Soja: às vésperas do USDA, mercado inicia semana com volatilidade

Publicado em 11/08/2014 07:38 3448 exibições

Às vésperas do novo boletim mensal de oferta e demanda que o USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) divulga nesta terça-feira, 12 de agosto, o mercado da soja inicia a semana operando com volatilidade. Na sessão eletrônica desta segunda-feira (11), por volta das 7h30 (horário de Brasília), os principais vencimentos da soja trabalhavam em campo misto, com ganhos nas posições mais próximas e pequenas baixas nas mais distantes. O contrato novembro/14, o mais negociado e referência para a safra americana, era cotado a US$ 10,82 por bushel, recuando 2 pontos. 

As primeiras expectativas para o relatório indicam uma produção nos EUA na temporada 2014/15 de 102 a 105 milhões de toneladas, com uma produtividade recorde e, paralelamente, previsões seguem apontando para um quadro climático bastante favorável ao desenvolvimento das lavouras. 

Para aumentar a volatilidade e a tentativa dos investidores de se manter na defensiva e buscar um bom posicionamento antes do reporte, hoje, o USDA traz mais dois outros boletins. Um deles atualiza os números dos embarques semanais da safra 2013/14, ou seja, o que efetivamente saiu do país depois das vendas para exportações, e mais tarde, às 17h, o de acompanhamento de safras, mostrando as condições das plantações no Meio-Oeste americano. 

Esses são números que, semanalmente, são muito aguardados pelo mercado, ainda mais diante de uma situação de aperto entre oferta e demanda na safra velha - o que tem dado suporte às cotações no curto prazo - e, de outro lado, frente às essas projeções de uma grande safra recorde nesse novo ano. 

Veja como fechou o mercado nesta sexta-feira (8):

Após sessão volátil, soja fecha a sexta-feira em alta na Bolsa de Chicago

Nesta sexta-feira (8), após uma sessão bastante volátil, o mercado da soja conseguiu fechar a sessão regular em campo positivo na Bolsa de Chicago. Entre os principais vencimentos, os ganhos foram de 7 a 35 pontos, com o contrato novembro/14, o mais negociado até o momento e o de referência para a safra norte-americana, fechando em US$ 10,84 por bushel. 

A forte alta registrada na posição agosto/14 - de 34,75 pontos -, segundo explicou o analista de mercado da Granoeste Corretora, Camilo Motter, foi um movimento meramente técnico, uma vez que o vencimento encerra suas negociações no próximo dia 15. "Esse é um jogo meramente técnico entre os comprados e vendidos nessa posição. É uma luta para sair dessa posição", explica.

Além disso, porém, o curto prazo ainda conta com um suporte vindo da demanda. Nessa semana, o mercado contou com boas informações sobre o consumo mundial da commodity, principalmente da safra 2013/14. Nos Estados Unidos, o cenário é de estoques ajustados, pouca oferta disponível, porém, ainda assim, as vendas para exportações continuam acontecendo. 

Os últimos números de exportações norte-americanas trazidos pelo USDA nesta quinta-feira (7) mostraram que as vendas dos EUA seguem acontecendo de forma acelerada e já acumulam, na temporada 2013/14, mais de 46 milhões de toneladas, contra a última projeção do departamento de 44,09 milhões. Dessa forma, o vencimento setembro/14 fechou o dia subindo 14,50 pontos, cotado a US$ 11,13/bushel. 

Além disso, dados da Administração Geral de Alfândega da China mostraram que as compras chinesas de soja em julho subiram 17% frente ao mês anterior, totalizando 7,47 milhões de toneladas e excedendo a previsão oficial, de 5,87 milhões de t.

Nos últimos meses, o gigante asiático  vem adquirindo volumes recordes de soja e, segundo o CNGOIC (Centro Nacional de Informações sobre Grãos e Óleos da China), os estoques nacionais da oleaginosa importada atingiram 6,3 milhões de toneladas no início de agosto, registrando seu nível mais alto em 10 meses. Além disso, há informações, por outro lado, de que as margens de esmagamento no país devem apresentar uma melhora no terceiro trimestre do ano. 

Pressão no longo prazo

Embora os vencimentos mais distantes também tenham fechado em campo positivo, os ganhos nessas posições foram um pouco  mais tímidos, refletindo a limitação do avanço causada, principalmente, pelas boas condições de clima nos Estados Unidos. 

Até o momento, as principais regiões produtoras do Meio-Oeste norte-americano vêm registrando excelentes condições de clima, o que faz com que 71% das lavouras de soja dos EUA estejam em boas ou excelentes condições. Dessa forma, as expectativas de uma grande safra nos Estados Unidos vêm se intensificando com o passar dos dias. Além disso, as últimas previsões para as próximas semanas indicam que o tempo deve se manter bom, com chuvas dentro do normal para o período e temperaturas mais amenas, o que favorece o bom desenvolvimento das plantas. 

O que vem sendo detectado em alguns locais são pequenos bolsões onde o clima está mais seco e que poderia trazer algum stress para as plantações. Entretanto, até esse momento, esses bolsões não são tão expressivos, mas poderiam trazer alguma volatilidade ao mercado, segundo explicou Camilo Motter. 

No próximo dia 12, o USDA divulga seu novo boletim mensal de oferta e demanda e as atenções do mercado na próxima semana, portanto, deverão estar todas voltadas a esses números. As primeiras expectativas dos analistas de mercado é de que o número para a colheita dos EUA na temporada 2014/15 fique entre 102 e 104 milhões de toneladas - consultorias privadas já estimaram a safra em mais de 105 milhões - e os estoques finais superiores a 10 milhões de toneladas.

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Por:
Carla Mendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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