Milho: Em Chicago, mercado tem dia de recuperação; no Brasil, produtores devem estar atentos ao câmbio

Publicado em 29/09/2014 17:57 226 exibições

Os futuros do milho negociados na Bolsa de Chicago (CBOT) fecharam o pregão desta segunda-feira (29) do lado positivo da tabela. As principais posições da commodity conseguiram manter os ganhos registrados desde o início da sessão e terminaram o dia com altas entre 2,50 e 2,75 pontos. O vencimento dezembro/14 era cotado a US$ 3,25 por bushel.

De acordo com informações reportadas pelo site Farm Futures, após registrar o menor preço dos últimos cinco anos, o mercado esboçou uma recuperação técnica nesta segunda-feira. A perspectiva de uma evolução mais lenta da colheita nos campos norte-americanos devido às previsões de chuvas nos próximos dias, também contribuiu para a reação nos preços do cereal.

A perspectiva é no pregão desta terça-feira, os preços também exibam um movimento positivo em função do avanço pouco expressivo na colheita do milho, conforme disse o analista de mercado da Novo Rumo Corretora, Mario Mariano. 

Até a semana anterior, o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) informou que, cerca de 7% da área já havia sido colhida. Mas, no final da tarde de hoje, o departamento atualizou os números da colheita que ficaram em 12%, contra a expectativa dos participantes do mercado entre 15% a 17%. Somente nesta safra, a perspectiva é que os produtores colham uma safra acima de 365,65 milhões de toneladas. 

Contrapartida, a demanda pelo milho dos EUA permanece firme e nesta segunda-feira, o USDA divulgou os embarques semanais em 601.825 mil toneladas até a semana encerrada no dia 25 de outubro, a expectativa do mercado era um número entre 940 mil a 1,09 milhão de toneladas. Na semana anterior, o volume indicado foi de 1.054.237 milhão de toneladas.

No mesmo período do ano passado, o total embarcado foi de 558.054 mil toneladas. E no acumulado do ano safra, iniciado em 1º de setembro, os embarques somam 3.141.838 milhões de toneladas, contra 1.734.941 milhão de toneladas no acumulado do ano safra anterior.

Mercado interno

As cotações do milho praticadas no mercado interno brasileiro se mantiveram estáveis nesta segunda-feira. Segundo levantamento do Notícias Agrícolas, em Cascavel (PR), houve uma queda de 1,13% e saca terminou o dia cotada a R$ 17,50. Em Campo Novo do Parecis (MT), a perda foi maior, de 4,00%, com a saca negociada a R$ 12,00. Em Jataí (GO), o dia foi de valorização de 0,37%, com a saca cotada a R$ 16,36. No Porto de Paranaguá, a saca permaneceu cotada a R$ 22,50.

Ainda assim, na visão do consultor da Brandalizze Consulting, Vlamir Brandalizze, os preços nos portos poderão alcançar R$ 24,00. Cenário decorrente do movimento positivo registrado no mercado internacional, mais a alta da moeda norte-americana. O dólar fechou o dia cotado a R$ 2,45, com alta de 1,45%, em função das pesquisas eleitorais mostrarem uma recuperação da presidente Dilma Rousseff (PT) na corrida presidencial. 

"Com isso, algumas regiões começam a dar sinais que podem liquidar o milho na exportação. A perspectiva é que terminemos setembro com volume próximo de 2,7 milhões de toneladas embarcadas e para outubro poderemos ter um bom volume”, explica Brandalizze. 

Nesta segunda-feira, a Anec (Associação Nacional dos Exportadores de Cereais) informou que, o país deverá exportar entre 2 milhões a 2,7 milhões de toneladas de milho nos próximos meses até o final de 2014. Entretanto, o volume não deve ser suficiente para que a projeção da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), de 21 milhões de toneladas seja alcançada.

Até o momento, cerca de 5,7 milhões de toneladas de milho já foram asseguradas por meio dos leilões de Pepro (Prêmio Equalizador Pago ao Produtor), conforme destaca Brandalizze. “Não é um grande volume, apenas serviu para evitar novas quedas, especialmente no MT. E, agora o Governo ainda tem em torno de 1,2 milhão de toneladas para realizar a próxima operação. Ao todo, foram programados R$ 300 milhões para a realização dos leilões”, diz.

A situação já tem influenciado a decisão de plantio dos produtores rurais na safra de verão 2014/15. Na maioria das regiões consultadas, os agricultores deverão reduzir ainda mais a área destinada ao cereal, para dar lugar à soja. “Isso irá impactar em menor volume disponível no primeiro semestre do próximo ano e, podendo até a chegar a falta o produto até a chegada da próxima safrinha, que ainda está indefinida”, acredita Brandalizze.

Comercialização

Enquanto isso, boa parte dos agricultores ainda seguram o produto à espera de novas oportunidades de negociação. Por outro lado, os compradores adquirem o produto da mão pra boca.

Veja como fecharam os preços do milho nesta segunda-feira:

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Por:
Fernanda Custódio
Fonte:
Notícias Agrícolas

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