Safra está bem comprometida nos EUA e momento é oportuno para produtor do BR, diz Ginaldo de Souza

Publicado em 17/06/2019 12:10 e atualizado em 18/06/2019 10:49
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Problemas vão de solos encharcados ao mau enraizamento, além de logística comprometida e perda de produtividade. Dúvidas maiores agora são sobre a extensão da área que ficará sem ser plantada. Para os preços, apesar da subida com o clima, nova pressão pode vir da demanda fraca nos EUA e dos seus estoques elevados.
Ginaldo de Sousa - Diretor Geral do Grupo Labhoro

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Entrevista com Ginaldo de Sousa - Diretor Geral do Grupo Labhoro sobre as Lavouras de soja e milho nos EUA

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Direto do Meio-Oeste norte-americano, em Hannibal, no Missouri o diretor do Grupo Labhoro, Ginaldo de Sousa, continua trazendo relatos sobre os problemas da nova safra norte-americana em primeira mão ao Notícias Agrícolas. Os desafios continuam grandes, como explicou o analista, que já percorreu mais de 1600 km nos últimos três dias. 

Em quase todas as regiões produtoras já visitadas - Indiana, Ohio e Illinois, além de parte do Missouri - os agricultores relatam preocupações não só com as chuvas excessivas e intermitentes, mas também com a reação do mercado. Embora os preços estejam subindo neste momento, a fraca demanda nos Estados Unidos pode pressionar as cotações novamente, mais a diante. 

"Os produtores tinham problemas de preços baixos por conta da guerra comercial e agora não sabem se vão plantar sua safra totalmente devido ao clima, e os preços estão subindo. Mas vão vender para quem?", diz Sousa, após conversas com alguns produtores no Corn Belt. 

CLIMA X SAFRA NOVA 

Mais grave, a situação do milho já sinaliza uma perda de produtividade considerável, o que na opinião do analista foi bem colocada pelo USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) em seu reporte mensal de oferta e demanda. E a situação ainda pode se agravar. 

"E muitas áreas de milho ainda estão debaixo d'água e esse milho não vai crescer, vai apodrecer e morrer. Então, a questão da produtividade é muito séria, além da área menor", explica. 

Na soja, há ainda cerca de 10 dias de janela de plantio, o que pode permitir um avanço considerável da cultura. No entanto, o limitante continua sendo o clima. As previsões ainda mostram muitas chuvas sobre esse período e o que mais se questiona agora é quanto dessa área faltante de soja ainda poderá ser plantada. E isso poderá ser conhecido em mais 10 dias.  

"Se o clima permitir, ele planta nos próximos dias, mas não é isso que temos pela frente. O produtor vai ter que entrar julho plantado, e sabemos que essa produtividade é sempre menor do que quando se planta dentro da janela", lembra Sousa. 

Além do plantio, as dúvidas estão também sobre a qualidade que essas lavouras irão apresentar durante seu desenvolvimento. Há muitas áreas encharcas, alagadas, problemas de germinação e enraizamento. "E se faltar chuva durante o verão, principalmente no fim de julho e agosto, vai complicar. Então, não temos uma safra definida, precisamos saber como será o clima lá para frente", diz. 

E as previsões para agosto e setembro indicam chuvas normais e, com condições de normalidade sendo confirmadas, a situação muda e as perspectivas também. 

A logística norte-americana também tem sido drasticamente atingida pelas chuvas excessivas, compromentendo uma série de terminais de escoamento de grãos, com os rios muitos cheios, portos fechados e impedidos de seguirem com seus trabalhos. Rodovias também estão bloqueadas em muitos pontos 

"E isso, naturalmente, aumenta  os fretes, aumenta tudo. Ainda bem que não é época de colheita, quando há muito volume para transportar. Se espera que até lá as águas baixem. Esse ano está sendo algo extraordinariamente diferente, com chuvas excessivas", relata. 

As imagens mostram as imediações do porto de Saint Louis, no Missouri:

Porto de Saint Louis/Missouri rio cheio EUA 2019

Porto de Saint Louis/Missouri rio cheio EUA 2019

Porto de Saint Louis/Missouri rio cheio EUA 2019

REAÇÃO DO MERCADO

O atual momento para o mercado de grãos é de extrema volatilidade, porém, muito oportuno para o produtor brasileiro, ainda como explica Ginaldo Sousa. "Tem que aproveitar a maré", diz o analista, lembrando da pressão que os preços podem sentir na medida em que a safra for sendo definida e questão da demanda fraca - sem a volta dos chineses ao mercado americano - novamente no centro das discussões.

O mercado ainda tem potencial de alta - com o milho podendo chegar aos US$ 5,00 por bushel, mas sem grande espaço para muito mais do que isso, e a soja podendo buscar os US$ 10,00 - na relação com o milho. No entanto, o cenário é incerto e inspira cautela na comercialização. 

"O produtor brasileiro tem chances de pegar preços melhores, mas tem que ir aos poucos aproveitando. Procure fazer o seu melhor. É importante salvar aquilo que você tem nas mãos, porque esse mercado é bastante volátil", orienta o analista.

Veja ainda as primeiras informações  trazidas por Ginaldo - as fotos estão na sequência - e as previsões para os EUA nos próximos dias nos links abaixo:

>> Exclusivo: Ginaldo de Sousa (Labhoro) envia imagens do plantio norte-americano

>> Com a safra já muito comprometida, Corn Belt tem mais dias de chuvas fortes

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Por: Carla Mendes | Instagram @jornalistadasoja
Fonte: Notícias Agrícolas

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