A poucas horas do acordo, pouco se sabe sobre os efeitos que o mercado da soja pode sofrer

Publicado em 14/01/2020 18:52
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Às vésperas da tão esperada assinatura da fase um do acordo comercial entre China e Estados Unidos a confusão é generalizada mundo a fora. No mercado da soja - internacional e brasileiro - o momento é de espera. Os negócios na Bolsa de Chicago ficaram limitados e no Brasil, a mesma coisa. 

O que for anunciado nesta quarta-feira, 15 de janeiro de 2020, pode mudar as relações comerciais globais. Mas, tudo depende do teor do texto que será divulgado em uma cerimônia que acontece em Washigton, na Casa Branca. 

À espera dessas informações, os futuros da oleaginosa negociados na Bolsa de Chicago terminaram o dia, claro, estáveis. Os participantes do mercado não arriscaram mudar agressivamente suas posições diante de tantas incertezas. Assim, a terça-feira se encerrou com os principais contratos sem mostrar variações, com o março sendo cotado a US$ 9,42 e o maio, US$ 9,55 por bushel. 

No Brasil, a mesma situação para as referências nos portos brasileiros. Preços no 'zero a zero'. Em Rio Grande, a soja disponível fechou o dia com R$ 88,30 e em Paranaguá, R$ 88,50 por saca. Para março, R$ 86,30 no terminal gaúcho e R$ 86,80 no paranaense. Os negócios foram limitados e pontuais. 

A cautela também marca o comércio brasileiro neste momento, mesmo com as informações de que a demanda chinesa ainda se faz mais presente aqui na América do Sul do que nos EUA, mesmo com a proximidade da primeira etapa do acordo. Afinal, o mercado pode receber um acordo robusto e consistente e provocar fortes altas nos preços internacionais e os efeitos chegarem ao Brasil, ou a informação pode ser insuficiente para recuperar meses de um mercado inerte na CBOT. 

O que se sabe até agora? Que são 86 páginas de detalhes completamente desconhecidos pelo mercado e que só alimentam ainda mais as especulações. Segundo a ARC Mercosul, o documento deverá ser divulgado nas primeiras horas desta quarta-feira, antes mesmo da assinatura pelas duas partes. 

"Os “otimistas” da especulação estão apostando que os chineses já irão adicionar compras de produtos agrícolas estadunidenses antes do Feriado Lunar Chinês do dia 25 de janeiro - quando as atividades comerciais da gigante asiática é colocada em banho maria por quase 10 dias corridos. Do outro lado, os “baixistas” do mercado apostam que nada será cumprido pela parte chinesa mesmo com o acordo firmado", explica a consultoria.

Enquanto se resolvem Donald Trump, Xi Jinping, Liu He, Robert Lighthizer e Steve Mnuchin, no Brasil os negociadores estiveram atentos ainda ao dólar, que se manteve acima dos R$ 4,10 nesta terça-feira, mesmo com uma baixa de 0,27%, e nos prêmios, ainda positivos e dando algum suporte para os preços da soja nacional. 

Leia mais:

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De outro lado, um novo ingrediente na já temperada relação entre China e Estados Unidos veio da agêcnia estatal Xinhua nesta terça, dando conta de que o yuan registrou seu mais elevado patamar em cinoc meses. A taxa de paridade registrou um alta de 309 pontos para 6,8954 contra o dólar. 

E a relação mais equilibrada entre as duas moedas, ao lado de todos os outros itens que criaram a disputa comercial entre China e Estados Unidos, já era uma exigência do presidente Trump. 

Entenda:

>> Yuan chinês se fortalece e atinge alta de cinco meses nesta terça-feira, diz Xinhua

A agência internacional de notícias Bloomberg informou, na tarde desta terça-feira (14), que as tarifas de bilhões de dólares sobre mercadorias chinesas importadas pelos EUA deverão ser mantidas até depois do período das eleições presidenciais norte-americanas mesmo com a assinatura da fase um do acordo prevista para esta quarta-feira, 15 de janeiro. 

Ainda segundo a análise do diretor da ARC, Matheus Pereira nenhum dos dois lados - EUA ou China - irá revogar todas as tarifas impostas desde o início da guerra. Assim, a manutenção das taxas pode ser um novo banho de água fria para os mercados, inclusive da soja, já que pode manter a demanda da nação asiática ainda distante do mercado norte-americano. "Acreditamos que eles poderão colocar 'quotas' de importação sob isenção tarifária", completa. 

Leia mais:

>> Tarifas americanas sobre a China deverão ser mantidas mesmo após o acordo, diz Bloomberg

Então, durma bem, descanse, esvazie a mente e se prepare. O esperado 15 de janeiro vai exigir atenção, monitoramento e paciência para nos fazer entender, enfim, como ficarão as relações comerciais DO MUNDO. 

Bom descanso! E até amanhã!

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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