Soja: Plantio no Brasil Central pode se atrasar com padrão mais seco entre meados de setembro e fim de outubro

Publicado em 06/09/2019 11:53 e atualizado em 06/09/2019 15:33
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A partir do início de novembro, chuvas já se mostram mais estáveis e melhor distribuídas, favorecendo o desenvolvimento das lavouras. Preocupações já se ampliam, inclusive, para a safrinha 2020, que pode ter uma janela mais ajustada no ano que vem. À vésperas do início da nova safra, produtor tem de aproveitar as oportunidades que o mercado vem oferecendo.
Matheus Pereira - Diretor de Mercado da ARC Mercosul

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Mercado da Soja - Entrevista com Matheus Pereira - Diretor de Mercado da ARC Mercosul

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Durante o mês de agosto a ARC Mercosul realizou um crop tour nas lavouras de soja e milho dos Estados Unidos, na qual foi possível observar que a safra americana está muito desuniforme. Em contrapartida, a safra de grãos brasileira deve iniciar a temporada com clima mais seco.  

De acordo com o Diretor de Mercado da ARC Mercosul, Matheus Pereira, a safra de grãos americana está com muita variabilidade. “Tem alguns talhões com milho muito bem desenvolvidos e alguns quilômetros para frente encontra um talhão bem denegrido com um sinal de estresse hídrico bem evidente”, comenta.

No caso da soja, as lavouras apresentam estar em condições mais favoráveis. Pereira ressalta que a ARC Mercosul vai a campo novamente em setembro para realizar as analises de potencial produtivo novamente. “Não fazemos apenas análise quantitativa, nós entramos na lavoura e contamos o número de vagens, espigas e fileiras do milho. Neste ano não conseguimos fazer isso devido ao atraso da safra”, ressalta.

A expectativa é que no relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado no próximo dia 12 de setembro, venha a ter uma redução  de 3% a 8% das estimativas de produtividade tanta para a soja quanto para o milho. “Sei que esse percentual pode não parecer muito, pois tem muitos dizendo que a safra está muito boa e outra parte dizendo que a safra está comprometida”, destaca.

O diretor salienta que a guerra comercial entre os Estados Unidos e a China tem proporcionado um descolamento do mercado brasileiro diante do mercado em Chicago. “Os prêmios ainda sustentam ofertas muito interessantes para a venda da soja no Brasil, assim como o Câmbio. Essa guerra comercial acaba influenciando o investidor internacional que vê a instabilidade de aplicar em mercados emergentes”, aponta.

Safra 2019/20

No caso da safra brasileira, Pereira esclarece que a próxima safra não será semelhante a da temporada passada em que muitos produtores foram beneficiados com as chuvas antecipadas. “Em 2019, o cenário parece ser totalmente diferente, tendo em vista que temos um padrão mais seco no centro do Brasil. Em outubro, uma massa de ar quente vai estacionar em toda a região central e não vai afetar o sul do país”, comenta.

“Essa situação vai gerar um desconforto para o produtor rural, mas a principal preocupação é na janela da safrinha. Porém, ainda tem um potencial produtivo muito alto desde que o cenário climático em novembro se mantenha estável”, diz Pereira.

Diante dos desafios climáticos, os produtores rurais devem estar preparados para realizar comercializações antecipadas. “O produtor não deve esperar por milagres nos preços, pois é o momento de aproveitar os patamares de câmbio e temos ofertas interessantes e lucrativas para 2020 e comece a fazer a sua proteção”, relata.  

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Por: Carla Mendes e Andressa Simão
Fonte: Notícias Agrícolas

1 comentário

  • Gladston Machareth Campo Grande - MS

    Esse é o problema de países com dimensões continentais, como o Brasil.

    Enquanto em Roraima se colhe a soja, nas regiões centro-oeste e sul os produtores se preparam para plantá-la, com pouco otimismo, em razão da previsão de demora nas chuvas.

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