As quatro turbinas que explicam o sucesso petista...

Publicado em 28/09/2014 20:09 e atualizado em 29/09/2014 15:40 1887 exibições
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As quatro turbinas que explicam o sucesso petista

Tenho repetido ad nauseam em artigos e palestras: o Brasil do PT é como uma cigarra que ganhou na loteria e achou que o verão fosse durar para sempre. Irresponsável, não fez o dever de casa, não se preparou para o inverno, gastou por conta como se não houvesse amanhã. O fenômeno político Lula é análogo ao fenômeno econômico Eike Batista: fatores exógenos explicam cada um deles.

Mas há muitos analistas que fazem concessões indevidas ao PT ainda, reconhecendo um mérito inexistente. Foi o caso de Miriam Leitão em sua coluna hoje, ao falar do Bolsa Família:

“Os projetos de Bolsa Escola foram importantes como testes de políticas públicas, mas a amplitude que ele assumiu através do Bolsa Família foi uma política implantada pelo PT. Há correções a fazer, nenhuma política pode ficar estagnada, mas ela criou a grande rede de resgate dos pobres e extremamente pobres do Brasil. O PT ouviu o clamor da sociedade – que começou com Betinho, como bem lembrou Flávia Oliveira – de ter vergonha de ser um país com tantas riquezas e tantos pobres. O Bolsa Família nem sempre foi entendido pela elite, mas essa política pública nos levou a novo patamar de respeito ao cidadão. A queda dos pobres e miseráveis começou após o real, mas ganhou velocidade com as novas políticas sociais. Só a educação pública de qualidade, no entanto, nos levará ao futuro almejado de sólido desenvolvimento social.”

A jornalista ignora que a universalização e concentração em Brasília dos programas sociais anteriores é mais um problema do que uma qualidade, e hoje ficou evidente o uso político que o PT faz dessas esmolas. É voto de cabresto, não dá para negar. Não é política de estado, mas de governo, que sabe fazer terrorismo eleitoral assustando os mais pobres que dependem dessas esmolas.

A queda da pobreza não tem a ver com o Bolsa Família, e não há respeito ao cidadão nem dignidade quando se depende de esmolas estatais para sobreviver. O melhor programa social não é esmola, mas emprego decente, trabalho. E esse depende não só de melhor educação, como diz Miriam, como de um ambiente mais favorável aos negócios, possível somente com reformas liberais.

Bem mais certeiro que a jornalista foi o economista Gustavo Franco em sua coluna de hoje, sem rodeios ou falsas concessões. Franco reconhece que a bonança dos últimos anos foi possível por quatro turbinas ligadas, todas alheias ao controle do PT.

A primeira seria a reforma bancária que saneou os bancos, a segunda o ajuste das contas fiscais feito pelo governo anterior, a terceira (que dou mais peso) foi externa, a combinação do crescimento chinês com a política monetária expansionista dos bancos centrais desenvolvidos, e a quarta (que o autor dá mais peso) foi o bônus demográfico. Resume Franco:

“Os efeitos sobre a desigualdade podem ser vistos da seguinte forma: nos anos 1990, um domicílio com um casal, cada qual ganhando dois salários mínimos, e cinco filhos em idade escolar pertencia à classe D ou pior. Na segunda metade dos anos 2000 essa mesma família tinha sete pessoas trabalhando, e uma renda combinada que a colocava firmemente na classe C. Bastou as crianças crescerem. Se o avô viesse morar com a família, traria sua renda de aposentado e a opção de fazer um crédito consignado, elevando as possibilidades de consumo da família para níveis impensáveis dez anos antes. Eis a mágica da classe média: demografia e crédito, com alguma ajuda do salário mínimo. Nada disso tem a ver com o Bolsa Família, que tem sua utilidade para o que se passa dois extratos mais para baixo, na região da pobreza.

A sensação de prosperidade, portanto, deveu-se bem mais a fatores fora do controle do governo do que de suas próprias decisões. Até mesmo para poder distribuir esmolas foi preciso um ambiente econômico favorável, com recursos sobrando. Distribuir dinheiro é fácil quando ele está disponível, e até a Venezuela de Chávez fez isso em abundância, graças aos petrodólares.

Mas se o governo não teve mérito pelos acertos, teve responsabilidade por desligar cada uma dessas turbinas, ao menos aquelas internas. Desarrumou as contas públicas, adotou um protecionismo comercial que prejudicou nossa produtividade, destruiu as estatais com seu intervencionismo tosco, despertou novamente a inflação, etc. Conclui Franco:

“A ideia de que há uma crise externa culpada de tudo é uma fraude grosseira. O Brasil não carrega as feridas de 2008 que o mundo desenvolvido ainda está curando, e estamos nos beneficiando da política monetária deles. O investimento direto estrangeiro está acima de US$ 60 bilhões anuais desde 2009, por que será? Será este o impacto da crise sobre o país?

Diante das turbinas acima descritas, e dos erros cometidos, deve ser claro que o governo Dilma Rousseff meteu os pés pelas mãos na economia de forma inteiramente soberana e voluntária.

Rodrigo Constantino

 

Leonardo Souza e Mario Cesar Carvalho, na Folha:
A Polícia Federal abriu mais uma frente de investigação na Operação Lava Jato para apurar se investimentos feitos por fundos de pensão de estatais em empresas ligadas ao doleiro Alberto Youssef foram negociados pelo tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Dois fundos, o Petros, dos empregados da Petrobras, e o Postalis, dos Correios, aplicaram R$ 73 milhões e perderam praticamente todo o investimento. Vaccari nega ter participado desses negócios.

Segundo a polícia, parte do dinheiro foi para uma consultoria usada por Youssef para repassar propina de empreiteiras e fornecedores da Petrobras a políticos do PT e de outros partidos que apoiam o governo da presidente Dilma Rousseff no Congresso. E-mails encontrados pela PF em computadores de pessoas ligadas a Youssef sugerem que Vaccari ajudou os operadores do doleiro a fazer contato com o Petros em 2012, quando o grupo tentava captar recursos para o Trendbank, empresa que administra fundos de investimento. Um desses fundos quebrou no fim do ano passado, deixando um rombo de cerca de R$ 400 milhões e causando prejuízos aos fundos de pensão e a outros investidores.

Segundo os e-mails, o elo entre Vaccari e Youssef era Enivaldo Quadrado, um operador do mercado financeiro que foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal por ter distribuído dinheiro do mensalão no início do governo Lula e que mais tarde passou a trabalhar para o doleiro. Em fevereiro de 2012, um executivo do Trendbank, Pedro Torres, disse a Quadrado que precisava falar sobre o Petros. Três dias depois, Quadrado respondeu por e-mail: “Falei hoje com João Vaccari sobre Petros, vamos ter reunião com os caras dia 28/02″.

A PF interpretou a frase como uma conquista de Quadrado: “Vale ressaltar que houve tentativas por parte de Quadrado de trazer [...] outros fundos de previdência, entre eles [...] o Petros” para os investimentos do doleiro, diz um relatório. O Trendbank investiu boa parte do dinheiro que captou em papéis podres de empresas fantasmas ligadas a Youssef, apontado pela PF como chefe de um bilionário esquema de lavagem de dinheiro.

Essas empresas ofereciam como garantia aos investidores contratos de prestação de serviços com empreiteiras, mas a PF concluiu que tudo não passou de uma fraude. Duas dessas empresas, a Rock Star Marketing e a JSM Engenharia e Terraplenagem, que receberam mais de R$ 100 milhões dos recursos aplicados pelo Trendbank, repassaram ao menos RS$ 1,5 milhão em 2010 à MO Consultoria, firma controlada por Youssef. Segundo o Ministério Público Federal, os recursos repassados à MO eram propina, já que a empresa não prestava os serviços pelos quais recebia.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

O ESTADO POLICIAL DE JOSÉ EDUARDO CARDOZO. OU: SE DILMA EXISTE, ENTÃO TUDO É PERMITIDO

Cardozo: ele deveria pegar o paletó e ir embora; em vez disso, opera para ser ministro do Supremo

Cardozo: ele deveria pegar o paletó e ir embora; em vez disso, opera para ser ministro do Supremo

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, voltou a ser notícia. Seu nome aparece em mais um caso escabroso. Num país em que o Poder Executivo respeitasse a democracia, o homem deveria ter sido sumariamente demitido — e não é a primeira vez que dá motivos para isso. Ocorre que ele é auxiliar daquela presidente que quer dialogar com terroristas que degolam pessoas. E, se Dilma é presidente, então tudo é permitido. Qual é o busílis? Paulo Abrão, secretário nacional de Justiça e braço-direito de Cardozo, foi pessoalmente à PF, fora de horário de expediente, para escarafunchar um inquérito resguardado pelo segredo de Justiça e que tinha como alvo Marina Silva. Explico.

Reportagem da mais recente edição da VEJA informa que, no dia 5 deste mês, a mando de Cardozo, Abrão se encontrou com o delegado Leandro Daiello, superintendente da Polícia Federal, para colher informações sobre o Inquérito 1209/2012 que apurou suspeitas de corrupção no Ministério do Meio Ambiente, quando Marina era ministra, em benefícios que teriam sido concedidos à empresa Natural Source International. Entre os investigados, estava o empresário Guilherme Leal, que apoia a candidata do PSB à Presidência. Atenção! O inquérito já tinha sido arquivado por falta de provas, a pedido do Ministério Público. Abrão dá uma desculpa esfarrapada. Já chego lá. Antes, algumas lembranças relevantes.

Algum tempo depois do mensalão, como esquecer?, Cardozo chegou a esboçar a intenção de abandonar a política. Estaria decepcionado e enojado com a atividade. Gente que o conhecia desde a gestão da prefeita Luíza Erundina na capital (1989-1992), quando estourou o chamado “Caso Lubeca” (pesquisem a respeito), jurou que ele não cumpriria a promessa porque não seria o tipo de homem que sente nojo com facilidade. Ele tem, me asseguraram, estômago de avestruz. Um meu amigo, que trabalhou com ele naquele período, ironizou: “O Zé Eduardo deixar a política porque estaria enojado? Besteira! É mais fácil a política deixar o Zé Eduardo…”. De fato, a gente nota que o homem não vomita com facilidade.

É claro que se trata de um absurdo. Abrão disse que estava apenas querendo saber em que pé estava a coisa porque “uma revista” — ??? — estaria fazendo uma reportagem a respeito e o havia procurado. Revista??? Abrão trabalha para a publicação? É “foca” do veículo? Está na folha de pagamentos? Se apenas quisesse informações, por que foi pessoalmente à sede da PF? Não bastava um ofício? Teve de manter um encontro que nem estava na agenda do superintendente da PF? Paulo Abrão, Paulo Abrão… Este rapaz fez carreira na Comissão da Anistia e é considerado um especialista em direitos humanos. Imaginem se não fosse…

É claro que isso é coisa típica de estado policial. Não é a primeira vez que a máquina é mobilizada pelos petistas contra adversários. Em novembro do ano passado, Cardozo protagonizou outro caso rumoroso. Era o ministro quem estava por trás do surgimento de um documento apócrifo que acusava políticos de três partidos de oposição — PSDB, DEM e PPS — de envolvimento com um cartel de trens. Na primeira versão oficial, o Cade teria fornecido o papelucho à Polícia Federal. Não colou. O ministro teve de vir a público para assumir a autoria do ato. Como de hábito, bateu no peito e disse que estava apenas cumprindo o seu dever. Uma ova! Imaginem se, agora, um ministro da Justiça deve pedir à PF que abra inquéritos para apurar toda denúncia anônima que lhe chegue às mãos. A ser assim, na prática, ele manda investigar quem lhe der na telha. Basta alegar que tem um documento… apócrifo!

Já fiz um levantamento neste blog demonstrando como Cardozo colaborou, por atos e omissões, pra que as jornadas de junho do ano passado degenerassem em violência. O post está aqui. Inicialmente, o governo federal apostava que a bomba dos protestos explodiria no colo de Geraldo Alckmin. Deu tudo errado. Não só isso: no Ministério da Justiça, Cardozo se comportou como um chefe de facção, hostilizando permanentemente a polícia de São Paulo.

Cardozo coroa, agora, no fim do governo, a sua atuação com mais esta: seu braço-direito no Ministério mobilizou a máquina federal para tentar prejudicar uma adversária de Dilma na eleição. Atenção! Há uma possibilidade concreta de este senhor ser indicado pela presidente para a cadeira vaga no Supremo, com a renúncia de Joaquim Barbosa. Fiquem atentos: nos próximos quatro anos, nada menos de cinco ministros vão se aposentar. Caso a petista se reeleja, dificilmente o país escapará do acinte de ter Cardozo ocupando uma cadeira no Supremo. Com esse currículo!

Por Reinaldo Azevedo

PAULO ROBERTO COSTA REVELA: PALOCCI PEDIU DINHEIRO DA QUADRILHA QUE OPERAVA NA PETROBRAS PARA A CAMPANHA DE DILMA

Segundo Paulo Roberto, em 2010,  Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma

Segundo Paulo Roberto, em 2010, Palocci apelou ao esquema corrupto para financiar a campanha de Dilma

O engenheiro Paulo Roberto Costa, que está preso na Polícia Federal do Paraná, deve ser solto até segunda-feira. Será monitorado por uma tornozeleira eletrônica. A liberdade é parte do acordo de delação premiada. De saída, pode-se afirmar que a concessão só está sendo feita porque se considera que, até aqui, ele efetivamente está contribuindo para desvendar os meandros dos crimes cometidos pela quadrilha que operava na Petrobras. Há duas semanas, VEJA revelou parte do que ele disse à Polícia e ao Ministério Público, incluindo a lista de políticos que, segundo ele, se beneficiaram do esquema. Lá estão cabeças coroadas do Congresso e também o tesoureiro do PT, João Vaccari Neto. Na edição desta semana, VEJA revela um conteúdo que compõe o núcleo atômico da denúncia. Paulo Roberto liga o esquema corrupto à eleição de Dilma Rousseff em 2010. É isso mesmo!

Costa, como se sabe, era diretor de Abastecimento da Petrobras. Por sua diretoria, passavam negócios bilionários, como a construção de refinarias, aluguel de navios e plataformas e manutenção de oleodutos. Ele chegou ao posto em 2004 — e lá permaneceu até 2012, já no governo Dilma — pelas mãos do PP, mas foi adotado depois pelo PMDB e pelo PT. As empreiteiras que negociavam com ele pagavam 3% de comissão, e o dinheiro era distribuído, depois, a políticos. Sim, Paulo Roberto pegava a sua parte. Só em uma de suas contas no exterior, há US$ 23 milhões.

Era íntimo do poder. Lula o tratava por “Paulinho” — o Apedeuta, como se sabe, é doce com os amigos… Pois bem: Paulo Roberto revelou à Polícia Federal e ao Ministério Público que, em 2010, foi procurado por Antonio Palocci, um dos coordenadores da campanha de Dilma Rousseff à Presidência. O ex-ministro da Fazenda, que já tinha sido membro do Conselho da Petrobras, precisava, com urgência, de R$ 2 milhões. Sim, vocês entenderam: pediu, segundo o engenheiro, que a quadrilha que traficava com o interesse público lhe arrumasse a dinheirama. Nota à margem: em 2010, Palocci era um dos três homens fortes da campanha de Dilma. Os outros dois eram José Eduardo Cardozo, hoje no Ministério da Justiça, e José Eduardo Dutra, hoje numa diretoria da Petrobras. Dilma os apelidou de seus “Três Porquinhos”. Palocci, um dos porquinhos, virou ministro da Casa Civil, mas teve de deixar o cargo porque não conseguiu explicar como ficou tão rico atuando como… consultor. Adiante.

Dilma tem feito o diabo para sustentar que não sabia da casa de horrores em que havia se transformado a Petrobras. Como notou um ouvinte de “Os Pingos nos Is”, o programa  diário que ancoro na Jovem Pan, a “candidata Dilma” é aquela que finge saber tudo, e a “presidente Dilma” é aquela que nunca sabe de nada.

O dinheiro, afinal, foi parar no caixa dois da campanha de Dilma? A ver. Paulo Roberto operava por cima: negociava a propina com as empreiteiras, pegava a sua parte e depois deixava a cargo dos políticos. A sua diretoria pertencia à cota do PP — e foi a essa cota que Palocci pediu o dinheiro. A distribuição da bufunfa era feita pelo doleiro Alberto Youssef, que também fez um acordo de delação premiada. Ele poderá dizer se a dinheirama ajudou a financiar a campanha da agora presidente, que concorre à reeleição.

Embora adotado pelo PMDB e pelo PT, reitere-se, Paulo Roberto era o homem do PP. Os petistas, no entanto, tinham também o seu braço na estatal: Renato Duque, que ficou 10 anos na Diretoria de Serviços. Segundo Paulo Roberto, Duque operava exclusivamente para os petistas. Não percam isto de vista: de acordo com a denúncia, Palocci foi pedir R$ 2 milhões da cota do PP. Se mais pediu de outras cotas, eis uma possibilidade que tem de ser investigada.

Atenção! Paulo Roberto Costa só poderá ser beneficiado pelo estatuto da delação premiada se as informações que fornecer forem úteis à investigação. Se está prestes a sair da cadeia, é sinal de que a apuração está avançando.

Palocci e Dilma negam qualquer irregularidade e dizem não saber de nada.

Por Reinaldo Azevedo

 

CARLOS BRICKMANN: Em Nova York, Dilma defendeu os bárbaros, criticou quem luta contra eles e proclamou as excelsas virtudes que enxerga em seu governo

(Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Em seu eloquente discurso na Assembleia Geral da ONU, Dilma defendeu o diálogo com terroristas e rebaixou o Brasil, novamente, a anão diplomático (Foto: Ueslei Marcelino/Reuters)

Dilma é mulher e sempre se disse defensora dos direitos humanos. Como a advogada Samira Saleh al-Naimi, de Mosul, Iraque. Dilma propõe diálogo com o Estado Islâmico, que corta a cabeça de pessoas de outras religiões e trata as mulheres como inferiores. Samira foi assassinada agora pelo Estado Islâmico por defender os direitos humanos.

Dilma condenou, em Nova York, quem luta contra o Estado Islâmico. E nem tocou no nome de Samira, vítima da barbárie.

Dilma defendeu os bárbaros, criticou quem luta contra eles e proclamou as excelsas virtudes que enxerga em seu governo, ao viajar a Nova York para abrir a Assembléia Geral da ONU – tarefa que tradicionalmente cabe ao Brasil. Lá havia 150 chefes de Estado. No entanto, relata o jornal americano The Washington Post, a reunião de cúpula da organização beneficente Clinton Global Initiative, organizada pelo ex-presidente americano Bill Clinton, “ofuscou o encontro da ONU”.

Pergunta o jornal, um dos três mais importantes dos Estados Unidos: “A qual evento você preferiria ir: a um que começa com Leonardo Di Caprio, Eva Longoria e uma banda de rock, ou a um que começa com a presidente brasileira Dilma Rousseff?” Ainda bem que a repercussão foi pequena. Menos vergonhosa.

A má repercussão foi mais forte no Brasil. Tirando os bate-bumbos que acham lindo ser Tiradentes com o pescoço dos outros, Dilma foi muito criticada.

Mas não há o que estranhar: a julgar por boa parte dos ministros e auxiliares que escolheu, a presidente não deve acreditar que cabeça seja muito importante.

Fogo alto

A briga é feia entre Dilma e Marina. Uma está chamando a outra de petista.

Sugestão de pauta 

Não é só o presidente venezuelano Nicolás Maduro que conversa com animais. Um passarinho piou a este colunista a sugestão de que alguém pergunte à irmã da ministra Marta Suplicy, Tetê Smith de Vasconcellos, em quem é que vai votar para presidente. Deve ser Dilma, claro. Mas passarinhos sabem o que piam.

Fumaça de los puros

Boteco é para os fracos. Mas existe um substituto perfeito para aquela fraternal convivência de boteco, só que com preços bem mais altos para bebidas e petiscos da mesma qualidade. Como é bom cultivar a tolerância! Há um ministro do Supremo que frequenta a mesma tabacaria em São Paulo, na elegante região dos Jardins, utilizada por boa parte dos investigados na Operação Lava Jato.

Cavalos dele… 

Roberto Requião, candidato do PMDB ao governo do Paraná, em seu mandato anterior (de 2003 a 2010) colocou 88 de seus cavalos na Granja Canguiri, residência oficial do governador; lá, eles eram alimentados e tratados por conta dos cofres públicos. O Regimento da Polícia Montada da PM do Paraná precisou destacar seis soldados para cuidar da cavalhada.

(Foto: Reprodução/FabioCampana.com.br)

Requião usou dinheiro público para cuidar de seus preciosos cavalos (Foto: Reprodução/FabioCampana.com.br)

 

Todos esses dados constam do relatório final de um inquérito policial-militar, assinado pelo comandante da PM paranaense, coronel César Vinícius Kogut, e divulgado pela Folha de S.Paulo. O IPM foi encaminhado à promotora Cláudia Cristina Madalozo e à Justiça Militar.

…dinheiro nosso

De acordo com o IPM, Requião mantinha os cavalos para passeios matinais com amigos. Mantinha também no local, sempre à custa do dinheiro público, antas, cachorros, porcos, pavões e veados.

E os burros aqui pagavam a conta.

Tea Party e Estado Islâmico: ambos de direita?

Cacá Diegues: a velha esquerda que se finge moderna

Há rótulos que podem confundir mais do que elucidar. Não sou daqueles que pensam que direita e esquerda são conceitos ultrapassados – e normalmente quem diz isso defende a esquerda. Mas é preciso tomar cuidado, pois tem muita gente que manipula tais conceitos para vender uma falsa dicotomia, de que a esquerda se preocupa com o social, enquanto a direita representa o que há de mais fundamentalista, reacionário e tacanho.

Em sua coluna de hoje no GLOBO, o cineasta Cacá Diegues, que é de esquerda, comparou os três candidatos principais à Presidência, para constatar que nenhum deles é de direita (mesmo?). Celebrou o fato de que temos uma hegemonia de esquerda na política nacional. E vejam só o que ele considera ícones da tal direita:

“Nossos presidenciáveis se proclamam todos agentes da “mudança”, termo mágico dominante nessas eleições, usado tanto por quem já se encontra no poder, quanto por quem deseja assumi-lo. Nenhum dos três principais candidatos é tipicamente de “direita”. Apesar de a direita ter aprendido a ser um pouco mais sofisticada, parece que a lembrança do pesadelo dos tempos de ditadura está nos livrando dela. Podemos até encontrar, nos programas tão semelhantes dos três, algum ponto que nos desagrade; mas direita mesmo, para valer, são a família Le Pen na França, o Tea Party nos Estados Unidos, o Estado Islâmico no mundo árabe, e por aí afora.”

Entenderam? Direita, para ele, é o regime militar que tivemos, com Geisel sendo quase tão estatizante como Dilma. Ou então a família francesa Le Pen, com um discurso de ódio contra imigrantes, ao lado do Tea Party e, pasmem!, do Estado Islâmico no mundo árabe – aquele com o qual Dilma acha que devemos dialogar, enquanto degolam cabeças por aí. Isso é direita para o cineasta de esquerda.

Tamanho absurdo pode ser fruto apenas da ignorância? Confesso desconfiar da má-fé. Quem colocaria o Tea Party ao lado do Estado Islâmico assim, sem mais nem menos, além de alguém com a clara intenção de cuspir nos libertários americanos? Quer dizer que Ron Paul, que esteve no Brasil recentemente, teria algo a ver com os malucos assassinos do ISIS?

Cacá Diegues está certo em uma coisa: só dá esquerda em nossa política, ainda que existam diferenças importantes entre um PT e um PSDB, bem mais civilizado e democrático, e que aceita mais os valores do liberalismo. Mas por que ele não fala de uma direita como aquela representada por gente como Ronald Reagan ou Margaret Thatcher? Ou mesmo nosso falecido e saudoso Roberto Campos? Diz Diegues:

“Segundo Raymond Aron, a opção na política não tem nada a ver com a luta entre o bem e o mal, ela se dá entre “o preferível e o detestável”. O fim da Guerra Fria nos libertou da dualidade inexorável que aprisionava a inteligência humana em padrões absolutos. Hoje, estamos livres para seguir os diversos rumos de pensamento capazes de nos explicar as coisas. Não temos mais a rede de segurança da potência e da ideologia que apoiamos, temos que escolher por nossa própria conta. Eis aí a virtude e o problema do século 21.”

Notem como ele se sente aliviado com o fim da Guerra Fria por não precisar mais ficar “aprisionado” em padrões absolutos. Mas será que ele ignora o claro fato de que, na Guerra Fria, havia um lado evidentemente muito melhor, o capitalista liberal, ou seja, o de direita? O próprio Raymond Aron, por ele citado, era atacado pelo outro lado, o marxista autoritário, que desprezava a democracia e a economia de mercado. Era o lado esquerdo.

“Livre” das prisões ideológicas de esquerda ou de direita, hoje podemos escolher por nossa própria conta, celebra o cineasta. E ele, claramente, escolheu nostálgico a velha esquerda, precisando atacar de forma desonesta tudo aquilo que é de “direita”, como os liberais, os libertários, os conservadores e, naturalmente, os terroristas islâmicos. É mole?

Rodrigo Constantino

 

Freud: um conservador rebelde

A morte de Freud completou 75 anos nessa semana. Escrevi recentemente um ensaio sustentando a tese de que o “pai da psicanálise” não era um “progressista”, e sim um conservador em sua essência, ainda que de forma peculiar. Fico feliz ao ver que Elisabeth Roudinesco, grande especialista em Freud e que acaba de lançar nova biografia sobre ele, o define justamente como um “conservador rebelde”. Ela diz em entrevista ao GLOBO:

A senhora define Freud como um “conservador rebelde”. Por quê?

Sem dúvida é um conservador rebelde. Ele entrou em rebelião contra os modos de pensar majoritários de sua época. Ele é um liberal conservador, que induziu uma revolução do íntimo. É contemporâneo do socialismo, do comunismo, do feminismo, de todos os movimentos de emancipação. Mas sua característica é que retorne sempre ao Antigo, algo muito típico também de Viena e da cultura alemã. Para fazer uma revolução do íntimo, vai buscar modelos míticos na tragédia grega e não na modernidade literária, a qual, aliás, ele não entende muito bem. Ele tem este aspecto politicamente conservador, vota liberal, trabalha com os sociais-democratas em Viena, não confunde jamais o comunismo e o nazismo, mas não acredita que uma revolução social do tipo marxista vai dar certo. Ele é contemporâneo da Revolução Russa. Não é a favor das convulsões republicanas francesas. Mas seu movimento psicanalítico é aberto, com discípulos de todas as tendências, progressistas, conservadores. Ele era pela emancipação das mulheres, e contra a supressão das instituições. Há uma imagem muito justa de Freud: era favorável à morte do pai, ao regicídio, mas a favor de que se recolocasse um rei no trono. Isto é explicado em “Totem e Tabu”. Freud é regicida na condição de que reinstaure a monarquia depois de ter sido abolida. Não é republicano no sentido francês. Ele gosta muito de Paris, mas não é a favor de revoluções do tipo francês. O modelo para ele é Londres, o modelo econômico liberal inglês, e a cultura do Sul, a Itália e a Antiguidade romana.; e mais longe, a grega, e mais longe ainda, o Egito. Freud é um homem da bacia mediterrânica em seus sonhos, algo muito austríaco, entre o Norte e o Sul, e muito ligado ao modelo de monarquia constitucional. E ele é judeu, o que tem um papel considerável. Não é a favor do sionismo, à criação de um Estado judeu, prefere a diáspora, mas herdou algo desta rebelião. Para época de Freud, o inimigo é a religião. Ele é pela ciência. O que faz com que por vezes, em seu debate com o pastor Oskar Pfister (1873-1956), possa se enganar, confunde religião e fé. Mas para esta geração de homens sábios, originados do materialismo, o inimigo é o religioso. Ele tem isto em comum com Marx. Por isso é um conservador bastante singular. Ele é pela liberdade sexual, contra a pena de morte.

Acho que é bem por aí. Foi revolucionário em alguns aspectos, mas tinha o conservadorismo, o apreço pelo Antigo, o respeito pelas instituições enraizadas, o ceticismo com a libertinagem livre de freios, tudo isso bem sedimentado, o que jamais o colocaria no mesmo saco dos liberticidas modernos.

Rodrigo Constantino

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