Ibovespa fecha em queda de mais de 1% com respaldo de NY e temor fiscal
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Por Patricia Vilas Boas
SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa caiu mais de 1% nesta quinta-feira, em meio a uma conjuntura de fatores que costumam refletir negativamente no índice, incluindo queda nas bolsas em Nova York, declínio dos futuros do petróleo e minério de ferro, além de preocupações em relação ao quadro fiscal doméstico.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa fechou em queda de 1,39%, a 127.652,06 pontos, perto da mínima da sessão, de 127.522,81 pontos. Na máxima, chegou a 129.453,81 pontos. O volume financeiro somou 20,59 bilhões de reais, em véspera de vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista.
"Não tem 'trigger' positivo, esse é o ponto", observou o analista Matheus Nascimento, da Levante Inside Corp. "O (ambiente) interno já está desafiador o suficiente, com o principal ponto sendo o fiscal, e lá fora hoje foi um dia também de realização."
O governo manteve em 2,5% a projeção para o crescimento econômico do Brasil em 2024, mas piorou a expectativa para a alta do Produto Interno Bruto (PIB) de 2025 de 2,8% para 2,6%, conforme boletim divulgado nesta quinta-feira.
O documento também apontou uma deterioração na visão do governo para a inflação, com a projeção para o IPCA indo a 3,9% para 2024, ante previsão de 3,7% feita em maio. Para 2025, houve ajuste de 3,2% para 3,3%, mostrando afastamento da meta de 3%.
Para o head de research Régis Chinchila, da Terra Investimentos, "o mercado permanece cético em relação à situação fiscal, especialmente à espera do relatório de receitas e despesas, com preocupações adicionais devido ao ambiente desfavorável para moedas emergentes no exterior".
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participava nesta quinta-feira de reunião da Junta de Execução Orçamentária (JEO) com integrantes de sua equipe econômica para avaliar possíveis bloqueios nas despesas no ano, a fim de cumprir a meta fiscal.
Nos Estados Unidos, as bolsas reverteram ganhos de mais cedo e encerraram em queda, com investidores se afastando de ações de crescimento de megacaps de alto preço, enquanto a temporada de balanços do segundo trimestre ganha força naquele país. O S&P, índice de referência, caiu 0,78%.
No mercado de dívida, o rendimento do título de 10 anos do Tesouro norte-americano marcava 4,196% no final da tarde, de 4,146% na véspera.
DESTAQUES
- VALE ON desvalorizou-se 0,94%, em mais um dia de fraqueza nos futuros do minério de ferro, com o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) encerrando as negociações do dia com queda de 0,9%, a 811,5 iuans (111,86 dólares) a tonelada.
- PETROBRAS PN caiu 0,18%, leve recuperação em relação à mínima da sessão, quando chegou a cair mais de 0,6%, em meio à tendência de queda nos preços do petróleo no exterior ao longo do pregão. No final da tarde, os futuros do Brent e do petróleo West Texas Intermediate (WTI) dos EUA fecharam estáveis.
- EMBRAER ON subiu 1,48%, uma das poucas ações positivas no índice, após queda nos dois pregões anteriores. No mês, o papel acumula alta de mais de 13%. Na próxima semana começa o Farnborough Airshow, onde os fabricantes de aviões costumam anunciar grandes pedidos. A Embraer prevê entregar 72 a 80 aeronaves comerciais este ano, acima das 64 entregues no ano passado, e 125 a 135 jatos executivos, contra 115 em 2023.
- WEG ON avançou 0,74%, sexto pregão seguido de alta. Analistas do Itaú BBA destacaram em relatório perspectiva de manutenção de margens elevadas para a companhia no resultado do segundo trimestre. "Também notamos a reavaliação da valorização da WEG e de seus pares, que acreditamos ser em grande parte atribuível à sua exposição à inteligência artificial. Além disso, o sentimento atual dos investidores de adicionar nomes defensivos ao portfólio também beneficia a ação", acrescentaram.
- AZUL PN despencou 7,87%, conforme setores sensíveis à economia, sucumbiam ao avanço das taxas futuras de juros em meio aos receios de que o governo Lula não alcance o contingenciamento de despesas necessário para atingir a meta fiscal de 2024. No caso da aérea, o avanço do dólar ante o real foi mais um componente desfavorável.
- MARFRIG ON afundou 9,08%, JBS ON perdeu 2,45%, BRF ON perdeu 7,88% e MINERVA ON recuou 4,49%, em meio a notícias do primeiro caso de doença de Newcastle em ave no Brasil desde 2006. O governo federal confirmou na noite de quarta-feira que uma amostra testou positivo para a doença viral, dizendo que veio de uma granja de aves comerciais em Anta Gorda, município no Rio Grande do Sul.
- BRADESCO PN caiu 1,88%, enquanto ITAÚ UNIBANCO PN fechou com variação negativa de 0,47%. BANCO DO BRASIL ON recuou 0,44% e BTG PACTUAL UNIT, que anunciou mais cedo a compra da empresa de comércio exterior Sertrading, teve declínio de 2,46%.
- SABESP ON perdeu 1,42%, a 82,02 reais, em dia de precificação da oferta de ações da companhia de saneamento do Estado de São Paulo. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Luís Roberto Barroso, deu 24 horas para que o governo estadual e órgãos vinculados à gestão paulista deem explicações sobre o processo de privatização da Sabesp, além de determinar que a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República se posicionem sobre o tema no mesmo prazo.
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