Café: depois do tombo em NY cotações tentam se recuperar e operam no azul

Publicado em 12/05/2014 10:15 573 exibições

O café arábica negociado na Bolsa de Nova Iorque registra cotações em alta nesta segunda-feira(12). Por volta das 10h20 (Brasília) os contratos com vencimento em julho/2014 operavam a 185,75 centavos de dólar por libra-peso, acréscimo de 185 pontos em relação ao fechamento anterior. Setembro/2014 subia 185 pontos a 188,00 centavos de dólar por libra-peso e o vencimento dezembro/2014 registrava ganhos de 180 pontos a 190,65 centavos de dólar por libra-peso. A reação já era esperada depois que na sessão da última sexta-feira(09), a commodity fechou no preço mais baixo em cinco semanas, após uma uma forte realização de lucros que acabou acionando vendas automáticas quando os preços romperam o nível dos 190 centavos. Boatos de que os estoques de passagem do Brasil estariam “confortáveis” para abastecer o mercado interno e externo, além de análises de que a ocorrência de um El Niño poderia trazer mais chuvas, diminuir o risco de geadas e beneficiar o desenvolvimento da safra 2015, podem ter influenciado mais um movimento de realização de lucros e a consequente queda nos preços. 

O movimento de queda nas cotações começou na terça-feira (6). Na quinta-feira (8) a commodity registrou mínimas de três semanas e quebrou o patamar técnico e psicológico de 200 centavos de dólar por libra-peso. Ordens de vendas  técnicas chegaram com força e rapidez ao mercado, deixando os níveis vigentes tecnicamente fragilizados.

Estoques de passagem
Algumas agências de notícias internacionais citam os estoques de passagem “confortáveis” do Brasil como uma das razões para as recentes quedas nas cotações. 

A trader sul-africana I & M Smith informou na semana passada que os estoques de passagem brasileiros estão em torno de 12,5 milhões de sacas, o que seria um volume bom para garantir que o mercado se mantenha abastecido. “Esse volume indica que, ao menos que a nova safra brasileira de café fique abaixo dos 42 milhões de sacas, não há riscos de aperto na oferta do café do Brasil nos próximos 14 meses, e poucos ainda falam de uma safra abaixo dos 45 milhões de sacas... Além disso, parece haver uma certa exaustão entre os altistas na Bolsa de Nova Iorque”. 

Apesar de o mercado apontar para estoques de passagem de 12,5 milhões de sacas, ainda não há números oficiais para os estoques deste ano, que podem estar entre 8 a 12 milhões de sacas. Mas ainda que os estoques estejam, de fato, em torno de 12 milhões de sacas, o volume que está dentro da média dos últimos cinco anos, que foi de 11 mi / sacas, conforme dados históricos da Conab:


*clique para ampliar a tabela
 

O analista de mercado Eduardo Carvalhaes explica que o mercado está trabalhando com números que ainda não foram confirmados e que, mesmo que os estoques estejam mesmo em 12 milhões de sacas, este número é pequeno para atender o consumo. “Se a safra for de 45 milhões de sacas e os estoques estiverem em 12 mi / sacas, teremos 57 milhões de sacas no mercado. O Brasil precisa de 53 milhões de sacas para atender o mercado interno e externo, então teremos pouco café sobrando... Além disso, não podemos garantir que os produtores venderão seu café ou se irão guardar. Isto é, estamos, sim, com uma situação apertada de oferta”.    

Previsões climáticas controversas
Apesar de informações de que a ocorrência de em El Niño no segundo semestre pioraria as condições da produção de café no Brasil, na América Central e no Vietnã, conforme informaram esta semana a Reuters e a AccuWeather, ainda há controvérsias sobre os reais efeitos do fenômeno. 

Vale ressaltar ainda que, mesmo que o clima favoreça o desenvolvimeno da nova safra, o crescimento vegetativo dos ramos já está comprometido, o que faz com que o cenário de uma grande perda na produção da safra 2015/16 seja irreversível.  

Tags:
Fonte:
Notícias Agrícolas

2 comentários

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Complementando: O Govêrno perde todos anos uma exelente oportunidade de faturar bilhões de dólares com esta intermediação, que não custaria quase nada de investimentos, pois usaria os depósitos já existentes, mas teria que dispor, obviamentte, mais fiscais para esta empreitada...

    0
  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    O Govêrno deveria criar um orgão anexo ao Ministério da Agricultura, somente para monitorar a demanda deste produto...As vendas ordenadas pelos produtores seriam aceitas daquí pra frente somente por este departamento e as Cooperativas funcionariam como intermediárias e depositárias do Govêrno...O café ficaria retido até quando o Ministério achasse por bem vendê-lo aos exportadores ou mesmo fazer uma exportação direta, pois não se justifica um grande gerador de divisas estratégicas do pais, ficar na mão de especuladores que tem o lucro como sua principal bandeira...

    0