Milho: Em meio às projeções de safra recorde nos EUA, mercado fecha em baixa pelo 4º dia consecutivo

Publicado em 03/07/2014 16:33 965 exibições

Pelo quarto dia consecutivo, as principais posições do milho negociadas na Bolsa de Chicago encerraram o pregão em campo negativo. As cotações até chegaram a esboçar uma reação ao longo das negociações, mas voltaram a cair e fecharam a sessão com perdas entre 1,50 e 2,75 pontos. O vencimento setembro/14 fechou o dia a US$ 4,09 por bushel, queda de 2,75 pontos.

Frente ao feriado do Dia da Independência nos EUA, comemorado na sexta-feira (4), o mercado terminou a semana com leves perdas. Mais uma vez, as cotações foram pressionadas pelas projeções de safra recorde de milho nos EUA na safra 2014/15. Conforme projeção do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), a safra deverá totalizar 353,97 milhões de toneladas.

Até o momento, a safra dos EUA apresenta boas condições, com cerca de 75% das lavouras em boas ou excelentes condições. Além disso, as previsões climáticas apontam para chuvas e temperaturas moderadas para as próximas duas semanas, que deverão ajudar a polinização das culturas, fase crítica de desenvolvimento da cultura.

Com isso, a expectativa é que os preços se acomodem em patamares mais baixos, caso haja a confirmação de uma safra recorde nos EUA. Para o Goldman Sachs Group, as cotações do cereal poderão recuar para US$ 4,00 por bushel em seis meses. Desde 29 de abril até ontem, os preços recuaram em torno de 19,8%.

Exportações semanais de milho

O USDA reportou nesta quinta-feira novo boletim de vendas para exportação. Para a safra 2013/14, as vendas de milho ficaram em 290,7 mil toneladas, frente as 31,4 mil toneladas divulgadas na semana anterior. No acumulado do ano safra, as vendas totalizam 47.212,9 milhões de toneladas, contra 48.260,0 milhões de toneladas estimadas pelo departamento.

Para a safra 2014/15, as vendas ficaram em 474,7 mil toneladas. Na última semana, o volume indicado pelo USDA foi de 232,4 mil toneladas.

Argentina

De acordo com dados da Bolsa de Cereais de Buenos Aires, a colheita do milho alcança 52% na Argentina. Nesta safra, a área plantada foi de 3,57 milhões de hectares, contra 3,95 milhões de hectares do ano anterior. Já a produção é estimada em 25 milhões de toneladas, uma redução de 7,4% em relação ao ciclo anterior, no qual, foram colhidas 27 milhões de toneladas de milho.

BMF&Bovespa

Ao contrário da movimentação no mercado internacional, os futuros do milho negociados na BMF&Bovespa trabalham em campo positivo nesta quinta-feira. Após longo período de recuo nas cotações, os principais contratos exibem ganhos e o vencimento julho/14 era negociado a R$ 24,40, com valorização de 0,78%.

O avanço da colheita da segunda safra brasileira tem pressionado e mantido os preços do cereal em patamares mais baixos. As perdas recentes na CBOT também influenciam negativamente o mercado, assim como, o câmbio, que nesta quinta é cotado a R$ 2,21, com queda de 0,58%.

No mercado interno, a evolução da colheita também pressiona negativamente os preços praticados nas principais praças do país. Nesta quinta-feira, a INTL FCStone projetou a safra brasileira, entre primeira safra e safrinha, em 75,5 milhões de toneladas para a safra 2013/14. Cenário decorrente do aumento na produtividade das lavouras registrado na segunda safra.

De acordo com o consultor em agronegócio, Ênio Fernandes, destaca que o rendimento é o inicial, com o milho plantado na melhor época. Além disso, o mercado irá depender das exportações, que ainda não ganharam ritmo. Até a quinta semana de junho, as exportações brasileiras de milho totalizaram 87,6 mil toneladas, com média diária de 4,4 mil toneladas. O número representa uma redução de 6,8% em relação à quantidade embarcada em maio e diminuição de 68,3% frente ao mesmo período do ano passado.

“Mas grande parte dos produtores já negociou a safra. E estamos vendo em Chicago, o contrato setembro/14, que baliza os preços de exportação perto de US$ 4,00 por bushel. E, nos atuais patamares, para quem está em MT e GO, eu não venderia, iria esperar. Mas, desde que já tivesse comprometido parte da minha produtividade. Agora, quem precisa pagar as contas não tem como vender”, orienta o consultor. 

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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