Pacote americano anima mercados e Bolsas sobem mais de 6%
O pacote do Tesouro americano para "limpar" os bancos dos chamados "ativos tóxicos" (créditos problemáticos), mobilizando pelo menos US$ 500 bilhões provocaram euforia nos investidores.
As Bolsas dos EUA dispararam após o anúncio e puxaram a Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo), onde investidores estrangeiros movimentam mais de um terço do giro diário. A taxa de câmbio doméstico recuou para R$ 2,24.
A autoridade americana também esclareceu que vai utilizar leilões, e a parceria com investidores privados, para colocar preço nos "ativos tóxicos", justamente uma das principais dúvidas do mercado financeiro.
Com a forte valorização de hoje, a Bolsa brasileira acumula ganhos de 11,14% neste mês, enquanto o dólar tem perdas de 5,23%. O Ibovespa, principal índice de ações da Bolsa paulista, disparou 5,89% no fechamento, uma alta não vista desde o início de janeiro. O indicador encerrou o dia aos 42.438 pontos, o maior desde o dia de 6 de fevereiro.
O dólar comercial foi vendido ontem por R$ 2,246, em decréscimo de 0,79%. A taxa de risco-país marca 408 pontos, número 3,54% abaixo da pontuação anterior.
Nos EUA, o índice Dow Jones, referência da Bolsa de Nova York, fechou em forte alta de 6,84%, a 7.775 pontos. O termômetro de tecnologia Nasdaq saltou 6,76%, para 1.555 pontos. O índice Standard & Poors 500 disparou 7,08%, a 822 pontos.
O economista Felipe Casotti, da Máxima Asset Management, afirma que o pacote foi muito bem recebido pelo mercado e cita como um dos possíveis motivos as condições atrativas para os investidores privados. "O pacote apresenta para o investidor privado uma relação muito boa entre risco e retorno. Se os preços dos ativos caírem muito, o governo pode entrar com mais garantias", comenta. "Do ponto de vista do investidor, o governo montou um pacote muito atraente. O problema é que do ponto de vista do contribuinte, pode ter um custo bastante alto", acrescenta.
O pacote prevê que investidores privados e bancos negociem preços, por meio de leilões, para os créditos problemáticos que hoje sobrecarregam as instituições financeiras. "O problema é que ninguém garante que esses preços não caiam ainda mais e todo o pacote pode ter um custo muito alto", avalia.
Casotti também está preocupado com "o lado real" da economia: o setor imobiliário, justamente a origem dos créditos "subprime" que precipitaram a pior crise global em 70 anos. "Nós ainda temos que ver como vai se evoluir o mercado imobiliário, que é o centro de tudo. E se a taxa de inadimplência continuar a subir muito? Não adianta nada agir no mercado de ativos financeiros se o setor imobiliário continuar muito ruim", comenta.
Já para Marcello Gonella, professor da Escola de Negócios e Direito da Universidade Anhembi Morumbi, se o plano para absorver papéis "podres" do mercado falhar por falta de acordo sobre os preços, o "cacife político" de Obama pode sofrer um desgaste que tornaria muito difícil convencer o Congresso americano a aprovar novas ajudas.
"A crença da sociedade americana no governo Obama é muito forte --até porque ele ainda tem quatro anos pela frente. Não se pode já nos dois, três primeiros meses negar crédito a ele", disse o professor à Folha Online. "Mas a equipe econômica dele sofre um desgaste com o envolvimento do [secretário do Tesouro, Timothy] Geithner no caso da [seguradora] AIG."
PIB brasileiro
Entre outras notícias importantes do dia, o boletim Focus, do Banco Central, mostrou que a maioria dos economistas do setor financeiro já espera que a economia brasileira fique estagnada neste ano: as projeções de crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) retraíram de 0,59% para 0,01% nas duas últimas semanas.
O governo brasileiro ainda comunicou que a balança comercial do país teve superávit de US$ 1,04 bilhão nas três primeiras semanas de março, um aumento de 40,5% se comparado com o desempenho registrado no mesmo período de 2008.
A Eurostat, a agência europeia de estatísticas, informou que o déficit
comercial da zona do euro atingiu 10,5 bilhões de euros (US$ 14,3 bilhões) em
janeiro deste ano, o que é 5,4% inferior ao saldo negativo registrado em
idêntico mês do ano passado. Os dados ainda são preliminares.
Fonte: Folha Online
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