabem, mas é fato: o país já foi mais livre, meus queridos! Acreditem! O debate era mais divertido no começo e meados da década de 80, estendendo-se ao período pós-Constituinte. Os petistas estavam na oposição e, vejam só!, eram ardorosos defensores da liberdade de imprensa. Os jornais estavam coalhados de ex-militantes de esquerda que tinham se cansado um tantinho da ortodoxia ou daquelas caricaturas criadas pelos “companheiros” e “camaradas” para “mobilizar as massas”, e tanto “a direita” como “a esquerda” mereciam um tratamento crítico, meio debochado às vezes, mas quase sempre inteligente.

A chegada do PT ao poder marcou uma virada. Houve um movimento geral de emburrecimento. Não porque petistas sejam burros. Ao contrário: eles são até bastante espertos. É que eles conservaram, mesmo no comando do estado, o charme da “resistência”, e a imprensa, na média, perdeu o saudável “espírito de porco”. Em seu lugar, vão me desculpar o trocadilho até óbvio, entrou o “espírito de corpo”. Muita gente decidiu “colaborar” com “a construção de um novo país”, abandonando alguns fundamentos da sociedade democrática. O direito à crítica é um deles. E, é evidente, muitagente que estava à venda foi comprada.

Ainda que eu antevisse tempos nada bons quando “eles” chegassem ao poder, confesso que até eu me surpreendo. A quantidade de textos que li sugerindo simplesmente censura aos críticos de Lula é uma coisa espantosa. Ainda que, visivelmente, use a sua doença para fazer política, essa passa a ser mais uma licença especial que se lhe concede.

Não, bando de cretinos! O meu texto sobre Cotó passava a léguas de Lula. Eu tenho outros assuntos com os quais me ocupar. Falo sobre o que eu bem entender, emociono-me com o que me der na telha, choro por aquilo que eu quiser. Se decidir me comover porque uma linha reta se transforma, de repente, numa curva, o que é vocês têm com isso? Vão lá pressionar os colunistas impressionáveis, que adoram fazer o joguinho nem-nem. Mais vocês esperneiam, mais me sinto fazendo a coisa certa.

Vão patrulhar a Coréia do Norte que os pariu, salafrários!

coto-um

Por Reinaldo Azevedo

O texto ficou um tantinho longo. Leiam até o fim. Acho que vale a pena. Assistam a este vídeo. Volto em seguida.

Voltei
Não vou tratar do vídeo agora. Voltarei a ele mais tarde. Preciso fazer antes algumas considerações.

O cidadão Luiz Inácio Lula da Silva tem condições de ter o melhor plano de saúde que o dinheiro pode comprar. Não está, entendo, moralmente obrigado a se tratar no SUS. Esse é apenas um dos motivos. Há outros e já os expus aqui. Tentar impedir, no entanto, que as pessoas lhe façam essa cobrança, tachando-as de “agressivas” por isso, e se manifestem segundo a linguagem que o próprio Lula sempre empregou em sua militância, aí, meus caros, estamos diante de uma patrulha asquerosa, antidemocrática.

Os ai-ai-ais e ui-ui-uis se espalham por todo lugar. A rede petralha e os ex-jornalistas a soldo fazem o de sempre: desqualificam quem não é da turma. O PT deliberou, não faz tempo, que criaria grupos para patrulhar a Internet. Pelo visto, já estão em ação. Lamentável é que ecos em favor de uma censura informal, de matriz supostamente moral, tenham chegado também à grande imprensa — aquela que os petistas costumam acusar de “golpista”. Encerro este parágrafo com indagações, que serão retomadas a partir do próximo. Que político brasileiro dividiu o país em dois grupos: “nós” e “eles”? Que político brasileiro dividiu o país entre o povo e a Dona Zelite? Que político brasileiro expropriou dos adversários a sua história, o seu passado e as suas conquistas para se pôr como o marco inaugural de uma civilização? Seu nome é Luiz Inácio Lula da Silva.

Foi ele quem estabeleceu que os que são seus aliados ou a ele se subordinam politicamente merecem a chancela de “povo” — e os adversários seriam a execrável Dona Zelite, inimiga das massas. No vídeo gravado ontem, sobre o qual escrevi, em que mistura miseravelmente a sua doença com o proselitismo político, vê-se, uma vez mais, a desqualificação dos opositores. Só há um jeito de torcer pelo Brasil: apoiar Dilma. Ora, o que aquele discurso tem a ver com o seu câncer? O pior é que ele não é neófito nessa prática. Já chego lá.

É Lula, pois, quem faz uma aposta permanente na divisão do Brasil, REIVINDICANDO PERMANENTEMENTE PARA SI A CONDIÇÃO DE HOMEM E DE REPRESENTANTE DO POVO — ELITES SÃO SEMPRE OS OUTROS. E o que é que milhares de pessoas estão lembrando de modo claro — e isso está sendo chamado de “ataque” por alguns babacas? Ora, povo, meu caro Lula, se trata no SUS, não no Sírio-Libanês! Alguém pode me dizer o que há de mentira nisso? A pergunta que segue agora não é dirigida aos que são pagos para me xingar. Esses estão trabalhando, ainda que um trabalhinho sujo. Pergunto aos idiotas que me xingam de graça: SUGERIR O SUS É UMA OFENSA PORQUE AQUELE É LUGAR DE POVO, É ISSO?  Qual é, afinal, o lugar de Lula no discurso? Então os leitores/eleitores estão proibidos de confrontá-lo com as suas próprias palavras simplesmente porque ele é quem é?

Lula e Obama
Os candidatos a censores da opinião alheia hão de me perdoar — e, se não o fizeram, não dou a mínima —, mas é absolutamente legítimo, ainda que eu não concorde, que um cidadão brasileiro lhe sugira que recorra ao SUS porque ele próprio declarou o sistema “perto da perfeição”. Em novembro de 2009, ao abrir o 9º Congresso Brasileiro de Saúde Pública, em Olinda (PE), anunciou que, quando falasse com o presidente dos EUA, Barack Obama, iria lhe dar um conselho: “Obama, faça um SUS. Custa mais barato, é de qualidade e é universal.”

Fazer o quê? Lula é assim mesmo, não? Hiperbólico quando se trata de exaltar qualidades que acredita ter. E implacável com eventuais conquistas de adversários, das quais faz tabula rasa. O molde é sempre o mesmo: “nós X eles”, “povo X elite”. Será que os que agora, de modo um tanto irônico, sugerem que procure o SUS estão mesmo lhe fazendo um “ataque”? Há, a propósito, esta dimensão que está sendo ignorada: trata-se de… ironia! Nada além! Todos sabem que ele não aceitará a sugestão.

Agora o vídeo e as promessas criminosas das UPAs
Então vamos voltar ao vídeo que abre o post. Diz Lula:
Eu tava visitando a UPA, e eu tava dizendo que ela tá tão bem organizada, ela tá tão bem estruturada, que dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui”.

Essa fala está correndo na Internet. Em uma reportagem, a Folha de ontem a tomou como exemplo dos “ataques” que Lula vem sofrendo. Ataque? Por quê? Cumpre lembrar as circunstâncias. O então presidente inaugurava, em Recife, no dia 27 de janeiro de 2010, uma das poucas Unidades de Pronto Atendimento que fez em seu governo e falou aquela batatada. Ocorre que, logo depois, passou mal, teve uma crise hipertensiva e foi internado no Hospital Português, considerado o melhor de Recife e um dos melhores do Brasil. Sim, este escriba que lhes fala escreveu a respeito. O post está aqui. Vamos ver se Tio Rei é coerente. Permitam-me transcrever um trechinho em azul:

Tenho horror ao populismo. Digo com todas as letras: não acho que um presidente da República ou governador do Estado devam se tratar em unidades públicas de emergência, que não podem mesmo contar com todos os recursos que a medicina pode oferecer. Não porque eles “não sejam homens comuns” (como disse Lula a respeito de Sarney), mas porque uma doença grave de um governante ou mesmo a sua morte podem ter repercussão negativa na vida de milhões de pessoas.

Assim, é correto que o mandatário tenha à disposição o que há de melhor no setor. E é uma tarefa sua, indeclinável, fazer o possível para elevar as condições de atendimento na saúde pública - QUE VIVE UM CAOS NO BRASIL. Ponto parágrafo. É preciso parar de tratar o povo como idiota ou como tutelado. A UPA, se e quando funcionar bem, será um benefício para os pobres. E Lula nunca botará os pés ali como paciente.

“Ah, Reinaldo, ele estava brincando…” É? Sem essa! Nos palanques, Lula divide o país entre “eles” (as elites) e “nós” (o povo). Chama “elite” a seus inimigos, ainda que mais pobres e menos poderosos do que ele próprio; chama “povo” a seus amigos, ainda que sejam alguns potentados da economia - muitos mamando nos subsídios e desonerações fiscais. Ele pode perfeitamente bem inaugurar uma unidade popular de saúde sem o apelo barato de que gostaria de ser atendido ali. Porque ele pertence à categoria dos que jamais serão atendidos ali. Quem recorre a essa linguagem não fala com o povo, mas com a platéia.

Volto a hoje
E então? O que lhe parece? Como se vê, não mudei de idéia. Indecente, se querem saber, foi o que se fez com as UPAs no país. Lula prometeu construir 500 em seu governo. Foram entregues apenas 91. Além daquelas 500, a então candidata Dilma Rousseff prometeu outras 500—- logo, teriam de ser mil até 2014. Até setembro, a presidente havia inaugurado… UMA!!! Isso, sim, é feio; isso, sim, é violento; isso, sim, é detestável. Os censores estão querendo impedir que a população cobre que os homens públicos cumpram as suas promesas.

O Vídeo em que Lula fala de sua doença
Fiz uma análise não mais do que técnica do vídeo em que Lula fala de sua doença. E apontei a clara exploração política do episódio. Diz ele: Não foi a primeira e não será a última batalha que eu vou enfrentar”. Observei: “Que se saiba, Lula nunca enfrentou uma séria ‘batalha’ de saúde. Esta, de fato, é a primeira. As outras todas foram políticas. Logo, ele está falando sobre política, certo?” Um leitor, certamente um lulista, resolveu me passar um pito:“Lula nunca enfrentou um problema sério de saúde em sua vida, Azevedo? E a morte de sua primeira mulher, por acaso foi um problema político?”

Muito bem, Diorge Alceno Konrad (é o nome do missivista). Lembro-me que, na campanha eleitoral de 2002, Duda Mendonça botou Lula diante da câmera e deixou que ele falasse da mulher morta no parto (Maria de Lurdes), junto com bebê. Uma tragédia na vida de qualquer um, na dele também, suponho. Lula chorou muito. Eu fiquei constrangidíssimo, sentindo um baita desconforto, porque me pareceu que ele não deveria usar aquele caso numa campanha eleitoral, para ganhar voto. O filme nunca apareceu na Internet. Deve estar em algum lugar. O então candidato dizia como havia ficado arrasado, destacando seu enorme sofrimento nos anos subseqüentes. Durante muito tempo, teria vivido uma vida reclusa e solitária.

Pois é. Eu, que tinha lido uma entrevista que ele concedera à revista Playboy em 1979 e que tenho o mau hábito de ter boa memória, lembrava-me de abordagem um pouco diferente. À época, eu tinha só 18 anos, era comunista de trincar catedrais e fiquei horrorizado com o que li. Fui consultar os meus guardados (era pré-Internet…), e o Lula que se debulhava diante de Duda Mendonça em 2002 dissera outra coisa quando apenas sindicalista, 23 anos antes:
“Eu gostava muito da Maria de Lurdes. Vivi com ela só dois anos, de 1969 a 1971. Ela morreu de parto, e eu fiquei muito chocado. Perdi a vontade de tudo. Fiquei UNS SEIS MESES bem fodido na vida. Então percebi que estava vivo, não estava morto, não, porra! Aí comecei a cair na gandaia. Meu Deus do céu! Antes de conhecer a Marisa, FORAM TRÊS ANOS DE GANDAIA.  Eu queria sair com mulher de segunda a domingo.”

Começo a encerrar
Não! Lula não tem, necessariamente, de se tratar no SUS pelos motivos elencados antes e agora. Mas pode e deve ser cobrado pelas palavras que disse, pelos discursos que fez e pelas obras que não fez.  Não há rigorosamente nada de errado com quem o confronta com suas próprias promessas. Ao contrário. É saudável que a população tenha memória. Não se trata de um “ataque”, como quer parte da imprensa, ou de “recalque”, como afirmou FHC.

Quanto ao vídeo que gravou ontem, em que um drama pessoal é usado como alavanca política, a campanha eleitoral de 2002 evidencia não ser esta a primeira vez. Eu não vou pedir desculpas a ninguém por tratar Lula como um homem público racional, dono de seu nariz, que atua segundo o mais rigoroso cálculo político. No fim das contas, acho que sou mais respeitoso com ele do que esse bando de idiotas que o toma como um ser inimputável, uma força da natureza que diz supostas maravilhas em razão de sua intuição, como se fosse uma espécie de ogro bonzinho, um Shrek barbudo.

Trato Lula, vejam que ousadia!, como ser humano e como político. Um dos mais hábeis do país, gostem ou não. Quero que ele sare, que é a minha torcida por todos os enfermos, mesmo aqueles dos quais não gosto. Mas não vou parar de pensar por isso nem vou ignorar a história. É inútil ficar me xingando. Tentem é desmontar os argumentos. Aliás, não parei de pensar nem quando os petralhas torciam para que eu morresse. Torcida não mata ninguém, não!

O que mata é falta de UPA, o que mata é falta de equipamento para radioterapia, o que mata é falta de remédio para quimioterapia, o que mata é falta de médico para cuidar dos tumores, o que mata é falta de vagas em hospitais, o que mata é falta de cirurgiões.

Querem saber? A falta de vergonha na cara mata ainda mais do que todas essas outras faltas.

Por Reinaldo Azevedo

Aldo ainda não esqueceu os ruralistas

Aldo: numa espécie de transição

O primeiro compromisso de Aldo Rebelo como ministro do esporte foi… um evento ainda do tempo em que lutou pelo novo Código Florestal ao lado dos ruralistas.

Aldo participou anteontem em São Paulo do troféu balde de ouro, em SP, autointitulado “o Oscar do leite”. De certa forma, desrespeitou a promessa que fez para Dilma Rousseff de se livrar da agenda ruralista.

Por Lauro Jardim
da coluna Direto ao Ponto de Augusto Nunes:

A festa dos vigaristas camaradas

Agora que Dilma Rousseff já renovou o contrato de arrendamento do Ministério do Esporte ao PCdoB, entregou a chave do cofre a Aldo Rebelo, decidiu que “Orlando Silva fez um excepcional trabalho, foi incansável para a preparação do Brasil para os grandes eventos esportivos que sediaremos” e infiltrou na discurseira uma ameaçadora metáfora futebolística: “Hoje colocamos a bola no chão, reiniciamos o jogo e vamos para o ataque”;

Agora que o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, já aproveitou a troca da guarda do cofre para promover uma festinha íntima dos comunistas do Brasil, aquecida pela descoberta de que “o partido sai engrandecido desses últimos acontecimentos”;

Agora que Orlando Silva já jurou incontáveis vezes que é inocente e vai vingar-se dos misteriosos carrascos, sempre caprichando na voz embargada e na lágrima furtiva que engrossava a cada buquê de flores entregue à companheira;

Agora que Aldo Rebelo, olhos nos olhos do antecessor, já resumiu numa frase besuntada de açúcar e de afeto (“Mais do que inocente, o senhor é vítima”) a beleza da camaradagem delinquente;

Agora que acabaram as comemorações da turma que tungou até o dinheiro das crianças, enfim, está mais que na hora de o Tribunal de Contas da União, a polícia, o Ministério Público e o Judiciário tratarem de entrar em campo para completar o serviço que a imprensa começou e o governo pretende encerrar com a mudança que deixa tudo como está. Demissão é ato administrativo. Não é o fim, mas a primeira etapa da história. Chegou o momento da aplicação dos códigos legais. Só cadeia não basta. O país decente também exige a devolução do dinheiro roubado.

02/11/2011

 às 12:42 \ Direto ao Ponto

Lula pode internar-se onde quiser, desde que pare de mentir sobre o sistema de saúde

Em abril de 2006, em Porto Alegre, o presidente Lula gabou-se de outra proeza hiperbólica: “Eu acho que não está longe da gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país”. (Passados cinco anos e meio, pode-se presumir que esteja mais que perfeito.) Em novembro de 2009, condoído com as carências do sistema de saúde americano,  presenteou o colega da Casa Branca com a solução: “Obama, faça o SUS”.  Em janeiro de 2010, ao inaugurar no Recife uma Unidade de Pronto Atendimento, reafirmou que fizera em nove anos o que todos os outros não fizeram em 500: “Eu tava visitando a UPA, e eu tava dizendo que ela tá tão bem organizada, ela tá tão bem estruturada, que dá até vontade de a gente ficar doente para ser atendido aqui”, garantiu. Neste fim de outubro, surpreendido por um câncer, tratou de internar-se no Sírio-Libanês.

Tenho pouco a acrescentar ao excelente resumo da ópera feito por Reinaldo Azevedo. Integrante da reduzidíssima elite de brasileiros providos de muito dinheiro e plano de saúde cinco estrelas, Lula tem o direito de recorrer aos serviços dos melhores hospitais da rede privada. Ao consumar tal opção, contudo, confere a todos os pagadores de impostos o direito de exigir que pare de tentar enganá-los com bravatas, lorotas ou mentiras deslavadas sobre o sistema de saúde. Há bons hospitais e profissionais admiráveis, mas até as golas dos jalecos sabem que os deslumbramentos celebrados por Lula só existem no Brasil Maravilha registrado em cartório. No país real, a busca de socorro na rede pública acaba, com desoladora frequência, na morte sem atendimento.

(por Augusto Nunes)

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Blog Reinaldo Azevedo

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