Eleições: Datafolha anuncia pesquisa com Marina ou sem candidato do PSB

Publicado em 14/08/2014 02:32 e atualizado em 14/08/2014 03:09 3628 exibições

Datafolha com Marina

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Perguntas sobre o destino do PSB na eleição

Em meio à consternação com a morte de Eduardo Campos, o Datafolha registrou sua nova pesquisa presidencial.

Entre as 22 perguntas que os 2 884 eleitores entrevistados responderão, o Datafolha questiona o que o PSB deve fazer depois da morte do seu candidato ao Planalto: lançar Marina Silva na cabeça da chapa, não lançar nenhum candidato ou apoiar algum dos dez outros presidenciáveis.

O primeiro levantamento sem o nome de Campos e com o de Marina na cartela foi registrado hoje pelo Datafolha, que vai a campo entre amanhã e sábado para entrevistar 2 884 eleitores. O resultado sai na segunda-feira.

Por Lauro Jardim

Datafolha anuncia pesquisa a partir de amanhã. Será que é mesmo um bom momento?

O Datafolha anuncia que registrou uma nova pesquisa no TSE. As entrevistas já começam a ser feitas nesta quinta. O resultado deve vir a público no sábado ou no domingo. Tudo indica que será antes de o PSB decidir se Marina Silva será ou não a substituta de Campos. Dois cenários serão testados: com a líder da Rede em lugar de Campos e com candidato nenhum. Pois é… E se o nome do PSB for J. Pinto Fernandes?

Cada um faça o que quiser. Eu escrevo o que penso: acho que sob o impacto da morte de Campos — que não tende a durar no tempo, não com a mesma intensidade ao menos —, o resultado pode trazer uma distorção importante.

Marina sempre teve um percentual acima de Campos. Eu mesmo lembrei aqui que, no último Datafolha em que seu nome foi testado, ela apareceu com 27%; ele, com 14% — depois murchou. Mais: Marina aparecerá intensamente no noticiário nestes dias.

Há fatores conjunturais aí que podem interferir de maneira importante no resultado. Um dado como esse também tende a criar impacto no partido: um eventual número vistoso, dadas as circunstâncias, praticamente impõe o nome de Marina sem condicionantes. Em vez de ela negociar com o partido — já que a sua pauta é outra —, podem-se criar as circunstância para se dar o contrário: o partido ter de negociar com ela.

E não é só: Campos, o PSB e a sua postulação jamais terão merecido o destaque que necessariamente terão nestes dias. As circunstâncias trágicas não alteram um dado da realidade. O natural é que haja um movimento de solidariedade misturado a piedade. Aliás, espero que assim seja, se querem saber. Os que não se comovem diante de uma tragédia como essa, digo sem medo de errar, não são pessoas emocionalmente recomendáveis…

Se alguém acha que estou a fazer considerações em favor desse ou daquele, erra o alvo. Há o risco até de a candidatura do PT sofrer um impacto negativo. Como ignorar que a hashtag #foiaDilma chegou a integrar os trending topics do Twitter? É claro que se trata de uma bobagem, meio asquerosa até, mas as ondas vão se criando. Até no programa diário que faço na Jovem Pan — Os Pingos no Is —, surgiram hipóteses conspiratórias. É evidente que não vou ficar aqui a negar essa possibilidade porque não faz nenhum sentido. Mas é preciso ficar claro que uma Marina candidata é um cenário pior para Dilma — quando menos porque elimina de vez a vitória no primeiro turno.

Mais: a esta altura, nem se sabe ao certo quando será feita a cerimônia de sepultamento. Vamos acompanhar a coisa nas próximas horas. Será preciso fazer exame de DNA para identificar os restos mortais dos sete ocupantes do avião.

“Ah, mas é interessante saber o que as pessoas pensam, assim, logo depois da tragédia…” É, sim. Mas cabe indagar se, nesse caso, uma pesquisa não se torna, além de medidor de opiniões e escolhas, também um fator eleitoral.

Por Reinaldo Azevedo

1 minuto com Augusto Nunes: Cinco meses depois de ter comparado Eduardo Campos a Collor, Lula finge chorar a morte do ‘homem público de rara e extraordinária qualidade’

‘Os jihadistas tupiniquins’, de Marco Antonio Villa

Publicado no Globo desta terça-feira

Estamos a menos de dois meses das eleições. Mas não parece. Há um clima de desânimo, de desinteresse, de enfado. Acreditava-se que, após o fim da Copa do Mundo, as atenções estivessem concentradas no processo eleitoral. Ledo engano. A pasmaceira continua a mesma. Agora, o divisor de águas é o horário gratuito que começa dia 19. Para o PT, este é o clima ideal para a eleição presidencial. Quanto menor o interesse popular, maior a chance de permanecer mais um quadriênio no poder. O partido tem, inclusive, estimulado discretamente campanha pelo voto nulo ou branco. Sabe que muitos eleitores estão desanimados com a política, justamente com as mazelas produzidas pelo próprio petismo.

A desmoralização das instituições foi sistematicamente praticada pelo partido. A compra de maioria na Câmara dos Deputados, que deu origem ao processo do mensalão, foi apenas o primeiro passo. Tivemos a transformação do STF em um puxadinho do Palácio do Planalto. O Executivo virou um grande balcão de negócios e passou a ter controle dos outros dois poderes. Tudo isso foi realizado às claras, sem nenhum pudor.

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Análise da Folha: Em choque, políticos especulam a sucessão

por IGOR GIELOW, DIRETOR DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Ainda sob o impacto desconcertante do acidente em Santos, aqui e a ali o mundo da política murmura o óbvio: após a tragédia que matou Eduardo Campos, que rumo terá a sucessão presidencial?

Os murmúrios, claro, não se farão públicos por respeito à dor das famílias das vítimas e pela genuína perplexidade que a morte causou. Mas já acontecem, e deverão crescer em intensidade pelo simples fato de que a campanha da TV começa na semana que vem. Hoje, convergem para o que acontecerá com a candidatura do PSB.

Passado o choque inicial, espera-se que Marina Silva tome uma posição como candidata a cabeça de chapa. Para tanto, terá dez dias a contar de hoje, segundo a Lei Eleitoral, e precisa do apoio por escrito das Executivas dos partidos que apoiavam Campos.

Aqui entra o questionamento. O PSB irá apoiar Marina? Campos era a figura central e agregadora da campanha, equilibrando os interesses diversos do seu partido com os integrantes do campo de Marina –com efeito, eles ainda se denominam parte da Rede, a agremiação que a ex-senadora fracassou em montar para disputar a eleição.

As coisas eram tão tensas que o comando da campanha era sempre duplo. Para cada instância decisória do PSB, havia uma da Rede. Mesmo formalmente filiada ao PSB, Marina nunca escondeu que seu plano ainda é viabilizar o seu partido.

Assim, as alas que nunca engoliram Marina, como a do chefão partidário Roberto Amaral, poderão ter dificuldade em assinar um cheque em branco para a vice de Campos virar a titular da chapa. Temerão ser alijados de um eventual governo Marina, esfacelando-se como partido.

Para esses pedaços do PSB, um aceno amigo do PT por uma neutralidade no pleito em troca da volta do partido ao governo em um hipotético segundo mandato de Dilma é uma opção absolutamente lógica. Na visão de petistas, mas não só deles, sem um terceiro candidato viável no páreo não haverá segundo turno –e Dilma deverá ser reeleita.

Por outro lado, há o óbvio: a comoção generalizada com a morte de Campos deve levar a um clima em favor da unção de Marina como sua substituta. Afinal, ela era a vice escolhida: se ele tivesse sofrido o acidente na Presidência, ela assumiria.

E há o fato de que Marina sempre foi uma pré-candidata mais forte que Campos. Surfou melhor nas pesquisas eleitorais do que pessebista, devido ao "recall" de sua excelente votação em 2010 –quando teve 19% dos votos no primeiro turno. Antes de a Rede ser indeferida pela Justiça e de ela unir-se surpreendentemente a Campos no ano passado, ela era a segunda colocada em intenções de voto.

Claro, Marina também poderá recusar a tarefa. Não seria a primeira vez que a ex-senadora causaria uma surpresa eleitoral; a primeira foi sua votação em 2010, a segunda, sua aliança com Campos em 2013. Aí a situação ficará muito difícil para Aécio Neves (PSDB), por mais que ele tenda a herdar parte dos votos de Campos. 

Dificuldade na campanha era maior que a prevista

por BERNARDO MELLO FRANCO, EDITOR INTERINO DO "PAINEL"

Em um perfil recente, a revista "Piauí" chamou Eduardo Campos de "candidato anfíbio". Era uma boa definição para sua capacidade de transitar da esquerda à direita, do governo à oposição, com uma versatilidade que surpreendia políticos mais veteranos.

Neto de Miguel Arraes, perseguido pela ditadura militar, o presidenciável vestiu o figurino conciliador. Cultivava proximidade com movimentos sociais, base histórica do avô, mas investia em alianças com conservadores pelo sonho de chegar ao Planalto.

Foi de olho na sucessão que ele abriu as portas do Partido Socialista Brasileiro para ícones do velho PFL, como os ex-senadores Jorge Bornhausen e Heráclito Fortes. Estava prestes a fazer o mesmo com o ruralista Ronaldo Caiado quando foi surpreendido pela adesão de Marina Silva, em outubro de 2013.

O candidato ajustou o discurso para incorporar o repertório ecológico da vice, mas as contradições da chapa continuavam. Em Pernambuco, seu palanque teria a presença de Severino Cavalcanti e Inocêncio Oliveira, símbolos da "velha política" que ele prometia combater.

Faltando menos de dois meses para a eleição, Campos enfrentava mais dificuldades do que previa em suas análises otimistas do início do ano. Ele esperava chegar ao início da propaganda de TV, semana que vem, com cerca de 20% das intenções de voto. Tinha apenas 8%, segundo o Datafolha, e não conseguia provar a viabilidade de uma terceira via em 2014.

Mesmo que não chegasse desta vez ao segundo turno, todos apostavam que ele voltaria mais forte na próxima corrida presidencial. Aos 49 anos, o pernambucano contava com o tempo a seu favor. 

Dataqualy: Marina vai superar o percentual de

Campos em dez dias (REVISTA ´´EPOCA)

A avaliação é do diretor do instituto de pesquisas baiano Dataqualy, Carlos Martins: "Se assumir a candidatura à presidência pelo PSB, Marina Silva só precisará de dez dias para superar as intenções de votos que eram de Eduardo Campos". Na última pesquisa do Ibope, divulgada na semana passada, o socialista Campos apareceu com 9% das intenções de votos, atrás da presidente Dilma Rousseff (38%) e do senador tucano Aécio Neves (23%). Martins diz que o povo brasileiro é místico e, por isso, quem substituir Campos será rapidamente beneficiado: "A exposição da tragédia será muito grande e vai provocar uma comoção nacional. A Marina, que era a vice da vítima, tem cara de santa, discurso sonhático e o capital eleitoral dos 20 milhões de votos que recebeu em 2010". Para Martins, quem mais perde com o desaparecimento de Campos é a presidente Dilma Rousseff. "Marina vai conquistar o eleitorado de esquerda que estava com Dilma por falta de opção nesse campo ideológico".

Tragédia muda cenário eleitoral e causa pânico no mercado financeiro

por FABIO ALVES de O ESTADO DE S. PAULO 

O pânico no mercado financeiro logo após a informação de que o candidato do PSB à Presidência da República, Eduardo Campos, morreu na aeronave que caiu em Santos na manhã desta quarta-feira, 13, reflete mais umareação involuntária de que em momentos de grande incerteza e nervosismo o melhor é vender. E não se trata propriamente de uma leitura racional do cenário eleitoral sem Campos.

O Ibovespa chegou a cair mais de 1,5% e o dólar entrou em queda, batendo em R$ 2,2630.

Mas a saída trágica e prematura do ex-governador de Pernambuco da corrida eleitoral, ao contrário do que os preços das ações e ativos em geral podem indicar, aumenta a probabilidade de um segundo turno, embora diminua a chance de acontecer a histórica polarização entre PT e PSDB.

Com o grande poder nas urnas de Marina Silva, candidata a vice-presidente na chapa do PSB, um eventual segundo turno poderá não colocar em lados opostos Dilma Rousseff e Aécio Neves, mas a candidata petista versus Marina Silva.

Já era a avaliação de investidores e analistas ouvidos por esta coluna que Marina era uma candidata mais forte do que Eduardo Campos. Primeiro, porque a ex-ministra do Meio Ambiente já é um nome muito mais conhecido do que o ex-governador de Pernambuco. Nas eleições de 2010, Marina teve o surpreendente desempenho de 20 milhões de votos ainda no primeiro turno.

Campos é mais conhecido no Nordeste e havia se mudado para São Paulo como parte do esforço de conquistar votos no Sul e Sudeste.

Campos havia perdido apoio do eleitorado nos últimos dois meses, tendo estancado no patamar abaixo de 10% da intenção de voto nas últimas pesquisas de opinião do Ibope, Datafolha e Sensus.

Isso porque o candidato do PSB tinha apostado num discurso de oposição moderada ao governo Dilma, numa tentativa de se posicionar como um candidato da “terceira via”, diferenciando-se do outro candidato de oposição mais bem colocado nas pesquisas, Aécio Neves.

“Campos não passa dos 10% das intenções de votos há algum tempo”, disse em entrevista recente a este colunista o especialista em marketing político e pesquisas eleitorais Sidney Kuntz. “Se ele (Campos) não decolar desse patamar que está atualmente num prazo de até 15 dias depois do início da propaganda eleitoral gratuita na TV, não acredito que ele possa chegar (ao segundo turno) e daí haverá o voto útil.”

No espectro ideológico, Campos poderia ser classificado entre as posições de Dilma e de Aécio.

Já Marina estaria muito mais próxima ideologicamente de Dilma do que de Aécio, especialmente na área social.

Se a ex-ministra do Meio Ambiente for, de fato, confirmada como herdeira de Eduardo Campos na chapa do PSB à eleição presidencial, seu poder de voto muito maior do que o ex-governador de Pernambuco poderá eliminar a probabilidade de que o pleito seria definido no primeiro turno, com vitória de Dilma.

“Seguramente, Marina teria mais votos do que o Campos”, afirma um economista com estreitos laços em Brasília. “Não dá para saber se ela (Marina) terá mais votos do que Aécio, mas agora a probabilidade de um segundo turno entre Dilma e Aécio já não é tão forte na cabeça dos investidores como era com Campos na cabeça de chapa.”

Do lado de empresários e investidores, Marina desagrada mais do que Campos por ter suas posições percebidas como menos “market friendly”, ou favoráveis ao mercado, especialmente quando se trata do tema “desenvolvimento econômico e respeito ao meio ambiente”.

O fato é que se Marina for confirmada como a nova candidata à Presidência da República pelo PSB mudará os cálculos de Dilma e Aécio para a campanha presidencial, incluindo o teor do programa gratuito na TV. E também os cálculos dos investidores.

Não dá para antecipar se Aécio perderá mais do que Dilma com a saída de Eduardo Campos e sua eventual substituição por Marina. As próximas pesquisas de opinião que refletirem a informação da morte de Campos poderão dar uma noção disso. Mas é fato que a ex-ministra do Meio Ambiente já chegaria com 20 milhões de votos no seu currículo. (O ESTADO DE S. PAILO).

POLÍTICA

Eduardo, o filho adotivo de Lula, por Ricardo Noblat

 

Pouco antes das eleições municipais de 2012, Sigmaringa Seixas, ex-vice-governador do Distrito Federal pelo PT, foi despachado por Lula ao Recife com uma tarefa que o ex-presidente considerava difícil, mas não impossível: convencer Eduardo Campos, então governador de Pernambuco pela segunda vez, a desistir da ideia de se lançar candidato à sucessão de Dilma dali a dois anos.

Até então ainda não se falava de público na candidatura de Eduardo pelo partido que ele presidia – o PSB. Eduardo recebeu Sigmaringa no Palácio do Campo das Princesas, sede do governo de Pernambuco. Conversaram sozinhos durante mais de duas horas. Sigmaringa retornou a Brasília no mesmo dia. Orientado por Lula, acenara para Eduardo com a hipótese de ele compor como vice a chapa de Dilma à reeleição.

Eduardo recusou a proposta. Alegou que não deixaria o governo para ser vice. Os pernambucanos não entenderiam seu gesto. Então Sigmaringa jogou na mesa o que imaginou que fosse um trunfo: Lula estava disposto a apoiar Eduardo para presidente em 2018. Em troca, Eduardo fecharia com a reeleição de Dilma.

- Obrigado, mas não topo – descartou Eduardo.

- Mas por quê? – insistiu Sigmaringa.

- Confio na palavra de Lula, mas não confio na palavra do PT – respondeu.

Aquela foi a maneira elegante que ele achou de dizer não a Lula. Na verdade, nem na palavra de Lula acreditava mais desde que o PT de Pernambuco desfizera o acordo com o PSB para disputar a prefeitura do Recife naquele ano. Estava combinado que o PT apoiaria o candidato de Eduardo. Com o consentimento de Lula, o PT preferiu ter candidato próprio.

A mais de uma pessoa nos últimos dois anos, Lula confidenciou que tinha Eduardo como uma espécie de filho político adotivo. E que esperava contar com ele para reeleger Dilma. Pai e filho não se falavam há mais ou menos seis meses.

 

Lula e Eduardo Campos, em 29/10/2010 - Foto: Hans von Manteuffel / Agência O Globo

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Veja + Folha de S. Paulo

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