Com oferta restrita de animais, abate de bovinos recuou 9,2% no primeiro trimestre de 2020

Publicado em 14/05/2020 12:26 e atualizado em 14/05/2020 14:28 2539 exibições
Thiago Bernardino de Carvalho - Pesquisador do Cepea
Com a demanda chinesa aquecida, o volume de carne bovina exportado pelo Brasil de janeiro a abril deste ano é recorde, na qual a China foi responsável por comprar 203,47 mil toneladas neste período. Com câmbio e novos casos de Peste Suína Africana, o Brasil tem potencial para atender diversos mercados internacionais.

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Entrevista com Thiago Bernardino de Carvalho - Pesquisador do Cepea sobre o Mercado do Boi Gordo

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Nesta quinta-feira (14), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou os resultados preliminares em que os abate de bovinos recuaram 9,2% no primeiro trimestre de 2019, frente ao mesmo período de 2019. Já na comparação com os quarto primeiros meses deste ano a queda foi de 10,8% se observada com os dados do ano passado.

No primeiro trimestre, foram abatidas 7,20 milhões de cabeças de bovinos. “A produção de 1,82 milhão de toneladas de carcaças bovinas no primeiro trimestre consistiu em uma retração de 6,5% em relação ao mesmo trimestre do ano anterior e queda de 12,8% em relação ao 4º trimestre de 2019”, conforme o instituto reportou.

“No ano passado, o mercado estava com um abate maior de fêmeas e essa redução dos abates é reflexo de uma menor oferta de animais no campo. Até mesmo a valorização do milho no segundo semestre do ano passado acabou influenciando no volume de animais terminados e isso acaba justificando a sustentação dos preços da arroba”, afirma o Pesquisador do Cepea, Thiago Bernardino de Carvalho.

Outro fator que interfere na composição de preços é as exportações que estão aquecidas com a demanda chinesa. Segundo dados da Secex, o país asiático foi destino de 203,47 mil toneladas de carne, mais que o dobro da quantidade registrada no mesmo período de 2019 (de 96,05 mil toneladas).

“A demanda externa de final de março para o momento atual acabou sustentando as cotações. A China tem demando muito da nossa carne e é responsável por 37% de todas as compras. Algumas outras questões também impactaram o mercado com a redução dos abates de búfalos na Índia e os embargos dos frigoríficos australianos”, comenta.

Em função do avanço do coronavírus na Índia, algumas plantas frigoríficas no país estão enfrentando dificuldade em abater e produzir búfalos. “A Índia tem alguns mercados com a China e Oriente Médio que podem demandar mais carne do Brasil. Só lembrando que no Oriente Médio temos grandes players importantes, como o Egito que é o nosso terceiro maior comprador. Em quinto temos a Arábia Saudita e em  sexto colocado temos o Emirados Árabes”, relata.

No início desta semana, a Administração Geral da Alfândega da China suspendeu quatro plantas frigoríficas da Austrália. Dentre as plantas que foram suspensas pela a potência asiática estão as unidades 170 e 235 da JBS, a unidade 239 da NCMC e a unidade 640 da KILCOY.

“As exportações australianas para a China representavam algo em torno de 19% até o final de 2019, porém no mês de abril a potência asiática aumentou o share para 26%. Só que a China vem sofrendo alguns ataques após o avanço do coronavírus no mundo, por isso devemos ter um pouco de cautela para não perder esse movimento importante das exportações”, destaca.

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Com relação às exportações de maio, Bernardino destaca que temos um cenário muito favorável com o dólar e a moeda brasileira desvalorizada. “O nosso câmbio desvalorizado nos possibilita a exportar mais carne. Outro ponto importante são os novos casos de Peste Suína Africana e que acaba motivando exportação de proteínas animais do Brasil”, reforça.

 

No fechamento desta quarta-feira (13), o indicador boi gordo do Cepea encerrou precificado a R$ 199,90/@ no estado de São Paulo. “Nos últimos cinco anos com preços deflacionados, a nossa média ficou em torno de R$ 180,00/@. Nós estamos com uma arroba de R$ 20,00 acima do que observamos nos últimos anos”, explica.

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Por:
Andressa Simão
Fonte:
Notícias Agrícolas

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