Por que esquerdistas fingem que não têm nada a ver com a crise que causaram?

Publicado em 18/12/2017 18:25 1029 exibições
por RODRIGO CONSTANTINO, na GAZETA DO POVO

Algumas pessoas me acham polêmico, ou que adoro um debate. Estão certas quanto ao debate, mas não me julgo polêmico. Ao menos não é a polêmica em si que busco, e sim a verdade, o conhecimento, os fatos. E, para tanto, é fundamental amar o debate. Eu adoro debater. E claro: a premissa para a existência de um bom debate é o pensamento contraditório. Debate com um espelho não é debate, é monólogo.

Mas confesso uma angústia: é mais difícil encontrar um esquerdista honesto que quer realmente debater do que um unicórnio ou um duende. Dependendo da quantidade de álcool – ou de erva proibida, dependendo da preferência – é até possível cruzar com um duende por aí. Mas um esquerdista honesto? Isso tem sido completamente impossível.

Leio todos eles. Alguns me chamam até de masoquista, e talvez eu seja, racionalizando o vício com a desculpa velha dos “ossos do ofício”. Mas eu leio, isso que importa. Leio as colunas na Folha, as entrevistas, encaro Celso de Barros, André Singer, Laura Carvalho, Vladimir Safatle, Gregorio Duvivier, a turma toda! E não consigo pescar um só argumento verdadeiro, uma só evidência de que o objetivo, ali, é de fato chegar à verdade.

Vou citar dois exemplos aqui. No primeiro deles, a troca de artigos entre Alexandre Schwartsman e Nelson Barbosa. O ex-diretor do Banco Central provou por A + B que o ex-ministro de Dilma foi não só um dos responsáveis pela Nova Matriz Econômica que afundou nossa economia, como se faz de sonso e condena a lentidão da recuperação, como se nada tivesse a ver com a crise. Schwartsman conclui em sua tréplica definitiva:

Mais recentemente reclama da velocidade de recuperação da economia, a mesma recuperação que jurava ser impossível por força do “austericídio”, e recomenda… aumento de gastos, seu elixir de óleo de cobra para qualquer ocasião.

Tais ideias têm que ser combatidas e, se Barbosa resolveu ser seu arauto, seria bom também se acostumar com as críticas, em particular sobre sua competência para educar qualquer um, que está severamente comprometida por sua visível incapacidade de aprender com seus próprios erros.

O sujeito ferrou o Brasil e ainda quer dar lição aos que apontavam o desastre iminente e eram ridicularizados pelos defensores do governo petista! É muita cara de pau, muita desonestidade intelectual mesmo.

O segundo caso é de um vanguardista do atraso, que esteve completamente errado em todas as análises e ações, há décadas! O histórico de erros de Bresser-Pereira é simplesmente imbatível: aponte uma medida estúpida que levou ao caos e lá estava sua aprovação empolgada; aponte alguma reforma positiva e lá estava ele a condenando. Não tem para ninguém!

Não obstante, ele ainda tem a cara de pau de escrever um texto oferecendo a “solução” para nossa crise: mais do mesmo, um novo “desenvolvimentismo”! É como se alguém invadisse sua casa, destruísse tudo, deixasse um rastro de caos e desordem, e depois batesse à porta para lhe oferecer um ótimo seguro contra invasores e um excelente plano de arrumação para sua casa. É o cúmulo do absurdo! Rodrigo Saraiva Marinho, do Livres, desabafou sobre o texto do desenvolvimentista:

Mas essa gente continua com espaço na mídia mainstream, sendo entrevistada pelos jornalistas, tratada como “especialistas” que deveriam ser levados a sério pela opinião pública. É uma patota que se retroalimenta, que se protege, que possui uma cota ideológica: a esquerda radical terá sempre um espaço amplo garantido na imprensa que ela mesma chama de golpista e burguesa. O círculo se fecha.

Já aqueles que desde sempre apontaram os desastres que seriam e foram causados pela esquerda, que cantaram a crise atual já em 2010, que explicaram em pormenores o que daria errado na Nova Matriz Econômica, esses são quase sempre ignorados, e chamados de radicais e polemistas.

Aí você vai lá e diz que isso tudo é uma grande palhaçada, que esses dementes estão blindados de qualquer escrutínio jornalístico por afinidade ideológica, que as “fake news” pululam nos principais veículos de comunicação, e está tudo “provado”: você só pode ser um radical em busca de polêmica! É de lascar…

Volto, para fechar, à pergunta do título, e dou a resposta: ora, porque a esquerda quer apenas poder, e danem-se os fatos! Em sua coluna de hoje, Pondé pergunta o que aconteceria se o PT voltasse ao poder, e descreve algo perto de um Apocalipse. Não é forçar a barra: é a pura realidade. A Venezuela seria nosso destino. Mas a esquerda não liga. Ao contrário: ela vive da miséria alheia, como explica Pondé, pegando carona em nosso saudoso dramaturgo reacionário:

Nelson Rodrigues dizia que, no dia em que acabasse a pobreza do Nordeste, dom Helder, o arcebispo vermelho, perderia sua razão de existir. Por isso, ele e a miséria do Nordeste andavam de mãos dadas.

O truque do PT e associados é o mesmo: destruir a economia, acuar o mercado, alimentar uma parceria com os bilionários oligopolistas a fim de manter o país miserável e, assim, garantir seu curral eleitoral.

Como o velho coronelismo nordestino –conheço bem a região: sou nascido no Recife e vivi muitos anos na Bahia–, o PT e associados têm na miséria e na dependência da população seu capital.

A esquerda finge não ter nada com a crise que causou porque ela se alimenta da crise e da mentira, eis a resposta. Quem acha que um típico esquerdista está mesmo disposto a travar um debate honesto precisa, portanto, rever sua otimista premissa. E é por isso que, com essa gente, não se pode dar moleza, fazer concessões demais, assumir que se está diante de um interlocutor sério preocupado com a verdade. São cínicos, e não devemos temer os rótulos que cínicos colocam na gente, normalmente diante de um espelho.

Rodrigo Constantino

PODCAST IDEIAS: COMO O JULGAMENTO DE LULA VAI IMPACTAR O BRASIL?

por RODRIGO CONSTANTINO

No podcast da semana passada falamos sobre o julgamento de Lula marcado para o dia 24 de janeiro, a análise pelo TRF-4 do recurso do ex-presidente sobre a condenação em primeira instância a mais de 9 anos de cadeia. O que isso significa para o Brasil? Quais são os riscos e as vantagens? Por que Lula ainda está solto? Escute e tenha um ponto de vista fora do quadrado da mídia mainstream:

Rodrigo Constantino

COMO MUDAR O DEBATE POLÍTICO MONOPOLIZADO PELOS SOCIALISTAS?

Por Roberto Rachewsky, publicado pelo Instituto Liberal

FHC diz que o povo deseja do governo coisas simples e diretas como decência, emprego, educação, saúde, transporte e segurança.

Não, senhor FHC, do governo o povo quer apenas segurança e decência. Admiro-me ainda hoje que, com toda a sua cultura e experiência, segue sem saber o que nós liberais, com cultura e experiência menores que o senhor, já sabemos. Sempre que o governo tenta oferecer algo mais do que segurança, ele perde a decência e o povo deixa de ter emprego, educação, saúde e transporte (algo que deveria ter por sua própria conta).

Ele diz também aos seus correligionários que o povo está enojado deles. Interessante que eles próprios não ficam enojados do que fazem.

A consciência só é possível com a percepção da realidade; como então não sabem ainda quem são se sabem o que fazem? Deveriam sentir nojo de si mesmos ou então não têm consciência da realidade que produzem, portanto não têm consciência do seu próprio caráter.

É preciso mudar o eixo do debate político que vem sendo monopolizado pelos socialistas de todos os matizes há décadas e mais décadas.

Acho que é importante no atual estágio da política brasileira mostrar que a chamada direita é integrada por outras forças disputando o poder que têm suas próprias e inovadoras ideias, diferentes do que temos visto desde 1964.

Os liberais e os conservadores devem intensificar o debate sobre suas diferenças, em vez de seguir discutindo com os socialistas. Isso irá trazer o eixo do debate para o nosso lado. Criaremos sinergia a partir do conflito mais do que se nos calarmos sobre o que nos afasta, ou ficarmos repetindo o que nos une.

Nossas divergências não nos enfraquecem; pelo contrário: se acreditamos nas nossas ideias, as diferenças nos fortalecem. Vamos monopolizar a atenção da opinião pública com nossos confrontos para tentar relegar os bandidos da esquerda ao lugar que merecem: o ostracismo e as manchetes da lava jato.

Liberais duelando com conservadores gentilmente, como legítimos cavalheiros. Quanto aos socialistas, bateremos neles com nossas forças conjuntas quando nos atacarem. Que esses incapazes caiam no esquecimento.

QUANTO MAIS LEIS, MAIS DÉBIL SERÁ O ESTADO DE DIREITO E MAIORES AS INJUSTIÇAS

Por João Luiz Mauad, publicado pelo Instituto Liberal

No meu último artigo, tentei demonstrar que a emergência de uma sociedade civilizada e próspera dependia menos de um código legal e normativo extenso e detalhado, e mais de normas informais que traduzissem certos valores e princípios morais universais.

Hoje eu gostaria de aprofundar o argumento, explicando por que o excesso de leis e normas, longe de resultar numa sociedade ordeira e próspera, pode causar justamente o efeito contrário.

A sanha do legislativo em Pindorama, por exemplo, é tão grande que, desde a promulgação da Constituição de 1988, já foram editadas mais de 5,4 milhões de normas, o que torna humanamente impossível aos cidadãos cumpri-las em sua totalidade, assim como às autoridades responsáveis fiscalizar o seu cumprimento. É tanta regulamentação que não seria exagero dizer que todos os brasileiros adultos já violaram alguma norma municipal, estadual ou federal em algum momento.

Mas o problema não termina aí. Como os agentes da lei jamais conseguirão fiscalizar tudo e todos, automaticamente passam a exercer enorme discricionariedade sobre quais leis devem ser impostas, quem deve ser fiscalizado e quais infratores processados.

Esse fato tem conseqüências terríveis em relação ao Estado de Direito e ao Império da Lei, especialmente no que concerne ao princípio da isonomia, segundo o qual todos são iguais perante a lei. Na verdade, a verificação das infrações depende muito mais de uma escolha deliberada e arbitrária do agente da lei do que de qualquer aplicação objetiva das regras vigentes. Assim, a igualdade de todos perante a lei é, em grande medida, suplantada pelo arbítrio de determinados indivíduos, empoleirados em postos chave. Em outras palavras, as autoridades instituídas têm o poder de decidir quais das incontáveis ​normas vigentes serão impostas a quem e quando.

Tudo isso poderia ser evitado ou pelo menos minimizado se os nossos legisladores, antes de editar uma nova norma, procurassem diferenciar nossas ações segundo dois conceitos legais, herdados da “Common Law”, segundo os quais as eventuais ações delituosas devem ser classificadas de duas maneiras: determinados atos são considerados males “per se” (do latim malum in se) – p. ex. assassinato, roubo, fraude, estupro.  Outros se classificam como males por força de proibições impostas pelos legisladores (do latim malum prohibitum) – p. ex. exercer um ofício sem a respectiva licença, dirigir sem cinto de segurança, consumir drogas, ter uma arma em casa, etc.

A identificação de um mal “per se” ou, em outras palavras,  a distinção entre o que é certo e o que é errado não depende de nenhuma lei que o defina como tal. Esse tipo de ação é errada não porque o Estado assim determina, mas porque entendemos que é errada em si mesma. Se, por exemplo, o estupro fosse apagado do código penal, continuaria sendo inaceitável pela sociedade e, de alguma maneira, punido por ela.

Por outro lado, as pessoas que cometem ações do tipo “malum prohibitum”, são considerados infratores apenas porque o legislador assim determinou, e raramente são indivíduos socialmente perigosos, como os que cometem ações “malum in se”.

Ora, sabemos que o Estado pode declarar praticamente tudo que quiser “ilegal”. Portanto, se não houver distinção entre as ações que são intrinsecamente más  e aquelas que são delituosas apenas por força da vontade do legislador, fica difícil diferenciar as pessoas verdadeiramente nocivas para a sociedade daquelas meramente prejudiciais para o Estado.

Considere as ações corajosas de Oskar Schindler para salvar 1.200 judeus da execução pelos nazistas. Se ele tivesse sido pego, os agentes de Hitler o teriam condenado à pena capital. Entretanto, é óbvio que ele merece todos os elogios do mundo por ter violado os comandos do seu governo.

O caso de Schindler é extremo, sem dúvida, mas, se pensarmos apenas por um instante, deduziremos que muitos dos crimes e contravenções derivados de ações “malum proibitum” não comprometem os direitos individuais de ninguém. Portanto, sequer deveriam ser objeto de leis, normas ou regulamentos que projetassem punições sobre comportamentos inofensivos, que não prejudicam terceiros e só são criminalizados porque a volúpia de políticos e burocratas para ditar normas sobre a vida alheia parece ser incontrolável.

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PODCAST IDEIAS: COMO JULGAMENTO DE LULA VAI IMPACTAR O BRASIL?

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Fonte:
Blog Rodrigo Constantino/Gazeta

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