China vai impor tarifas extras sobre soja e carnes dos EUA; Trump responde

Publicado em 23/08/2019 16:03 e atualizado em 24/08/2019 14:43
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PEQUIM/CHICAGO/SÃO PAULO (Reuters) - A China anunciou nesta sexta-feira que vai impor uma tarifa extra de 5% sobre a soja dos EUA a partir de 1º de setembro e taxas adicionais de 10% sobre trigo, milho e sorgo dos EUA a partir de 15 de dezembro, nas últimas medidas retaliatórias de Pequim contra Washington.

A China também cobrará tarifas extras de 10% sobre a carne bovina e suína dos EUA a partir de 1º de setembro, de acordo com lista publicada pelo Ministério do Comércio em seu site.

As tarifas mais recentes, que seguem os impostos norte-americanos sobre bens chineses no valor de 300 bilhões de dólares, ameaçam prolongar uma guerra comercial entre as duas principais economias do mundo que tem levantado preocupações sobre a desaceleração do crescimento global.

No ano passado, a China impôs tarifas retaliatórias que permanecem em vigor sobre as importações de uma série de produtos agrícolas dos EUA, incluindo soja e carne de porco.

Essas tarifas reduziram a exportação de produtos norte-americanos e levaram a administração Trump a oferecer até 28 bilhões de dólares em ajuda federal para compensar os agricultores norte-americanos por perdas.

"Quase não há compras de soja nos EUA por empresas privadas há um ano", disse Ryan Findlay, CEO da Associação Americana de Soja. "Já é hora de ambas as partes --China e Estados Unidos-- avançarem, pararem com tarifas e encontrarem uma resolução."

"Qualquer escalada na disputa comercial com a China é uma grande preocupação para os produtores de suínos dos Estados Unidos", disse o Conselho Nacional de Produtores de Carne Suína em um comunicado.

A tarifa anterior sobre a carne suína dos EUA tinha sido de 62%.

O Ministério do Comércio da China disse em 5 de agosto que as empresas chinesas pararam de comprar produtos agrícolas dos EUA, acirrando a guerra comercial entre os países.

"Para mim, é totalmente político e psicológico", disse Dan Basse, presidente da consultoria AgResource Co, em Chicago.

"A proibição foi mais destrutiva do que aumentar as tarifas".

"Nós não precisamos da China", diz Donald Trump após novas tarifas chinesas

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"Nosso país tem perdido, estupidamente, trilhões de dólares com a China nos últimos anos. Eles roubaram nossa propriedade intelectual a uma taxa de centenas de bilhões de dólares por ano e eles querem continuar. Eu não permitirei que isso aconteça! Nós não precisamos da China e, francamente, nós estamos melhores sem eles. 

Os grandes volumes de dinheiro feito e roubado pela China dos Estados Unidos, ano após ano, por décadas, precisa e irá PARAR. Nossas grandes empresas americanas estão imediatamente ordenadas a começarem a procurar uma alternativa à China, incluindo voltar para CASA e fazer seus produtos nos EUA. 

Eu irei responder às tarifas da China na tarde de hoje. Esta é uma grande oportunidade para os Estados Unidos. Além disso, estou pedindo a todas as operadoras, incluindo Fed Ex, Amazon, UPS e os Correios, para procurar e recusar todas as entregas de fetanil da China (ou de qualquer lugar!). O fetanil mata 100,000 americanos por ano. O presidente Xi disse que isso iria parar - não parou. Nossa economia, por conta dos nossos ganhos nos últimos dois anos e meio, está MUITO maior do que a da China. E seguiremos assim". 

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Essa foi a declaração do presidente americano Donald Trump, pelo Twitter, depois do anúncio da retaliação da China com a imposição de mais tarifas sobre US$ 75 bilhões em produtos e bens norte-americanos nesta sexta-feira. O movimento de Pequim é uma retaliação à atitude do governo americano anunciada há algumas semanas com mais taxas sobre outros US$ 300 bilhões em produtos chineses. 

"A China anuncia tarifas em resposta às tarifas dos EUA. O presidente Trump promete responder enquanto pede às empresas dos EUA que deixem a China. Uma observação externa sugere que talvez ele esteja pronto para escalar rapidamente essa guerra comercial para tentar pressionar por um fim", acredita o economista chefe de commodities da INTL FCStone, Arlan Sunderman. Ele e mais especialistas agora tentam entender quais serão os próximos passos de ambos os países. 

De acordo com informações de agências internacionais, uma reunião já foi iniciada no Salão Oval para a tomada de uma série de novas decisões. Afinal, não é só contra a China que Trump luta, mas dentro dos EUA mesmo segue em conflito com o Federal Reserve - o banco central norte-americano - e em desacordo com as medidas e o caminho escolhido pela instituição, principalmente sobre as taxas de juros no país. 

Ainda pelo Twitter, Trump questionou "Quem será o maior inimigo? Powell ou presidente Xi?", referindo-se ao presidente do FED, Jerome Powell e ao premiê chinês. 

Xi Jinping e Jerome Powell

Xi Jinping e Jerome Powell - Foto: Bloomberg

Ainda segundo especialistas internacionais, Trump estaria bastante frustrado com a falta de avanço em suas batalhas com o governo chinês, principalmente nos últimos três meses. 

A soja é um dos principais instrumentos da guerra comercial e segue no coração da disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo e dessa vez não seria diferente. Com a tarifação adicional de 5% dos agora a a taxa chega a 30% sobre a oleaginosa norte-americana e afasta ainda mais a demanda da nação asiática pelo produto dos EUA. Os futuros da commodity perdem quase 2% na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira. 

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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