Dólar sai das mínimas com exterior e fiscal doméstico no radar

O dólar à vista tinha leve alta contra o real nesta terça-feira, conforme a divisa norte-americana tomava fôlego contra outras moedas emergentes, enquanto investidores monitoravam o noticiário doméstico e informações vindas do exterior sobre potenciais vacinas para a Covid-19 e o acordo comercial EUA-China.
O dólar à vista tinha variação positiva de 0,11%, a 5,6004 reais na venda, às 13h10. Na B3, o dólar futuro recuava 0,22%, a 5,6010 reais.
Vários analistas ainda citavam a permanência das preocupações sobre a situação fiscal do Brasil, o que pode manter o mercado volátil.
Depois de vários conflitos diplomáticos entre as duas maiores economias do mundo nos últimos meses, autoridades comerciais dos Estados Unidos e da China reafirmaram seu compromisso com a Fase 1 do acordo comercial alcançado no início do ano, tranquilizando investidores de todo o mundo nesta terça-feira.
A promessa foi feita em um telefonema entre o representante de Comércio dos EUA, Robert Lighthizer; o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin; e o vice-primeiro-ministro chinês, Liu He, no primeiro diálogo formal entre eles desde o início de maio.
"As conversas entre Estados Unidos e China sobre o acordo parecem ter sido construtivas, apesar de não trazerem nada de novo, e isso está ajudando a trazer otimismo aos mercados, assim como dados bons da Alemanha", disse à Reuters Luciano Rostagno, estrategista-chefe do banco Mizuho.
Números desta terça-feira mostraram que a economia da Alemanha teve contração econômica menor do que a projetada inicialmente, enquanto segue no caminho de uma recuperação diante da melhora da confiança empresarial.
Além disso, notícias sobre progressos na busca de um tratamento para a Covid-19 --que impulsionaram vários mercados internacionais na véspera-- seguem no radar dos investidores, principalmente depois que o principal órgão regulador de saúde dos EUA permitiu o uso de plasma sanguíneo em pacientes da doença.
No exterior, divisas emergentes tinham variações moderadas ante o dólar, com algumas abandonando máximas de mais cedo. O peso mexicano, por exemplo, rondava estabilidade depois de subir 0,6% nesta sessão.
Enquanto isso, no Brasil, o foco continuava na situação das contas públicas, em meio a temores de que os gastos extraordinários provocados pela pandemia prejudiquem a agenda de austeridade promovida pelo governo de Jair Bolsonaro.
"Preocupações em relação ao fiscal fizeram a moeda (o real) perder força ao longo do dia ontem", comentou Rostagno. "Internamente, a gente tem expectativa sobre medidas fiscais que o governo deve anunciar em breve desvinculando gastos obrigatórios e também buscando colocar gatilhos pra inibir o crescimento dos gastos", o que, caso se confirme, pode trazer tranquilidade aos mercados locais, acrescentou.
A expectativa era de que o governo realizasse nesta terça-feira cerimônia para anúncio do Pró-Brasil, plano para a retomada econômica do país no pós-pandemia, mas o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), afirmou na segunda-feira à Reuters que o governo decidiu adiar o anúncio.
Na véspera, o dólar negociado no mercado interbancário teve queda de 0,22%, a 5,5942 reais na venda, mas ficou longe da mínima da sessão, quando caiu 0,85%.
O BC vendeu todos os 12 mil contratos de swap cambial ofertados em leilão de rolagem nesta terça-feira.
Na semana passada, a autarquia marcou presença nos mercados de câmbio, inclusive com a venda de moeda à vista, movimento que foi visto como essencial por muitos analistas diante da divergência entre o movimento do real e de seus pares internacionais.
"Devemos continuar com o BC vigilante, já que uma nova rodada de desvalorização do real pode prejudicar a economia e afetar a saúde das empresas, que há tempo convivem com uma moeda volátil e desvalorizada, sem espaço pra repassar esse movimento cambial para os preços, consequentemente afetando a economia mais ampla", observou Rostagno.
0 comentário
Ações de Hong Kong se recuperam após decisão da Suprema Corte dos EUA sobre tarifas
Brasil e Coreia do Sul concordam em ampliar cooperação em minerais e comércio
UE diz que não aceitará nenhum aumento nas tarifas dos EUA após decisão da Suprema Corte: “acordo é acordo”
Índia adia negociações comerciais com os EUA após Suprema Corte rejeitar tarifas de Trump, diz fonte
Chefe do comércio dos EUA afirma que nenhum país disse que irá se retirar dos acordos tarifários
Alckmin diz que nova tarifa de 10% anunciada por Trump não afeta competitividade do Brasil