Dólar firma alta contra real antes de reuniões de BCs e com pausa em rali das commodities
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar abandonou a instabilidade de mais cedo e passava a subir com força nesta segunda-feira, chegando a superar os 5,10 reais, com o mercado à espera das decisões de política monetária dos bancos centrais de Brasil e Estados Unidos esta semana, de olho ainda na pausa no rali das commodities no exterior.
Às 14:02 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,99%, a 5,1041 reais na venda, rondando as máximas do dia. A moeda norte-americana firmava movimento de alta, depois de ter trocado de sinal várias vezes ao longo das primeiras horas de negociações.
Na B3, às 14:02 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,52%, a 5,1305 reais.
No exterior, o índice do dólar contra uma cesta de seis rivais fortes tinha queda de 0,3% no dia, mas a moeda norte-americanana avançava 0,75% contra o dólar australiano, divisa que, assim como o real, é sensível aos preços das commodities e ao apetite global por risco.
Houve algum alívio no noticiário envolvendo a guerra na Ucrânia no fim de semana, o que derrubou os contratos futuros de produtos como petróleo, milho, minério de ferro e aço, entre várias outras commodites, o que também parecia afetar o Ibovespa.
As negociações entre Ucrânia e Rússia tiveram "pausa técnica" nesta segunda-feira para trabalho adicional em subgrupos e esclarecimentos de definições individuais, mas continuam e serão retomadas na terça, disse um dos negociadores ucranianos no Twitter.
Quanto mais positivas as manchetes em torno do conflito na Ucrânia, menores tendem a ser os temores internacionais de restrição da oferta de commodities. Esses receios têm impulsionado os preços das matérias-primas nas últimas semanas, o que beneficiou moedas de países exportadores, como o Brasil, desde o final de fevereiro.
Enquanto isso, investidores estavam atentos às reuniões de política monetária de vários bancos centrais nesta semana, incluindo do Federal Reserve e do Banco Central do Brasil.
Por aqui, há ampla expectativa de que a taxa Selic será elevada em 1 ponto percentual, a 11,75% ao ano, mas o foco estará nas indicações do BC sobre seus próximos passos.
Em relatório divulgado nesta segunda-feira, o Credit Suisse disse que "dada a elevada inflação atual e o alto nível de indexação da economia, que aumenta a persistência da inflação, esperamos que o BC continue apertando ainda mais a política monetária e por mais tempo". Na semana passada, o banco privado elevou sua projeção para a inflação de 2022 a 7%, vendo a Selic em 13,25% até o fim do ano.
Juros mais altos no Brasil tendem a beneficiar o real, já que elevam a atratividade de investimentos no mercado de renda fixa doméstico, mas participantes do mercado ponderam que o banco central dos Estados Unidos está prestes a iniciar seu próprio ciclo de aperto monetário, o que pode vir a impulsionar o dólar.
Há ampla expectativa de que o Fed elevará os juros em 0,25 ponto percentual nesta semana, pressionado pela disparada da inflação, atualmente numa máxima em mais de 40 anos na maior economia do mundo.
Tanto o Banco Central do Brasil quando o Federal Reserve anunciarão suas decisões de política monetária na quarta-feira, ao fim de reuniões de dois dias.
O dólar spot fechou a última sessão em alta de 0,74%, a 5,054 reais na venda.
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