Dilma exclui PMDB da primeira reunião para definir nomes da equipe de transição

Publicado em 02/11/2010 09:06
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Só petistas mais próximos foram chamados e receberam sua missão no grupo, a ser comandado por Dutra e Palocci

Mesmo com o vice na chapa, o PMDB foi alijado da primeira reunião da presidente eleita, Dilma Rousseff, realizada ontem de manhã e à tarde na casa da petista, no Lago Sul, um dos bairros nobres de Brasília, quando foram escolhidos os primeiros nomes da equipe de transição. 

Essa equipe será comandada pelo presidente do PT, José Eduardo Dutra, e pelo ex-ministro Antonio Palocci. Só foram convidados para a reunião com a presidente eleita os petistas mais próximos e cada um recebeu a sua missão para a futura equipe de transição.

Entre os peemedebistas, notava-se um misto de decepção pela ausência de um representante do partido na reunião com a presidente eleita, e a certeza de que o partido será tratado assim mesmo, à distância, porque os lugares mais próximos a Dilma estão reservados aos petistas.

Mas ficou no ar também um recado, o de que o PMDB saberá dar o troco sempre que for necessário. "Eles não vão governar sozinhos, vão governar com todo mundo", disse o deputado Eduardo Cunha (PMDB-SP). Para acrescentar, a seguir: "Durante toda a campanha, ela (Dilma) só se reuniu com esses mais próximos, mesmo."

Para atenuar a crise, o presidente do PT, José Eduardo Dutra, ligou ontem para o deputado Michel Temer (SP), presidente do PMDB e vice eleito na chapa de Dilma Rousseff, para convidá-lo a ter uma conversa, se possível hoje. Temer justificou que estava viajando para São Paulo e que eles poderão conversar sempre.

Já o ex-deputado Moreira Franco, que poderá ser convidado a ser ministro das Cidades ou presidente da Caixa Econômica Federal, e que foi o coordenador do programa de governo de Dilma por parte do PMDB, afirmou que, na sua opinião, não ocorreu nada grave. "O que aconteceu? Nada. Não tinha ninguém do PMDB, só isso. Que é que tem?" Moreira afirmou que a eleição terminou recentemente e que, por enquanto, os partidos ainda estão comemorando a vitória de Dilma Rousseff. "Amanhã (hoje) é feriado. Vamos esperar a quarta-feira para ver como é que vai ficar."

Cálculos

Nos bastidores, o PT trabalha com um cálculo a respeito do que cada partido da base aliada vai reivindicar no quinhão do governo de Dilma, como ministérios e cargos em estatais. O partido acha que o PMDB não vai se contentar com os cinco ministérios que tem hoje, embora Michel Temer costume insistir que, desta vez, o partido não vai lutar por cargos, mas por participação no governo, como a da indução da política industrial e de desenvolvimento.

O PMDB reivindica ainda o direito de ter um de seus integrantes na reunião das 9 horas com o presidente da República, porque é nela que são traçadas as principais políticas do governo.

Como o PMDB faz parte da chapa, os representantes do partido acham que têm esse direito, hoje entregue ao PT e a Franklin Martins, que não tem filiação partidária, mas é muito próximo do presidente Lula.

Na sexta-feira deverá ocorrer uma nova reunião da equipe de transição, sem a presença da presidente eleita, que pretende tirar um curto período de férias até domingo. O PMDB espera estar presente.

Da reunião de ontem participaram, além de Palocci e Dutra, José Eduardo Cardozo, secretário-geral do PT, Alessandro Teixeira, da Agência Brasileira de Promoção de Importações e Investimentos (Apex), cotado para ser ministro da Micro e Pequena Empresa, Giles Azevedo, que pode vir a ser o chefe de gabinete da presidente, Fernando Pimentel e Clara Ant, que foi secretária particular do presidente Lula e participou da coordenação da campanha de Dilma.

PT trava disputa com PMDB pela presidência da Câmara

Setores do PT já trabalham com uma estratégia alternativa para garantir a presidência da Câmara nos próximos dois anos, caso não haja acordo com o PMDB. Os partidos travam uma disputa para comandar a Casa no primeiro biênio, considerado o mais importante, quando a presidente eleita, Dilma Rousseff, que tomará posse no dia 1.º de janeiro, encaminhará ao Congresso os projetos prioritários para o novo governo e o Legislativo iniciará as discussões das reformas constitucionais.

O plano B petista prevê o isolamento do PMDB e a aproximação com o PSB, o PDT e o PC do B, o chamado bloquinho, partidos da base que somam quase o mesmo número de deputados eleitos pelo PMDB. O PT elegeu 88 deputados, seguido pelo PMDB, 79 e, como maiores partidos, reivindicam a indicação do presidente da Casa. O bloquinho soma 77 deputados.

No caso da insistência do PMDB em não aceitar um petista no primeiro biênio, o caminho petista prevê uma troca de apoios com os outros partidos, escanteando os peemedebistas. O PT indicaria o presidente nos primeiros dois anos e o bloquinho indicaria um nome para o segundo biênio. A tática serve para pressionar o PMDB a um acordo, mostra a animosidade existente entre os principais partidos que se alinharam para eleger Dilma Rousseff e revela a disposição do PT em não abrir mão de comandar a Câmara nos primeiros anos do mandato da petista.

A despeito de ter o vice-presidente de Dilma, o PMDB saiu machucado das urnas com uma bancada menor na Câmara do que a atual. Em 2006, foram eleitos 89 peemedebistas. Hoje, são 90 deputados e, em 2011, serão 79. Embora um partido médio no Parlamento, o PSB, em contrapartida, cresceu nestas eleições. Passou dos 27 deputados atuais para 34, elegeu governadores em seis Estados, mais do que o PT e o PMDB - cada um com 5 eleitos -, e tem pretensões de ocupar espaço maior na Casa e no governo. As informações são do jornal O Estado de S.Paulo.

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Fonte: O Estado de S. Paulo

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