Café arábica fecha com poucos ganhos em NY, com informações baixistas

Publicado em 23/05/2014 17:57 905 exibições

Apesar do fechamento positivo da sessão de hoje (23), a semana foi negativa para o mercado do café arábica na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US). Informações baixistas, como as previsões divulgadas pelo USDA que apontam aumento de safra em alguns países da América Latina, e o anúncio de venda de quase 400 mil sacas dos estoques públicos de café, podem ter influenciado o desempenho ruim da commodity. 

O vencimento julho ganhou 55 pontos e fechou em 181,90 centavos de dólar por libra-peso. O contrato para entrega em setembro encerrou em 184,25 cents; o vencimento dezembro subiu 50 pontos e encerrou em 187,50 cents / libra-peso. 

De acordo com informações do Escritório Carvalhaes, os contratos com vencimento em julho acumularam perda de 315 pontos na semana.

Produtores criticam venda de estoques 
A resolução do governo federal de colocar até 397 mil sacas de café dos estoques públicos à venda, publicada ontem (21) no Diário Oficial da União, já está mobilizando alguns representantes do setor que vêem a ação como negativa para os preços. 

O presidente do Conselho Regional de Café da região de Guaxupé-MG, Fernando Barbosa, defende que este é um momento crítico para o governo vender os estoques. “O governo não pode dispor dos estoques justo na hora da colheita do arábica”. 

Barbosa afirma que o volume a ser vendido – quase 400 mil sacas – pode parecer pequeno em relação à produção do país, mas ele representa a produção de alguns municípios. “Nova Resende, cidade de mais de 2.000 cooperados, deve colher 400 mil sacas este ano... Só a forma de posicionar as vendas já deixa o mercado nervoso”. 

O USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) estima que a safra colombiana deverá alcançar 11,9 milhões de sacas em 2014/15, representando elevação de 10,2% sobre o período anterior. As informações podem ter exercido pressão baixista no mercado.  

Mercado climático
A Somar Meteorologia prevê a aproximação de uma frente fria em algumas regiões produtoras de Minas Gerais nesta semana, com possibilidade de chuvas. 

Com a chegada do frio, aumenta as chances de geadas e incidência de doenças como a phoma, que pode reduzir ainda mais a safra brasileira de café. “Estamos indo para fase de lua nova e, geralmente, no início desta fase esfria muito, se acaso tiver chuvas, possivelmente esfriara mais ainda”.

Fernando Barbosa diz ainda que as previsões continuam pessimistas para o tamanho da safra, já que o café das primeiras colheitas está bastante comprometido. “Os cafés noviços estão tendo uma quebra bem além do esperado... Alguns produtores estão colhendo até 60% de café bóia”.

Vendas desaceleradas
As negociações de café ficaram lentas esta semana. De acordo com o corretor Fabiano Teixeira Odebrechet, existe uma resistência por parte dos cafeicultores em vender o café por preços baixos. “Estamos encontrando café no mercado, mas têm saído poucos negócios”. Fabiano diz ainda que o início da colheita no país também pressiona os preços.  

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

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