Milho: No Brasil, preços seguem pressionados com o avanço da colheita

Publicado em 25/06/2014 12:58 613 exibições

O avanço da colheita da segunda safra de milho continua pressionando os preços do cereal no mercado interno brasileiro. Esta semana, o Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária) informou que cerca de 5,2% da área cultivada no Mato Grosso já foi colhida, o equivalente a 156 mil hectares cultivados nessa temporada. E, por enquanto, a produtividade é de 94,5 sacas do grão por hectare. 

No Paraná, os produtores estão adiantando a colheita do milho, em função do excesso de chuvas. A intenção é reduzir os prejuízos ocasionados, especialmente pelos grãos ardidos. Segundo o último boletim do Deral (Departamento de Economia Rural), até a semana anterior, a colheita já tinha evoluído para 2% da área plantada.

Em outras regiões do país, como em Patos de Minas (MG), Dourados (MS) e Caarapó (MS), os produtores iniciaram a colheita recentemente e, em ambas as regiões, a perspectiva é de boa produção. Apesar da redução da área cultivada nesta temporada e da diminuição nos investimentos em tecnologia, a projeção é que o país colha uma safra ao redor de 45.663,3 milhões de toneladas de milho na segunda safra, conforme dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento).

De acordo com o analista de mercado da New Agro Commodities, João Pedro Corazza, frente a essa estimativa, as indústrias estão bem abastecidas e especulam as melhores ofertas. Do outro lado, os produtores rurais tentam segurar o produto à espera de preços mais altos. “Isso acontece com a safra velha, já com a safra nova, os agricultores precisam liquidar devido à falta de espaço para armazenar e quanto maior a oferta, os compradores se retiram do mercado”, explica.

Nesta quarta-feira, a saca do cereal é negociada a R$ 26,00 em Campinas (SP) CIF, já em Campo Novo do Parecis (MT), o valor de venda é de R$ 13,00 a saca. Em Guarapuava (PR), o produto é cotado a R$ 24,00, em Uberaba (MG), a saca do milho é cotada a R$ 23,50. Já em Rio Verde (GO), o valor é de R$ 19,00. 

Exportações brasileiras

Ainda na visão do analista, o cenário só apresentará uma modificação com o aquecimento das exportações brasileiras. A Conab projeta os embarques de milho ao redor de 20 milhões de toneladas nesta safra, número abaixo do registrado no anterior, em torno de 27 milhões de toneladas. Entretanto, os embarques permanecem mais lentos, até o momento.

As exportações de milho do Brasil somaram 32,7 mil toneladas, com média diária de 2,3 mil toneladas, até a terceira semana de junho. Em comparação com o mês anterior, houve uma redução de 61,2% no volume embarcado. No mesmo período, a receita com os embarques foi de US$ 7,2 milhão, com média diária de US$ 0,5 milhão. Já o preço médio da tonelada foi de US$ 221,1. 

Em relação a junho de 2013, os números representam uma baixa de 85,7% no valor total exportado, recuo de 83,1% na quantidade total embarcada e desvalorização de 15,3% no preço médio. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior e foram divulgados pela Secretaria de Comércio Exterior.

“As exportações estão enfraquecidas devido à demanda internacional mais fraca, consequentemente, os preços não ficam atraentes nos Portos. Por enquanto, o quadro não é favorável, mesmo que Chicago suba, a oferta de milho no mercado interno é alta. Precisamos avançar nos embarques para ter cotações melhores”, ratifica Corazza.

BMF&Bovespa

O cenário também acaba exercendo pressão negativa nos preços futuros na BMF&Bovespa. Nesta quarta-feira (25), os preços do cereal trabalham do lado negativo da tabela e o vencimento julho/14 é negociado a R$ 24,90, com desvalorização de 1,11%. O analista ainda explica que, a queda na Bolsa de Chicago e o dólar mais fraco, a moeda norte-americana é cotada a R$ 2,20, com perda de 0,76%, também pesa sobre do cereal.

Bolsa de Chicago

Pelo terceiro dia consecutivo, os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) operam do lado negativo da tabela. No pregão desta quarta-feira (25), as principais posições da commodity dão continuidade ao movimento de queda e, por volta das 12h44 (horário de Brasília) exibiam leves perdas entre 0,25 e 0,75 pontos. O vencimento julho/14 era cotado a US$ 4,42 por bushel.

Sem novidades, o mercado segue pressionado pelas boas condições das lavouras norte-americanas até o momento. Segundo o relatório do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), cerca de 74% das plantações apresentam boas ou excelentes condições, melhor índice desde 1999.

De acordo com informações de agências internacionais, o clima deve continuar contribuindo para o bom desenvolvimento das plantas. Para os próximos 15 dias, as previsões climáticas apontam que a umidade deverá permanecer adequada tanto para o milho, como para a soja.

Com isso, cada dia que passa aumenta o sentimento por parte dos investidores de que o país deverá colher uma safra recorde na safra 2014/15. A expectativa é que a produção norte-americana do cereal totalize 353,97 milhões de toneladas nesta temporada, conforme projeção do USDA. A produtividade das lavouras está estimada em 174,95 sacas por hectare. 

Em contrapartida, o anúncio da venda de 217.400 mil toneladas de milho para destinos não revelados, acabaram dando suporte aos preços em Chicago nesta quarta-feira. As informações foram reportadas pelo USDA, que ainda divulgou a venda de 116.00 mil toneladas de sorgo.

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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