Pecuaristas devem ter cautela ao negociar

Publicado em 29/10/2010 08:49
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Bom momento para o setor pode não durar muito tempo.
O preço da arroba do boi gordo subiu cerca de 41% este ano para os pecuaristas. Porém, o aumento não foi repassado na mesma proporção para o varejo. Com isso, a carne bovina perdeu participação no mercado em relação a outros tipos de carnes. Os analistas recomendam aos pecuaristas prudência nos negócios. O bom momento para o setor pode não durar muito tempo.

A gente sempre costuma orientar o produtor a não tentar acertar no preço máximo, porque talvez não seja o momento agora, mas a gente já viu muitos produtores segurando, segurando o gado para acertar no máximo e aí começa  a cair e aí ele vende pior do que se ele tivesse vendido a hora em que o preço estava começando a subir avalia a analista de mercado Maria Gabriela.

Segundo Gabriela, há muito a pecuária não vivia um momento assim.

Se a gente fizer principalmente a conta considerando a inflação, a gente sempre usa o IGP-Dá para comparar estes valores, acredito que desde pelo menos 1998 ou 1997 que o pecuarista não vê um preço assim tão interessante da arroba do boi gordo diz Maria Gabriela.

Levantamento da consultoria onde a analista trabalha mostra que o preço da arroba no mercado de São Paulo subiu de R$ 76 em janeiro para R$ 108 hoje. Nas vendas a prazo, já passa de R$ 110. Os dados do Cepea, pelo indicador ESALQ/BM&FBovespa registraram aumentos também. Só em outubro a alta foi de mais de 14%.

A alta no preço do boi gordo reflete no varejo. O preço da carne subiu porque, segundo os analistas, não tem mais gado para o abate, nem mesmo aquele criado em confinamento. O curioso é que as vendas aqui no balcão, seja na casa de carnes ou no supermercado, não diminuíram, mas poderiam ser melhores.

Continua vendendo sim, mas não tanto quanto antes. Isso não quer dizer que eu vou perder venda ou meu faturamento mensal vai cair tanto, mas eu percebo que o público está bem abatido com este preço alto diz a dona de uma casa de carne Sandra Mara Teixeira.

Superintende da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), Tiaraju Pires diz que os estabelecimentos também perderam nestes últimos meses. A alta repassada ao consumidor ficou em torno de 15%, no máximo 18%. A metade praticamente do aumento que teve a arroba paga ao pecuarista.

Houve uma redução na margem dos supermercados até o momento. Isso é um problema que a gente não sabe até quando vai ser possível segurar. Já está acontecendo uma migração do preço de venda de carne bovina para outros tipos de carne, como frango e carne suína. A participação da carne bovina caiu de 60% para 52% nos últimos meses explica Pires.
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Fonte: Canal Rural

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