Milho: Mercado amplia perdas e julho/14 alcança patamar de US$ 4,50

Publicado em 05/06/2014 13:12 e atualizado em 05/06/2014 17:29 423 exibições

Nesta quinta-feira (5), os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela. Ao longo das negociações, os preços do cereal ampliaram as perdas e, por volta das 12h25 (horário de Brasília), as principais posições da commodity registravam baixas entre 4,75 e 5,25 pontos. O contrato julho/14 era negociado a US$ 4,51 por bushel.

Pelo terceiro dia consecutivo, as cotações futuras da commodity trabalham do lado negativo da tabela. Na sessão anterior, o contrato julho/14 alcançou o patamar de US$ 4,54, o menor nível desde 28 de fevereiro. E somente no mês de maio, os vencimentos do cereal acumulam perdas de 10%.

Com o cenário já conhecido pelos investidores e sem novidades no mercado internacional de grãos, as cotações refletem o bom andamento da safra norte-americana até o momento. Após as preocupações iniciais com o clima frio, o plantio transcorre de maneira normal e a expectativa dos participantes do mercado é que na próxima semana, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) já reporte o término da semeadura do grão no país.

Enquanto isso, as previsões de clima apontam para tempo favorável durante o desenvolvimento das plantas, cenário que aumenta as perspectivas de safra cheia nos EUA. Consequentemente, a perspectiva é que as cotações do cereal trabalhem no intervalo de US$ 4,75 e US$ 4,20 por bushel nas próximas semanas. 

No entanto, analistas afirmam que é preciso acompanhar as previsões climáticas, assim como, as informações da demanda. Nesta quinta-feira, o USDA reportou as vendas para exportação de milho referente à safra 2013/14 em 550.700 mil toneladas até o dia 29 de maio. O número representa uma queda de 5% em relação à semana anterior, porém uma alta de 39% sobre a média das últimas semanas. Para a safra 2014/15, as vendas totalizaram 19.600 toneladas.

Ainda nesta quinta, o Sistema de Informação do Mercado Agrícola (AMIS), órgão do G-20 para divulgar dados de oferta e demanda das principais commodities agrícolas, informou que a produção mundial de milho em 2014/15 deverá totalizar 988 milhões de toneladas, contra 1,007 bilhão no ano anterior. Em maio, a projeção era de 967 milhões de toneladas.

Já os estoques finais deverão somar 169 milhões de toneladas, frente as 162 milhões de toneladas estimadas em maio. O aumento nas previsões é decorrente da expectativa favorável em relação à safra norte-americana e das produções acima do esperado na América do Sul.

Segundo dados do USDA, a produção global de milho da safra 2014/15 deverá totalizar 979,08 milhões de toneladas, conforme dados do último boletim de oferta e demanda. Por outro lado, os estoques são estimados em 181,73 milhões de toneladas.

BMF&Bovespa 

Em mais uma sessão, as cotações futuras do milho negociadas na BMF&Bovespa operam em queda. Os futuros da commodity recuam após as altas registradas no pregão anterior e, o contrato julho/14 era negociado a R$ 26,76 no pregão desta quinta-feira. No dia anterior, o vencimento era cotado a R$ 27,18. 

Além do reflexo da queda em Chicago, as principais posições da commodity são pressionadas pelas boas expectativas em relação à safra segunda safrinha, assim como a proximidade com a colheita. Cenário que também tem influenciado negativamente as cotações praticadas no mercado interno brasileiro.

De acordo com levantamento realizado pela Scot Consultoria, na região de Campinas (SP), a saca de 60 quilos do grão está cotada a R$ 25,00, uma queda de 12,5% frente ao valor médio registrado em maio. Nesta quinta, a saca é negociada a R$ 24,50 em Campo Mourão (PR), já em Lucas do Rio Verde (MT), o preço gira em torno de R$ 14,50. Em Dourados (MS), o valor é de R$ 22,00, em Goiânia (GO), o valor é de R$ 24,00.

Na visão do analista de mercado da Bocchi Administradora de Negócios, Leonardo Mussury, os preços deverão continuar pressionados frente à evolução da colheita. “Não tem como fugir dessa pressão, a não ser que tenhamos um fator novo como as exportações, a China comprando mais, ou perspectiva de geada. É difícil imaginar uma alteração de preços positiva se o mercado exportador não vier com agressividade adicional”, explica.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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