Milho: Com correção técnica, mercado tenta recuperar perdas acumuladas na semana

Publicado em 18/06/2014 13:06 390 exibições

Na Bolsa de Chicago (CBOT), os futuros do milho dão continuidade ao movimento de alta no pregão desta quarta-feira (18). Após dois fechamentos em queda, as principais posições da commodity trabalham do lado positivo da tabela e, por volta das 12h23 (horário de Brasília) exibiam leves ganhos entre 1,75 e 4,00 pontos. O contrato julho/14 era negociado a US$ 4,42 por bushel.

O mercado esboça uma recuperação, depois das perdas acumuladas desde o início da semana. No pregão anterior, o vencimento julho/14 alcançou o patamar de US$ 4,36 por bushel, nível mais baixo dos últimos quatro meses. De acordo com o consultor de mercado da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, o mercado precisava de uma correção, pois nos atuais patamares, a margem de lucros do produtor norte-americano fica ajustada, já que os custos de produção são mais altos dos que os valores praticados.

“As cotações buscam uma recuperação e tentam se aproximar do nível de US$ 4,50 por bushel, valor base para o mercado. Nos níveis praticados atualmente, o produto está barato tanto para o setor de rações, como para o setor de etanol norte-americano e a demanda deve ser maior, até mesmo do que a estimativa do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos)”, explica Brandalizze. 

Nesta terça-feira, o departamento norte-americano anunciou a venda de 134.500 mil toneladas de milho para o México. O volume deverá ser entregue na safra 2014/15. O órgão deve reportar novo boletim de vendas para exportação de milho dos EUA nesta quinta-feira. 

Por outro lado, a safra norte-americana apresenta bom desenvolvimento. Segundo dados do USDA, cerca de 76% das lavouras norte-americanas apresentam boas ou excelentes condições, melhor classificação das plantações desde junho de 1994. Em relação ao clima, as previsões apontam para um padrão de chuvas no Centro-Oeste dos EUA, que deve continuar limitando o risco de calor intenso nas próximas duas semanas, conforme informações da agência internacional de notícias Bloomberg.

Frente a esse cenário, a expectativa é que o país colha uma safra recorde nesta safra e 353,97 milhões de toneladas de milho. Já a produtividade média das lavouras deve ficar próxima de 174,95 sacas por hectare, segundo projeção do USDA. Entretanto, com o clima favorável, os participantes do mercado já apostam que o departamento possa revisar para cima a estimativa nos próximos relatórios.

Apesar do quadro positivo, os analistas destacam a importância de acompanhar o clima nos EUA e o desenvolvimento das plantas de milho. Isso porque, nas próximas semanas, as lavouras do cereal irão entrar em fase de polinização, estágio crítico de desenvolvimento da cultura.

BMF&Bovespa

Na BMF, as cotações do cereal acompanham a movimentação em Chicago e também trabalham em campo positivo nesta quarta-feira. O contrato julho/14 era cotado a R$ 24,89 por saca, valorização de 0,57%. No último pregão, o vencimento fechou o dia negociado a R$ 24,75 a saca.

Do mesmo modo, as cotações buscam uma recuperação após as perdas acumuladas nas últimas semanas. Os preços têm sido pressionados, especialmente pela queda em Chicago, mais a moeda norte-americana, que está em patamar mais baixo. Além disso, os valores praticados nos portos também recuaram, em Paranaguá a saca é cotada a R$ 26,50, e as exportações do milho brasileiro ainda estão lentas e a perspectiva é que ganhe ritmo a partir do segundo semestre.

No mercado interno, as cotações também estão em patamares menores, em relação ao início do ano, situação decorrente do início da colheita da segunda safra no país. E, apesar da redução na área cultivada nesta safra, o Brasil deverá colher cerca de 45.663,3 milhões de toneladas de milho na safrinha, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

Com isso, na região de Lucas do Rio Verde (MT), por exemplo, as cotações já recuaram e estão entre R$ 12,00 a R$ 12,50. Em Cascavel (PR), o valor é de R$ 20,00, em Campinas (SP) CIF, o valor é de R$ 26,30. Já no MS, em Dourados, a saca é cotada a R$ 22,00. Ainda assim, as negociações são lentas, já que de um lado os produtores seguram o produto à espera de melhores oportunidades e, de outro lado, os compradores adquirem o produto da mão-pra-boca, para não pressionar positivamente os preços.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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