Açúcar sobe com revisão de excedente global, mas fundamentos seguem pressionados
O mercado internacional do açúcar encerrou a segunda-feira (20) em alta, impulsionado por revisões nas estimativas de excedente global e pela forte valorização do petróleo, que trouxe suporte adicional às cotações. Apesar da recuperação, o cenário ainda é de cautela.
O contrato de maio em Nova York fechou em alta de 16 pontos, cotado a 13,64 cents por libra-peso. Em Londres, o açúcar branco IC para agosto também avançou, com ganho de 53 pontos, sendo negociado a US$ 417,60 por tonelada.
A recuperação dos preços ocorre após sinais de um excedente global menor. A trading Czarnikow revisou suas projeções e reduziu a estimativa de superávit mundial para 2026/27 de 3,4 milhões para 1,1 milhão de toneladas. Para 2025/26, a projeção também foi cortada, de 8,3 milhões para 5,8 milhões de toneladas.
Petróleo dá suporte às cotações
O avanço do petróleo bruto, que subiu cerca de 6% na sessão, também contribuiu para o movimento altista. A valorização do óleo eleva a competitividade do etanol, o que pode incentivar usinas a direcionarem maior parte da cana para a produção de biocombustível em detrimento do açúcar, reduzindo a oferta global da commodity.
Outro fator de suporte veio das preocupações com o abastecimento global após tensões envolvendo o Estreito de Ormuz. Segundo a Covrig Analytics, eventuais restrições na região podem impactar cerca de 6% do comércio mundial de açúcar refinado.
Apesar da alta pontual, o mercado ainda opera sob pressão. Nas últimas três semanas, o açúcar acumulou perdas e chegou recentemente ao menor nível em 5,5 anos no contrato mais próximo em Nova York, refletindo expectativas de ampla oferta global e demanda enfraquecida. Em Londres, o vencimento de maio registrou entregas de 472.650 toneladas, o maior volume para o mês em 14 anos, sinal de consumo mais fraco.
Produção no Brasil
O aumento da produção no Brasil segue como um dos principais fatores baixistas. A expectativa para a safra 2026/27 no Centro-Sul aponta para cerca de 635 milhões de toneladas de cana e produção superior a 40 milhões de toneladas de açúcar, ampliando a disponibilidade global.
Esse cenário se soma à recuperação produtiva em países do Hemisfério Norte, como Índia, Tailândia e México, reforçando um ambiente de excedente estrutural. Mesmo com as recentes altas, que levaram o açúcar a cerca de 16,1 cents por libra-peso, o movimento perdeu força diante da redução dos prêmios geopolíticos e da queda no complexo energético.
“Embora fatores macroeconômicos e geopolíticos tenham impulsionado a volatilidade recente, os fundamentos seguem baixistas, com o etanol recuperando competitividade como principal mecanismo de ajuste”, afirma Lívia Coda, da Hedgepoint Global Markets.
No Brasil, o etanol voltou a ganhar participação no mix das usinas. Atualmente, cerca de 48% da cana está sendo destinada ao biocombustível, acima do nível considerado mais equilibrado, próximo de 44,5%, indicando espaço para ajustes graduais na alocação da produção.
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