Arroz: Junho encerrou com preços 1,12% mais altos comparados a maio

Publicado em 04/07/2012 09:13 383 exibições
O mês de junho encerrou com valorização de 1,2% para os preços do arroz em casca no Rio Grande do Sul, o que confirma a expectativa dos produtores de aumento dos preços desta matéria prima, mas por outro lado mostra um enfraquecimento no desempenho da trajetória de recuperação iniciada no final de 2011. Segundo o indicador de preços de arroz em caasca Esalq/Bolsa Brasileira de Mercadorias-BM&FBovespa, na última sexta-feira, 29/06, a saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) era cotada a R$ 28,85, colocada na indústria do Rio Grande do Sul, com pagamento à vista.

Já na segunda-feira, na primeira cotação de julho, os preços evoluíram 0,07%, com valorização de dois centavos, para R$ 28,87. Em dólar, a cotação se mantém em torno de US$ 14,00 desde a semana passada, também definida pelas oscilações do câmbio. São dois dólares acima dos preços praticados no Uruguai pelas indústrias para o pagamento do mesmo produto aos arrozeiros uruguaios, mas deve-se levar em conta que naquele país os custos de produção ficam até 30% abaixo daqueles praticados no Rio Grande do Sul.

O mercado segue firme, apesar de um aumento da oferta nos primeiros 20 dias de junho, pois houve o vencimento do custeio e das prorrogações de custeio e investimentos da safra anterior contratadas no Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e no Sistema de Crédito Cooperativo (Sicredi) e os produtores ofertaram no mercado para garantir alguma liquidez e quitar os financiamentos. O índice de inadimplência ficou acima do esperado, o que transfere mais um problema para o campo político-setorial. Os vencimentos de custeio e de prorrogações com o Banco do Brasil, que concentra cerca de 80% dos volumes financiados, acontecem a partir de 20 de julho, o que poderá forçar um aumento da oferta nas duas próximas semanas.

Ainda assim, os produtores aguardam três anúncios importantes, que podem fazer a diferença no cenário de preços. Em primeiro lugar, o Instituto Rio Grandense do Arroz está em campo para realizar o seu primeiro levantamento de intenção de safra. A estiagem no Rio Grande do Sul alcança seu ponto crítico e a tendência natural é da redução de área plantada para a próxima safra, por falta de água para a irrigação nas barragens, principalmente da Fronteira Oeste, Campanha e Depressão Central. Por outro lado, há um levantamento do Irga indicando o aumento da área de soja plantada em ambiente de várzea (sobre microcamalhões) em quase 100%, para algo em torno de 300 mil hectares. Essa é uma área normalmente ocupada pelo arroz.

Outro anúncio muito aguardado pela cadeia produtiva arrozeira é o de prorrogação automática dos vencimentos de custeio e prorrogação, tema que já tramita nos ministérios da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e da Fazenda (MFAZ). O ministro Mendes Ribeiro Filho, da Agricultura, anunciou que nos próximos dias deve ser consolidado um programa de reestruturação das dívidas arrozeiras e o tema é uma prioridade do Ministério. A Federarroz, no entanto, contrapõe e informa que não há tempo hábil para o mecanismo entrar em prática com os vencimentos já no próximo dia 20. Propõe o parcelamento automático.

Na próxima semana o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, MDIC, deve anunciar também o balanço das exportações e importações de arroz pelo Brasil. Os indicativos são de mais uma vez um desempenho positivo. As exportações têm sido fundamentais para manter a trajetória de alta dos preços internos. A ponto de uma empresa ter lotado dois navios com cerca de 50 mil toneladas de arroz em casca (55% de inteiros), em Rio Grande, com matéria prima comprada na Fronteira Oeste, e ao preço de R$ 30,50 no porto. Isso quer dizer R$ 27,00 praticamente no bolso do produtor, o que é o preço pago no mercado livre pelo arroz de 58% de inteiros. A informação de que ainda há mais demanda pela empresa internacional que está comprando este arroz, fez os arrozeiros recuarem momentaneamente na oferta do grão, esperando preços melhores.

Ao longo dos últimos 10 dias, a indústria passou a mostrar desinteresse na compra de matéria prima, seja porque se abasteceu com o aumento da oferta na primeira quinzena de junho, seja porque não está conseguindo repassar os preços ao atacado e ao varejo. Por sinal, a grande imprensa brasileira já começa a bater sobre a grande alta do prato de arroz com feijão. Embora a mistura seja o referencial da culinária básica brasileira, convém destacar que a pesquisa apresentada mostra que o preço do arroz ao consumidor subiu 7,5% em 12 meses, enquanto o feijão subiu 10 vezes mais: 78%. Como os preços aos produtores recuperaram mais de 30%, o indicativo é de que o varejo não absorveu a alta e a indústria está carregando esta diferença, razão pela qual busca alternativas para não bancar um preço mais alto da matéria prima.

Enquanto isso, tudo indica que os dias do Mercosul com mercado livre no Brasil estão cada vez mais contados. Em primeiro lugar, a crise sobre a deposição do presidente paraguaio, Fernando Lugo, levou o Mercosul a suspender os direitos do Paraguai no bloco. Mas, isso ainda não entrou em prática na forma da cobrança de tributos diferenciados na entrada do arroz paraguaio no Brasil, que segue frouxa. O ato político deveria ter apresentado imediato reflexo na fronteira, com a cobrança de tributos do produto paraguaio para ingressar no Brasil, o que lhe retiraria a competitividade frente ao arroz nacional.

Ao mesmo tempo, o Congresso Nacional aprovou medida que faz incidir 9,25% de impostos sobre o arroz do Mercosul pelo PIS/Cofins. O tributo foi retirado há oito anos do arroz nacional e, por uma falha na redação, isentou também o produto importado. Até o dia 2 de agosto a Medida Provisória deve ser sancionada pela presidente Dilma Rousseff e passar a valer. Com isso, a competitividade do arroz da Argentina, Uruguai e Paraguai, já não será tão significativa frente ao arroz nacional, mesmo que nestes países o custo de produção seja menor e os produtores e indústrias ainda recebam a devolução de impostos. Além disso, o ministro da Agricultura, Mendes Ribeiro Filho, confirmou que há um estudo para estabelecer cotas de importações do arroz do Mercosul. Extraoficialmente, no meio produtor, estima-se que as cotas devem ser de 650 mil toneladas ano, no total, mas há uma defesa setorial de que não passem de 500 mil toneladas, sendo 200 mil para Uruguai e Argentina e 100 mil com origem paraguaia.

Em maio o Brasil exportou 214,2 mil toneladas de arroz. No acumulado desde março, já são 557 mil toneladas vendidas ao exterior, um volume muito bom. O volume de importações brasileiras também aumentou, chegando a 125 mil toneladas. No ano, acumula a compra de 316 mil toneladas. 

No mercado livre gaúcho o arroz está sendo cotado entre R$ 27,50 e R$ 28,00. Exceção feita às variedades nobres, que alcançam média de R$ 31,00 no Litoral Norte (64x6) e em São Borja (60x8), onde são cotadas a R$ 29,00. O polo industrial de Pelotas paga R$ 30,00, em média, para o arroz com 58x10, colocado na indústria. Os preços são basicamente referenciais, considerando o baixo volume de negócios. Depressão Central e Campanha apresentam os preços mais baixos, na faixa de R$ 27,50, em média, e pressão das empresas para negociar a R$ 27,00.

MERCADO 

A Corretora Mercado, de Porto Alegre, indica preços médios de R$ 28,50 para a saca de 50 quilos de arroz em casca (58x10) no Rio Grande do Sul, com alta de 50 centavos nos útimos 10 dias. Já o arroz beneficiado, em sacas de 60 quilos, é cotado a R$ 57,50, com valorização também de 50 centavos. O canjicão manteve o valor de R$ 34,80 para o saco de 60 quilos (FOB), bem como a quirera (60kg) em R$ 32,00. Também seguiu estável o farelo de arroz, em R$ 295,00 a tonelada (FOB/RS).
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Fonte:
Planeta Arroz

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