Marina Silva, uma asceta entre ambiciosos, só quer um mundo melhor…

Publicado em 21/10/2013 18:13 e atualizado em 17/02/2014 15:29 1906 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Marina Silva, uma asceta entre ambiciosos, só quer um mundo melhor…

Ah, não, né? Aí já é um pouco demais! Marina Silva, da Rede, ora no PSB, pré-candidata à Presidência, concedeu uma entrevista à CBN de Maringá nesta quarta, informa a Folha. E aí se saiu com esta maravilha:

“Não tenho como objetivo de vida ser a presidente da República. Tenho como objetivo de vida lutar para o Brasil ser melhor, para o mundo ser melhor; se, para isso, for necessário ser presidente da República, tenho toda a disposição, como tive em 2010”.

Entendi.

Talvez os outros tenham ambições desmedidas, motivações menores… Dilma Rousseff, Aécio Neves, José Serra e, quem sabe?, até Eduardo Campos sonham com a Presidência, quem sabe?, por falta de altruísmo. Marina só pensa num Brasil melhor e num mundo melhor.

A frase, aliás, é uma delícia. Porque isso nos faz supor que, houvesse um governo mundial, ela certamente se candidataria ao cargo. Mas não pensem que seria, como ela diz, por “ambição” ou “objetivo de vida”…

Ora, ora… Vocês sabem o que eu penso do PT e da maioria dos petistas, não? Mesmo o pior deles, escolham aí, deve trazer em si uma vontade transformadora. Pode ser ruim, equivocada, dolosa. Mas anseio sempre há. O pior larápio pode ser também um idealista.

O que me incomoda em Marina é esse, com a máxima vênia, falso ascetismo. Então se fez senadora, ministra, candidata à Presidência, dona (cabe o nome) de um partido e é pré-candidata, em segundo lugar nas pesquisas, só porque pensa em nos salvar? A tudo isso a conduziu a falta de ambição???

Esse negócio de só querer um mundo melhor é coisa que político não deveria falar. Seria possível dizer o contrário?

Por Reinaldo Azevedo

 

A boa notícia: eu continuo na VEJA.com. A outra boa notícia: serei colunista da Folha. E logo darei mais boas notícias…

Vindo de onde vem, tudo bem pensado, não surpreende. Mas não deixa de ser estarrecedor. O site “247”, que se tornou o centro nervoso da operação do lulo-petismo na Internet, dá em manchete, naquele estilo muito característico, em letras garrafais, a suposta notícia: “REINALDO ESTÁ FORA DE VEJA. VAI PARA A FOLHA”. Não! O “247” não ouviu a VEJA. O “247” não ouviu a “Folha”. O “247” não me ouviu. A verdade: continuo na VEJA.com e terei uma coluna semanal na Folha de S.Paulo. E, não tardará, haverá outras novidades.

Vejam esta primeira imagem. É bastante eloquente.

BRASIL 247

No alto, o logotipo da Caixa Econômica Federal. Estatal comandada por petistas. À esquerda, o logotipo do BRB, banco estatal do Distrito Federal. Comandado por petistas. O logo da CEF é rotativo. A alternativa é o do Banco do Brasil, comandado por petistas.

Quem decidir ler a “reportagem” do 247 encontrará estas pérolas:
“247 – Primeiro a boa notícia: o blogueiro Reinaldo Azevedo, expoente máximo do neoconservadorismo brasileiro, não está mais na Veja, maior revista semanal do País, que pertence à Editora Abril, de Giancarlo Civita.
Agora, a má notícia: foi contratado pela Folha, maior jornal do País, comandado por Otávio Frias Filho.”

Para o “247” e aqueles que o financiam, só haveria uma boa notícia: eu não ter emprego. Bem, a primeira boa notícia é que continuo na VEJA.com. A segunda boa notícia é que serei, sim, colunista semanal da “Folha”. E haverá, em breve, outras boas notícias.

O site diz ainda que sou “um dos blogueiros mais polêmicos do País, notório pela aversão ao PT e por disseminar o ódio no debate político (…)”.

Vamos ver . A área de comentários do site traz o seguinte aviso ou advertência:

247 - condições para comentários

Leiam alguns dos comentários que estão lá neste momento, com o patrocínio do governo Dilma (como se vê), da CEF e do Banco do Brasil. Volto em seguida.

 247 - comentários com logos

Logo, deve-se entender que coisas como “rola-bosta”, “tolete de fezes”, “Reinaldete franga”, entre inúmeras outras delicadezas, não são “comentários agressivos”. Segundo o “247”, eu dissemino “o ódio no debate político”.

Esse é o jornalismo e o amor patrocinados pela CEF.
Esse é o jornalismo e o amor patrocinados pelo Banco do Brasil.
Esse é o jornalismo é o amor patrocinados pelo governo Dilma.

Vamos ao trabalho, que é disso que eu vivo. Como sabem, costumo ignorar essa gente. O “247″ é hoje só o centro-nervoso do lulo-petismo na Internet, como sabe José Dirceu. Vamos ver qual será a próxima teoria conspiratória financiada por Dilma, BB e CEF. Daqui a pouco, o “247″ vem a público para “informar” que desisti de pedir demissão, ou que a Abril desistiu de me demitir, porque, fuçadores como são (e como fuçam!), eles descobriram tudo… Vale dizer: o “247″, que me quer sem emprego, teria colaborado para que eu o mantivesse… Se e quando eu tiver mais novidades, e terei, anuncio aqui. Ainda sou a melhor fonte sobre a minha vida profissional.

Por Reinaldo Azevedo

 

Minha coluna estreia nesta sexta na Folha

Na Folha:
A Folha amplia a partir de amanhã a sua equipe de colunistas no caderno “Poder”: Reinaldo Azevedo escreverá às sextas-feiras, Demétrio Magnoli aos sábados e Ricardo Melo às segundas. Os três vão se somar a Janio de Freitas — que continuará escrevendo às terças, quintas e domingos — e a Elio Gaspari — às quartas e domingos.
(…)
“Firmei com a Folha o compromisso firmado com os meus leitores e que vigora na minha relação com a Veja’: escrever o que penso, segundo os fundamentos da democracia representativa, a única que reconheço, e do Estado de Direito”, diz Reinaldo.
(…)
“Meu programa é explodir o senso comum. Escrever contra o óbvio, contra as verdades estabelecidas, especialmente nestes tempos em que a linguagem política foi esvaziada”, diz Magnoli.
(…)
De acordo com Melo, “vivemos hoje um momento de grande transformação na política brasileira, com a entrada de novos atores no jogo. Minha intenção é acompanhar tudo isso, sempre mantendo uma ótica social”.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Silvia Ortiz, gerente do Instituto Royal, está de parabéns! Eis uma mulher que tem a coragem de enfrentar o obscurantismo amoroso da militância e a covardia de parte da imprensa

Sílvia Ortiz é gerente-geral do Instituto Royal, que foi covardemente invadido e depredado por brucutus disfarçados de humanistas amorosos. Sílvia gravou um vídeo, que está no YouTube, em que anuncia o óbvio: o instituto continuará a fazer as suas pesquisas, até porque obedece a protocolos e está submetido ao controle dos órgãos competentes.

Vejam o vídeo. Vale a pena. A doutora lembra o óbvio, mas o óbvio precisa ser lembrado: quem já tomou um remédio contra dor de cabeça, gripe ou pressão alta pode estar certo de que a droga foi testada antes em animais.

Cada vez mais, é preciso que fique claro: não estamos diante de uma matéria sobre a qual se possa pensar isso ou aquilo, a depender dos valores de cada um. Não! Assim como o Sol não gira em torno da Terra — dá-se o contrário —, é mentira que existam métodos para testar medicamentos tão seguros quanto a experimentação em animais. Mesmo assim, é certo, as pessoas podem estar convictas do contrário ou se opor ao mérito.

O que elas não podem é praticar crimes para impor sua vontade, suas convicções, suas crenças. Assistam ao vídeo.

 

Por Reinaldo Azevedo

 

Federação de Biologia Experimental repudia crimes contra o Royal. Ou: Que tal usar humanos para testar vacina de cachorro?

A Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) emitiu uma nota de repúdio à invasão do Instituto Royal. Abaixo, segue um trecho. Alô, turma da federação: o link que remeteria para a íntegra está errado. Leiam. Volto em seguida.
*
A Federação de Sociedades de Biologia Experimental (FeSBE) vem a público expressar o seu repúdio à invasão, depredação e furto qualificado de animais de experimentação do Instituto Royal, em São Roque. Na segunda década do século XXI, não é mais possível que atitudes como essa, só explicáveis pelo obscurantismo que ainda domina grupos minoritários de nossa sociedade, sejam toleradas, em qualquer nível. O referido Instituto segue normas técnicas e éticas do Conselho Nacional de Controle da Experimentação Animal (CONCEA), além dos requisitos de outros organismos nacionais e internacionais, conduzindo pesquisas de elevada relevância no desenvolvimento de medicamentos e outros produtos, fundamentais tanto na saúde humana como animal! Assim, destruir um patrimônio desses ou impedir que a instituição continue a fazer essas pesquisas implica, inclusive, desrespeito aos próprios animais. A Lei 11794, ou Lei Arouca, rege as pesquisas com animais no Brasil e deve ser respeitada, como as outras leis que regem todas as nossas atitudes diárias como cidadãos.

Retomo
Eis aí. Uma federação profissional, com a responsabilidade que lhe cabe, atesta a seriedade do trabalho feito pelo Royal. Há, nessa nota, uma questão de uma obviedade escandalosa, que ainda não tinha ocorrido a ninguém. Sempre que isso acontece, fico furioso comigo mesmo: “Caramba! Por que não pensei nisso antes?”. A que me refiro?

Os testes com animais também protegem os… animais.

A vacina dada no seu cãozinho de estimação, leitor amigo, foi testada antes em outros exemplares da espécie. Os remédios ministrados por veterinários a animais de tração ou a rebanhos, também. Logo, o trabalho que o Royal e outros laboratórios fazem aquece o coração e forra o estômago; apela à alma dos sensíveis e fornece a necessária proteína aos pobres; atende às demandas do espírito, mas também às do corpo.

Fico aqui pensando naquela moça que tive muito prazer de conhecer virtualmente, a Luísa Mell… Ela tinha, parece, uma programa na TV para defender os bichos. Suponho que seja favorável à vacina antirrábica e  à vacina V8 — a depender da região do país, a V10. Elas impedem que os cãezinhos fiquem estropiados por doenças as mais severas, que matam depressa.

Eu duvido que Luísa Mell seja contra a V8 e a V10.
Eu duvido que Bruno Gagliasso seja contra a V8 e a V10.
Eu duvido que Tatá Werneck e outros descolados sejam contra a V8 e a V10.

Sempre a há possibilidade de, depois de tudo, eles não mudarem de ideia.

Nesse caso, há duas alternativas: a) usar humanos para testar vacinas que serão dadas em cães, vacas e jumentos; b) defender que animais podem ser usados em experimentos que beneficiem apenas os animais. Nos dois casos, trata-se de reconhecer que, por mais que se esforce, um homem jamais alcançará a altitude de um cão.

Por Reinaldo Azevedo

 

Quem trata um sapo como ser humano acabará tratando o ser humano como um sapo. Já aconteceu! E houve aplausos!

Ai, ai…

Lembram-se aquela exposição de corpos humanos, oriunda da China (claro!), que correu o mundo? Pois é… Conheço duas pessoas que acharam aquilo um horror. Eu e Hugo Chávez — que péssima companhia, né? Pois é. O fato de uma pessoa que eu eventualmente deteste pensar o que penso sobre uma coisa ou outra não me faz mudar de ideia. Como ele era um tiranete ridículo, não se limitou a criticar a exposição. Ele se encarregou de proibi-la. Vejam o que escrevi a respeito. Volto depois.
*
Vocês se lembram de uma exposição que exibia, digamos assim, aquilo que nos habita debaixo da pele? Andou circulando por aqui em 2011 e 2012, acho. A origem do material é chinesa. Corpos e órgãos humanos eram exibidos em todas as suas minúcias de músculos, ossos, veias etc. Na imprensa nativa, só encantamento. Chamou-se aquele voyeurismo necrófilo de “encontro entre a ciência e a arte”. Pura bobagem. Agora atenção para o que segue.

A exposição chegou à Venezuela em março de 2009. E foi proibida por Hugo Chávez. Por quê? Porque, disse ele, a exibição de um corpo humano insepulto, daquele modo, é um ato de degradação moral.

É evidente que proibir a exposição é coisa de tiranete de província, uma estupidez mesmo! Mas como vou negar que até Chávez, como um calendário que não se movesse, podia estar certo ao menos uma vez ao ano? Não tinha de proibir coisa nenhuma, mas é claro que concordo com suas ponderações morais a respeito. Quando se banaliza o humano como se fosse um sapo, corre-se o risco de tomar o humano por um sapo e um sapo por um humano, mais ou menos como fazem alguns ecologistas hoje em dia, que não hesitariam em deixar o país sem hidrelétricas se for para proteger alguns batráquios.

Chávez acertou até ao fazer a devida distinção entre um corpo entregue à investigação científica e outro que só serve para darmos uma espiadinha… Lamento! Nem arte nem ciência. Não era arte porque esta recria a natureza, em vez de expor vísceras. Não é ciência porque os que assistem àquela coisa miserável nada têm a fazer com o que experimentam. Absolutamente nada!

Confesso que aquilo provocou meu asco moral. De resto, ninguém sabia a origem daqueles corpos, que viajavam mundo afora. Assim, reitero, proibir é uma tolice; expor os corpos, uma imoralidade.

Retomo
Pois é, meus caros… Eu sou mesmo um reacionário à moda antiga. Eu ainda considero o ser humano uma espécie superior a todas as outras. Se eu fosse apenas um humanista, e acho que sou também, pensaria assim. Como me considero humanista e cristão, ainda acredito que somos também a morada do espírito de Deus. “Que nojo, Reinaldo! Eu prefiro os beagles.” Tudo bem.

Sou, assim, esse lixo que não aceita a pena de morte, mas também não aceita o aborto. Sou, assim, esse lixo que recusa que embriões humanos sejam tratados como coisa — porque se abre a vereda para a coisificação do próprio homem. Repudio de maneira absoluta certa estupidez que anda por aí, segundo a qual uma hierarquia entre espécies seria mera questão de valor. No fim das contas, dizem, somos todos formados de aglomerados muito semelhantes. Teses assim ecoam os piores totalitarismos.

Recebi uma quantidade chocante de absurdos. Uma louca — vários loucos enveredaram por aí, mas essa foi mais explícita, e poupa-a de si mesma não divulgando o nome — afirmou com todas as letras que “não há diferença entre um matadouro e um campo de concentração nazista”. Outro escreveu que um dia ainda “vamos nos envergonhar de comer carne como nos envergonhamos da escravidão”.

Vou confessar um segredinho aqui porque há contemporâneos que sabem disso: quando eu era militante trostskista, eu me irritava mais com certas, como posso chamar?, mentalidades delirante-alternativas do que com os stalinistas. Ainda que considerasse que estes estavam essencialmente errados e defendessem ideias criminosas (sim, as de Trotsky também eram…), ainda eram, vá lá, era o que eu chamava de “coisas deste mundo”.

Francamente, eu não tenho o que fazer nem tenho muito a dizer a quem não distingue gente de bicho, campo de concentração de matadouro, comer carne de escravidão. Não é o excesso de bondade que produz isso, mas a ignorância. A luta de libertação dos oprimidos, na sua face virtuosa, consiste justamente no esforço de deixar de ser “coisa”. É claro que sou contra os maus-tratos aos animais. Na minha casa, como em todas as casas em que há cachorros, a gente conversa com eles. Bato um papo até com a tartaruga, um animal de sangue frio… Os pecilotermos costumam ser refratários a aproximações mais fraternas…

Respeito opiniões diversas, respeito diferenças. Compreendo que haja pessoas que se recusem a comer carne (não entendo por que, na maioria dos casos, o peixe é tratado como se vegetal fosse, mas vá lá…). É uma escolha individual que, qualquer estudioso dirá, afronta alguns saltos civilizatórios. Cada um na sua. O que é inaceitável, no entanto, é que se imponham convicções à sociedade como um todo na base do berro, da violência e do crime. Os anos de pesquisa que se perderam no Instituto Royal não pertencem àquelas pessoas boas que foram lá vandalizar o prédio. Eram uma conquista de todos nós. Quem entrou lá, sequestrou os cachorros e destruiu amostras fez uma hierarquia: primeiro os bichos, depois o homem.

Não é o meu mundo. Nunca será. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Eis aí: anos de pesquisa de um remédio contra o câncer foram jogados no lixo por um bando de idiotas criminosos e truculentos, confirma cientista

A Folha desta terça ouve o médico Marcelo Marcos Morales. Ele é um dos secretários da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Concea (Conselho Nacional de Controle de Experimentação Animal), ligado ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Morales conta aos repórteres Jairo Marques e Rafael Garcia que a invasão e depredação do Instituto Royal e o roubo dos animais comprometeu experimentos avançados no desenvolvimento de uma droga contra o câncer. Dois dos cachorros roubados estão com o deputado tucano Ricardo Tripoli (SP), o que é um escárnio.

Afirma o cientista: “Um trabalho que demorou anos para ser produzido, que tinha resultados promissores para o desenvolvimento do país, foi jogado no lixo. O prejuízo é incalculável para a ciência e para o benefício das pessoas”.

Pois é, doutor. É que o Bruno Gagliasso e a Preta Gil não querem saber disso, o senhor entende? Também o deputado Trípoli é contra. A Tatá Werneck acha uma vergonha. Sem contar uma tal Luísa Mell, cuja existência esse episódio revelou — a mim ao menos. Quando sábios dessa envergadura opinam, resta pouco a dizer.

Ao debater o episódio da censura às biografias, observei aqui que o Brasil tem a mania de considerar que os artistas são pensadores. Vimos do que são capazes iluminados como Caetano Veloso e Chico Buarque quando seus próprios interesses estão em jogo. Então ficamos assim: os cantores cuidam da liberdade de expressão, e as celebridades respondem pelo desenvolvimento científico do país.

Pergunta o doutor: “Deixamos de usar animais e vamos testar vacinas em nossas crianças?”. O ataque ao laboratório é o paroxismo da boçalidade.

Na Assembleia Legislativa, o deputado estadual Fernando Capez, também tucano, chamou os donos do laboratório de “bandidos” e disse que eles deveriam ser presos. Foi mais longe: disse que o que se viu em São Roque ainda era pouco. Trípoli resolveu adotar dois animais que têm dono.

É evidente que isso força o PSDB a um pronunciamento. Ou bem deixa claro que condena a violência e o ataque obscurantista à ciência, censurando seus dois parlamentares, ou bem se cala, endossando o ato estúpido.

Por Reinaldo Azevedo

 

“Não é mole” ser presidente, diz Dilma. Nem diga!

Dilma Rousseff teve outro dia um ataque de sinceridade: recomendou que seus adversários estudassem. Em que isso é sincero? É o que realmente pensa. Não é segredo para ninguém que nunca foi um exemplo de tolerância com quem não concorda com ela. Marina Silva ironizou seu tom professoral, de quem julgava não ter nada a aprender.

Nesta quarta, Dilma decidiu ser insincera, embora involuntariamente verdadeira. Leiam o que informa a Folha. Volto em seguida.

Após pedir a rivais que estudassem e virar alvo de ironia da ex-senadora Marina Silva (PSB), a presidente Dilma Rousseff afirmou ontem que “não é mole” exercer o cargo porque a função a obriga a “aprender todos os dias”. Na sexta visita a Minas Gerais em menos de três meses, Dilma citou o tema em ato em Belo Horizonte, ao aconselhar alunos do Pronatec (Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego) a estudar. “Eu, presidenta da República, sou uma pessoa que tenho todos os dias de estudar. Não pensa que é mole, não. Todos os dias sou obrigada a aprender, tenho que estar aberta para aprender”, disse.

As afirmações remeteram ao embate indireto que Dilma travou neste mês com Marina, que se aliou ao governador Eduardo Campos (PE). Em entrevista a rádios mineiras no dia 14, a presidente disse que eventuais concorrentes ao Planalto “têm que estudar muito”. Marina criticou na ocasião o tom professoral da petista. “Ela [Dilma] deu um conselho de professora. Difícil são aqueles que acham que já não têm mais o que aprender e só conseguem ensinar.”
(…)

Retomo
Dilma, escandindo as sílabas, na segunda, explicando por que o regime de partilha, da forma como está, é uma maravilha, apesar dos fatos, demonstra a sua disposição para aprender… É evidente que está sendo voluntariamente insincera quando professa essa humildade, mas é uma sincera involuntária quando diz que ainda está aprendendo… A gente percebe.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma fez nesta segunda o primeiro discurso da campanha eleitoral de 2014

A presidente Dilma Rousseff usou a rede nacional de rádio e TV para fazer um pronunciamento sobre o leilão do campo de Libra. É evidente que é um despropósito. Qual era a matéria urgente que ela tinha a comunicar? Que tipo de serviço prestou que a imprensa já não tivesse prestado? Esclareceu o quê? Tratou-se de uma fala escancaradamente eleitoreira, em desacordo, de resto, com os fatos e com doses estupendas de sonho.

Os especialistas no Brasil e a própria imprensa internacional tiveram de reconhecer o que salta aos olhos: o leilão, com um único consórcio, não foi bem-sucedido. Algumas das gigantes simplesmente não se interessaram, e a partilha saiu pelo mínimo estabelecido: 41,65% do excedente ficam com a União. Já se falou muitas coisas das petroleiras gigantes, menos que não sabem ganhar dinheiro. Se Libra fosse mesmo essa oportunidade de ouro, é evidente que a concorrência teria sido acirrada. Não foi. Já se falou aqui e em toda parte dos motivos. Assim, prestemos um pouco de atenção ao discurso da presidente (íntegra aqui).

Dilma começou chamando o leilão por aquilo que ele não foi: “um sucesso”. Ah, bom: então agora a gente começa a entender a razão do pronunciamento. A presidente queria falar aquilo que a imprensa séria não diria mesmo. Leilão a que comparece um único consórcio, no qual a Petrobras é obrigada a aumentar a sua participação de 30% para 40% — ou nada feito! — não é, obviamente, bem-sucedido. A coisa foi toda atrapalhada. Os tucanos poderiam, por exemplo, apontar os erros. Em vez disso, já ouço vozes aqui e ali: “Estão vendo? Eles fizeram como nós… Eles também privatizam…”. Acabam, sem querer, vendo um sucesso onde houve um mico.

Dilma contou com muitos bilhões de ovos na barriga da galinha. Não! Dilma contou mais de um trilhão! No momento mais entusiasmado da sua fala, mandou brasa:

“Nos próximos 35 anos, Libra pagará os seguintes valores ao Estado brasileiro: primeiro, R$ 270 bilhões em royalties; segundo, R$ 736 bilhões a título de excedente em óleo sob o regime de partilha; terceiro, R$ 15 bilhões, pagos como bônus de assinatura do contrato. Isso alcança um fabuloso montante de mais de R$ 1 trilhão. Repito: mais de R$ 1 trilhão.”

A presidente sabe exatamente quanto petróleo tem em Libra, conhece o ritmo da exploração — o resto do mundo não conta —, sabe qual será o valor do barril, sabe quanto será investido. O importante era ultrapassar o número mágico de R$ 1 trilhão. Multiplicados os pães, que é a parte mais difícil, distribuir é fácil: R$ 736 bilhões para saúde e educação e R$ 368 bilhões para o combate à pobreza etc. e tal. A conta aqui já chegou a R$ 1,104 trilhão.

Estamos em plena campanha eleitoral. No passado, os candidatos faziam propostas para os quatro ou cinco anos seguintes. Dilma chegou à metade do século praticamente — 2048. Lula se encarregará, na campanha, de fazer anúncios para a outra metade.

A presidente afirmou ainda: “Pelos resultados do leilão, 85% de toda a renda a ser produzida no Campo de Libra vão pertencer ao Estado brasileiro e à Petrobras. Isso é bem diferente de privatização”. Não entendi a conta. O consórcio repassará 41,65% do excedente para a União; os outros 58,35% ficam com ele. Dessa sobra, a Petrobras tem direito a 40% (23,34%). União mais Petrobras terão 64,99%. Talvez dados novos que venham à luz expliquem como chegar aos 85%.

E a presidente encerrou, depois de anunciar o futuro glorioso: “Que Deus continue abençoando o Brasil!”.

O discurso de Dilma abriu a campanha eleitoral de 2014. Contra lei, é claro!

Por Reinaldo Azevedo

 

A Internet jabuticaba de Dilma – Entidades nacionais e estrangeiras condenam obrigatoriedade de data centers no Brasil

Por Rafael Sbarai e Renata Honorato, na VEJA.com:
Às vésperas da votação no Congresso do Marco Civil da internet, uma carta subscrita por 45 entidades das áreas de tecnologia e comércio foi entregue nesta quarta-feira ao deputado Alessandro Molon (PT-RJ), relator do projeto de lei que pretende disciplinar a web brasileira: o documento critica a proposta do governo de obrigar empresas de internet a manter data centers em território nacional. O documento, obtido com exclusividade pelo site de VEJA, diz que a medida terá “efeitos colaterais”, como redução de segurança relativa aos dados de usuários, elevação de custos de serviços, queda de competitividade de empresas e prejuízo aos consumidores.

“A segurança de dados não está relacionada com o local de armazenagem de dados, mas sim com a forma como são mantidos e protegidos”, diz trecho do documento, assinado, entre outras, pela United States Council for International Business e Informational Technology Industry Council, que representam gigantes como Amazon, Apple, Google e Facebook.

Especialistas concordam com esse ponto de vista, contrariando a tese do governo de que a localização dos data centers ajudaria no combate à espionagem. A proposta de obrigar, via Marco Civil, as empresas de internet a manter data centers no país ocorreu em julho, depois que surgiu a suspeita de que a Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos espionou autoridades e empresas brasileiras. Na lista dos espionados, estariam a Petrobras e a presidente Dilma Rousseff.

Os analistas estão de acordo ainda sobre os demais prejuízos da medida. Em entrevista ao site de VEJA, o diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio de Janeiro, Ronaldo Lemos, explicou que a presença forçada dos data centers afugentará empresas do país. “Os sites terão receio de oferecer serviços a usuários brasileiros com medo de, no futuro, ter que montar um data center local”, afirmou. A hospedagem compulsória também pode provocar uma enxurrada de ordens judiciais exigindo acesso a informações pessoais, além da retirada de conteúdos do ar — com prejuízo óbvio à liberdade de expressão.

Caso não seja votado até a próxima terça-feira, o que é improvável, o Marco Civil trancará a pauta da Câmara dos Deputados. Na prática, isso impedirá que outros projetos na fila de votação sejam analisados pelo Plenário enquanto a matéria não for apreciada.

O presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves (PMDB-RN), ainda não determinou quando o Marco entrará na pauta da Casa. Nos bastidores, ele diz que a votação só acontecerá quando houver consenso em relação à proposta. Molon, por sua vez, segue trabalhando na versão final do texto.

Por Reinaldo Azevedo

 

Graça diz que Petrobras tem caixa para pagar bônus de Libra sem aumentar combustível

Na VEJA.com:
O leilão do Campo de Libra, o primeiro do pré-sal sob o regime de partilha, aconteceu na segunda-feira, mas só agora a presidente da Petrobras, Maria das Graças Foster, começou a se pronunciar sobre o certame. A executiva respondeu a críticas sobre a capacidade financeira da estatal de pagar os 6 bilhões de reais em bônus ao governo, ainda este ano. No consórcio liderado pela estatal e que também contou com a participação da anglo-holandesa Shell, a francesa Total e as chinesas CNPC e CNOOC, foi arrematada a área considerada o ‘tesouro do pré-sal’. O grupo de empresas deverá explorá-la pelos próximos 35 anos.

Graça afirmou que a Petrobras tem capacidade de pagar sua parte, sem a necessidade de reajuste de preços de combustíveis e nem aporte do Tesouro. Ela ainda acrescentou que a estatal é “uma empresa forte e empresa forte atrai empresa forte”. A presidente reuniu-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, nesta quarta-feira em Brasília, aumentando suspeitas de que um reajuste possa estar à caminho. Contudo, ela se limitou a dizer aos jornalistas que o único tema discutido com o ministro foi o investimento a ser realizado em Libra. Mantega também é o presidente do Conselho da estatal.

Na terça-feira à noite, Graça, ao responder a mesma pergunta sobre o pagamento do bônus havia se limitado a dizer “tranquilo, tranquilo”. “As estratégias vão se afinando, grupos entram, grupos saem. O que é mais incrível é a complementaridade das competências. Foi fantástico”, disse durante a cerimônia de entrega do Prêmio Petrobras de Jornalismo.

Graça afirmou ainda que o plano de negócios da companhia se mantém até 31 de dezembro deste ano. “Em 2014 (será) outro plano, tudo começa de novo”, disse, sem adiantar ajustes. O mercado espera que a Petrobras faça mudanças justamente para incluir os investimentos em Libra em suas estimativas para os próximos anos. A produção do Campo de Libra deve começar em 2019. “Temos alguns planos de desenvolvimento, uma série de atividades que queremos antecipar para que possamos produzir esse óleo da forma mais organizada possível, no mais curto espaço de tempo e no menor custo”, explicou.

No entanto, a executiva antecipou que os investimentos iniciais não serão de grande volume nos primeiros três anos e que a empresa terá aumento de produção no quarto trimestre. Os investimentos em 2014 se limitarão mais ao plano exploratório mínimo. “Quem produz mais petróleo, produz mais geração operacional e precisa buscar menos recurso no mercado”, disse.

Por Reinaldo Azevedo

 

Economia fraca arranha vitrine de Aécio em Minas; tucanos acusam governo federal

Por Paulo Peixoto e Felipe Bächtold, na Folha:
Vitrine do senador mineiro Aécio Neves (PSDB) para a corrida presidencial do próximo ano, Minas Gerais está com a economia estagnada e com índices piores do que a média nacional e de Estados vizinhos há mais de um ano. No segundo trimestre de 2013 (último dado disponível), o Estado governado pelos tucanos desde 2003 recuou 0,1% –já o PIB nacional surpreendeu e subiu 1,5%. O tema entrou na pré-campanha, e a oposição liderada pelo PT já fala em “pibinho”. Pernambuco, berço do pré-candidato do PSB, Eduardo Campos, tem um crescimento acumulado nos últimos 12 meses maior do que o do país, segundo dados do Estado.

Ainda no segundo trimestre, o Rio Grande do Sul, puxado pelo desempenho da agricultura, cresceu 6,4%. Em São Paulo, o crescimento foi de 1,2% e, na Bahia, 2,2%. A agropecuária é uma das causas do mau desempenho em Minas Gerais, terceiro Estado mais rico do país, enquanto a supersafra do Centro-Oeste e do Sul ajudou a alavancar o PIB nacional. Também pesa contra o Estado a dependência de poucos setores, como mineração.Levantado pela oposição, o tema já chegou ao debate político nesta pré-campanha.
(…)

O que dizem os tucanos
O PSDB mineiro rebate as críticas da oposição local sobre a situação da economia do Estado e questiona o papel do governo federal no desenvolvimento regional. O deputado federal Marcus Pestana, presidente estadual do partido, afirma que o PT está “em débito” com o Estado e que a economia mineira cresceu muito até 2012: “Essas oscilações existem porque têm a ver com o nosso perfil muito primário. O raciocínio é a longo prazo”, diz. O governador Antonio Anastasia diz ter “preocupação” com a dependência de commodities e afirma que há “grande esforço” em curso para diversificar a economia. (Leia mais)

Por Reinaldo Azevedo

 

FMI destaca deterioração fiscal e revisa para baixo crescimento potencial do Brasil

Na VEJA.com:
Em relatório sobre a economia brasileira, divulgado nesta quarta-feira, o Fundo Monetário Internacional (FMI) reconheceu que o país retoma gradualmente o ritmo de crescimento, mas aponta que a deterioração fiscal prejudicou a credibilidade do país e, consequentemente, os investimentos necessários para aumentar a competitividade. O estudo foi feito após uma missão do Fundo vir ao Brasil, entre 13 e 24 de maio. Com base nos dados coletados e em estimativas, o FMI revisou para baixo o crescimento potencial do país de 4,25% para 3,5%.

O Fundo aponta que o afrouxamento da política fiscal, sobretudo por meio dos bancos públicos, enfraqueceu a credibilidade do país. O crescimento potencial foi reduzido devido à desaceleração econômica notada em 2012 e no primeiro semestre de 2012. E essa desaceleração criou um ambiente de piora da competitividade, além de desequilíbrios econômicos. “No médio prazo, a projeção é que o Brasil alcance crescimento potencial de 3,5% (revisado para baixo em relação ao último relatório). Mas mesmo este potencial mais baixo requer uma escalada dos investimentos (incluindo infraestrutura) associada ao aumento da produtividade”, informa o Fundo. O FMI aponta ainda que se o Brasil não implementar reformas e se esforçar para impulsionar investimento e produtividade, o crescimento potencial pode voltar para o patamar de 3%.

O relatório recomenda ainda o aumento da poupança doméstica pública e privada para reduzir a dependência de capital externo e conter o déficit em conta corrente que se ampliou de maneira substancial em 2013. O Fundo, contudo, elogiou o recente comportamento do Banco Central do Brasil ao iniciar uma trajetória consistente de alta dos juros para conter a inflação. “A resposta do mercado é que o aumento dos juros e a reorientação do Banco Central foram positivas e ordenadas, com os juros reais de médio e longo prazo permanecendo abaixo dos níveis alcançados em outros ciclos de aperto monetário”, diz o relatório.

O FMI afirma, contudo, que um crescimento mais consistente pode ser retomado se o país direcionar seus esforços para aumentar a competitividade e a produtividade por meio da redução da dívida e dos gastos públicos.

O texto só foi divulgado nesta quarta-feira depois de passar pela chancela do governo brasileiro. A publicação do relatório anual só é feita depois de obtida a autorização do governo brasileiro. Contudo, houve discordâncias sobre os dados e apenas esta semana o Ministério da Fazenda liberou a divulgação do texto. O Brasil pleiteia junto ao FMI mudanças no cálculo de sua dívida bruta por avaliar que sua metodologia de cálculo é menos consistente que a brasileira.

Por Reinaldo Azevedo

 

Um Guimarães Rosa censurado por parte de sua família. Vamos submeter a questão a iluministas como Caetano, Chico, Djavan, Luísa Mell e Bruno Gagliasso

Chamem o Chico Buarque, o Caetano Veloso e o Djavan. Se der, chamem também a Luísa Mell e Bruno Gagliasso. O que os dois últimos têm  a ver com a questão? Ora, vamos reunir todos os iluministas do Brasil!

As cineastas Adriana Jacobsen e Soraia Vilela fizeram um documentário sobre aquele que é considerado o maior prosador do Modernismo brasileiro: Guimarães Rosa (o meu é Graciliano Ramos, mas isso não importa agora). Chama-se “Outro Sertão”. Rosa é um mito da literatura. Os professores de nossas escolas só fazem mal quando pedem que os alunos digam que diabos quer dizer “a terceira margem do rio”… Cai até em prova. Quase todo mundo que me lê, se puxar um pouco pela memória, passou por isso. E quase ninguém entendeu a explicação. Não se aflijam. Não havia nada de errado com vocês. Sigamos. Adriana e Soraia fizeram o documentário, venceram um festival, mas o filme não pode ser lançado comercialmente. Será exibido hoje na Mostra de Cinema de São Paulo.

E por que o lançamento está proibido? Porque as herdeiras não querem e pronto! Há algo de estranho no filme? Entra-se na fofoca da vida privada? Algum amor secreto do Rosa? Descobriram que aquele negócio de Diadorim e Riobaldo era mais complicado? Nada! O filme mostra, acreditem!, que Rosa, como diplomata, salvou judeus do nazismo. Além de ser verdade, é um filme a favor.

Mesmo assim não pode. Leiam trecho da reportagem de Raquel Cozer, na Folha:
*
Um João Guimarães Rosa (1908-1967) que ajudou a salvar judeus na Alemanha e foi investigado pelos nazistas na Segunda Guerra, antes de se firmar como escritor, é o centro de “Outro Sertão”, longa exibido hoje na Mostra de Cinema de São Paulo. A faceta menos conhecida do autor de “Grande Sertão: Veredas” (1956) vem à tona com o documentário de estreia de Adriana Jacobsen e Soraia Vilela. O filme, premiado no Festival de Cinema de Brasília, ilustra um viés menos lembrado no debate sobre a autorização para biografias: o de casos envolvendo obras cinematográficas.

A pesquisa para o filme começou em 2003, com o aval das filhas de Rosa. Em 2011, esse braço da família pediu, dizem as diretoras, R$ 60 mil para autorizar a veiculação. “Fizemos contraproposta de R$ 30 mil ou R$ 40 mil. Fomos então informadas de que queriam R$ 300 mil e, depois, que não queriam mais a veiculação”, diz Jacobsen.

Antes da exibição em Brasília, a dupla pediu às herdeiras uma reavaliação da decisão. Receberam um telegrama do advogado informando que as filhas não autorizavam a veiculação por questões de “foro íntimo”. As herdeiras negam ter sido contatadas nessa ocasião.
(…)
A base do documentário são duas cadernetas com anotações de Guimarães Rosa no período em que foi cônsul-adjunto em Hamburgo, na Alemanha, de 1938 a 1942. Uma cópia delas está na Universidade Federal de Minas Gerais. Foi com a autorização das filhas do autor, dez anos atrás, que as diretoras tiveram acesso ao texto.

Inéditas em livro, as cadernetas estão no centro de uma disputa familiar. Em Hamburgo, o autor se apaixonou por Aracy Moebius de Carvalho (1908-2011), que trabalhava com ele no consulado e se tornaria sua segunda mulher. Segundo o neto Eduardo Tess Filho, as referências a Aracy nas cadernetas incomodam as filhas do primeiro casamento do escritor.

“Ele ficou menos de dez anos com Lygia e quase 30 com Aracy, mas elas querem apagar isso da história”, diz.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma aumenta em 800% gastos com propaganda do Minha Casa, Minha Vida. Repetindo: 800%

Por Gabriel Castro e Hugo Marques, na VEJA.com:
O Programa Minha Casa, Minha Vida é uma das principais apostas eleitorais da presidente Dilma Rousseff para 2014, dada a escassez de grandes realizações que possam cativar o eleitor e garantir um segundo mandato à petista. O governo aposta tanto na divulgação do programa que, em 2013, despejou uma quantidade desproporcional de recursos apenas para fazer propaganda dele.

Dados cedidos pela Caixa Econômica Federal a pedido do líder da minoria na Câmara, Nilson Leitão (PSDB-MT), mostram a repentina elevação de gastos com publicidade: em 2011, foram 261 000 reais. No ano seguinte, 1,7 milhão. Em 2013, até o fim de julho, a Caixa já havia destinado 15,7 milhões de reais para divulgar o programa. Mesmo que o banco público não gaste mais um real até o fim do ano para propagandear o programa habitacional, o valor significará um aumento de 823% na comparação com todos os gastos de 2012 – e de 5.900% em relação a 2011.

A Caixa não apresenta uma explicação clara sobre a elevação de gastos. Diz que, no montante, estão ações de esclarecimento aos participantes do programa. “A campanha teve como objetivo de prestar, de forma transparente, orientações aos beneficiários que estavam recebendo as chaves de imóveis do MCMV – tais como a conservação e manutenção da moradia, condições de instalação do sistema elétrico e hidráulico, economia de água e energia, dentre outros pontos importantes”, informa nota emitida pela assessoria de imprensa da Caixa Econômica Federal ao site de VEJA. Mas o que se viu nos últimos meses foi uma profusão de peças de publicidade para atrair novos participantes para o programa, estreladas pela atriz Camila Pitanga e a apresentadora Regina Casé. A Caixa, aliás, não revela o preço pago a elas: diz que o cachê é uma informação “estratégica”.

Somando os governos Lula e Dilma, 1,3 milhão de pessoas obtiveram a casa própria por meio do programa, de um total de 2,9 milhões de adesões. A meta é atingir 3,4 milhões de contratos no fim de 2014. O deputado Nilson Leitão agora vai pedir à Caixa que esclareça se o aumento nos gastos com publicidade foi acompanhado de um crescimento proporcional nos empreendimentos do programa. A pergunta é meramente retórica, já que a resposta será evidentemente negativa. “É um gasto apenas promocional para o governo; não muda em nada a vida do cidadão”, queixa-se o parlamentar. A elevação dos gastos com publicidade do Minha Casa, Minha Vida ocorre no momento em que a inadimplência disparou: como mostrou VEJA há um mês, entre as famílias com renda mensal de até 1 600 reais, o índice chega a 20% – número dez vezes maior que a média dos financiamentos imobiliários no país.

Cifras
Os gastos gerais do governo com publicidade também subiram. Levantamento feito pela ONG Contas Abertas a pedido do site de VEJA mostra que os valores empenhados chegaram a 177,7 milhões de reais neste ano, comparados com 173 milhões de reais no ano passado inteiro. O cálculo leva em conta dados do Orçamento e exclui as estatais, como a própria Caixa. O aumento ocorre acompanhado de uma nítida mudança na estratégia de comunicação da presidente Dilma Rousseff, já de olho nas eleições de 2014. Dilma abriu uma página no Facebook e passou a usar o Twitter diariamente, além de priorizar eventos que possam garantir exposição positiva nos meios de comunicação.

José Matias-Pereira, professor de administração pública da Universidade de Brasília, diz que somente a cobrança da sociedade pode impedir abusos com o uso de verbas públicas para promoção eleitoral. “Nós temos que assumir uma postura mais proativa e agressiva, no bom sentido, para cobrar resultados dos governantes, e não publicidade. Quanto pior o desempenho de um governante, maior a tendência dele de gastar o dinheiro com publicidade”, diz. Ele também critica a mistura entre público e privado: “O eleitor está sendo chamado para pagar uma conta que, na verdade, tem por trás dela interesses políticos, de grupo e pessoais”.

Há outra explicação relevante para a elevação dos gastos já em 2013: pela lei, o governo só pode gastar com publicidade em ano eleitoral aquilo que já havia gasto no ano anterior. Esticar a corda já em 2013 é garantir a possibilidade de gastos maiores no ano que vem.

Por Reinaldo Azevedo

 

Bruno Gagliasso e Tatá Werneck decidiram: não tomam mais antibióticos; vão tentar negociar com os estreptococos!

Tata Werneck

Bruno Gagliasso

Vou escrever aqui o nome de gente de que, com raras exceções, nunca ouvi falar, mas que, consta, é famosa, existe. Uma tal Tatá Werneck escreveu no Facebook: “Instituto Royal esta matando cachorros para testar seus cremes de merda”. A empresa nem mata animais nem testa cosméticos, mas analgésicos e drogas contra o câncer — que, segundo entendo, a dita-cuja jamais usará ainda que precise. Uma certa Sthefany Brito recorreu a um juízo tão especioso quanto a grafia do seu nome: “Como pode, né? Isso não pode nem ser chamado de gente! Isso é monstro sem coração! Quanta covardia!! E pior de tudo… Vão sair impunes!!!” Ela não se referia aos bandidos que invadiram o laboratório, mas aos donos da empresa e cientistas que lá trabalham com seriedade.

Na lista das celebridades que apoiaram o vandalismo obscurantista estão Mariana Rios (?), Rodrigo Simas (?), Gustavo Leão (?) e Jesus Luz (já ouvi falar; é aquele que Madona pegou). Também se manifestaram a favor Bruno Gagliasso, Giovanna Ewbank (?), Alinne Rosa (?), Leilah Moreno (?), Preta Gil (participa do Medida Certa, do Fantástico; sei quem é) e Marcelo Médici, humorista. Achei esses nomes todos num texto da revista caras. Fiz a seguinte procura no Google: “celebridades apoio Instituo Royal”. É possível que haja muito mais descolados.

Cada uma dessas pessoas, por coerência, deveria assinar um documento se comprometendo a jamais usar qualquer medicamento que tenha sido testado antes em animais — e isso quer dizer renunciar à alopatia. Talvez à homeopatia também. Funcionando ou não, nem entro no mérito, o fato é que se administram drogas homeopáticas também a bichos. Suponho que se tenha feito algum teste antes, não?

Quando a garganta do galãzinho garnisé Bruno Gagliasso inflamar, formando placas de pus, em vez de tomar uma das eritromicinas da vida, que foram testadas em beagles — a gente sabe que ele é contra e, corajoso que é, não vai aceitar um tratamento covarde —, ele vai procurar manter um diálogo amigável e respeitoso com os estreptococos, que, afinal de contas, também são vida. Bruno talvez tenha aderido a um dos pensamentos delinquentes hoje influentes no mundo, que combate o “especismo”. A diferença entre um estreptococo, um beagle e um Bruno Gagliasso, segundo esse ponto de vista,  é mera questão valorativa — e, pois, relativa.

Falar com estreptococo é difícil. É um bicho coletivista, com formação de esquerda e só decide em conjunto — quem manda é a colônia, o coletivo, sabem… Acho difícil que possam ceder. A palavra de ordem dos estreptococos é “Não me representa”. Ou a colônia inteira fica, prospera e mata o hospedeiro, ou há a morte coletiva. Uma gente radical. O estreptococo deveria ser eleito o líder dos novos radicais. Assim, se a negociação falhar, Bruno pode tentar própolis, mel, reza braba, passe espiritual, orações, velas, sei lá… A única coisa que não pode fazer é tomar um antibiótico e endossar os testes em beagles.

O mesmo vale para os outros “artistas”. No país em que uma lei proíbe a publicação de biografias, celebridades usam as redes sociais para, em nome da liberdade de expressão, apoiar o crime. Essa gente toda deve desculpas aos donos e cientistas do Instituto Royal. Num democracia que se respeita, como a americana, essa gente seria processada e perderia até as calças em razão da calúnia, da injúria, da difamação e do incitamento ao crime. Veriam como é viver num país sem impunidade, em que “estrelas” não têm licença especial para sair acusando as pessoas por aí.

Há algo mais a dizer a respeito. Fica para o post seguinte.

Por Reinaldo Azevedo

 

A TV Globo, as suas celebridades que incentivam a violência e a questão ética

A TV Globo, que eu saiba, não mais permite que seus contratados participem de campanhas políticas. Faz sentido? Claro que faz! Afinal, este ou aquele acabavam adquirindo notoriedade em razão de novelas e programas da emissora e depois saíam por aí emprestando a sua imagem a causas. Ocorre que essa restrição, de algum modo, envelheceu; acabou sendo superada pelas redes sociais.

Algumas das celebridades que foram às redes sociais apoiar a invasão criminosa e obscurantista do Instituto Royal são contratadas da emissora. O Brasil só sabe quem são essas pessoas porque estão na tela. Essa história de que ninguém mais precisa da TV porque, afinal, existem os canais de Internet é, com a devida vênia, conversa mole. Uma coisa é ter um vídeo acessado por 3 milhões de pessoas; outra, distinta, é ser reconhecido por 50 milhões. A TV aberta ainda abocanha a maior parte da verba dos anunciantes não por acaso.

Há, sim, uma questão a ser pensada. Um contratado da emissora, tornado famoso e influente em razão do trabalho que lá faz, é livre para sair por aí incentivando o crime? ATENÇÃO! EU ESTOU FALANDO DE INCENTIVO AO CRIME, NÃO DE LIBERDADE DE OPINIÃO.

Trato do meu próprio caso. Tenho uma página hospedada na VEJA. Há um contrato. Escrevo o que quero, o que bem entendo, o que acho conveniente. Nunca — e “nunca” quer dizer “nunca” — a VEJA me pediu para escrever alguma coisa, me impediu de escrever alguma coisa ou sugeriu que eu escrevesse alguma coisa. Se e quando a Abril achar que não dá mais, dirá; se e quando eu achar que não dá mais, direi. É assim que funciona.

Sou livre para expressar as minhas opiniões, algumas delas contrárias às da própria revista ou do site. Mas acho que a VEJA daria um pé no meu traseiro, e com razão!, se eu começasse a usar este espaço para incentivar a prática de crimes — de quaisquer crimes. Notem: INCENTIVAR UM CRIME É DIFERENTE DE DEFENDER MUDANÇAS NA LEGISLAÇÃO PARA QUE UMA PRÁTICA CONSIDERADA CRIMINOSA PASSE A SER LEGAL .

Assim, ainda que eu seja contra, ainda que eu ache a tese absurda, ainda que pareça estupidamente furada, a verdade é que as pessoas têm o direito de defender que se mude a legislação sobre o consumo e porte de drogas. Eu vou lutar contra. Mas pedir que se mude é diferente de estimular o uso. ATENÇÃO! HÁ FORMAS VELADAS DE INCENTIVO AO CONSUMO QUE SÃO NEFASTAS. Quando um ídolo juvenil faz praça do seu hábito ou vício, tentando fingir que apenas confessa algo de sua vida privada, sem incentivar ninguém, é evidente que se está diante de uma trapaça. Essas pessoas sabem que um dos incômodos da fama é ser visto como um exemplo.

Será que, mesmo sem ser celebridade, sendo não mais do que um jornalista, devo ser livre o bastante, ainda que meu contrato seja omisso a respeito, para escrever coisas como “É isso mesmo! Vamos invadir! Vamos quebrar! Há momentos em que só a violência é a resposta adequada!”??? Acho que não! Mas aí dirá alguém: “Ora, Reinaldo, eles não apoiaram a invasão do laboratório na emissora, mas nas redes sociais”. Será assim tão diferente? Volto ao meu caso: ainda que mero colunista, será que convém que eu seja, neste blog, um defensor da lei, mas que incentive, nas redes sociais, atos terroristas contra o governo petista, por exemplo? Sempre poderia dizer: “Ah, escrevi isso no Twitter, no Facebook, não no blog”. Faz tanta diferença? Afinal, quando os artistas se engajavam em campanhas político-eleitorais, não o faziam na novela, mas fora do expediente.

Reitero: não se trata de patrulhar opiniões; não se trata de exigir que se apoie esta ou aquela causas, que tenha esta ou aquela opiniões. O buraco é mais embaixo. Trata-se de se saber se figuras tornadas púbicas em razão do seu trabalho na TV podem ou não incentivar a invasão de propriedade privada, a violência e o confronto com a polícia.

A questão, em suma, é saber se estamos todos de acordo que a democracia é um valor inegociável ou não. No domingo, o próprio Fantástico levou ao ar a informação de que artistas da emissora apoiaram a invasão do Instituto Royal. Acho que não estou louco nem estou sendo severo demais ou a esposar alguma tese autoritária ao ver aí um problema de natureza ética. Em vez de ampliar a repercussão da apologia do crime, não deveria a TV recomendar a seus astros que se abstivessem de incentivar a violência, a invasão à propriedade privada e a agressão à pesquisa científica?

Acho que sim.

Por Reinaldo Azevedo

 

Uma gente honesta pra cachorro – Uma das líderes de ataque a laboratório diz que a violência só aconteceu porque as vítimas não quiserem colaborar com os agressores. Agora entendi tudo!

É do balcobaco! Na Folha  desta segunda, aparece mais uma, deixem-me ver, usuária dos serviços dos black blocs, mas que também não tem nada com isso. Uma certa Jane Santos, de 35 anos, uma das líderes da invasão do Instituto Royal, conversou com Flávia Martins.

Ela afirma a seguinte e espantosa coisa:
“Foi completamente incontrolável. Temos gravado que advertimos [o Royal], pois estávamos com medo de que o movimento tomasse grandes proporções, como a do Movimento Passe Livre. A nossa ideia era tirar os animais de forma pacífica e com a ajuda de biólogos”.

Ah, agora entendi. Eu estava sendo muito severo com essa gente. Antes de praticar o ato terrorista, eles deram o aviso. ESPERAVAM CONTAR COM A AJUDA DAS VÍTIMAS. Como não aconteceu, aí, sabem como é… É isso mesmo que vocês leram. O Royal fazia um trabalho unanimemente reconhecido como sério e técnico por quem entende da área, mas os ditos “ativistas” (palavrinha asquerosa!) não queriam. Esperavam que os próprios funcionários lhes dessem os cachorros, por conta própria. Não tendo acontecido, eles invadiram.

E sobre o black blocs? Ela também foi singela:
“Não convidamos eles [os "black blocs"]. Mas, pelo que a gente acompanha, toda mobilização com caráter nacional atrai a presença deles agora. A gente não conhece, porque somos ativistas de animais, não fazemos depredação.”

Certo! A Jane e seus amigos não depredam nada. Como ficou claro, ela queria até a colaboração das vítimas. Pena que os black blocs apareceram… Mesmo assim, eles não suspenderam a ação. A Jane está convicta de que um trabalho de caráter científico, submetido a controle técnico, exercido num espaço privado, pode ser, sim, interrompido por uma invasão.

Como ela deixa claro, a culpa é do laboratório. Se a empresa tivesse feito o que eles queriam, nada disso teria acontecido. Agora tudo está devidamente explicado.

Por Reinaldo Azevedo

 

Caetano revela: o que move Chico Buarque não é o dinheiro, mas o ânimo de censurar mesmo! Ou: O que a crítica e o jornalismo deixaram de dar a Chico? Ou ainda: “A beleza, o carisma e a sinceridade” de Paula Lavigne…

Que coisa!

Que quadra melancólica!

Caetano Veloso voltou, em seu artigo dominical no Globo, à questão das biografias. Quanto mais escreve, mais se enrola. Quanto mais fala a respeito, menos claro se torna. Quanto mais tenta se explicar, mais evidencia que não sabe como sair do buraco em que se meteu.

Querendo ou não — e ele já é maduro o bastante para saber que as palavras fazem sentido —, acabou revelando a real motivação de Chico Buarque nessa história toda. Transcrevo um trecho do artigo:

“A questão das biografias sempre foi essencial para Chico. Se entendi bem, ele tem mais interesse nisso do que em Ecad ou Procure Saber. Qualquer insinuação de barganha com Roberto Carlos para que este apoiasse as mudanças na gestão coletiva da arrecadação de direitos é injusta com todos nós — mas principalmente com Chico. O respeito à vida privada das pessoas — que é o que move Pedro Cardoso em suas falas públicas — sempre foi um tema que Chico teve no coração e externou em falas definidas. O próprio Chico chamou a atenção da Procure Saber para o fato de que a tomada de posição em conjunto poderia causar problemas de princípios para algum ou alguns de nós. Quem informa colunas de fofoca nem sempre sabe o que é dito nas reuniões. Eis o que me diz agora Chico: ‘Mais que a questão da privacidade do Roberto Carlos, eu queria tomar partido dele contra os ataques da imprensa estes anos todos. Também apanhei sozinho de toda a imprensa, 20 anos atrás, por ter criticado a crítica musical do país. Fui por isso chamado de censor, autoritário e até de stalinista. Desta vez, pelo menos, tive o prazer de falar no GLOBO, sem contestação, da censura espontânea da TV Globo nos anos 70.’ (…)”

Retomo
Quem conhece o meio assegura que Chico Buarque sabe cuidar do rico dinheirinho como poucos. É… Forço aqui a memória e constato que sua solidariedade com os oprimidos da Terra ou vítimas de catástrofes sempre se dá pela via de manifestos, abaixo-assinados, declarações — e, como se sabe,  por meio de metáforas. É isto: Chico é mesmo um homem generoso, perdulário até, mas na profusão de metáforas e nas promessas de que “amanhã vai ser outro dia”. Um “outro dia” que, no seu universo utópico, santo Deus!, já chegou para Cuba ou para Angola, por exemplo. O primeiro país é um dos mais autoritários do mundo; o outro, um dos mais corruptos (ver post sobre um artigo do jornalista José Casado, publicado em “O Globo”). Isso à parte, Chico não é de sair por aí dando trinados em shows de solidariedade. Não acho que isso seja uma obrigação, deixo bem claro. Quem gosta de artista cantando de graça é Pablo Capilé, o amigo de Caetano Veloso, não eu. Mas sigamos.

Caetano assegura que os artistas pró-censura não fizeram troca nenhuma com Roberto Carlos. Ou por outra: o “velho baiano” (segundo sua própria definição) jura que “não foi pelos 20 centavos”. Bem, então foi mesmo pelo ânimo de censurar. Releiam o parágrafo. Segundo diz o cantor, de tal sorte Chico sabia o que estava a defender que anteviu as reações negativas. Tinha, portanto, plena consciência do ponto de vista que estava adotado e de suas possíveis consequências.

E tudo por quê? Segundo se entende ali, porque Chico estava que era um “pote até aqui de mágoas”. Vinte anos depois, decidiu ser didático com aqueles que teriam reagido mal ao fato de ele ter “criticado a crítica”… Heeeinnn? Trinta e poucos anos depois, estaria reagindo ao fato de a Globo supostamente tê-lo banido de sua tela. Heeeinnn? Observem que Caetano, colunista de o Globo, também embarca na onda contra a emissora, permanentemente alimentada por extremistas e oportunistas. REITERO UM PONTO DE VISTA NESTA NOTA À MARGEM: não há, no mundo democrático, nenhuma emissora do porte da Globo que seja tão “progressista”, que esteja tão à esquerda. Até depredadores de laboratório, que destroem pesquisas com remédios contra o câncer, são tratados como pessoas respeitáveis, a exemplo do que se viu neste domingo no Fantástico.

Atenção, leitor!
Digamos que tudo fosse verdade. Digamos que Chico fosse realmente um artista muito maltratado pela imprensa. Digamos que a Globo o tivesse mesmo banido — não o contratando a peso de ouro em 1986, em companhia de Caetano, para uma série de programas… Digamos tudo isso! Pergunto: as questões pessoais de Chico Buarque e de Roberto Carlos são motivos fortes o bastante para que se passe a defender a censura prévia? 

Se há artista que não pode reclamar da imprensa e da crítica, convenham, é Chico Buarque — foi e tem sido mais protegido e mais paparicado do que o próprio Caetano. Este, um logólatra, sempre despertou uma reação negativa ou outra — tímidas, é verdade. O seu não engajamento explícito nas teses de esquerda lhe custou, em determinada fase, certa hostilidade. Mas isso é coisa do tempo do onça.

É espantoso, é estupefaciente, é mesmo inacreditável que Chico, segundo revela Caetano, tenha uma visão ressentida da crítica. Deus do Céu! Tome-se sua obra literária de estreia, um troço ridículo chamado “Fazenda Modelo”. Tratava-se de uma tentativa canhestra de criar um “Animal Farm” com sinal invertido. Se George Orwell fazia uma crítica devastadora e genial ao comunismo, o nosso “poeta” decidiu demolir, de maneira patética, o capitalismo — esse rapaz nunca foi modesto, o que não é um mal em si — desde que o resultado se apresente. Nunca ninguém disse um “a” de negativo sobre esse livro e os outros. Muito pelo contrário. Ele foi “tornado” (se me permitem a construção estranha) o nosso maior “poeta”, o nosso maior “prosador”, o nosso maior “pensador”, o nosso “maior qualquer coisa boa que se queira”… Por ele suspiravam as moças — no tempo em que moças suspiravam. Ainda hoje, numa idade em que é normal se esperar mais sabedoria do que sex appeal, é o oráculo dos olhos verdes. Inteligente, bonito, talentoso, progressista, oracular e, como se sabe, “pegador”. Sem querer parecer fescenino, o que a crítica e o jornalismo deixaram de dar a Chico Buarque??? Em alguns casos, não faltou nada, nem a honra…

E Caetano agora nos conta que Chico nem assim se contenta? Está em Paris escrevendo um livro novo, ficamos sabendo. Poderia ironizar aqui e dizer que o alarido dos nativos incomoda a profundidade do seu pensamento, mas soaria um tanto ressentido, né? Afinal, estou com Sêneca, e acho que o homem leva sempre o seu espírito, qualquer que seja o céu que o cubra. Já antevejo o lead dos críticos cuidadosamente escolhidos. Serão variações em torno do óbvio: “Chico pode emitir opiniões incômodas sobre biografias e direito à privacidade, mas o escritor que há nele se exacerba mais uma vez num livro em que a prosa fina e precisa revela…”. Seja lá o que revele, meu caro leitor, será, como sempre, um novo umbral da literatura. Lembro que houve quem considerasse “genial” (isto é: coisa de gênio) a letra “Mulher sem Orifício”…

Paula Lavigne
Caetano também se refere ao já lendário desempenho de Paula Lavigne no programa “Saia Justa”. Escreve:
“(…)
Os xingamentos e as distorções não podem esconder o fato de que sua beleza, seu carisma e sua sinceridade deram vida ao programa de TV a que foi. E que é sua coragem que a leva a pôr a cara a tapa. Nossos erros foram pescados e artificialmente conectados para nos desqualificar. Mas ela e eu, com nossos problemas privados, podemos ser força pública útil, mesmo em desacordo sobre o centro da discussão. (…)”

Eu aprecio pessoas que dão a cara ao tapa. É claro que sempre é necessário ver qual é a causa em nome da qual se tornam tão salientes e quais são os instrumentos de luta. Caetano já se manifestou algumas vezes a respeito e ainda não disse — como Paula não disse — quais são as ditas “distorções”. Ora, dar, de verdade, a cara ao tapa, nesse caso, seria defender, explicitamente, que os artistas estivessem protegidos de biografias por uma lei de exceção, que só valesse para eles. É claro que eu seria contra, mas me parece que seria mais corajoso e honesto.

É uma questão análoga, na estrutura (o conteúdo é absolutamente distinto), ao debate sobre a legalização do aborto. É claro que me oponho ao mérito, como sabem. Como argumentador, enfrentando outros argumentadores, o que me incomoda em certos adversários é a trapaça intelectual. Ora, tenha a coragem, então, de dizer o que realmente pensam: enquanto o feto está no corpo da mulher, é um penduricalho dela. E fim de papo. Se ela quiser se livrar dele, que o faça. Acho uma barbaridade, sim, e lutarei contra até a última vírgula, mas avalio ser preferível esse ponto de vista ao daqueles que ficam especulando se é vida ou não, se sente dor ou não, se já é gente ou não… Porque sabem que, no fundo, defendem a morte, esforçam-se para transformar o feto em “coisa” para que fique mais fácil pregar o seu descarte. Assim, repudiando a tese, prefiro os que dão “a cara ao tapa”…

Caetano, Chico, Paula — a “bela e carismática” — dizem não querer censurar a história do Brasil. Mas como fazer? Se o Artigo 20 do Código Civil for considerado pelo Supremo compatível com a Constituição, é o que vai acontecer. A única saída, então, para esses valentes é reivindicar a exceção: liberem-se as biografias, menos a dos artistas. Se Caetano Veloso e Chico Buarque enxergam um outro caminho, então digam.

Ah, Caetano…
O “velho baiano” reclama ainda:
“Sintomático que justo eu apareça com tanta frequência nas arengas. E que tudo tenha afinal caído sobre Paula Lavigne. Paula foi escolhida pelos conselheiros por causa de sua capacidade de fazer as coisas andarem. Não está ali por ser minha empresária ou por ter sido minha mulher. É quase apesar disso.”

Ah, eis aí o Caetano de sempre. Chama para si os holofotes — defende a censura, posa de black bloc, assina manifesto em favor dos grevistas do PSOL fantasiados de professores; escreve semanalmente sobre política — e depois diz ser “sintomático” que ele “apareça com tanta frequência nas arengas”… Não por acaso, e isto também é muito sintomático, a coisa se dá quando está com show novo e, parece, CD novo… Vai ver isso tudo também é mais uma prova da eficiência de sua empresária: Paula Lavigne. Afinal, convenham, Caetano andava um tanto fora do circuito. Voltou com tudo. Ele sabe que há um jeito de não ser personagem das arengas… Mas ele quer?

Os dois mais laureados artistas brasileiros, que estão numa patamar, em muitos aspectos, superior ao de Roberto Carlos (para o qual muita gente torce o nariz; às vezes, com razão; às vezes, sem), reclamam de uma imprensa e de uma crítica que, para dizer pouco, sempre os trataram — e os tratam ainda — com subserviência. Se alguém se atreve a criticá-los por isso ou por aquilo (incluindo a defesa da censura), pesa sobre esse crítico a suspeita da inveja, do ressentimento e do, como é mesmo?, viés “reacionário”.

Isso é que é cuspir no prato em que se come. Mas sabem o que fazem. Aqui e ali já vejo gente achando que há certo exagero nessa história toda, com crise de abstinência: não vê a hora de voltar a tratá-los como gênios da raça, acima das “arengas” meramente humanas. Para citar um exemplo e pôr o ponto final, Marcelo Rubens Paiva conseguiu escrever um texto no Estadão contra a censura sem citar o nome das duas estrelas. Mas deu um jeito de atacar atacar este “blogueiro”. Faz ou não faz sentido?

Bem pensado, acho mesmo que devemos todos ser gratos a Paula, Caetano, Chico… Tudo está claro a mais não poder.

Por Reinaldo Azevedo

 

O Brasil já repassou US$ 6 bilhões às ditaduras comunistas de Cuba e Angola. E O governo Dilma decretou sigilo a respeito. Para saber mais, só em 2027!!!

No dia 9 de abril deste ano, ironizei neste blog o fato de o Brasil ter criado a “Comissão da Verdade” — que chamei de “Começão da Verdade” — e a Lei de Acesso à Informação, mas decretar sigilo sobre os empréstimos que o BNDES faz a Cuba e Angola, dois países “socialistas”. O primeiro é um dos mais autoritários da Terra (sem deixar de ser corrupto); o segundo, um dos mais corruptos (sem deixar de ser autoritário). Trata-se de duas ditaduras “amigas” dos companheiros de Banânia. O que alega o comando do BNDES? Que há cláusula de confidencialidade com os tomadores de empréstimos? É mesmo, é?

A dinheirama já chega a US$ 6 bilhões (U$S 1 bilhão para Cuba e US$ 5 bilhões para Angola). Não que petistas pudessem fazer essa coisa horrível de que vou falar agora, mas sabem como é… Cumpre não criar a oportunidade, né? Digamos que pessoas desonestas decidissem transformar 1% dessa bufunfa em, como posso chamar?, “recursos não contabilizados de campanha”… Estaríamos falando de US$ 60 milhões — quase R$ 110 milhões. Digamos que fossem 5%: US$ 300 milhões (R$ 540 milhões). “Você está acusando, Reinaldo?”

Não! O mensalão, no entanto, permite a qualquer um ficar desconfiado, não é mesmo? O fato de a administração pública em Angola ser mundialmente reconhecida como espantosamente corrupta e de Cuba, por princípio, não prestar contas a ninguém também não ajuda a eliminar desconfianças. Como esquecer ainda que o “Mais Médicos” vai repassar ao governo cubano R$ 40 milhões por mês — quase R$ 500 milhões por ano? Em Cuba, isso é assunto da ditadura e do comando do Partido Comunista, que lhe dá sustentação. Por aqui, Alexandre Padilha, ministro da Saúde, já afirmou que isso não é problema nosso — “dos brasileiros”…

No dia 15 deste mês, o jornalista José Casado escreveu um artigo no Globo a respeito do assunto. Reproduzo a íntegra.
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Segredos bilionários
Os brasileiros estão obrigados a esperar mais 14 anos, ou seja, até 2027 para ter o direito de saber como seu dinheiro foi usado em negócios bilionários e sigilosos com Angola e Cuba.

Pelas estimativas mais conservadoras, o Brasil já deu US$ 6 bilhões em créditos públicos aos governos de Luanda e Havana. Deveriam ser operações comerciais normais, como as realizadas com outros 90 países da África e da América Latina por um agente do Tesouro, o BNDES, que é o principal financiador das exportações brasileiras. No entanto, esses contratos acabaram virando segredo de Estado.

Todos os documentos sobre essas transações (atas, protocolos, pareceres, notas técnicas, memorandos e correspondências) permanecem classificados como “secretos” há 15 meses, por decisão do ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, virtual candidato do PT ao governo de Minas Gerais.

É insólito, inédito desde o regime militar, e por isso proliferam dúvidas tanto em instituições empresariais quanto no Congresso — a quem a Constituição atribui o poder de fiscalizar os atos do governo em operações financeiras, e manda “sustar” resoluções que “exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de delegação legislativa”.

Questionado em recente audiência no Senado, o presidente do banco, Luciano Coutinho, esboçou uma defesa hierárquica: “O BNDES não trata essas operações (de exportação) sigilosamente, salvo em casos como esses dois. Por que? Por observância à legislação do país de destino do financiamento.” O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) interveio: “Então, deve o Brasil emprestar dinheiro nessas condições, atendendo às legislações dos países que tomam emprestado, à margem de nossa legislação de transparência absoluta na atividade pública?” O silêncio ecoou no plenário.

Dos US$ 6 bilhões em créditos classificados como “secretos”, supõe-se que a maior fatia (US$ 5 bilhões) esteja destinada ao financiamento de vendas de bens e serviços para Angola, onde três dezenas de empresas brasileiras mantêm operações. Isso deixaria o governo angolano na posição de maior beneficiário do fundo para exportações do BNDES. O restante (US$ 1 bilhão) iria para Cuba, dividido entre exportações (US$ 600 milhões) e ajuda alimentar emergencial (US$ 400 milhões).

O governo Dilma Rousseff avança entre segredos e embaraços nas relações com tiranos como José Eduardo Santos (Angola), os irmãos Castro (Cuba), Robert Mugabe (Zimbabwe), Teodoro Obiang (Guiné Equatorial), Denis Sassou Nguesso (Congo-Brazzaville), Ali Bongo Odimba (Gabão) e Omar al Bashir (Sudão) — este, condenado por genocídio e com prisão pedida à Interpol pelo Tribunal Penal Internacional.

A diferença entre assuntos secretos e embaraçosos, ensinou Winston Churchill, é que uns são perigosos para o país e outros significam desconforto para o governo. Principalmente, durante as temporadas eleitorais.

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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3 comentários

  • Claudio Luiz Galvão Cuiabá - MT

    Infelizmente tenho que concordar com o Thelmo, pois entre Marina Natureba e Dilma e sua quadrilha de petistas, vai ficar difícil escolher a Pior.

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    Aproveito para esclarecer aos amigos o significado desta palavra nova empregada no texto do Reinaldo de Azevedo: Significado de Asceta: s.m. e s.f. Pessoa que possui um modo de vida austero e/ou dedica-se à perfeição espiritual. (Etm. do grego: asketés, pelo francês: ascète)

    São sinônimos de Asceta: anacoreta, eremita e ermitão

    Definição de Asceta: Classe gramatical: Substantivo feminino e Substantivo masculino

    Separação das sílabas: as-ce-ta

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  • Telmo Heinen Formosa - GO

    A Marina Silva deve ter seguidores dos mais ignóbeis. Ela é CONTRA colheita de madeira, mesmo de árvores adultas. É CONTRA a extração de areia e argila para a construção civil. É CONTRA a moagem de pedras para fazer cimento, tirar aluminio, ferro etc... É CONTRA a inundação provocada por represas necessárias para ter água de irrigação e energia elétrica. É CONTRA a derrubada de mato para fazer lavouras, construir uma estrada e assim por diante. É a FAVOR somente de engarrafamento de cheiros para perfume.

    Ora quem é a FAVOR de uma pessoa assim deve começar desde já a se habituar a comer capim, cascas, folhas e frutos de árvores nativas, nao gastar etanol e morar em barracos de palha, aliás também está proibido tirar a palha de palmeiras como babaçú etc... então deve morar em cavernas. NÃo acredito que alguém de "sã" consciencia possa apoiar uma ambientalóide destas!

    A alternativa do Aécio está frustrada também, enquanto o FHC e o Serra estiverem vivos não emplaca, por conseguinte teremos mais(+) quatro (4) anos de Dilmanóquia! Dizem as más linguas "é melhor manter um porco já gordo do que engordar um magro ou magra..."

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