Conferência internacional de café destaca importância do conilon para o mundo

Publicado em 14/06/2012 15:44 423 exibições
Os cinco maiores países produtores de café conilon, Brasil, Costa do Marfim, Indonésia, Uganda e Vietnã reuniram-se no primeiro painel de discussão da Conferência Internacional de Coffea canephora, que acontece até o dia 15 de junho no Centro de Convenções de Vitória, no Espírito Santo. O evento é realizado pelo Governo do Estado e Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), com apoio do Consórcio Pesquisa Café, que tem sua programação de pesquisa coordenada pela Embrapa Café, unidade da Embrapa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

No primeiro dia de debate, ficou claro o espaço que o conilon vem ganhando cada vez mais na produção, na indústria e no mercado consumidor de cafés pelo mundo. Prova disso, foi a apresentação do diretor-presidente do Incaper, Evair Vieira de Melo, e do pesquisador da Embrapa Café/Incaper, Aymbiré Fonseca, ambos falando sobre a história e contexto atual do conilon no estado e no país. Ao se apresentarem no painel “Estado da arte, inovações tecnológicas e transferência de tecnologias de Coffea canephora nos principais países produtores do mundo”, falaram sobre os cem anos da espécie introduzida no país pelo Espírito Santo, mostraram em números como o Brasil evoluiu em pesquisa, no que diz respeito à sistema de cultivo, combate à pragas e doenças e novas variedades, e tem potencial para assumir em alguns anos o posto de primeiro exportador de robusta, hoje ocupado pelo Vietnã. O Espírito Santo responde hoje por 20% da produção de conilon no mundo.

Em seguida, Costa do Marfim, com Koffi NGoran, e da Indonésia, com Pranoto Soernato, apresentaram as demandas prioritárias de seus países quanto à cultura do robusta. No caso da Costa do Marfim, apesar de uma produção em ascensão, o país sofre as consequências da falta de crescimento da produtividade e de intempéries constantes do clima. Na Indonésia, a questão principal está em torno de uma produção que busca se recuperar competitivamente, mas que vem sofrendo com a substituição, no meio agrícola, da produção de café por outras culturas como cacau e algodão.

Encerrando o cenário do robusta no mundo, palestrantes de Uganda, Henry Ngabirano, e do Vietnã, Phung Duc Thung, destacaram cenários onde uma grande demanda por incentivo à pesquisa e a necessidade de políticas agrícolas para regular a cafeicultura surgem como os principais desafios. Na Uganda, apesar de relevante pesquisa para o desenvolvimento de uma variedade resistente à doença chamada CWD, ainda existem outros segmentos a serem beneficiados com pesquisas de produtividade e sobre tolerância à seca, por exemplo. Entre as prioridades, Uganda destaca ainda a busca por melhorias na qualidade do robusta, espécie nativa do país.

O Vietnã, atual maior exportador de robusta do mundo, enfrenta imensas dificuldades nos mais variados segmentos da cafeicultura. Com grande número de propriedades, formadas por pequenos produtores, muitos divididos por etnias, o país rapidamente alcançou o primeiro lugar na produção, mas atualmente tem desafios de produtividade, de sustentabilidade, ameaçada pela má utilização de recursos hídricos e de solo; falta de mercado interno, o que deixa o país vulnerável às variações de preços do mercado externo; e, principalmente, a falta de pesquisa e tecnologia no campo, consequência em grande parte da falta de organização institucional do estado e dos próprios produtores.

Perspectivas para o conilon – Com o balanço da situação do robusta nos principais países produtores, a Conferência pretende unir esforços e suscitar parcerias e troca de conhecimentos com o objetivo de viabilizar um desenvolvimento sustentável da produção mundial e com foco na qualidade do conilon.

Na palestra que encerrou o dia de debates, ministrada por Carlos Henrique Brando, da P&A Marketing Internacional, as perspectivas para a cultura são bastante positivas. Brando atestou o crescimento da procura pelo conilon por diferentes países consumidores, com destaque para os países emergentes que entram no filão, além do crescente mercado da indústria de solúvel. Com isso, os países produtores precisam se preparar para atender a uma demanda que só aumenta. O palestrante questiona: “De onde virá o mercado adicional para isso?”. Nesse aspecto, Brando ressaltou que Brasil e Vietnã saem na frente por seus relevantes números de produção, ambos respondem hoje por 50% da produção mundial de robusta. Além da tecnologia, um diferencial na disputa, a transferência desta para o produtor, levando a um ganho de remuneração do agricultor e a um consequente aumento de sua produção, também será um ponto crucial na conquista de novos mercados.

Ainda sobre o futuro da produção, Carlos Brando destacou a mudança da qualidade do conilon, não só como produto final, mas também na percepção do mercado, que passa cada vez mais a aceitar blends de café com porcentagens maiores de robusta. Segundo Norma Técnica da ABIC lançada este ano, não há mais restrição de quantidade de robusta para o chamado café gourmet, ou seja, o que atesta a qualidade de um café a partir de agora será sua capacidade de alcançar a nota mínima na classificação do produto final e não mais a porcentagem de arábica ou de conilon no blend.

Após as palestras, uma mesa de debate, com os palestrantes dos países produtores, com o diretor executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Silva, e com o gerente geral da Embrapa Café, Gabriel Bartholo, respondeu às perguntas do público sobre os temas discutidos ao longo do dia.
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Embrapa Café

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