Dilma não dá sorte com os ovos! Ou: Não se quebram ovos se não for para fazer “omeleta”, presidenta!

Publicado em 14/10/2014 05:55 e atualizado em 15/10/2014 05:55 1541 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com

Dilma não dá sorte com os ovos! Ou: Não se quebram ovos se não for para fazer “omeleta”, presidenta!

Maria Antonieta: sabem aquela frase dos brioches? Ela nunca a pronunciou, tadinha!.Já Holland...

Maria Antonieta: sabem aquela frase dos brioches? Ela nunca a pronunciou, tadinha! Já Holland…

Ai, ai, vamos nos divertir um pouco. Os ovos voltaram a atormentar Dilma Rousseff. Há, sim, milhões de pessoas revoltadas com a roubalheira da Petrobras, mas o inconformismo nos corredores dos supermercados não é menor. A inflação rouba salário e agride também o minúsculo poder de compra de quem recebe Bolsa Família. Não é um problema dos ricos — na verdade, estes são os únicos que conseguem se proteger. A inflação, em suma, é o pior imposto que existe contra os pobres. Um governo que flerte com ela pune quem menos tem. Qual é o busílis? Na semana passada, diante dde uma nova elevação da inflação, o secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Márcio Holland, recomendou que a população substituísse a carne pelo frango e pelos ovos. Pegou mal.

A campanha de Aécio sentiu na frase cheiro de carne queimada e levou a questão para o horário eleitoral. Diante da sugestão de um açougueiro para que a dona de casa troque a carne pelos ovos, esta responde que prefere trocar o governo. Nesta segunda, Dilma teve de vir a público para dizer que não concorda com a sugestão de seu secretário. Não sei se a emenda não ficou pior do que o soneto. A presidente-candidata prometeu ainda que, se reeleita, tomará medidas duras contra a inflação. Não disse quais nem explicou por que não as toma agora — afinal, ela já é, ou ainda é, presidente.

Coitada da Dilma! Ela não dá muita sorte com ovos. Em fevereiro de 2010, ainda ministra da Casa Civil, ela foi ao programa Superpop, de Luciana Gimenez, na Rede TV, e tentou fazer uma omelete, no que seria especialista. Ficou claro que nunca antes na sua história havia se dedicado àquele ofício. Produziu uma maçaroca hostil aos olhos e, suponho, ao paladar. Vocês encontram os vídeos no Youtube. Um daqueles diálogos impossíveis. Luciana pergunta o que ela servia à sua filha quando criança. E a então ministra responde: “Tinha que ter verde…” Tá.

Em março de 2011, com a popularidade nos píncaros da desinformação, Dilma foi ao programa de Ana Maria Braga, na Globo, para fazer… omelete. De novo! Deu errado outra vez! A sua experiência com a cozinha era tal que ela pegou bicarbonato de sódio, perguntou se era sal, a apresentadora se confundiu e disse que sim, a presidente mandou ver. Enfiou a mão no dito-cujo e não percebeu. O sal, como sabemos, mesmo refinado, é granulado. O bicarbonato é um pó. Mais uma vez, o produto de sua arte convidava o faminto à fuga. O primeiro homem que comeu a primeira ostra — imaginem com que fome não estava — fugiria das omeletes presidenciais. Vejam.

Tomo essas relações infelizes entre Dilma e os ovos como metáfora de sua dificuldade de lidar com o Brasil real, que hoje parece contaminar o seu partido. Estão desarvorados e, acredito eu, fazendo bobagens até do seu ponto de vista.

Quando comentei o assunto em 2011, lembrei em meu blog que a famosa frase “Não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos” não é do ditador soviético Stálin, que Dilma admirava tanto na juventude. Trata-se de uma crítica a ele feita por Nadejda Mándelstam, mulher do poeta Ossip Mándelstam, assassinado por ordem do ditador. No livro em que trata da culinária do mega-homicida, ela afirma sobre o verdugo bigodudo: “Cada nova morte era justificada com a desculpa de que construíamos um notável mundo novo”. Vale dizer: o futuro (a omelete) pedia a “quebra dos ovos” (as mortes). Está na página 114 do livro “Stálin – A Corte do Czar Vermelho”, de Simon Sebag Montefiore.

Todo o suposto realismo do PT, que resultou em acordos com o que de pior a política produziu ao longo da história brasileira, partia deste princípio: não se faz omelete sem quebrar ovos — ou seja, para conseguir certas coisas, serioa preciso não olhar o tamanho do estrago. Nos programas de Luciana Gimenez e de Ana Maria Braga e no Brasil, Dilma quebrou os ovos, sim, mas não entregou a omelete.

A propósito: “omelete” é palavra francesa (omelete). Os puristas, em português, propõem que se evite o galicismo e defendem “omeleta”. Sei… A omeleta sem jeito da presidenta.

PS – Ah, sim, a pobrezinha da Maria Antonieta nunca disse “se não têm pão, que comam brioches”. Era só maledicência da corte contra a… austríaca!  Holland sugeriu que se trocasse a carne pelos ovos e pelo frango. Não foi por maldade. É que os tempos são maus.

Por Reinaldo Azevedo

 

Marilena volta a ameaçar o país com a sua vassoura filosófica, tendo, agora, na rabeira, Jean Wyllys, o cara que se elegeu com a “ajuda” de Bolsonaro e Feliciano

Madame Mim - Olhem o vestidinho vermelho da bruxa...

Madame Mim – Olhem o vestidinho vermelho da bruxa…

Marilena Chaui voltou a pilotar a sua vassoura filosófica em São Paulo, desta feita em companhia do deputado federal reeleito Jean Wyllys, do PSOL do Rio, que saltou dos poucos mais de 13 mil votos em 2010 para 144.770 agora. O ex-BBB contou com a ajuda inestimável, na Câmara, de Jair Bolsonaro (PP-RJ), o primeiro colocado entre os federais fluminenses (464.72 votos), e do pastor Marco Feliciano (PSC), que obteve em São Paulo 398.087 votos. Dito de outro modo: Wyllys e seus amigos ainda rendem mais apoios à dupla do que ela a ele, mas a estridência de um lado e de outro é de interesse mútuo. Só um idiota acharia que Wyllys vê os dois como inimigos de verdade. Eles lhe garantem fama, votos e poder. Esse rapaz sabe como se livrar do paredão. Mas volto ao eixo.

Marilena e Wyllys, escoltados pelo senador derrotado Eduardo Suplicy (PT-SP), resolveram neste domingo fazer um ato público, acompanhado por meia dúzia de gatos-pingados, no Largo do Arouche, no Centro de São Paulo, área conhecida pelo tráfico de drogas e pela prostituição gay. O objetivo, leio na Folha, era mobilizar as pessoas ligadas à causa LGBT e os ditos “progressistas” — sempre quis saber o que é isso — em defesa da candidatura da petista Dilma Rousseff. Cada um defenda quem e o que quiser. É do jogo democrático. Meu comentário aqui não tem caráter partidário ou eleitoreiro. O ponto é outro.

De microfone em punho, Marilena — que se tornou notória e notável por ter dito, num encontro do PCdoB, que odeia a classe média, o que levou Lula, que estava presente, à gargalhada — pregou uma campanha “pessoa a pessoa” com o objetivo de combater “a viagem na maionese da desinformação”. Deixem-me ver se entendi: para a petista professora — que filósofa não é —, só é informado quem vota na sua candidata. E, claro!, não haverá colunista vigarista nenhum a criticá-la por isso.

Ela foi mais longe. Afirmou, segundo leio no jornal, que “não há nesse país pessoa com autoridade política ou autoridade ética para falar de combate à corrupção a não ser Dilma Rousseff”. Uau! Entendemos, assim, que Dilma está até mesmo acima das leis e das instituições. A mulher que anuncia o combate à desinformação ainda acrescentou: “Não se joga nada debaixo do tapete. É por isso que se mostra tanta corrupção. É por isso. É por uma decisão da presidente”. Errado, dona Marilena! Dilma não tomou a decisão de investigar a roubalheira na Petrobras. Foi a Polícia Federal, que é um órgão do estado, não da Presidência ou de um partido político. A professora, como de hábito, não sabe o que diz e dá uma aula porca de democracia.

Nem Wyllys nem Marilena tocaram no assalto organizado à maior estatal brasileira. Ela ainda vociferou, perguntando por que não existe ninguém punido pelo mensalão mineiro. Porque o processo começou bem depois, minha senhora! De resto, se Marilena tivesse um pingo de vergonha, digamos, filosófica, não compararia as duas coisas, que são bem distintas. Aquela que já foi considerada uma grande pensadora — eu nunca achei, é evidente! — termina seus dias fazendo terrorismo em praça pública para meia dúzia de pessoas. Afirmou que o candidato tucano quer flexibilizar a CLT — o que é mentira — e transformar direitos sociais em serviços privados — acusação igualmente mentirosa.

E Jean Wyllys? Bem, em meio às mentiras de Marilena, discursou: “Vamos fazer isso [campanha de Dilma] sem apelar para o ódio, sem apelar para a mentira [...] Vamos agir com honestidade, com clareza, com discernimento”. Ah, bom!

A Folha informa que Wyllys, em seguida, voltou ao pequeno palco para cantar com Suplicy “Blowin’ In The Wind”, de Bob Dylan. Depois de 24 anos, São Paulo decidiu aposentar o senador cantor. O tucano José Serra o venceu na disputa pela única vaga para o Senado por 11.105.874 a 6.176.499 — uma diferença de 80%. Vai ver Marilena acha que são todos… desinformados que viajam na maionese!!!

O fanatismo é o naufrágio da inteligência. Quanto a Wyllys e ao PSOL, dizer o quê? É só um PT com complexo de nanico altivo. Nem na moral se distinguem, como já provaram as deputadas Janira Rocha e Inês Pandeló, que se encrencaram com a Justiça.

Pregações dessa natureza, se querem saber, pretendem corromper o povo. Sabem por quê? Pedem que ele ignore as evidências de lambança e malversação dos recursos públicos em nome de supostos avanços sociais. Eu desafio dona Marilena Chaui a me provar por que é preciso roubar a Petrobras para conceder Bolsa Família, ProUni ou programa de moradia. Sem roubo, não sobra mais dinheiro para os pobres, professora? Aguardo a resposta da valente!

Este comentário, não adianta virem me patrulhar, nada tem a ver com partidos, ideologias ou escolhas eleitorais. Trata-se apenas de uma questão lógica.

Por Reinaldo Azevedo

 

A Petrobras é só a ponta do iceberg, para a tristeza do estilo e a má sorte dos brasileiros. Ou: Roubalheira generalizada como nunca antes na história “destepaiz”

Todo mundo sabe que este blog manda para campos de reeducação do estilo quem emprega clichês como “corações e mentes”, “desabalada carreira” e “ponta do iceberg”, muito especialmente este último, que, depois daquele navio, vem carregado de morbidez e maus augúrios. O escândalo em curso na Petrobras, no entanto, não nos deixa outra saída. De tal sorte ele é acachapante que até o estilo tem de ser sacrificado. Sim, leitores amigos, tudo o que Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef revelam é apenas a… ponta do iceberg.

Até agora, a imprensa não deu o devido peso a um trecho do depoimento de Paulo Roberto, que remete a uma questão de que tenho tratado com frequência aqui no blog. Os descalabros que estão sendo revelados na maior estatal e na maior empresa brasileira são sintomas de uma doença profunda do país, que está na origem de boa parte da nossa desgraça, dos nossos desastres, das carências do povo brasileiro, de seu atraso, de sua miséria, de sua falta de esperanças, de sua falta de perspectivas: o tamanho do estado.

Não se trata de firmar aqui uma posição meramente ideológica — mais ou menos estado na economia — ou uma escolha de princípio. Estamos lidando é com matéria de fato. Num dado momento, do depoimento, o juiz Sérgio Moro pergunta a Paulo Roberto se as empresas que se encarregavam do pagamento da propina sempre cumpriam com a sua parte. E Costa diz o seguinte, leiam com atenção:

“Essas empresas, excelência, elas tinham interesses não só dentro da Petrobras, mas em vários outros órgãos de governo, não é?, vários órgãos de governo, a nível de ministérios, a nível de secretarias etc., compostas por elementos dos partidos. Então, vamos dizer: se elas deixassem de contribuir com determinado partido naquele momento, isso ia refletir em outras obras a nível de governo, que os partidos não iam olhar isso com muito bons olhos. Então, seria um interesse mútuo dos partidos, dos políticos e das empresas, porque não visava só a Petrobras, visava hidrovias, ferrovias, rodovias, hidrelétricas etc.”

Entenderam? O que Paulo Roberto está a nos dizer é que a falcatrua, nos entes do estado, é universal. A Petrobras, então, nesse caso, era, de fato, apenas a ponta do iceberg. Esse mesmo Paulo Roberto já acusou as empreiteiras de atuar de forma cartelizada — um cartel que o Cade, comandado por um peixinho de Gilberto Carvalho, nunca se ocupou, pelo visto, de investigar. Mas isso ainda é o de menos: a ser verdade o que diz Paulo Roberto — e ele sabe muito bem como ficou multimilionário — o aparelhamento do estado, além de conduzir à ineficiência, ao atraso, ao desastre, também serve à roubalheira mais escancarada.

A sua fala não deixa dúvida: há uma estrutura gigantesca, organizada e treinada para drenar os recursos públicos. Sendo como ele diz, as empreiteiras entram, sim, como as corruptoras, mas observem que ele diz também que não lhes restam muitas alternativas. Por que elas não denunciavam? A ver. No mais das vezes, creio, o pragmatismo lhes diz que sua tarefa é fazer obras, não arrumar processos na Justiça.

O PT está no poder há 12 anos. É impressionante que o partido que chegou como a encarnação da esperança — nunca acreditei nisso porque conhecia os valentes; mas milhões acreditaram — tenha se tornado não apenas um cultor dos vícios, mas um verdadeiro reorganizador da bandalheira.

Se o PT vencer a disputa, é evidente que as coisas ficarão como estão — afinal, os companheiros não veem motivos para mudar, orgulhosos que são de sua obra, como se nota pelo horário eleitoral. Se Aécio vencer, não tenho esperanças de que possa haver um novo ciclo de privatizações das grandes empresas. Não está no seu programa. Mas se abre a possibilidade de que se estabeleçam critérios técnicos para as nomeações, para que se reduza substancialmente o número de cargos de confiança de livre provimento para que se criem mecanismos efetivos para que o estado deixe de ser capturado por larápios.

Para a tristeza do estilo e a má sorte dos brasileiros, a roubalheira na Petrobras é, sim, só a ponta o iceberg.

Por Reinaldo Azevedo

 

Alvaro Dias – “Não basta trocar o presidente. É preciso mudar a relação promíscua com o Congresso”

Por Gabriel Castro, na VEJA.com:
Nenhum senador eleito no último domingo teve um porcentual de votos tão grande quanto Alvaro Dias (PSDB-PR). O tucano teve 77% dos votos válidos em seu Estado, com uma vantagem de inacreditáveis 65 pontos porcentuais sobre o segundo colocado, Ricardo Gomyde (PCdoB). Em entrevista ao site de VEJA, o parlamentar atribui o resultado à postura clara de oposicionista que teve durante os últimos oito anos. E diz que, em um eventual governo de Aécio Neves, vai se dedicar à aprovação das reformas política, tributária e federativa.

A que o senhor credita esse porcentual tão elevado de votos?
Eu creio que seja resposta ao comportamento adotado nesses anos. Especialmente um reconhecimento ao esforço de se interpretar com certa eficiência esse sentimento de indignação nacional. Parece a mim que é uma aprovação à postura adotada nesses anos.

Isso prova que fazer uma oposição incisiva dá votos em vez de tirá-los, como temem alguns parlamentares, ou o senhor é uma exceção?
Não se deve subestimar a inteligência das pessoas. Eu imagino que o comportamento dos eleitores reflete um amadurecimento político, uma conscientização. Para ele, no caso da eleição do Paraná, foi mais importante o que se fez antes da eleição do que o que se discutiu durante a campanha eleitoral. Mais do que as promessas, vale a ação concreta desenvolvida antes dela. 

O senhor chega ao quarto mandato, o terceiro consecutivo. Teme sofrer um desgaste como o do senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que ficou 24 anos no cargo e foi derrotado nessas eleições?
É evidente que se isso ocorrer eu não disputo a eleição. Eu consultei o Paraná sobre se deveria ou não disputar a eleição, por meio de pesquisas de opinião pública. E elas mostravam um índice semelhante ao que eu tive nas urnas, contra qualquer adversário. 

Durante a última legislatura, a oposição chegou a ser a mais reduzida da história. Com o novo Congresso eleito, haverá mais equilíbrio?
Ainda não dá para fazer essa avaliação. Realmente nesses anos tivemos a menor oposição da nossa história, numericamente. Uma oposição insignificante: de 81 senadores, 15 votando com a oposição, e nem todos fazendo de fato oposição. Agora, não sei. Se ocorrer a vitória do Aécio, esperamos uma relação republicana do Executivo com o Legislativo, com a derrubada desse balcão de negócios, com o fim do toma-lá-dá-cá, da cooptação a qualquer preço. Imagino que seja possível, sim, governar sem o balcão de negócios. E aí nós teremos um Congresso mais independente, mais autônomo.

O senhor está preparado para ser da base aliada em um eventual governo do PSDB?
Certamente eu teria que mudar o modelo de atuação. Posso ser um colaborador solidário do governo, especialmente trabalhando a favor das reformas. Acho que o país depende de reformas com urgência.  Nós estamos atrasados, o país está amarrado a estruturas retrógradas, superadas, vendidas, que impedem seu crescimento acelerado. O Brasil não vai alcançar os índices de crescimento econômico compatíveis com suas grandezas sem essas reformas. Eu quero atuar no campo da construção. Pressionar a favor das reformas. É evidente que nesse sistema presidencialista, quase imperial, que temos, o papel do presidente da República é essencial para que as reformas ocorram. Quero fazer a reforma politica, que é a matriz das demais, e a do sistema federativo. O sistema está esgarçado, com um desequilíbrio gritante, promovendo injustiças flagrantes em prejuízo especialmente dos municípios na distribuição dos recursos. A crise pode se aprofundar sem a reforma do sistema federativo. Ela é essencial, tem que ser um compromisso do nosso presidente. E na esteira dela vem a reforma tributária. 

Durante muito tempo, Aécio Neves foi criticado por fazer uma oposição tímida. A ida dele ao segundo turno foi acaso ou é fruto de uma mudança de discurso?
Ele amoldou o discurso, por isso cresceu. Sempre entendi que quem conseguisse interpretar com maior eficiência esse sentimento nacional de indignação ganharia a eleição. E se ninguém interpretasse com eficiência ganharia a presidente Dilma. Num primeiro momento a Marina Silva surgiu como intérprete desse sentimento e cresceu. Mas ela não conseguiu dar consistência a esse movimento e houve uma reversão que abriu espaço para o retorno do Aécio. E o Aécio aprimorou seu discurso, o tornou mais veemente. Passou a interpretar com maior eficiência esse sentimento, que é um sentimento de reação ao sistema vigente. Especialmente nos dois últimos debates, ele assumiu com muita veemência esse papel de intérprete do sentimento de indignação nacional. Por isso eu acho que esse movimento dificilmente será revertido. É um movimento crescente e o Aécio conseguirá, a meu ver, sustentá-lo, e por isso ganhará as eleições. Se nós formos analisar pela lógica, a vitória dele é visível. A perspectiva de vitória é real porque quem votou na Marina votou também com o propósito da mudança. Então, a migração desses votos da Marina será majoritariamente favorável ao Aécio. A análise mais coerente é de que o favorito é ele.

Se vencer, ele conseguirá construir uma base de apoio sólida?
Nenhum presidente dos últimos tempos, pelo menos desde que eu estou na atividade, teve dificuldade com maioria no Congresso. Nem o presidente Sarney, num momento de grande impopularidade. Não basta substituir um presidente por outro, é preciso substituir esse sistema promíscuo. A história mostra que as civilizações entram em declínio em razão da promiscuidade e da corrupção. O Brasil entrou num período de declínio exatamente em razão da promiscuidade e da corrupção. A substituição desse sistema é uma exigência nacional e o Aécio ganha a eleição exatamente porque está incorporando essa esperança de mudança do sistema. O que eu imagino é que ele vai assumir esse papel, de não rimar governabilidade com promiscuidade, estabelecer uma relação republicana com o Congresso. Adotando medidas populares e propondo reformas de profundidade ele ganha o apoio popular. E presidente que tem o apoio popular tem o Congresso ao seu lado. Congresso não rema contra a correnteza. Prestigiar politicamente os parlamentares, mas não aceitar a hipótese da barganha, da picaretagem política explicita que ocorreu nos últimos anos. Eu acho, sim, que é possível ele conquistar uma maioria no Congresso Nacional com atitudes. Com presença política e com providências marcantes que conquistem o apoio popular.

Por Reinaldo Azevedo

Dilma se encontra com movimentos sociais e expõe as suas pretensões bolivarianas se for reeleita. Ela deixa claro: o Congresso só atrapalha!

O ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho, se encontrou nesta segunda com militantes dos ditos movimentos sociais em Pernambuco. A presidente-candidata Dilma Rousseff, por sua vez, fez o mesmo em Brasília. Ela falou o que se espera entre aliados: transformou o PT em monopolista de todas as coisas boas que já aconteceram no país, e o PSDB, em monopolista das ruins. Até aí, vá lá. Não se esperava o contrário. A coisa beirou o risível, embora seus convivas tenham achado o máximo, quando ela afirmou que, se vitorioso, o tucano Aécio Neves pretende acabar com o Mercosul e com os Brics, embora isso não tenha sido o mais preocupante do encontro. Já chego lá.

Deus do Céu! Que o Mercosul precise deixar de ser um fator de atraso para o Brasil, isso é evidente. Acabar com ele, ninguém pretende. Isso é só uma mentirinha. A tolice espantosa fica por conta dos Brics, que é só uma sigla criada pelo economista Jim O’Neill, em 2002, para designar países emergentes: Brasil, Rússia, Índia e China, ao qual se incorporou depois a África do Sul. Não é um bloco econômico. “Ah, mas eles criaram um banco…” Lamento! Não tem a menor importância. Ainda que tivesse e mesmo que o Brasil quisesse pular fora, passariam a existir os Rics… De resto, Aécio, se eleito, não teria poder para acabar nem com o Mercosul. Imaginem, então, com os Brics. É só mais uma falinha terrorista. Sei lá qual é a satisfação de falar a um grupo que está lá só para aplaudir, não importa o quê.

Mas vamos ao que preocupa. O ato foi organizado para que se entregasse à presidente um manifesto com 8 milhões de assinaturas, colhidas por entidades petistas disfarçadas de movimentos sociais, em favor de um plebiscito pela reforma política.

Depois de elogiar o protoditador da Bolívia, Evo Morales, que se reelegeu presidente (já trato do assunto), Dilma resolveu tocar música para os ouvidos dos presentes: “Eu diria de forma radical: eu não acredito que a gente consiga aprovar as propostas mais importantes, como é o caso do fim do financiamento empresarial de campanha, sem que isso seja votado num plebiscito. Não basta convocar Assembleia Constituinte, tem que votar em plebiscito. Se não votar, não tem força suficiente para fazer.”

Entenderam? Se reeleita, Dilma deixa claro que pretende dar um golpe no Congresso: ela quer uma Constituinte exclusiva para fazer a reforma política, o que é um absurdo teórico, mas a quer embalada por plebiscito. Com a força que tem o Executivo no Brasil, com sua poderosa máquina publicitária, a presidente quer ir para a galera. Foi precisamente o que fizeram Hugo Chávez na Bolívia — vejam lá como está o país — e o que está fazendo Morales, o elogiado, na Bolívia. Os opositores tiveram de deixar os dois países, a corte suprema se transformou em braço do Executivo, e as oposições são perseguidas por milícias e forças policiais.

No encontro, os presentes também atacaram o jornalismo independente, que eles chamam “mídia”. Entre os valentes, estavam a CUT, o braço sindical do PT, e o MST, o braço dito campesino do partido. Até uma certa Paola Estrada, de quem nunca ouvi falar, presidente de um tal “Movimento Consulta Popular”, decidiu atacar a imprensa. Um dos pontos de honra dos petistas, caso Dilma vença a eleição, é o tal “controle social da mídia”.

Então está combinado. Se reeleita, Dilma prometeu à CUT, ao MST e a outros movimentos sociais recorrer às mesmas práticas de Hugo Chávez e Evo Morales para reformar a Constituição. Ou me provem que não. E já deixou claro que esse eventual futuro governo não pretende comprar fatias do Congresso que se instalará em 2015. Não! Se reeleita, Dilma vai querer um Congresso Constituinte só pra ela, inteirinho.

Não custa lembrar: o perfil do Congresso eleito deixa claro que a esquerda é minoritária no Brasil. Vai ver há petistas achando que já chegou a hora da guerra civil. Pelo visto, há gente querendo as coisas na lei ou na marra.

Por Reinaldo Azevedo

 

Gilberto Carvalho reconhece a situação dramática de Dilma, mas acha que tudo deriva da cultura do ódio. E se refere a uma palavra que eu criei. Então vamos lá!

Prestem atenção a esta fala do ministro-chefe da Casa Civil, Gilberto Carvalho:
“Atravessamos um momento delicadíssimo da nossa campanha. Plantou-se um ódio enorme em relação a nós. Eu não sei o que foi aquilo. Em São Paulo, estava muito difícil andar com o broche ou a bandeira da Dilma. Em Brasília, a cidade estava amarela, sem vermelho. O ódio tem sido construído com a gente sendo chamado de ladrão. Com frequência, a gente vem sendo chamado com desprezo. Estamos sendo chamados de um grupo de petralhas que assaltaram o governo”.

Opa! De “petralhas”, eu entendo, porque fui eu que inventei a palavra, né?, fundindo “petista” com “Irmãos Metralhas”, já lá se vão, atenção!, ONZE ANOS. Ouça bem, ministro Carvalho! Eu criei essa palavra há 11 anos, em 2003, no primeiro da gestão do seu partido à frente do governo federal. Ela já foi parar no Grande Dicionário Sacconi da Língua Portuguesa, como vocês podem ver abaixo.

Desde o primeiro dia, expliquei o sentido do vocábulo e deixei claro, o que está firmado em livro — “O País dos Petralhas I” (Editora Record) —, que nem todo petista é “petralha”, só aqueles que justificam o assalto aos cofres públicos em nome de uma causa. Apanhei que foi uma beleza! Ainda hoje, uma vasta rede de blogs, sites, revistas e publicações as mais xexelentas, todas fartamente financiadas com dinheiro público, tem, entre suas missões, tentar me desqualificar.

Quando, em passado remoto, apenas 3% dos brasileiros consideravam o governo Lula ruim ou péssimo, eles sugeriam abertamente que eu deixasse o país, que eu me mudasse pra Miami, que eu fosse para a ponta do pavio. Quando a VEJA me convidou para hospedar este blog, que já existia, em 2006, vieram os vaticínios: “Vai durar pouco! Quem vai querer ler esse cara?” Pois é. O blog recebe, em média, 350 mil visitas por dia, com picos de mais de 500 mil.

Criei o termo em 2003 porque pessoas vinham me contar coisas horripilantes sobre o que se passava nos bastidores do governo. Mas quem queria saber? “Direitista!”, gritavam. “Tucano!”, vociferavam. “Vendido!”, babavam. Fiquei na minha. No máximo, indagava se o lado vitorioso não costuma pagar sempre mais, se é que entendem a ironia. Aí veio o escândalo do mensalão. Ai veio o escândalo dos aloprados. Aí veio a primeira leva de acusações sobre desmandos na Petrobras. Aí vieram as lambanças no Dnit e assemelhados. Aí veio a compra da Refinaria de Pasadena. Aí vieram Paulo Roberto Costa, Alberto Youssef e cia.

A que “ódio” se refere Gilberto Carvalho? Eu criei a palavra “petralha”, mas eu não criei “os petralhas”. Tampouco os criou a população de São Paulo. A fala de Carvalho sugere que há uma repulsa artificial ao partido, não uma reação objetiva à forma como ele governa — que, ainda assim, conta com a aprovação de milhões, a estarem certas as pesquisas de opinião.

Infelizmente, o ministro se dedica, mais uma vez, à demonização de pessoas. Em junho, Dilma ainda vencia a eleição no primeiro turno, e Alberto Cantalice, vice-presidente do PT, resolveu criar uma lista negra de nove jornalistas, articulistas e comunicadores, encabeçada por mim — os outros são Diogo Mainardi, Augusto Nunes, Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiuza, Lobão, Danilo Gentilli e Marcelo Madureira —, que fariam mal ao Brasil. Não se ouviu um pio de protesto por aqui. Quem reagiu foi a organização internacional de defesa da liberdade de imprensa http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/reporteres-sem-fronteiras-a-mais-importante-entidade-internacional-de-protecao-ao-trabalho-de-jornalistas-critica-a-lista-do-pt-de-inimigos-da-patria/. Janio de Freitas, articulista da Folha, como sou, não criticou nem a lista nem o PT, mas a… Repórteres Sem Fronteiras.

O PT tenta posar de vítima de crime de intolerância — como se o partido fosse o exemplo acabado da… tolerância. É uma piada! Por que seria vítima? Já indaguei aqui: estamos diante de alguma vanguarda que desafia o statu quo? Os petistas constituem hoje os porta-vozes da luta de oprimidos que não têm outro canal para se expressar? A legenda representa algum valor de vanguarda, que uma sociedade atrasada e reacionária se negaria a abrigar? Ora, ministro Gilberto Carvalho…

Dirijo, então, ao chefão petista as perguntas que fiz em minha coluna. Responda, ministro, por favor:

“É preciso assaltar os cofres públicos para conceder Bolsa Família? É preciso usar de forma escancaradamente ilegal os Correios para implementar o ProUni? É preciso transformar a gestão pública na casa-da-mãe-Dilma (como Lula, o pai, já a chamou) para financiar o Minha Casa, Minha Vida? Pouco importa o juízo que se faça sobre esses programas, a resposta, obviamente, é “não”. A matemática elementar nos diz que, com menos roubalheira, sobraria mais dinheiro para os pobres.”

A fala de Carvalho faz parte de uma ação coordenada do comando político do PT. O partido quer despertar o poder sempre forte — e violento — das falsas vitimas. Ódio, ministro Gilberto Carvalho, foi aquele destilado contra Marina Silva no horário eleitoral do seu partido, acusando-a, e o senhor sabe se tratar de uma mentira, de tentar retirar R$ 1,3 trilhão da educação. Ódio, ministro Gilberto Carvalho, foi aquele destilado no programa de Marina Silva, acusando-a de querer tirar a comida do prato dos brasileiros, e o senhor sabe se tratar de uma mentira, porque ela defendia a independência do Banco Central. E quem escreve aqui não é um admirador da líder da Rede, como sabem todos. Ódio é a pregação terrorista que se vê hoje na TV, agora contra Aécio Neves e FHC, fraudando números, mentindo de forma descarada, massacrando a história, distorcendo os fatos.

O PT inventou a corrupção?
Não! Eu nunca escrevi que o PT inventou a corrupção, até porque seria falso. É claro que não! Já havia antes. Está na Bíblia. Existia antes dela. A questão relevante, desde sempre, não está em ser ou não corrupto — em sendo, que o sujeito seja expelido da vida pública. A criação detestável e exclusiva do PT — e foi nesse contexto que surgiu a palavra “petralha” — é a suposta “corrupção do bem”, a suposta “corrupção necessária”, a suposta “corrupção libertadora”. Esse relativismo, diga-se, está absolutamente adequado ao amoralismo das esquerdas históricas. Stálin, por exemplo, era, a seu modo, incorruptível. Ele só não se importava em matar inocentes — inclusive ex-camaradas de jornada — para consolidar o seu poder.

Se parte considerável da população alimenta hoje um sentimento de repulsa em relação ao PT, isso não se deve a suas qualidades. Não conheço ninguém, e acho que ninguém conhece, que deixe de votar no partido por causa dos ditos “programas sociais” — que eu, no meu rigor, chamo de medidas compensatórias; se eu fosse de esquerda, diria até que são contrarrevolucionárias, como devem achar o PSOL, o PCO e o PSTU. Segundo a lógica perturbada das esquerdas, eles têm razão, não é mesmo?

Se o PT expulsasse da legenda os condenados por corrupção ativa, entre outros crimes, em vez de chamá-los de “heróis do povo brasileiro”, talvez a reação da população fosse outra.

E ainda lhe dou um conselho, senhor Carvalho: não sei se sua candidata ganha ou perde a eleição. Como o senhor sabe, torço para que ela perca. Mas, caso vença — certamente seria por margem bem estreita —, pense que será preciso governar depois. E chegar ao fim do mandato. Vocês perderam a mão e a leitura da realidade.

Ah, sim: Carvalho estava em Pernambuco, num encontro com ditos “movimentos sociais”, que divulgaram em seguida um manifesto em favor de Dilma. Muitos dos signatários são grupamentos fartamente financiados com… verbas federais. Carvalho ainda não percebeu que é crescente o número de pessoas que já não suportam esse procedimento. Justo ele, o encarregado de “falar com a sociedade”. É que Carvalho integra aquele grupo de homens que não entende que possa existir uma “sociedade” fora dos interesses do petismo.

E há!

As pessoas estão se opondo ao PT, senhor ministro, porque, de fato, não aguentam mais os “petralhas”. Sim, eu criei o termo, mas vocês criaram a espécie.

Espalhem este artigo. Vamos fazer o debate.

Por Reinaldo Azevedo

 

Do “Rouba, mas faz” ao “Rouba, mas dá bolsa família”. Ou: A confissão dos petralhas. Ou ainda: Corruptos sinceros

O ministro Gilberto Carvalho resolveu fazer seu chororô, reclamando que estão chamando os petistas de “petralhas” (post anterior). Associa isso ao que chama de campanha do ódio… Que gracioso!

Um leitor me manda esta maravilha, extraída da página do PT no Facebook.

Petralhar no Face

Notem que, incapazes de vencer o termo “petralha” — que pegou (e só pegou porque aquilo que a palavra designa se impõe como um dado da realidade) —, os “companheiros” decidiram tentar transformá-lo numa coisa boa. Impossível!

A composição acima, a seu modo, é perfeita! Afinal, o que é um “petralha”? É alguém que justifica o roubo em nome da “causa”. O sujeito que afirma ter petralhado “pelos 56 milhões que saíram da miséria”— um número falso e delirante — está dizendo, então, que, ainda que verdade fosse, adota a máxima de que não há mal nenhum em ser ladrão se for para fazer “o bem”.

O Brasil já teve a era do “rouba, mas faz”. Os valentes decidiram inovar: “Rouba, mas dá Bolsa Família”.

Veja aí, ministro Carvalho! Trata-se de uma declaração de seus aliados, na página oficial do seu partido no Facebook. Eu não lhe disse? Inventei a palavra, mas vocês inventaram a espécie, que ainda se orgulha do próprio feito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Justiça e PF dão cinco dias para empreiteiras explicarem depósitos em empresas fantasmas de Youssef. O doleiro já disse para onde ia o dinheiro…

O caso é o seguinte. Quatro empresas de fachada do doleiro Alberto Youssef receberam, em suas respectivas contas, depósitos totalizando R$ 33,5 milhões, feitos por empreiteiras que mantêm negócios com a Petrobras. Tanto Youssef como o engenheiro Paulo Roberto Costa explicaram à Polícia Federal, ao Ministério Público e à Justiça como funcionava o esquema de desvios: as empresas eram selecionadas para tocar obras, com direcionamento feito já no edital de licitação. Escolhidas, eram obrigadas a embutir no contrato o valor da propina — de 3%, segundo Costa; 2% dos quais iriam para o PT. As empreiteiras recebiam da Petrobras — tudo, aparentemente, conforme a lei — e depois entregavam o dinheiro aos chamados operadores de cada legenda: PT, PP e PMDB.

Esses operadores pegavam uma parte da grana para si e entregavam o resto aos respectivos partidos. Paulo Roberto confessa que era o operador do PP, em parceria com Youssef. O do PT, diz ele, era Renato Duque, diretor de Serviços — este nega a acusação e promete processá-lo. Nestor Cerveró seria o homem do PMDB.

Bem, seja como for, uma coisa é fato: um grupo de empreiteiras depositou dinheiro nas empresas de fachada de Youssef e agora terá de se explicar. Na sexta, em despacho, o juiz Sérgio Moro, responsável pelo processo que resultou da Operação Lava Jato, listou 12 empreiteiras que fizeram esses depósitos, afirmou haver “indícios veementes” de que as empresas do doleiro eram fantasmas e só serviam à lavagem de dinheiro e informou que a Polícia Federal já abriu inquérito para “apurar a origem, natureza e finalidade de transferências bancárias”. Foi dado às depositantes um prazo de cinco dias para prestar esclarecimentos.

Entre as intimadas estão algumas das maiores empreiteiras do país e fornecedoras da estatal, como o Consórcio Mendes Junior/MPE; o consórcio Rnest, capitaneado pela Engevix; duas empresas do grupo OAS, a Galvão Engenharia, o consórcio Sehab e a Coesa Engenharia. Também fazem parte da lista as empresas Treviso, Piemonte e Jaraguá Equipamentos Industriais.

Vejam a lista dos depósitos:
- depósitos de R$ 8.530.918,57 na conta da GFD Investimentos por parte da empresa Piemonte Empreendimentos Ltda.;
- depósitos de R$ 4.400.000,00 na conta da GFD Investimentos por parte da empresa Treviso Empreendimentos Ltda.;
- depósitos de R$ 2.533.950,00 na conta da GFD Investimentos por parte de Consórcio Mendes Júnior MPE SE;
- depósitos de R$ 3.021.970,00 na conta da GFD Investimentos por parte de Mendes Jr. Trading E Engenharia;
- depósitos de R$ 4.317.100,00 na conta da MO Consultoria por parte de Investminas Participações S/A;
- depósitos de R$ 3.260.349,00 na conta da MO Consultoria por parte de Consórcio RNEST O. C. Edificações, capitaneado pela empresa Engevix Engenharia S/A;
- depósitos de R$ 1.941.944,24 na conta da MO Consultoria por parte de Jaraguá Equipamentos Industriais;
- depósitos de R$ 1.530.158,56 na conta da MO Consultoria por parte de Galvão Engenharia S/A;
- depósitos de R$ 619.410,00 na conta da MO Consultoria por parte de Construtora OAS Ltda.

Cade
O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), ligado ao Ministério da Justiça e conduzido por Vinicius Marques de Carvalho, um petista de coração (ele diz não ser mais de carteirinha), decidiu que era hora de mexer. Até que enfim, né?

O órgão informou que pediu acesso aos depoimentos e a documentos da Operação Lava Jato para averiguar se não há indícios de formação de cartel. Muito sagazes esses rapazes! Só resta indagar agora por que demoraram tanto.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte:
Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

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1 comentário

  • Lourivaldo Verga Barra do Bugres - MT

    O secretário de política econômica quis agradar a presidente com a declaração da troca de carne por ovos. A intenção dele é que a população consuma o máximo de ovos possível até acabar o estoque, se possível com tomate! Políticos detestam tomate e ovos!

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