Soja: Mercado fecha semana em Chicago com perspectiva de altas antes da colheita nos EUA

Publicado em 16/09/2016 19:15 e atualizado em 17/09/2016 03:32
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  • Os preços da soja dispararam na sessão desta sexta-feira (16) na Bolsa de Chicago e fecharam  o dia com mais de 15 pontos de alta entre os principais vencimentos. O rally do último pregão, no entanto, foi insuficiente para reverter o balanço semanal e as posições mais negociadas indica um recuo de mais de 1% em relação ao fechamento da sexta anterior (8). A entrada de fundos de investimento no mercado internacional foi bastante expressiva e contribuiu para o forte movimento positivo dos futuros da oleaginosa. 
  • Dessa forma, o contrato novembro/16, o mais negociado desse momento e referência para a safra dos Estados Unidos, fechou com US$ 9,66 por bushel, caindo 1,45% enquanto o maio/17, referência para a nova safra do Brasil, foi a US$ 9,78, com baixa de 1,24%. 

Apesar de insuficiente, no entanto, as altas da soja na Bolsa de Chicago parecem já se mostrar como uma tendência neste período de pré-colheita norte-americana, como voltou a afirmar o vice-presidente da Price Futures, Jack Scoville, em entrevista ao Notícias Agrícolas. O executivo explica que a soja ainda precisa de mais uma ou duas semanas para concluir seu ciclo e permitir o início efetivo da colheita e, enquanto isso, as chuvas que chegam ao Meio-Oeste americano e mais os produtores americanos retraídos nas vendas criam um ambiente de suporte e estímulo aos preços, os quais deverão voltar a se aproximar dos US$ 10,00 por bushel. 

Informações do NOAA, o departamento oficial de clima dos EUA, mostram que há tempestades se movimentando pela região e isso deverá se estender pelos próximos sete dias. Além disso, se esperam ainda chuvas acima da média para o intervalo dos próximos seis a dez dias, e temperaturas mais baixas na medida em que se aproxima a chegada do outono no hemisfério norte. 

"Os especuladores já saíram de suas posições vendidas só para venderam mais na época da colheita, que vai começar, provavelmente, em uma ou duas semanas, e aí sim o preço pode voltar a cair. Mas, por ora, eles vão recomprar algumas posições para voltar a vender", diz Scoville. "Eles precisam de algo entre US$ 10,00 e  US$ 10,25, mas isso vai depender da demanda. E a demanda agora está boa e deve seguir assim", completa. 

No link a seguir, confira a íntegra da entrevista de Jack Scoville:

>> Soja reage em Chicago com chuvas nos EUA e produtores retraídos nas vendas à espera de primeiros resultados da colheita

Mercado Interno

No mercado interno, a semana foi marcada pelo fim do vazio sanitário no último dia 15 no Brasil, estimulando os produtores a desviarem sua atenção dos negócios para focarem no plantio da soja. Começa a se estabelecer, portanto, um novo cenário e um novo momento para o mercado interno, externo e para as perspectivas dos produtores nacionais. Os desafios são diferentes da temporada passada, mas ainda batem à porta da cadeia produtiva.

Leia mais:

>> Soja: Fim do vazio sanitário traz novo momento para o mercado e perspectivas para produtores

As operações registraram ritmo lento não só para o produto da safra nova, mas também com o restante da safra velha. As cotações, afinal, seguem acompanhando o recuo de Chicago e o dólar ainda permanece atuando em patamares mais baixos dos que o de meses atrás, embora mais próximo, agora dos R$ 3,30. Ainda assim, algumas praças ainda conseguiram encontrar espaço para pequenas altas no balanço semanal, acompanhando, como explicam analistas de mercado, uma realidade mais intensa e ajustada no quadro de oferta e demanda. No Oeste da Bahia, por exemplo, avanço de 2,08% na semana, ou Campo Novo do Parecis/MT, ganho de 1,39%. 

 

Na FOLHA: Chuva inesperada na colheita nos Estados Unidos eleva preços dos grãos

Por MAURO ZAFALLON, (VAIEVEM DAS COMMODITIES)

Começou a chover em plena safra de soja e de milho nos Estados Unidos, um cenário inusitado para o Meio-Oeste. Tradicionalmente, o clima é seco neste período do ano na região.

O mercado futuro de Chicago já deu a resposta a essa mudança de clima. Os preços da soja e do milho subiram na Bolsa de Chicago, importante referência mundial para essas commodities.

Essa recuperação ocorre após um início de semana em baixa, quando os preços haviam refletido os números recordes da produção norte-americana.

Na sexta-feira da semana passada (9), a soja era negociada a US$ 9,80 por bushel de 27,2 quilos em Chicago.

Com a nova divulgação da safra pelo Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), o preço caiu e a oleaginosa foi negociada, na quinta-feira (15), a US$ 9,51. Nesta sexta (16), subiu para US$ 9,66.

A mais recente estimativa do Usda apontou para uma safra recorde de 114,3 milhões de toneladas de soja, ante 110,5 milhões previstas em agosto.

O milho também seguiu a mesma tendência, com uma elevação dos preços praticados nesta sexta-feira (16), em Chicago, para US$ 3,41 por bushel (25,4 quilos), acima dos US$ 3,30 de quinta-feira (15).

Daniele Siqueira, analista da AgRural, de Curitiba, diz que as chuvas são anormais neste período do ano, mas que elas não devem mudar muito os rumos da safra de grãos do Estados Unidos, principalmente no caso do milho, cuja colheita já está mais adiantada.

Para que haja uma queda significativa na produção nos EUA, precisaria ocorrer o que se verificou em algumas regiões do Brasil, onde o excesso de chuva derrubou a produtividade e, em alguns casos, até abortou a colheita.

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas + FOLHA

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