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Operação de “marquetingue”: João Santana e o Lula candidato em SP

Publicado em 25/11/2012 17:27 e atualizado em 23/05/2013 15:36 1518 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Já tratei do assunto aqui há alguns meses, como sabe todo leitor. A maioria de vocês certamente sabe que o marqueteiro João Santana concedeu uma entrevista à Folha, publicada nesta segunda. A conversa termina, como quem não quer nada, com a defesa da candidatura de Lula ao governo de São Paulo, tendo Gabriel Chalita (PMDB) como vice. Chega a ser curioso o modo como se fez… É como se Santana tivesse, sei lá, tropeçado na ponta virada de um tapete e dito: “Opa, quase caí…”; como se a possibilidade tivesse surgido do inesperado, do incidental.

Evidentemente não é assim que as coisas funcionam no mundo “marquetingue” — para citar Luis Fernando Verissimo (que se recupere!; o que não quer dizer que não discorde de cada palavra). As operações obedecem a um planejamento, têm um calendário, uma escala, um plano, essas coisas…

A fala de Santana foi tudo, menos um tropeção na ponta virada de um tapete. Foi concedida com o único propósito de lançar o balão de ensaio e analisar as reações. Até porque, a se dar crédito à literalidade das palavras, ele estava a anunciar ali que aquele era o seu gosto, mas que Lula é radicalmente contra. Logo, seria a não-notícia. E por que a Folha daria uma “não-notícia” em manchete? Desde quando as opiniões sem futuro de um marqueteiro são manchete de jornal?

Já informei aqui há vários meses que há correntes no PT que realmente querem Lula candidato ao governo. Não pensem que o propósito é só liquidar o PSDB — também é. Mas nem é o mais importante, já que os petistas não dão mais muita bola à oposição e hoje se ocupam mesmo é de suas divisões internas. O lulismo quer uma forma de confrontar — NA SEARA DO PRÓPRIO PETISMO — o governo Dilma. Há várias alas da legenda descontentes com a presidente, o que não a torna necessariamente um exemplo de administração, é bom dizer. Dou um exemplo de uma: a turma que quer censurar a imprensa, por exemplo, acha que a gestão Dilma não é sanguinolenta o bastante. Assim, os petistas que defendem o “projeto Lula” são os mesmos que o queriam candidato à Presidência em 2014, mas que sabem que o projeto é impossível. A presidente não vai abrir mão da reeleição.

Não estou dizendo que a coisa vai necessariamente acontecer, entendam. O ponto é outro. É evidente que Santana fez o que fez em combinação com Lula. É uma forma de desorientar a seara inimiga, de impedir que o governador Geraldo Alckmin consolide alianças definitivas, de pôr, desde já, a sucessão em São Paulo em pauta.

Aliás, já está. Dois dias antes, a própria Folha havia informado que pesquisa Datafolha apontava a queda de popularidade do governador por causa do surto de violência em São Paulo. Já escrevi muito a respeito e demonstrei que se trata de antecipação de campanha eleitoral.

Lula será candidato ao governo de São Paulo? Hoje, o “não” é uma resposta mais provável, mas não é impossível. A cúpula do PT avalia que a “operação desgasta-Alckmin”, por conta da violência, foi uma das mais bem-sucedidas da história do partido. Acredita que pode vencer a disputa com outros nomes. A possibilidade de Lula entrar na disputa será definida pelos confrontos internos do petismo. Se os lulistas considerarem que há a chance de o partido “perder o seu rumo” num eventual novo mandato da presidente, então o Apedeuta pode tentar, sim.

A fala de Santana busca criar confusão no terreno adversário, mas também é um recado de Lula ao próprio governo Dilma.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em bilhete apreendido pela PF, Cachoeira escreve que Dirceu é “consultor da Delta” e pergunta por que petista não está preso

Por Fernando Mello, na Folha:
Em um bilhete apreendido pela Polícia Federal, o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira, se compara a José Dirceu e diz que fez o mesmo que o ex-ministro. O papel estava na casa da mulher de Cachoeira, Andressa Mendonça. Nele, Cachoeira chama Dirceu de “consultor” da empreiteira Delta e questiona por qual motivo o ex-ministro não está preso. O documento foi apreendido em julho, quando, a pedido do Ministério Público Federal, a Polícia Federal fez uma operação de busca e apreensão na casa de Andressa. “Se eu sou um consultor da Delta e estou preso, e o Zé Dirceu que é um consultor da Delta? Qual a diferença entre nós?”, diz o texto.

A PF não investigou nenhuma relação de Dirceu com a Delta. Naquele momento, o ex-ministro ainda não havia sido condenado pelo Supremo Tribunal Federal, no processo do mensalão. O papel chamou a atenção de investigadores e pessoas com acesso aos processos envolvendo Cachoeira. Apesar de não haver relevância criminal para servir como prova, o bilhete foi visto como um recado ao PT. O advogado de José Dirceu, Jose Luis de Oliveira, disse que o bilhete é “irrelevante”. O advogado de Carlos Cachoeira, Nabor Bulhões, disse não ter conhecimento da existência do papel.

Durante a Operação Monte Carlo, deflagrada em 29 de fevereiro, a PF investigou as relações entre Cachoeira e a Delta, especialmente no Centro-Oeste. A PF chegou a apontar Cachoeira como sócio oculto da Delta. Laudos da polícia indicaram que verbas da empreiteira abasteceram empresas de fachada ligadas a Cachoeira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

“Mulher de Lula”, que gostava de ser chamada de “madame”, manda dizer que não vai “cair sozinha”

Por Tânia Monteiro, no Estadão:
Integrantes do PT entraram em ação nas últimas 48 horas para tentar acalmar a ex-chefe do escritório da Presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa de Noronha, que está desarvorada com a perda do cargo e com o indiciamento por parte da Polícia Federal (PF) por suspeita de envolvimento com uma quadrilha que traficava pareceres técnicos.

Rosemary teve seus telefones grampeados e a memória de seus computadores está sendo vasculhada pela PF. Por isso, de acordo com informações de petistas, uma operação “acalma Rose” foi deflagrada para dar suporte a ela. Segundo eles, Rosemary é conhecida por sua instabilidade emocional. Ela chora a todo instante. Em alguns momentos, chega a fazer ameaças – conforme os relatos – dizendo que não vai perder tudo sozinha e que não verá sua vida ser destruída sem fazer nada. “Não vou cair sozinha”, avisou.

A ex-chefe do escritório paulista, que sempre se sentiu à vontade para ligar para a cúpula petista e ministros, recorreu ao ex-ministro José Dirceu ao perceber a presença da PF em sua porta. Ela trabalhou com ele por 12 anos. O ex-ministro, que no momento pretende percorrer o País para dizer que a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de lhe aplicar uma pena de 10 anos e 10 meses é política, respondeu que não poderia fazer nada. Rosemary tentou ainda falar com o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que não lhe atendeu. Como seu padrinho, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estava voando da Índia para o Brasil, foi atrás do ministro-chefe da Secretaria Geral, Gilberto Carvalho, que do mesmo modo nada pôde fazer, a não ser tentar acalmá-la.

Rosemary já estava sentindo seu poder esvaziado desde a saída de Lula do governo. Com a posse de Dilma Rousseff, perdeu parte da liberdade de agir no escritório em São Paulo e de dar ordens à comitiva presidencial. Auxiliares da presidente passaram a deixá-la em segundo plano, assim como os assessores do vice-presidente Michel Temer, que usa muito o escritório de São Paulo. Outros, como o governador da Bahia, Jacques Wagner, se recusavam a participar das reuniões nas quais ela estivesse presente.
(…) 
A temida “madame”, como gostava de ser chamada, já não despertava mais temor entre subordinados – que nunca recebiam dela um polido tratamento -, porque não tinha influência sobre a equipe de Dilma. Mas isso não impedia que continuasse a usar o nome de Lula, de quem sempre foi muito próxima, para fazer do escritório uma espécie de balcão de varejo. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Maracutaia no coração do poder. A “mulher de Lula”, “Os Donos do Poder”, o Capítulo 5 de “Raízes do Brasil” e as “relações ancilares” de “Casa Grande & Senzala”. Ou ainda: Governo merece vaia, não aplausos!

O mais recente escândalo, revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal, vem à luz com alguns aspectos jocosos, o que contribui, em boa medida, para lhe tirar a devida gravidade. Curiosamente, a personagem que serve para rebaixar a importância da lambança é justamente Rosemary Nóvoa Noronha, nada menos do que chefe de gabinete da representação da Presidência da República em São Paulo. Dito de outra maneira: quando a presidente está em terras paulistas, para aquele escritório se transfere a sede do poder. E por que o tom quase jocoso de certo noticiário?

Segundo o que se sabe até agora, e não é muita coisa, parece que ela se contentava “com pouco” para os padrões petistas: um cruzeiro promovido por uma dupla sertaneja, uma grana para pagar a cirurgia plástica, uma ajudazinha para custear os armários, apoio para fazer o divórcio… Uns R$ 5 mil aqui, outros R$ 7 mil ali… Nessas horas, sempre lembro de um depoimento de Delúbio Soares à CPI dos Correios. Indagado sobre o valor de uma determinada operação ilegal, com aquele ar de quem havia se encontrado, não fazia muito, com algum benzodiazepínico, afirmou: “Era mixaria, deputado, coisa de uns R$ 5 milhões…” Quando lemos que a Rose pegava esses trocos aqui e ali, o diabo nos tenta: “Mas era só isso?”.

Há outro aspecto interessante — a relação de Luiz Inácio Apedeuta da Silva com Rosemary —, sobre a qual falarei, não sem antes fazer um voo até nosso passado mais distante. Acho que vale a pena. Vamos lá.

A história
Em “Os Donos do Poder”, Raymundo Faoro voltou às origens do estado português para caracterizar a formação do patronato brasileiro, demonstrando como está entranhada na nossa cultura a indistinção entre o público e o privado, entre os assuntos do estado e os interesses particulares. No Capítulo 5 de “Raízes do Brasil”, o livro mais mal lido da história brasileira, Sérgio Buarque de Holanda define — e, na verdade, lastima — a nossa contribuição à civilização: “o homem cordial”. Sérgio dá início ao capítulo lembrando que o “estado” não é a continuação da “família”; na verdade, são conceitos antagônicos. Não para a cultura do “homem cordial”, em que as coisas se misturam. Leiam o trecho que segue em azul, lembrando sempre que ele foi um dos fundadores do PT… Não era um marxista, diga-se, nem padecia da idiotia política do filho compositor. Se vivo fosse, talvez rasgasse a ficha de filiação.

“Não era fácil aos detentores das posições públicas de responsabilidade, formados por tal ambiente, compreenderem a distinção fundamental entre os domínios do privado e do público. Assim, eles se caracterizam justamente pelo que separa o funcionário “patrimonial” do puro burocrata conforme a definição de Max Weber.Para o funcionário “patrimonial”, a própria gestão política apresenta-se como assunto de seu interesse particular; as funções, os empregos e os benefícios que deles aufere relacionam-se a direitos pessoais do funcionário e não a interesses objetivos, como sucede no verdadeiro Estado burocrático, em que prevalecem a especialização das funções e o esforço para se assegurarem garantias jurídicas aos cidadãos.

A escolha dos homens que irão exercer funções publicas faz-se de acordo com a confiança pessoal que mereçam os candidatos, e muito menos de acordo com as suas capacidades próprias. Falta a tudo a ordenação impessoal que caracteriza a vida no Estado burocrático. O funcionalismo patrimonial pode, com a progressiva divisão das funções e com a racionalização, adquirir traços burocráticos. Mas em sua essência ele é tanto mais diferente do burocrático quanto mais caracterizados estejam os dois tipos.
No Brasil, pode dizer-se que só excepcionalmente tivemos um sistema administrativo e um corpo de funcionários puramente dedicados a interesses objetivos e fundados nesses interesses. Ao contrário, é possível acompanhar, ao longo de nossa história, o predomínio constante das vontades particulares que encontram seu ambiente próprio em círculos fechados e pouco acessíveis a uma ordenação impessoal. Dentre esses círculos, foi sem dúvida o da família aquele que se exprimiu com mais força e desenvoltura em nossa sociedade. E um dos efeitos decisivos da supremacia incontestável, absorvente,do núcleo familiar — a esfera, por excelência dos chamados “contatos primários”, dos laços de sangue e de coração — está em que as relações que se criam na vida doméstica sempre forneceram o modelo obrigatório de qualquer composição social entre nós. Isso ocorre mesmo onde as instituições democráticas, fundadas em princípios neutros e abstratos, pretendem assentar a sociedade em normas antiparticularistas.”

Retomo
Pois é… A cultura da mistura entre o público e o privado continua, sim, mas agora temperada e, como direi?, “hegemonizada” por um partido, que veio a tomar o lugar das “famílias”. É por meio dele que os interesses privados se apropriam do estado. Não superamos o familismo em benefício do estado burocrático virtuoso e impessoal (na caracterização weberiana); ao contrário: os petistas se associaram às estruturas arcaicas da sociedade brasileira e conferiram a seu modelo ares de modernidade. Assim — e o mensalão é a mais clara expressão do que estou a sustentar —, as relações de troca que o partido realiza com os interesses privados são alçadas à condição de demandas públicas e operadas em nome de uma suposta sociedade organizada. O velho enverga as vestes da novidade para esconjurar, uma vez mais, o estado impessoal.

Não é por acaso que o petismo repudia, por exemplo, com tanta energia a privatização de estatais e ensaia a sua experiência de capitalismo de estado. Empresas privadas operando serviços públicos, reguladas por agências de fato independentes, significaria excomungar as chances da arbitragem pessoal, do jeitinho, do arranjo, dos acertos de bastidores, do caixa dois de campanha. Cumpre, então, como eles fizeram, denunciar a, como é mesmo?, “venda do patrimônio nacional”, que feriria toda uma nação, para manter o controle efetivo do estado em benefício da…nação petista!

Agora a Rose e o Lula
Pois é… Vocês se deram conta das entrelinhas das reportagens? Uma assegura que Dilma teve de negociar com Lula a demissão daquela senhora. Outra informa que Gilberto Carvalho — o faz-tudo do Apedeuta no Planalto — teve de ser acionado porque a presidente sabia que o assunto poderia ser delicado. Outra ainda dá conta de que a funcionária era dotada de um temperamento difícil, que tinha de ser, não obstante, tolerado — e por que tinha? Uma quarta conta que, embora chefe do escritório da Presidência em São Paulo, acompanhara Lula em boa parte das viagens ao exterior…

Talvez seja o caso, então, de resgatar outro livro importante que ajuda a explicar a formação do Brasil: “Casa Grande & Senzala”, de Gilberto Freyre. Na formação do Brasil, as, como posso chamar?, “relações ancilares” tiveram grande importância, não é?, especialmente no período colonial. Traços dessa outra expressão de informalidade parece que se misturam também à formação do estado, muito especialmente este aí, “modernizado”, como se vê, pelo petismo. Uma coisa é certa: foi preciso negociar com Luiz Inácio Lula da Silva a demissão da chefe de gabinete da Presidência em São Paulo mesmo com as gravações da Polícia Federal a indicar que mulher era elo numa quadrilha que operava no coração do poder.

Coisa grave, sim!
Parem um pouco para pensar. O esquema, segundo a apuração da Polícia Federal, envolve uma funcionária graduada da Presidência, o número dois da, atenção!, Advocacia Geral da União (que representa os interesses da Federação) e diretores de agências reguladoras — justamente as agências!, que deveriam ser a expressão do estado árbitro entre os prestadores de serviços e a sociedade que paga por eles. Uma súcia, pois, estava instalada no coração do poder e operando a poucos centímetros, no que concerne as aspecto funcional, de Dilma Rousseff. E algumas nomeações, como está claro, se fizeram para satisfazer a vontade do Babalorixá de Banânia. Lembro: Luís Inácio Adams, o número um da AGU, ainda pode ser considerado pré-candidato ao Supremo. A infiltração, segundo a PF, havia chegado até o número dois…

Pior: não foram os mecanismos de controle do Executivo que detectaram as ações fraudulentas. Não fosse o arrependimento — ou algo assim — de um dos beneficiários da tramoia criminosa, e o grupo continuaria a operar sem temor nem perigo, como se percebe, certo de que detinha as boas garantias. Não por acaso, quando a Polícia Federal chegou, Rose teve uma ideia: telefonar para José Dirceu — a quem havia servido por 12 anos (originalmente, foi ele quem a apresentou a Lula) — para ver se algo poderia ser feito. Consta que o homem que quer “julgar o STF” nas ruas não atendeu.

Um desses tontolinos que andam por aí (se não for coisa pior) nos conclama a aplaudir o governo Dilma por conta da independência da Polícia Federal e do Ministério da Justiça, ao qual o órgão é vinculado, porque leva adiante a operação…EU NÃO APLAUDO, NÃO! SOU UM HOMEM CONVENCIONAL. EU VAIO UM GOVERNO EM QUE ESSA GENTE TODA OCUPA CARGOS DE CONFIANÇA —  E CARGOS DA MAIS ALTA RELEVÂNCIA! POR QUE EU APLAUDIRIA?

“Ah, Reinaldo, mas o governo não impediu a Polícia Federal de agir… “ Só faltava isso, não? Imaginem se ocorreria a alguém a sugestão de que Barack Obama poderia impedir uma investigação do FBI. Por que eu deveria aplaudir a independência da PF, atribuindo-a ao governo Dilma — pagando, pois, quando menos, um tributo moral à turma — SE A CONSTITUIÇÃO DE ME DÁ DE GRAÇA A INDEPENDÊNCIA DA POLÍCIA FEDERAL? Por que eu devo pagar por aquilo que é uma garantia constitucional?

Eu vaio, mas Dilma será aplaudida
É claro que algumas notícias já nascem com perfis, desenhados pela máquina de propaganda, pelo viés ideológico do noticiário, pelo espírito do tempo… Esse noticiário já veio à luz com a marca “Dilma não tolera a corrupção e demite mesmo”. Os nomes de Lula e Dirceu associados à turma da maracutaia não indisporão o eleitorado petista com a presidente e ainda servirão para despertar a simpatia em setores da sociedade refratários à dupla. Compreendo o mecanismo que leva a isso, mas não posso me esquecer de que à Presidência da República coube a nomeação da quadrilha.

Um grupo operando no coração mesmo do poder só nos informa a que distância estamos de uma República de fato e como é ineficaz responder a certos desafios com algumas feitiçarias legiferantes. A questão é mesmo de outra ordem. Mas isso fica para outro post, que este já foi longe.

A síntese é esta: mais um escândalo envolvendo “a mulher” e os homens de Lula é a evidência do “moderno” estado arcaico petista.

Texto publicado originalmente às 3h35

Por Reinaldo Azevedo

 

Mais novo escândalo demonstra a falácia do financiamento público de campanha. O problema é definitivamente outro: o tamanho do estado!

Carmen Lúcia, ministra do Supremo Tribunal Federal e presidente do Tribunal Superior Eleitoral, veio a público para demonstrar seu inconformismo com as doações feitas por empresas às campanhas eleitorais. Pois é… Leio essa sua fala, somo-a à campanha que o PT vem fazendo em defesa do financiamento público e submeto o conjunto da obra à luz do mais novo escândalo da República, este que flagra uma quadrilha operando no coração do poder: escritório da Presidência da República, Advocacia Geral da União e Agências Reguladoras. “Não entendi nada, Reinaldo!” Eu explico.

O que esse escândalo de agora tem a ver com eleições ou financiamento de campanhas eleitorais? Nada! Trata-se apenas de uma prática muito antiga (ver texto na home) que consiste em tratar o que é público como se fosse assunto privado. A rigor, outra coisa não era o mensalão, ainda que se tente sustentar a farsa de que tudo não passava de mero caixa dois de campanha. Não! O roubo do dinheiro do Banco do Brasil, que rendeu condenações por peculato, não era, por definição, caixa dois de campanha, certo? Os sobrepreços de obras públicas, as licitações dirigidas, as não-licitações (uma modalidade criada pelo governo petista), nada disso está relacionado ao financiamento do processo eleitoral em si.

Sustentar que a mãe de todos os males é a financiamento privado de eleição é uma falácia. Trata-se de hipótese que, carente de comprovação, resta como mera especulação. Pior do que isso: há evidências várias — e agora estamos diante de mais uma — de que as lambanças se dão fora do processo eleitoral. É certo, e as investigações apontaram isso, que a Delta, por exemplo, financiou campanhas eleitorais. Mas aquele laranjal que criou e as lambanças de que participou se circunscrevem ao processo eleitoral? A resposta, como diria Marco Aurélio Mello, é “desenganadamente negativa”.

A mim me parece irrelevante que empresas ou indivíduos façam suas doações. Não vejo grande diferença entre uma coisa e outra. Fazer carga, como fez a ministra — e seus argumentos me parecem fracos —, contra a doação de empresas só concorre para a tese do financiamento público, que é hoje uma das bandeiras do petismo — e, aí sim, ministra, estaremos em péssimos lençóis.

Ora, apelo à própria experiência de Carmen Lúcia e à lógica: no posto em que está, é observadora privilegiada do processo eleitoral. Se, com as doações privadas permitidas, inclusive as de empresas, o caixa dois já é uma constante, imaginem o que aconteceria se elas forem proibidas. Desdobramento óbvio e lógico: aumentará a circulação de dinheiro ilegal nas campanhas.

Ficha Limpa
Eu não sou entusiasta da Lei da Ficha Limpa. Nada tenho contra o fundamento, mas entendo que não é possível cassar os direitos políticos de alguém antes da sentença transitada em julgado. O texto traz ainda alguns absurdos: permite que um conselho profissional casse direitos políticos — é uma aberração! Mas não quero me ater agora a minudências, não. Noto que a lei, ainda que venha a ser escoimada de arestas indesejáveis, não impediria que uma quadrilha se instalasse na Presidência da República e adjacências. “Ah, mas aumenta a moralidade…” Pode impedir uns dois ou três larápios, mas não o bastante para mudar o estado das coisas.

Não é com desvario legiferante que se resolvem certas coisas, não! A sociedade brasileira precisa é de um outro movimento. A nossa desgraça — e é desgraça mesmo, com ares de sentença condenatória — se chama “tamanho do estado”. Ninguém mais fala disso? Dane-se! Eu falo! Enquanto o governo for o maior empresário do país; enquanto o governo for o maior empregador do país; enquanto os governos (agora no plural) dispuserem de milhares de cargos de confiança e de livre provimento, não haverá legislação eleitoral severa o bastante para coibir a sem-vergonhice; não haverá Lei da Ficha Limpa que chegue para impedir a chegada da canalha ao Poder.

Eu sei que não é um troço que se resolve do dia pra noite. Eu sei que não se mudam essas coisas num estalar de dedos. Eu sei que há três eleições, caminhando para a quarta, vence nas urnas justamente um discurso político que prega o contrário: um estado ainda maior, com mais gente, com mais força, com mais poder. A própria imprensa, antes hostil a esse estado gigante, é cada vez mais servil aos atuais donos do poder. Setores importantes desistiram de forma miserável de fazer a crítica ao “Estado-Patrão”.

Ocorre que esse é, sim, o mal original. Que moralidade é possível quando só o governo federal dispõe de mais de 24 mil cargos de confiança? Em 2002, quando FHC deixou o poder, eram pouco mais de 18 mil —  um número já estúpido, mas os companheiros acharam pouco. Somem-se a isso os postos que os partidos disputam nas estatais. Só para comparação: na Alemanha, são apenas 170 os cargos federais de confiança; no Reino Unido, 300. Nos EUA, 9 mil! Se Mitt Romney tivesse vencido Barack Obama, não haveria fatias do Partido Democrata implorando carguinhos ao republicano para apoiá-lo. A razão é simples: não há cargos para isso nem na administração direta nem nas estatais, que praticamente inexistem.

Um dia alguém terá a coragem de propor uma reforma nessa lambança? Qual é a chance de um discurso como esse prosperar? Eu não sei! Sei que é preciso tomar cuidado com as soluções simples e erradas para problemas difíceis. O financiamento público de campanha, com a qual acaba flertando, na prática, a ministra Carmen Lúcia, certamente não é solução para nada. Ao contrário: só agravará o problema. Aumentará a percentual de dinheiro ilegal nas campanhas, assaltará uma vez mais o bolso do contribuinte e manterá intocado o modelo que convida à corrupção.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Mulher de Lula” é demitida do gabinete da Presidência em São Paulo

Dilma também exonerou o número dois da Advocacia-Geral da União. Os irmãos Rubens e Paulo Vieira, diretores da Anac e da ANA, serão afastados

O jornalismo costuma se referir como “homem de fulano”, “homem de beltrano” a pessoas que só exercem determinados cargos por vontade de um líder político. Assim se procede quando o nomeado é do sexo masculino. Para evitar ruído, não se emprega, no entanto, a expressão “mulher de sicrano”. Eu, por coerência, passo agora a usar essa expressão — afinal, estamos na era da “presidenta”, não é isso? Assim, como negar que Rosemary fosse uma “mulher de Lula” no gabinete da Presidência em São Paulo. Era, sim! Todo mundo sabe.

A “mulher de Lula” foi demitida. Leiam texto da VEJA.com.
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A presidente Dilma Rousseff determinou, neste sábado, a demissão da chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronhaindiciada na sexta-feira. Escutas telefônicas realizadas durante a investigação indicam que a servidora usava o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazer tráfico de influência. Dilma ainda determinou a exoneração ou afastamento de todos os indiciados pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro. Dessa forma, o número dois da Advocacia-Geral da União (AGU), José Weber Holanda Alves, também deixará o cargo. Na manhã deste sábado, a presidente se reuniu no Palácio da Alvorada, em Brasília, com o advogado-geral Luís Inácio Adams para avaliar os desdobramentos das investigações da PF. Como os diretores das agências reguladoras tiveram seus nomes aprovados em sabatinas no Senado, eles precisam responder aos processos antes de serem formalmente exonerados.

As apurações policiais levaram à desarticulação de uma quadrilha que, infiltrada em órgãos da administração pública federal, negociava a redação de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados e praticava tráfico de influência. Os investigados na operação responderão pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. Desde o estouro da operação, a AGU montou uma espécie de força tarefa para analisar os documentos das investigações policiais e verificar a abrangência dos danos causados à autarquia pela atuação de José Weber de Holanda Alves. 

Reservadamente, informaram fontes do Planalto, a saída de Rosemary será oficializada como “a pedido”, uma forma de preservar a relação próxima da chefe de gabinete com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Por determinação da Presidência, a Agência Nacional de Águas (ANA), Agência de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vão investigar em detalhes, por meio de sindicância, a participação de servidores das autarquias no esquema criminoso. Todos os suspeitos investigados pela Polícia Federal também vão responder a processos disciplinares.

Mais cedo neste sábado, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, já havia anunciado o afastamento de Rubens Carlos Vieira do cargo de Diretor de Infraestrutura Aeroportuária da ANAC. Vieira foi um dos investigados na operação Porto Seguro.

As traficâncias de Rose
Segundo a investigação, o papel de Rosemary era fazer a ponte entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e as pessoas do governo que poderiam viabilizar a emissão dos documentos. Rosemary foi nomeada por Lula para esse cargo em 2005 e, desde então, esteve muito próxima ao petista. O fato de assessorar o ex-presidente fez com que ela própria se tornasse uma pessoa politicamente articulada. Assim, foi capaz de influir na nomeação de homens do alto escalão de agências do governo, como os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ambos presos hoje pela PF.

Rose, como é conhecida, era presença constante nas comitivas presidenciais ao lado de Lula. Também foi assessora do ex-ministro José Dirceu por 12 anos antes de trabalhar diretamente com Lula. Em 2006, o nome de Rosemary constava de uma lista de 65 servidores que efetuaram saques a título de pagamento de despesas da Presidência da República por meio de cartões corporativos. Na época, havia registros de saques no valor de 2 100 reais no cartão dela. Deputados de oposição tentaram aprovar sua convocação para prestar esclarecimentos à CPI que investigou a farra dos cartões corporativos, mas aliados do Planalto conseguiram barrar o pedido.

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula, consultado por Dilma, resistiu à demissão de “sua mulher na Presidência”; gravações, no entanto, não deixaram outra saída…

Por Laryssa Borges e Silvio Navarro, na VEJA.com:
Irritada com os desdobramentos da operação Porto Seguro da Polícia Federal, a presidente Dilma Rousseff determinou que a Advocacia-Geral da União (AGU) e todos os órgãos atingidos pela investigação façam uma varredura para rastrear irregularidades cometidas pelos servidores envolvidos no caso. A decisão foi tomada neste sábado, após reuniões da presidente com ministros, assessores e troca de telefonemas com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos diálogos, segundo fontes do Palácio do Planalto e do PT, Dilma cobrou informações sobre a amplitude da investigação, a biografia e quis saber quem eram os “padrinhos” políticos dos acusados.

A presidente consultou Lula antes de oficializar a demissão de Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete do escritório da Presidência da República em São Paulo, que tem forte ligação com o ex-presidente e com o ex-ministro José Dirceu, de quem foi assessora por mais de uma década. A princípio, Lula, que foi informado de que a operação policial chegara até Rosemary na sexta-feira, resistiu à ideia de demiti-la, mas acabou concordando neste sábado quando soube do teor das conversas de sua ex-secretária interceptadas pela Polícia Federal.

Um dos interlocutores de Lula com os envolvidos na operação e com a própria Rosemary é o ex-presidente do Sebrae e seu amigo pessoal Paulo Okamotto. Em um primeiro momento, integrantes do PT articularam para que a funcionária se afastasse do cargo e evitasse o desgaste de ter de ser demitida. O temor no Planalto é que ela possa implicar, direta ou indiretamente, nos diálogos captados pela polícia o ex-presidente por meio de pedidos de favores, propinas ou com recados para nomeações feitas a pedido de Lula. O caso corre em segredo de justiça.

Nos bastidores, o governo trabalha para espalhar o discurso de que o foco da operação são fraudes em pareceres técnicos das agências, e que ilícitos cometidos pela chefe de gabinete da Presidência não têm relação com as atribuições do cargo que ela exercia. A intenção é isolar a atuação e o eventual tráfico de influência praticado por Rosemary das prerrogativas oficiais que seu cargo lhe permitia. E, principalmente, tentar afastar o nome do ex-presidente do caso.

Reação irritou Dilma
Segundo fontes do Planalto, a forma como Rosemary reagiu à chegada dos policiais ao gabinete da Presidência na capital paulista irritou Dilma. Os relatos que chegaram à presidente foram que Rose causou tumulto e tentou impedir que seu computador fosse apreendido. Ao final, foram copiados os arquivos salvos na máquina. Dilma nunca foi próxima de Rosemary e, ao contrário de Lula, despachou em São Paulo pouquíssimas vezes. No Planalto, são poucos os que lidam com a funcionária, apontada como de temperamento difícil. No governo Dilma, o escritório paulistano da presidência só é usado quando há necessidade de reuniões pontuais e em escalas de viagens e agendas. Nos últimos meses, serviu para encontros e almoços com o ex-presidente Lula para tratar das eleições municipais.

Apesar da determinação de serem afastados todos os envolvidos na operação Porto Seguro, em deferência ao ex-presidente Lula, a demissão de Rosemary será publicada no Diário Oficial como se tivesse sido a pedido. Os funcionários de carreira apontados pela Polícia Federal como integrantes da quadrilha serão, em um primeiro momento, alvo de procedimentos administrativos e investigações internas.

Demissões
Dilma determinou a demissão da chefe de gabinete da Presidência em São Paulo e a exoneração ou afastamento de todos os indiciados pela Polícia Federal após uma reunião neste sábado no Palácio do Alvorada, em Brasília, com o advogado-geral Luís Inácio Adams. Como os diretores das agências reguladoras tiveram seus nomes aprovados em sabatinas no Senado, eles precisam responder aos processos antes de serem formalmente exonerados. Para Adams, o prejuízo deverá ser imediato já que ele era um dos cotados para assumir a cadeira deixada pelo ministro Carlos Ayres Britto no Supremo Tribunal Federal (STF).

As apurações policiais levaram à desarticulação de uma quadrilha que, infiltrada em órgãos da administração pública federal, negociava a redação de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados e praticava tráfico de influência. Os investigados na operação responderão pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. Desde o estouro da operação, a AGU montou uma espécie de força tarefa para analisar os documentos das investigações policiais e verificar a abrangência dos danos causados à autarquia pela atuação de José Weber de Holanda Alves, homem de confiança de Adams e, segundo a PF, um dos integrantes da quadrilha. 

Por determinação da Presidência, a Agência Nacional de Águas (ANA), Agência de Transportes Aquaviários (Antaq) e a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) vão investigar em detalhes, por meio de sindicância, a participação de servidores das autarquias no esquema criminoso. Todos os suspeitos investigados pela Polícia Federal também vão responder a processos disciplinares.

Mais cedo neste sábado, o ministro da Secretaria de Aviação Civil, Wagner Bittencourt, já havia anunciado o afastamento de Rubens Carlos Vieira do cargo de Diretor de Infraestrutura Aeroportuária da ANAC. Vieira foi um dos investigados na operação Porto Seguro.

As traficâncias de Rose
Segundo a investigação, o papel de Rosemary era fazer a ponte entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e as pessoas do governo que poderiam viabilizar a emissão dos documentos. Rosemary foi nomeada por Lula para esse cargo em 2005 e, desde então, esteve muito próxima ao petista. O fato de assessorar o ex-presidente fez com que ela própria se tornasse uma pessoa politicamente articulada. Assim, foi capaz de influir na nomeação de homens do alto escalão de agências do governo, como os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), ambos presos pela PF.

Rose era presença constante nas comitivas presidenciais ao lado de Lula. Também foi assessora do ex-ministro José Dirceu por 12 anos antes de trabalhar diretamente com Lula. Em 2006, o nome de Rosemary constava de uma lista de 65 servidores que efetuaram saques a título de pagamento de despesas da Presidência da República por meio de cartões corporativos. Na época, havia registros de saques no valor de 2 100 reais no cartão dela. Deputados de oposição tentaram aprovar sua convocação para prestar esclarecimentos à CPI que investigou a farra dos cartões corporativos, mas aliados do Planalto conseguiram barrar o pedido.

Por Reinaldo Azevedo

 

Diálogo mostra entrega de pagamento a chefe de gabinete da Presidência de SP

Na VEJA.com:

Diálogos e trocas de mensagens interceptadas pela Polícia Federal e divulgados pelo Jornal Nacional, da Rede Globo, mostram pagamentos feitos por Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), para Rosemary Nóvoa de Noronha, que era chefe do escritório da Presidência da República em São Paulo. Ambos são suspeitos de integrar uma quadrilha que se infiltrou em órgãos da administração pública federal para  negociar a elaboração de pareceres técnicos fraudulentos em benefício de empresários. “Rose”, como é chamada, havia sido nomeada para a chefia de gabinete por Lula, em 2005.

Numa troca de e-mails, entre Paulo Rodrigues Vieira e seu irmão Marcelo Vieira, que segundo a PF tinha uma função operacional no grupo, o valor a ser entregue a Rosemary é discutido. ”Tem que dar para Rose [Rosemary] 12.500 reais: 7.500 da cirurgia e 5.000 para fazer o armário. Eu só tenho aqui metade do dinheiro”, escreveu Marcelo Vieira.

Ainda segundo o Jornal Nacional, a PF indicou que a troca de mensagens ocorreu no dia 29 de março deste ano. Três dias depois, uma conversa entre Marcelo Vieira e Rosemary foi interceptada.

Marcelo Vieira: “Posso dar uma passadinha aí, daqui a uma meia hora?”

Rosemary: “Pode. Vou dar uma saída daqui a pouco que eu vou fazer curativo. Mas a empregada tá aqui. Você pode… Se você trouxer algum pacote, pode deixar com ela.” O pacote, de acordo com a PF, seria o dinheiro.

Rosemary foi exonerada neste sábado pela presidente Dilma Rousseff, que determinou ainda o afastamento de outros servidores indiciados na Operação Porto Seguro da Polícia Federal. Os investigados na operação responderão pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Quando a Polícia Federal chegou, adivinhem para quem Rose ligou? Acertou quem chutou José Dirceu, o onipresente!

Na Folha:
Rosemary Novoa de Noronha ligou para o ex-ministro José Dirceu pedindo ajuda quando a Polícia Federal iniciou a operação de busca e apreensão em seu apartamento, na rua 13 de Maio, na Bela Vista, região central de São Paulo. Dirceu foi acordado com a ligação por volta das 6h da manhã da última sexta-feira. Teria dito que não podia fazer nada por ela. Antes de ser nomeada chefe de gabinete da Presidência em São Paulo em 2005, Rose, como é conhecida, trabalhou por quase 12 anos como secretária de Dirceu.

Foi o ex-presidente Lula quem a indicou para a chefia de gabinete da Presidência. Os agentes que participaram da busca no apartamento contam que, antes de ligar para Dirceu, ela tentara falar com José Eduardo Cardozo, ministro da Justiça. O ministro, no entanto, não atendeu a ligação, ainda de acordo com os policiais. Rose ficou desesperada durante o tempo em que os policiais ficaram em seu apartamento. Chegou a chorar. Disse que perderia o emprego depois das buscas –o que, de fato, aconteceu ontem, quando a presidente Dilma Rousseff decidiu exonerar todos os indiciados.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Lula forçou a nomeação de dois irmãos que integravam a quadrilha

Na VEJA.com:
Ao deflagrar nesta sexta-feira a Operação Porto Seguro, a Polícia Federal prendeu os irmãos Paulo Rodrigues Vieira, diretor da Agência Nacional de Águas (ANA), e Rubens Carlos Vieira, diretor de Infraestrutura Aeroportuária da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ambos integravam a quadrilha desarticulada pela ação – e que possuía tentáculos em pelo menos sete órgãos públicos. Em comum, os irmãos guardam ainda outra coisa: foram colocados na cúpula das agências reguladoras pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Conforme publicou a coluna Radar, de Lauro Jardim, ainda em 2010, Rubens foi indicado por Lula a pedido da chefe de gabinete da Presidência da República em São Paulo, Rosemary Nóvoa de Noronha, a despeito da opinião do então ministro da Justiça, Nelson Jobim, que não concordou com a indicação. Já Paulo, indicado por Lula para a ANA, foi o primeiro diretor de agência reguladora a ter o nome vetado por maioria de votos no plenário do Congresso. Só depois da pressão do ex-presidente, o nome dele passou, em uma segunda votação.

Rosemary também foi indiciada na sexta-feira. Escutas telefônicas realizadas durante a investigação indicam que a servidora usava o nome do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva para fazer tráfico de influência. De acordo com fontes ouvidas pela agência de notíciasReuters, Rosemary tentou impedir a entrada dos agentes da PF no gabinete da Presidência, no 17º andar do prédio do Banco do Brasil, na Avenida Paulista, centro de São Paulo.

A operação atingiu mais de 40 pessoas, entre elas o número dois da Advocacia-Geral da União, José Weber Holanda Alves. Na sede da AGU, foram recolhidos documentos na sala de um alto assessor do órgão. Procedimento interno de apuração foi aberto por determinação do advogado-geral Luís Inácio Adams para investigar a participação de servidores da autarquia no esquema criminoso.

Na quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff foi informada a respeito da operação pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e deu aval para o prosseguimento das buscas e apreensões. No mesmo dia, Dilma reuniu-se com Adams, segundo fontes do governo. Na manhã de sexta, a presidente voltou a encontrar Adams e Cardozo. Participou também desta terceira reunião, o ministro da Secretaria Geral da Presidência, Gilberto Carvalho.

As traficâncias de Rose
Segundo a investigação, o papel de Rosemary era fazer a ponte entre empresas que queriam comprar pareceres fraudulentos de órgãos do governo e as pessoas do governo que poderiam viabilizar a emissão dos documentos. Rosemary foi nomeada por Lula para esse cargo em 2005 e, desde então, esteve muito próxima ao petista. O fato de assessorar o ex-presidente fez com que ela própria se tornasse uma pessoa politicamente articulada. Assim, foi capaz de influir na nomeação de homens do alto escalão de agências do governo.

Rose, como é conhecida, era presença constante nas comitivas presidenciais ao lado de Lula. Também foi assessora do ex-ministro José Dirceu por 12 anos antes de trabalhar diretamente com Lula. Em 2006, o nome de Rosemary constava de uma lista de 65 servidores que efetuaram saques a título de pagamento de despesas da Presidência da República por meio de cartões corporativos. Na época, havia registros de saques no valor de 2 100 reais no cartão dela. Deputados de oposição tentaram aprovar sua convocação para prestar esclarecimentos à CPI que investigou a farra dos cartões corporativos, mas aliados do Planalto conseguiram barrar o pedido.

Investigação
As investigações policiais levaram à desarticulação de uma quadrilha que, infiltrada em órgãos da administração pública federal, negociava a redação de pareceres técnicos fraudulentos para beneficiar interesses privados e praticava tráfico de influência. Os investigados na operação responderão pelos crimes de formação de quadrilha, tráfico de influência, violação de sigilo funcional, falsidade ideológica, falsificação de documento particular, corrupção ativa e passiva. As penas variam de dois a 12 anos de prisão.

Segundo o superintendente da PF de São Paulo, Roberto Ciciliati Troncon, os mandatos eram de prisão preventiva e temporária. Além dos dois servidores da ANA e da Anac, foram presos três advogados e um empresário – todos de São Paulo. O papel dos irmãos Paulo Rodrigues Vieira e Rubens Carlos Vieira era encontrar funcionários dentro dos órgãos para produzir os laudos fraudulentos, que facilitavam processos das empresas. Já os advogados e o empresário faziam a ponte com o setor privado, oferecendo a facilitação nos procedimentos. “É possível que haja funcionários de outros órgãos e localidades envolvidos, mas até agora se identificou que toda a interação da quadrilha acontecia no estado de São Paulo”, disse Troncon. Segundo o superintendente, foi investigada a atuação da quadrilha na Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), no Ministério da Educação e no Tribunal de Contas da União (TCU) – além de Anac, ANA e AGU.

ANA
Entre os funcionários da Agência Nacional de Águas (ANA), o diretor de hidrologia Paulo Rodrigues Vieira, preso na sexta-feira pela Polícia Federal, nunca teve boa fama. A partir da indicação presidencial de Vieira para o cargo pelo ex-presidente Lula, no fim de 2009, servidores da Agência se mobilizaram para barrar a nomeação. Foi distribuído aos senadores um “minidossiê” com denúncias contra Vieira. Os relatos dos funcionários chegaram ao conhecimento do então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc. 

Minc não guardou, tampouco se lembra do conteúdo do documento. Mas foi o bastante para passar a combater a indicação de Vieira. Em 16 de dezembro, quando o Senado aprovou as indicações de João Gilberto Lotufo e de Vicente Andreu Guillo para os cargos de diretores da (ANA), Paulo Rodrigues Vieira foi vetado. Houve duas votações na data a respeito do encaminhamento de Vieira ao cargo: primeiro, um empate; na segunda tentativa de aprovação, prevista no regimento do Senado, ele recebeu 26 votos contrários. Outros 25 votaram a favor e houve uma abstenção. Diante do veto à indicação de Vieira, o senador Magno Malta (PR-ES) recorreu à Comissão de Constituição e Justiça para tentar anular a votação. 

Na época, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) avocou o processo e emitiu parecer contrário à anulação da decisão de vetar Vieira. Entraram em cena, então, em abril de 2010, o líder do governo, Romero Jucá (PMDB-RR), e o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Jucá pediu uma “revotação” em plenário da indicação de Vieira para a ANA. Sarney consultou o plenário para saber se havia consenso para uma nova votação. Ninguém se manifestou, e fez-se a luz para Vieira. Com a bênção de Sarney, foi anunciado o resultado de uma votação secreta, na qual 28 senadores aprovavam e 15 rejeitavam a indicação do novo diretor – houve uma abstenção.

Delação
Participaram da operação em São Paulo e Brasília 180 policiais. A quadrilha foi descoberta graças a um servidor do Tribunal de Contas da União (TCU) que foi cooptado pelo esquema com a oferta de receber 300 000 reais para produzir um laudo falso. “Ele chegou a receber a primeira parcela de 100 000 reais e fez o laudo, mas se arrependeu, devolveu o dinheiro e denunciou o esquema”, contou Troncon. 

Segundo Troncon, a operação será concluída em 60 dias. A próxima fase será pedir a autorização da Justiça para o compartilhamento das provas da investigação com as corregedorias dos órgãos envolvidos para que possam aplicar suas medidas administrativas. O superintendente informou que os servidores agiam por conta própria e que não houve conivência dos órgãos, que ajudaram nas investigações.

Por Reinaldo Azevedo

 

A carreira meteórica de Rubens Vieira na era Lula

Por Ana Clara Costa, na VEJA.com:
Quando foi nomeado corregedor da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), em 2006, Rubens Carlos Vieira tinha 30 anos, um diploma de bacharel em Direito pela UniFMU, em São Paulo, nenhuma especialização e jamais havia trabalhado com regulação no setor aéreo. Poucos anos antes, o bacharel, inclusive, teve de ir a Rondônia para conseguir tirar seu exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) — e não São Paulo, que era a cidade onde morava e havia estudado.

Apesar da tímida formação acadêmica, sua carreira no setor público começou cedo. Um dos primeiros concursos para o qual foi aprovado foi o de Procurador da Fazenda Nacional, em 2003, aos 27 anos — mesmo ano em que Lula assumiu a Presidência da República — e que sua madrinha, Rosemary Noronha, presa na tarde desta sexta-feira na Operação Porto Seguro da Polícia Federal, assumiu cargo de assessora presidencial em viagens internacionais. Até então, Vieira trabalhava como diretor jurídico do Sindicato de Trabalhadores das Empresas de Gás Canalizado (Sindigasista).

De lá para cá, o ‘afilhado’ de Lula colecionou aprovações em concursos públicos (Promotor do Ministério Público de Rondônia, Advogado da União, Procurador do Banco Central, Procurador do Município de Santo André, entre outros), mas, em teoria, não assumiu nenhum dos cargos. Saiu do Ministério da Fazenda em 2006, ano da reeleição do ex-presidente, para assumir o cargo de corregedor da Anac. Somente depois que entrou na agência, deciciu iniciar um mestrado em regulação aeroportuária na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP).

Sua gestão como corregedor foi marcada por poucos pareceres. Um dos mais célebres, ainda em 2006, foi a autorização de viagem do então diretor da agência, Josef Barat, a um evento privado da TAM para investidores em Nova York, o TAM Day, com as despesas inteiramente custeadas pela empresa aérea. Vieira considerou a viagem de Barat imprescindível naquele momento. Mas pontuou que, nas próximas vezes, as despesas seriam pagas pela Anac, e não por uma companhia aérea. O assunto criou alvoroço e foi parar no Conselho de Ética justamente no período do caos aéreo brasileiro. A partir de 2007, Barat e todos os demais diretores da Agência foram exonerados — menos o corregedor.

Em 2010, a então ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, enviou uma carta ao Senado indicando o nome de Vieira para a diretoria de Infraestrutura da Anac. Com ele, outros dois diretores indicados pelo governo foram nomeados: Carlos Pellegrino e Ricardo Maia Bezerra. Desde então, o único projeto capitaneado por Vieira na agência foi o leilão do Aeroporto de São Gonçalo do Amarante, no Rio Grande do Norte — cujas obras ainda estão em fase inicial, mesmo que a previsão de entrega seja para antes da Copa do Mundo de 2014.

A prisão de Vieira neste sábado surpreendeu diretores e técnicos da Anac. Alguns acreditam em indícios de que uma nova “faxina” esteja a caminho – começando pelas agências reguladoras. Como apadrinhado de Lula, Vieira era cotado para assumir o cargo de Diretor-Presidente da Anac a partir de maio de 2013, quando terminar o mandato do atual diretor, Marcelo Guaranys (este, apadrinhado de Antonio Palocci). Com a saída de Vieira, Dilma deverá indicar para o cargo um nome técnico de sua confiança que possa assumir a agência após a saída de Guaranys.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma nomeou investigado para conselho de fundo de aposentadoria 11 dias antes de ação da PF

Por Andreza Matais e Matheus Leitão, na Folha:
Onze dias antes de ser indiciado pela Polícia Federal (PF) na Operação Porto Seguro, o servidor público José Weber Holanda Alves, membro do alto escalão da AGU (Advocacia-Geral da União), foi nomeado para o conselho deliberativo do recém-criado fundo que irá gerir a aposentadoria complementar dos funcionários públicos. O decreto, do dia 12 de novembro, é assinado pela presidente Dilma Rousseff. A Operação Porto Seguro, comandada pela PF, aponta o envolvimento de Weber com o esquema de venda de pareceres técnicos para favorecer interesses privados.

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Segundo a investigação, ele pode ter recebido uma viagem de cruzeiro para ajudar o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM) a regularizar sua situação numa ilha em São Paulo. Como a ilha é um bem da União, cabe à AGU emitir parecer sobre o assunto. Procurado, Weber não foi encontrado pela reportagem para comentar. No sábado, o governo anunciou sua exoneração do cargo de confiança na AGU. A decisão foi tomada um dia após a PF fazer busca e apreensão em seu gabinete.

O posto no conselho do fundo não foi primeira nomeação do gênero na carreira de Weber. Em 2010, ele foi nomeado para o conselho fiscal da Empresa Brasileira de Legado Esportivo, a Brasil 2016, estatal esportiva criada naquele ano pelo governo Lula para gerenciar os projetos federais dos Jogos Olímpicos Rio 2016, com orçamento inicial de R$ 10 milhões.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Governo publica hoje as primeiras exonerações

Na Folha:
A presidente Dilma Rousseff definiu que o indiciamento de servidores públicos pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro tornava impossível a permanência deles no governo e publica hoje as primeiras exonerações no “Diário Oficial da União”. Segundo um assessor, durante a reunião de sábado no Palácio da Alvorada, o governo considerou que, mesmo estando ainda na condição de investigados, os indiciados teriam de ser afastados e seriam alvo de sindicância. Para a equipe mais próxima da presidente, o governo precisava emitir a mensagem de que não faz distinção ao analisar casos de servidores envolvidos em suspeitas.

Trata-se de uma clara referência ao fato de uma servidora ligada ao ex-presidente Lula, Rosemary Novoa de Noronha, estar na lista dos indiciados pela PF. Chefe do escritório da Presidência em São Paulo, Rose, como é conhecida, terá sua exoneração publicada hoje no “Diário Oficial da União”. Além da saída de Rose, serão publicadas outras exonerações, como a do advogado-geral-adjunto da União, José Weber Holanda, e de Evangelina de Almeida Pinho, assessora da Secretaria de Patrimônio da União.

Foi na secretaria onde trabalha Pinho que foi elaborado o parecer que a favor do ex-senador Gilberto Miranda, que pedia renovação de sua permanência na Ilha de Cabras, no litoral paulista. É o mesmo caso que atinge Weber, braço-direito do advogado-geral da União, Luís Inácio Adams. À AGU coube o parecer jurídico. Deve ser publicada também a exoneração de um servidor do Ministério da Educação, cujo nome consta da lista dos indiciados pela PF.
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Valdemar Costa Neto é ligado ao chefe da quadrilha presa pela PF

Por Tatiana Farah, Marcelo Ribeiro e Germano Oliveira, no Globo:
SÃO PAULO – Os documentos da Operação Porto Seguro da Polícia Federal, obtidos pelo GLOBO, revelam que o deputado Valdemar Costa Neto (PR-SP), que acaba de ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no escândalo do mensalão, tinha estreitas ligações com Paulo Rodrigues Vieira, apontado pela PF como o chefe da quadrilha presa na sexta-feira sob acusação de montar um esquema de corrupção em agências reguladoras e órgãos federais.

A Polícia Federal identificou 1.179 ligações telefônicas feitas a partir do restaurante japonês de Paulo Vieira para o deputado Valdemar e integrantes de seu partido, o PR. No mensalão, Valdemar foi condenado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha no processo do mensalão.

Em um dos telefonemas, de 28 de maio deste ano, Paulo Vieira, que era diretor da Agência Nacional de Águas (ANA) e foi afastado no sábado pela presidente Dilma Rousseff, pede ao deputado a indicação de um vereador de Santos, cidade do litoral paulista, para a assinatura de uma representação junto ao Tribunal de Contas da União (TCU).
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

Investigação da PF faz prestígio de titular da Adams despencar no Planalto

Por Tânia Monteiro, Vera Rosa e Fábio Fabrini, no Estadão:
A demissão do advogado-geral-adjunto da União José Weber Holanda Alves por ordem da presidente Dilma Rousseff, no sábado, tornou praticamente nulas as possibilidades de o ministro Luís Inácio Adams, advogado-geral da União, ser escolhido ministro da Casa Civil, em caso de afastamento da atual titular Gleisi Hoffmann, ou ocupar uma cadeira do Supremo Tribunal Federal futuramente.

A posição política de Adams diante da presidente enfraqueceu muito porque Weber Holanda, seu braço direito na AGU, é apontado pela Polícia Federal como participante de um esquema de venda de pareceres técnicos, desvendado pela Operação Porto Seguro, deflagrada na sexta-feira. Como Adams sempre foi um defensor do ex-adjunto – e fez de tudo para levá-lo para a AGU –, seu prestígio despencou. Todos se recordam de que o advogado-geral bancou a ida do adjunto para o cargo, mesmo após a Casa Civil vetar o nome dele, por causa de supostas irregularidades cometidas em cargos anteriores. Servidores da AGU já organizam protesto por moralidade no órgão, marcado para a quinta-feira.

A presidente Dilma Rousseff tenta tratar o caso como encerrado para o Planalto, reiterando apenas que a PF tem liberdade para agir e que as investigações atingirão quem tiver de atingir. Mas não esconde preocupações sobre o que mais poderá vir à tona, além de temer que a oposição consiga criar uma nova CPI, justamente no momento em que a comissão parlamentar do Cachoeira está sendo enterrada.

Portos
Outra consequência das denúncias afeta o pacote de medidas para os portos, que está em fase final de elaboração. Com as denúncias de que, em escutas, o ex-senador Gilberto Miranda estava buscando a flexibilização de regras para uso de portos privados, a presidente Dilma passou a exigir um olhar de lupa no projeto. Ela insiste, no entanto, que pretende lançá-lo antes de sua viagem à Rússia, em 10 de dezembro.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Mensalão: STF começa hoje a calcular pena de parlamentares

Por André de Souza, no Globo:
Na primeira semana de julgamento do mensalão após a badalada cerimônia de posse do ministro Joaquim Barbosa como presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte vai calcular a pena dos deputados e ex-deputados considerados culpados. Barbosa, que também é o relator do mensalão, deixou para o fim a dosimetria dos oito parlamentares que foram corrompidos para atender os interesses da quadrilha. Entre eles estão o ex-deputado e delator do esquema, Roberto Jefferson (PTB-RJ), e os três que ainda têm mandato hoje: Pedro Henry (PP-MT), Valdemar Costa Neto (PR-SP) e João Paulo Cunha (PT-SP).

Também estão na linha de frente os ex-deputados Pedro Corrêa (PP-PE), José Borba (PMDB-PR), Bispo Rodrigues (PL-RJ) e Romeu Queiroz (PTB-MG). Além deles, o Supremo ainda não definiu a pena do ex-tesoureiro informal do PTB, Emerson Palmieri.

Outra questão polêmica pendente diz respeito à perda de mandato dos deputados que ainda estão na Câmara. À lista, deverá ser acrescido o nome do ex-presidente do PT, José Genoino, que já foi condenado a seis anos e 11 meses de prisão pelos crimes de corrupção ativa e formação de quadrilha. Suplente, ele poderá assumir o mandato no ano que vem no lugar do deputado Carlinhos Almeida (PT-SP), que foi eleito prefeito de São José dos Campos.

Ainda não está certo se os ministros vão determinar a perda imediata do mandato ao final do julgamento. Alguns parlamentares entendem que decisões desta natureza são exclusivas do Congresso. Mas para decidir essa questão já nesta semana, os ministros do STF vão ter que ser mais céleres. Na última sessão, na quarta-feira, eles definiram a dosimetria de 11 crimes atribuídos a cinco réus.

Nesta semana, serão 19 crimes, distribuídos por nove réus. Como na quinta-feira haverá a posse do novo ministro da Corte, Teori Zavascki, vão sobrar duas sessões para o mensalão nesta semana: uma na segunda-feira e outra na quarta. Assim, a perda de mandato deverá ser decidida apenas em dezembro.

Prisão só no início de 2014
A expectativa é que o julgamento termine no início do próximo mês. Mas até a prisão efetiva dos condenados, é preciso esperar ainda a publicação do acórdão e a análise dos recursos que a defesa deve apresentar. Na previsão de um ministro do STF, prisão só no início de 2014.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Universidades públicas de São Paulo vão propor cotas de 50% a partir de 2016

Por Breno Pires, no Estadão:
As três universidades públicas paulistas, USP, Unesp e Unicamp, fecharam na quinta-feira proposta que será apresentada nesta semana ao governador Geraldo Alckmin para adoção de um programa de cotas que destinará 50% das vagas a alunos que cursaram integralmente o ensino médio em escolas públicas. O objetivo é igualar os porcentuais estabelecidos pelo governo Dilma Rousseff para as universidades federais na Lei de Cotas.

A afirmação é do reitor da Unesp, Julio Cezar Durigan, membro do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp), que vinha discutindo o plano desde o início de outubro, quando o governador pediu a sua formulação, após a regulamentação da Lei de Cotas – que só se aplicas às instituições federais de ensino. A proposta estadual, assim como a lei federal, leva em conta critérios econômicos e raciais de inclusão. Metade das vagas reservadas seria para estudantes com renda familiar igual ou inferior a 1,5 salário mínimo por pessoa; e 35%, para pretos, pardos e índios.

“A proposta para o programa de cotas já foi escrita e vai ser apresentada nesta semana ao governador. Estamos fazendo o mesmo que o governo federal, mas com mais qualidade”, afirmou Durigan, em entrevista ao Estado. Atualmente reitor em exercício, ele já foi nomeado para assumir formalmente a reitoria pelos próximos quatro anos, a partir de janeiro. Segundo Durigan, o documento será entregue ao governador por Luiz Carlos Quadrelli, secretário em exercício de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia de São Paulo, pasta à qual as universidades estão ligadas.

A reportagem solicitou entrevistas com os reitores da USP, João Grandino Rodas, e da Unicamp, Fernando Costa, mas não foi atendida. A assessoria de imprensa da USP não confirmou as informações passadas por Durigan. A Unicamp, em nota, resumiu-se a dizer que uma comissão criada recentemente pelo Cruesp discute uma proposta preliminar sobre inclusão social.

Segundo Durigan, o projeto se basearia em dois pilares: qualidade, por meio de reforço no aprendizado, e permanência, por meio da concessão de bolsas de cerca de um salário mínimo.

“Temos de dar duas condições para eles: um reforço de aprendizado, porque eles vêm com deficiência na sua formação, e uma garantia de bolsa para que eles permaneçam no curso, pois não adianta nós incluirmos esse aluno e ele não conseguir ficar porque a família dele não tem condições”, diz Durigan.

Preparação. O reforço poderia ser dado de duas formas. Uma delas seria um curso preparatório anterior à entrada na universidade, de um ou dois anos, para o aperfeiçoamento em matérias que já são dadas no ensino médio, mas que já valeria como um curso de nível superior – como os “colleges” do modelo americano, segundo Durigan.

A outra proposta é dar um reforço paralelo após a entrada na universidade, nas disciplinas em que o aluno tiver tirado nota baixa no vestibular. A estimativa do plano é que 40% dos selecionados pelas cotas farão o curso preparatório anterior e 60% irão para a universidade diretamente após o vestibular, com a possibilidade de reforço paralelo. “O curso preparatório anterior à universidade seria como um college e daria um diploma de nível superior a esses alunos, um diploma intermediário. E depois eles estariam aptos a entrar na universidade ou poderiam entrar no mercado de trabalho”, explicou Durigan.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Senado pode convocar José Eduardo Cardozo para falar sobre esquema de corrupção no coração do Palácio do Planalto

Por Leonencio Nossa, no Estadão:
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, encabeça a lista de possíveis convocados pelo Senado para prestar esclarecimentos sobre o esquema de uma organização criminosa infiltrada em órgãos públicos, revelado pela Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Também fazem parte da relação de eventuais convocados o advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, e a ex-chefe de Gabinete da Presidência em São Paulo Rosemary Nóvoa Noronha, demitida no sábado, 24, por ordem da presidente Dilma Rousseff.

Nesta segunda-feira, 26, o senador Pedro Simon (PMDB-RS) irá protocolar na Comissão de Constituição e Justiça pedido para convocar Cardozo. Simon argumenta que o ministro deve detalhar a operação da PF e explicar medidas do governo na área. “O ministro ou outra pessoa que a presidente Dilma Rousseff quiser deve falar sobre as providências que foram tomadas e as mudanças que serão feitas nesse setor”, afirmou o senador. “O ministro, aliás, deveria se oferecer para falar”, ressaltou. A assessoria do Ministério da Justiça destacou que Cardozo só irá ao Congresso se for convocado.

Simon avalia que o escândalo no escritório da Presidência em São Paulo é “grave demais”, pois ocorreu na “alma do governo”. Ele diz, no entanto, que o Congresso não tem condições no momento de propor uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar o caso. “Seria muita coragem e cara de pau (do Congresso) pedir CPI depois do vexame da comissão do Cachoeira”, disse Simon, referindo-se ao relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG), relator da CPI criada para investigar os negócios do contraventor Carlos Augusto Ramos, que pediu o indiciamento de adversários do governo e deixou de fora aliados envolvidos com o bicheiro. “E depois, nesse caso do Gabinete da Presidência em São Paulo, o governo já tomou medidas a médio prazo, como a demissão de pessoas indiciadas. Vamos deixá-lo agir.”
(…) 

Por Reinaldo Azevedo

 

O PT rasga a fantasia: “Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!”

A questão sempre rondou as más consciências, era enunciada de modo oblíquo, falada nos cantos, nos becos, nas bocas, nas tocas — como diria o sambista… Era sugerida, mas jamais pronunciada. Ontem, finalmente, o ainda deputado João Paulo Cunha (PT-SP), condenado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro, rasgou a fantasia e o verbo, revelou o que realmente pensa o PT, deixou aflorar seu [do partido] racismo asqueroso e primitivo. Inconformado com a atuação do ministro Joaquim Barbosa, que assumiu nesta quinta a presidência do STF, Cunha mandou ver: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

Que nojo de João Paulo Cunha!

Já explico onde estava este senhor quando vomitou o racismo de seu partido. Quero me ater um pouquinho ao conteúdo de suas palavras porque elas provam, por A mais B, algumas considerações que andei fazendo neste blog, ao longo dos anos, sobre a questão racial.

No dia 11 de outubro de 2011, escrevi um texto sobre a relação que o PT mantém com as chamadas minorias. Lá se pode ler este trecho (em azul):
Será mesmo o PT um partido especialmente afeito à defesa das mulheres, dos negros, dos gays, dos direitos humanos  – de grupos e temas, enfim, que seriam discriminados pela sociedade “reacionária”? Uma ova! Essa gente tem é um desprezo solene por todas essas causas e só as utiliza como instrumento de sua luta pelo poder. O PT defende, sim, o negro, desde que esse negro carregue a bandeira do partido – se não for assim, o sujeito é acusado de “preto de alma branca”. O PT defende, sim, a mulher, desde que ela carregue a bandeira do partido – se não for assim, ela é acusada de agente de machismo. O PT defende, sim, os gays, desde que o gay carregue a bandeira do partido; se não for assim, ele será acusado de bicha reacionária.

Bingo!

Pensemos na enormidade da fala de João Paulo, que representa o pensamento da ampla maioria do PT e de Lula — que também já andou cochichando essa ignomínia por aí em versos, trovas e palavrões, como é de seu hábito.

Na formulação petista, Joaquim Barbosa não chegou ao Supremo por seus méritos, mas porque é preto. Assim, quem o nomeou ministro foi a vontade de Lula, que lhe teria prestado, então, um favor, fazendo uma concessão a uma “raça” — afinal, sabem como é, o PT é contra as injustiças… Mais: por ser negro, Barbosa estaria impedido de julgar segundo os autos, as leis e a sua consciência. A cor da pele lhe imporia, logo à partida, um determinado conteúdo. É por isso, ministro Joaquim Barbosa, que critiquei tão duramente a resposta que Vossa Excelência deu a um repórter. Ainda que ele pudesse estar fazendo uma provocação, condicionar a visão de mundo das pessoas à cor de sua pele é manifestação do mundo das trevas intelectuais, que é de onde parte a fala de João Paulo.

Lula, o PT e os petistas esperavam um negro grato, de joelhos, beijando a mãos dos nhonhôs. Queriam um Joaquim Barbosa doce como uma negro forro, que se desfizesse em amabilidades com o seu ex-senhor e se sentisse feliz por ter sido um dos escolhidos da senzala para receber o galardão da liberdade. Em vez disso, o que se tem, na visão dos petistas, é um negro ingrato, que decidiu olhar a lei, não quem o nomeou; que decidiu se ater aos crimes cometidos pelos réus, não à cor de sua própria pele; que decidiu seguir as regras do estado democrático e de direito, não o projeto de poder de um partido.

Negro filho da mãe!
Negro traidor!
Negro que não carrega bandeira!
Negro vira-casaca!
Negro ingrato!
Negro negro!

Não é de hoje, certamente, que Barbosa recebe pressões. Agora entendo com mais precisão uma resposta que deu numa entrevista concedida à Folha em 2008:
“Engano pensar que sou uma pessoa que tem dificuldade de relacionamento, uma pessoa difícil. Eu sou uma pessoa altiva, independente e que diz tudo que quer. Se enganaram os que pensavam que, com a minha chegada ao Supremo Tribunal Federal, a Corte iria ter um negro submisso. Isso eu não sou e nunca fui desde a mais tenra idade. E tenho certeza de que é isso que desagrada a tanta gente. No Brasil, o que as pessoas esperam de um negro é exatamente esse comportamento subserviente, submisso. Isso eu combato com todas as armas.”

Voltemos a João Paulo e aos petistas. Assim como um escravo dependia da boa vontade de seu dono para obter a alforria, esses meliantes morais estão a dizer que Barbosa dependeu da boa vontade de Lula para ascender ao Supremo. Como ele ousa jogar a lei na cara daquele que tem a certeza de que lhe fez um favor e uma concessão?

Raramente um negro foi tão ofendido por um partido! Raramente os negros como um todo foram tratados com tanto desdém. Que desastre moral para boa parte dos movimentos negros, que certamente se calarão porque funcionam como esbirros do petismo! Este, se querem saber, é o pior de todos os racismos. A besta ao quadrado que sai por aí a vomitar injúrias raciais de modo explícito não é, ao menos, cínica. Os que cobram de um negro a fatura por tê-lo nomeado para a corte suprema do país — onde a única coisa decente a fazer é ser independente — deixam claro que usam as causas apenas como instrumento de poder.

O PT é craque nisso! Lembrem-se que campanhas eleitorais de Lula e de Dilma reuniram cotistas e bolsistas do ProUni — um programa federal, que não pertence ao governo, mas ao Estado — para que expressassem a sua gratidão a seus “benfeitores”, a seus “donos”, a seus nhonhôs… O país do PT não é aquele dos homens livres. O partido só entende a linguagem da ordem e do pau-mandado, como sabe o relator da CPI do Cachoeira, Odair Cunha (PT-MG), que entrega a redação do relatório ao comando de seu partido para que tente as suas vendetas.

Barbosa que se cuide! O ódio dessa gente não é pequeno. A qualquer momento a sua reputação pode ser alvo de um franco-atirador do mundo das denúncias.

Achincalhe da Justiça
João Paulo disse aquela enormidade numa “plenária” feita em Osasco para satanizar o STF e declarar a inocência dos mensaleiros, a que compareceram José Dirceu e José Genoino. Rui Falcão, presidente do PT, e os deputados Jilmar Tatto (SP), líder do PT na Câmara, e Arlindo Chinaglia (SP), líder do governo na Casa, faltaram.

Dirceu pregou abertamente o confronto com o Supremo. Mais do que isso: segundo entendi, quer o tribunal submetido a júri popular, à moda maoísta: segundo ele, o PT deve ir às ruas para “fazer o julgamento do julgamento”. Huuummm… Quanto mais trela lhe dá o jornalismo que lhe serve de porta-voz, mais valente ele fica. Daqui a pouco, o Marcola e o Fernandinho Beira-Mar também proporão formas de luta contra o Judiciário.

Dirceu deixou claro que não aceita as decisões da Justiça de seu país. Conclamou:“É preciso ir as ruas, discutir, debater o que esta acontecendo. Não aceitamos. Estamos revoltados e indignados e somos vítimas de um julgamento injusto”. É evidente que o homem ultrapassou a linha da crítica e do direito a manifestações. Está pregando abertamente a resistência a uma decisão da Justiça. E isso, como sabem, é crime!

Por Reinaldo Azevedo

 

O racismo e os analfabetos morais sustentados por estatais! Até quando, presidente Dilma Rousseff? Ou: É a gramática, petralhas!!! Ou ainda: Este silêncio ensurdecedor que ouço é o dos movimentos negros?

Ah, eu adoro uma boa briga. Quando a canalha se excita, eu fico ainda mais animado. Vamos lá.

O deputado João Paulo Cunha (PT-SP) organizou uma “plenária” para debater o julgamento do mensalão e esconjurar o Supremo Tribunal Federal. Uma das estrelas do evento foi José Dirceu, aquele que disse querer que se faça nas ruas “o julgamento do julgamento”, remetendo-nos, é inescapável, à China da Revolução Cultural, que julgava os juízes traidores, pondo-os de joelhos e submetendo-os a agressões e cusparadas — antes da execução, claro!, em nome do povo! No evento, referindo-se a Joaquim Barbosa, relator do processo e agora presidente do STF, afirmou João Paulo: “[Barbosa] Chegou [ao Supremo] porque era compromisso nosso, do PT e do Lula, de reparar um pedaço da injustiça histórica com os negros”.

O sentido das palavras do deputado é evidente. É também a gramática, não apenas o Reinaldo Azevedo, a qualificar moralmente o que ele disse.

João Paulo estabelece uma relação de subordinação causal — e, por isso, emprega a conjunção causal “porque” — entre a chegada de Barbosa ao Supremo e o “compromisso do PT”. Na sua fala, o tal compromisso do partido é a causa da ascensão de um negro — não outra qualquer, que guardasse relação com o caso em espécie: a competência do indicado, sua formação intelectual, sua independência etc. Alguns tenderiam a ver aí uma oração coordenada explicativa, coisa de que discordo (não vou me ater a isso agora). Uma coisa ou outra, no entanto, revelam a mesma baixeza política. Veja-se no “compromisso de Lula” a causa da ascensão do ministro ou se busque explicá-la por meio dele, e se estará operando a mesma vigarice: SUBTRAIR DO MINISTRO A SUA VONTADE, A SUA LIBERDADE E A SUA INDEPENDÊNCIA; FAZER DELE UM MERO ESBIRRO DE UMA CAUSA E DE UM PARTIDO. Posso ter restrições, e tenho, a certos rompantes de Barbosa, mas uma coisa é certa: ele frustrou a expectativa daqueles que o queriam, nas suas próprias palavras, um “negro servil, subserviente”.

Escrevi ontem um post sobre a fala de João Paulo que se espalhou rapidamente na rede, tornando-se um dos mais acessados e replicados dos últimos tempos. O título é este: “O PT rasga a fantasia: ‘Negro filho da mãe! Negro traidor! Negro que não carrega bandeira! Negro vira-casaca! Negro ingrato! Negro negro!’”. Basta ler o texto para constatar que não atribuí tais palavras, na sua literalidade, ao PT ou a João Paulo. O post é escancaradamente interpretativo-opinativo, a exemplo da esmagadora maioria das coisas que escrevo. É o que os leitores vêm buscar aqui — e são muitos milhares (quase 106 mil visitas ontem, num sabadão, com dezenas de coisas mais atraentes para fazer do que ler o Reinaldão, hehe…). Os invejosos roam os cotovelos, ué!

Interpretei o sentido das palavras do deputado à luz da política, da gramática, da história e, como sabe todo jornalista que cobre a área, do que alguns petistas andam dizendo no “breu das tocas” (né, Chico? Uma amiga me proibiu de chamá-lo de Chico Jabuti. Tá bom… O que a gente não faz por amor!!!). O que vai acima são palavras brandas no cotejo com o que realmente se fala. O ódio é muito maior. E, por isso, reitero a minha recomendação para que Barbosa tome cuidado com as esquinas e seus solertes fazedores de dossiês.

Releiam a fala de João Paulo.

Então não há a sugestão de uma traição?
Então não há a sugestão de uma ingratidão?
Então não há a sugestão de uma incoerência?
E tudo isso, na boca do próprio deputado, não está diretamente vinculado à cor da pele do ministro?
O meu título — extraído, literalmente, do texto — vai ao âmago do que está em debate e denuncia uma sordidez política.

A canalha sustentada por estatais — até quando dura essa vergonha, presidente Dilma? —, que é Reinaldo-dependente (os meliantes são viciados em mim; eu os ignoro, mas eles me amam; querem audiência), resolveu ignorar o que ia no texto para me atribuir o que obviamente não escrevi: “Vejam! O Reinaldo afirmou que o PT disse essas coisas…”. Errado! Escrevo para pessoas que sabem ler!!! Escrevo para pessoas dispostas, inclusive, a ler textos longos. O Reinaldo sustentou, sim (E SUSTENTA DE NOVO!!!), que o que vai no título (e no artigo) compõe o sentido político, ideológico e moral da fala de João Paulo — que expressa, de resto, o pensamento de boa parte dos petistas. Para eles, negro bom é negro que sirva à causa; gay bom é gay que sirva à causa; pobre bom é pobre que sirva à causa… Ou o negro tem alma branca, o gay é uma bicha reacionária, e o pobre é um sem-consciência política…

Os vigaristas só ficaram tão nervosos e deram início a uma campanha de satanização do Reinaldo Azevedo na rede porque sabem que eu os peguei no pulo. Sabem que a fala de João Paulo tem um sentido, como direi?, insanável. Sabem que o deputado expropriou Barbosa de todas as suas qualidades para transformá-lo em mero objeto da generosidade de Lula. Sabem que o petista estava atrelando a “nomeação de um negro” a atos posteriores de gratidão, o que colocaria o ministro, não há escapatória, na vexatória posição de devedor do Apedeuta, cujas vontades deveria, então, satisfazer.

Os canalhas assalariados — com dinheiro público — resolveram correr em socorro a João Paulo. Ora, por que eles não tentam, então, dar um sentido virtuoso à fala do parlamentar petista? “Ele quis dizer que…” Pois é. O que, afinal de contas, ele quis dizer, senão cobrar de um negro a gratidão, lastimando, por consequência, a ingratidão? De fato, o próprio João Paulo não é um ariano. Segundo os critérios lassos do racialismo, poderiam até dizê-lo um “negro”. E daí? Negros, mesmo quando negros de fato, podem ser racistas. Assim como judeus — e tratei disso na conversa com os leitores de Porto Alegre, com o que concordaram judeus presentes — podem expressar conceitos antissemitas. O racismo não é exclusivamente uma manifestação do “outro”, do “diferente”, não!

Cadê os movimentos negros?
Sou contra “cotas” — raciais ou outras — nas universidades ou em qualquer lugar, como sabe toda gente. Já expus aqui os meus motivos. O resultado do Enem, aliás, evidenciou, mais uma vez, o desastre da escola pública — não que a média das particulares seja um exemplo a ser aplaudido, é bom deixar claro, mas a distância é imensa. O sistema de cotas, por óbvio, empurra o país para a acomodação. Em vez de se melhorar o ensino público, aplicam-se medidas compensatórias. Mas deixo isso para outra hora. O ponto é outro.

A minha oposição às cotas tem me rendido, ao longo dos anos, protestos vários de militantes dos movimentos negros. A militância política é o sal da democracia. Mas todo partidário de uma causa tem de tomar cuidado com a cegueira que se pretende iluminada, que lhe diz que o “outro” só pode ser contrário ao seu ponto de vista porque movido por interesses subalternos ou por inarredável preconceito. As cotas não seriam, assim, uma escolha, mas uma imposição da natureza, uma espécie de bem imanente, não sujeito ao contraditório. Sempre que alguém me apresenta um pacote assim, é batata: eu digo “não!” Recuso-me, como é evidente, a acreditar que as minhas próprias escolhas estejam livres de contraditas. Mas sigo.

A minha opinião sobre o assunto gera muitos protestos — sim, claro, até de “racista” já fui chamado. Pergunto agora: não haverá um só movimento, uma só ONG, um só grupo de combate ao racismo, uma só entidade de defesa dos direitos dos negros para protestar contra a fala de João Paulo e contra a campanha desavergonhada que setores do petismo movem contra o ministro Joaquim Barbosa? Existe até uma “Associação dos Advogados e Advogadas Afrodescendentes”. Seus representantes consideram aceitável que se diga que um negro, com as credenciais de Barbosa, só chegou ao Supremo por causa da vontade de Lula e de um partido? Sim, senhores! A minha primeira tentação sempre é discutir o termo “afrodescendente”. Eu, que sou uma mistura de italiano com índio (e o índio, de verdade!, está bem pertinho, podem acreditar: bisavô) sou o quê? Eurodescendente e nativodescentente? Mas também isso fica pra lá. Só voltarei ao assunto quando reivindicar a parte que me cabe do Mato Grosso, de onde saiu o silvícola, à força… Quero alguns quilômetros de terra para cultuar Tupã, Jaci e Musil… O presidente da OAB diria que eu sou a expressão do multiculturalismo, hehe. Mas retomo.

Nenhum protesto? Nada? Vão repetir o silêncio cúmplice e covarde que se ouviu quando o jornalista Heraldo Pereira, um dos mais competentes e intelectualmente preparados do país, entre brancos ou pretos, foi chamado por certa canalha de “negro de alma branca”? Pior: atribuíram a sua ascensão profissional a seu suposto servilismo — um dos ataques mais asquerosamente racistas a que assisti. Quer dizer que o petismo e algumas moscas que voejam em torno, em busca de alimento, têm garantido o direito à injúria racial e ao racismo porque, afinal, estão situados no chamado “lado progressista” da sociedade? É só uma questão de fidelidade ideológica a um partido, ou estamos diante de coisa ainda pior, já que boa parte dos movimentos militantes — negros ou de quaisquer outras causas — está umbilicalmente ligada ao PT e dele dependem para existir? A causa tem um preço? A causa faz seleção político-partidária de seus alvos? A causa primeiro avalia QUEM está falando para só depois se dar conta DO QUE está sendo falado?

Não! Não estou tentando ensinar aos movimentos negros o seu ofício ou pautá-los. E me dispenso de fazê-lo não porque sou branco (quando escrevo, não tenho cor; ela só é relevante quando escolho o protetor solar) — se negro fosse, é provável que não o fizesse também. Não tento ensinar nada a ninguém porque a minha função é debater. Há muito tempo abandonei a sala de aula. Expresso o meu estranhamento porque me recuso a aceitar que um ente de razão — partido ou movimento ideológico — seja o senhor das vontades, o senhor das causas, o senhor das demandas, o senhor dos debates.

Na minha pátria, brancos, mestiços, negros, amarelos, vermelhos, héteros, gays, católicos, evangélicos, ateus, corintianos, palmeirenses, adoradores de comida japonesa, detratores de comida japonesa e até admiradores do Bolero de Ravel não se ajoelham diante de partidos, de aiatolás de causas, de chefes de quarteirão do pensamento.

Para encerrar
É bobagem achar que a gritaria da escória me intimida. No dia em que essa gente ao menos se financiar no mercado, não dependendo do dinheiro dos miseráveis para sustentar a pança e se comportar como mero esbirro de um partido, talvez eu lhes dê alguma atenção. Sempre precifico o lixo que fazem em residências do “Minha Casa Minha Vida”, em UPAs que Dilma não entrega, em creches que não são feitas, e só consigo vê-los como o que são: ladrões de dinheiro público. Não é por acaso que defendem com unhas, dentes e focinhos corruptores, quadrilheiros e peculadores. Enquanto não se financiarem por sua conta, são o que são: profissionais do nariz marrom. E não pensem que, caso haja alternância de poder, mudarão de profissão. Seu nariz continuará marrom, servindo, então, a novos senhores. Nem mesmo lhes posso dispensar certo respeito que dispenso à coerência estupidamente equivocada. De resto, esses caras, como se vê, não são de todo inúteis. Também eles me estimulam a escrever bons textos. Para que fique claro, ainda outra vez, quem são eles e quem somos nós.

Texto publicado originalmente às 3h15 deste domingo

Por Reinaldo Azevedo

 

A CEF, aquela que comprou parte do banco quebrado de Sílvio Santos, investiu R$ 600 milhões em grupo insolvente no último ano do governo Lula

Lembram-se da Caixa Econômica Federal, aquela estatal que comprou parte do banco quebrado de Sílvio Santos? Então… Leiam o que informam Agnaldo Brito e Julio Wiziack, na Folha:

A Caixa Econômica Federal usou R$ 600 milhões do FI-FGTS para investir na Rede Energia, em 2010, e se tornar sócia de uma companhia insolvente que sofreu intervenção da agência reguladora do setor dois anos depois. O FI-FGTS é um fundo de investimento formado com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço. Dona de oito distribuidoras, a Rede Energia cobre 34% do país, atende 10% da população em seis Estados. Juntos, BNDES e Caixa adquiriram 41% do capital total do grupo. Têm 16% e 25%, respectivamente. O controlador, Jorge Queiroz de Moraes Jr., tem 29%, e o restante está pulverizado no mercado. Hoje, Moraes Jr. negocia a venda de sua participação para a Equatorial Energia e a CPFL por R$ 1.

Os títulos perpétuos da companhia emitidos no exterior estão cotados a 37% de seu valor, mesmo com as negociações em curso. As ações da Caixa e do BNDES despencaram. No caso da Caixa, perderam metade de seu valor.

Curto-circuito
No ano em que a Caixa comprou sua participação na Rede Energia, a elétrica já precisava faturar seis vezes mais para cobrir dívidas, principalmente com governo e fornecedores. Isso sem considerar os investimentos. Se os investimentos fossem incluídos no cálculo, seria preciso um caixa quase 20 vezes maior no final de 2011, segundo a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), seis meses antes da intervenção, ocorrida em agosto. Sucessivos prejuízos levaram a atrasos no pagamento de tributos, de encargos setoriais e de fornecedores. Resultado: perda de qualidade de serviço, que culminou no aumento do número de apagões, cada vez mais longos. O Ministério Público Federal do Pará move ação acusando a Aneel de omissão e o grupo de “sucatear” a Celpa.

A distribuidora paraense foi a única que entrou com pedido de recuperação judicial, escapando, assim, da intervenção federal e possibilitando sua venda para a Equatorial Energia por R$ 1. A Celpa era responsável pela maior parte da dívida total. A Aneel não interveio antes nas oito distribuidoras devido à inexistência de legislação. Isso só ocorreu em agosto, com a publicação de medida provisória pelo Ministério de Minas e Energia. Enquanto isso, a situação financeira só se agravou.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Alvo da PF em escritório da Presidência em SP é faz-tudo de Lula e pessoa de confiança de José Dirceu, a quem serviu por 12 anos

Entre os locais visitados pela Polícia Federal na operação Porto Seguro está o escritório da Presidência da República em São Paulo, que fica no 17.ª andar do prédio do Banco do Brasil, na  avenida Paulista.  O alvo da apuração é Rosemary Nóvoa de Noronha, chefe de gabinete do escritório. A PF a acusa de corrupção ativa.

E quem é Rosemary? Eis o busílis. Trata-se de pessoa da mais absoluta e estrita confiança de… Luiz Inácio Lula da Silva. Poucos se lembram, mas a mulher integrou as comitivas do Apedeuta mundo afora e tinha, em seu governo, um razoável controle sobre nomeações para o segundo e terceiro escalões — incluindo as agências reguladoras. Uma delas, a de Águas, está sendo investigada agora.

E como é que Rose chegou a Lula? Tchan,tchan, tchan… Por intermédio de José Dirceu, de quem foi assessora por longos 12 anos. Rose conseguiu emplacar o próprio marido, José Cláudio de Noronha, na assessoria especial da Infraero, em São Paulo.

Quando estourou o escândalo dos cartões corporativos, descobriu-se que Rosemary era uma das funcionárias com direito a “gastos secretos”, como se, sei lá, operasse com questões que dissessem respeito à segurança nacional…

Chegou ao topo pelas mãos de Dirceu e lá foi mantida na cota pessoal de Lula.

Texto publicado originalmente às 20h45 desta sexta

Por Reinaldo Azevedo

 

Sobre o mais novo escândalo – Operação aponta que ex-senador comprou parecer para ficar em ilha

Na Folha:
Interceptações telefônicas e de e-mails levaram a Polícia Federal a desmantelar o esquema de venda de pareceres públicos que pode ter sido utilizado por um ex-senador para manter o direito de permanecer em uma ilha no litoral de São Paulo. A operação Porto Seguro tem indícios de que o ex-senador Gilberto Miranda (PMDB-AM) pode ter obtido pareceres que o autorizam a não desocupar a ilha das Cabras, em Ilhabela, litoral norte do Estado. O negócio levou a suspeitas de participação no esquema de funcionários do alto escalão da AGU (Advocacia-Geral da União), órgão que defende a União em processos judiciais.

A investigação envolve o ex-senador e empresário, que queria regularizar a situação da ilha das Cabras, onde construiu uma mansão e um heliporto. Sendo um bem da União, cabe à AGU oferecer parecer a favor ou contra à operação. A Folha apurou que Miranda, para regularizar a situação, pediu ajuda dos irmãos Rubens e Paulo Vieira, diretores das Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) e da ANA (Agência Nacional de Águas), que teriam indicado José Weber Holanda Alves, advogado-geral adjunto da União.

Em troca, o servidor seria contemplado com uma viagem de cruzeiro ao exterior. A Polícia Federal fez busca e apreensão no gabinete de Weber na AGU ontem. O processo também passa pelo Secretaria de Patrimônio da União, outro órgão investigado pela PF. Em 2008, o STJ (Superior Tribunal de Justiça) confirmou uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo condenando o ex-senador Miranda a uma indenização por ter interferido no meio ambiente da ilha, ao construir um heliponto no local.

A decisão também incorporou a Ilha de Cabras ao Parque Estadual de Ilhabela. A Folha apurou que o negócio da ilha não se concretizou porque a operação da PF foi deflagrada antes. Miranda é próximo da cúpula do PMDB no Senado. Ontem, ele prestou depoimento à PF. A Folha não conseguiu localizá-lo, mas deixou recado em sua casa em São Paulo.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Por que setores da imprensa paulistana viraram porta-vozes de Dirceu, mas tratam Cachoeira como bandido?

Vocês estão certamente acompanhando tudo. A imprensa, especialmente setores da paulistana, é agora porta-voz de José Dirceu. Os posts de seu blog têm o conteúdo reproduzido pelos grandes portais. As bobagens que ele diz a seus “interlocutores” — é truque: sempre é o próprio Dirceu falando — transformam-se em sentenças.

Dirceu é tratado como pensador. Fala sobre o Judiciário — claro! —, sobre reforma política, sobre as oposições, sobre o futuro da humanidade… E quem é este pensador? Deixem-me ver: foi cassado por corrupção pelo plenário da Câmara. Foi condenado em última instância por formação de quadrilha e corrupção ativa. Ah, sim: com esse currículo, ele continua “consultor de empresas privadas”. Até outro dia, esgueirava-se em quartos de hotel com autoridades de governo. Tudo consultoria!

E Cachoeira?
O que a imprensa está esperando para fazer o “Diário de Cachoeira”? Tem mais: se José Dirceu, condenado sem mais chance de recurso, não é chamado pelos jornalistas de “corruptor” e “quadrilheiro”, por que o “empresário goiano” é, então, chamado de “bicheiro” e “contraventor”? Ele nem mesmo foi definitivamente condenado por esse crime…

Aliás, Cachoeira tem uma condenação em primeira instância, contra a qual cabe recurso. Por enquanto, a sua situação jurídica é um pouco melhor do que a de Dirceu. Por tudo o que se ouviu, praticou um monte de crimes — mas não se o acuse, ao menos, de ter fraudado o regime democrático, não é mesmo? Quanto a Dirceu, não custa lembrar a manifestação de diversos ministros do Supremo: o mensalão foi uma tentativa de golpe nas instituições.

Os idiotas não perceberão que faço uma ironia, claro! Idiotas comem a ironia junto com o capim sem notar nada de estranho.

Cachoeira poderia fazer um blog, como Dirceu. Dinheiro para contratar mão de obra não lhe falta. A exemplo do companheiro, opinaria sobre fatos da vida nacional. Pode até temperar um texto ou outro com alguma ameaça velada, o que sempre excita alguns jornalistas. Por uma questão de isonomia — e, ainda assim, imperfeita —, acredito que também ele ganhará várias notícias. A isonomia é imperfeita considerando as possibilidades de recurso…

Se um condenado em última instância por formação de quadrilha e corrupção ativa merece o status de pensador, por que um condenado em primeira instância tem de ser tratado como bandido?

Com a palavra, esses setores do jornalismo paulistano a que me refiro.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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3 comentários

  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Saiu um novo escândalo, e em seguida saiu uma nova pesquisa do Ibope !! Dizendo que a Dilma é a "cara" (isso é desabonador nos States !!) para 2014 !! Mais 2002 entrevistas inóquas e capsiosas para vender o peixe do PT

    evitar possíveis ações judiciais e até impeachment !!!

    Na média são 14 entrevistas por municipio !!! Talvez sirvam como pesquisas em vilas de 20 a 40 mil pessoas

    tentando conduzí-las à categoria de "cidades" !!! Nada mais. O que vale a opinião de 31% de pessoas com idades entre 16 a 24 anos ou apenas 4 (620 pessoas dividido pelos 143 municipios; ou por escolaridade entre quem cursou das 5ª à 8ª série ou apenas 3,9 (560 pessoas dividido por 143; ou por tamanho do municipio {cidades com até 20.000 hab (?? isso não é vila ??)}apenas 4,3 pessoas (620:143. E as que tem milhões de hab. não foram pesquisadas ???); por renda entre quem ganha entre 2 SMs (R$ 1.244,00) e 5 SMs (R$ 3.110,00), {classe média altíssima ou rica, fóra da classsificação da nova classe média (SEALOP)}de apenas 3,9 pessoas (560:143) !!! Levando-se em conta que que por região, o Sudeste teve 47%, o Nordeste teve 41%; o Sul teve 46%; e os Norte/Centro-Oeste teve 40%; de pessoas dentro dos 2002 "entrevistados" que não opinaram/souberam/em branco/nulo não participaram !!!!!!!! Precisamos urgentemente acabar com as pesquisas fajutas ou tendenciosas pelas amostras paupérrimas que usam. 0,00105925...% dos 189 milhões de eleitores do país !!! Ou ainda 1/944 avos de 1% !!!! Onde o PT se escora para induzir o votos dos semianalfas que são 70% do eleitorado nesses safados que hoje nos governam !! E vejam bem é dado levantado pelo Ibope !!! Cujos CNT e CNI, órgãos do governo vivem encomendando pesquisas !! A cada escândalo !!!

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  • Maurício Carvalho Pinheiro São Paulo - SP

    Pô ! Reinaldo !! Gosto muito de seu empenhoe luta pelo país, mas não aceito a sua posição contrária à Ficha Limpa. Já de cara ela é um pré-requisito !!! Como o são

    a carteira da OAB, diploma de curso superior, etc. Para selecionar os preparados dos despreparados. O Maluf se diz de "num sei o que ilibado". E a ficha limpa já de cara impede safados de se esconderem da lei com mandatos de vereador, deputado, prefeitos, governadores, senadores, etc. E, detalhe, para se tornar um processo, existem vários critérios a serem observados e analisados, como a instrução, juntada de indicios e provas, fato veridico, etc.

    Com respeito ao Lula, esse tal de Japa, do instituto Lula, que pagou de seu próprio bolso despesas do safadão mór, mereceria uma vasculhada em sua vida e artigo sobre, não ?

    Está mencionado neste novo contexto !!

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  • Anilton Souza Rodrigues Manzano Amambai - MS

    Ja ouvi em algum lugar, num passado não muito distante, se referindo às formigas: OU O BRASIL ACABA COM AS SAUVAS, OU AS SAUVAS ACABAM COM O BRASIL. Nem terminou o julgamento do Mensalão, da Empreiteira Delta, PT NOVAMENTE!!!!!!!, Policia Federal no Escritorio da Presidente Dilma em Sao Paulo!!!!! O que acontece com esse povo desse Partido PT!!!! Misericordia Meu Deus !!!!!

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