Milho: Em Chicago, previsão de chuvas para os EUA dá suporte aos preços

Publicado em 28/04/2014 09:04 721 exibições

As cotações futuras do milho negociadas na Bolsa de Chicago (CBOT) iniciaram a semana do lado positivo da tabela. Os preços da commodity dão continuidade as altas registradas no último pregão e, por volta das 8h48 (horário de Brasília), exibiam ganhos entre 1,75 e 2,50 pontos. O vencimento maio/14 era negociado a US$ 5,09 por bushel.

As previsões climáticas nos EUA indicando chuvas para importantes regiões do Corn Belt continuam sustentando os preços do cereal. De acordo com informações da agência internacional Bloomberg, as precipitações previstas para essa semana deverá atingir partes dos estados de Iowa e Wisconsin.

A expectativa é que as chuvas, juntamente com as baixas temperaturas possam reduzir o ritmo dos trabalhos nos campos. Até o dia 20 de abril, cerca de 6% da área havia sido cultivada no país, contra a média dos últimos cinco anos de 14%, as informações foram divulgadas pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos). Novo boletim de acompanhamento de safras deve ser divulgado nesta segunda-feira. 

Frente a esse cenário, alguns participantes do mercado já especulam uma possível redução, ainda maior, na área destinada ao milho nos EUA, na safra 2014/15. Caso as condições climáticas permaneçam desfavoráveis, a expectativa é que os produtores norte-americanos migrem para o cultivo da soja. 

Veja como fechou o mercado na sexta-feira: 

Milho: Mercado fecha a semana em alta frente às previsões de chuvas nos EUA

Na Bolsa de Chicago (CBOT), as cotações futuras do milho terminaram a semana em campo positivo. As cotações sustentaram as altas registradas no início do pregão e fecharam o dia com ganhos entre 3,50 e 5,75 pontos. O vencimento maio/14 era negociado a US$ 5,07 por bushel. 

Durante toda a sessão, as cotações do milho foram impulsionadas pelas previsões de chuvas nos EUA, em importantes regiões produtoras do Corn Belt. O fator clima tem ganhado força nas últimas semanas e a tendência é que seja o foco do mercado internacional de grãos até agosto. 

No site internacional de meteorologia, AccuWeather, as previsões indicam para precipitações a partir de domingo. Na próxima semana, as temperaturas deverão ficar mais baixas, situação que se confirmada poderá atrasar ainda mais o plantio do milho no país, que até o dia 20 de abril atingiu 6% da área projetada, contra a média dos últimos cinco anos de 14%. As informações foram divulgadas nesta semana pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos).

Com isso, alguns investidores do mercado já especulam uma redução ainda maior na área destinada ao cereal nos EUA na safra 2014/15. Caso as condições climáticas continuem desfavoráveis, a perspectiva é que os produtores norte-americanos optem pelo cultivo da soja. No país, a semeadura do milho deve ser feita até o dia 30 de maio. 

Do lado fundamental, a demanda pelo milho norte-americano segue forte. O consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, a demanda está concentrada nos EUA, uma vez que em outras origens, como Brasil e Argentina, as vendas seguem em ritmo mais lento. 

Além disso, nas últimas semanas o departamento tem reportado bons números de exportação de milho. Nesta quinta-feira, o departamento informou que as exportações somaram até o dia17 de abril, 618.900 toneladas para a safra 2013/14. O número representa uma evolução de 15% em relação à última semana, com 601.900 toneladas.

Para a safra 2014/15, as exportações totalizaram no mesmo período, 382.900 toneladas. O México foi o principal comprador do produto norte-americano com 240 mil toneladas. Frente a esse quadro, analistas relatam que no curto prazo, as cotações do cereal devem trabalhar próximas de US$ 5,00 por bushel em Chicago.

Ainda nesta sexta-feira, o Conselho Internacional de Grãos (IGC) reduziu a estimativa para a safra global de milho na safra 2014/15. A projeção indica a produção em 950 milhões de toneladas do grão, uma redução de 11 milhões de toneladas ante a previsão anterior. O número está abaixo da última estimativa do USDA, de 973,9 milhões de toneladas de milho.

Mercado interno

Durante toda a semana, a comercialização do milho no mercado brasileiro ocorreu de maneira lenta e os preços se mantiveram estáveis em importantes praças. Os produtores, que estão capitalizados, esperam melhores oportunidades para negociar o produto. Esse é um cenário que se repete em várias regiões produtoras pelo país.

Ainda na visão do consultor em agronegócio, tanto no Brasil como na Argentina, os produtores rurais ainda estão mais focados na comercialização da soja, situação que também contribui para a lentidão nos negócios do milho. Do outro lado, os compradores adquirem o produto de maneira pontual, sem oferecer mais pelo produto.

Com déficit de armazenagem brasileiro, os compradores esperam o momento da colheita da safrinha de milho, pois sabem que os agricultores terão que negociar parte do produto. Ainda assim, a expectativa é que haja um equilíbrio no mercado e, consequentemente, os preços este ano sejam melhores do que os obtidos na safra passada. 

A consolidação das exportações de milho do Brasil também deve contribuir para manter os preços do cereal em bons patamares, conforme relatam os analistas. No entanto, a estimativa é que sejam embarcadas até 19 milhões de toneladas do cereal este ano, número menor do que o registrado no ano anterior, próximo a 26 milhões de toneladas.

A redução é decorrente da quebra na produção brasileira de milho, que deverá totalizar em torno de 70 milhões de toneladas, segundo acredita Fernandes. A safra de verão foi severamente castigada pela ausência de chuvas e altas temperaturas em importantes regiões produtoras. Sem contar, que o cereal também perdeu espaço para a cultura da soja, que apresentou preços mais atrativos aos produtores.

Na safrinha, a situação se repete e é preciso ressaltar que boa parte da produção foi cultivada fora da janela ideal de plantio. Os produtores também reduziram os investimentos em tecnologia, especialmente na região Centro-Oeste devido aos preços baixos registrados no ano anterior. Outra situação que também preocupa e aumenta os custos de produção é o ataque de pragas, principalmente as lagartas e o percevejo barriga verde e marrom.

“Se exportarmos mais de 20 milhões de toneladas de milho, teremos uma briga entre a demanda interna e externa. Além disso, o nosso estoque de passagem também poderá ser menor, cenário que pode ocasionar bons preços para o milho no primeiro semestre de 2015”, explica o consultor.

Na BMF&Bovespa, os contratos do cereal trabalham do lado negativo da tabela nesta sexta-feira (25). O recuo é decorrente da diminuição das compras por parte das indústrias, que compram de mão pra boca. Entretanto, a tendência ainda é que os vencimentos trabalhem acima dos R$ 30,00, segundo alertam os analistas. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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