Acordo da Monsanto gera polêmica e divergência em diferentes estados

Publicado em 26/07/2013 12:42 e atualizado em 29/07/2013 17:47
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O acordo recém firmado entre a Monsanto, a Famato (Federação da Agricultura do Estado do Mato Grosso) e 47 sindicatos rurais do estado divulgado na última terça-feira (23) está gerando bastante polêmica. No Rio Grande do Sul, por exemplo, o acordo não foi aceito e, na Bahia, ainda em análise e, mesmo no estado do Mato Grosso alguns sindicatos não se mostraram confortáveis com os temas propostos. 

O acordo prevê que os sojicultores terão um desconto no uso da tecnologia Intacta RR2 de R$ 18,50 nas próximas quatro safras, com o valor passando de de R$ 115 para R$ 96,50 por hectare. Em troca desse desconto, os produtores abrem mão, na Justiça, das ações em que são cobram o ressarcimento dos royalties pagos indevidamente a partir de 2010, quando a tecnologia se tornou de domínio público. 

"A Monsanto reconheceu através de uma ação na Justiça que deixou de cobrar os royalties da RR1 nas próximas duas safras, e isso representou R$ 1 bilhão para o Brasil, e agora, na finalização do acordo, a Monsanto deverá conceder esse bônus que também traduz a importância de R$ 1 bilhão para o Brasil e cerca de R$ 250 milhões para o estado do Mato Grosso. (...) Nós conseguimos disciplinar a relação entre a multinacional maior detentora de tecnologia do mundo com os produtores rurais do nosso país", declarou o presidente da Famato, Rui Prado. 

No entanto, essa opinião de que o acordo seria benéfico para os agricultores não é unanimidade e, para o advogado Néri Perin, que representa alguns sindicatos rurais do Rio Grande do Sul, o mesmo só beneficia a multinacioanl. Perin afirma que os produtores se dizem perplexos com a negociação no Mato Grosso. 

"A Monsanto querendo cobrar R$ 115,00 na primeira geração da semente é um direito dela e nunca discordamos disso. Mas, a inteligência de você fazer sua semente própria para regular esse mercado e trazer para a realidade, ou seja, o agricultor tem o direito de fazer sua semente própria e replantar, sem pagar mais nada a título de propriedade intelectual. Isso está escrito na legislação de cultivares", explica o advogado. 

Perin afirma que outra questão do caso Monsanto, é a diferença entre o valor pago entre as duas gerações, quando na primeira tratava-se de R$ 21,50, na segunda, chega a R$ 115,00, porém, os benefícios propostos a não são garantidos.

Outro advogado que também não vê vantagens nesse acordo é Marcio Rogério de Souza, que representa produtores do oeste da Bahia. Segundo ele, a Monsanto tem uma dívida bilionária com os sojicultores e "tenta induzí-los a abrir mão de seus direitos para ter acesso a uma nova tecnologia". 

“Os produtores e as lideranças precisam entender que um acordo desse porte envolvendo o setor mais produtivo do Brasil tem que ser discutido e não imposto. Os agricultores precisam ser esclarecidos sobre o que está acontecendo para aderir ou não a esse acordo. A Monsanto quer resolver a situação sem desembolsar dinheiro e pagar o valor bilionário que deve aos produtores", afirma Márcio. 

O advogado explica ainda que, "ao assinar o acordo, o sojicultor abre mão de entrar com ações contra a empresa, além de não ter o direito de reservar essa semente, sendo que a legislação brasileira garante isso aos produtores independentemente de onde veio a tecnologia e, uma vez que o produtor não poderá reservar essa semente, a Monsanto será a única que poderá arbitrar o valor da nova tecnologia, deixando os produtores a seu dispor”.  

Assim, frente a esse posicionamento, a orientação de Souza aos produtores brasileiros é de que não assinem o acordo, além de procurarem saber mais sobre os termos e suas lideranças antes de tomarem suas decisões. Isso é o que está sendo feito pelo Sindicato Rural de Luís Eduardo Magalhães. 

Segundo Vanir Kölln, presidente da entidade, o documento será colocado em discussão na diretoria para que seja tomada uma decisão. Kölln diz ainda que o sindicato e os produtores também devem analisar as opiniões da Aprosoja MT e da Aprosoja Brasil para que a questão seja definida no município. 

Segundo Glauber Silveira, presidente da Aprosoja Brasil, é importante que o produtor avalie sua situação e tome a melhor decisão para si. Além disso, lembra que os sojicultores têm a opção de entrar com sua ação individual na Justiça caso julgue necessário. 

Como produtor rural, Silveira se diz a favor do acordo. No entanto, afirma que a decisão da Aprosoja Brasil ainda não foi definida e que será decidida em uma assembleia, levando em conta a decisão da maioria das filiais de cada estado da entidade. "A Aprosoja Brasil serve como um fórum de discussão para os agricultores", disse. 

Posicionamento da Monsanto - Em entrevista ao programa Mercado & Cia, o diretor de Estratégia e Gerenciamento de Produção da Monsanto, Márcio Santos, diz que o valor dos R$ 115,00 por hectare se baseia nos três principais benefícios oferecidos pela nova tecnologia e foi definido após várias discussões com entidades do setor.

“O acordo foi uma maneira de estabelecer que o Brasil se torne um país para lançamento de tecnologia. O país é um importante mercado de soja no mundo e precisava criar uma base onde o produtor reconhecesse a importância da tecnologia e se dispusesse a pagar pelo investimento da tecnologia e foi aqui que começou o acordo”, disse o representante da Monsanto. 

“Somos a empresa das opções, o produtor tem duas opções, se quiser plantar a Intacta, mas não quiser encerrar as discussões anteriores podem cultivar a tecnologia e pagar R$ 115,00 ou para o agricultor que está interessado em finalizar a discussão anterior oferecemos o bônus de R$ 18,50 por hectare, mas a decisão é de cada produtor”, orienta Santos. 

Nos links abaixo, veja as opiniões de lideranças sobre o assunto:

>> Néri Perin - Advogado do Rio Grande do Sul

>> Marcio Rogério de Souza - Advogado da Bahia

>> Glauber Silveira - Presidente da Aprosoja Brasil

>> Rui Prado - Presidente da Famato 

>> Leonildo Barei - Presidente do Sindicato Rural de Sinop

>> Julio Freitas - Presidente do Sindicato Rural de Santiago/RS

>> Márcio Santos - Diretor Estratégia e Gerenciamento de Produção da Monsanto

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Por: Carla Mendes
Fonte: Notícias Agrícolas

4 comentários

  • Dorcas Guimarães Espírito Santo Ibirataia - BA

    Temos que tomar muito cuidado com terrorismo biológico.No cacau da Bahia aconteceu e os terroristas se beneficiaram muito politicamente, hoje são "malandros de gravata e contrato social", sendo a "raposa que manda no galinheiro". Será que esses políticos terroristas do cacau não estão por traz de alguma sujeira por aí? É bom ficar ligado, afinal, segundo réu confesso, um dos terroristas é o Deputado Federal Geraldo Simões do PT. Então, OLHO NELE.

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  • salvador reis neto Santa Tereza do Oeste - PR

    (e continuando)guanxuma entre outas de difícil controle simplesmente desapareceram graças ao uso da tecnologia rr, portanto foi sim um grande avanço, já a intacta vamos ter que experimentar ver se e viável, mas a meu ver deve ter seu valor e não deixa de ser mais uma alternativa de cultivo, porem não deve ser imposição de mercado aos produtores.

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  • salvador reis neto Santa Tereza do Oeste - PR

    caros amigos do noticias agrícolas, graças a tecnologia rr conseguimos eliminar as dificuldades de se limpar a soja e verdade que algumas ervas daninhas se tornarão resistente com o uso consecutivo do glifosato, por aqui poucos produtores usam a rr no milho, justamente para quebrar o uso sequencial do glifosato, acredito que se eu quiser voltar a plantar a soja convencional seria bem mais fácil de limpar pois muitas ervas daninhas de difícil controle como; picao preto, amendoim bravo,

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  • Lindalvo José Teixeira Marialva - PR

    O acordo prevê que os sojicultores terão um desconto no uso da tecnologia Intacta RR2 de R$ 18,50 nas próximas quatro safras, com o valor passando de de R$ 115 para R$ 96,50 por hectare. Esse valor de R$115,00 por hectare é caro. Considerando a eficiência da RR2 em lagartas que estão surgindo (Helicoverpa)os ácaros e os percevejos. Temos que pensar na RR1 mesmo?

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