Após retaliação, Trump responde e eleva tarifas sobre a China de 25% para 30%

Publicado em 23/08/2019 18:21 e atualizado em 25/08/2019 16:47
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O presidente americano Donald Trump afirmou, no final da tarde desta sexta-feira (23), que irá aumentar as tarifas de 25% sobre US$ 250 bilhões em produtos da China para 30% em resposta às novas tarifas anunciadas pelo governo da nação asiática. 

As taxas mais altas já começam a valer a partir de 1º de outubro . Além disso, Trump afirmou ainda que os outros US$ 300 bilhões em produtos serão taxados em 15% ao invés de 10% e essa é uma medida que já começará a valer a partir de 1º de setembro. 

"Por muitos anos, a China (e muitos outros países) tem tirado vantagem dos Estados unidos no comércio, na propriedade intelectual e muito mais. Nosso pais tem perdido centenas de bilhões de dólares por ano para a China, sem um final disso em vista. 

Infelizmente, as administrações passadas permitiram que a China chegasse tão longe e promovesse um balanço do comércio de forma que se tornasse um grande peso para os pagadores de taxas americanos. Como presidente, não posso mais permitir que isso continue acontecendo. No espírito de comércio justo, temos que equilibrar essa relação muito injusta. 

A China não deve nos colocar novas tarifas em 75 BILHÕES DE DÓLARES em produtos norte-americanos (politiciamente motivada). Começando em 1º de outubro, os 250 BILHÕES DE DÓLARES em produtos e bens da China que eram taxados em 25% agora serão em 30%. 

Além disso, os outros US$ 300 bilhões que foram taxados em 1º de setembro em 10% agora serão em 15%. Obrigado pela atenção com este assunto". 

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Foi desta forma que o presidente norte-americano, mais uma vez pelo Twitter, deu a prometida resposta ao governo chinês depois do anúncio vindo de Pequim mais cedo. Diante do movimento da nação asiática, Trump já tinha soltado outros tweets dizendo "nós não precisamos da China" e ordenando que as empresas americanas deixassem o país, considerando até mesmo "voltar para casa e fazer seus produtos nos EUA". 

"Nosso país tem perdido, estupidamente, trilhões de dólares com a China nos últimos anos. Eles roubaram nossa propriedade intelectual a uma taxa de centenas de bilhões de dólares por ano e eles querem continuar. Eu não permitirei que isso aconteça! Nós não precisamos da China e, francamente, nós estamos melhores sem eles. 

Os grandes volumes de dinheiro feito e roubado pela China dos Estados Unidos, ano após ano, por décadas, precisa e irá PARAR. Nossas grandes empresas americanas estão imediatamente ordenadas a começarem a procurar uma alternativa à China, incluindo voltar para CASA e fazer seus produtos nos EUA. 

Eu irei responder às tarifas da China na tarde de hoje. Esta é uma grande oportunidade para os Estados Unidos. Além disso, estou pedindo a todas as operadoras, incluindo Fed Ex, Amazon, UPS e os Correios, para procurar e recusar todas as entregas de fetanil da China (ou de qualquer lugar!). O fetanil mata 100,000 americanos por ano. O presidente Xi disse que isso iria parar - não parou. Nossa economia, por conta dos nossos ganhos nos últimos dois anos e meio, está MUITO maior do que a da China. E seguiremos assim". 

Arlan Suderman, economista chefe de commodities da INTL FCStone, pelo Twitter, fez um alerta: "atenção à moeda chinesa na reabertura dos negócios, no domingo a noite".

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A soja é um dos principais instrumentos da guerra comercial e segue no coração da disputa entre as duas maiores potências econômicas do mundo e dessa vez não seria diferente. Com a tarifação adicional de 5% dos agora a a taxa chega a 30% sobre a oleaginosa norte-americana e afasta ainda mais a demanda da nação asiática pelo produto dos EUA. Os futuros da commodity perderam quase 2% na Bolsa de Chicago nesta sexta-feira.  

Quais serão os próximos movimentos de Xi e Trump?

China retruca: retomará aumento de tarifas sobre importações automobilísticas provenientes dos EUA a partir de 15 de dezembro

Beijing, 23 ago (Xinhua) -- A Comissão de Tarifas Alfandegárias do Conselho de Estado da China anunciou nesta sexta-feira que o país retomará a imposição de tarifas adicionais de 25% ou 5% sobre veículos e autopeças fabricados nos Estados Unidos, a partir de 12h01 do dia 15 de dezembro.

Uma isenção das tarifas adicionais poderia ser aplicada, e as políticas detalhadas para tais aplicações serão divulgadas separadamente, disse a comissão.

A China espera que os EUA continuem seguindo os consensos alcançados pelos dois chefes de Estado na Argentina e em Osaka, voltem ao caminho certo de resolver disputas por meio de negociações, trabalhem com a China e envidem esforços concretos rumo à meta de terminar as fricções econômicas e comerciais, apontou a comissão.

Em 10 de maio, os EUA elevaram de 10% para 25% as tarifas adicionais sobre importações provenientes da China no valor de US$ 200 bilhões. Em 15 de agosto, a parte norte-americana anunciou que imporá tarifas adicionais de 10% sobre as importações chinesas no valor de US$ 300 bilhões a partir de 1º de setembro e 15 de dezembro, respectivamente.

Os atos norte-americanos têm causado escalada contínua das fricções econômicas e comerciais entre os dois países e contrariam os consensos alcançados pelos dois chefes de Estado na Argentina e em Osaka, afirmou a comissão.

Para implementar os consensos alcançados pelos dois chefes de Estado na Argentina, a China suspendeu as tarifas adicionais sobre veículos e autopeças fabricados nos EUA por três meses a partir de 1º de janeiro de 2019. Em 31 de março, o país asiático anunciou que estenderia a suspensão até novo aviso. 

REUTERS: Trump anuncia tarifa adicional de 5% sobre produtos chineses em nova escalada de guerra comercial

WASHINGTON/PEQUIM (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, iniciou nesta sexta-feira uma nova rodada de tarifas contra produtos da China ao estipular um imposto adicional de 5% sobre cerca de 550 bilhões de dólares em produtos chineses, ampliando a escalada da guerra comercial entre as duas maiores economias do mundo.

A ação de Trump, anunciada no Twitter, ocorreu horas depois de a China divulgar tarifas retaliatórias sobre 75 bilhões de dólares em mercadorias dos EUA, levando o presidente norte-americano no início do dia a exigir que empresas americanas retirassem suas operações da China.

A intensificação da disputa sino-americana alimentou temores de que a economia global entrará em recessão, o que fez as bolsas es dos EUA entrarem em queda livre. O índice Nasdaq Composto caiu 3%, enquanto o S&P 500 cedeu 2,6%.

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também caíram, com investidores buscaram ativos tido como refúgio. O petróleo, pela primeira vez alvo das tarifas chinesas, teve forte queda.

A resposta de Trump à China foi dada após o fechamento dos mercados, o que pode causar mais danos na próxima semana.

"Infelizmente, os governos anteriores permitiram que a China ultrapasse os limites de um comércio justo e equilibrado, o que tem se tornado um grande fardo ao contribuinte norte-americano", disse Trump. "Não posso mais permitir que isso aconteça!"

Trump disse que os Estados Unidos elevarão as tarifas sobre 250 bilhões de dólares em importações chinesas para 30%, ante os atuais 25%, a partir de 1º de outubro.

Ao mesmo tempo, Trump anunciou aumento para 15% (ante 10%) nas alíquotas de tarifas planejadas sobre 300 bilhões de dólares em outras mercadorias chinesas. Os EUA começarão a impor essas tarifas a partir de 1º de setembro, mas as tarifas sobre cerca de metade desses produtos foram adiadas para 15 de dezembro.

O Escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) confirmou as datas, mas disse que fará consulta pública antes de impor a tarifa de 30% em 1º de outubro.

Trump tem acusado a China de práticas comerciais desleais e pressionado por um acordo que reequilibre o relacionamento em favor de empresas e trabalhadores dos EUA.

"Não precisamos da China e, francamente, ficaríamos muito melhor sem eles. As vastas quantias de dinheiro produzidas e roubadas pela China dos EUA, ano após ano, durante décadas, vão e devem PARAR", escreveu Trump.

"Nossas grandes empresas norte-americanas estão ordenadas a começar imediatamente a procurar uma opção para a China, incluindo trazê-las para casa e fabricar seus produtos nos EUA."

O presidente também ordenou que empresas como FedEx, Amazon.com, UPS e o Serviço Postal dos EUA recusem todas as entregas do medicamento fentanil aos EUA.

Grupos empresariais norte-americanos reagiram com irritação à mais recente escalada tarifária de Trump.

"É impossível que as empresas planejem o futuro nesse tipo de ambiente. A abordagem do governo claramente não está funcionando e a resposta não é mais impostos sobre as empresas e os consumidores norte-americanos. Onde isso termina?" disse David French, vice-presidente da Federação Nacional de Varejo.

A Câmara de Comércio dos EUA rejeitou as investidas de Trump, pedindo "um envolvimento contínuo e construtivo".

"O tempo é essencial. Não queremos ver uma deterioração adicional das relações EUA-China", disse Myron Brilliant, vice-presidente e chefe de assuntos internacionais da entidade.

O Ministério do Comércio da China disse que em 1º de setembro e 15 de dezembro vai impor tarifas adicionais de 5% ou 10% sobre um total de 5.078 produtos originários dos EUA, incluindo produtos agrícolas como soja, carne bovina e suína, além de pequenas aeronaves.

Pequim também está restabelecendo tarifas sobre carros e autopeças dos EUA, suspensas em dezembro passado, enquanto as negociações comerciais entre os dois países avançavam.

"A decisão da China de implementar tarifas adicionais foi forçada pelo unilateralismo e protecionismo dos EUA", disse o ministério chinês.

"Queremos um acordo, mas isso não significa que queremos um acordo que não seja baseado no respeito mútuo ou seja bom para os interesses da China", disse uma fonte diplomática chinesa.

Leia mais:

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Clécio Reiter Campo Erê - SC

    Donald Trump está certo! Presidentes devem ter pulso forte para proteger seu país.

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