Powell dá a largada em ano eleitoral com depoimento sobre cortes de juros e inflação
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Por Howard Schneider
WASHINGTON (Reuters) - Com os valores de ativos que vão de ações a criptomoedas e casas subindo cada vez mais, a inflação ainda considerada muito alta e as preocupações com uma "exuberância" entrando na conversa, o chair do Federal Reserve, Jerome Powell, atualizará nesta quarta-feira os parlamentares dos EUA sobre a economia e as perspectivas de cortes nos juros em um ano de eleições politicamente carregadas.
O cenário que ele apresentará é, em muitos aspectos, animador, com a taxa de desemprego em 3,7%, a inflação, segundo algumas medidas, a uma pequena distância da meta de 2% do Fed, e a economia ainda crescendo, apesar das condições de crédito restritas impostas pelo banco central.
Porém, as próximas etapas permanecem incertas, com as recentes leituras de inflação mais persistente do que o esperado e algumas autoridades do Fed e analistas externos preocupados com o fato de a economia dos EUA continuar muito forte para que as pressões dos preços diminuam totalmente - um argumento para que os cortes nos juros sejam adiados mais do que o esperado.
Powell inicia dois dias de depoimentos com uma audiência às 12h (horário de Brasília) perante o Comitê de Serviços Financeiros da Câmara, explicando aos parlamentares que enfrentarão eleitores preocupados com a inflação em novembro deste ano porque ele está confiante de que as pressões dos preços continuarão a diminuir sem afetar o mercado de trabalho ou, por outro lado, porque a janela para um "pouso suave" pode estar se estreitando.
O melhor resultado possível "dificilmente está garantido", disse o presidente do Fed de Atlanta, Raphael Bostic, na segunda-feira, nos últimos comentários de autoridades antes do depoimento de Powell na Câmara. Bostic teme que uma "exuberância reprimida" entre as empresas possa levar a um aumento nos gastos e a uma retomada da inflação se o Fed reduzir os juros muito cedo.
O comentário ecoou de certa forma Alan Greenspan, ex-chair do Fed que, há três décadas, chamou a atenção para uma "exuberância irracional" que estava impulsionando uma bolha nas ações de tecnologia.
Agora, o dilema do Fed é que, mesmo tendo mantido sua taxa de juros desde julho em 5,25%-5,5%, a mais alta em mais de 20 anos, as condições financeiras gerais têm se afrouxado e os preços dos ativos têm subido com base nas expectativas de cortes pelo Fed, uma dinâmica que pode tornar a inflação mais difícil de ser controlada.
Em sua apresentação na Câmara dos Deputados dos EUA e na audiência seguinte, na quinta-feira, perante o Comitê Bancário do Senado, os investidores estarão atentos a qualquer esforço de Powell para mudar as expectativas de cortes, que atualmente apontam para um início em junho, e enfatizar novamente que a luta contra a inflação está incompleta.
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