Arroz: Valorização beira os 6% em maio, mas comercialização é lenta

Publicado em 30/04/2012 13:22 482 exibições
Ainda a espera dos recursos governamentais e com baixa comercialização, preços do arroz em casca continuam aumentando no Sul do Brasil.
A conjuntura nacional, com uma safra menor, e do Rio Grande do Sul, que deve colher entre 15% e 20% menos grão este ano, associada ao anúncio de mecanismos de comercialização do governo federal que deveriam chegar já em abril e o bom volume de exportações, está criando um raro cenário de valorização dos preços do arroz em plena safra. Os produtores estão segurando a venda, o mercado interno está bastante ajustado, as indústrias estão muito focadas na exportação (estima-se que um quarto do processamento gaúcho está sendo destinado a este fim).

Diante deste contexto, o indicador de preços do arroz em casca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&F-Bovespa fechou na última sexta-feira, 27/4, em R$ 27,70, para a saca de 50 quilos, em casca, padrão 58x10, colocada na indústria. Em abril, o indicador acumula uma alta de 5,77%. Na quinta-feira, o valor de uma saca de arroz equivalia a 14,68 dólares, preço até 2 dólares acima da média de preços do Mercosul, o que poderá ampliar as importações por praças brasileiras como São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco e Maranhão.

Os preços já são referenciais e, principalmente, mostram o peso da comercialização em maiores volumes na Zona Sul e nas Planícies Costeira Externa e Interna à Lagoa dos Patos, portanto perto do porto de Rio Grande, em polos que valorizam a compra para a exportação. Na Campanha, na Região Central e na Fronteira Oeste, as cotações são menores. De qualquer forma, os preços variam na maioria das praças, entre R$ 26,50 e R$ 27,50, mas com baixa comercialização direta. O produtor está aprendendo a negociar antes suas alternativas como a pecuária e a soja, com bastante liquidez, e segurar o arroz para o segundo semestre ou aproveitar os mecanismos do governo federal.

Alguns destes, porém, vivem momento de impasse, pois só podem ser liberados mediante constatação, pelo governo, de que os valores de comercialização estão abaixo do preço mínimo, que no RS e em Santa Catarina, é de R$ 25,80 por saca. O argumento dos produtores é de que em algumas praças, principalmente na Fronteira Oeste, mais distante do porto, os valores de comercialização estão em torno de R$ 2,00 a R$ 3,00 mais baixos que na Zona Sul, em função do custo do frete para exportação. Foram criados três patamares de preços no mercado. O das chamadas variedades nobres (acima de 62% de inteiros), o preço de arroz nas zonas próximas ao porto de Rio Grande (para exportação) e o preço médio das regiões mais distantes (Fronteira-Oeste, principalmente).

A expectativa do setor produtivo agora é com relação à liberação dos mecanismos do governo federal, principalmente contratos de opção, AGFs, PEP e Pepro. E também a cadeia produtiva está de olho no arroz colocado pelo produtor “a depósito” nas indústrias, que pode circular tanto para exportação quanto no mercado interno, sem a devida remuneração. O governo vem operando com leilões de troca, para doação de arroz a países atingidos por catástrofes, mas é forte o boato no mercado de que poucos agentes estão negociando grandes volumes com vários CNPJ, o que poderá pressionar o mercado num futuro não tão distante.

Os analistas consideram que os preços do arroz devem fechar em média superior a R$ 27,00 em 2012/13, mas não apostam em valores muito superiores a R$ 30,00 nos picos de alta, pois isso ativaria uma espécie de gatilho baixista, que seria o teto de preços internos para garantir competitividade às exportações. Os volumes exportados e importados, bem como a política cambial do governo federal, que atualmente elevou o dólar a um patamar superior a R$ 1,90=US$ 1,00, é positivo. Mas, se os preços travarem as exportações e ampliarem as importações, as indústrias exportadoras precisarão competir no mercado doméstico, de valores mais baixos, e haverá pressão. Hoje, a cadeia produtiva considera que é importante o produtor manter uma pequena oferta, para que o mercado interno se abasteça e haja volume para exportar. Entendem, os analistas, que ainda há fôlego para os preços subirem um pouco mais, mas não muito.

SAFRA 

A colheita gaúcha praticamente chega à sua última semana, já com 95% da área colhida, segundo o Irga.. Em algumas regiões já se vê as primeiras ações do chamado preparo de verão. Preocupa a qualidade do grão colhido neste fim de safra.

MERCADO

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 56,50 para a saca de arroz beneficiado de 60 quilos, com queda de 10 centavos nos últimos 10 dias. Em compensação, a saca do arroz em casca subiu R$ 1,00 para a média de R$ 27,50 no Rio Grande do Sul. Entre os derivados, estabilidade. O canjicão de arroz mantém o preço médio de R$ 33,00 para a saca de 60kg, enquanto fixou R$ 28,00/60kg e o farelo de arroz, com a expressiva quebra das safras de milho e soja no Rio Grande do Sul, valorizou R$ 5,00 por tonelada, passando de R$ 290,00 a tonelada FOB/RS.
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Planeta Arroz

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