Soja: Clima seco nos EUA preocupa e preços batem limite de alta

Publicado em 26/08/2013 16:35 e atualizado em 26/08/2013 21:54
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O clima quente e seco nos Estados Unidos permanece dando sustentação aos preços futuros na Bolsa de Chicago. No pregão regular desta segunda-feira (26), as cotações da soja bateram o limite de alta de 70 pontos, nas posições mais negociadas. O contrato setembro/13 recuperou o patamar dos US$ 14/bushel e encerrou a sessão cotado a US$ 14,27, com 62,50 pontos de ganhos. No caso do milho, os ganhos foram de mais de 30 pontos e no trigo, os preços exibiram altas de mais de 20 pontos. 

Nesta segunda-feira, as cotações do milho registram um de seus maiores ganhos desde julho de 2012, enquanto que a soja teve o seu maior rally desde 2010. Já o trigo registrou maior alta desde junho de 2012, segundo informações divulgadas pelo site Zero Hedge. 

De acordo com o site de meteorologia norte-americano, AccuWeather, esta semana uma nova onda de calor deve atingir as áreas na região de planícies até o Vale de Ohio. Em algumas partes de Nebraska e Kansas, até os estados de Iowa e Missouri, as temperaturas devem ultrapassar os 38ºC. Situação que pode afetar severamente o rendimento das lavouras norte-americanas.

Segundo o consultor de mercado do SIM Consult, Mauricio Correa, os meses de agosto e setembro são cruciais para as lavouras, uma vez que é neste período que as plantações passam pelo estágio de enchimento de grãos. “E necessitam de muita chuva e um clima específico”, ressalta. 

A tendência é que o mercado permaneça com preços mais firmes, até pelo menos a colheita da safra norte-americana, conforme sinaliza Correa. Mas o consultor não descarta uma possível realização de lucros, sazonal, no momento da colheita, que deve acontecer a partir do mês de setembro.

Outro fator que também exerce pressão positiva nos preços são os números do Crop Tour Pro Farmer divulgados na última sexta-feira (23), depois do fechamento do pregão regular. O levantamento indicou que a safra norte-americana deverá totalizar 85,95 milhões de toneladas nesta safra. Número abaixo da projeção do último relatório de oferta e demanda do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), de 88,59 milhões de toneladas.  

Do mesmo modo, as estimativas da produtividade média das lavouras de soja são menores do que as do USDA. O departamento apontou o rendimento em 48,3 sacas por hectare, contra 47,4 sacas por hectare do Crop Tour. 

No milho, as estimativas são de uma produção norte-americana de 341,9 milhões de toneladas, frente às 349,73 projetadas pelo USDA.  Já a produtividade média das lavouras de milho deve alcançar 163,15 sacas por hectare, número pouco menor do que o anunciado pelo órgão de 163,42 sacas por hectare.

Paralelo a esse cenário, o Crop Tour estimou que 730 mil hectares foram abandonados no caso do milho e 323,765 mil hectares para a soja. “O Crop Tour apenas confirmou os rumores de que o atraso da lavoura americana deve prejudicar o rendimento e ainda existe o cálculo do seguro de plantio que teve áreas abandonadas”, destaca Correa.

O economista da Granoeste Corretora de Cereais, Camilo Motter, afirma que as cotações futuras da soja já acumulam alta de mais de US$ 1 desde o pregão regular da sexta-feira (23). “Os cortes nas produções, tanto de soja como de milho, refletem positivamente nos preços. E com o clima adverso, desde o início do plantio, muitos produtores norte-americanos preferiram recorrer ao seguro agrícola”, diz Motter. 

Frente a este quadro, a expectativa é que o USDA revise para baixo a porcentagem das lavouras norte-americanas em boas ou excelentes condições. O relatório deve ser divulgado no final da tarde de hoje. Na última semana, cerca de 62% das plantações de soja e 61% de milho registravam boas condições.

Mercado interno – As cotações da soja no mercado interno brasileiro também refletiram a forte alta no mercado internacional. No Porto de Rio Grande, a saca da oleaginosa era negociada a R$ 77,00 na última sexta-feira e nesta segunda-feira (26) o valor chegou a R$ 80,00 a saca.  

Veja como ficaram as cotações dos grãos no fechamento desta segunda-feira (26):

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Por: Fernanda Custódio
Fonte: Notícias Agrícolas

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