Produtores querem financiamento para recuperação de pastagem

Publicado em 01/04/2010 09:26 562 exibições
O setor produtivo quer financiamento público para recuperar pastagens em degradação. A proposta, que foi discutida esta semana em São Paulo, vai ser encaminhada ao governo federal, incluída no Plano Agrícola e ainda discutida com governadores dos estados produtores. De acordo com o presidente da federação da Agricultura e Pecuária de Mato (Famato), Rui Prado, a proposta é interessante para o país, porque lhe permitirá cumprir o compromisso firmado durante a Convenção mundial do Clima, a COP 15, de Copenhague (Dinamarca), no sentido de reduzir a emissão de CO2.

Para conseguir a redução da emissão de gás carbônico na atmosfera, o país teria que diminuir muito o desmatamento. Aí é que a proposta do setor produtivo é vantajosa, conforme Prado. Ele explica que as de pastagens em degradação emitem 4 toneladas de equivalente a CO2 por hectare/ano. Enquanto isso, a pastagem recuperada seqüestra 3,8 toneladas de equivalente a CO2 por ha/ano. Sendo assim, seriam retiradas da atmosfera 7,8 toneladas de CO2 por ha/ano.

A ideia é que os bancos oficiais financiem a recuperação dessa pastagem emprestando ao pecuarista R$ 600,00 por hectare, que é o custo do trabalho, e cobre somente R$ 400,00, em oito anos para quitar. A conta é a seguinte: a emissão de gás por hectare vale em torno de R$ 200,00 no mercado de carbono, então, o governo entraria em cena para negociar pelos pecuaristas a venda do carbono seqüestrado com a pastagem recuperada. Por isso o produtor só pagaria R$ 400,00. Os outros R$ 200,00 viriam da venda do carbono. O presidente da Famato frisa que é necessário o envolvimento do governo porque é difícil para o pecuarista, principalmente o pequeno, acessar sozinho o mercado de carbono. E o governo estaria fazendo a sua parte para cumprir os compromissos da COP 15.  Ele diz até que poderia ser criada uma agência de ativos ambientais, para tratar do assunto.

Além dos benefícios ao meio ambiente, com a retirada de 7,8 toneladas de CO2 por ha/ano da atmosfera, Prado destaca que com a pastagem recuperada, a produtividade da propriedade pode multiplicar por cinco, ou seja, o rebanho poderá ser cinco vezes maior. “Com isso, aumentam a oferta de carne, a exportação, a competitividade do país no mercado  e ainda resulta em redução do preço para o consumidor final”. 

O Brasil tem em torno de 26 milhões de hectares de pastagens em degradação, em Mato Grosso seriam aproximadamente 9 milhões de hectares. Esse é o potencial da proposta do setor produtivo. O médico veterinário e coordenador de Pecuária do Departamento Técnico da Famato, Carlos Augusto Zanata, explica que não se fala em pastagem degrada, mas sim em degradação. Isso porque, estão incluídas nessas áreas algumas que precisam de recuperação imediata e outras que, apesar de estarem em processo de degradação (de falta de nutrientes), ainda podem ser utilizadas por até cinco anos, por exemplo. 

Segundo ele, esses parâmetros são estabelecidos pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). Zanata diz que o pasto, ao contrário da agricultura, não é replantado e não há reposição de nutrientes. O pecuarista planta uma vez, o gado come e a planta volta a crescer. Esse processo repetido vai fazendo com que os nutrientes reduzam. Além disso, há a questão do pastejo forçado, com muitos animais na mesma área, a compactação da terra e a dificuldade de reposição dos nutrientes necessários à planta. 

Em Mato Grosso, de acordo com Zanata, existem em torno de 25 milhões de hectares de pastagens. Desse total, 70% são de pastagens cultivadas (onde o produtor teve que plantar o pasto), o que significa aproximadamente 18 milhões de hectares. E é nessa área que se encontram as pastagens em degradação, que representam até 50% do total, ou seja, 9 milhões de hectares. Os outros 30% são de pastagens nativas, como no Pantanal, onde não há degradação do pasto.
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Fonte:
Mato Grosso Em Foco

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