Café em alta: o maior valor registrado em vinte dias

Publicado em 16/06/2014 14:43 551 exibições

O mercado futuro de café na Bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US) se recuperou após a confirmação de resultados já esperados de colheitas mais fracas no Brasil e de notícias sobre a possível queda na produção do Vietnã – o maior produtor de café robusta.

Para os contratos de julho, o mercado de futuros do arábica subiu 4,5%  e atingiu o maior valor registrado em vinte dias e o melhor patamar da média de valores dos últimos 75 dias, com alta de 8% em três sessões.

Os contratos de setembro “pegaram carona” na valorização de julho e dispararam 4,4%.

Uma gama muito grande

A recuperação nos preços do café começou com as novas projeções sobre o tamanho da colheita no Brasil. Há duas semanas o mercado trabalhava com a possibilidade de que a seca teria impactos menos severos do que a prevista no início de 2014. Agora a ideia de danos mais graves retornou ao mercado.

“A diferença entre as estimativas continua muito grande, de pelo menos 10 milhões de sacas”, disse o corretor de preços futuros Jack Scoville.

No entanto, um recente relatório da cooperativa de São Sebastião do Paraíso, no sul de Minas Gerais – principal estado produtor de café no Brasil – estimou sua produção entre 2,45 a 2,50 milhões de sacas rebatendo a previsão inicial de 3 milhões de sacas.

Muitas informações

Sterling Smith , do Citigroup, alertou sobre “o  fluxo constante de informações de que os frutos são pequenos, mal formados e os produtores  estão colhendo  café cereja  sem grãos ”.

Lucio Dias, superintendente comercial da Cooxupé – maior cooperativa de cafeicultores do mundo – alertou em fevereiro que o café se assemelha a plástico bolha, porque só existe ar no interior.

Para Smith, se você colhe 1 cereja vazio, 2 ou 3 grãos mal formados e 5 ou 6 normais, isso vai reduzir a colheita.”

Os primeiros resultados mostram que são necessários de 600 a 700 litros de grãos para fazer uma saca beneficiada de 60 quilos, enquanto o normal seria de 400 a 500 litros.

Esses resultados se contrapõem àquele consenso mais otimista construído há duas semanas, quando a Interagrícola - afiliada da soft commodities Trader Ecom – previu o cultivo em mais de 51 milhões de sacas e a Mercon em 50,5 milhões.

O próprio Ministro da Agricultura do Brasil, Neri Geller, teria sido repreendido pelo setor produtivo depois de dizer que o mercado nacional estava pronto para se recuperar no próximo ano. “os produtores estão conseguindo cuidar bem das lavouras porque os preços subiram, então teremos uma safra abundante.”

Sergio Francisco de Assis – presidente da Federação dos Cafeicultores da região do Cerrado de Minas gerais disse que o Ministro Geller pode ter sido mal assessorado.

Sterling Smith do Citigroup disse que vai ser “difícil uma recuperação para a safra brasileira mesmo que haja um clima perfeito.” O ano de 2015 seria de qualquer forma um ano de menor safra.

Os grãos do café se originam a partir do desenvolvimento vegetativo da planta no ano anterior, o que significa que o baixo crescimento dos ramos, graças à seca do início de 2014, irá afetar a colheita de 2015.

Chuvas insuficientes e atrasadas

Enquanto isso no Vietnã , as ideias são de uma queda na produção deste ano depois de clima seco em partes da principal região  produtora, a Central Highlands, por conta do El Niño. E depois de uma colheita muito boa no ano passado, provavelmente vai haver estresse nas árvores.

“Além do fato de que as árvores de café estão fadigadas depois de dois anos de altas safras, há também o fato do atraso e da insuficiência de chuvas como resultado do El Niño”, segundo o banco alemão Commerzbank.

O fenômeno El NiÑo frequentemente provoca tempo seco no Sudeste Asiático.

Neste momento, analistas veem uma redução na produção em 4% caindo cerca de 1,64 milhões de toneladas, segundo apontou uma pesquisa da Bloomberg.

Fonte: Agrimoney

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Por:
Talita Benegra
Fonte:
Notícias Agrícolas

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