Milho: Frente às incertezas da safrinha, comercialização segue em ritmo lento

Publicado em 26/03/2014 12:41 e atualizado em 26/03/2014 16:28 944 exibições

Após as altas registradas no último pregão, os futuros do milho negociados na BM&Bovespa trabalham do lado negativo da tabela nesta quarta-feira (26). O vencimento maio/14 era negociado a R$ 30,95. Segundo analistas, o avanço da colheita da primeira safra em importantes regiões produtoras e a evolução do plantio da safrinha pesam sobre os preços.

Ainda assim, em algumas localidades parte da segunda safra foi cultivada fora da janela ideal de plantio devido às condições climáticas desfavoráveis, o que pode prejudicar a produtividade das lavouras. Frente a esse cenário, a comercialização do milho safrinha está travada e, até o momento, alcança entre 20% a 25% da produção. 

De acordo com o analista de mercado da New Agro Commodities, João Pedro Corazza, nesta safra, os produtores rurais adotam uma postura mais cautelosa frente às incertezas em relação à segunda safra. Principalmente, no Mato Grosso onde em torno de 500 mil hectares estão localizadas em regiões com excesso de chuvas.

Nos principais estados produtores da safrinha, as condições climáticas adversas têm comprometido as plantações e os relatos que chegam do campo é de que as plantas estão com folhas amareladas e desenvolvimento irregular. Outra preocupação é em relação à intensidade do ataque de pragas, como as lagartas e o percevejo de barriga verde que, consequentemente, aumenta os custos de produção.

Em Goiás, os custos de produção apresentaram um aumento de 12% este ano em comparação a 2013. Situação decorrente da valorização de produtos como adubos e sementes. No Mato Grosso, os produtores que investiram em alta tecnologia gastaram, em média, R$ 1.737,83 por hectare, conforme informou o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária). 

Já no mercado físico, depois das altas de mais de 25% desde o início do ano, os preços seguem estáveis. Em Campinas (SP) CIF, a saca é negociada a R$ 32,50, em Campo Mourão (PR), o valor é de R$ 27,00. Em Lucas do Rio Verde (MT), o preço de comercialização é de R$ 21,50 e em Unaí (MG) a saca é vendida a R$ 27,00.

Bolsa de Chicago 

Nesta quarta-feira (26), os contratos futuros do milho negociados na CBOT trabalham com ligeiras quedas. Por volta das 12h19 (horário de Brasília), as principais posições da commodity exibiam leves perdas entre 0,25 e 1,25 pontos. O vencimento maio/14 era comercializado a US$ 4,86 por bushel.

Ainda de acordo com o analista, os players buscam um posicionamento frente ao relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), que será divulgado no dia 31 de março. O órgão irá anunciar o levantamento de intenção de plantio da safra 2014/15 e os números dos estoques norte-americanos em 1 de março.

“Apesar dos fundamentos positivos, o mercado tende a trabalhar com volatilidade até a próxima segunda-feira. E só depois dos números buscar um direcionamento. Ainda assim, se o USDA apontar uma redução expressiva na área que será cultivada com o milho os preços têm fôlego para buscar o patamar de US$ 5 por bushel”, explica Corazza.

Por outro lado, as especulações sobre o clima nos Estados Unidos também influenciam as cotações futuras em Chicago. Nesta terça-feira, as previsões climáticas indicando tempo quente em partes do cinturão produtor de grãos do país deram tom negativo aos negócios. Porém, o clima ainda permanece frio e as temperaturas do solo também são baixas.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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