Mercado de café: Jogando a bóia para o Robusta

Publicado em 17/06/2012 19:57 e atualizado em 06/06/2013 17:11 878 exibições
Comentário Semanal - de 11 a 15 de junho de 2012. Por Rodrigo Corrêa da Costa, que escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting.
Volta-se a especular sobre uma nova rodada de injeção de liquidez para ajudar os Estados Unidos e Europa. Nada de concreto, mas dados inflacionários abaixo da expectativa, mercado de trabalho mais fraco e comentários de vários presidentes de bancos centrais alimentaram a esperança dos investidores.
Para azedar, os “bonds” de 10 anos da Espanha negociaram com o maior juro da era do Euro, 6.998%, nível que desencadeou pacotes de ajuda a outros países da Europa.
Na Grécia a bolsa de aposta é que nas eleições de hoje, domingo dia 17, o resultado seja favorável ao partido que defende medidas de ajustes mais severas para a economia, razão que fez com que a bolsa local subisse 10% na última quinta-feira.
Os principais mercados acionários encerraram a semana com ganhos entre 1% e 3%, mas os índices de commodities não acompanharam a alta.
O café arábica em Nova Iorque caiu pela 4ª semana consecutiva, perdendo US$ 7.14 por saca no contrato de setembro, e o robusta em Londres subiu US$ 1.26 por saca.
O motivo da queda do primeiro parece estar relacionado com uma total falta de interesse dos torradores em comprar mais futuros – depois de terem comprado bastante desde o rompimento dos US$ 200 centavos – e alguma pressão de venda de origens e fundos. 
Já na LIFFE a falta de venda de origem e notícias de que o Vietnã pode ter uma queda de produção de 15% para a próxima safra deu sustentação aos preços.
Resultado = a arbitragem entre os dois mercados caiu para US$ 56.47 centavos por libra-peso. Rumo aos 40 centavos?
No físico os diferenciais para os suaves cederam levemente, e para os naturais brasileiros tiveram uma leve alta. 
Os altistas continuam no escuro procurando uma lanterna que possa iluminar seu caminho e idéias. A safra brasileira, que muitos imaginavam que adiantaria, acabou atrasando em função das chuvas. Os estoques na maior parte dos países consumidores cedem, e a indústria não parece se preocupar em aumentar cobertura de diferenciais. 
Talvez a atitude dos torrefadores não seja errada, pois mesmo que os diferenciais firmem o custo da matéria-prima será bem abaixo do que tinham programado, ainda que o terminal eventualmente volte para US$ 180 centavos.
Os preços do arábica na ICE adicionando os prêmios de acordo com a qualidade e origem já estão abaixo do custo de produção para grande parte dos países produtores – o que não necessariamente significa que o terminal vai parar de cair. Por outro lado o aumento de produção por maior uso de fertilizantes e melhor cultivo parece que perde força a partir de agora.
O verão no hemisfério norte e incertezas sobre novas recessões em nada ajudam nosso mercado de café, que ainda precisa negociar boa parte da safra brasileira. Resta agora aos altistas a esperança de que a manutenção do preço do robusta pare de fazer o “C” cair mais.
A que ponto chegamos, hein?!
Se o real não voltar a 2.10 acredito que o mercado não venha muito abaixo de US$ 150.00 centavos. 
Uma excelente semana a todos e muito bons negócios.
Fonte:
Archer Consulting

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