O embuste virtual faz de conta que a água do São Francisco já fez o sertão virar mar

Publicado em 06/11/2013 21:02 e atualizado em 08/03/2020 15:27 1726 exibições
por Augusto Nunes, em veja.com.br

O embuste virtual faz de conta que a água do São Francisco já fez o sertão virar mar

“A água do São Francisco é distribuída pelas bacias dos rios Jaguaribe, Apodi, Piranhas-Açu, Paraíba, Brígida e Moxotó, beneficiando uma ampla região do sertão onde vivem 12 milhões de brasileiros”, informa a locutora com voz de aeroporto no fim do vídeo de 1:44 que festeja o colosso fluvial produzido por Lula e Dilma. Os verbos sempre no presente ─ “o canal segue por…”, “a água passa pelo…” ─ avisam que a Transposição do São Francisco já está pronta. Mas só no Brasil Maravilha.

Os habitantes do país real ainda não conseguem enxergar a olho nu um único e escasso canal semelhante ao que aparece no vídeo provando que o sertão já virou mar. (Um mar de primeira, permanentemente irrigado por águas cristalinas que serpenteiam por desertos de faroeste americano e percorrem túneis mais modernos que o trem-bala). O monumento à criatividade lulopetista deveria ser concluído em 2010. Ficou para 2012, depois para 2014 e agora não tem prazo para sair do mundo da ficção.

Na reunião com 15 ministros, Dilma cobrou pressa e agilidade da turma. Decidida a mostrar serviço, quer exibir aos eleitores coisas palpáveis. O ministro da Integração Nacional, Francisco Teixeira, por exemplo, foi intimado a entregar em poucas semanas alguma coisa que ateste o avanço das obras no São Francisco. Já deve ter encomendado um vídeo mais extenso ─ e mais mentiroso.

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(por Augusto Nunes)

 

Reynaldo-BH: Eike Batista, Dilma Rousseff e Lula são gratos ao brasileiros silenciosos

REYNALDO ROCHA

Ninguém pode acusar Lula e Dilma de falta de ousadia. Parecem trotar em frente à ignara plateia desse Jockey Club de mulas.

O mundo ri de Eike. Da megalomania de quem queria ser o homem mais rico do mundo e hoje é o ex-rico que mais perdeu em menor tempo o que amealhou.

 

Pouco importa se Eike perdeu ou ganhou. Se houve quem acreditasse no fator Midas desse vendedor de pesadelos. Eike é a Rose da economia. A mim seria indiferente ─ em ambos os casos ─ o que fizeram no verão passado ao lado de Lula.

Problema deles. Mas meu dinheiro do imposto foi usado, mais uma vez, para bancar delírios e estelionatos e para custear viagens em jatinhos dos quais Lula usou e abusou. Estranha essa fixação de Lula com as coisas que voam… Aí está Rose como prova.

E mesmo no fundo do fundo do poço, com a mentira exposta e o golpe desmascarado, a Caixa Econômica Federal volta a emprestar NOSSO dinheiro para Eike Batista.

Hoje, mais R$ 460 milhões se somam aos R$ 7 bilhões já pendurados no prego do prostíbulo.

Não se fazem mais acordos espúrios nos esgotos de Brasília. Agora é necessário dar-lhes divulgação ampla, como uma espécie de aviso aos outros bucaneiros: “Vem que tem!” As burras serão usadas por pilantras, safados e incompetentes. Bastam que sejam Lula’s Boys!

A classe desclassificada (perdão pela proposital incongruência) , apoiada na podridão oficial, privatiza a corrupção e o uso de nosso dinheiro. Qual “generosidade” deve ser pedida como contrapartida?

Obviamente, nenhuma que atenda aos brasileiros com vergonha na cara, pois a única que admitimos é NÃO AUMENTAR o rombo provocado pelas brocas da OGX e congêneres (agora a OSX, empresa que transportaria o óleo da OGX, que NÃO EXISTE!) e pela desfaçatez do lobista-mor de malandros e corruptos (corruptores idem).

A CEF ─ tão enaltecida em comerciais pela bela Camila Pitanga, que corre o risco de se transformar em um emblema do oportunismo ─ abriu os cofres. E sequer viu que ao agir assim, abria também as celas. Quem sabe um dia para que os bandidos de hoje possam entrar.

Não escondem mais nada. Cometem crime à luz do sol, certos da impunidade. Que, infelizmente, é a regra.

Lula conseguiu fazer do Banco do Brasil um entreposto de corrupção ─ como no mensalão. Quebrou a Petrobras. E agora usa a Caixa como meio de ajudar a quadrilha.

Eike agradece. Lula agradece. Dilma agradece.

São gratos ao nosso silêncio.

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O alucinante fiasco fiscal, editorial do Estadão

Com as contas em mau estado e sem perspectiva de melhora significativa, o governo continua menos empenhado em resolver os problemas fiscais do que em responder às críticas e em buscar meios para disfarçar a piora das finanças públicas. Um dos mais ativos participantes desse jogo, o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, acaba de inventar um "ataque especulativo" à política fiscal brasileira, conduzido, segundo ele, pela imprensa. O governo jamais perdeu o controle de seus gastos e "o conjunto das versões sobre a política fiscal" é incompatível com a realidade, garantiu o secretário numa entrevista ao Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. O resultado de outubro foi muito bom, acrescentou Augustin, e a meta fiscal de 2013 será alcançada. Para o governo central, essa meta corresponde a R$ 73 bilhões de superávit primário, o dinheiro posto de lado para o pagamento de uma parte dos juros da dívida pública. De uma parte, somente, porque o resultado geral - incluídos os compromissos financeiros - deve ser, como de costume, negativo. 

Num dueto meio desafinado com o secretário do Tesouro, a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, defendeu a adoção de um regime de bandas para o superávit primário. Com essa mudança, o compromisso fiscal seria formalmente cumprido, se o resultado ficasse dentro de um intervalo determinado, segundo é razoável supor, pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O regime de bandas daria mais previsibilidade à gestão do gasto público e permitiria evitar a austeridade excessiva, segundo declaração citada pela Folha de S.Paulo.

Na mesma entrevista, a chefe da Casa Civil negou a existência de um problema fiscal decorrente da despesa. O problema, acrescentou, "é o baixo crescimento, conjugado com uma política agressiva de desonerações ao setor privado".

O quadro fiscal fica mais preocupante do que aquele mostrado pelos números quando altos funcionários do governo começam a negar os problemas, a inventar explicações sem pé nem cabeça e a apresentar propostas como a do regime de bandas.

Esta é uma ideia particularmente infeliz, por causa do currículo econômico do atual governo. Segundo vivem repetindo a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a inflação tem ficado normalmente dentro da meta. Essa afirmação é falsa.

A meta é 4,5%. A banda de 2 pontos para mais ou para menos (na prática, quase sempre para mais) é apenas um espaço de tolerância para acomodar situações excepcionais. Não houve no Brasil, nos últimos anos, nenhum fato excepcional, além da tolerância à inflação, para justificar uma alta de preços muito maior que a observada, em média, nos demais países emergentes e no mundo desenvolvido.

Esse frouxo conceito de meta é suficiente para desmoralizar, de imediato, qualquer proposta de um regime de banda para a meta fiscal. Além disso, a política fiscal já se tornou amplamente desacreditada pelos truques adotados para o fechamento das contas no fim de cada exercício. A chamada contabilidade criativa é apenas o grande final do espetáculo de mágicas. A parte menos inventiva da arrumação, como o recurso crescente a receitas excepcionais, já bastaria para desmoralizar a política.

Sem dúvida, os números do bimestre final de 2013 devem ser melhores que os de setembro, quando até o resultado primário ficou no vermelho. O ingresso dos R$ 15 bilhões do bônus do leilão do Campo de Libra deve contribuir significativamente para essa melhora.

Quanto à ministra Gleisi Hoffmann, ela passa longe da verdade quando nega a ocorrência de problemas do lado da despesa. Os números acumulados até setembro mostram uma expansão maior do gasto que da receita. Quanto à referência às desonerações, vale mais como confissão do que como justificativa. Na maior parte mal concebidos e mal dirigidos, esses benefícios fiscais acabaram incentivando mais o consumo do que a produção e resultaram em fiasco e desperdício, como comprova a mistura de baixo crescimento, inflação alta e contas externas em deterioração. Estará a ministra interessada em doses maiores dessa mistura tóxica?

 

O ABISMO E O BURAQUINHO, por Vinicius Torres Freire

(articulista da Folha)

"Não estamos indo para o abismo fiscal", "não há escândalo fiscal", "o Brasil não está à beira da catástrofe", diz gente do governo e mesmo fora dele. Isto é, trocando em miúdos grossos, o governo não estaria gastando a ponto de provocar uma desordem econômica crítica.

É óbvio que o Brasil não está à beira do abismo fiscal. O abismo fiscal fica no mesmo endereço de outros precipícios, tais como inflação e/ou taxas de juros desembestadas. Quando e se estivermos a um passo do buraco, todo mundo vai notar. Não vai ser preciso muito debate.

Logo, essa conversa é diversionista, desinformada ou desmiolada. Mesmo que posta em termos adequados, a discussão melhora, mas se torna apenas conservadora. Quer dizer, evitar que a dívida pública cresça de modo preocupante ou que a despesa do governo alimente a inflação é apenas "dieta de manutenção", não altera fundamentalmente nossas perspectivas econômicas.

Para começar pelo mais simples: sim, o governo meteu-se num buraquinho do qual não vai sair tão cedo a não ser que promova um aumento de impostos, inviável.

Desde 2012, o governo criou despesas permanentes e abriu mão de um volume brutal de receitas ("desonerações de impostos"). Sobra cada vez menos dinheiro para conter o crescimento da dívida. Dado que o país cresce pouco, há o risco de dívida aumentar relativamente, como proporção do PIB. Isto enerva credores do governo e potenciais interessados em investir no Brasil, que ficam ainda mais mal impressionados quando o governo tenta disfarçar o problema com mágicas.

Excessos fiscais (deficit do governo) contribuem para o aumento da inflação e do deficit externo, a seguir para desvalorizações da moeda. Tudo isso leva um credor/investidor potencial a só colocar dinheiro nesse buraquinho se tiver compensações para tais prejuízos e riscos, o que os leva a "cobrar" juros mais altos e a refugar dinheiro.

Com alguma boa vontade e sacrifícios (menos consumo), dá para remediar a coisa em uns dois anos, com o que voltaríamos ao nosso mix de mediocridade habitual com extravagâncias. Isto é, devagar e sempre, mas pagando as maiores taxas e despesas de juros do mundo, entre outros problemas.

Para lidar com isso, não adianta vir com "bandas fiscais" (o governo poupar mais em anos bons para gastar mais em anos ruins e assim estimular a economia).

Ainda que fosse sempre possível calibrar o gasto de modo a evitar flutuações econômicas (e não é), isso é coisa de economia mais normais, digamos, para simplificar. O governo do Brasil tem dívida anormalmente cara, refinanciada ao custo dos olhos da cara em prazos curtíssimos, como se fosse a de um cartão de crédito para uma família. Desperdiçamos dinheiro em juros bestiais, o que é uma ineficiência e causa iniquidades sociais em cascata.

Apenas ajustar o gasto de modo a evitar que ela cresça não resolve o nosso problema. Sem dar algum tranco nisso, sem um bom par de anos de equilíbrio nas contas públicas, não vamos quebrar esse ciclo -isso exige aperto de cintos, dá em conflitos sociopolíticos, em choro e ranger de dentes. Mas, sem isso, não mudamos de patamar. Inanidades sobre "bandas fiscais" e declarações vaporosas de amor ao "tripé" são conversa fiada.

 

Na Folha: "Eu acuso", por Luiz Felipe Pondé

O bullying ideológico com os mais jovens é apenas o efeito, a causa é maior (filosofo e articulista da Folha de S. Paulo)

Muitos alunos de universidade e ensino médio estão sendo acuados em sala de aula por recusarem a pregação marxista. São reprovados em trabalhos ou taxados de egoístas e insensíveis. No Enem, questões ideológicas obrigam esses jovens a "fingirem" que são marxistas para não terem resultados ruins.

Estamos entrando numa época de trevas no país. O bullying ideológico com os mais jovens é apenas o efeito, a causa é maior. Vejamos.

No cenário geral, desde a maldita ditadura, colou no país a imagem de que a esquerda é amante da liberdade. Mentira. Só analfabeto em história pensa isso. Também colou a imagem de que ela foi vítima da ditadura. Claro, muitas pessoas o foram, sofreram terríveis torturas e isso deve ser apurado. Mas, refiro-me ao projeto político da esquerda. Este se saiu muito bem porque conseguiu vender a imagem de que a esquerda é amante da liberdade, quando na realidade é extremamente autoritária.

Nas universidades, tomaram as ciências humanas, principalmente as sociais, a ponto de fazerem da universidade púlpito de pregação. No ensino médio, assumem que a única coisa que os alunos devem conhecer como "estudo do meio" é a realidade do MST, como se o mundo fosse feito apenas por seus parceiros políticos. Demonizam a atividade empresarial como se esta fosse feita por criminosos usurários. Se pudessem, sacrificariam um Shylock por dia.

Estamos entrando num período de trevas. Nos partidos políticos, a seita tomou o espectro ideológico na sua quase totalidade. Só há partidos de esquerda, centro-esquerda, esquerda corrupta (o que é normalíssimo) e do "pântano". Não há outra opção.

A camada média dos agentes da mídia também é bastante tomada por crentes. A própria magistratura não escapa da influência do credo em questão. Artistas brincam de amantes dos "black blocs" e se esquecem que tudo que têm vem do mercado de bens culturais. Mas o fato é que brincar de simpatizante de mascarado vende disco.

Em vez do debate de ideias, passam à violência difamatória, intimidação e recusam o jogo democrático em nome de uma suposta santidade política e moral que a história do século 20 na sua totalidade desmente. Usam táticas do fascismo mais antigo: eliminar o descrente antes de tudo pela redução dele ao silêncio, apostando no medo.

Mesmos os institutos culturais financiados por bancos despejam rios de dinheiro na formação de jovens intelectuais contra a sociedade de mercado, contra a liberdade de expressão e a favor do flerte com a violência "revolucionária".

Além da opção dos bancos por investirem em intelectuais da seita marxista (e suas similares), como a maioria esmagadora dos departamentos de ciências humanas estão fechados aos não crentes, dezenas de jovens não crentes na seita marxista soçobram no vazio profissional.

Logo quase não haverá resistência ao ataque à democracia entre nós. A ameaça da ditadura volta, não carregada por um golpe, mas erguida por um lento processo de aniquilamento de qualquer pensamento possível contra a seita.

E aí voltamos aos alunos. Além de sofrerem nas mãos de professores (claro que não se trata da totalidade da categoria) que acuam os não crentes, acusando-os de antiéticos porque não comungam com a crença "cubana", muitos desses jovens veem seu dia a dia confiscado pelo autoritarismo de colegas que se arvoram em representantes dos alunos ou das instituições de ensino, criando impasses cotidianos como invasão de reitorias e greves votadas por uma minoria que sequestra a liberdade da maioria de viver sua vida em paz.

Muitos desses movimentos são autoritários, inclusive porque trabalham também com a intimidação e difamação dos colegas não crentes. Pura truculência ideológica.

Como estes não crentes não formam um grupo, não são articulados nem têm tempo para sê-lo, a truculência dos autoritários faz um estrago diante da inexistência de uma resistência organizada.

Recebo muitos e-mails desses jovens. Um deles, especificamente, já desistiu de dois cursos de humanas por não aceitar a pregação. Uma vergonha para nós.

[email protected]

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Fonte:
Veja.com.br + Estadão

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