Ministra do Meio Ambiente critica “achismo ambiental” sobre Amazônia

Publicado em 15/06/2012 22:01 e atualizado em 15/08/2013 16:38 1157 exibições
no Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

Por Paulo Peixoto, na Folha Online:

A ministra Izabella Teixeira (Ambiente) criticou nesta quinta-feira (14) ambientalistas estrangeiros, que, segundo ela, desconhecem a realidade do homem na Amazônia brasileira e vivem do que chamou de “achismo ambiental”. “Eles defendem muitas vezes a fauna, mas esquecem de defender o homem”, disse Teixeira, sem nominar pessoas ou grupos.

Ela se referia, contudo, a ambientalistas que criticam questões como o desmatamento na Amazônia e obras em execução na região, como a construção das hidrelétricas de Santo Antônio e Jirau. A crítica da ministra brasileira foi feita em Belo Horizonte, na abertura do Congresso Mundial do Iclei (Governos Locais pela Sustentabilidade), associação que reúne prefeitos e representantes legais de cidades comprometidas com a sustentabilidade. Teixeira afirmou que o papel do seu ministério envolve também temas de inclusão social, como gerar e levar energia para os povos da floresta.

Disse que há 25 milhões de pessoas vivendo na região que precisam se desenvolver socialmente, precisam de energia elétrica e muitas vezes têm que navegar até 400 quilômetros para conseguir água potável.

(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Haddad é o candidato mais velho à Prefeitura de SP. Slogan preconceituoso de petista esconde adesão a ideias autoritárias. Ou: Qual é a idade de Haddad, Erundina e Maluf juntos?

Fernando Haddad (PT) tem 49 anos. É o mais velho dos candidatos à Prefeitura de São Paulo. A vice de sua chapa é Luiza Erundina (PSB), que tem 78. Se tivesse 28, seria tão velha quanto Haddad. Idade não é categoria de pensamento. O slogan do petista é “Um novo homem para um novo tempo”. É um lixo que remete ao preconceito mais rombudo — até Erundina concorda com isso; já chego lá. Luiz Inácio Lula da Silva e o PT usaram essa pegada marqueteira para encostar a senadora Marta Suplicy —  que é mulher e, aos 67 anos (mesma idade de Lula e Dilma), não é “nova” — e para tentar criar uma pecha na candidatura do tucano José Serra, que tem 70. Não é a primeira vez que os petistas recorrem ao preconceito para tentar virar o jogo eleitoral. Em 2008, o marqueteiro João Santana, que vai cuidar da campanha de Haddad, perguntou no ar se o prefeito Gilberto Kassab era casado e tinha filhos. O “partido da inclusão”, se julgar necessário, pode recorrer aos preconceitos mais odientos para levar adiante a sua “mensagem de libertação e igualdade”…

Haddad é velhíssimo! A idade de um político é revelada por suas ideias. Aquelas que o orientam deixaram um rastro de tragédias. As de Erundina, embora com menos glacê teórico, não ficam atrás. São ambos procuradores declarados — no caso dele, com registro em livros — de teorias que, aplicadas, levaram milhões de pessoas à morte. Entendo perfeitamente, e compartilho da repulsa, que fascistas sejam execrados como exemplo do que a humanidade produziu de pior no campo da ideologia. Incompreensível é que seu irmão siamês, o socialismo, tenha virado a expressão de um humanismo. A diferença entre matar milhões em nome do estado e milhões ao quadrado em nome do partido está apenas no número de mortos. Antes que prossiga com as ideias de Haddad, é claro que posso e devo falar um pouquinho da prática de Haddad.

O agora candidato à Prefeitura de São Paulo já tem, sim, uma obra no Ministério da Educação. As 55 universidades federais que estão em greve — com manifestantes fichados na Polícia Federal — falam como exemplo de sua eficiência. O pensador do socialismo (já chego lá), ao aderir à expansão populista das universidades federais, ignorou as exigências da qualidade. Em muitos campi, faltam luz, esgoto e água encanada. Sob o pretexto de pôr fim aos vestibulares, criou o maior vestibular da Terra: o Enem, desmoralizado por fraudes e incompetências várias. Sob a sua gestão, fez-se o desastrado kit gay para ser usado nas escolas do ensino fundamental e médio.

A patrulha politicamente correta e o sindicalismo gay distorcem estupidamente a realidade ao atribuir ao “preconceito” e ao “moralismo” a crítica ao material. Não! Aquilo, antes de mais nada, é ruim: substituiu-se a pedagogia pelo proselitismo, a educação pela militância, a ética pela patrulha. “Mas e o ProUni?” Um dia, quem sabe?, pesquisadores corajosos estudarão quanto o estado brasileiro repassou de dinheiro público para mantenedoras privadas fornecerem cursos ruins aos pobres. O milagre da multiplicação de universidades e de universitários do petismo é um tributo à demagogia e à baixa qualidade do ensino. Haddad e Lula criaram o Supletivo de Terceiro Grau. Em outros tempos, a UNE protestaria. Mas o PCdoB vendeu a entidade para o governo petista. Voltemos às ideias deste gigante, que pretende fazer de sua pretensa juventude a sua força.

Besteirol
Em 1992, o “intelectual” Fernando Haddad publicou um livro, que era sua dissertação de mestrado. O título é pomposo: “O Sistema Soviético — Relato de uma Polêmica”. Acho que é o besteirol mais pretensioso em que já pus os olhos. Haddad surpreendeu o mundo — se o mundo tivesse tomado conhecimento do que escreveu— explicando que o regime soviético nunca foi socialista, não, senhores! Também não era, sustentou, como queriam muitos, uma forma de capitalismo de estado.

Demonstrando ser um marxista aplicado, disse tratar-se de um modelo de transição do “modo de produção asiático” — um conceito de Marx — para o capitalismo. Os marxistas sabem o tamanho da batatada e rolam de rir. Atenção! A bobagem de Haddad (na verdade, ele colou vergonhosamente, e as distorceu grotescamente, ideias de Wittfogel), no entanto, agasalha uma utopia. Para ele, a revolução de 17 não foi socialista, mas apenas anti-imperialista. Alguém pode perguntar: “E daí, Reinaldo?”. Daí, meus queridos, que este pensador, com aquele ar “coxinha” —como se dizia no meu tempo de moleque —, acredita que a) o socialismo ainda está por ser construído; b) a revolução verdadeiramente socialista ainda não aconteceu. Entenderam? Assim, se o socialismo que conhecemos não era bom, é porque aquilo não era o verdadeiro socialismo…

Mas o melhor, no que concerne às ideias do gigante, vem agora. Marx caracterizava o tal modo de produção asiático como aquele marcado pelo estado onipresente, autoritário, que impõe o trabalho compulsório etc. Se for para fazer metáfora, leitor, a gente poderia dizer que a China ainda hoje é expressão disso. A apreciação de Marx do tal modelo é obviamente crítica, negativa. Suas características então remanescentes seriam fatores de atraso, que marchavam na contramão do progresso da humanidade. NÃO PARA FERNANDO HADDAD!

Quem sabe arrependido da crítica que fizera ao modelo soviético em 1992, ele escreveu, 12 anos depois, em 2004, pouco antes de assumir o Ministério da Educação, outro livro: “Trabalho e Linguagem — Para a Renovação do Socialismo”. Aí, o sistema soviético, que ele havia, vá lá, criticado como expressão ainda do “modo de produção asiático” — e, pois, necessariamente um atraso (já que ele era um marxista, certo?) —, passou a ser visto com outros olhos. Mandou ver: “O sistema soviético nada tinha de reacionário. Trata-se de uma manifestação absolutamente moderna frente à expansão do império do capital”. Ora, se o “modo de produção asiático” só pode existir como tirania, entende-se, por desdobramento lógico, que a tirania é uma forma de resistência legítima e “absolutamente moderna” à “expansão do império do capital”. Certamente ainda não era o socialismo, como ele gostaria que fosse, mas bom mesmo assim. Os soviéticos não concordavam com ele.

Nesse mesmo livro, Haddad escreve o que pensa das teorias “burguesas” de democracia, o que nos faz crer que existam outras, que devem ser as “socialistas”. Leiam com atenção:
“As modernas teorias burguesas da democracia encaram-na como um método de seleção de líderes que manufaturam as vontades de uma massa apaixonada ou como um método de seleção de plataformas políticas por cidadãos racionais orientados pelo autointeresse. A manipulação e a persuasão, num e noutro caso, seriam possibilidades oriundas, respectivamente, ou da própria irracionalidade do eleitorado em seu conjunto, ou da falta de plena informação derivada dos altos custos a ela associados”.

O texto é meio atrapalhado. Se necessário, leiam outra vez. A democracia não tem salvação: ou está condenada pela irracionalidade das massas apaixonadas pelo “líder” ou pela “falta de plena informação” daqueles que se supõem orientados pela racionalidade. Num caso e noutro, o que se tem, é evidente, é uma ilusão. Assim, as teorias burguesas de democracia têm de ser, obviamente, superadas.

Ainda bem que tem Erundina…?
Aí o eleitor eventualmente assustado com as ideias de Haddad pode buscar um conforto: “Pô, ainda bem que tem a Erundina, né? Vai que ele ganhe…”. Pois é. A ex-prefeita fez um discurso no dia em que aceitou ser vice na chapa do PT. Defendeu a implementação da sociedade socialista, disse que os trabalhadores não têm de disputar um lugar só no Estado burguês, afirmou que eleição é mesmo luta de classes, pregou o  controle dos meios de comunicação, atacou a imprensa e, para não deixar dúvidas sobre seu pensamento, elogiou Cristina Kirchner, que está partindo, diria Haddad, para o “modo de produção asiático”…

Não dá para saber quem é mais velho: Haddad ou sua vice — e, é evidente, não me refiro, à idade de cada um. Suas ideias é que são do fim do século retrasado!

Entrevistas
Folha e Estadão trazem entrevista de Erundina neste domingo. Na Folha, ela chama o slogan de Haddad de “ruim” porque “pode reforçar preconceitos”. E diz: “Em partidos como os nossos, temos que lutar para conquistar poder, mas temos que ter ação pedagógica”. Entendi. Aí o jornal pergunta: “A senhora se sentiria confortável participando de eventos ao lado de Maluf?”. E ela responde: “Não acredito que Paulo Maluf participará de eventos públicos comigo e com Haddad. Isso é contraproducente do ponto de vista eleitoral. Eu evitaria essa situação porque cria mal-estar na relação com o povo, que sabe quem é Maluf, que sabe quem é a direita nessa cidade, que continua no poder reproduzindo privilégios”.

Não é fabuloso? Apoio de Maluf, vá lá! Mas só se for escondido. Querem é o minuto e meio de TV do PP e pronto! Erundina, muito ética, está dizendo que topa governar com aquela que chama “direita nessa cidade”, mas só, como diria aquela música, “por debaixo dos panos”. Não parece ser íntima da lógica. Se Maluf é a “direita que continua no poder”, a ex-prefeita vai se unir a ele para tentar, suponho, manter… a direita no poder, certo? Ela quer ainda o PSB fora da Prefeitura e do governo de São Paulo. Esta senhora severa aceita dividir o governo com Maluf, mas não com Kassab e Geraldo Alckmin. O socialismo, no Brasil, é a distância mais aloprada entre dois pontos.

Erundina também diz que vai procurar Marta Suplicy — por enquanto, está fora da campanha. Indagada se ocuparia o lugar da outra, dá está resposta fabulosa: “Nada disso. Eu sou eu, Marta é Marta. Eu sou o povo, minha origem é nordestina, família pobre. Não sou de família tradicional, nem de sobrenome”. Entendi. Lula e o PT acham Marta velha, e Erundina acha que a agora senadora não é “o povo”. E Haddad? A candidata a vice ao menos o conhece? “Não. Ele esteve no governo, se não me engano da Marta. Mas não convivi muito. Acompanhei mais de perto no ministério. É um moço idealista, que tem potencial.” Certo!

Encerro
Se a dupla Haddad-Erundina vencer a disputa eleitoral na cidade de São Paulo, é certo que não conseguirão implantar o socialismo municipal. Mas me pergunto o que a soma de preconceitos e equívocos de ambos, eventualmente temperados pela contribuição de Maluf, pode produzir na cidade. Uma coisa dá pra saber: Haddad tentaria um modelo de democracia diferente desse que está aí, “muito burguês”, sabem? Sua vice já tem a receita: tem de ser na base da luta de classes.

Texto publicado originalmente às 7h53

Por Reinaldo Azevedo

 

17/06/2012 às 8:53

Marta diz que, ao lado de Maluf, “pesadelo” é maior

Por Anna Virginia Balloussier, na Folha:
A senadora Marta Suplicy (PT-SP) criticou as negociações entre seu partido e o PP de Paulo Maluf na eleição municipal. Segundo ela, seria um “pesadelo” maior do que ter o respaldo do PSD do atual prefeito Gilberto Kassab — cotado como aliado antes de Serra virar candidato dos tucanos.

“Acho que seria pesadelo com Kassab, imagina agora com o Maluf”, disse Marta ontem à noite, na primeira fila do desfile do estilista Samuel Cirnansck na São Paulo Fashion Week. Preterida pelo PT, que lançou Fernando Haddad, Marta resiste a apoiá-lo na campanha. Tem faltado a atos para promover a candidatura do petista e já declarou que “não basta o novo”.

Uma aliança com Maluf significa que Marta sepultará de vez qualquer chance de endossar a campanha de Haddad no futuro? “Nã-nã-ni-nã-não”, responde ela. “Eu não disse isso.” Em 2004, Maluf chegou a declarar apoio a Marta no segundo turno das eleições. A petista disse “ter muito respeito” por Luiza Erundina, vice de Haddad, mas a criticou por ter comparado a eleição à luta de classes.

Erundina disse que procuraria Marta pessoalmente para que ela participasse da campanha. Questionada se já foi procurada, a senadora aconselhou a pré-candidata a vice a “dar os braços para Haddad” e sair em campanha com ele.

Por Reinaldo Azevedo

 

17/06/2012 às 8:51

Pesquisadores da PUC-RJ dizem que Bolsa Família reduziu criminalidade em SP! Pesquisa do Tio Rei informa: esse estudo é uma cascata autoevidente! Mas posso provar!

O jornal O Globo traz uma reportagem com informações que estão naquela categoria que chamo estupefaciente. Não recrimino a reportagem, não, mas a bobajada produzida por pesquisadores da PUC-RJ, que não resiste a cinco minutos de reflexão. Leiam o que informa Alessandra Duarte e Sérgio Roxo (em vermelho). Volto em seguida:
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A redução da desigualdade com o Bolsa Família está chegando aos números da violência. Levantamento inédito feito na cidade de São Paulo por pesquisadores da PUC-Rio mostra que a expansão do programa na cidade foi responsável pela queda de 21% da criminalidade lá, devido principalmente à diminuição da desigualdade, diz a pesquisa. É o primeiro estudo a mostrar esse efeito do programa na violência.

Em 2008, o Bolsa Família, que até ali atendia a famílias com adolescentes até 15 anos, passou a incluir famílias com jovens de 16 e 17 anos. Feito pelos pesquisadores João Manoel Pinho de Mello, Laura Chioda e Rodrigo Soares para o Banco Mundial, o estudo comparou, de 2006 a 2009, o número de registros de ocorrência de vários crimes - roubos, assaltos, atos de vandalismo, crimes violentos (lesão corporal dolosa, estupro e homicídio), crimes ligados a drogas e contra menores -, nas áreas de cerca de 900 escolas públicas, antes e depois dessa expansão.

“Comparamos os índices de criminalidade antes e depois de 2008 nas áreas de escolas com ensino médio com maior e menor proporção de alunos beneficiários de 16 e 17 anos. Nas áreas das escolas com mais beneficiários de 16 e 17 anos, e que, logo, foi onde houve maior expansão do programa em 2008, houve queda maior. Pelos cálculos que fizemos, essa expansão do programa foi responsável por 21% do total da queda da criminalidade nesse período na cidade, que, segundo as estatísticas da polícia de São Paulo, foi de 63% para taxas de homicídio”, explica João Manoel Pinho de Mello.

O motivo principal, dizem os autores, foi a queda da desigualdade causada pelo aumento da renda das famílias beneficiadas- Há muitas explicações de estudos que ligam queda da desigualdade à queda da violência: uma, mais sociológica, é que diminui a insatisfação social; outra, econômica, é que o ganho relativo com ações ilegais diminui - completa Rodrigo Soares. - Outra razão é que muda a interação social dos jovens ao terem de frequentar a escola e conviver mais com gente que estuda.

Reforma policial ajudou a reduzir crimes
Apesar de estudarem no bairro que já foi tido como um dos mais violentos do mundo, os alunos da Escola Estadual José Lins do Rego, no Jardim Ângela, periferia de São Paulo - com 1.765 alunos, dos quais 126 beneficiários do Bolsa Família -, dizem que os assaltos e brigas de gangues, por exemplo, estão no passado. “Os usuários de drogas entravam na escola o tempo todo”,conta Ana Clara da Silva, de 17 anos, aluna do ensino médio. “Antes, você estava dando aula e tinha gente vigiando pela janela”, diz a diretora Rosângela Karam.

Um dos principais pesquisadores do país sobre Bolsa Família, Rodolfo Hoffmann, professor de Economia da Unicamp, elogia o estudo da PUC-Rio: “Há ali evidências de que a expansão do programa contribuiu para reduzir principalmente os crimes com motivação econômica”, diz. “De 20% a 25% da redução da desigualdade no país podem ser atribuídos ao programa; mas há mais fatores, como maior valor real do salário mínimo e maior escolaridade”.

Professora da Pós-Graduação em Economia da PUC-SP, Rosa Maria Marques também lembra que a redução de desigualdade não pode ser atribuída apenas ao Bolsa Família: “Também houve aumento do emprego e da renda da população. E creio que a mudança na interação social dos jovens beneficiados contou muito.” Do Laboratório de Análise da Violência da Uerj, o professor Ignácio Cano concorda com a relação entre redução da desigualdade e queda da violência: “Muitos estudos comparando dados internacionais já apontaram que onde cai desigualdade cai criminalidade.”

Mas são as outras razões para a criminalidade que chamam a atenção de Michel Misse, coordenador do Núcleo de Estudos da Cidadania, Conflito e Violência Urbana da UFRJ. Misse destaca que a violência na capital paulista vem caindo por outros motivos desde o fim dos anos 1990:

“O estudo cobre bem os índices no entorno das escolas. Mas não controla as outras variáveis que interferem na queda de criminalidade. Em São Paulo, a violência vem caindo por pelo menos quatro fatores: reforma da polícia nos anos 2000; política de encarceramento maciça; falta de conflito entre quadrilhas devido ao monopólio de uma organização criminosa; e queda na taxa de jovens (maioria entre vítimas e autores de crimes), pelo menor crescimento vegetativo.” Para Misse, a influência do programa não foi pela desigualdade: “É um erro supor que só pobres fornecem agentes para o crime; a maioria dos presos é pobre, mas a maioria dos pobres não é criminosa. Creio que, no caso do Bolsa Família, o que mais afetou a violência foi a criação de outra perspectiva para esses jovens, que passaram a ter de estudar.”

Voltei
Há tempos não lia tanta bobagem. O único que diz aí coisa com coisa, com algumas ressalvas, é Michel Misse. O resto é o besteirol de sempre, que associa pobreza a violência. O índice de homicídios em São Paulo vem caindo de forma consistente há mais de 12 anos. O estado está em antepenúltimo lugar no ranking de homicídios por 100 mil habitantes; a capital, proporcionalmente, é a que menos mata no país.

O Mapa da Violência desmente esse estudo de maneira vexaminosa, assombrosa. E não com estudozinho focado na escola X ou Y, não, mas com dados objetivos. Leiam trecho de um post deste blog de 14 de dezembro do ano passado (em azul):

Nesta quarta, foi divulgado o Mapa da Violência com dados de 11 anos, de 2000 a 2010. Pois é… Em 2000, a cidade de São Paulo tinha 64 mortos por 100 mil habitantes, segundo o mapa. Em 2010, apenas 13 - uma queda de 80%. No outro extremo, Salvador tinha 12,9 naquele ano; em 2010, saltou para 55,5 mortos por cem mil: um crescimento de 330,2%…
(…)
O Brasil teve 49.932 homicídios no ano de 2010. De acordo com o Mapa da Violência divulgado nesta quarta-feira pelo Instituto Sangari com informações dos ministério da Saúde e da Justiça, a taxa de homicídios no ano passado ficou em 26, 2 mortes para 100.000 habitantes. O número significa uma pequena redução em relação a 2009, quando a taxa foi de 27 mortes. Mas a taxa é superior à de conflitos armados em países como o Afeganistão, a Somália, ou o Sudão. Qualquer taxa acima de 10 mortes por 100.000 pessoas é considerada epidêmica por organismos internacionais. Uma epidemia que, no Brasil, tirou 1 milhão de vidas nos últimos 30 anos.

O maior índice de homicídios é o de Alagoas, com 66, 8 mortes por 100.000 habitantes. Em seguida, vêm o Espírito Santo (50, 1), Pará (45, 9), Pernambuco (38,8) e Amapá (38,7). Os menores números são os de Santa Catarina (12,9), Piauí (13,7), São Paulo (13,9), Minas Gerais (18,1), Rio Grande do Sul (19,3) e Acre (19,6). Entre as capitais, Maceió é a que tem o maior número de homicídios por habitante. São Paulo possui a menor taxa. A trajetória da capital paulista, aliás, chama a atenção: em 2000, a cidade tinha a 4ª maior taxa entre as capitais. De lá para cá, o índice de homicídios no município caiu cerca de 80%.

“A grande novidade é que há um processo de nivelamento nacional da violência que não existia dez anos atrás. Há dez anos, ela estava concentrada nas regiões metropolitanas. Agora se espalhou. As taxas dos sete estados que em 2000 eram os líderes de violencia caíram, e os sete que tinha as taxas menores subiram”, diz Julio Jacobo, coordenador da pesquisa.

Aumento
Uma análise em perspectiva mostra um aumento da violência nas regiões Norte e Nordeste: entre 2000 e 2010, o número de homicídios mais do que quadruplicou no Pará, na Bahia e no Maranhão. A maior queda se deu em São Paulo, que registrou uma redução de 63, 2% no número de homicídios durante a década passada, mesmo com o aumento populacional. O Rio de Janeiro também teve uma diminuição expressiva, de 42,4%, no período.

A pesquisa mostra que os números da violência têm se estabilizado nas capitais, enquanto a criminalidade avança nas cidades menores. Em 2010, a maior taxa de homicídios ficou com a cidade de Simões Filho (BA): o índice chegou a 146, 4 assassinatos por 100.000 pessoas. De acordo com o levantamento, três causas contribuíram para essa mudança de perfil: a desconcentração econômica do país, o aumento do investimento em segurança nas grandes cidades e a melhoria nos sistemas de captação de dados sobre crimes nos pequenos municípios.

Retomo
Usar o Bolsa Família para explicar a queda de violência em São Paulo é a mais nova farsa influente. A anterior era atribuir a queda à campanha do desarmamento. Pergunto aos iluminados: por que, então, a campanha do desarmamento não produziu os mesmos efeitos no resto do Brasil? Por que, então, houve, na média, aumento da violência no Norte e Nordeste, embora sejam as regiões mais beneficiadas pelo Bolsa Família? A verdade é bem outra. No dia 12 de janeiro, o Globo dava uma notícia relevante. Segue em preto, com comentários em azul.

Estados brasileiros que prenderam mais registraram menos homicídios. Levantamento feito pelo GLOBO com base nos dados do Sistema Nacional de Informação Penitenciária (InfoPen) do Ministério da Justiça e do Mapa da Violência 2012, do Instituto Sangari, revela que as unidades da Federação em que há menos presos por homicídio do que a média nacional viram, na década passada, a taxa de assassinatos aumentar 16 vezes mais em comparação aos estados com população carcerária maior.

Em 12 estados do grupo que tem menos presos houve aumento no número de assassinatos, incluindo a Bahia, que teve uma explosão no índice de homicídios, passando de 9,4 por 100 mil habitantes para 37,7 por 100 mil habitantes entre 2000 e 2010. Alagoas, o estado mais violento do Brasil, também tem menos presos pelo crime do que a média nacional. Lá, em dez anos, o índice de assassinatos subiu de 25,6 para 66,8 por 100 mil habitantes.
Já havia chamado a atenção de vocês para o caso da Bahia, onde a elevação do índice de homicídios é assustadora. O Mapa da Violência, diga-se, evidencia que essa é uma realidade de quase todos os estados nordestinos. Mais um mito caiu: aquele segundo o qual o baixo crescimento econômico induz a violência. O Nordeste cresceu mais do que a média do Brasil nos últimos anos e muito mais do que a própria média histórica.

A única exceção no quadro é o Rio de Janeiro. Segundo os dados do InfoPen, o estado tem o menor número de presos por assassinatos do Brasil e, ainda assim, conseguiu reduzir o número de homicídios de 51 para 26,2 por 100 mil habitantes.
O dado precisa ser visto com cuidado. Havia no estado, como se tornou público, um problema de subnotificação. Mas isso é o menos relevante agora. Bem ou mal, o Rio decidiu enfrentar o crime organizado. O índice é ainda brutal. Se quiser chegar ao número que a ONU considera aceitável,  terá de prender mais.

Na outra ponta, em cinco dos 14 estados com mais presos (Mato Grosso, São Paulo, Mato Grosso do Sul, Roraima e Pernambuco, além do Distrito Federal) houve queda nas taxas de assassinatos. O estado que mais reduziu o crime é São Paulo. Passou de 42,2 para 13,9 homicídios por 100 mi habitantes. Em outros dois (Rondônia e Acre), os indicadores mantiveram-se estáveis.
Bem, os dados estão aí. Pode-se tentar entendê-los; pode-se ignorá-los, como, vocês verão, farão um “especialista” e uma representante do governo. No caso dela, pesam certamente dois fatores: a ideologia e a zona do conforto.

A taxa de detentos cumprindo pena por homicídios simples, qualificado e latrocínio no Brasil é de 36,9 presos por 100 mil habitantes. Em 13 estados as populações carcerárias de homicidas estão abaixo desse total. Na média, os assassinatos nesses estados cresceram 62,9% na década passada ante 3,8% dos 14 estados que têm mais detentos.
Alguma dúvida sobe o que vai acima?

Alguém precisa contar aos tais pesquisadores da PUC-RJ que, assim como não se deve oferecer polícia a quem precisa do Bolsa Família, não se deve conter com Bolsa Família quem precisa de polícia. E uma recomendação final: parem com esse preconceito asqueroso contra pobre, sob o pretexto da benevolência social. Se pobreza induzisse violência, ninguém conseguiria botar o nariz fora da porta. Nem os pesquisadores da PUC…

Por Reinaldo Azevedo

 

17/06/2012 às 7:45

Na VEJA DESTA SEMANA — O novo território sem lei do tráfico de drogas no Rio

Por Leslie Leitão:
Os tubos de concreto de mais de 2 metros de altura gravados com as iniciais de uma facção criminosa do Rio de Janeiro não deixam dúvida sobre quem manda no complexo de favelas de Costa Barros, na Zona Norte. Estrategicamente plantados nas principais vias de acesso às vielas, os obstáculos estão ali por ordem dos marginais que controlam a entrada e a saída de gente e carros sob as barbas da polícia. À sombra do poder público por décadas, o lugar entrou no mapa recentemente, depois que passou a servir de asilo para integrantes do alto escalão da bandidagem carioca forçados a mudar de pouso quando seus próprios morros, entre eles a Rocinha e o Complexo do Alemão, foram ocupados para a implantação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs). Tornou-se o novo QG das três principais quadrilhas da cidade e o maior entreposto de drogas do Rio. Em Costa Barros e nos vizinhos Acari e Pavuna — região que abriga trinta favelas e 200 000 habitantes —, os criminosos desfrutam tamanha liberdade que não se limitam às suas fronteiras. Eles passaram a vender drogas e a ostentar seus fuzis também ao lado da portaria de edifícios, de escolas e hospitais. Tiroteios são a regra nesse cartão-postal de faroeste.

Os chefões do tráfico vêm rateando aquelas favelas sem grandes resistências. Em um vídeo de cinquenta minutos ao qual VEJA teve acesso, dois dos ex-cabeças do Complexo do Alemão (Luiz Fernando Nascimento Ferreira, o Bacalhau, e Regis Eduardo Batista, o RG) aparecem em Costa Barros no novo endereço de um deles. Jogam conversa fora e se divertem no MSN num quarto em que se avistam fuzis esparramados pelo chão e uma mochila abarrotada de cocaína. Em outro vídeo, este de sete minutos, a câmera flagra o constante vaivém em um dos pontos de venda dos bandidos. Policiais são raros nesses lados da cidade e, quando aparecem, muitas vezes a ordem das coisas não se altera. Dois inquéritos que correm na Delegacia de Combate às Drogas ajudam a entender a razão: eles mostram claramente que um naco podre da PM está em plena ação na área, vendendo armas aos marginais e recebendo propina para cerrar os olhos ao crime.

No ano passado, em meio a um confronto com os traficantes em que carros da polícia eram alvejados, um desses bandidos de farda entrou em contato, via celular, com um homem forte da quadrilha. O PM esbravejava: “Somos nós, cara. Atira para outro lado”, ouve-se em um grampo em poder da Polícia Civil. Noutra gravação, um policial cobra propina para fazer vista grossa ao “baile do Chapadão”, festa embalada a funk e drogas na quadra de uma das favelas. Em poucos eventos os bandidos faturam tanto em tão poucas horas. Antigos frequentadores do Complexo do Alemão, como o jogador Adriano, já baixaram em Costa Barros para rever os amigos. Há um mês, recém-operado do pé direito, o Imperador compareceu de muletas a um churrasco que se arrastou pelo dia inteiro. Os policiais fazem que não veem a movimentação dos criminosos, às vezes por dinheiro, outras só por medo mesmo. Das 5 da tarde às 7 da manhã, a própria PM convencionou: para trafegar em ruas que margeiam as favelas, só de blindado. “O risco de levar um tiro num lugar desses é enorme”, diz um PM a VEJA. “Quando eu e meus colegas fazemos a ronda, colocamos o braço para fora do carro. É um código que temos com os criminosos. Quer dizer: calma, é tudo teatro.”

A região, fincada entre morros e planícies, sediava até o século XIX fazendas de cana-de-açúcar. Nas últimas décadas, foi se tornando um símbolo do abandono. Pela proximidade com a Via Dutra, que liga o Rio a São Paulo, muitas empresas decidiram montar ali fábricas e depósitos, que agora, com as constantes guerras travadas entre as quadrilhas, não conseguem mais contratar funcionários. “Estamos oferecendo vagas de 8 000 reais para recém-formados em engenharia, mas quase ninguém aparece”, lamenta o advogado Marcelo Miguez, presidente do polo que reúne 32 empresas na região. Na Unidade de Pronto Atendimento, vizinha a uma área que de tão maltratada é conhecida como “Fim do mundo”, dezenas de médicos e enfermeiras debandaram. Veem-se dezesseis furos de revólver e fuzil nas paredes. Nos últimos meses, também alunos de uma escola municipal viveram dois dias de terror depois que o pátio virou esconderijo de marginais em rota de fuga. Apesar de todos os indícios, a Secretaria de Segurança do Rio diz que a situação está como sempre esteve nesse antigo enclave do crime. Prevê implantar ali uma UPP, mas não revela a data. É bom que seja logo. A persistência de um lugar como Costa Barros no meio da cidade é prova inequívoca de que não dá para perder tempo no cerco à bandidagem.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um parlamentar do PT

Fernando Cavendish esteve em Brasília e deixou claro a uma parlamentar: se for transformado em bode expiatório, revelará o esquema de laranjas que atende a todas as empreiteiras que negociam com o governo e que financiam políticos. O recado foi passado adiante, e a CPI decidiu não convocá-lo. Não guarde essa informação só pra você!
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A CPI instalada para apurar o escândalo que tem — ou tinha —no centro o bicheiro Carlinhos Cachoeira produziu, nesta semana que termina, ela própria, um novo escândalo: deixou de convocar Fernando Cavendish, o dono da Delta. Reportagem de Daniel Pereira e Adriano Ceolin na VEJA que começa a chegar hoje aos leitores explica os motivos. Leiam trechos. A íntegra está na edição impressa da revista. Volto depois.

(…)
No mesmo dia em que a CGU anunciou a punição à Delta, [Fernando] Cavendish esteve em Brasília. Numa conversa com um parlamentar de quem é amigo, ele disse que não apenas a Delta, mas a maioria das grandes empreiteiras paga propina a servidores públicos e políticos em troca de obras e aditivos contratuais.

Cavendish afirmou ainda que a Delta adotou o mesmo sistema que já era usado pelas outras empreiteiras: para dificultar o rastreamento da propina, repassava os recursos a empresas-laranja, que, posteriormente, entregavam o pedágio a quem de direito. Sentindo-se injustiçado por ser o único a expiar os pecados em público, Cavendish apresentou ao parlamentar um conjunto de empresas-laranja que serviriam à Delta e às concorrentes.

Ele nominou sete empresas das áreas de engenharia e terraplenagem. Todas atenderiam às empreiteiras de modo geral, repassando recursos destas a autoridades que facilitam a obtenção de contratos em órgãos públicos. Todas funcionam em São Paulo e têm como proprietário o empresário Adir Assad, apesar de estarem em nome de pessoas como o técnico em refrigeração Jucilei Lima dos Santos e de Honorina Lopes, sua mulher, ambos encarnando o papel daquilo que os manuais de corrupção classificam como laranja.

 

Esta é a

Esta é a "empresa" Moviterra, que movimentou parte da grana da Delta...

...e este é o casal Honorina e Jucilei, que aparecem como donos da empresa

...e este é o casal Honorina e Jucilei, que aparecem como donos da empresa

Cavendish conhece como poucos Adir Assad — e os serviços prestados por ele. Há duas semanas, VEJA revelou que a Delta repassou 115 milhões de reais a empresas-laranja. Do total, 47,8 milhões abasteceram as contas da Legend Engenheiros Associados, da Rock Star Marketing e da S.M. Terraplanagem, que também são de propriedade de Adir Assad.

As sete novas empresas de engenharia e de terraplenagem, segundo Cavendish, fariam parte do mesmo laranjal a serviço da Delta e também de outras grandes empreiteiras do país. O parlamentar que conversou com Cavendish passou o relato adiante. Foi como se acendesse um rastilho de pólvora que percorreu as bancadas do PMDB, PP, PR e PT. O recado foi entendido como um pedido de solidariedade e, claro, como uma ameaça velada, destinada a trazer novas empresas e parlamentares para o centro da investigação.

“Está claro que convocar o Cavendish é trazer para a CPI todas as empreiteiras”, diz um graduado petista que votou contra a convocação do empreiteiro. Só uma investigação acurada sobre a movimentação financeira das empresas-laranja revelará se Cavendish blefa ou fala a verdade. O fato é que, na semana passada, o empresário foi blindado apesar da fartura de indícios que pesam contra ele. Além do relatório do Coaf, a própria CPI já detectou que houve grande quantidade de saques em dinheiro, às vésperas das eleições, nas tais empresas-laranja abastecidas pela Delta.

Uma planilha em poder da comissão também revela que contas da empreiteira que recebiam os recursos federais foram as mesmas que transferiram dinheiro para uma empresa-laranja sediada em Brasília, agraciada com 29 milhões de reais. Os parlamentares de oposição acreditam que encontraram o caixa usado para subornar funcionários do governo federal.
(…)

Adir Assad: ele concetra as empresas-laranja

Adir Assad: ele concetra as empresas-laranja

Voltei
Não que fosse exatamente um mistério, não é? Mas agora estão aí os detalhes da cadeia de eventos que resultou na não convocação de Cavendish. Nunca antes na história destepaiz uma Comissão Parlamentar de Inquérito se acovardou de maneira tão vexaminosa.

E fiquem como outra informação: alguns governistas consideram que as convocações do dono da Delta e de Luiz Antônio Pagot, ex-chefão do Dnit, são inevitáveis. Tentam uma maneira — o problema é saber que compensação poderia oferecer — de fazer com que depoimentos incômodos estourem como bomba só no terreno da oposição. Até agora, não conseguiram encontrar a fórmula. A razão é simples: o primeiro cliente da Delta é o governo federal; o segundo é o governo do Rio; o terceiro é o de Pernambuco.

A Delta tinha uma expertise e um método onde quer que operasse, entenderam? E,  anda a espalhar Cavendish, não eram práticas exclusivas de sua empresa. Ele teria feito apenas o que todos, na sua área, fazem.

 Ah, sim: a convocação de Cavendish foi recusada por 13 a 16. Escreve VEJA: “Para a definição do placar, foram decisivos dois parlamentares: o senador Ciro Nogueira (PP-PI), que se alinhou à maioria, e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL), que não participou da sessão. Soube-se depois que Nogueira e Lessa haviam se encontrado na Semana Santa com Cavendish num restaurante em Paris”.

Eles juram que foi um encontro casual. Quem duvidaria?

PS — Leitor,  você ainda se encontrará com Cavendish em Paris. Mas tenha o bom senso e o bom gosto de não dançar com guardanapo na cabeça…

Post publicado originalmente às 6h48

Por Reinaldo Azevedo

 

16/06/2012 às 7:07

Cabral e grupo de parlamentares atuam para blindar Cavendish

Por Andreza Matais e Rubens Valente, na Folha:
A votação que adiou por tempo indeterminado o depoimento do empreiteiro Fernando Cavendish expôs as articulações de uma “bancada” na CPI do Cachoeira que atua para blindar o dono da Delta. As orientações partem do PMDB nacional, do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e do deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ), ambos amigos de Cavendish. A Delta tem vários contratos com o governo fluminense.

Fazem parte do grupo os deputados Leonardo Picciani e Filipe Pereira, do PSC-RJ, João Magalhães (PMDB-MG) e Cândido Vaccarezza (PT-SP), este por razões partidárias em virtude de acordos feitos entre o partido e o PMDB. O grupo pró-Cavendish conta também com o senador Ciro Nogueira e sua mulher, Iracema Portella, do PP-PI e amigos do empreiteiro. O casal Nogueira estava em Paris na Semana Santa, às vésperas da criação da CPI, quando diz ter encontrado casualmente Cavendish. Em dezembro de 2009, Ciro postou em sua conta no microblog Twitter: “Hoje vou ao casamento do meu amigo Fernando Cavendish”.

Na sessão da última quinta-feira que bloqueou o depoimento de Cavendish, Ciro defendeu que o empreiteiro não fosse convocado. “Nós ficamos apenas numa guerra de convocar fulano [...]. Nós não quebramos o sigilo da Delta? Vamos analisar”, discursou o senador. Além de Nogueira, o deputado Picciani também se manifestou ao microfone contra a convocação. “Nós não precisamos ter a ânsia de convocar [Cavendish] sem ter o que perguntar, apenas para fazer um espetáculo que seja.”
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Por Reinaldo Azevedo

 

16/06/2012 às 7:01

Vice de Haddad, Erundina diz que eleição é luta de classes, prega o socialismo, ataca a mídia e defende Cristina Kirchner (!), que tenta censurar a imprensa na Argentina

Por Bernardo Mello Franco e Diógenes Campanha, na Folha. Volto depois.
Ao ser anunciada candidata a vice-prefeita de São Paulo na chapa de Fernando Haddad (PT), a deputada Luiza Erundina (PSB) comparou ontem a eleição de São Paulo à luta de classes e disse que defenderá os pobres no embate com José Serra (PSDB). A ex-prefeita também prometeu buscar o apoio da senadora Marta Suplicy (PT-SP), que faltou a mais um ato da campanha petista. Em discurso de forte teor ideológico, Erundina prometeu retomar o projeto “democrático e popular” iniciado com sua eleição em 1988, quando ainda era do PT. “A sociedade de classes continua tão forte, conflitante, contraditória e antagônica como sempre esteve.”

Ela defendeu a implantação do modelo socialista no país, disse que a classe trabalhadora não deve disputar apenas “espaço de poder no Estado burguês” e afirmou que percorrerá “favelas e cortiços” para pedir votos. “É o socialismo que garante a realização plena do ser humano. É em nome dessa utopia que estamos aqui.”

A ex-prefeita também criticou os meios de comunicação brasileiros e elogiou o governo de Cristina Kirchner na Argentina — que, segundo ela, “avançou significativamente no enfrentamento aos poderosos da mídia”. Haddad, que discursou em seguida, exaltou a escolha da vice. “É um quadro que consegue perceber com muita nitidez as ameaças do obscurantismo que estão sempre espreitando esse país.”
(…)

Voltei
Tudo saindo como quer o PT, Erundina terá Paulo Maluf como companheiro na defesa do socialismo e nas perorações sobre a luta de classes.

Por Reinaldo Azevedo

 

16/06/2012 às 6:45

Dilma não vê “luz no fim do túnel” da crise

Na Folha:
Diante de 23 governadores, a presidente Dilma Rousseff traçou um cenário preocupante para a crise internacional ao afirmar que ela tende a “se agravar” e que ainda não há luz no fim do túnel.”A luz no fim do túnel não está acesa. Isso tudo nós devemos à Zona do Euro e também à não recuperação dos Estados Unidos. É isso que leva o governo a aumentar as medidas para enfrentar a crise”, disse a presidente. Dilma chamou atenção para a eleição de amanhã na Grécia, que pode levar o país a deixar o euro.

“A crise é profunda e pode se aprofundar mais ainda com a eleição”, afirmou ela durante a reunião no Palácio do Planalto em que anunciou uma linha de crédito de R$ 20 bilhões para investimentos nos Estados — mais uma medida para alavancar a economia brasileira. O ministro Guido Mantega (Fazenda) falou, em tom de brincadeira e de alerta, que havia, sim, luz no fim do túnel, mas que poderia ser uma locomotiva vindo no sentido contrário devido à posição não cooperativa de bancos e países desenvolvidos.

Dilma afirmou ainda que o país não pode crescer “por soluços” e que está tomando medidas para garantir a retomada do crescimento, como a redução das taxas de juros. Ela aproveitou para citar frase do ex-ministro Delfim Netto para tentar mostrar que, apesar da crise, o Brasil está numa posição mais favorável. “Nós somos o último peru com farofa de Ação de Graças do mundo. Como ainda temos uma elevada taxa de juros, temos massa de manobra, que é a nossa ferramenta de enfrentamento dessa crise.”
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Por Reinaldo Azevedo

 

16/06/2012 às 6:39

Na contramão das leis e do discurso presidencial — Secretário de Justiça de Dilma prega revisão da Lei da Anistia e diz que Comissão da Verdade será útil para isso

Por Roldão Arruda, no Estadão:
A Comissão da Verdade não será o último passo no processo da chamada Justiça de transição que está em curso no País, segundo o secretário nacional de Justiça, Paulo Abrão. Na avaliação do advogado, que também preside a Comissão Nacional de Anistia, o resultado do trabalho iniciado agora para esclarecer fatos ocorridos na ditadura deverá estimular ações judiciais contra agentes de Estado acusados de violações de direitos humanos. Ele também defende a ideia de se rever a atual interpretação da Lei da Anistia, que teria sido imposta ao País pelos militares.

“A Comissão da Verdade não veio para botar uma pedra em cima da história. Muito pelo contrário. A Comissão da Verdade poderá gerar novos efeitos no campo da reparação, novas memórias e, quem sabe, potencializar os mecanismos de Justiça”, disse. “Ninguém poderá impedir que o Ministério Público Federal, no exercício de suas funções, tenha acesso à documentação produzida pela comissão para ingressar com ações.”

Abraão fez essas afirmações na quinta-feira à noite, na Assembleia Legislativa de São Paulo, na abertura do seminário Direito à Verdade, Informação, Memória e Cidadania. Lembrou que as tentativas já feitas pelo MPF para responsabilizar policiais e militares sempre foram baseadas em documentos das comissões de Anistia e de Mortos e Desaparecidos. “Eles tiraram dali as provas de que precisavam”, afirmou. “A Comissão da Verdade foi engendrada nesse mesmo processo.”
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Por Reinaldo Azevedo

 

16/06/2012 às 6:37

Choque entre policiais e sem-terra no Paraguai deixa 17 mortos e 80 feridos

No Estadão:
Um confronto entre policiais e trabalhadores sem-terra deixou ontem pelo menos 17 mortos e 80 feridos no Paraguai. Segundo o Ministério do Interior, 321 homens da polícia cumpriam um mandado de reintegração de posse quando foram emboscados por cerca de 150 camponeses armados e reagiram. O presidente Fernando Lugo enviou o Exército ao Departamento de Canindeyú, a 270 quilômetros do Brasil, para resolver a disputa.

Dos mortos, sete são policiais e dez, camponeses. O conflito durou cerca de oito horas e ocorreu em uma propriedade de 2 mil hectares que pertence ao empresário e ex-senador do Partido Colorado Blas Riquelme, em Colônia Ybyrá Pytá, a 380 km de Assunção. Após a chegada do Exército, os sem-terra foram dispersados.

À noite, Lugo destituiu o ministro do Interior, Carlos Filizzola, e o comandante de Polícia, Paulino Rojas. O próprio Filizzola anunciou à imprensa sua destituição e a Câmara de Deputados, em sessão extraordinária, preparava-se para tramitar um julgamento político contra o ministro por mau desempenho de funções.

À rádio 780 AM, um dos policiais que participou do confronto e preferiu não se identificar disse que a maioria dos tiros acertou o pescoço e a cabeça dos agentes. Entre os mortos estão o comandante e o subcomandante do Grupo Especial de Operações (GEO) da Polícia Nacional, Erven Lovera e José Sánchez. O líder sem-terra Avelino Espínola também foi morto.

Sob a alegação de razões de segurança, jornalistas foram impedidos de acompanhar a ação e tiveram de ficar a alguns quilômetros da área onde ocorreu o confronto. Logo após o ataque, cerca de 500 policiais cercaram a área e um helicóptero ajudou a resgatar os feridos.

A reserva tinha sido invadida havia cerca de dois anos e a tensão vinha crescendo nas últimas semanas, após a Justiça ter emitido uma decisão favorável aos proprietários do terreno.

Segundo Filizzola, a polícia reagiu após o ataque dos agricultores que estariam armados com fuzis e pistolas. “Eles dispararam e a polícia teve de responder”, disse o ministro. “Atuamos com base em uma ordem judicial e conforme manda a lei.”

Por meio de comunicado, Lugo condenou a violência e declarou apoio absoluto às forças de segurança. “Ordenei às Forças Armadas que apoiem essa operação”, afirmou. “Todas as áreas do governo estão atuando para devolver a calma à região.”

Lugo se reuniu ao longo do dia com o comando das Forças Armadas e ministros para discutir a crise. O Senado discute a implementação de um estado de exceção em Canindeyú.

EPP
O governo, por enquanto, descarta a participação do Exército do Povo Paraguaio, (EPP), grupo armado que atua na região e ataca alvos policiais. “Até o momento, não temos informações sobre a participação do EPP”, declarou Filizzola.

De acordo com o chefe de investigações da Polícia de Canindeyú, Walter Gómez, os camponeses sabiam manejar bem o armamento que carregavam e atiravam para matar. Apesar de o governo não ver indícios da participação do EPP no confronto, a promotora Ninfa Aguilar disse que o os sem-terra usaram táticas comuns às do grupo.
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Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 20:59

Demóstenes volta a confrontar o Conselho de Ética no STF

Da VEJA Online:

Após não ter conseguido suspender temporariamente a votação do relatório final do senador Humberto Costa (PT-PE) favorável a sua cassação, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) recorreu nesta sexta-feira novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para que não seja votado na segunda-feira o relatório que deve confirmar seu pedido de cassação. A defesa argumenta no novo pedido de liminar que não foi respeitado o prazo de dez dias úteis entre a apresentação do relatório final de Humberto Costa e a votação do texto pelo colegiado.

A reunião do Conselho de Ética que deve confirmar a quebra de decoro de Demóstenes está agendada para a tarde de segunda-feira. Para a perda de mandato, o plenário do Senado terá de ratificar, em votação secreta, a cassação do político goiano. No mais recente recurso encaminhado ao Supremo, a defesa de Demóstenes Torres rejeita a tese de que o tema seria questão interna do Senado. Para os advogados do senador, ele estaria sofrendo cerceamento de defesa e constrangimento ilegal no Conselho de Ética.

Por Reinaldo Azevedo

 

PT e PMDB enterram comissão para que “CPI do Ca-cho-ei-ra” não vire a “CPI do Ca-ven-dish”. Ou: A farsa estava escrita na estrela

Podem anotar aí e denunciar nas redes sociais: PT e PMDB deram fim ontem à CPI ao se negar a convocar Fernando Cavendish, o dono da Delta. Agem assim porque estão com medo. Ele já havia mandado recado: se tentarem mandá-lo para a cadeia, conta tudo! E aí muitos milhões de toneladas de concreto e armação desabam na cabeça dos “éticos”.

*
Vocês sabem que este blog não se surpreendeu com a patuscada de ontem protagonizada por petistas e peemedebistas na dita CPI do Cachoeira. Quase todos os objetivos iniciais de Lula e sua turma se frustraram — há ainda a chance de inviabilizar uma nova candidatura de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás. Já é alguma coisa. A devastação que Lula prometia na oposição, na imprensa, no Supremo e na Procuradoria-Geral da República não aconteceu. Na comissão, Agnelo Queiroz se safa. Sem nenhum constrangimento, os petistas e o próprio governador do Distrito Federal dizem que a sua mansão está fora do alcance das investigações da CPI. Se Perillo se enrosca ao explicar como vendeu a sua casa, Agnelo não consegue explicar como comprou a sua. Também ele terá dificuldades imensas em 2014. Pesquisas indicam que até os esquartejados José Roberto Arruda e Joaquim Roriz venceriam um hipotético segundo turno contra ele se as eleições fossem hoje. A autonomia política foi a pior coisa que aconteceu na história do Distrito Federal!

A CPI acabou! Aos parlamentares de propósitos honestos que lá estão só resta denunciar a farsa a que PT e PMDB estão conduzindo a comissão — que já havia começado por maus propósitos, é bom deixar claro. A senadora Kátia Abreu (PSD-TO) propôs, e vocês sabem que essa é também uma tese deste blog, que se crie uma subcomissão para apurar exclusivamente os crimes da Delta. Misturar a rede de tramoias da construtora com as firulas da contravenção de Cachoeira corresponde a produzir embromação. Uma pergunta com resposta óbvia: o que o bicheiro tem a ver, por exemplo, com as atividades da empresa no Rio ou com a maioria dos contratos com o governo federal? Resposta: NADA! Está mais do que claro que ele era apenas o agente da empresa no Centro-Oeste, sem prejuízo de levar adiante o seu outro negócio: o jogo.

Os petistas que apostaram na CPI, liderados por Lula e Dirceu, não tinham os detalhes da parceria, no Centro-Oeste, entre Fernando Cavendish e Carlinhos Cachoeira. Maus conselheiros lhes sopraram aos ouvidos que a CPI tinha tudo para esmagar “os inimigos” e pronto! Quando a instalação da comissão já era irreversível, começou a ficar claro que aquele fio desencapado poderia produzir um curto-circuito. Descoberto o valor da incógnita Delta, algumas vistosas carreiras políticas podem ser liquidadas. O primeiro cliente da empresa é o governo federal; o segundo é o governo do Rio; o terceiro, o de Pernambuco. E agora? Agora é fazer aquela cara inesquecível do relator Odair Cunha (PT-MG). Ele tentando explicar por que Cavendish e Luiz Antonio Pagot não foram convocados é das cenas mais constrangedoras da política em muitos anos. Concorreu com Cândido Vaccarezza (PT-SP), que escandiu sílabas — como se a escansão, por si, fosse argumento: “Esta é a CPI do Ca-cho-ei-ra!!!”. Sem dúvida! Ocorre que a “CPI do Ca-cho-ei-ra” trouxe à luz um tsunami: “Ca-ven-dish”.

E não custa lembrar: Cavendish já mandou recados aos montes por intermédio dos seus prepostos. Até aceita perder a empresa, mas cadeia não! Se acontecer, aí bota a boca no trombone. E milhões de toneladas de concreto e armação desabarão sobre a cabeça de alguns graúdos da ética. Se Demóstenes Torres é hoje visto país afora, e por motivos mais do que justificáveis, como o falso moralista, como a “Carminha da política”, o risco de que a Avenida Brasil seja pequena para contar os corpos de eloquentes reputações é gigantesco.

Atenção, caros! O maior escândalo da história republicana é o mensalão. Em volume de dinheiro, é modesto perto do que o mundo Delta pode revelar. Agora, meus caros, virou questão de sobrevivência.  O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) repetiu ontem algo que eu já havia escrito neste blog: como pode o Parlamento brasileiro se negar a investigar uma empresa que o próprio governo federal considera inidônea, sendo ele, governo, o seu principal cliente e sendo essa empresa a que mais recursos recebeu do PAC?

Isso, por si, já é um escândalo! Em vez de Cavendish, convocaram Andressa, a mulher de Cachoeira? Pra quê? Para transformar a CPI num circo, no qual os brasileiros fazem o papel de palhaços?

A verdade nua e crua hoje é a seguinte: boa parte dos membros da CPI torce para que o STJ considere ilegais as escutas telefônicas da Operação Monte Carlo. Se acontecer, por óbvio, a CPI não mais poderá fazer uso de algo que a própria Justiça considera ilegal. As informações derivadas daquela escutas não poderão nem mesmo constar do relatório do deputado Odair Cunha. Seria um bom pretexto para todo mundo mudar de assunto.

A gente não consegue saber se o PT é mais PT quando tenta investigar alguém ou quando tenta impedir que alguém seja investigado!

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 4:54

Em oito dias, PT chama a PM duas vezes para resolver conflito em universidade federal. O que disse mesmo Fernando Haddad em novembro sobre a desocupação da reitoria da USP?

Outro dia, um desses delinquentes intelectuais disfarçados de pesquisadores tentou demonstrar que opções ideológicas têm uma base fisiológica. Se não me engano — e não vou parar para pesquisar —, o vagabundo é de uma universidade canadense. Segundo ele, os esquerdistas tendem a ser mais inteligentes do que os conservadores. Huuummm… Vendo, nesta quinta, os petistas na CPI lutando bravamente contra a convocação de Fernando Cavendish, com o deputado Cândido Vaccarezza verdadeiramente inflamado, não duvidei: é mesmo uma questão de inteligência… A minha tese é outra e não se sustenta em nenhuma hipótese fisiológica.

Acho que se trata, em primeiro lugar, de uma questão moral, individual; em segundo, de uma questão ética, que diz respeito à nossa relação com os outros. Um esquerdista é, antes de tudo, uma relativista. Tudo o que serve a seus propósitos é naturalmente bom; tudo o que não serve, naturalmente mau. Ou por outra: é preciso uma boa dose de sem-vergonhice para ser esquerdista. Viram Marilena Chaui? Madame Mim, escrevi ontem a respeito,  voltou a dar vassouradas no “projeto neoliberal da USP” e não disse uma vírgula sobre as 55 universidades federais em greve. Falasse como militante do partido, vá lá… Mas não! Discursava na condição de professora, de alguém pago com o nosso dinheiro para pensar com independência. Mas vamos retomar a questão lá do título.

A reitoria da Unifesp, uma universidade federal, indicada pelo companheiro Fernando Haddad — este que tem soluções fáceis e erradas para todos os problemas difíceis de São Paulo —, recorreu à Justiça para retomar o prédio da administração do campus de Guarulhos, que havia sido tomado por alunos. Só para lembrar: a reitoria da USP foi invadida no ano passado por “revolucionários” de extrema esquerda que não querem a PM reprimindo o tráfico e o consumo de drogas no campus. A propósito: Marilena mentiu — sim, o verbo é esse — ao dizer que os policiais estão lá para espancar estudantes.

Já os alunos da Unifesp protestam porque o campus de Guarulhos está mais para um pardieiro do que para uma universidade. É apenas uma das unidades federais que não oferecem condições mínimas para uma vida acadêmica decente. Cursos estão funcionando em prédios improvisados — uma escola infantil…. Os sinais de deterioração e de decadência estão por todo canto. Ainda assim, deixo claro: sou contra invasões, intimidações etc. Há outras formas de protestar. Pois bem: como a Justiça determinou a reintegração de posse, a Polícia Militar teve de executar a ordem no dia 6 — e o fez junto com a Polícia Federal, aquela sob o comando do petista José Eduardo Cardozo. Tudo conforme manda a lei, a exemplo do que se viu na USP.

Os petistas saíram vociferando contra a o governo de São Paulo e contra a Polícia Militar quando houve a operação da USP. Fernando Haddad, o preclaro ex-ministro da Educação e pré-candidato a prefeito, responsável pelas péssimas condições de muitas universidades federais, resolveu tirar uma casquinha com uma frase de efeito: “Não se pode tratar a cracolândia como se fosse a USP e a USP como se fosse a cracolândia”. A tirada é duplamente preconceituosa. Como ele acusava a suposta violência da ação da PM — mentira!!! —, estava dizendo, na prática, que atos violentos contra viciados da cracolândia são até aceitáveis, mas não contra viciados da USP.

Eu estou entre aqueles que consideram a brutalidade inaceitável em qualquer caso. E me incluo entre os que acham que o consumo e tráfico de drogas devem ser reprimidos num lugar e noutro — ou a USP, de fato, vira uma cracolândia! Não que ela não tenha bolsões de consumo de drogas ideológicas… Está cheio de gente viciada em petismo por ali, especialmente no corpo “indocente“… O PT, note-se, está para o marxismo mais ou menos como o crack está para cocaína: é uma droga mais barata, de consumo mais popular, destrói os neurônios com muito mais rapidez e é oferecida por traficantes pé de chinelo. Sigamos.

Ontem, estudantes voltaram a protestar na Unifesp. Instalações foram ocupadas de novo, áreas da instituição foram pichadas, e a administração acusa os estudantes de terem impedido o diretor de sair do prédio, o que eles negam. Adivinhem o que fez a direção… Ora, chamou a velha e boa PM de São Paulo de novo — aquela, sabem?, que os petistas classificam de “a polícia do Alckmin”; aquela que a Madame Mim da Filosofia tacha de “polícia do neoliberalismo”. E os policiais, obviamente, atenderam ao chamado porque é sua obrigação. Parece que chegou a haver um princípio de confronto. Uma aluna diz ter sido atingida por uma bala de borracha. A ver…

Pois é… Polícia boa é aquela que atua quando os petistas pedem e quando dela precisam. Chamem o ministro Gilberto Carvalho, aquele que, por ocasião do cumprimento da lei no Pinheirinho, saiu afirmando que o PT “tem outro jeito de resolver as coisas”. Qual jeito? Sabem a tal sensação da vergonha alheia, que a gente experimenta em lugar do outro? Pois é…

É isto: o comando petista de uma universidade federal pediu o socorro da PM duas vezes em nove dias. E a Madame Mim lá, em silêncio, cuidando de misturar em seu caldeirão os morcegos, as baratas e as teias de aranha das ideias mortas. E Haddad? O que tem a dizer a respeito?

bruxa-caldeirao

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 3:28

Metrô gerido por governo do PT está em greve há mais de um mês. Cadê as notícias?

A pré-campanha eleitoral nos deixa ver que os petistas sabem tudo sobre São Paulo — estado e capital. Se um dia vencerem as respectivas eleições, teremos o paraíso. É uma pena que não possam oferecer o Éden de presente ao povo quando lhes é dado administrar a máquina pública.

Querem um exemplo? A greve dos metroviários de Belo Horizonte, Maceió, Recife, Natal e João Pessoa completou um mês anteontem. E o que o PT tem com isso? O serviço é administrado por uma empresa federal, a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). Greve por quê? O “governo dos trabalhadores” — assim os petistas gostam de ser chamados, e eu respeito a vontade… — decidiu que, neste ano, não haveria reajuste. Aí a turma parou. A CBTU avançou um pouco na negociação e decidiu oferecer 2%. Os trabalhadores recusaram. Está prevista para hoje, em Brasília, uma reunião de representantes da categoria, da CBTU e do governo.

Fosse uma greve em São Paulo, os parlamentares do PT estariam fazendo proselitismo em porta de estação. A greve nas cinco capitais não rende nem notícia.

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 23:40

Os parlamentares que jantaram com Cavendish em Paris

Leia primeiro o post anterior:
Por Demétrio Weber e Chico Gois no Globo:
Dois dos integrantes da CPI do Cachoeira estiveram em um restaurante em Paris, na Semana Santa, com Fernando Cavendish, então presidente da Delta. O encontro reuniu o senador Ciro Nogueira (PP-PI) e o deputado Maurício Quintella Lessa (PR-AL). Estava com os dois o deputado Eduardo da Fonte (PP-PE), que não faz parte da comissão de inquérito. Nesta quinta-feira, por 16 votos a 13, a CPI barrou a convocação de Cavendish numa sessão tumultuada. Ciro Nogueira fez discurso e votou contra a convocação. Maurício Quintella Lessa não estava presente.
O encontro do empreiteiro com parlamentares foi denunciado pelo deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) e publicado em 1ª mão pelo site do GLOBO. Indignado com o adiamento da convocação do ex-presidente da Delta, Miro, sem citar nomes, pediu que a CPI investigasse se algum parlamentar tinha se encontrado com Cavendish na França. E alertou que poderia haver uma “tropa do cheque” em ação.

O encontro em Paris ocorreu na volta dos três parlamentares da 126ª Assembleia Geral da União Interparlamentar, realizada entre 30 de março e 5 de abril, em Kampala, Uganda. Hugo Napoleão (PSD-PI), Átila Lins (PSD-AM) e Alexandre Santos (PMDB-RJ) também integravam a comitiva para a África. A viagem foi uma missão oficial e cada um dos parlamentares recebeu US$ 350 de diária, para cinco dias, num total de US$ 1.750 cada. O dinheiro serve para refeições e pagamento de hotel. A despesa aérea, em classe executiva, foi paga à parte pelo Congresso.

Depois da Assembleia, Ciro Nogueira, Maurício Lessa e Eduardo da Fonte voaram para Paris para passar a Semana Santa. As mulheres já os aguardavam lá. À época, a CPI não havia sido criada, mas o escândalo envolvendo o bicheiro Carlinhos Cachoeira e a Delta já tinha vindo à tona.

Ao GLOBO, Nogueira confirmou o encontro, mas disse que foi casual: ” Conheço Cavendish, tenho relação com ele há uns cinco anos. Mas nada que envolva doação de campanha. (Em Paris) Nós só o cumprimentamos. Foi um encontro totalmente casual.”

Encontro foi em restaurante famoso
Ele afirmou não recordar o nome do restaurante, mas lembra que ficava na Avenue Montaigne. Essa avenida, junto com a Champs Elysées e a George V, é um dos endereços mais chiques - e caros - de Paris, conhecidos como Triangle D’Or (Triângulo de Ouro). Embora a Champs Elysées seja mais conhecida dos turistas, é na Montaigne que estão as lojas e restaurantes mais exclusivos.

Segundo Nogueira, os três parlamentares e as mulheres apenas cumprimentaram Cavendish, que, recorda o senador, estava com uma namorada nova, “muito bonita”. Ciro Nogueira confirmou a amizade com o ex-presidente da Delta. Em 12 de dezembro de 2009, ele postou no Twitter: “hoje vou ao casamento do meu amigo Fernando Cavendish”.

A Delta Construções negou nesta quinta-feira qualquer pagamento a parlamentares no Congresso, bem como eventual encontro de parlamentares com Cavendish “em qualquer lugar que seja”. Outra viagem de Cavendish a Paris já causou polêmica: a que ele apareceu em fotos num jantar ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), e secretários do governo do estado.

O GLOBO procurou falar com Maurício Lessa, mas não o localizou. De acordo com o atendente do gabinete, o parlamentar estava em audiência. O GLOBO telefonou para o gabinete do deputado Eduardo da Fonte, mas sua assessoria informou que ele estava voando para Pernambuco e que não seria possível localizá-lo.

Na sessão da CPI, Ciro Nogueira afirmou que não adiantava trazer Cavendish porque ele nada acrescentaria ao trabalho de investigação. “Será que o doutor Fernando Cavendish vai chegar aqui e vai falar, vai entregar qualquer tipo? Não vai. Ou nos preparamos para a arguição dessas pessoas, ou nós vamos ser desmoralizados, como nós fomos ontem e anteontem”, argumentou.

Miro disse que era necessário levar Cavendish à CPI porque a CGU declarou a Delta inidônea: “Essa comissão se recusa a convocar o presidente da companhia que o governo declarou inidônea. Isso é incompreensível. Isso revela uma tropa do cheque”, afirmou Miro. Ciro Nogueira mostrou-se contrariado com Miro: “Achei uma maldade extrema. Fiquei surpreso com Miro, porque ele podia ter identificado publicamente as pessoas.”
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

14/06/2012 às 23:22

Miro Teixeira diz que “Tropa do Cheque” impediu a convocação de Cavendish

Da Agência Senado:
Uma “tropa de cheque” estaria trabalhando na comissão parlamentar de inquérito (CPI) mista que investiga Carlos Cachoeira para evitar a convocação do dono da Delta, Fernando Cavendish. Foi o que afirmou o deputado Miro Teixeira (PDT-RJ) durante a reunião desta quinta-feira (14), antes de a comissão derrubar os requerimentos que convocavam Cavendish e o ex-diretor do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transporte (Dnit) Luiz Antônio Pagot. O deputado disse ainda que integrantes da CPI podem ter se encontrado recentemente com Cavendish em Paris.

Miro discursava contra o adiamento da vinda de Cavendish à CPI, proposto pelo relator, deputado Odair Cunha (PT-MG), e defendia um “caminho do bom senso”, aprovando a convocação sem uma data determinada, quando afirmou:
“Asseguro que não há possibilidade de se construir um discurso contra a convocação de Cavendish. Seria como justificar a adoração ao bezerro de ouro, seria como dar razão aos que já começam a fazer charges falando de uma tropa de cheque para defender o Cavendish. E quem é o Cavendish? É o presidente da empresa que se deixou gravar dizendo que conseguiria obras por trinta milhões, que não estava interessado em comprar esses politiquinhos pequenos, não, porque ele comprava os grandes. Senadores? Seis milhões. Senadores? Seis milhões! Mas com trinta ele consegue qualquer obra”, disse o senador.

O deputado Candido Vaccarezza (PT-SP), que discursou a favor do adiamento de convocação, respondeu ao discurso de Miro e disse não aceitar acusações genéricas. “Se Vossa Excelência acha que há um deputado que é da bancada do cheque, vire para o deputado e diga: ‘é fulano’. Eu não sou da bancada do cheque, não sou”.

Viagem a Paris
Ainda durante a reunião, ao lamentar a derrota na aprovação da convocação de Fernando Cavendish, Miro Teixeira anunciou a apresentação de requerimento pedindo informações sobre um evento “que chegou a seu conhecimento”: uma delegação de parlamentares que viajou em missão oficial a um país africano, em data próxima à Semana Santa, e que teria voltado ao Brasil por Paris e almoçado na França com o ex-dono da Delta.

“Quero saber se, entre esses, algum participa dessa comissão. E, se for mais de um, se o voto foi decisivo para o resultado contrário à convocação de Cavendish”, anunciou. Miro Teixeira recebeu o apoio do senador Alvaro Dias (PSDB-PR) e disse que a decisão da CPI foi motivada por orientação política. “Isso revela uma orientação política já denunciada no início dos trabalhos, de que o estímulo à instalação da CPI tinha por objetivo desviar o foco do mensalão de um lado e, de outro, alcançar apenas alguns eleitos. A essência dessa CPI é a Delta”, lembrou, em entrevista após a reunião.

Para o deputado Fernando Francischini (PSDB-PR), “a CPI entrou na UTI por deixar de ouvir Cavendish”, um dos principais envolvidos com a organização criminosa que distribuiu dinheiro público, organizou corrupção eleitoral nos estado e se envolveu com o crime organizado. “Estão usando senadores e deputados para sepultar uma CPI, para dizer à opinião pública brasileira que nada vai ser apurado”,, disse Francischini. Segundo o deputado, muitos “homens de bem” integrantes da comissão, votaram contra por pressão do governo e, com isso, deixaram uma marca em suas biografias. Já na visão do relator, Odair Cunha, rejeitar os requerimentos não trouxe desgaste nem ocorreu por interferência do Planalto. “Nós não evitamos convocação nenhuma, adiamos uma decisão sobre essa convocação. O que deve motivar [a CPI] é a análise dos documentos em posse da CPI”, afirmou.

Por Reinaldo Azevedo

 

Demóstenes volta a confrontar o Conselho de Ética no STF

Da VEJA Online:

Após não ter conseguido suspender temporariamente a votação do relatório final do senador Humberto Costa (PT-PE) favorável a sua cassação, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) recorreu nesta sexta-feira novamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) com pedido para que não seja votado na segunda-feira o relatório que deve confirmar seu pedido de cassação. A defesa argumenta no novo pedido de liminar que não foi respeitado o prazo de dez dias úteis entre a apresentação do relatório final de Humberto Costa e a votação do texto pelo colegiado.

A reunião do Conselho de Ética que deve confirmar a quebra de decoro de Demóstenes está agendada para a tarde de segunda-feira. Para a perda de mandato, o plenário do Senado terá de ratificar, em votação secreta, a cassação do político goiano. No mais recente recurso encaminhado ao Supremo, a defesa de Demóstenes Torres rejeita a tese de que o tema seria questão interna do Senado. Para os advogados do senador, ele estaria sofrendo cerceamento de defesa e constrangimento ilegal no Conselho de Ética.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 20:51

O “novo homem” Haddad tenta juntar no mesmo palanque os velhos adversários Erundina e Maluf

O PT resolveu dar uma roupagem virtuosa àquilo que é um preconceito — e isso não é novidade na campanha eleitoral do partido em São Paulo. Fernando Haddad é apresentado como um “novo homem para um novo tempo”. Um dos objetivos, é evidente, é chamar o tucano José Serra de “velho”. Ele está com 68 anos. Dilma, que tem a mesma idade de Lula, estará com 67 quando disputar a reeleição, daqui a dois anos. Serra é de 1945; ambos são de 1942. A diferença é de apenas três anos.

Não obstante, o petismo acha lícito associar, de forma malandra, a “velhice” ao adversário. A tirada preconceituosa atingiu Marta Suplicy, também de 1945. No Programa do Ratinho, Lula acabou tratando a “companheira”, alguns meses mais jovem (ela é de março; ele, de outubro; Dilma, de dezembro), como coisa do passado. Foi grosseiro. A ex-prefeita ficou de tal sorte irritada que não entrou até agora na campanha. Se vai resistir à pressão, não sei.

O “novo homem” Haddad, não obstante, foi buscar uma “velha mulher” para vice, a ex-companheira Luíza Erundina (PSB), que faz 78 anos em novembro. Pretende, com ela, emprestar um pouco de “experiência” à chapa e conferir à sua candidatura o que até agora ela não tem: um viés popular.

Mas não é só essa “experiência” que os petistas buscam, não! Outro macaco velho da política paulistana está sendo atraído “pelo novo homem” Fernando Haddad: Paulo Maluf, que completa em setembro 81 anos de pura, como posso dizer?, esperteza. Dilma acaba de lhe dar uma secretaria do Ministério das Cidades, conforme ele reivindicava, em troca do seu 1min30s de tempo na TV. O apoio não está ainda sacramentado, mas é muito possível. Eis o aspecto mais perverso do horário eleitoral gratuito: virou mera moeda de troca. Bem, uma excrescência autoritária como essa não poderia mesmo dar em boa coisa.

Assim, o “novo homem” Haddad pretende construir “um novo tempo” com dois passados tão conflitantes como os dos adversários históricos Erundina e Maluf. Se o deputado do PP aderir mesmo à campanha de Haddad, vamos ver como se comporta Marta Suplicy, que já o chamou de “o nefasto” em passado nem tão distante.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 19:46

Dilma dá secretaria para homem de Maluf para que este apoie Haddad em SP

Por Thais Arbex, na VEJA Online:

Diário Oficial da União desta sexta-feira trouxe uma nomeação que pode mudar a composição de forças - e o tempo no horário eleitoral gratuito de TV - na eleição paulistana. O engenheiro Osvaldo Garcia foi nomeado secretário nacional de saneamento ambiental do Ministério das Cidades, pasta comandada pelo PP, o partido do deputado federal e ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluf. Garcia não é filiado ao PP, mas é próximo a Maluf.

A nomeação ocorre depois de o PP ter anunciado, na noite de ontem, que poderia desistir do apoio ao candidato tucano, José Serra, para apoiar o petista Fernando Haddad. O secretário-geral do PP, Jesse Ribeiro, nega que a nomeação esteja ligada à possibilidade de apoiar Haddad. A alegação oficial do PP para deixar Serra é a pressão por parte do tucano para que os partidos aliados formem chapa única na eleição proporcional - o que limitaria o número de vereadores que o PP seria capaz de eleger. “Quando anunciamos o apoio ao Serra, o combinado era que a chapa única seria apenas para o PSDB, o DEM e o PSD”, explicou Jesse Ribeiro, secretário-geral do PP. “Assim teríamos igualdade na disputa. Não estamos exigindo a vice, nada. Só queremos que cumpram o que havia sido combinado.”

Dono de 1min35s no horário de TV, o PP pode inverter o tempo de exposição dos candidatos no programa eleitoral gratuito. Se Haddad realmente fechar com o partido de Maluf e também com o PCdoB, passaria a ter 7min39s, 1min01s a mais do que José Serra.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 19:02

Maluf disfarçado de Jesus…

Dilma deu a Paulo Maluf o cargo que ele queria no Ministério das Cidades (já trato do assunto) na esperança de que o PP apoie Fernando Haddad em São Paulo. Os petistas, claro!, estão doidos para chamar Maluf de “companheiro”. Já lavaram a reputação de gente até pior. “Arbustus”, no Twitter, saiu-se com esta:

“Às vezes, Jesus se disfarça de Maluf só para testar a fé da militância.”

É uma excelente sacada! O diabo faz a mesma coisa! Finge-se de anjo só para ver se o petismo é tentado mudar de vida. Mas jamais se decepcionou, se é que vocês me entendem.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 18:53

Mesmo com habeas corpus, Cachoeira continurá preso por ordem da Justiça do DF

Por Laryssa Borges e Gabriel Castro, na VEJA Online:
O desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, concedeu nesta sexta-feira um habeas corpus ao contraventor Carlinhos Cachoeira. A informação foi confirmada pela advogada Dora Cavalcanti, que integra a banca de defesa do bicheiro. Mas a decisão não significa que o chefe da quadrilha dos caça-níqueis em Goiás ganhará liberdade: como também existe um mandado de prisão contra ele expedido pela Justiça do Distrito Federal, ele permanece detido - será apenas transferido.

O contraventor está detido na ala federal do presídio da Papuda, em Brasília. Agora, deve ser removido a uma detenção sob responsabilidade da Polícia Civil do Distrito Federal. Cachoeira foi preso em 29 de fevereiro, durante a operação Monte Carlo - deflagrada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal. Cerca de um mês depois, o Ministério Público do Distrito Federal realizou a operação Saint Michel, que também tinha como alvo o grupo do contraventor. Por causa disso, Cachoeira seguirá preso.

De acordo com a advogada do contraventor, a decisão desta sexta-feira é resultado de um pedido de extensão da liberdade concedida nesta semana a José Olímpio de Queiroga Neto, sócio de Cachoeira na exploração de caça-níqueis em Goiás e no entorno do Distrito Federal.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 18:47

Cadê o Daniel Iliescu, da UNE, e o senador Suplicy para cantar “Blowin’in the Wind” para os alunos da Unifesp presos na Polícia Federal? E onde está a Madame Mim da Fefelechi?

Escrevi nesta manhã um texto sobre a diferença de tratamento dispensado por vários setores a manifestações de protesto na USP, Universidade de São Paulo, que é estadual, e na Unifesp, que é federal. É claro que a crítica é dirigida também a boa parte da imprensa. A parcialidade é vergonhosa, mas explicável. Antes que entre no mérito, algumas informações.

Ainda há 22 estudantes presos na Polícia Federal. Foram detidos ontem pela PM, que foi acionada pela direção do campus da Guarulhos. Eles haviam invadido um prédio da administração. As fotos provam que houve depredação do patrimônio, pichação etc. Nada que os invasores da USP não tenham feito. A questão é saber por que aqueles vândalos mereciam o tratamento dispensado aos heróis e por que contavam com o apoio dos petistas. Fernando Haddad, o grande responsável pelas condições miseráveis em que funcionam algumas universidades federais, criticou o governo do Estado e a PM quando a USP foi devolvida ao estado de direito. No caso da Unifesp, ele e os demais petistas estão de bico fechado.

Não, senhores! Escreverei quantas vezes for necessário fazê-lo: não apoio manifestações desse tipo. Ao contrário: invadiu, depredou, quebrou, pichou, tem mais é de haver punição, sejam alunos da USP ou da Unifesp. Escolheu a violência em vez do diálogo, lei no lombo da tigrada! Mas sou coerente: defendo a ordem tanto nesse caso como naquele. Mas e os petistas? E alguns setores da imprensa? O repórter José Roberto Burnier não vai chamar os invasores de agora de “meninos”, como fez no caso da USP?

Na noite passada, um grupo de estudantes dormiu na calçada do prédio da PF, no bairro da Lapa, em solidariedade aos colegas presos. Pensei que Suplicy fosse pegar seu cobertorzinho e se juntar à turma. Passaria a noite cantando “Blowin’in the Wind” e recitando algumas bobagens de Mano Brown, o maior pensador da esquerda brasileira hoje — Marilena Chaui, a Madame Mim da filosofia, perdeu o lugar. Mano Brown ainda é melhor do que ela…

Por que é assim?
Por que essa diferença de tratamento também da imprensa? Porque as redações, infelizmente, também estão infiltradas pela droga da ideologia petista. Escrevi ontem que o petismo está para o marxismo como o crack está para a cocaína: é uma droga ideológica mais popular, mais barata, mais fácil de conseguir e é passada adiante por traficantes pés de chinelo.

Como funciona? Assim: houvesse 22 invasores da USP presos, o assunto certamente estaria entre os mais comentados nas redes sociais, no Twitter especialmente. A máquina petista que monitora a Internet se encarregaria disso, com seus robôs e perfis falsos. Isso, por si, já geraria notícias nos sites jornalísticos. Parlamentares de esquerda sairiam botando a boca no trombone, acusando o governo de São Paulo de truculência, o que renderia novas reportagens, numa bola de neve. Então não vimos? A Madame Mim da Fefelechi esteve na USP no começo desta semana para acusar a universidade de ter se rendido ao “neoliberalismo” , para atacar o reitor, João Grandino Rodas, e para acusar a PM de espancar estudantes no campus. Sobre as 55 federais em greve, nada disse. Quem nunca teve compromisso com a verdade não tem problema nenhum em mentir, certo? Fez as suas acusações e virou notícia.

Como diz Gilberto Carvalho, o espião de Lula infiltrado no governo Dilma, o PT tem mesmo um jeito diferente de resolver as coisas.

Ah, sim: perguntei onde está Daniel Ilescu, o tiozinho do PC do B que preside a UNE. Pergunta meramente retórica. Deve estar ocupado contando a dinheirama que o governo federal já repassou para a entidade pelega que dirige. Sobrando algum tempinho, certamente se ocupa de tentar encontrar alguma desculpa para o dinheiro de convênios que a UNE gastou comprando uísque, freezer e tanquinho.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 18:06

Justiça determina libertação de Carlinhos Cachoeira

Por Laryssa Borges, na VEJA Online:
O desembargador federal Tourinho Neto, do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, determinou nesta sexta-feira a liberdade do contraventor Carlinhos Cachoeira. A informação foi confirmada pela advogada Dora Cavalcanti, que integra a banca de defesa do bicheiro. A expectativa é que o alvará de soltura em favor do empresário de jogos seja expedido ainda hoje. Cachoeira está preso desde o dia 29 de fevereiro.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 16:59

Se escutas forem consideradas ilegais, CPI não poderá mesmo usar o material. Mas será que investigação precisa parar por causa disso? Resposta: NÃO!!!

Vocês sabem que tenho sido bastante duro com a CPI, especialmente com as manobras óbvias de PT e PMDB para não convocar Fernando Cavendish, o dono da Delta. Mas vamos com cuidado. É preciso separar a crítica justa da injusta, as decisões que dependem da vontade dos políticos (convocar o empresário, por exemplo) daquelas que não dependem.

Quando o senador Vital do Rego (PMDB-PB), presidente da CPI, diz que a comissão vai excluir de seu relatório provas eventualmente anuladas pela Justiça, ele não está fazendo uma opção. Não tem alternativa. O contrário é que não seria possível e seria sinal de anarquia: “A Justiça disse que não vale, mas a gente acha que sim…” Criticar o senador por essa declaração é, francamente, uma bobagem. Caso a Justiça decida mesmo declarar ilegais aquelas escutas, pode-se lamentar a decisão. Mas é indiscutível que a comissão a ela deve se subordinar.

Isso não impede a CPI de trabalhar, não, se ela quiser. Lembro que a CPI do PC Farias não contava com esse festival de gravações e conseguiu avançar de modo considerável. Também a dos Correios (do mensalão) foi adiante sem o concurso da PF. Aliás, em larga medida, essas gravações, com alguma frequência, mais servem à obnubilação do que ao esclarecimento. Por que digo isso? Qual foi, por exemplo, o motivo alegado para não se convocar Sérgio Cabral, governador do Rio? “Ah, ele não está nas fitas…”

Nem poderia! As gravações, no que diz respeito à Delta, revelam só um dos braços regionais do esquema, o do Centro-Oeste. As relações da construtora com o Rio teriam de ser apuradas sem a ajuda da PF. A CPI do PC fez investigação. A CPI do Correios fez investigação. Esta, com, parece-me, 3 mil horas de gravações, até agora, não investigou coisa nenhuma.

Sabem por quê? Porque gravação, com muita frequência, pode revelar indício de crime, mas quase nunca é prova do crime. Demóstenes Torres, que tem advogado competente — e ele próprio é da área —, sabia bem o que estava dizendo quando afirmou: “Falar que se vai fazer alguma coisa não é fazer” (se  não é literal, o sentido é esse). Estava tentando livrar a cara? É claro que sim! Mas a fala, por óbvio, faz sentido.

Os tontos vão achar que estou pegando mole com a CPI. Ao contrário: eu estou é dizendo que ela detém um fato material para continuar a investigação, mesmo que as escutas sejam declaradas ilegais. Tem, por exemplo, o legalíssimo material colhido pela Controladoria Geral da República. De tal sorte compromete a Delta que a empresa foi considerada inidônea. A CPI não precisa das escutas para, se quiser, avançar.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 16:08

A precisão de um repórter da Carta Capital, a revista daquele senhor que, vá lá, tinha mais talento para elogiar a ditadura do que tem para atacar a democracia

Ai, ai…

Quando o texto começa assim, vem coisa! Lembram-se de Leandro Fortes? É um sedizente repórter investigativo da Carta Capital, aquela revista que parece, como diria Padre Vieira, sempre ocupada em duas coisas: em denunciar falcatruas e em praticá-las. Fortes é uma das pessoas empenhadas em dar aparência de reportagem aos delírios megalômanos de Mino Carta, aquele que achava que era o golpe militar que legitimava o Congresso, não o Congresso, o golpe. Uau!!!

Fortes, como levá-lo a sério?, já tentou me atacar ao sair em defesa de Paulo Henrique Amorim e dos textos racistas que aquele senhor escreveu contra o jornalista Heraldo Pereira, da TV Globo. Chamou-me, em tom de desqualificação de um elemento de culturas negras da África, de “Exu da VEJA”. É claro que não reclamei porque não sou do tipo que recusa elogios.

O Exu, afinal,  é “o orixá da comunicação, guardião das cidades, casas e do axé, das coisas que são feitas e do comportamento humano. Ele é quem deve receber as oferendas em primeiro lugar a fim de assegurar que tudo corra bem e de garantir que sua função de mensageiro entre o Orun e o Aiye, o mundo material e o mundo espiritual, seja plenamente realizada. Na África na época das colonizações, o Exu foi sincretizado erroneamente com o diabo cristão pelos colonizadores devido ao seu estilo irreverente e brincalhão e à forma como é representado no culto africano, um falo humano ereto, simbolizando a fertilidade.”

Na mosca! No que me diz respeito, as fontes de Fortes eram boas, embora um tanto indiscretas…

Abaixo, reproduzo um texto do jornalista Márcio Chaer, publicado no site Consultor Jurídico. Dá conta do cuidado com que Fortes e a Carta Capital apuram as suas, digamos assim, “reportagens”. Tudo fartamente financiado por anúncios oficiais e por estatais. É um troço vergonhoso. A conclusão a que se pode chegar é o elogio máximo que se pode fazer a Mino Carta, a pequena inteligência por trás de Leandro Fortes: ele tinha mais talento para defender a ditadura do que tem para atacar a democracia. Divirtam-se (os intertítulos são meus).
*
A revista Carta Capital desta semana publicou metade de uma reportagem sobre processo judicial, já encerrado, que acusa de falcatruas o ministro do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. O texto da revista menciona este site.

A metade da reportagem que a revista ficou devendo aos leitores é a que deveria informar o lado da defesa no litígio. Textos apenas com acusação, sabem os profissionais do ramo, são tão autênticos quanto um jogo de futebol com um time só em campo ou uma luta de vale-tudo em que apenas um lutador sobe ao ringue: já se tem o resultado antes da peleja.

As mentiras
No trecho que fala desta publicação, o jornalista investigativo da revista, em meio a um amontoado de insinuações criminosas, diz que detalhe importante da trama é que uma especialista em informática e administração que trabalhou no Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP), do ministro, “é sobrinha de Márcio Chaer, diretor do site Consultor Jurídico”. O desmazelo apontado seria o seguinte: Gilmar Mendes “usou uma servidora pública contratada por ele, quando presidente do CNJ, para tocar um trabalho paralelo em sua empresa privada”.

Este redator não tem sobrinha nenhuma em Brasília, não conhece a moça, seus pais ou parentes - há apenas coincidência de sobrenome. Feita averiguação, o que jornalistas profissionais fazem sem dificuldade, constatou-se: é fato, a moça trabalhou no IDP até 2007 e quase 1 ano depois foi contratada no Conselho Nacional de Justiça. Não acumulou funções, não foi contratada pelo ministro e, é claro, não guarda nenhum parentesco com ninguém deste site.

Sempre governista
O autor da lambança é Leandro Fortes, dono de um itinerário atípico na profissão. Ele foi da Aeronáutica no governo militar; na administração FHC era considerado aliado pelas hostes tucanas (quando trabalhou no jornal O Globo e na revista Época). Na era Lula foi trabalhar para o governo. Mas nem sempre se deu bem. Acabou demitido de O Globo e do jornal O Estado de S. Paulo “por inépcia”. Na Radiobrás respondeu ação por assédio moral. Nessa trajetória de adesão, CartaCapital veio a ser um desdobramento natural da carreira. Ali, seus talentos e suas características são valorizadas e bem aproveitadas para os propósitos da publicação.

Fugindo
Procurado para se manifestar, justificar sua conduta e explicar as áreas nebulosas de sua trajetória, Leandro Fortes parece ter se assustado. Gaguejou, silenciou e desligou o telefone abruptamente assim que este interlocutor se identificou. Nova tentativa. A ligação foi rejeitada. No recado, como costumam fazer jornalistas que querem fazer reportagens inteiras, ficaram gravadas as perguntas e um número de telefone para resposta, que não veio. Foram feitas mais duas tentativas. Em ambas o telefone foi desligado pelo não tão incisivo jornalista.

Denunciado pelo MP
Leandro Fortes chegou a Brasília apresentando-se como sargento da Aeronáutica. Há dúvidas a respeito. Até onde se sabe, sua maior patente na Força Aérea foi de cadete na Escola Preparatória de Barbacena. Ele é lembrado nas redações por momentos emocionantes do jornalismo, como quando foram divulgadas como verdadeiras as falsidades do famoso “dossiê Cayman”. Fortes chegou a ser denunciado pelo Ministério Público Federal por ataques contra os policiais federais que investigaram a origem do dossiê.

Informação falsa
Precisão e acurácia não parecem ser características de seus textos. Entre um desmentido e outro, como quando levou a revista Época a publicar que uma reunião de trabalho no Palácio do Planalto tivera a participação de um torturador - o que não acontecera -, Fortes deixou de herança à revista uma condenação de R$ 40 mil, mais uma vez por notícia errada. Esta, contra o atual presidente do Tribunal Regional Eleitoral.

Ataque a jornalistas
Recentemente investiu contra três profissionais respeitáveis de Brasília: atacou o chefe da sucursal da revista Veja, Policarpo Júnior; o assessor de imprensa do Tribunal Superior do Trabalho, Renato Parente; e o diretor da sucursal da revista Época, Eumano Silva, seu desafeto e a quem Fortes atacou, reconhecidamente, por vingança. Diferentemente de seu algoz, Eumano detém o respeito de dez em cada dez jornalistas de Brasília.

Fraude
A fraude estampada na Carta Capital desta semana é um prodígio e pode ser resumida em três parágrafos. Gilmar Mendes, um dos três sócios do IDP, encomendou uma auditoria para entender o que acontecia com a escola. A conclusão foi que a administração precisava ser profissionalizada. O sócio-gerente não quis sair e recorreu à Justiça.

Escorou suas razões justamente na auditoria que condenou sua gestão. Mas imputou a Gilmar Mendes as mazelas pelas quais só quem tinha a caneta (o administrador) poderia responder. O gestor, Inocêncio Mártires Coelho, foi derrotado em todas as tentativas judiciais.

Sem alternativa, vendeu sua parte por R$ 8 milhões - valor que os sócios restantes tomaram emprestado em banco privado, que não hesitou aceitar a garantia do prédio, avaliado em valor bem superior ao do empréstimo. Para o atilado Leandro Fortes, hoje apelidado pelos muitos ex-amigos de Brasília como “sargento Demóstenes”, isso tudo foi altamente suspeito. Não foi difícil fazer parecer convincente, contando apenas metade da história.

Por Reinaldo Azevedo

 

15/06/2012 às 15:26

STF nega pedido de Demóstenes; se Justiça considerar gravações ilegais, aumentam chances de senador preservar mandato

Por Gabriel Castro, na VEJA Online. Comento em seguida.
A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou nesta sexta-feira a suspensão do processo de cassação a que o senador que Demóstenes Torres (sem partido-GO) responde no Conselho de Ética do Senado. Os advogados do parlamentar alegavam que seu direito à ampla defesa não foi respeitado.  Está marcada para a segunda-feira a apresentação do relatório final do Conselho de Ética, em que o senador Humberto Costa (PT-PE) deve pedir a cassação de Demóstenes por seu envolvimento com o grupo do contraventor Carlinhos Cachoeira.

O prazo para a apresentação da defesa do ex-democrata se encerra às 18 horas desta sexta-feira. A defesa do senador contestava os prazos aplicados pelo Conselho de Ética e afirmava que havia a necessidade de se realizar perícia em áudios da operação Monte Carlo, que flagraram Demóstenes em conversas com Cachoeira.

O Conselho de Ética deve dar o aval para a cassação de Demóstenes. Depois, o caso segue para a Comissão de Constituição e Justiça, onde o pedido de cassação também deve avançar. Só então começa a etapa final: a votação em plenário, onde o voto secreto torna o resultado bem menos previsível.

Comento
A defesa tentou. Cumpria o seu papel. Mas eram remotíssimas as chances de o STF se meter num procedimento de outro Poder. Até porque a primeiríssima chance de defesa de Demótenes foi aquele seu discurso, tão logo VEJA noticiou que a Polícia Federal havia descoberto seus vínculos com Carlinhos Cachoeira. Recebeu o apoio da esmagadora maioria dos senadores. Mas aí começou a vazar o conteúdo das fitas. Muita gente se sentiu traída.

Como se afirma acima, o caso deve seguir sem surpresas: Humberto Costa (PT-PE) vai pedir a cassação, e o Conselho vai aprovar o seu relatório. E no plenário, com voto sercreto? Vamos ver…

Como a CPI decidiu investigar o acessório e deixar de lado o principal — e o principal é a Delta —, alguns poderão entender que estão querendo pegar um bode expiatório no Senado. Mais: caso a Justiça venha a considerar ilegais as gravações da Operação Monte Carlo, haverá quem veja nisso um elemento a mais para recusar a cassação.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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1 comentário

  • Lourivaldo Verga Barra do Bugres - MT

    Os ambientalistas tão pouco se lixando com as situações que a ministra menciona. O que eles qurem (e já conseguiram) é fear o Brasil. Na verdade o Brasil está freado, descendo em ponto morto. As pipocações de grupos étnicos, já é fruto de documentos mal assinados que dão doreitos a desintegrar nossa Pátria. O futuro vai nos mostrar o que o presente já está delineando.

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