Atrás da braquiária, raiz da soja cresce 2 cm/dia e tem água pra passar o veranico

Publicado em 06/02/2019 08:25 e atualizado em 07/02/2019 14:01
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O trabalho das instituições de pesquisas segue focado nas boas práticas e no solo para garantir que as plantas de soja nas principais regiões produtoras do país possam passar por momentos de adversidades climáticas como os que foram registrados nesta safra. 

A temporada foi marcada por intensos veranicos e as lavouras onde as raízes puderam se aprofundar mais tiveram melhores resultados. Durante o Show Rural Coopavel, que acontece nesta semana em Cascavel, no Oeste do Paraná, os pesquisadores Henrique Debiasi e Júlio Franchini, da Embrapa Soja apresentaram os resultados de um estudo em uma trincheira confirmando essa conservação da água no subsolo. 

A soja plantada depois da braquiária apresenta uma raiz maior, alcançando até 1,40 metro de profundidade, com força e extensão para buscar água e enfrentar o veranico. 

"Essa presença de 1,4 m indica que a caixa d'água que a soja está explorando corresponde a, aproximadamente, 120 mm de água, com uma possibilidade muito maior de superar problemas de veranico", diz Debiase. 

Com um perfil de solo formado, de braquiária e colocada sua raíz, seja solteira ou consorciada com o milho, a raiz da soja cresceu 2 cm em profundidade por dia. O pesquisador afirma ainda que outro benefício é o maior volume de água que entra no solo, que é muito maior depois da braquiária. 

"Mesmo sendo um bom manejo, houve um pouco de escoamento. Isso demonstra a necessidade de se ter um bom sistema de terraceamento mesmo em uma condição de bom manejo do solo e de cobertura com palhada", completa. 

O vídeo a seguir, da Embrapa Soja, dá detalhes sobre o estudo. Confira:

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Por Carla Mendes
Fonte Notícias Agrícolas

3 comentários

  • elcio sakai vianópolis - GO

    Parabéns pela matéria, mostrando na pratica as soluções encontradas pra evitar possíveis danos causados pelos veranicos, além da diminuição da erosão laminar e ao aumento de nossa caixa d'água no solo. Boas práticas são o futuro de nossa agricultura. Com a erosão laminar perdemos adubo, num solo descoberto (sem palha) temos possibilidade de ter escaldadura e sem aumentar a reserva hídrica no solo, somos mais vulneráveis aos efeitos do clima. Um solo mais rico em Matéria Orgânica também é um solo mais saudável, mesmo tendo nematoides, fusarium e outras pragas, há uma maior competição com outros micro-organismos presentes.
    Repito novamente "PARABENS PELA MATÉRIA" , as firmas e revendas estão muito deficitárias de informações como esta. Hoje está dando mais importância em mostrar um novo lançamento de produto do que começar do jeito certo o inicio da lavoura.

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    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      Eu usei aveia..., sera' que a braquiaria e' melhor ???

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    • ELCIO SAKAIVIANÓPOLIS - GO

      Isso é muito relativo Carlo Meloni, a brachiari ruzisciense multiplica mais o nematoide pratilencus..., já quando se quer controlar o nematoide de galha utiliza mais a brachiaria decumbens..., no caso de aveia, a aveia branca controla mais um tipo de nematoide, já a aveia preta é mais eficiente com outro nematoide..., se quer reduzir mais o nematoide pratilencus, o mais eficiente é o milheto, porém o milheto tem uma menor relação carbono nitrogênio, devido a isso é decomposto pelos microrganismos do solo mais rapidamente. Já as brachiarias tem uma maior relação carbono nitrogênio, devido a isso persiste por mais tempo aquele tapete em cima do solo. É uma explicação bem resumida, espero ter tirado parte de sua duvida.

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Sr. Carlo, cada espécie usada para cobertura tem qualidades diferentes de outras. No caso a aveia preta, além de produzir uma palha que dura mais tempo sobre o solo, ela possui o efeito alelopático sobre várias plantas daninhas. O efeito alelopático é "o impedimento" da germinação das sementes de plantas daninhas. Ou seja, ela diminui infestação de plantas daninhas na área. Usei a mistura de semente de aveia preta com nabo forrageiro e, obtive bom resultado, pois o nabo "arrebenta" o solo. Plantei com uma Semeadeira SHM 15/17 da Semeato. Você entra na área na época da florada dos dois e sente que o "chão cresceu", pois o nabo quando cresce ele "afofa" a terra e, olha que a terra que fiz o plantio é Terra Roxa Estruturada (nome antigo), hoje é chamada de de Nitossolo Vermelho. São ricas em argila e alta fertilidade. ... ... ... Usava adubar somente as culturas de inverno e, as adubações verdes. ... ... Usava os fosfatos naturais de Gafsa, Arad e, Yorin Master. No plantio do soja só ia a semente. ... ... Ah! Sou fã do cultivar do trigo BRS 208 da EMBRAPA, pois ele é resistente a maioria das doenças das folhas e, como eu nunca usava inseticidas e fungicidas na minha área, esse cultivar de trigo, colhia sem necessidade de controle de doenças fúngicas. Na época, usava a liberação do Trichograma, um micro himenóptero que parasita os ovos das lagartas do soja e, a empresa que me vendia os ovos parasitados por Trichograma era BUG-Agentes Biológicos de Piracicaba. Na época da liberação das vespinhas, andava no meio do soja e, a cada 20 passos jogava uma célula, que continha as vespinhas prestes a eclodirem. Após esse passeio na lavoura, quando o soja começava a florar, ligava na EMBRAPA SOJA de Londrina e conversava com a Drª. Beatriz, que me mandava as cartelas de ovos de percevejo parasitados pelo Trissolcus basalis. Eram três cartelas /alq, que eram amarradas nos galhos das plantas de soja e dali iam sair as vespinhas que iriam "comer" os ovos dos percevejos que botassem ovos na área e, assim era essa minha vida de agricultor. Quando as vagens de soja, ainda verdes e bem granadas, as colhia e fazia a minha comida, cozinhando-as, sem medo de estar comendo veneno. ... ... Ah! O trigo que colhia eu vendia em torno de 3.000 sacos todo ano para o Diogo da BUG, pois para eles produzirem ovos para serem parasitados, precisavam produzir mariposas que botassem os ovos e, a base da comida dessas lagartas era o trigo moído. Como o meu trigo era isento de agroquímicos, segundo o Danilo, as mariposas aumentavam a postura de ovos em quase 30%. Como o objetivo deles era quantidade de ovos, eles davam preferência pelo trigo do velho matuto. ... .... Mas, tudo isso, virou pó...

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    • GERALDO GENTILEIBAITI - PR

      Bom dia Rensi ...adorei o comentário e os ensinamentos.... por favor, partilhe mais de suas experiências com seus companheiros.

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    • CARLO MELONISAO PAULO - SP

      Srs Elcio e Paulo Roberto, muito mas muito obrigado pelos ensinamentos, que copiarei e deixarei na pasta das dicas-----Fico contente porque outros agricultores poderao aproveitar esses recursos tecnicos.

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    • PAULO ROBERTO RENSIBANDEIRANTES - PR

      Toda cobertura vegetal tem um objetivo. ... E qual é esse objetivo? ... ... Muitos vão dizer que é para proteger o solo... ... Vou um pouco além ... Cada espécie vegetal produz exsudatos radiculares que vão colonizar o solo nas rizosferas com microrganismos diferentes e, esses é que vão produzir os ácidos orgânicos que vão dar sustentabilidade ao solo. ... ... Se você quer "alimentar" o seu solo, você deve usar várias espécies de plantas consorciadas na cobertura vegetal, pois seria a mesma coisa quando você almoça ou janta. Você nunca come só arroz, ou só feijão. No seu prato há uma variedade de alimentos que vão suprir com seus "ingredientes" o seu organismos. ... ... O solo, também, precisa de "variedade" de microrganismos que irão produzir suas enzimas e ácidos orgânicos, para "comer" a matéria orgânica presente no solo e, cada um irá fornecer seus metabólitos "diferentes" as plantas cultivadas. ... ... Veja que o "sistema" necessita de diversidade, então a cobertura não deve ser só de uma espécie vegetal. ... ... Enfim, ... tudo é ciência, devemos compreende-la a fundo para alcançarmos o objetivo. ... ...

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  • Cassiano aozane Vila nova do sul - RS

    Buenas, ve se alguém pode dizer porque a linha do pronamp esta sem recurso e não esta sendo operada pelos bancos.., o médio produtor está sem crédito em várias linhas de atividades ligadas ao pronamp, só tem dinheiro pra pronaf e demais produtores.

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  • Tiago Gomes Goiânia - GO

    Sem dúvida a braquiaria tem um grande potencial. Vejo que estamos passando por um período importante de reflexão sobre os sistemas de cultivos a serem implantados..., de certa forma uma reflexão sobre o melhor aproveitamento do plantio direto. Sabe-se que na prática o que tem havido é a sucessão soja versus milho..., quando muito a soja é sempre plantada na palhada do milho segunda safra ou plantada no chamado plantio direto no mato, com pouca palhada de cobertura. O sinal de alerta foi ligado a tempo com esses veranicos..., sabemos que na prática nem sempre é viável se implantar o sistema ideal de rotação de culturas, mas temos de tentar ao máximo.

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    • LAURICIO RIBEIRO DE MORAESRIO VERDE - GO

      Tiago, permita copiar sua fala: "Sabemos que na prática nem sempre é viável se implantar o sistema ideal de rotação de culturas, mas temos de tentar ao máximo". Essa prática só não é viável a curto prazo! Nesta safra está mais do que provado que os agricultores que adotam a rotação de culturas, plantio de inverno estruturado, tem colhido mais soja /ha. Não pode ser uma tentativa, tem que ser uma premissa.

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