Café: Vencimentos perdem mais de 1 mil pts em NY e semana encerra em queda

Publicado em 09/05/2014 17:40 e atualizado em 09/05/2014 18:25 798 exibições

O mercado do café arábica teve um dia de fortes quedas na bolsa de Nova Iorque (Ice Futures US) nesta sexta-feira (9). Os contratos para entrega mais próxima perderam entre 1.100 e 1.200 pontos e ficaram abaixo dos 190 centavos de dólar / libra-peso. A semana encerrou com 1.930 pontos de queda.

Boatos de que os estoques de passagem do Brasil estariam “confortáveis” para abastecer o mercado interno e externo, além de análises de que a ocorrência de um El Niño poderia trazer mais chuvas, diminuir o risco de geadas e beneficiar o desenvolvimento da safra 2015, podem ter influenciado mais um movimento de realização de lucros e a consequente queda nos preços. 

O contrato para entrega em maio encerrou em 180,80 centavos de dólar/libra-peso, depois de uma queda de 1.215 pontos. O vencimento julho fechou valendo 183,90 cents / libra-peso com queda de 1.160 pontos. Setembro encerrou em 186,16 cents e dezembro em 188,85 cents / libra-peso, perdendo 1.140 pontos.

O movimento de queda nas cotações começou na terça-feira (6). Na quinta-feira (8) a commodity registrou mínimas de três semanas e quebrou o patamar técnico e psicológico de 200 centavos de dólar por libra-peso. Ordens de vendas  técnicas chegaram com força e rapidez ao mercado, deixando os níveis vigentes tecnicamente fragilizados.

Estoques de passagem
Algumas agências de notícias internacionais citam os estoques de passagem “confortáveis” do Brasil como uma das razões para as recentes quedas nas cotações. 

A trader sul-africana I & M Smith informou hoje que os estoques de passagem brasileiros estão em torno de 12,5 milhões de sacas, o que seria um volume bom para garantir que o mercado se mantenha abastecido. “Esse volume indica que, ao menos que a nova safra brasileira de café fique abaixo dos 42 milhões de sacas, não há riscos de aperto na oferta do café do Brasil nos próximos 14 meses, e poucos ainda falam de uma safra abaixo dos 45 milhões de sacas... Além disso, parece haver uma certa exaustão entre os altistas na Bolsa de Nova Iorque”. 

Apesar de o mercado apontar para estoques de passagem de 12,5 milhões de sacas, ainda não há números oficiais para os estoques deste ano, que podem estar entre 8 a 12 milhões de sacas. Mas ainda que os estoques estejam, de fato, em torno de 12 milhões de sacas, o volume que está dentro da média dos últimos cinco anos, que foi de 11 mi / sacas, conforme dados históricos da Conab:


*clique para ampliar a tabela
 

O analista de mercado Eduardo Carvalhaes explica que o mercado está trabalhando com números que ainda não foram confirmados e que, mesmo que os estoques estejam mesmo em 12 milhões de sacas, este número é pequeno para atender o consumo. “Se a safra for de 45 milhões de sacas e os estoques estiverem em 12 mi / sacas, teremos 57 milhões de sacas no mercado. O Brasil precisa de 53 milhões de sacas para atender o mercado interno e externo, então teremos pouco café sobrando... Além disso, não podemos garantir que os produtores venderão seu café ou se irão guardar. Isto é, estamos, sim, com uma situação apertada de oferta”.    

Previsões climáticas controversas
Apesar de informações de que a ocorrência de em El Niño no segundo semestre pioraria as condições da produção de café no Brasil, na América Central e no Vietnã, conforme informaram esta semana a Reuters e a AccuWeather, ainda há controvérsias sobre os reais efeitos do fenômeno. 

Em uma palestra realizada na quarta-feira (7), no Seminário Internacional do Café, no Guarujá-SP, o meteorologista Paulo Etchichury, da Somar Meteorologia, apresentou um cenário diferente. Ele informou que, se o fenômeno se um El Niño se instalar a partir de junho, ele poderá beneficiar o desenvolvimento da próxima safra, diminuindo o risco de geadas e trazendo um pouco mais de chuvas para o período de seca, entre maio e setembro. Se isto realmente ocorrer, o déficit hídrico do solo será amenizado e favorecerá a nova florada. 

Eduardo Carvalhaes diz acreditar que esta análise pode ter influenciado as quedas no mercado, já que mais de 350 profissionais do setor cafeeiro, inclusive compradores internacionais, estavam presentes no evento. “Esta previsão ameniza o cenário de grandes perdas que estamos prevendo, porém, é bom lembrar que ainda não temos certeza de nada e tudo vai depender da intensidade do El Niño e se ele realmente irá ocorrer”.

Vale ressaltar ainda que, mesmo que o clima favoreça o desenvolvimeno da nova safra, o crescimento vegetativo dos ramos já está comprometido, o que faz com que o cenário de uma grande perda na produção da safra 2015/16 seja irreversível.  

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Por:
Fernanda Bellei
Fonte:
Notícias Agrícolas

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