Chicago: Soja recua, mas alta do dólar mantém competitividade brasileira

Publicado em 14/05/2012 17:31 1682 exibições
Os futuros da soja registraram mais um dia de baixas na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira. A oleaginosa fechou o dia perdendo mais de 20 pontos nos principais vencimentos sentindo, inevitavelmente, o contágio da tensão que assolou o mercado financeiro mundial. Com esse recuo, os contratos mais curtos da soja já perderam o patamar dos US$ 14 por bushel, e os mais longos, o dos US$ 13. 

A segunda-feira foi marcada pelo nervosismo da macroeconomia. O mau humor e a extrema aversão ao risco tomaram conta dos negócios hoje, provocando um forte recuo de importantes commodities, entre elas a soja, e das principais bolsas de valores ao redor do mundo, inclusive da Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). Paralelamente, o dólar aqui no Brasil testou a linha dos R$ 2,00 pela primeira vez desde 2009.  A máxima do dia, de acordo com a Folha de S. Paulo, foi de R$ 2,003.  

O viés negativo pelo qual caminharam os negócios nesta segunda-feira foi definido, principalmente, pela crise, agora predominantemente política, na Grécia, onde se busca um novo governo de coalizão. Segundo uma matéria do site do jornal Valor Econômico, integrantes do Banco Central Europeu já falam explicitamente na possibilidade de o país deixar a zona do euro. 

Além disso, dados atualizados mostram que a produção industrial da Zona do Euro recuou 0,3% em março, e 0,4% em toda a União Europeia em relação ao mês anterior. Os dados negativos contribuem para o quadro negativo e estimulam a aversão e o desempenho ruim dos mercados.  

Paralelamente, a Alemanha e a Espanha também não trazem boas notícias. A agência de classificação de risco Moody's alertou para um possível aumento do endividamente espanhol por conta da situação delicada dos bancos. Já em território alemão, as preocupações são com o fato do partido de Angela Merkel ter perdido as eleições em um importante estado. 

A Europa, portanto, continua sendo o principal foco do mercado financeiro. As mudanças políticas prestes a se concretizarem em importantes economias do continente, como a Alemanhha e a França, além da Grécia, estimulam temores sobre o futuro da economia europeia. Analistas afirmam que essas trocas de governo poderiam ameaçar o cumprimento do pacto de austeridade fiscal firmado entre e União Europeia e o FMI no início do ano, e consequentemente, os compromissos financeiros destes países também ficam ameaçados. 

Frente a este cenário, os fundos acabam fugindo cada vez mais do risco, deixando suas posições em ativos mais voláteis, como as commodities agrícolas, por exemplo. Entre elas, as perdas foram mais expressivas no mercado da soja haja visto que era a oleaginosa que vinha liderando o rally de altas no mercado internacional de grãos. 

Como explicou o analista de mercado Flávio França, da agência Safras & Mercado, o que se observa hoje é uma fuga de investidores, de especuladores, principalmente da soja. Isso acontece já que a oleaginosa vinha mantendo um posicionamento especulativo maior do que milho e trigo. "O movimento agora é vender soja e comprar milho e trigo, em operações de spread. E é difícil a soja continuar em alta ", afirma. 

Outro fator que já começa a exercer alguma pressão no mercado da soja são as expectativas para a safra 2012/13 dos Estados Unidos. França afirma que "sem nenhum problema de clima nos EUA, é bem provável que os picos de preços da soja já tenham sido atingidos". 

Por outro lado, Steve Cachia, analista de mercado da Cerealpar, diz que "o 'estrago' técnico é grande, mas os fundamentos devem voltar a prevalecer". Mas, reitera, "não é garantido que a economia não piore". 

Entretanto, apesar dessa expressiva e preocupante queda da soja na Bolsa de Chicago, a a alta do dólar pode ser vantajosa para os produtores brasileiros, uma vez valorização da moeda norte-americana hoje foi maior do que a queda da oleaginosa. Enquanto o dólar subiu quase 2%, o vencimento julho/12 da commodity, por exemplo, recuou 1,35% nesta segunda-feira. 

Veja como ficaram as cotações da oleaginosa nesta segunda-feira:

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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